sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A HISTÓRIA COMPLETA DO CORINGA

 
No mesmo ano em que o Coringa completa 75 anos, somos apresentados a uma nova adaptação cinematográfica para o personagem, desta vez interpretado por Jared Leto, e ainda recebemos a notícia de uma nova animação da DC Comics assinada por Bruce Timm, agora adaptando o clássico A Piada Mortal de Alan Moore.
O personagem surgiu na primeira edição de Batman de 1940, ilustrada por Bob Kane e escrita por Bill Finger. A dupla continuou a desenvolver o universo de Batman até a década de 1960 com a ajuda de outros escritores e artistas. Este mítico super-vilão dos quadrinhos foi diretamente inspirado em Gwynplaine, o personagem principal do filme do cinema mudo O Homem que Ri, de 1928. O filme, que adapta uma obra de Victor Hugo, era impressionante, mas mais impressionante ainda era a aterrorizante expressão do rosto de Gwynmplaine, interpretado pelo lendário Conrad Veidt.
Durante anos afirma-se que foi Jerry Robinson, co-criador do Robin, quem apresentou a ideia do personagem a Kane e Finger.
 
 
Bob Kane: "Bill Finger e eu criamos o Coringa. Bill foi o escritor. Jerry Robinson veio a mim com uma carta de baralho do Joker. É assim que posso resumir. O Coringa parece com Conrad Veidt, você sabe, o ator de O Homem que Ri, o filme de 1928 baseado no romance de Victor Hugo... Bill Finger tinha um livro com uma fotografia de Conrad Veidt, e mostrou para mim e disse: 'Aqui está o Coringa...' Jerry Robinson não tinha absolutamente nada a ver com isso, mas ele sempre vai dizer que o criou até que morra. Ele trouxe uma carta de baralho, que temos utilizado para ser a marca registrada do personagem." - Trecho adaptado de uma entrevista a Entertainment Weekly, em 17 de maio de 1994.
 
 
Jerry Robinson: "Eu queria alguém visualmente emocionante. Eu queria alguém com uma impressão indelével, seria estranho, seria memorável como o Corcunda de Notre Dame ou quaisquer outros vilões que tinham características físicas únicas. (...) Cartas de baralho estavam sempre pela casa. Essa foi uma influência, por isso que pensei imediatamente na carta do Joker. Eu queria um vilão que tivesse algum atributo que fosse alguma contradição em termos, o que acredito todos os grandes personagens têm. Para fazer o meu vilão diferente, ele teria um senso de humor diferente. Foi assim que me deparei com o nome. Nomes, é claro, são muito importantes. É uma das primeiras coisas que tentam associar com um personagem. Pelo menos eu fiz. Então, quando eu pensei em um vilão com um senso de humor, comecei a pensar em um nome, e o nome 'Coringa' imediatamente me veio à mente. Houve a associação com o Joker no baralho de cartas, e eu provavelmente gritei 'Eureka!', porque eu sabia que tinha o nome e a imagem ao mesmo tempo. Lembro-me de estar procurando freneticamente naquela noite por um baralho de cartas no meu quartinho no Bronx onde eu estava alojado e fiz o meu trabalho. Isto foi como o Coringa surgiu." (Papa Llama int., Julho de 2009)
 
Jerry Robinson ainda relembra em certa ocasião: "Eu senti que era parte de uma equipe. Infelizmente Bob não se sentia dessa forma, acima de tudo, com Bill. Ele deveria ter creditado Bill como co-criador, porque eu sei, eu estava lá. O Coringa foi a minha criação, e Bill escreveu a primeira história do Coringa de meu conceito. Bill criou todos os outros personagens... Pinguim, Charada, Mulher-Gato. Ele era muito inovador. Os slogans, a dupla dinâmica e Gotham City, foi tudo Bill Finger ".
 
De acordo com Neil Gaiman: "Ninguém mais que tenha feito alguma coisa tem qualquer crédito na cabeça de Bob Kane. As outras pessoas que desenharam Batman, mesmo Neal Adams, ou Frank Miller, na mente de Bob, eram apenas seus 'fantasmas'. A única coisa que era importante para Bob Kane era Bob Kane. "
 
Batman # 1
Na época de seu nascimento, Batman foi o único super-herói fantasiado que era humano e que não tinha quaisquer atributos sobre-humanos, no entanto os vilões sempre foram completamente surreais e irreais, e ainda mais estranhos do que os super-heróis alienígenas de outros quadrinhos como os do Superman . Mesmo antes de ter sua própria revista em quadrinhos, Batman enfrentou um vampiro e um homem sem rosto em Detective Comics, e em uma de suas primeiras histórias ele lutou contra gigantes (!!). Dick Tracy enfrentou uma variedade espetacular de vilões bizarros, e até certo ponto Batman seguiu o seu exemplo. O mundo do Batman da década de 1940 era um mundo de fantasia hermeticamente fechado, no qual as referências a Alice no País das Maravilhas não ficavam muito longe da HQ.
 
Coringa era um criminoso e assassino, no entanto estas suas tendências homicidas desapareceram após suas primeiras três décadas de existência, enquanto o seu gosto por ouro, jóias e dinheiro permaneceu intacto até os anos 70.
Ele não só era um ladrão, mas um conhecedor de arte. Em Batman # 1, ele anuncia no rádio que, se um certo milionário não entregar-lhe o seu diamante, morrerá à meia-noite. Policiais estão por todo o lugar para proteger o homem, e quando o relógio bate meia-noite, o homem rico cai no chão e morre. O mesmo incidente é repetido com outro milionário. Logo revelou-se que o Coringa esteve na cena do crime um dia antes e usou um veneno que mata após 24 horas, deixando um sorriso grotesco nos rostos sem vida de suas vítimas. A história estava muito à frente de seu tempo!


 
Originalmente, o Coringa morreria já em sua primeira aparição, mas a idéia foi abandonada. O novo editor, Whitney Ellsworth, sabia que tinha ouro em suas mãos. O personagem era um vilão muito bom para ser morto.
 
