terça-feira, 24 de março de 2015

GRANDES (E BIZARROS) MOMENTOS DA INSANA PATRULHA DO DESTINO

 
Criada originalmente em 1963 pelo roteirista Arnold Drake, auxiliado por Bob Haney, e com os desenhos de Bruno Premiani, a Patrulha do Destino fez a sua estreia na revista My Greatest Adventure, que anteriormente contava histórias sobrenaturais, mas aos poucos foi sendo convertida em uma revista de super-heróis.
Este incomum grupo de super-heróis da DC Comics guarda uma impressionante semelhança com um certo grupo de super-heróis mutantes da Marvel Comics, que inclusive estreou a sua própria revista apenas um ano após a Patrulha do Destino.
Estes estranhos heróis combinavam perfeitamente com o estilo das histórias que protagonizavam, tão surreais quanto eles, seja durante a sua primeira aparição nos anos 60, na fase louca dos anos 80 com Grant Morrison, ou nos (particularmente esquecíveis) revivals mais recentes. Eles são bizarros!
A Patrulha do Destino é composta por super-heróis amargurados por não poderem conviver pacificamente com as pessoas comuns por causa de suas aparências bizarras causadas pelos acidentes que eles concederam seus superpoderes. E o Doutor Niles Caulder, mais conhecido como O Chefe, um paraplégico dono de um intelecto genial, reuniu todas estas figuras em uma grande equipe e os incentivou a usar os seus dons para proteger os inocentes e lutar contra o crime.
As semelhanças com os X-Men são bem evidentes, como o fato da Patrulha ter um líder cadeirante, como Charles Xavier, e ter que conviver com a rejeição daqueles que eles juraram defender, sem falar dos nomes parecidos dos primeiros grupos de inimigos que enfrentaram (a Irmandade do Mal, em Patrulha do Destino, e a Irmandade dos Mutantes, em X-Men).
 
Patrulha do Destino e X-Men: coincidência ou plágio?
Sinceramente, eu gosto bastante de ambos os grupos. Claro que, diferentemente da Patrulha, os X-Men conseguiram fama e popularidade, tendo uma imensa relevância com o mundo real. Os mutantes da Marvel Comics estão entre os grupos de super-heróis mais politizados de todos os tempos.
A Patrulha do Destino, assim como os X-Men, são uma espécie de alegoria às minorias que lutam por seus direitos e para serem aceitos pela nossa sociedade. Os membros da Patrulha poderiam aqui ser correlacionados aos cadeirantes, amputados, deformados, deficientes físicos ou mentais, etc.
O meu gosto particular pela Patrulha do Destino é pelas suas histórias interessantes, inteligentes, criativas, e acima de tudo, insanas. E para homenagear este grupo de super-heróis que já está em atividade há mais de 50 anos, selecionei alguns de seus momentos mais insanos e bizarros em toda a sua história. Algumas das cenas a seguir podem ser fortes.
 
 
Vamos começar pela apresentação de seus personagens principais. Não chega a ser um momento propriamente bizarro, mas vamos analisar porque é interessante... Se por um lado os X-Men podem ser considerados uma cópia da Patrulha do Destino, esta não escapa como uma simples vítima, já que de uma certa forma, os seus integrantes foram fotocópias do Quarteto Fantástico da Marvel Comics, que estreou a sua revista em 1961!
Ambas as equipes apresentavam quatro membros, que incluem um líder super-gênio, um ser dotado de um corpo flamejante (Larry Trainer, o Homem Negativo, guarda uma notável semelhança com o Tocha Humana), e ambos Cliff Steele, o Homem Robô, e Ben Grimm, o Coisa, eram ressentidos por estarem presos em seus corpos bizarros e alaranjados!
 
 
Definir a Patrulha do Destino desde o seu início era falar de como constantemente enfrentavam ameaças que eram tão estranhas quanto eles mesmos, como foi o Pesadelo Mecânico Nazista e muito possivelmente o mais estranho super-vilão já criado naqueles tempos, o Homem Animal-Vegetal-Mineral.
O Dr. Sven Larsen era um cientista sueco e ex-aluno de Niles Caulder, mas eles tiveram uma briga após Larsen acusar Caulder de roubar a sua ideia de um raio anti-deteriorização. Desenvolvendo uma forma de criar vida a partir de aminoácidos, Larsen ganha seus poderes após cair em um tonel destas mesmas moléculas, e promete vingar-se de Caulder e destruir a Patrulha do Destino. Ele é derrotado algumas vezes, mas sempre faz aparições após estes eventos, chegando a trabalhar para o General Immortus.
 
 
Os inimigos mais duradouros da Patrulha do Destino foram a Irmandade do Mal. E é na fase surreal dos anos 80, com Grant Morrison, que acontece um dos momentos mais insanos e perturbadores de toda a saga destes super-vilões.
Acho que nunca alguém em seu juízo perfeito desconfiaria que toda aquela devoção do gorila superinteligente Monsier Mallah para com o seu mestre Cérebro era amor (?!).
Sim, um super-gorila falante do mal, que também era um militante homossexual revolucionário francês, e o seu chefe e líder da Irmandade do Mal eram gays, e decidiram chocar a todos os leitores saindo do armário, quando o Cérebro roubou o corpo experimental do Homem Robô, podendo enfim declarar o seu amor.
Pode me chamar de intolerante se quiser, mas isso é bizarro e repulsivo demais! Se por um lado eles são simplesmente gays, por outro lado o Cérebro é zoófilo e o Mousier Mallar é necrófilo!
Um gorila e um cérebro num frasco, isso é algo difícil de se descrever.
 
 
O Homem Robô é praticamente 90 % máquina. Antes de se tornar o que é, Cliff era um piloto de corridas, mas sofreu um acidente do qual apenas o seu cérebro pode ser salvo.
Sendo ele uma máquina de combate despreocupada em perder a vida em batalha, são comuns os momentos em que tem o seu corpo destruído, como quando a Mulher Elástica torce as suas pernas para transformá-lo em uma broca, quando o General Immortus o encerra em chumbo derretido ou ainda quando vemos o Homem Robô arrancando os seus próprios membros e transforma-los em bumerangues para pegar um assassino fugitivo.
 
 
O que foi dito sobre o Homem Robô anteriormente não pode ser dito sobre o resto da equipe, que, para a infelicidade deles, não eram tão fáceis de se reconstruir. Quando eles sacrificaram as suas vidas no final da sua primeira série, este tornou-se o evento que marcou a primeira vez na história das HQ's em que uma revista cancelada acabou por ter a maioria de seu elenco de personagens principais mortos.
Como vocês podem ver pela capa, uma parte da história da dupla Arnold Drake e Bruno Premiani apela diretamente aos leitores para escreverem para salvar a equipe. Mas a julgar pelo fato de que levaram-se nove anos para vermos o retorno Patrulha do Destino, eles não foram capazes de gerar um mesmo tipo de lealdade fanática que manteve Spider-Girl por 125 publicações. Azarados até o fim, esses caras.
 
 
Os anos 80 viram o retorno do Patrulha do Destino agora com o escritor Paul Kupperberg, mas a série realmente não decolou até a chegada de Grant Morrison. O genial roteirista escocês pegou o mais bizarro grupo de super-heróis de todos os tempos e conseguiu deixa-lo ainda mais bizarro (e legal), dando ao título uma direção mais surreal.
Primeiro, Morrison estabeleceu uma nova equipe com a presença do Homem Robô, e ainda incluiu Jane Maluca, uma mulher esquizofrênica com 64 personalidades distintas, cada uma com o seu próprio superpoder!
 
 
O mais estranho ainda nesta fase surreal eram os novos vilões que a equipe enfrentava. A Irmandade do Mal foi substituída por um novo e extravagante grupo de criminosos conhecidos como a Irmandade de Dada. Tendo sido inspirado pelo movimento artístico do Dadaísmo, este grupo de criminosos parece não reconhecer os conceitos de "bem" e "mal", sendo por isso mais precisamente descritos como "vilões sem lei". 
Os integrantes do Irmandade de Dada são um show a parte: O Senhor Ninguém (provavelmente baseado em um personagem de mesmo nome de um desenho de Betty Boop) tinha a habilidade de prejudicar a saúde mental de outros seres, Sleepwalk era "overpower" e adquiria uma superforça apenas quando caía em sonambulismo, e ainda havia Questionário, uma vilã japonesa que tem todos os superpoderes que seu adversário não tenha pensado (isso mesmo, esse é o seu superpoder).
 
 
Outro novo vilão (que felizmente nunca mais foi visto desde então) foi o Hunter Beard, uma paródia hilariante de Frank Castle, o Justiceiro da Marvel, na forma de um assassino com um intenso e permanente ódio por pelos faciais (devido a um problema hormonal que impede o crescimento de sua barba) e uma propensão para rasgar suas roupas e lubrificar os seus músculos durante as lutas para parecer mais "danificado pela batalha".
 
