quinta-feira, 29 de setembro de 2016

BATMAN, FRANK MILLER, E OS 30 ANOS DO CAVALEIRO DAS TREVAS


Há mais de 75 anos, surgia o Batman, um super-herói essencialmente sombrio. O personagem abandona as suas raízes sombrias, massacrado pela censura do Comics Code Authority,  durante a década de cinquenta. Seria então na década de setenta, quando este "Código dos Quadrinhos" já vinha perdido muito de sua força, que as grandes editoras não mais se submeteriam a ele, e o Batman finalmente poderia retornar às suas raízes sombrias. E foi em fevereiro de 1986, que a DC Comics lançou Batman O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, e Batman e as histórias em quadrinhos nunca mais seriam os mesmos.
 
Acredite ou não, naquela época, Batman não era tão popular como é hoje. Após a Batmania dos anos sessenta, o interesse pelo Cruzado Mascarado diminuiu. Até o início dos anos setenta, os quadrinhos estavam à beira do cancelamento. Denny O'Neil e Neal Adams foram os principais responsáveis por reacender os quadrinhos, tornando-os mais góticos (enquanto na televisão, os "Superamigos" mantinham um Cavaleiro das Trevas amigável).

Frank Miller

The Dark Knigth Returns
Batman O Cavaleiro das Trevas
Vá ao Google. Digite Frank Miller. Ele agarrou o Batman pelo capuz, e junto de outros grandes nomes da época, inaugurou a Era das Trevas dos Quadrinhos. A imagem do super-herói de roupa colorida foi se distanciando do imaginário popular. Os super-heróis estavam se tornando as almas torturadas que conhecemos e amamos hoje.
O Batman de Frank Miller foi uma enorme influência sobre os filmes de Chris Nolan, e houve a recente tentativa de reproduzi-lo em Batman vs Superman. É evidente como uma história em quadrinhos escrita há 30 decidiu o futuro de um personagem como o Batman.
 
Um dos melhores personagens dos quadrinhos, com grandes historias e personagens marcantes e profundos. Faço questão de deixar claro que eu sou um grande fã do Batman e do Frank Miller.

Após trabalhar na Western Publishing, Miller realizou pequenos projetos com a DC Comics, até que em 1979 foi contratado pela Marvel Comics.


Demolidor (Daredevil) HQ: inspiração para séries modernas. 
Matt Murdock, o Demolidor, não era um super-herói tão reconhecido antes de Frank Miller trabalhar com o personagem na Marvel. Quando o autor tomou conta do seu título, trouxe uma nova perspectiva para o personagem, acrescentando grandes elementos a sua mitologia, tornando-a muito mais interessante e empolgante, além de novos personagens como Elektra, a sua mais famosa.

Wolverine
Os anos oitenta foram o seu período mais brilhante. Daquela época, podemos citar a minissérie do Wolverine, situada no Japão, que ele escreveu e co-roteirizou, e ainda escreveu Ronin, com clara influência de "O Lobo Solitário" do mangaká Kazuo Koike. Este trabalho de Miller foi um sucesso de crítica e também o responsável por popularizar os mangás japoneses no ocidente.

Ronin
 
Batman Ano Um
Todos estes títulos seriam apenas um aquecimento para o que ainda estava por vir, com Batman O Cavaleiro das Trevas, Batman Ano Um e, com o seu retorno à Marvel, A Queda de Murdock.

Daredevil - Born Again
 
Daredevil - Born Again
Batman O Cavaleiro das Trevas é considerada por muitos a melhor história já escrita para o personagem. E de fato já se foram 30 anos e ainda estamos falando sobre ela!
Fora da Marvel e da DC, Miller ainda foi o responsável por grandes sucessos como Hard Boiled, Martha Washington, 300 e Sin City.

300
 
Sin City
Em Batman Ano Um, além do novo tom mais sombrio, Miller acrescentou vários aspectos à mitologia do personagem. Nesta nova versão, é o seu mordomo Alfred quem passa a cuidar do jovem Bruce Wayne, tornando-se o seu tutor, após o assassinato dos seus pais.
E os pais de Bruce Wayne, aliás, agora foram assassinados diante do pequeno Bruce após saírem de um cinema. E ainda Bruce encontrou a inspiração do morcego, que surgiu voando em sua janela. Antes disso, o que inspirou Bruce foi a sua queda, ainda criança, em um buraco dos jardins de sua casa, onde ele se assustou com um ataque de centenas de morcegos. Independente das versões, estas foram as inspirações para Bruce Wayne vestir-se como um morcego e trazer o terror para todos os criminosos de Gotham.