 
 
A aparência do Coringa continua relativamente inalterada desde a sua criação. Pele permanentemente branca, cabelo verde-esmeralda, lábios vermelhos, sobrancelhas pontiagudas, terno roxo gangster e chapéu. Ele tem um toque surreal de um gangster de 1930.
Além disso, a aparência do Coringa foi baseada no personagem Gwynplaine, que foi descrito por Jerry Robinson como tendo um "sorriso congelado no rosto". O personagem de Conrad Veidt era um homem que foi sequestrado por ciganos quando criança e submetido a uma medonha cirurgia para ter um sorriso permanente no rosto. Ele teve a sua boca cortada de orelha a orelha, de modo que ela ficou congelada em um eterno e horrendo sorriso.
 
De todos os possíveis vilões de quadrinhos, o Coringa tem a reputação de ser o mais louco. É ele quem sempre empurra o Batman até os limites da sua ética, realizando atos terríveis, e muitas vezes rindo durante todo o percurso. Mas nem sempre foi assim. Desde sua introdução em Batman # 1, o Coringa foi descrito durante várias décadas como completamente são. Somente durante a década de 1970 que os escritores começaram a retratá-lo como um louco ou psicótico, e essa é a tendência que continua até hoje.

Como se pode deduzir rapidamente desde suas primeiras histórias, o Coringa é muito inteligente e especialista em química. Mais tarde, ele é referido como um bem educado estudioso da ciência. Ele também é muito inovador.

 
O Coringa era um egomaníaco que queria ser o maior bandido do mundo. E logo ficou obcecado com a ideia de tornar-se melhor do que o Batman, e começou a imitar o seu inimigo, inclusive em seus acessórios de combate, como o Batmóvel (Jokermobile), o Batjato (Jokerplane), etc. As pérolas da Era de Ouro dos quadrinhos.
 
 
Mesmo salvo pelo editor, o personagem foi morto várias vezes na década de 1940, mas sempre era repentinamente trazido de volta.
Também é importante notar que o Coringa da Era de Ouro era um auto-proclamado mestre do disfarce, muitas vezes usando maquiagem para esconder a sua pele albina, embora seu sorriso desumano ainda fosse claramente visível.
 
 
No começo de tudo, nenhum dos personagens nos quadrinhos tinha qualquer história de fundo. Nem mesmo o Batman. Simplesmente porque em 1930 as histórias em quadrinhos não eram tão complexas quanto elas se tornaram mais tarde.
A vez que foi mencionada alguma suposta origem para o Coringa  foi em 1951, com o conto The Man Behind The Red Hood em Detective Comics # 168, escrito por Bill Finger e arte creditada a Bob Kane.
 
The Man Behind The Red Hood
Nesta edição, Batman e Robin são convidados a formar jovens detetives e dar-lhes a questão que mesmo Batman não poderia resolver: a identidade de um vilão que anos antes desapareceu após cair em uma piscina de produtos químicos, e ele era conhecido como Capuz Vermelho.
Um dos jovens, chamado Paul, ajudou a resolver o mistério, e revelou que o Capuz Vermelho foi um técnico de laboratório que tentou roubar US $ 1 milhão em uma fábrica de baralhos. Depois de um mergulho em um poço de produtos químicos, ele se tornou desfigurado e sua pele e cabelo foram tingidos permanentemente. Assim introduziu-se o Coringa! É importante notar que foi a sua aparência física que o levou a loucura.

 
Nos anos 50, o Coringa ainda usava perigosas armas de fogo apesar de pequenas mudanças no personagem. Ele estava ficando mais e mais domesticado como o passar dos anos, assim como as histórias do Batman. Então somos apresentados a Era de Prata.
 
O Coringa era agora um personagem mais brincalhão e seus crimes e motivações eram no mínimo tolos, sendo constantemente apanhado por Batman e Robin.
 
Joker's Millions
Uma das histórias mais famosas dos anos 50 foi Joker's Millions, onde ao vilão é dada uma fortuna e ele não tem mais nada para roubar. Comprando vários carros e mansões, ele gasta o dinheiro como um louco até que percebe que a maior parte de seu dinheiro é falso, o que o leva a roubar novamente para que ninguém note. A história também mostra o ego do palhaço e seu desejo de ficar sempre a frente dos outros criminosos.
Joker's Millions é um exemplo perfeito de como as histórias do Batman já foram tão inocentes apenas uma década depois de seu nascimento. Apesar da lenda popular sobre as origens sombrias do Batman, este super-herói foi muito mais sombrio e violento apenas em poucas edições da Detective Comics, antes mesmo dele ganhar a sua própria revista em quadrinhos.
 
Detective Comics, década de 1930.
"Um final apropriado para a sua raça"
Em 1955 o Coringa e todos os outros vilões da série Batman desapareceram durante anos. A razão? Um livro chamado A Sedução do Inocente, de autoria de Fredric Whertam, um psiquiatra alemão naturalizado estadunidense, que trazia diversas acusações ridículas de que os gibis estariam sendo utilizados para promover a violência e a homossexualidade. Por causa disso, as vendas de quadrinhos sofreram tremendamente e uma nova tática precisou ser utilizada para as histórias.
As histórias em quadrinhos precisaram se adequar ao famoso Comic Code Authority. O Batman agora lutava contra monstros bizarros do espaço, aliens, pessoas invisíveis, criaturas de outras dimensões, robôs gigantes, dinossauros, etc. E a ação raramente acontecia em Gotham. Desta forma, ninguém poderia dizer que as crianças imitavam a ação ou os vilões porque as histórias e personagens eram muito irreais. E tudo isso continuou por quase uma década, até meados dos anos 60.
 
O personagem Coringa foi muito consistente. Você mal podia dizer a diferença entre o Coringa a partir de 1960 e o Coringa da década anterior. A Detective Comics de 1964 trás uma história chamada de Joker Last Laugh. Nesta história o Coringa está de volta cometendo roubos em que ele conta uma piada de mau gosto que, surpreendentemente, faz com que todos explodam em um ataque de risos, então rouba a todos usando um truque com base na piada que ele contou (Lembrou de algum desenho do Capitão Caverna e do Caverninha ou do Droopy em Tom & Jerry Kids?).