 
Nem todos os novos personagens que apareceram durante esta fase foram vilões. Durante a era Morrison, a Patrulha do Destino ganhou aliados como Danny, a rua. Este era uma avenida consciente (sim, isso mesmo!), que possuia grande intelecto, capaz de percorrer todo o planeta e teletransportar seus aliados para onde quiser, além de ser um travesti (?!), exprimindo-se com decorações de toldos ou cortinas com babados cor-de-rosa e outras esquisitices. E mais tarde ele evolui tornando-se Danny, o mundo (loucura é pouco).
Mas o mais famoso deste novo elenco foi Flex Mentallo, um homem-músculo inspirado pelo fisiculturista Charles Atlas, e dentre os seus feitos destacou-se o episódio em que foi capaz de usar a sua força para mudar a forma da base do Pentágono, transformando-o em um círculo. Tal acontecimento se deu no assustador arco "The Pentagon horror", quando descobriu-se que o serviço secreto do governo dos Estados Unidos estava transformando mortos em soldados.
Flex Mentallo provou sua popularidade e até passou a ser a estrela em quatro edições de uma minissérie por Morrison que conta a sua origem, mas houve uma polêmica com a repercussão deste conto quando a empresa de Charles Atlas abriu um processo devido a semelhança entre os personagens, o Flex e o Charles Atlas "mito". A ação foi julgada improcedente, graças às leis de uso justo que protegem a paródia, mas a DC nunca reeditou a minissérie.
 
  
Em um dos momentos bizarros mais lembrados da série, em Patrulha do Destino # 53, vemos Morrison levar o time de volta às suas raízes controversas. Não apenas com a reformulação da Patrulha do Destino como "The Legion of the Strange", análogos claros do Quarteto Fantástico, mas as versões Marvel de outros personagens da Vertigo também são apresentados, como John "Hellblazer" Constantine e o Vingador Fantasma!
 
 
Após o final da série, Morrison proporcionou o momento mais estranho e divertido de todos, quando ele e mais um time de artistas que incluiu Keith Giffen, Mike Mignola e Walt Simonson, criaram a Doom Force, uma paródia escrachada da X-Force de Rob Liefeld.
E a paródia mal foi disfarçada como um spin-off baseado nos personagens da outra editora, com um elenco formado por figuras como Shasta, a Montanha Viva, e The Scratch, que pode lembrar um certo personagem da Marvel chamado Wolverine.
 
Obviamente, não faltam momentos completamente bizarros na história da Patrulha do Destino... Quais são seus favoritos?

sábado, 14 de março de 2015

A CRÍTICA SOCIAL DO CHAPOLIN COLORADO

 
Quando eu era moleque já discutia constantemente sobre os seriados humorísticos do grande Roberto Gómez Bolanõs. E tive, como a maioria das pessoas, o conhecimento sobre os trabalhos do já saudoso Chespirito através dos seriados Chaves e Chapolin que até hoje são exibidos na TV.
A discussão era sobre qual destas duas séries seria a melhor. E eu acho que Chaves é um seriado feito para um público mais amplo, sua forma de fazer humor era mais simples e adorável. Mas não nos esqueçamos que, mesmo com todo o talento do elenco, o seriado perdia muito do seu brilho na ausência de certos atores, principalmente Ramón Valdéz e Carlos Villagrán.
Já o Chapolin, o considero um personagem mais completo, e hoje, como um adulto, tenho uma visão diferente dele. O Chapolin Colorado era um programa que satirizava abertamente a figura do super-herói, brincava e fazia galhofa desse universo, com seus personagens excêntricos e situações absurdas. Assistir as aventuras do Polegar Vermelho nos dias de hoje me deu um novo olhar, aquelas histórias tinham nuances que nunca percebi quando criança. Por isso, acredito que o Chapolin seja um personagem que você aprende a apreciar mais depois de mais velho.

Além de satirizar os heróis norte-americanos, o Chapolin trazia uma grande crítica social da América Latina. Afinal, ele era um herói “sem dinheiro, sem recursos, sem inventos sensacionais, fraco e tonto”, nas palavras do seu próprio criador. Mas por outro lado, mesmo sendo um grande covarde, o Chapolin também é valente por ser capaz de superar seu medo para ajudar a quem precisa.
"Herói não é aquele que não sente medo, mas aquele que o enfrenta", "A força bruta jamais conseguirá superar a inteligência". Todos esses valores foram ensinados pelo personagem de Chespirito.

Movimentos estudantis mexicanos na década de 60.
Agora vamos falar um pouco de história. O Chapolin surgiu em um momento de turbulência na América Latina. Em 1970, quando da estreia do seriado, acontecia a Copa do Mundo de Futebol realizada no México, sendo que o país ainda fora sede da Olimpíada de 1968. Estes eventos deram grande visibilidade ao México e à América Latina, palco de movimentos estudantis na década de 60, reflexos da Guerra Fria, disputa ideológica, militar e espacial, envolvendo Estados Unidos (capitalista) e União Soviética (comunista).
Para quem não sabe, o tio de Roberto Gómez Bolaños, Gustavo Díaz Ordaz Bolaños, foi presidente do México durante o período de 1964-1970. Seu governo não era ditatorial como o regime militar brasileiro (1964-1985), mas este governo também não tolerava protestos. Em setembro de 1968, o Exército ocupou a Universidade Autônoma do México (UNAM) para dar um fim as revoltas. E foi no dia 2 de outubro, às vésperas da Olimpíada, que 15 mil estudantes protestaram nas ruas da Cidade do México contra a ocupação da UNAM. O Exército mais uma vez foi chamado para acalmar a revolta e conter os manifestantes, e estes foram duramente reprimidos, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Tlatelolco. Até hoje, não se sabe o número certo de mortos.

Massacre de Tlatelolco
A influência estrangeira nos países subdesenvolvidos foi tema de vários episódios do super-herói atrapalhado de Chespirito. Várias eram as citações irônicas e provocativas para com os super-heróis estadunidenses. No episódio em que enfrenta o Pistoleiro Veloz, o Chapolin chega a dizer que os seus rivais, como Batman e Superman, não gostam de mulheres. Algo semelhante acontece no episódio “No es lo mismo el pelotón de la frontera, que la pelotera del frontón” de 1976, quando o Chapolin, ao balançar em um cipó, comenta que ensinou o método “a um tal de Tarzan dos macacos, mas ele não aprendeu muito bem”.
Ah, nunca se esqueça: o Chapolin não bebe leite, prefere uma limonada com suco de tomate. Porque leite é para o Batman e o Superman que precisam de vitaminas.
O Chapolin se enche de patriotismo ao declarar que seus defendidos não precisam de “heróis importados”. Como bem explicou o Doutor Chapatin, também interpretado por Chespirito: “tudo começou quando o povo da América Latina se deu conta que seria urgente que tivéssemos um herói local, um herói autóctone, um herói que falasse a nossa língua”.
 
Afresco de Diogo Rivera - Tema Revolução Mexicana
Esse espírito nacionalista surgiu muito antes da chegada do herói. Em 1900, a sociedade mexicana estava dividida, enquanto a classe média (composta por cerca de um milhão de pessoas) desfrutava de certo conforto, trabalhando em escritórios e ouvindo músicas norte-americanas, havia a nação camponesa (com cerca oito milhões de agricultores, a maioria de ascendência indígena) que se encarregava da produção de grãos. Mesmo com uma economia essencialmente rural, a posse da terra era privilégio de somente 3 % da população. Assim quem detinha o poder no campo e o controle da riqueza nacional eram os latifundiários, uma realidade que persistiu até a década de 30.
Foi naquele tempo que o modelo norte-americano de progresso começou a ser questionado. Com o cinema chegando à América Latina em 1890, o pensamento latino-americano associou-se à Europa e aos Estados Unidos. Assim, era Hollywood quem definia o que o público esperava de uma produção cinematográfica. Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), 95 % de suas produções eram assistidas pelos novos espectadores.
 
 
A visão norte-americana dessa época valia-se da raça e da cultura para interpretar os vários povos latino-americanos, estes tidos como culpados pela pobreza, pela instabilidade e pelas ditaduras. Faltava-lhes disciplina para formar sociedades estáveis e democráticas. Criou-se a imagem de um mexicano preguiçoso e apático, muito embora a realidade dos lavradores e camponeses fosse outra.

Quando os Estados Unidos, em 1929, dirigiram para a América Latina 40 % de seus investimentos no exterior, movimentos nacionalistas transformaram a região, indo além da classe média urbana. Um ressentimento tomou conta das críticas ao imperialismo norte-americano, em virtude da perda de metade do território e de resquícios de políticas implantadas sistematicamente, como a Doutrina Monroe (1823).
 
Esse sentimento nacionalista foi colaborado pela Revolução Mexicana, liderada por Emiliano Zapata e Pancho Villa, que, além de ter derrubado o regime do General Porfírio Diaz (1876-1911), instituiu a Constituição de 1917, concedendo, entre outros direitos, o de propriedade da terra. A primeira vitória do campesinato.