 
Ele jurou nunca matar, e enfrentar os seus inimigos valendo-se apenas de suas habilidades marciais e de sua inteligência. Em 1939 nas páginas da Detective Comics, um ano após o surgimento do Superman, os autores Bill Finger e Bob Kane apresentaram um personagem que seria o verdadeiro contraponto do Homem de Aço, um super-detetive que confronta o crime usando a sua mente antes dos seus punhos.

 
Batman O Cavaleiro das Trevas nos apresenta um Batman aposentado que, devido a decadência da sociedade que o cerca e o aumento da criminalidade, não tem outra escolha a não ser voltar a ativa. A princípio teme não ser mais digno do manto do morcego, mas ele está de volta a ação, embora já mostrando os primeiros sinais de fraqueza.
Como dito antes, não foi Miller quem permitiu ao Batman ser um personagem sombrio novamente, como nos seus primeiros anos. Após a Era de Prata e Adam West, há 16 anos de histórias sombrias e moralmente complexas do Batman.
O Cavaleiro das Trevas não foi tão impactante porque fez o Batman sombrio novamente, mas foi impactante porque abalou os restos do Comics Code Authority que influenciaram a forma como os autores escolheram para contar suas histórias desde 1954. Livre desse fardo, Miller foi autorizado a respeitar o material de origem, ignorando as cadeias de continuidade. Nossos ícones poderiam falhar, poderiam sangrar, poderiam ser desconstruídos.


1986, as cidades estavam completamente tomadas pelo crime e pela violência, era a época da Guerra Fria, e do temor de uma nova guerra mundial que poderia acabar com todo o nosso planeta. O governo havia proibido super-heróis por causa de sua propensão para a destruição, e o medo que eles criaram entre os seres humanos comuns. Este foi um aspecto de nosso mundo, onde fazia sentido um Superman trabalhar secretamente para o governo dos EUA, a fim de fazer o pouco de bem que poderia, e que o Batman seria visto como uma ameaça de nível terrorista devido a sua capacidade de fazer o que as forças armadas não poderiam. Miller explorou estes dois ícones como os dois lados da América: o homem que está pela verdade, justiça e o American Way, e o homem que sabe que isto é tudo uma mentira e, portanto, é livre para considerar a possibilidade de conspiração.

 
 
Miller também inovou ao fazer de uma menina Robin pela primeira vez. Podem ter ocorrido tentativas de se imitar a Robin de Carrie Kelley nestes últimos 30 anos, mas não foi nada em comparação com esta jovem adolescente que recebeu o velho traje do Menino Prodígio.

 
O que seria de uma história do Batman sem o Coringa? Ele aparece aqui, e da mesma forma sai de sua aposentadoria (e de um estado catatônico), quando o Batman faz o mesmo. Este conto confirma ainda que o Coringa não pode existir sem um Batman e, como o Coringa de Heath Ledger disse: "Eu acho que você e eu estamos destinados a fazer isso para sempre."
 
O maior acontecimento em O Cavaleiro das Trevas é o Superman sendo enviado pelo governo dos EUA para intervir com os métodos do Batman, que fazia justiça com suas próprias mãos combatendo o crime em Gotham no decorrer da história. Assim começa uma batalha entre os dois. E como muitos já devem estar cientes, o recente filme de Zack Snyder inverteu os papéis destes dois super-heróis no conto de Frank Miller.

 
O Cavaleiro das Trevas é tão relevante hoje como foi há 30 anos. O Batman vigilante faz todo o sentido para a sociedade. E agora, antes de escrever o que aprendi com Frank Miller, vou deixar claro um ponto de vista meu sobre as histórias do Batman.

Stan Lee e Frank Miller
A Piada Mortal de Alan Moore é um conto fantástico do Coringa, uma espetacular história sobre uma possível origem para o Príncipe Palhaço do Crime. O Coringa é o verdadeiro protagonista desta história.


Mas, e isso é uma opinião muito pessoal minha, prefiro o Batman vigilante que o Frank Miller apresenta em O Cavaleiro das Trevas ao Batman, digamos, "relativista" que confronta o Coringa em A Piada Mortal. E quando você percebe que os jovens admirando mas o Coringa, por suas atitudes (muitas vezes relacionadas ao estupro e assassinatos) do que o Batman, isso pode significar que há algo de errado.

 
 

Continuando. É lamentável que apenas um único aspecto do Batman tem sido explorado em quaisquer destas histórias feitas recentemente para o personagem, vide o Batman interpretado por Ben Affleck em Batman vs Superman.
Em essência, Batman é um homem que pode caminhar entre os deuses. Ele não é um deus, é apenas um homem.