Década de 1960
Joker Last Laugh
Quando Batman e Robin tentam detê-lo, eles também encontram-se presos em um ataque de riso incontrolável.
Voltando a Batcaverna, descobrem que o Coringa usou um tipo de "erva daninha loco" em seus últimos golpes. E considerando que isto foi na década de 60, não é preciso dizer o que era essa tal "erva daninha loco".
A década de 1960 não trouxe nada de novo para o Coringa em quadrinhos, exceto o seu regresso. No entanto, a década provou ser muito importante para o personagem em outro departamento, foi a primeira vez que o Coringa apareceu em outras mídias como as séries de TV e os desenhos animados.
A série de TV do Batman estreou em 1966 e foi um grande sucesso e um inesperado hit imediato. O Coringa foi interpretado por Cesar Romero em 18 episódios e em um filme de ação ao vivo ainda em 1966.

Cesar Romero
Quando se trata do caráter e personalidade, o Coringa do programa de TV foi retratado com muita precisão na forma como as histórias em quadrinhos o apresentavam na época, cometendo crimes bobos, como transformar o abastecimento de água da cidade em gelatina!
Mas visualmente, ele não era tão preciso, provavelmente devido ao baixo orçamento. No entanto, todos os outros vilões foram os réplicas exatas das suas versões nas histórias em quadrinhos.
 
The New Adventures of Batman and Robin
Em 1968 houve a estréia de um desenho animado do Batman, o primeiro de muitos. Esta série, que continuou por anos e mais tarde evoluiu para The New Adventures of Batman and Robin, foi basicamente uma história em quadrinhos animada, sendo completamente fiel as HQs em recursos visuais e personalidades de todos os personagens.
 
Superamigos
Os mesmos escritores e desenhistas mais tarde produziram o desenho animado Superamigos, no qual o Coringa apareceu em apenas em um episódio como um vilão convidado. É um pouco surpreendente ele não ter feito parte da parte da Legião do Mal.
 
Embora tenha sido a década de 1960 a estreia do personagem fora dos quadrinhos, a década de 1970 foi ainda mais importante por diversas razões.
Durante os três primeiros anos da década de 1970, ele ainda era o mesmo brincalhão que sempre foi desde 1950.

Scooby-Doo
O Coringa apareceu em um episódio dos Superamigos da mesma forma como fez nos desenhos anteriores do Batman, e mais notavelmente, ele apareceu em dois episódios de 1972 de um desenho animado do Scooby-Doo, com a participação especial também do Batman, é claro. Neste épico encontro, ele e o Pinguim unem forças para assustar as pessoas que visitavam uma floresta.
 
Década de 1970
Esta já era a quarta década, tanto para o Batman quanto para o Coringa e, enquanto o super-herói passou por duas grandes mudanças desde a sua primeira edição (uma em meados dos anos 50, e a segunda em meados dos anos 60), o super-vilão permaneceu praticamente o mesmo desde sua mudança na Era de Prata. Mas, em seguida, em 1973, veio uma outra mudança, e desta vez para ambos.
 
The Joker's Five Way Revenge
Pela primeira vez desde 1939, o Batman foi "O Cavaleiro das Trevas" novamente. Em The Joker's Five Way Revenge, o Coringa volta às suas raízes sombrias, promovendo assassinatos em massa, tudo graças ao escritor Denny O'Neil. Ao invés de suas clássicas piadas e brincadeiras, ele está envolvido em assassinatos aleatórios e foi durante esta fase que foi consolidada a sua imagem como um maníaco homicida. Após ser traído por seus próprios capangas, o Coringa os persegue impiedosamente, mas isto acaba por finalmente leva-lo à prisão. No entanto, na tentativa de fuga do hospital psiquiátrico (o Asilo Arkham ainda não havia sido estabelecido), o Coringa mata seus antigos capangas individualmente. O Batman persegue o seu maior inimigo e consegue salvar o último capanga restante antes do Coringa joga-lo em um tanque de água com um tubarão faminto. Esta encarnação foi a inspiração para o Batman de Tim Burton e também para a animação Batman: The Animated Series.

 
Esta fase também foi marcada pelo retorno do clássico "veneno" do Coringa.
 
Em maio de 1975, o Coringa conseguiu a sua primeira história em quadrinhos. Houve algumas histórias interessantes e uma delas até mesmo co-estrelada por Lex Luthor. A série terminou em outubro 1976, o que é relativamente um curto prazo, mas ainda muito bom para um quadrinho dedicado totalmente a um vilão.

 
A maioria das suas histórias deste período foram escritas por Dennis O'Neil, ele é o responsável por esta versão moderna do Coringa. Praticamente uma mistura do original de Kane e Finger e o brincalhão da Era de Prata. O seu imenso ego foi preservado.
 
Várias vezes o Coringa teve a oportunidade de matar o Batman, mas nunca ousou consumar o seu desejo. Em Batman # 12 ele diz que simplesmente não atira em Batman com uma arma para mata-lo de uma vez por todas porque seria muito fácil. A maneira como seu inimigo morreria seria muito mais inovadora.

Década de 1980
A década de 1980 explorou ainda mais da psique e das tendências homicidas do Coringa e fez dele um verdadeiro psicopata digno de filme de David Fincher. Os anos 80 foram, provavelmente, a fase mais revolucionária para os quadrinhos do Batman. A escuridão, a maturidade e o tom sério atingiram o seu pico e os roteiros transbordavam de profundidade.
 