Jorge Negrete
Foi durante ás décadas de 20 e 30 que houve um grande incentivo na produção nacional no país, com músicas e danças folclóricas, pratos tradicionais e artesanato. Os filmes mexicanos tinham tipos másculos como Jorge Negrete, versão mexicana do caubói norte-americano, que competiam agora com Hollywood. A produção cinematográfica das décadas de 40 e 50 também foi muito rica, graças a Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes (1911-1993), este eleito há poucos anos o melhor comediante do México, com seu personagem Cantinflas, conquistando o público com seu jeito atrapalhado de falar.
 
Lázaro Cárdenas
Durante a presidência de Lázaro Cárdenas (1934-1940), buscou-se idealizar um México melhor e mais justo. Sobre o imperialismo norte-americano, Cárdenas declarou a famosa frase: “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os nacionalistas enfrentaram grandes desafios de ordem social, política e econômica, sofrendo também com a hostilidade dos Estados Unidos. Apaga-se, assim, a ideia do bom vizinho. Nos anos 40, o México dispunha de um sistema de partido único, o PRI (Partido Revolucionário Institucional), este caracterizava uma democracia aparente. Foi um período de notável crescimento, com a moeda mexicana mantendo-se firme. Os Estados Unidos exibiam prosperidade e “boa vida” através da mídia, com propagandas de carros e artigos domésticos. Entretanto, ofereciam pouca ajuda ao público mexicano, desejoso de alcançar tais bens.


Super Sam
No seriado do Chapolin Colorado, a hegemonia dos países industrializados no mundo subdesenvolvido é simbolizada por meio de Super Sam, interpretado por Ramón Valdéz. O personagem é o paradigma do poderio norte-americano: uniforme semelhante ao do Superman, com direito ao famoso símbolo no peito do traje azul, e cartola com as cores da bandeira estadunidense. Como nunca fora chamado para ajudar alguém, suas aparições na série eram fruto da intromissão nas ações do Chapolin. Enquanto o herói mexicano tem sua marreta biônica como arma, o Super Sam carrega consigo "a arma mais poderosa" (um saco de dinheiro) e diz “Time is money!” como seu lema.
O Super Sam não é nada mais do que uma sátira inteligente e certeira sobre a mais reconhecida característica norte-americana, uma clara alusão ao pragmatismo da política externa dos Estados Unidos, quase sempre visando ganho capital, em detrimento de qualquer valor moral.
 
John Kennedy
Em 1961, o então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy propôs a “Aliança para o progresso” durante a Conferência de Punta del Leste, no Uruguai. Na proposta, Kennedy forneceria 20 bilhões de dólares aos países latino-americanos por dez anos. A execução do programa ficou comprometida em virtude do assassinato de Kennedy, em 1963, mas denota-se o viés ideológico da ajuda financeira dos Estados Unidos, em plena Guerra Fria e apenas dois anos depois da Revolução Cubana.
 
"De los metiches líbranos señor", 1973.
A estreia de Super Sam na série aconteceu em 1973, no episódio “De los metiches libranos señor”. Nele, o criminoso soviético Dimitri Panzov, interpretado por Edgar Vivar, deseja se casar com uma camponesa já comprometida. Ao chamar pelo Chapolin, surge o herói errado, Super Sam. A camponesa insiste que quer ser ajudada pelo Chapolin, que aparece tropeçando, como sempre.
No episódio, Chapolin e Super Sam duelam para decidir quem protegerá a pobre senhorita. Aproveitando-se da situação, Panzov rapta a moça e a prende dentro de casa com uma bomba. Chapolin corre do soviético, que, cansado, é levado a marretadas para dentro da casa da camponesa. Já Super Sam aproveitou-se da perseguição para entrar no local e desprendê-la, mas ela já havia se soltado e se encontrado com seu noivo.
A última cena do episódio é antológica. Com o soviético e o norte-americano dentro da casa, Chapolin, acidentalmente, senta no detonador da bomba, que explode. Do interior da casa, saem Dimitri Panzov e Super Sam, abatidos. O soviético saiu usando cartola; o estadunidense, o típico chapéu russo. O fim que mereceram os dois intrometidos. Essa é a resposta do povo mexicano às duas superpotências exploradoras: Fora do nosso país!
 
Já o episódio “Todos caben en un cuartito, sabiéndolos acomodar” de 1977 é carregado de sutis representações da relação entre Estados Unidos e América Latina. Em um hotel com somente um quarto disponível, Chapolin e Super Sam são atendidos por duas pessoas diferentes, que mostram o mesmo quarto aos dois heróis. No entanto, eles não se veem em nenhum momento. Logo na chegada dos personagens à hospedaria, nota-se a discrição e humildade do mexicano (ele carrega apenas com uma bagagem) e os excessos e o consumismo do norte-americano (ele traz cinco pesadas malas).
No mesmo quarto, América Latina e Estados Unidos entram em conflito: enquanto Chapolin fecha a janela do quarto, Super Sam a prefere aberta. Super Sam prepara seu café-da-manhã sozinho (o individualismo presente nos super-heróis e na sociedade norte-americanos) e Chapolin o devora. A hora de dormir ilustra a frase do presidente Cárdenas. Os dois heróis, sem preceber, passaram a noite na mesma cama.
 
“Todos caben en un cuartito, sabiéndolos acomodar”, 1977.
As referências históricas nestes episódios, como a alusão à Guerra Fria e à relação entre estadunidenses e latino-americanos, permeiam o trabalho de Roberto Gómez Bolaños em Chapolin, buscando satirizar uma época conturbada no mundo dos anos 60 e 70. A fraqueza latino-americana, em contraposição ao individualismo estadunidense, não é nenhum obstáculo para conseguir a vitória, pois o herói, embora não seja forte, é astuto, como diz o famoso grito de Chapolin Colorado: “Não contavam com minha astúcia!".

domingo, 8 de março de 2015

TOP 10 DAS GRANDES HEROÍNAS DOS ANIMÊS

 
Para este dia não poderia deixar de fazer uma postagem especial que há muito eu vinha querendo realizar. Falaremos na forma de um Top 10 das maiores e bem sucedidas guerreiras da história dos animês.
Aqui preciso deixar claro que a listagem que vem a seguir não é sobre as mais belas mulheres dos animês, embora várias delas estejam entre as minhas preferidas com relação à beleza. Esta postagem fala sobre mulheres guerreiras, fortes e que inspiraram gerações.
Mas antes de prosseguirmos com a postagem, vou aproveitar o momento para encerrar as discursões sobre as injustiças histórias que podem ser vistas aqui e aqui.
 
 
Um dos meus maiores interesses atuais é para com a história. Eu sou fascinado por temas envolvendo a Idade Média, por isso quem visitar o meu blog, vai muitas vezes deparar-se com o dito tema. E neste início de ano, esta será a penúltima postagem que fará menção ao assunto. Como perceberão, sou apenas um curioso, interessado pela história não ensinada nos livros escolares.
 
No feminismo moderno há a ideia de que a Idade Média foi uma era de opressão contra as mulheres. Isso é um pouco difícil de conciliar com a devoção medieval à Virgem Maria, a invenção medieval de cortesã, o amor romântico, a prática de cavalaria, e da existência de rainhas e princesas. Em todos os casos, temos homens que assumem compromissos de lealdade, fidelidade, honra e proteção para as mulheres.
Vejam o caso dos Estados Unidos, onde as pessoas, especificamente no movimento feminista, tem tentado ao longo dos últimos anos que uma mulher finalmente fosse eleita para a presidência do país, para mostrar o poder e igualdade das mulheres, mas ainda não foi possível obter tal êxito. Se na idade medieval você não poderia ter mulheres presidentes, era uma constante a presença de rainhas e princesas.
H.W. Crocker em seus artigos descreve o papel da mulher na sociedade medieval: "As mulheres podiam governar a partir de tronos ou pontificados, e elas poderiam governar uma casa de classe média, assim como qualquer outra tem feito ao longo dos últimos 2000 anos. Elas mantiveram empregos e aprendiam o artesanato. Se camponesas, trabalhavam a terra com os seus maridos. Elas poderiam se tornar santas e levar os homens para a batalha (como Joana d'Arc). Se membros de ordens religiosas, ainda eram bem representadas nas áreas do ensino, da enfermagem e as outras profissões assistenciais.
Mais uma vez vou falar (cansa dizer isso): não é postagem tendenciosa, não sou religioso e apenas convido todos a aprenderem a história como ela realmente é, e não como ela nos foi apresentada. Devemos conhecer antes de julgar.
 
Segue agora o top 10 das grandes mulheres da história dos animês:
 
 
 
10º Lugar
Faye Valentine (Cowboy Bebop)
 
Quando comecei a imaginar em como seria um Top 10 das grandes heroínas dos animês, pensei que talvez não poderia sensualizar muito porque de repente algumas visitantes feministas aqui do blog (se é que eu tenho alguma) poderiam criticar. Desculpem, mas é impossível deixar este detalhe da feminilidade de lado. Eu sou homem e um apreciador da beleza do corpo feminino. E aqui está a poderosa caçadora de criminosos fora-da-lei Faye Valentine, uma das integrantes do elenco de protagonistas da obra-prima chamada Cowboy Bebop.
Faye confia mais na malandragem do que na força bruta, mas ela é notável como um dos mais fortes papéis femininos que um animê já teve, ainda mais considerando o período em que foi desenvolvida.
Adoro uma mulher que carregava uma arma. Mas sei que muitos devem estar estranhando porque uma personagem tão fodona apareceu apenas na décima posição de uma postagem tão importante. Bem, o problema é que não tenho muito o que falar da Faye. Esta mulher é apenas ... foda ... Não tenho certeza de que outra forma poderia descreve-la.
Linda, sensual e dona de uma das maiores caras-de-pau da história dos animês. Faye é mito!
 