The Dark Knight Returns
A obra-prima de Franky Miller, The Dark Knight Returns de 1986, apresenta um Batman bem mais velho que retorna após 10 anos fora da atividade, o Coringa definitivamente rouba mais uma vez a cena, com todo aquele tom satírico que Miller dá a mídia.
The Dark Knight Returns não só oferece uma descrição concisa do personagem, mas também da sua mitologia. Quando aparece pela primeira vez, o Príncipe Palhaço do Crime está internado no Asilo Arkham, aparentemente em um estado catatônico, ele mais parecia um zumbi albino. Uma vez que escuta sobre o retorno do Batman, o vilão imediatamente desperta e o chama de "querido". Reforçando a teoria de que o Coringa não existe sem o Batman.

 
Se levarmos em consideração que esta história foi lançada dois anos antes de A Piada Mortal, onde é revelado que o Batman teve participação na trágica história de origem do vilão, fica ainda mais incrível ver como estas histórias podem ser amarradas.
 
Morte em Família
Durante o ano de 1988 o personagem foi empurrado ainda mais para a crueldade e a maldade, de uma forma nunca vista antes. Ele assassinou brutalmente a Jason Todd, o segundo Robin, em Morte em Família.

A Piada Mortal
Um dos maiores marcos para o Coringa entretanto foi A Piada Mortal de Alan Moore. Um muito deprimente e instigante conto psicológico que revisita e atualiza as origens do Coringa. Assim como Bob Kane originalmente apresentou em 1951, o Coringa foi mesmo um vilão chamado Capuz Vermelho, que caiu nas substâncias químicas que branquearam a sua pele e deformaram o seu rosto. Mas, desta vez, o homem que caiu nas substâncias químicas não foi um criminoso. Originalmente ele era um pobre comediante fracassado (nomeado apenas como Jack) que se dedicava ao máximo para sustentar a sua esposa grávida.
 
 
Dois gangsteres o convencem de que, para conseguir dinheiro, deveria ajudá-los a assaltar uma fábrica de baralhos, vestido como o Capuz Vermelho - uma identidade passada de pessoa para pessoa. Pouco antes de cometer o crime, ele descobre que sua mulher sofrera em um acidente e morrera. Ainda assim não há como voltar atrás e, deprimido e assustado, prossegue como planejado. O Batman intervém e o jovem pula em um poço cheio de produtos químicos.
Também é importante notar que os flashbacks são apresentados como uma história separada, uma vez que é certo que o próprio Coringa não se lembra de nada de seus dias antes daquela queda.

 
A Piada Mortal também foi marcante pelo sequestro e tortura psicológica do Comissário Gordon e a polêmica cena de violência contra a sua filha Barbara, que terminou por paralisa-la em um cadeira de rodas. Polêmica renascida após um desenho de Rafael Albuquerque para uma capa da revista da Batgirl dos Novos 52.

Adam Moore reconhecidamente não gostava de contradição na continuidade das história em quadrinhos e, portanto, quis ser fiel às origens originais do Coringa.
Moore nos apresentou ao lado mais perturbador da psicopatia do Coringa, uma figura lamentável, fracassada e triste. A Piada Mortal era o único indício da falha de memória do Coringa, no entanto, se a história de flashback foi destinada a ser suas lembranças, ele provaria que realmente se lembra de quem era antes da queda.
Batman # 450, que se seguiu logo após A Piada Mortal, também trás a sensação de que o Coringa manteve sua memória. Logo após a emissão de A Piada Mortal, o Coringa experimentou algo impensável - ele parcialmente recuperou a sua sanidade em Batman # 450, devido a uma experiência de quase morte em que fora gravemente ferido. No entanto, pouco foi necessário para a sua psicose despertar novamente.
 
O dilema moral do Batman de "nunca matar" é levado ao extremo em The Dark Knight Returns de 1986. Na verdade, o Batman prepara-se para realizar a ação e dar um fim àquela loucura de uma vez por todas. E como esta obra de Frank Miller foi lançada antes de A Piada Mortal e de Morte em Família, antes do Coringa paralisar Barbara Gordon e matar Jason Todd, a determinação do Batman para quebrar seu juramento e matar o Coringa faz ainda mais sentido em retrospecto.
 
Jack Nicholson
O filme Batman de 1989 foi um grande sucesso, tornando Batman e Coringa dois verdadeiros símbolos da cultura pop e iniciando a Batmania no início dos anos 90. Na época, os filmes de super-heróis eram vistos como de segunda categoria, de baixo orçamento (vide os primeiros Capitão América e Quarteto Fantástico).
Mesmo antes do roteiro ser escrito, antes mesmo de Tim Burton inaugurar o projeto, Jack Nicholson já era a primeira e única escolha para o papel do Coringa. Ele foi e ainda é um dos melhores atores de todos os tempos, muito bem sucedido. Nicholson foi a escolha do próprio Bob Kane para o papel.
 
Jack Nicholson: "Metafisicamente, o Coringa foi mergulhado em produtos químicos e perdeu a cabeça - não muito diferente do resto da sociedade. A sua identidade derreteu em seu cérebro. Ele flui com a corrosão, por assim dizer." (Time, Junho de 1989)
 
Neste filme, Jack Napier sempre foi um mafioso e emocionalmente instável que, por cair em resíduos químicos e ter seu rosto desfigurado, tornou-se completamente insano. Além disso, assim como nos quadrinhos, foi a visão da sua própria face deformada que o levou a insanidade. O filme tinha a ideia de um clássico sobre gangsters de 1930 com ternos e armas pré-Segunda Guerra Mundial.
Jack Napier era inseguro sobre sua aparência, mas tornou-se excessivamente narcisista, era um grande egomaníaco assim como a sua contraparte dos quadrinhos, referindo-se a si mesmo como uma obra de arte. Amava corpos em decomposição, considerados por ele uma arte.
O caráter de homicida brincalhão também está presente, assim como seus acessos de demência, a imprevisibilidade, as piadas constantes e a gargalhada insana. Ele matou seus capangas mais confiáveis e um parceiro que conhecia desde a juventude.
Toda aquela insanidade e terror tinha uma grande influência de A Piada Mortal. O gibi  saiu pouco antes do filme, Burton era um grande fã dele e também teve reuniões com Alan Moore. O próprio Moore teve discussões com ambos Burton e o roteirista Sam Hamm sobre o projeto: "Eu disse para tornarem o filme sombrio e sério para exorcizar o fantasma de Adam West..."
A influência do pesado A Piada Mortal é certamente evidente. E Bob Kane esteve fortemente envolvido no projeto, sendo ele também creditado oficialmente como consultor criativo do filme.
 