 
9º Lugar
Maka Albarn (Soul Eater)
 
Maka de Soul Eater tem personalidade, aliás uma baita personalidade, do tipo que nunca fica clichê e ainda a torna muito atraente, capaz de fazer com que nos identifiquemos com as questões com as quais ela lida.
Ela nunca sente medo se precisa defender tudo aquilo no que acredita, e é certo que jamais abandonaria seus amigos. Sua determinação parece não conhecer limites, chegando ao ponto de entregar-se a loucura apenas para compreender e salvar a sua adversária em batalha.
É muito violenta e rabugenta em algumas situações, mas também é extremamente sábia e inteligente para a sua idade, sendo ainda uma aluna exemplar, aparecendo constantemente no topo das notas dos exames na sua classe.
Nunca desiste e sempre se esforça para o melhor, para ser a melhor e para fazer o melhor. Sua citação "Pode vir! Eu posso ser mais fraca do que você, mas eu vou deter o que quer que você jogue em mim!", resume a sua personalidade.
Encantadora, com um coração enorme, amável e muito inteligente e engraçada. Maka é sensacional!
 
 
 
8º Lugar
Balsa Yonsa (Seirei no Moribito)
 
Seirei no Moribito é um animê baseado em um livro de fantasia de mesmo nome que descreve a jornada de uma garota, Balsa, que trabalha para salvar vidas em busca do perdão de seus pecados, e do jovem Chagum, o príncipe do Império de Yogo.
Guerreira habilidosa da terra distante de Kanbal, Balsa empunha sua lança sempre a disposição dos necessitados e em expiação, embora ela afirme ser uma simples guarda-costas contratada.
Com cerca de trinta anos, Balsa é pragmática e inteligente, e não sustenta muito respeito por costumes de distinção de classes.
Curioso é que ela diz que todas as vidas são iguais, mas suas ações falam de forma diferente - ela ataca o seu rival com a intenção de matar, de modo que ela possa proteger Chagum, o príncipe chorão que todos querem ver morto. Nesse momento ela valoriza a vida e segurança dele mais do que a de um homem que iria matar inocentes para ter a chance de recuperar o seu orgulho ridículo. E eu sinceramente não acho que é a escolha errada, dada a distância que o rival mostrou que ele estava disposto a ir. Mas enfim são os ossos do ofício.
Sempre que é escrita uma história sobre uma mulher, todos se perguntam se a recepção do público será positiva com a caracterização da personagem. Eu gosto de pensar que uma boa representação de uma personagem feminina ou qualquer personagem deve aquilo que os telespectadores podem relacionarem-se ou ser capaz de evocar algum tipo de resposta emocional forte.
A fim de entender o que faz uma boa personagem feminina é preciso primeiro olhar para o que se tornou o modelo de fato para a personagem feminina "atual". Balsa cumpre esse papel de forma espetacular.
 
 
 
7º Lugar
Revy (Black Lagoon)
 
Rebecca, ou Revy, como ela prefere ser chamada, é a grande heroína do animê Black Lagoon. Ela atua na cidade fora da lei de Roanapur que está cheia de assassinos, bandidos e alguns dos criminosos mais temidos da sua realidade. O seu nome, habilidade e atitude têm um grande potencial para atrair problemas.
Revy viveu como uma criminosa, uma vez que ela era muito jovem, e agora pode realizar até mesmo alguns dos atos mais terríveis com um sorriso no rosto e deixando destruição em seu rastro. Suas armas são um par de Beretta 92FS e ela é chamada de "Two Hands" por causa de sua habilidade única com suas pistolas. Ela passa toda a série torturando mentalmente o protagonista Rock.
O ex-assalariado, agora empregado da Companhia Lagoon, Rock/Rokuro Okajima não tinha uma vida exatamente ideal. Após ter se formado na faculdade, ele se tornou um trabalhador para a Asahi Heavy Industries, forçado a se prostrar diante de seus superiores e geralmente sendo abusado por seus gestores. Ele imaginou que a obtenção de uma atribuição no Mar do Sul da China, seu primeiro trabalho solo, viria a ser a sua fuga, isto é, até perceber aonde havia se enfiado desta vez, ao lado de sua nova colega de trabalho que vai destruindo praticamente tudo ao seu redor sempre com um sorriso assassino em seu rosto.
Mas Rock é um rapaz de sorte. Que homem não gostaria de fazer amizade com a Revy? Se é que me entendem?
 
 
 
6º Lugar
Major Motoko Kusanagi (Ghost in the Shell)
 
Se você já conhece esta super-ciborgue feminina, então é provável que também vai estar familiarizado com o filme que a apresenta - uma das maiores influências sobre o gênero animê - Ghost in the Shell. Ela é um ser humano melhorado ciberneticamente e ainda atua como líder do seu esquadrão no combate às ameaças no surpreendente mundo futurístico desta franquia. Habilidades em dedução e combate são o seu forte. Quem pode esquecer a emblemática cena cinematográfica do tanque?
Mostrando a verdadeira distinção entre a natureza humana e a máquina, o espírito humano remanescente é o chamado "fantasma". Enquanto sua personalidade muda um pouco entre as diversas adaptações de TV, cinema e mangá, algumas coisas permanecem as mesmas com relação a major, e uma delas é a sua tremenda habilidade em combate.
Uma grande mulher, em todos os sentidos, extremamente forte, dedicada e determinada. Masamune Shirow criou uma obra de arte, praticamente uma deusa em aço e sangue. Mais um maravilhoso achado que encantou e inspirou muitas gerações.
 
 
 
5º Lugar
Erza Scarlet (Fairy Tail)
 
Erza é uma garotas guerreiras provenientes da guilda Fairy Tail, e ela é a melhor entre os melhores, a super-elite entre as elites. Ela tem uma força imensa, incomparáveis habilidades, talento incrível, ótimo caráter e poderes surpreendentes. Claro, ela é um mago de classe S. Além disso, seus amigos e companheiros de equipe ficaram tão aterrorizados com a força dela que chegaram ao ponto de apelida-la de "Demônio" ou "Majin".
É ferozmente leal a seus amigos e extremamente protetora de sua guilda também. Dotada de uma inteligência privilegiada, geralmente analisa os poderes, fraquezas e padrão de ataque de seu inimigo dentro de segundos em meio a um combate, mas, às vezes, ela se comporta como uma criança. O seu lado cômico é bem divertido e apesar de ser bruta e violenta, não deixa de ser feminina e elegante. Tem um grande senso de justiça, e é bastante rigorosa. Seus traços inocentes escondem seu passado sombrio, e seus poderes extraordinários.
Dentre todas as estrelas femininas deste animê, Erza sem dúvida é aquele que mais brilha. Seus combates entram facilmente para o meu Top das melhores batalhas dos animês. E apesar disso tudo, ela tem uma queda por coisas fofas e ama doces. Seus ataques graciosos, juntamente com sua sagacidade rápida e belíssima aparência fazem uma combinação perfeita para uma assassina. Erza realmente merece o título de "Titânia".
Mesmo Natsu, o herói principal de Fairy Tail, tem medo dela. Cara, EU AMO A ERZA.
 
 
 
4º Lugar
Teresa (Claymore)
 
Teresa, a grande guerreira de Claymore de olhar enigmático, tem um pedaço de “demônio” (youma) dentro de seu próprio corpo, e enfrenta monstros com mais do que o triplo de seu tamanho. Uma das mulheres mais marcantes de todos os animês.
No passado, Teresa foi a claymore  número um. Ela é aparentemente indiferente, como a maioria dos claymore são, mas ela está em um momento ligada a uma menina, Clare, há quem protege mesmo ao custo da sua vida. E Clare vem a tornar-se a grande heroína desta série.
Eventualmente, Teresa mata um grupo de bandidos humanos que ferem Clare, quebrando uma regra claymore. Outros claymores poderosos são enviados para matar Teresa, resultando em uma das cenas mais dramáticas de todos os animês, e uma que fatalmente afeta todo o seu enredo.
Teresa, bonita, violenta e legal, tem um papel importantíssimo que foi o de "preparar o caminho" para a outra grande mulher que viria a ser Clare. Foi graças a ela que Clare esteve preparada para subir ao palco desta história, desenvolvendo seu poder e habilidades.
Teresa é claramente a claymore mais poderosa de seu tempo, e até mesmo no presente momento, não havia ninguém, claymore ou outros, que pudessem se equiparar com o seu poder. Sua morte é repentina e chocante, uma morte que nunca deveria ter acontecido nas mãos de Priscilla, que vem a tornar-se uma antagonista principal da série.
A ideia mais marcante da relação dos personagens de Claymore é a inspiração. Nada é mais prevalente aqui do que a maior das mulheres de seu tempo evocada pela maior guerreira dos novos tempos.
 
 
 
3º Lugar
Número 18 (Dragon Ball Z)
 
Após a Major Motoko Kusanagi, temos mais uma ciborgue. A Androide Número 18, ou Lazuli para os mais íntimos, é certamente uma das mulheres mais poderosas de todos os tempos. A começar que ela faz parte do elenco de Dragon Ball, famoso por ser essencialmente masculino e dotado de indivíduos loucos e marombados que saem por aí explodindo planetas, sistemas solares e até galáxias.
Claro que a série apresenta outras mulheres fortes, mas nenhuma tão marcante e durona quanto a Androide Número 18. Criada pelo Dr. Gero da Red Ribbon com a intenção de matar Goku, em sua primeira aparição fez pouco caso do Super Saiyajin e ainda humilhou o todo-poderoso e arrogante príncipe dos saiyajins Vegeta. E, considerando apenas o planeta Terra, podemos dizer que ela é uma das mais poderosas personagens deste mundo, estando um pouco acima do seu irmão-gêmeo, o Androide Número 17 e, como membro dos guerreiros Z, ficando quase empatada com Piccolo.
Se o mangaká Akira Toriyama admite não saber desenhar mulheres (essa piada foi até utilizada por ele em Dr. Slump), podemos dizer que ele fez o seu melhor com a Número 18, dando a personagem uma aparência mais diferenciada das suas demais personagens femininas, além de uma beleza mais exótica, tornando-a uma das mais belas e desejadas garotas de Dragon Ball Z.
Outro detalhe legal é a sua personalidade, que é bem marcante, com um ar decidido e do tipo "tô nem aí". Ela é um tanto folgada.
Lembro que, quando Dragon Ball Z era febre (até parece que não é mais), muitas pessoas achavam que ela deveria fazer um par com o Vegeta e não com o Kurilin. Será que o Universo sobreviveria a um encontro desses dois?
Sempre achei tal ideia ruim. Eu acho o máximo o relacionamento que a Número 18 tem com Kurilin. Ela o ama, mesmo ele sendo o que é (fraco e... baixinho). Sacanagens a parte, o Kurilin sempre foi um dos meus favoritos de DBZ, e aqui podemos usar um velho ditado, mudando seu sentido para: "por trás de uma grande mulher há um grande homem".
Os dois são demais juntos, e sem falar daqueles momentos em que ela cora quando está junto dele. Sem dúvida os dois formam um dos casais mais adoráveis de todos os animês. O amor é cego e misterioso.
 
 
 
2º Lugar
Lina Inverse (Slayers)
 
Lina Inverse é a grande estrela de Slayers. Ela é selvagem e alegre, e na maioria das vezes é uma garota rude. Ela pode agir de forma irresponsável, mas é muito inteligente e habilidosa.
Lina considera a si mesma como um "gênio da magia", o que não está longe de ser verdade. Ela tem habilidades extraordinárias quando se trata de usar magia, e até mesmo foi capaz de criar o seu próprio estilo de luta com espadas.
Desbocada e gulosa, ela tende a comer muito para manter sua energia. Além disso, age como uma versão feminina do Robin Hood, tirando o dinheiro de bandidos. Com o tempo, ela passa a ser acompanhada por Gourry Gabriev, o seu "guardião" (como se ela precisasse de um), burro feito um porta e por isso mesmo alvo constante da violência de Lina. Depois se juntam a ela Amélia Wil Tesla Saillune, a princesa pacifista do reino de Seyruun, e Zelgadis Greywords, um homem amargurado misto de humano-demônio-golem de pedra, além de muitos outros personagens igualmente carismáticos que conhece em suas aventuras.
Devido aos seus incríveis poderes, ela é muito temida, recebendo apelidos como "Dra-Mata", "Inimiga natural de tudo o que vive", "A força da destruição que caminha", dentre outros, todos dados pelos inimigos que conseguiram sobreviver ao seu encontro. Seus talentos naturais combinado com a sua vontade imperturbável, dedicação, coragem serena e esperteza fazem dela uma rival formidável. 
Lina é uma personagem facilmente identificada pela definição de "Tomboy", mas ela também gosta de coisas infantis e meigas da mesma maneira. Além de sua habilidade com as batalhas, é uma mulher de negócios, sempre pensando em se dar bem financeiramente, e caso ela falhar, sempre pode contar com a sua força coercitiva para resolver o problema.
Dublada pela lendária Megumi Hayashibara, Lina Inverse é um dos maiores ícones da cultura pop japonesa e marcou a vida de muitos dos apreciadores dos gêneros animê e fantasia.
 
 

 
1º Lugar
Fujiko Mine (Lupin the 3rd)
 
Antes de Carmen Sandiego, Fujiko Mine surgiu como a ladra sensual e uma das minhas anti-heroínas favoritas. Ela é uma daquelas personagens únicas que todo mundo quer copiar, mas nem mesmo podem chegar perto o suficiente. Selina Kyle, a Mulher Gato talvez...
Toda vez que aparece, não podemos dizer ao certo quais são as suas intenções. Ela está com Lupin e sua quadrilha? Ou será que é contra eles? Nós nunca podemos dizer, mas essa é a melhor parte dela: Você nunca pode entendê-la! Ela pode trabalhar por conta própria e usar todos os tipos de truques na manga, mas há momentos em que ela precisa da ajuda de Lupin.
Lupin reconhece o fato de que ela pode apunhalá-lo pelas costas a qualquer minuto, mas ele não se importa, porque no fundo sabe que ela não pode matá-lo, mesmo que tente. Ainda que ela o engane e roube todo o seu saque, nada disso importa, porque eles ainda se amam e vão continuar seus desafios até o fim.
A personagem é uma femme fatale ao extremo, não tem escrúpulos e está sempre muito bem aplicada na história e, como já foi dito, é uma personagem muito bonita e extremamente sexy. O seu traço é épico, aquele tipo de mulher que seria para casar caso fosse real. Por outro lado, Fujiko também pode usar a sua sensualidade como uma arma e isto tem desempenhado um papel importante em sua personagem. Há aqueles que logo irão disparar acusações de que a aparência física de uma mulher é o caminho mais notoriamente demasiado e descaradamente preguiçoso de tentar escrever uma personagem. Como sou um inimigo do politicamente correto vejo de outra forma.
Fujiko é sensual, ela sabe disso, e não se importa de sempre que possível fazer uso desta sua face. Geralmente a vemos utilizando de sua beleza e inteligência para se infiltrar e reunir todas as informações e estar no lugar e hora certas para qualquer esquema de roubo em que venha a se envolver, favorecendo a si mesma ou ao seu grupo de aliados. Mas é bom ficar esperto, ela pode mudar de lado em um piscar olhos. Tenha cuidado com ela, porque traição é seu nome do meio.
 
 
 
A HEROÍNA SUPREMA DOS ANIMÊS
Nausicaa (Nausicaa of the Valley of the Winds)
 
Um dos melhores filmes de animação de todos os tempos, Nausicaa of the Valley of the Winds foi lançado pelo Studio Ghibli em 1984, com base em uma série de mangá de 1982-1990. Ele nos apresentou aquela que é a heroína SUPREMA de toda a história da animação.
Nausicaa é um grande modelo para as meninas, exceto pelo fato de que ela parece ter desistido de usar roupas íntimas.
Ela conversa com as árvores e com os animais, é totalmente destemida, estuda amostras botânicas, odeia a violência, voa num planador com uma habilidade de Luke Skywalker, e ainda salva o mundo.
As criaturas com múltiplas olhos que vemos marchando no decorrer do filme são os chamados de Oms, que irritarem-se contra a humanidade. Os Oms em marcha neste filme são visualmente deslumbrantes, como, aliás, tudo é sobre ele. É o velho estilo de animação desenhada que tem um tipo de beleza singular a qual a animação digital parece carecer.
Nausicaa é a princesa de um pequeno grupo de pessoas e sua posição como a filha do rei realmente detém o poder e suas responsabilidades. O fato de que Nausicaa tem poder é um grande diferencial que ela tem com a maioria das princesas com as quais estamos familiarizados. Como as princesas da Disney, as quais nunca vemos exercerem seus poderes mesmo com a posição social em que se encontram.
Na versão mangá de sua história, seu pai está doente e não tem um filho, assim Nausicaa deve ir para a guerra em seu lugar. No filme, por uma questão de bem-estar de seu povo, ela deve tornar-se um refém político. Em ambas as versões, Nausciaa corre muitos riscos para impedir as pessoas de destruirem completamente o mundo. Devido a isto, ela não pode simplesmente ser gentil, mas também dura, resistente, e saber como agir por conta própria. Como resultado, juntamente com suas motivações e a sua natureza inocente, Nausicaa ajuda a muitos. Ela ganha não apenas o amor das pessoas, mas também o seu respeito.
Com sua história situada em um mundo pós-nuclear como tantos outros filmes, este mostra uma cultura frágil e um mundo sofrendo para manter-se vivo, contaminado pelas toxinas que tomam conta da atmosfera. O filme trás uma mensagem de fundo ecológico muito semelhante àquela que conhecemos através do filme clássico Duna.
A floresta é incompreendida e temida por todos, exceto Nausicaa, que finalmente descobre o seu segredo e, assim, a chave para salvar a civilização humana. Mas há uma triste realidade presente no filme: Nausicaa está lutando contra a violência inerente e a agressão da humanidade, e ela quase perde a luta. Ficamos com a sensação de que em um outro tempo, que poderia ter sido diferente, nós todos nos afogariamos em um mar tóxico de ódio e venenos ambientais de nossa própria criação.
A história desta heroína é muito bela e ainda trás uma mensagem que nunca deixará de ser atual: o cuidado com aquilo que nos é valioso agora e a sua preservação para todas as gerações futuras.
 