Bob Kane e Jack Nicholson
Um elemento polêmico foi adicionado ao passado do Coringa. Como é geralmente o caso em adaptações feitas por Hollywood, subtramas são mescladas quando várias são apresentadas, para assim haver um enredo mais coeso. Embora originalmente foi um assassino de aluguel chamado Joe Chill quem matou os pais de Bruce Wayne para mafioso Lew Moxon, aqui o responsável pela morte deles foi um jovem Jack Napier / futuro Coringa (muito provavelmente para a máfia também). Foram mesclados os personagens para dar um significado mais pessoal ao confronto entre o Batman e o Coringa. Particularmente, não me agradou a ideia de um Coringa com idade para ser o pai de Bruce Wayne e ainda responsável pela morte dos pais do herói. Enfim, adaptações cinematográficas.
 
Nicholson teve um desempenho fantástico, universalmente aplaudido em todo o mundo. Seu Coringa foi uma encarnação de todos os psicopatas que matam indiscriminadamente e por pura diversão.

Década de 1990
A década de 90 não trouxe quaisquer alterações ao personagem. A imagem do Coringa como um assassino insano foi solidificada pelos quadrinhos do final de 1980 e pelo desempenho icônico de Nicholson. A imagem do Coringa na mente do público em geral era agora a de um brincalhão assassino, e o velho estilo palhaço ladrão inofensivo foi completamente dizimado da consciência pública.
Uma das mais notáveis histórias dos anos 90 é Images, escrita por Dennis O'Neil e ilustrada por Bret Blevins, publicada em Legends of the Dark Knight # 50. Foi uma edição especial de aniversário recontando a história do primeiro encontro entre o Batman e o seu arqui-inimigo, aproveitando ainda um flashback de A Piada Mortal. É também o primeiro caso em que o nome de Jack Napier apareceu nos quadrinhos, pelo menos de uma forma. 

Batman: The Animated Series
Foi o Batman de 1989 que gerou a fantástica e inovadora animação Batman: The Animated Series de Bruce Timm. Muitos fãs acreditam ser este desenho o retrato mais fiel do Coringa.
O desenho era considerado um spin-off do filme de Burton, porém mais fiel às histórias em quadrinhos, usando a mesma música, o tema gótico, e a arte e o estilo de 1930, misturado com a tecnologia atual.

Mark Hammill
Os desenhos animados daquele tempo tinham muita personalidade, diferente dos atuais. Tivemos recentemente uma ótima animação dos Vingadores, mas ela foi finalizada e cancelada às pressas apenas para o lançamento de uma outra animação, incrivelmente inferior e mais parecida com o filme que fazia sucesso no momento.
Mark Hammill, que interpretou Luke Skywalker na série Star Wars, foi a voz do Coringa. Hammill fez um trabalho grandioso, e em várias outras oportunidades voltou a encarnar o personagem, sejam em animações ou em videogames. Para a grande maioria do público, Mark Hammill é o verdadeiro e definitivo Coringa!
 
                                      
                                       
A versão brasileira ficou a cargo de Darcy Pedrosa, uma lenda da nossa dublagem que merece todas as homenagens. Suas interpretações para Jack Nicholson e Anthony Hopkins foram impressionantes. Pedrosa era no mínimo sensacional, e seu trabalho na dublagem não desvalorizava em nada a versão original dos filmes e seriados. Durante muito tempo, Darcy Pedrosa foi considerado a voz oficial do Coringa no Brasil, da mesma forma que Marcio Seixas até hoje é considerado a voz oficial do Batman.
                                                                         
Bruce Timm nos trouxe o mesmo Coringa divertido, porém assustador. A sua violência e agressão realmente impressionavam. Ele foi um dos mais marcantes vilões de todos os desenhos animados.
Este Coringa também aparece no filme desta popular animação, Batman: A Máscara do Fantasma, onde é revelado que ele certa vez cometeu um assassinato para um mafioso chamado Salvatore Valestra...
 
Jack Napier
Batman: A Máscara do Fantasma
Seu nome verdadeiro era, assim como no filme, Jack Napier (O nome em si, porém, foi revelado apenas nos episódios  Dreams in Darkness e Wild Joker), e a sua origem, revelada pelas HQs e consagrada pelo filme, foi preservada.
A série era muito rica em história e caracterização, e o ego e o fascínio do Coringa com sua própria aparência também estão presentes.

Harley Quinn
Assim como no filme, o Coringa teve um ajudante. Mas desta vez foi a jovem chamada Harley Quinn, extremamente fiel e completamente apaixonada pelo vilão. 
Quinn estava sempre ao seu lado fazendo o que fosse preciso para fazer o seu chefe feliz. The Animated Series foi tão popular que esta personagem acabou então incorporada às histórias em quadrinhos, e, eventualmente, ela conseguiu a sua própria série. A personagem, que já provou ser um verdadeiro sucesso, apareceu também na série para a TV chamada Birds Of Prey, interpretada por Mia Sara, e agora estará presente no filme O Esquadrão Suicida interpretada por Margot Robbie.

The New Batman Adventures
Quando o desenho animado evoluiu e se transformou em The New Batman Adventures, o Coringa mudou sua aparência. Assim também aconteceu em seguida, quando retornou nas animações Liga da Justiça e Super Choque (episódio The Big League).
Em um especial de The New Batman Adventures, no episódio chamado Legends of the Dark Knight, um Coringa do estilo de 1960 faz um retorno, dublado por Michael McKean.
 
Liga da Justiça
O sucesso e a visão de mundo do Batman de Burton quase desapareceram completamente, diluídos pelo universo cor-de-rosa dos filmes de Joel Schumacher.
A série de quadrinhos no entanto, continuou com a abordagem séria e sombria. Parecia que o Coringa não poderia ficar ainda mais violento ou psicótico, mas o novo milênio provou o contrário.

Década de 2000
Os anos 2000 foram uma década de insanidade com muitos retcons para os quadrinhos. Histórias estavam sendo reescritas constantemente, e novas origens foram dadas aos vilões e aos outros personagens, criando uma bagunça e condenando a continuidade para sempre.
O Coringa teve uma ligeira reinvenção em Gotham Noir de 2001 escrito por Ed Brubaker e ilustrado por Sean Phillips. Foi também um outro caso em que o nome de Jack Napier foi revelado como o nome civil do Coringa.
 
Terra de Ninguém
Durante esta fase temos Cacofonia de Kevin Smith, onde o vilão é liberto do Arkham pelo criminoso Onomatopeia, com o intuito de atrair o Batman para a sua armadilha. O polêmico Coringa de Kevin Smith, aterrorizante, doentio e dotado de perversões sexuais, explode um colégio com todas as suas crianças dentro dele.
Durante Crise Infinita de 2006, o Coringa encerra a saga assassinando Alexander Luthor Jr. Porque, para destruir um agente do caos, era necessário um outro agente do caos. 
E é claro, não há como deixar de falar do conto Terra de Ninguém, um marco das histórias em quadrinhos da época. Neste conto, com Gotham totalmente isolada do resto do mundo, após um violento terremoto, o Coringa comete alguns dos seus atos mais perversos. Com o intuito de "matar toda a esperança de Gotham", ele sequestra a todas as crianças recém-nascidas da cidade e ainda assassina a mulher do comissário Gordon.

Birds of Prey
O Coringa apareceu brevemente no episódio piloto de Birds of Prey. O ator / dublê Roger Stoneburner fez a caracterização do personagem, enquanto a sua voz foi feita por Mark Hamill.

Em uma história em quadrinhos de 2004 (Batman: Gotham Knights # 54), mais uma vez confirmou-se que a origem de Moore era de fato verdadeira (e que o primeiro nome do Coringa era Jack), com o detalhe do apoio de uma testemunha da morte da esposa do Coringa.

 
A testemunha não era outro senão Edward Nigma, que acabaria por se tornar o Charada. Aqui é revelado que a esposa do comediante foi sequestrada e assassinada pelos mesmos gangsters, a fim de forçar a sua cooperação no roubo como o Capuz Vermelho.
A história também marca mais um exemplo que confirma que o Coringa de fato lembra-se de seu passado.
Em Dark Detective de 2006, o Coringa sequestra a namorada de Bruce Wayne e confessa a si mesmo que não quer matar o Batman porque acredita que os dois devem sempre coexistir.
 
Batman Beyond: O Retorno do Coringa
Na animação Batman Beyond, também de Bruce Timm, ambientada em um futuro onde Bruce Wayne já é um homem idoso e treina um jovem estudante chamado Terry McGinnis que tornou-se um novo Batman, o Coringa retorna décadas depois de ser declarado morto. Batman Beyond: O Retorno do Coringa tinha algumas cenas violentas e sangrentas ao ponto de não ter uma classificação livre, e de fato várias cenas foram censuradas em algumas das suas versões. Este foi o retrato mais violento e brutal que o Coringa recebera até então.
Este "Batman do Futuro" é uma série que trás um novo e um pouco bizarro conceito para o herói e seu vasto universo de personagens, mas que funcionou incrivelmente bem!

The Batman
The Batman foi uma animação polêmica (na verdade um desgosto para os fãs do Homem Morcego), seu estilo e roteiro realmente não agradaram ao grande público. O Coringa retorna dublado por Kevin Michael Richardson. O personagem foi basicamente redesenhado e reinventado a partir do zero. Era mais como um personagem diferente, com algumas influências do Coringa. O gás do riso e a atitude de brincalhão estavam lá. Este Coringa, diferente de tudo visto antes, era um lutador, se movia como um macaco e também lutava como um macaco, usando muito de seus pés descalços, e se parecia com um macaco até na aparência. A série (acredite!) foi realmente muito popular e durou 4 anos. 

Batman: The Brave and the Bold
Surgiu ainda uma outra série de desenhos animados do Batman em 2008, Batman: The Brave and the Bold. Desta vez com o Coringa que todos nós conhecemos das histórias em quadrinhos, dublado por Jeff Bennett (que, na verdade, dublou o computador da Batcaverna em Animated Series de Bruce Timm, e foi mais conhecido por dar voz ao Johnny Bravo e ao pai do Dexter em Laboratório de Dexter). O interessante é que este desenho representou o inofensivo Coringa de 1950/60. A animação de fato parodiava abertamente a Era de Prata dos quadrinhos e foi muito bem recebida.

Heath Ledger
A história se repetiu. Mais uma vez um filme com o Batman e o Coringa é o filme de super-heróis mais bem sucedido de todos os tempos, mais uma vez um sucesso de público e de crítica, e mais uma vez o Coringa foi elogiado como o melhor de todos os tempos. E desta vez, Heath Ledger estava no centro das atenções, com um retrato muito brutal do personagem.
Os filmes do Batman de Christopher Nolan foram algo totalmente novo, algo nunca feito antes com o personagem. Desta vez, vemos o universo Batman como sendo a nossa própria realidade e o gênero agora era um drama policial de ação. Os tons góticos e bizarros, o mundo sombrio e seus personagens desapareceram, e foram substituídos por nossas próprias cidades e realidade cotidiana.
 
Esta versão é por vezes referida como a versão Grunge do Coringa.
Como mencionado antes, o Coringa sempre foi idealizado como um personagem de aparência surreal. Isto não poderia ser feito para o novo filme, da mesma forma como foi feito antes, já que agora o conceito era muito diferente.
A ideia do clássico gangster foi desfeita. Anos e anos foram retirados do Coringa, colocando-o no final de seus 20 anos. Seu terno gangster foi substituído por roupas normais em um estilo mais sujo. As cores de assinatura chamativas foram fortemente atenuadas.
 