 
 
Menção Honrosa
Ryoko Hakubi (Tenchi Muyo)
 
A pirata espacial, ou mulher-demônio-alienígena, Ryoko, criação de Washu Hakubi, maior gênio científico de todo o universo, é um personagem fascinante. Ela é linda, gostosa, boca-suja, cara de pau, e tem tanto poder e determinação que deixariam qualquer um saiyajin de queixo caído.
Tal como Lina Inverse, Ryoko é um ícone da cultura pop japonesa. Mas então por que ela aparece apenas como menção honrosa?
Ryoko não se encaixou bem no perfil que escolhi para integrar esta lista. Tenchi Muyo pode ser uma série memorável, foi uma de minhas favoritas na adolescência, uma mistura de comédia romântica com space ópera. Mas ainda assim Tenchi Muyo sofre por ser taxado como uma série com um dos maiores e mais questionáveis clichês da história dos animês: o garoto bobão/virjão cercado por um bando de gostosas e todas inexplicavelmente atraídas por ele.
Pois é, Ryoko, quando não está explodindo sistemas solares por aí, está aos tapas com a princesa Aeka de Jurai, a sua maior rival pelo amor do babaca do Tenchi Masaki, cenas estas que aliás rendem momentos divertidíssimos e engraçados.
Mas de qualquer forma, se a lista que planejei fosse maior, Ryoko com certeza entraria no Top. Além dela ser a minha guerreira-espacial favorita dos animês e uma das mais poderosas, tem uma personalidade fantástica. Ela sempre fala o que pensa e age da maneira mais rude e improvável se precisar, não se importando com o julgamento dos outros.
É acima de tudo uma mulher forte e decidida, e ainda dá uma grande lição de moral para os seus críticos. Ryoko nos ensinou que uma mulher pode ser simplesmente aquilo que ela quer ser, liberal ou contida (As feministas piram!).
 
Espero que tenham curtido. Até a próxima e obrigado por ler.

domingo, 1 de março de 2015

A IGREJA E A CIÊNCIA

Padre William Walter Wordsworth
Animê: Trinity Blood

Voltamos a falar sobre o tema "Igreja Católica e os preconceitos contra a mesma" no Blog do Doutor Nerd como fora prometido. E mais uma vez sou obrigado a falar que não sou religioso (sou inconformista demais para isso) para que não me acusem de fazer postagens tendenciosas.
Mas vamos lá. Hoje falaremos de um dos maiores e mais injustos mitos sobre a Igreja, aquele que diz que ela é inimiga da ciência. E também aproveitarei para tocar em alguns outros assuntos mais delicados.

Guy Consolmagno, jesuíta e astrônomo.
Recentemente, o padre jesuíta e astrônomo do Vaticano Guy Consolmagno tornou-se o primeiro clérigo premiado com a prestigiada Medalha Carl Sagan "por sua excelente comunicação como um cientista planetário ativo para o público em geral". E, como era de se esperar, tal fato foi pouco divulgado ou totalmente ignorado pela grande mídia.
Consolmagno é também coautor do novo livro "Você deveria batizar um extraterrestre?", que saiu no ano passado. Em entrevista falou sobre o tão badalado "Caso Galileu" que desde seu efeito em 1633 é usado quase que unanimemente por aqueles que acusam a Igreja de ser inimiga da ciência e do progresso. E o curioso é que, por mais que todos mitos como estes venham sendo desvendados pelos historiadores, eles continuam presentes no imaginário popular.

A verdade histórica do Caso Galileu é que o astrônomo italiano nunca foi preso ou torturado por acreditar que a Terra girava em torno do Sol, contrariando o modelo Ptolomaico. Aliás a ideia de Galileu já havia sido levantada pelo abade Nicolau Copérnico muito tempo antes. O que aconteceu a Galileu foi uma pequena censura por parte da Igreja por ele insistir em ensinar o Heliocentrismo de Copérnico, ainda uma teoria, sem ter provas suficientes. Para mais detalhes sobre o assunto assista a aula do Dr. Thomas E. Woods aqui.

Padre Georges Lemaître e Albert Einstein
Também foi recente o barulho que a imprensa fez por causa do atual Papa ter elogiado a teoria do Big Bang, como se ele fosse o primeiro católico a aceita-la. Talvez por falta de conhecimento, ou por simples vontade de confundir, ignoram o fato de que tal teoria foi proposta por um padre e cientista católico chamado Georges Lemaître.

"Thank You, Lemaître!"
 
Portanto, se você gosta da "Teoria do Big Bang", agradeça a um padre católico.

Irmã Mary Kenneth Keller
Sabiam que a primeira mulher a ganhar um PhD em Ciência da Computação foi a freira Mary Kenneth Keller? Nascida em Ohio, em 1914, entrou para as Irmãs da Caridade em 1932 e professou seus votos em 1940. Ela passou a estudar na Universidade DePaul, onde recebeu um BS em Matemática e um M.S. em Matemática e Física. Estudou também na Universidade de Wisconsin, na Purdue, da Universidade de Michigan, e Dartmouth College, onde inclusive superou a regra que impedia as mulheres no seu centro de computador, e Keller ajudou a desenvolver o BASIC (Antes dele, apenas os matemáticos e cientistas poderiam escrever software personalizado; BASIC permitiu que qualquer um que pudesse aprender a linguagem poderia fazê-lo, e isso fez com que o uso do computador ficasse acessível a uma faixa muito maior da população). A dissertação de Keller, escrita em CDC Fortran 63, foi intitulada "Inferência indutiva em Patterns gerado por computador." Em 1965, ela se tornou a primeira mulher americana a ganhar um PhD em Ciência da Computação.

Aqui já citamos contribuições mais contemporâneas dos religiosos para as ciências. Mas se você procurar estudar de verdade sobre estes temas, descobrirá algo surpreendente: a Civilização Ocidental deve a sua existência a Igreja Católica!
Acredito que tal exclamação deve levantar algumas sobrancelhas ou mexer com as emoções daqueles que odeiam esta instituição (seja pelo o que ela representa, seja por não concordar com os seus dogmas ou ensinamentos e por aí vai). Se você odeia a Igreja, está livre para odiá-la, pode gritar para todo o mundo o quando você detesta os seus sacerdotes, leigos e o escambau. Mas por favor, não minta, e pare de engolir as inverdades e injustiças contra a Igreja. Sei que a maioria das pessoas não toleram a injustiça.

A relação da Igreja com a Ciência é provavelmente um dos tópicos mais incompreendidos sobre a Idade Medieval. Tudo o que pensar quando discutimos a ciência nos tempos medievais é a opressão da ciência e do pensamento razoável pela Igreja. Nada está mais longe da verdade.
O sistema universitário foi desenvolvido durante as idades medievais. Isso não quer dizer que antes disso não havia quaisquer escolas, nem os sistemas de ensino. Se você estudar os tempos da Grécia antiga, você vai perceber que havia escolas de fato. Platão e Aristóteles tinham começado suas próprias "academias", por exemplo. Academias eram lugares para estudar e desenvolver o pensamento filosófico. Mas nada poderia se comparar com o próprio sistema universitário. O sistema universitário medieval não era muito diferente do sistema de hoje. Além do papel intelectual da Igreja na promoção das universidades, o papado desempenhou um papel central no seu estabelecimento e incentivando-as. Naturalmente, a concessão de uma carta para a universidade foi uma indicação desse papel papal. Em 1608 existiam na Europa cerca de 100 universidades, 80 das quais de origem medieval, fundadas pela igreja Católica, como Bolonha, Oxford, Sorbonne, Salamanca, Coimbra e La Sapienza.

A ciência na Idade Média estava longe de ser caótica e irracional. Por exemplo, antes do Cristianismo, e, definitivamente, a partir do momento da Idade Média, houve um consenso científico popular de que o universo era "eterno". Essa era a crença de que o universo não teria um princípio nem fim. Esta crença era comum na maior parte, se não em todas as civilizações pagãs. Isto era a verdade para os babilônios, astecas, e até mesmo romanos e gregos. Se você manter-se com a ciência moderna, vai perceber que essa crença é completamente errada. 
A crença em um universo criado, no entanto, se enraíza no próprio Cristianismo, que era a crença predominante na Europa medieval, um lugar predominante católico.