As origens tiveram de ser sucateadas também. Muito interessantes e perfeitas para os filmes de fantasia, mas não para um drama policial de ação. Não houve origens concretas dadas, e apenas como em A Piada Mortal, o Coringa não se lembrava muito bem do seu passado ou do seu nome.
Em uma entrevista, Christopher Nolan e Heath Ledger também confirmaram a influência de A Piada Mortal, juntamente com menores influências de outras histórias em quadrinhos.
O Coringa era para ser um criminoso da vida real, portanto ele não poderia ter sido equipado com qualquer tipo de acessório mirabolante, em vez disso usou coisas simples, como armas ou facas.
 
                                        
 
E a personalidade? A mais brutal e apavorante de todas! Ledger realmente dá um show de interpretação! A única coisa que salta imediatamente para aqueles que leram A Piada Mortal é que o Coringa não se lembra de seu passado e tem várias versões dele em sua cabeça. A maneira como ele age e, mais importante, o aspecto filosófico são outros elementos. Em A Piada Mortal, o Coringa queria provar a sua teoria de que quando levadas aos seus limites, quaisquer pessoas poderiam se tornar tão loucas e homicidas quanto ele. Isso é o que ele tentou fazer aqui também ("A loucura é como a gravidade, basta um empurrãozinho..."). E, assim como nos anos 80, o dinheiro não tinha valor para ele. O Coringa só fez estas coisas, neste caso, para provar um ponto.
Este Coringa é um assassino por natureza, um palhaço psicopata esquizofrênico com zero de empatia. No bom sentido, afinal ele é o vilão da história.

                                       

Christopher Nolan: "Sua motivação principal é a de um anarquista. Falei com Heath muito sobre ele mesmo quando estávamos terminando o roteiro, e ambos concordamos que a força mais ameaçadora que a sociedade enfrenta é a anarquia pura" (CBR Entrevista, 2008)
"Eu conversei com ele sobre os elementos anárquicos que eu vi como sendo o Coringa mais realista, o cara que iria realmente assustar o público... Nós conversamos muito sobre Alex de Laranja Mecânica, pessoas assim. Ele viria para cima com as mesmas coisas de forma independente." (Empire Mag # 229)
 
Anarquia (aka Lonnie Machin) é o
"vilão-mirim" das histórias do Batman.
É sugerido em vários momentos que ele seja
filho biológico do Coringa.
Faz sentido por suas motivações próprias e
não contradiz A Piada Mortal.
Ao Coringa foram dadas características sadomasoquistas. Ele ria ainda mais quando Batman o surrava durante seu interrogatório. Nesta versão, o palhaço é um terrorista promotor da anarquia. Com seus ataques, aterroriza com sucesso uma cidade inteira causando a sua evacuação.
Em O Cavaleiro das Trevas, o Coringa experimenta um tipo diferente de insanidade. Ele não é um brincalhão. Ele não brinca ou ri o tempo todo. Ele é completamente louco e fora de si, mas de uma forma diferente - para ele tudo é um jogo que não tem outro propósito real além da diversão descuidada. Ele não tem absolutamente nenhum remorso ou limites, chegando a ter ataques de fúria, às vezes.
Essa nova visão para o personagem talvez venha do fato de que nem Ledger nem Nolan eram leitores de quadrinhos.
A história em O Cavaleiro das Trevas fortemente evoca a primeira edição em quadrinhos do Batman, o que significa dizer que os cineastas estavam indo de volta às raízes, com o Coringa anunciando as suas vítimas e as matando como prometido. Embora o objetivo fosse diferente. Ele não se preocupa com diamantes.
 
 
E a última coisa a acrescentar: o relacionamento do Coringa com o Batman. A conversa na delegacia de polícia é um pouco semelhante a de A Piada Mortal, com o Coringa explicando que, em alguns aspectos, eles são idênticos e que foi uma rota diferente que os colocou em lugares opostos. Este tema foi usado muitas vezes ao longo dos anos 80, quando as histórias em quadrinhos tornaram-se realmente sérias.
Será que a versão de Nolan não reflete qualquer versão específica do Coringa? Ela toma elementos de todas as encarnações anteriores misturando-as com pouco de Alex DeLarge, Johnny Rotten e algumas ideias originais, funcionando tão bem quanto os seus retratos fiéis. Heath Ledger recebeu um Globo de Ouro e um Oscar Póstumo por esse papel. Ainda que o Coringa 2008 não se pareça com nenhum outro conhecido dos quadrinhos, é um personagem marcante, interessante e super-intrigante, bem como o fenômeno que envolve esta versão que já fala por si.
 
É importante mencionar que Jerry Robinson esteve um pouco envolvido com o filme. Ele teve reuniões com Christopher Nolan embora nunca tenha visitado o set.
 
As tentativas de amarrar as histórias em quadrinhos com a mitologia de Nolan começaram em Batman Confidential # 9. Lá, novas origens para o Coringa foram apresentadas.
Tudo começa quando ele ainda era um criminoso chamado Jack. Quando ele está tentando escapar de Batman, o Cavaleiro das Trevas lança um batarangue que corta o rosto de Jack, dividindo sua boca. Jack ainda consegue escapar no entanto.
Então, em Batman # 655, uma explicação diferente para sorriso do Coringa é apresentada e a sua personalidade muda significativamente. O Coringa é baleado no rosto por um policial enlouquecido, deixando-o fora de ação por um tempo. Depois de passar por cirurgia plástica e intensa terapia física, o Coringa aparece em Batman # 663, com uma aparência completamente nova.
 
Coringa, de Brian Azzarello
Mais um esforço para se ajustar às histórias em quadrinhos com a versão Nolan foi feito com Brave and the Bold # 31 em janeiro de 2010. Embora as origens sempre envolvam o Capuz Vermelho caindo em um poço químico, a representação da pessoa antes da queda é um pouco diferente (entretanto isso é discutível, uma vez que as origens apresentadas por Kane e Finger não contradizem a história  de A Piada Mortal, e havia pelo menos mais duas histórias que confirmavam as mesmas origens de um comediante deformado). Desta vez, no entanto, o banho químico não é parte da história, embora não seja negado. Isso nunca é mostrado, mencionado ou sugerido.