Em outro nível, foram os mosteiros do mundo medieval que forneceram aos cientistas como desenvolver seus entendimentos e conhecimentos astronômicos. A maioria dos mosteiros durante esse tempo serviu não só como um lugar sagrado de adoração, mas também como observatórios solares. O Dr. Heilbron afirma que "A Igreja deu mais apoio financeiro e social para o estudo da astronomia por mais de seis séculos".

Mesmo os avanços tecnológicos e agrícolas foram feitos durante este período de tempo. Jim Gimpel afirma em "Máquina Medieval" que "A comunidade monástica cisterciense em geral criou a sua própria fábrica. Os monges usavam a hidráulica para a trituração de trigo, peneirando a farinha... " Ele também se diz fascinado ao descrever a autossuficiência dos mosteiros e a reconhecer a sua alta atividade industrial, bem como a sua utilização de energia da água. Jean Gimpel afirma, ainda, que mosteiros cistercienses "desempenharam um papel na difusão de novas técnicas, o alto nível de sua tecnologia agrícola foi acompanhado por sua tecnologia industrial. Cada mosteiro tinha uma fábrica modelo, muitas vezes tão grande como a igreja, e a hidráulica elevou a maquinaria das várias indústrias proximamente localizadas". Os monges beneditinos destacaram-se no desenvolvimento da experiência agrícola. "Em pouco tempo, eles conseguiram represar e drenar os pântanos e transformar o que tinha sido uma vez origem de doenças e sujeira em terrenos agrícolas férteis."
 
São Bento
Sem dúvidas São Bento (o mais importante arquiteto do monarquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos, foram os Pais da civilização Europeia;

O nosso padrão de contar o tempo foi criado por um monge católico chamado Dionísio, por volta do início do século IV;

Foram os católicos escolásticos que criaram a Ciência Econômica Moderna. Foram eles que criaram a economia, e não os secularistas do Iluminismo;

São Mesrob, sacerdote católico, foi o criador do alfabeto armênio.

Os Jesuítas foram tão exímios nas ciências que, neste exato momento, 35 crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas que também foram os maiores matemáticos da história. Conta-se que 5 % dos maiores intelectuais durante os últimos 2700 anos eram membros da Companhia de Jesus fundada por Santo Inácio de Loyola. Um número bem expressivo levando-se em consideração que esta ordem existia há apenas duzentos anos deste período;

Himura Kenshin, Amakusa Shogo e
Lady Magdalena
Foi o jesuíta São Francisco Xavier quem levou o cristianismo ao Japão. Você achou que naquele capítulo sobre os Cristãos no Japão no animê Rurouni Kenshin, quando é perguntado sobre se aquele trabalho intelectual era obra de um português foi apenas coincidência?

São Cirilo e Metódio, no século IX, desenvolveram um alfabeto para o velho idioma eslavo e este se tornou o precursor do alfabeto russo “cirílico”. Em 885, São Metódio traduziu a Bíblia inteira neste idioma;

Roger Bacon
O franciscano Roger Bacon (século XIII), que lecionava na Universidade de Oxford, é considerado o precursor da revolução científica;

O monge matemático Jordanus Nemorarius, além dos conhecimentos que contribuiu à matemática introduzindo os sinais de “mais” e de “menos”, iniciou a investigação dos problemas da mecânica, superando a visão dos problemas do equilíbrio. Foi o fundador da escola medieval de mecânica, o primeiro em formular corretamente a “lei do plano inclinado” e pesquisou sobre a conservação do trabalho nas máquinas simples;

Nicolau Copérnico
O abade Nicolau Copérnico, de quem já falamos, foi o astrônomo e matemático que desenvolveu a teoria Heliocêntrica do Sistema Solar.

O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685 -1724), foi um cientista e inventor nascido no Brasil Colônia. Famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, era por isso chamado de “o padre voador”, é uma das maiores figuras da história da aeronáutica mundial. Ele também é o inventor de uma “máquina para a drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar.”

O Papa Gregório XIII, foi quem nos deu o Calendário Gregoriano, que é o calendário utilizado na maior parte do mundo, e em todos os países ocidentais. Foi aprovado pela China o aprovou em 1912.

Jean Buridan (1300-1358) foi um filósofo e padre francês, que desenvolveu e popularizou a “teoria do Ímpeto”, que explicava o movimento de projéteis e objetos em queda livre. Essa teoria pavimentou o caminho para a dinâmica de Galileu e para o famoso princípio da Inércia, de Isaac Newton;

Nicole d’Oresme (c.1323-1382) era teólogo dedicado e Bispo de Lisieux, foi um gênio intelectual e talvez o pensador mais original do século XIV. Foi um dos principais propagadores das ciências modernas. Na “Livre du ciel et du monde” (1377), Oresme se opôs à teoria de uma Terra estacionária como proposto por Aristóteles e, neste trabalho, ele propôs a rotação da Terra, cerca de 200 anos antes de Copérnico. Ele escreveu e discutiu em detalhes sobre a natureza, reflexão e da velocidade da luz;

O monge Luca Bartolomeo de Pacioli é considerado o pai da contabilidade moderna. Um dos seus alunos foi Leonardo da Vinci;

O padre paraibano Francisco João de Azevedo, é reconhecido como inventor e construtor da máquina de escrever. O que temos certeza é que a máquina realmente existiu, funcionava, foi exposta ao público, ganhou medalhas, e, o mais importante, em dezembro de 1861, portanto antes que Samuel W. Soule e seus dois parceiros, em 1868, recebessem a formalização da patente nos Estados Unidos;

Santo Alberto Magno
De acordo com o Dicionário de Biografia Científica, Santo Alberto Magno, que ensinou na Universidade de París, era habilidoso em todos os ramos da ciência, “foi um dos mais famosos precursores da Ciência Moderna na Alta Idade Média”. Desde 1941 ele é declarado o “patrono de todos que cultivam as ciências naturais”;

O padre Nicolas Steno é considerado o pai da Estratigrafia, que estuda as camadas de rochas sedimentares formadas na superfície terrestre. Um geólogo precisa conhecer os princípios de Steno;

Jean-Antoine Nollet, foi abade e físico francês, se constitui como um grande divulgador da física e da eletricidade em particular. Construiu alguns dos primeiros eletroscópios, a sua própria máquina eletrostática, e também uma versão “seca” da garrafa de Leiden;

Os jesuítas no século XVIII contribuíram para o desenvolvimento do relógio de pêndulo, pantógrafos, barômetros, telescópios e microscópios refletores para campos científicos variados como: magnetismo, ótica e eletricidade. Eles observaram, às vezes antes que de qualquer outro, as faixas coloridas dos anéis na superfície de Júpiter, a Nebulosa de Andrômeda e anéis de Saturno. Teorizaram sobre a circulação do sangue, independentemente de Harvey, a possibilidade teórica de voo, o modo como a lua afeta as marés e a natureza ondular da luz, mapas estelares de hemisfério sul, lógica simbólica e medidas de controle de enchentes. Tudo isso foi realização típica dos jesuítas;

O padre Giabattista Riccioli foi a primeira pessoa a calcular a velocidade com que um corpo em queda livre acelera até o chão;

O padre Francesco Grimaldi descobriu e nomeou o fenômeno de difração da luz. Ele também participou de uma descrição detalhada de um mapa da superfície da lua. Esse mapa chamado de Selenógrafo, adorna até hoje a entrada do Museu Nacional do Ar e Espaço, em Washington D.C.;

Roger Boscovich
O padre Roger Boscovich, falecido em 1787, é louvado por cientistas modernos por ter apresentado a primeira descrição coerente de teoria atômica, bem mais de um século antes que a teoria atômica moderna emergisse. Ele foi considerado “o maior gênio que a Iugoslávia produziu”;

Nos séculos XVII e XVIII as catedrais de Bolonha, Florença, París e Roma funcionavam como observatórios solares superiores;

O padre Athanasius Kircher é considerado o pai da Egiptologia. Foi graças ao trabalho deste padre que encontrou-se a Pedra Rosetta, que decifrou os símbolos egípcios. Ele foi chamado de “Mestre das cem artes”. Seu trabalho em química ajudou a desbancar a alquimia, que era um tipo de falsa ciência, que até Isaac Newton e Boyle levavam a sério. Foi esse padre que jogou água fria nisso.

Foi o jesuíta J.B. Macelawane quem escreveu exatamente o primeiro livro sobre Sismologia nos Estados Unidos. Ele também foi o primeiro presidente da União Geofísica Americana. Por isso o estudo dos terremotos é conhecido como “A Ciência Jesuíta”;

Foi um astrônomo católico chamado Giovanni Cassini quem usou a Catedral de São Petrônio, em Bolonha, para verificar as teorias de movimentos planetários de Johannes Kepler;

Foram os monges católicos que desenvolveram a “minúscula carolíngia”, ou seja as letras minúsculas, o espaçamento entre palavras e a acentuação, já que o mundo só escrevia em letras maiúsculas, sem espaçamentos e sem acentuação;

O monge italiano católico Guido d’Arezzo (992 -1050), criou as 7 notas musicais dó, ré, mi, fá, sol, lá, utilizando as sílabas iniciais de uma estrofe de um hino a São João para denominá-las. Ele também apresentou pela primeira vez a Pauta Musical de quatro linhas. O sistema ainda é usado até hoje;

O primeiro relógio de que tivemos notícia foi construído pelo futuro papa Silvestre II, em 996;

No século XI, um monge beneditino inglês, chamado Eilmer de Malmesbury, voou aproximadamente 600 metros por meio de um planador sustentado no ar por cerca de quinze segundos. Ele consta no site da Força Aérea Americana – USAF, como pioneiro do vôo do homem, tendo feito isso 1000 anos antes dos irmãos Wright e de Santos Dumont;

O Jesuíta espanhol Baltasar Gracián (1601-1658), com seus livros, impressionou e inspirou filósofos, escritores e pensadores ao longo de mais de trezentos e cinquenta anos; entre estes estavam: Nietzsche, Schopenhauer, Voltaire e Lacan, que foram leitores entusiasmados dos livros deste jesuíta. O filósofo Arthur Schopenhauer considerava seu livro El Criticón “um dos melhores livros do mundo”;
Friedrich Nietzsche declarou sobre a obra de Gracián: “A Europa nunca produziu nada mais refinado em questão de sutileza moral.” “Absolutamente único … um livro para uso constante … um companheiro na vida. Estas máximas são especialmente adequadas àqueles que desejam prosperar no grande mundo”;

Foram os monges católicos que, na Inglaterra, no século XVI, desenvolveram a primeira caldeira para produção de larga escala de ferro fundido;

Gregor Mendel
O padre Gregor Mendel (1822-1884), é considerado no meio científico como “o pai da genética”. Graças a Mendel, o troca-troca genético de que a gente tanto ouve falar se tornou possível. Os transgênicos (animais e plantas que recebem genes de outras espécies de seres vivos), hoje são uma realidade! O homem hoje é capaz de modificar o gene de uma planta para torna-la mais resistente às pragas, por exemplo. Ou então, fazer experiências trocando genes de animais, para tentar desenvolver novos medicamentos.
 
A Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano, atualmente, conta com 61 acadêmicos, dos quais 29 são vencedores do Prêmio Nobel. Trata-se de uma relação de notáveis cientistas premiados por suas pesquisas no campo da medicina, química, física, etc., entre os quais figuram Marshaw Nerimberg, o descobridor do Código Genético de todos os seres, e nada mais nada menos que, Francis Collins, o mapeador do DNA humano e diretor do Projeto Genoma;

A invenção dos mais modernos e imprescindíveis meios de comunicação, deve-se a um membro da Igreja, o brasileiro padre Landell Moura, inventor pioneiro do rádio, do telefone sem fio, do telégrafo sem fio, da televisão e do teletipo usado pela imprensa. Ainda em 1904 o padre Landell inicia os testes precursores de transmissão da imagem. Em outras palavras, testava aquilo que viria a ser a televisão;

O cosmólogo padre Michael Heller, é o ganhador do mais polpudo prêmio acadêmico já pago pela ciência moderna.

Curioso também é que toda esta incessante busca pelo saber vem de um verso bíblico, um dos mais citados durante a Idade Média: "Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso" (Sabedoria 11, 21).
A ciência pode desenvolver-se num ambiente exclusivamente católico, de uma forma como nunca teria conseguido, devido a visão destes homens religiosos acerca do divino. Diferentemente do que acontecia com as religiões pagãs/politeístas, os fenômenos da natureza estão totalmente desprovidos do divino e Deus não teria dotado de alma todas as coisas que criou, a exemplo do animismo. Foi este atributo, reconhecendo que a natureza física está desprovida de atributos divinos, que permitiu que a ciência pudesse surgir e o desenvolvimento a ideia de leis naturais.
 
Aqui acho que já falei o suficiente da relação da Igreja com a Ciência. Para o melhor entendimento sobre como e o porquê destes mitos e propagandas anticatólicas terem ganhado tanta força e projeção fá comentei na postagem anterior, mas seria essencial para o leitor que quer melhor compreender o tema estudar através de fontes confiáveis. Deixarei algumas referências ao final da postagem.
 
Para finalizar, vou falar rapidamente sobre dois temas: o liberalismo e as conspirações.
 
O fim do catolicismo é planejado e desejado em várias teorias materialistas. Lendo sobre os reformadores, iluministas e comunistas, é fácil compreender um ódio quase irracional ao passado e à Igreja Católica. O liberalismo é um movimento que visa à destruição de todo o Legado Católico. Onde encontra-se uma cultura católica mais forte trata-se de destrui-la e onde essa cultura não tem raízes utilizou-se do preconceito anticatólico contra a Igreja. Se você estudar a relação da Igreja com a modernidade compreenderá porque estes teóricos nutrem tamanho ódio para com ela.
 
Sobre as conspirações, eu tenho uma história para exemplificar: Um vez voltava de um serviço para a saúde no interior do Estado quando meu ônibus passava ao lado de uma Igreja Católica. No momento havia muita gente e barraquinhas na rua e, dentro do ônibus, uma senhora começou a agredir os católicos que lá estavam verbalmente, dizendo para todos dentro do veículo de transporte público que aquelas pessoas viviam um função do dinheiro. Não preciso dizer que ela fazia parte de uma igreja protestante e o quão hilário é ouvir esse tipo de acusação de um membro das infinitas igrejas que nascem a cada dia no nosso país. É como dizia o nada simpático Vladimir Lenin: "Acusem-nos do que nós fazemos, chame-os do que nós somos".
Detalhe: as pessoas que a senhora do ônibus chamou de gananciosas na verdade estavam fazendo um Quermesse para conseguir dinheiro para a reforma do hospital público da igreja.
Sei que existem milhares de protestantes que sabem viver a sua fé em paz e com respeito aos outros, como aqueles que são membros das chamadas igrejas históricas, mas não dá para negar que o protestantismo brazuca é essencialmente anticatólico, e a medida que vai se tornando mais popular, torna-se também mais agressivo, o colaborador mais fervoroso da campanha anticatólica na América Latina e financiado por seitas dos Estados Unidos.
Aqueles leitores de Dan Brown que acusam a Igreja Católica de terem sociedades secretas deveriam refletir mais. O Ku Klux Klan é uma sociedade secreta protestante e suprematista empenhada na destruição do catolicismo e inclusive tentou tomar o poder dos Estados Unidos não faz muito tempo, mas mesmo assim muitos veem tais manifestações como tolices inofensivas. Os holandeses, tão amados e cultuados em nossos livros de história, instituíram o Apartheid na África do Sul e sem falar das barbáries que cometeram contra os católicos no Brasil.
 
Atualmente tenho uma visão diferente do que foi a Idade Média. E cada vez mais as pessoas começam a ver a história do jeito que é, ao invés de como ela foi apresentada ao longo dos tempos. Essa visão distorcida da história medieval tem prejudicado a reputação da Igreja. Isso não quer dizer que a Idade Média foi impecável e que não havia problemas. Todas as eras, inclusive a nossa, tem os seus. O conselho que dou aos católicos é que conheçam a sua cultura e permaneçam firmes. Um conselho de um homem sem fé, eu sei, mas um admirador destas histórias e que abomina todo o tipo de injustiças históricas.
Que as pessoas não se esqueçam do raciocínio escolástico de Aquino, a resignação descalça de um de Assis, a generosidade e o trabalho duro dos monges que contribuíram muito para a preservação dos manuscritos, educação, agricultura e muitas outras coisas que passaram despercebidas.
 
Referências Bibliográficas:
 
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- White Jr., Lynn, “Eilmer de Malmesbury: um aviador século XI,” Tecnologia e Cultura, II, n. 2 (Spring 1961). 2 (Primavera 1961).
Maxwell Woosnam, Eilmer: Eleventh Century Monk of Malmesbury(Malmesbury, UK: Friends of Malmesbury Abbey, 1986). Maxwell Woosnam,Eilmer: monge do século XI de Malmesbury (Malmesbury, Reino Unido: Amigos da Abadia de Malmesbury, 1986).

-Baltasar Gracián, “A Arte da Sabedoria” – Edição completa, Editora Best Seller.

- Schumpeter, Joseph, “ A History of Economic Analysis”, N. Y., OxfordUniversity Press, 1954, p. 97.
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- ARRUDÃO, Matias. Bartolomeu Lourenço de Gusmão. São Paulo: Fundação Santos Dumont, 1959.

- COSTA, Ricardo da. A Educação na Idade Média. A busca da Sabedoria como caminho para a Felicidade: Al-Farabi e Ramon Llull. In: Artigo publicado em Dimensões – Revista de História da UFES 15. Dossiê História, Educação e Cidadania. Vitória: Ufes, Centro de Ciências Humanas e Naturais, EDUFES, 2003, p. 99-115 (ISSN 1517-2120).