Brave and the Bold # 31
Nesta história, os médicos do Arkham desejam salvar o Coringa que estava morrendo, e convocam o super-herói Ray Palmer, o Eléctron, para ajudar com o processo. O Eléctron não quer ajudar a salvar a vida do Coringa, mas ele logo muda de ideia uma vez que descobre que, na tentativa de salvar o criminoso, poderia muito bem acabar por matá-lo.
Entrando no cérebro do vilão, e depois que o Eléctron é inevitavelmente superado pelas sinapses cerebrais do Coringa, a narrativa revela as memórias violentas do palhaço, forçando o herói a experimentar em primeira mão aqueles casos perturbadores. Vemos o Coringa como uma criança de mente distorcida, que sequestra animais para mata-los, e podemos vê-lo prendendo seus pais abusivos na sua própria casa e em seguida ateando fogo nela. Vemos os primeiros traços de sua filosofia e a ascensão de sua carreira criminal.
A sequência final de três páginas mostra o Coringa que todos nós conhecemos e revela / sugere que ele é realmente o Coringa de O Cavaleiro das Trevas.
Esta história foi controversa entre os fãs por várias razões. Porque arruina a continuidade com A Piada Mortal, que ainda parece viável já que Barbara permanece em uma cadeira de rodas. A Piada Mortal retratou um Coringa pré-queda como uma boa pessoa. Uma outra questão é a inclusão de Eléctron na história, e então há a ideia de explicar as origens do palhaço apresentado pelos filmes de Nolan que muitos fãs não querem ver.
 
Novos 52
Com o reboot de 100 % das histórias da DC Comics, o Coringa ganhou uma nova reformulação. Extremante violento e psicótico. Detective Comics foi uma das poucas séries que acompanhei após o reboot. Apesar do novo Coringa ser intrigante e inspirar terror e comédia na medida certa, não concordo muito com esta representação. Revendo as antigas histórias é mais do que claro que o Coringa nunca precisou ser tão visceral para parecer realmente apavorante.
Em uma das histórias mais recentes, ele arranca o próprio rosto apenas para utilizá-lo como máscara. E ainda prende todos os membros da Bat-Família num banquete em que seriam obrigados a devorar os seus próprios rostos devidamente removidos, o que não passou de mais uma piada doentia do vilão. O Coringa é muito mais complexo do que isso.
 
Under the Red Hood
O perigoso homicida rapidamente retornou às animações no filme animado Under the Red Hood de Bruce Timm em 2010, e dublado por John DiMaggio (mais conhecido por Bender de Futurama), honrando a verdadeira loucura do personagem, ele é engraçado e assustador. A animação é uma das melhores e mais brutais do Batman e adapta o arco dos quadrinhos marcado pelo retorno de Jason Todd do mundo dos mortos como o novo Capuz Vermelho.

Young Justice
O Coringa também fez algumas aparições poucos anos depois, em Young Justice, mas esta foi considerada uma das piores adaptações para o personagem, embora tenha aparecido em poucas cenas.

The Dark Knight Returns, 2012
Então chegamos a tão esperada adaptação do conto The Dark Knight Returns de 1986, em 2012. O filme animado é a adaptação perfeita dos quadrinhos de Frank Miller. Dublado originalmente por Michael Emerson, em uma das suas representações mais assustadoras e marcantes já feitas para o personagem.

                                       

A animação preservou toda a demência e a perversão do Coringa, seu visual andrógeno típico dos anos 80 também estava presente, assim como sua psicopatia e obsessão pelo seu maior inimigo.
Logo depois houve uma participação especial do Coringa em Assault on Arhkam, com um design que é praticamente o mesmo dos games da série Batman: Arkhkam.
E agora aguardamos ansiosamente a adaptação em desenho animado de A Piada Mortal prometida por Bruce Timm e que contará novamente com Mark Hammill como dublador do Coringa.

As múltiplas origens do Coringa continuam confundindo os fãs. Como é o caso do suposto novo aparecimento do personagem (antes de se transformar no Coringa que conhecemos) no seriado para a TV Gotham.

                                        

Sou da opinião de que a Warner deveria deixar de investir nestas séries da CW, e voltar a produzir novas animações. Mas precisamos considerar a incrível atuação de um certo ator.
Cameron Monaghan interpreta Jerome Valeska, um interessantíssimo personagem, mesmo dentro das limitações desta série. Talvez, no universo de Gotham, o Coringa seja mais uma ideia do que uma pessoa específica. Mas de qualquer forma, a interpretação de Cameron Monaghan é mesmo  incrível. Ele é um ator talentosíssimo, e um grande candidato para talvez interpretar o vilão em alguma outra oportunidade no futuro.

Jared Leto

Aguardamos com muita expectativa o ano de 2016 para o lançamento do filme O Esquadrão Suicida, onde o Coringa será interpretado por Jared Leto.
Visual funk ostentação à parte, esta nova versão do Coringa pode surpreender. Jared Leto é um ator muito talentoso e competente, um dos mais bem sucedidos da sua geração.
Há porém o risco dos espectadores estarem aguardando um filme do Coringa e não do Esquadrão Suicida. Uma vez que o grande público, pouco conhecedor de quadrinhos, nem tinha ideia de que o Coringa não faz parte do Esquadrão. Vide a reação das pessoas quando a primeira imagem do grupo foi revelada e havia a notável ausência do personagem.
 

O Coringa é um vilão provavelmente tão adorado quanto herói que é o Batman, e, na minha opinião, ele é o maior vilão de todos os tempos! Sua motivação única, claro, é para equilibrar a moralidade que o Batman traz a Gotham, e o que ele deseja é assistir toda a cidade de Gotham queimar até o chão... apenas porque. O Coringa perfeitamente personifica a anarquia, o caos e o terror, de uma forma que nenhum outro vilão poderia fazer.