I belive you!
Não vivo na Nova York, como Frank Miller, a cidade dominada pelo crime e pela violência que o inspirou a criar a sua obra-prima Batman O Cavaleiro das Trevas, mas provavelmente vivo num lugar muito pior, que permite a corrupção, os crimes impunes e o enriquecimento de círculos de poder que deixaram os pobres ainda mais pobres, com suas políticas fracassadas.

Muitos devem se perguntar por que diabos alguém ainda vive em Gotham. Pelo menos nós sabemos que Gotham de fato sequer existe. Mas tudo faz sentido quando fazemos uma conexão entre a cidade e  o seu herói.

Em Gotham parece que é "sempre noite". Durante o dia há pouca luz. E à noite é muito mais escura até antes do amanhecer. Em um sentido profundo e real, a cada dia o mundo permanece sombrio, com sua miséria e desespero. Batman surge como um símbolo de esperança. Batman abraça a escuridão. Ele pode se vestir de preto, mas por dentro é um ser ainda mais luminoso do que o Superman ou qualquer outro.

Batman é o meu super-herói favorito não porque foi capaz de vencer deuses, mas porque tornou-se um símbolo que representa a luz na escuridão.
Batman não está esperando o reconhecimento e os aplausos de ninguém. Batman está disposto a fazer o impensável para salvar vidas. Batman não existe em carne e osso, mas existe no imaginário coletivo ao longo de gerações, inspirando criadores, escritores, engenheiros, doutores, crianças, pessoas comuns como você e eu.
O personagem deixou algo muito mais profundo do que um grande legado em histórias em quadrinhos. Os livros, os filmes, as músicas não tem mais nenhuma utilidade além de inspirar o que há de melhor em cada um de nós e fazer crescer a nossa imaginação, e Batman faz parte de todo este imaginário coletivo.


Sobre o personagem Frank Miller falou: “Existe alguma coisa humilhante sobre a primeira vez que você é derrubado no chão e leva um soco no estômago e alguém esfrega uma arma na sua cara e você se dá conta de que está a mercê de alguém. E que eles podem tirar a sua vida. Nesse momento, você faria qualquer coisa. Existe algo de humilhante nisso. Certo, o Super-Homem pode voar, mas o Batman me transforma naquele cara que tem medo e ao mesmo tempo é o cara que pode chegar e salvá-lo. É o mito perfeito. Ele é interessante porque acerta o mundo. E traz ordem para um mundo caótico. Especialmente se você é uma criança. Você precisa de alguém, mesmo que seja um personagem de ficção, para te dizer que o mundo faz sentido e que os caras bons podem ganhar”.

James Gordon, interpretado por Gary Oldman, ao final do fenomenal The Dark Knight, em poucas palavras transmite toda a essência deste super-herói:
 
                                      

sábado, 10 de setembro de 2016

DRAGON BALL SUPER: COMO ARRUINAR UM CLÁSSICO

 
Não há dúvidas, o mercado dos animês está saturado, e Dragon Ball Super é o maior exemplo disso!
"Se você não gosta, então por que assiste?" Não! Não acompanho DBS. Aliás, não tenho acompanhado quase nada do que tem saído recentemente, salvo algumas exceções. As informações que consigo do que vem acontecendo na série após suas duas primeiras temporadas vem de vídeos ou sites estrangeiros.
Sou apaixonado por desenhos animados. Eles me fascinam mais do que qualquer filme hollywoodiano com investimentos milionários para serem produzidos. Nunca vou me sentir velho demais para eles, apesar do estereótipo imposto pelos sabichões da sociedade.
E como um fã antigo do Akira Toriyama e de seus personagens, ainda é um direito expor a minha opinião sobre o que vem sendo feito. É o mesmo direito que você tem de se revoltar com as descaracterizações que aquele roteirista faz com os seus super-heróis preferidos dos quadrinhos da sua infância apenas para promover a sua agenda política. Mesmo que eu já não leia mais o quadrinho do personagem.

Imagine um Dragon Ball Z sem qualquer resquício de tensão dramática, e ainda com um humor sem graça quebrando o ritmo dos episódios. É lógico que você nunca poderia imaginar. Mas ele agora existe!


 
Em 2013, Akira Toriyama e a Toei fizeram uma Dança da Fusão errada e se transformaram em um tipo estranho de besta conhecida apenas como "Toeiyama". E um de seus descendentes é o terrível "Dragon Ball do Século XXI" ou, como eles decidiram chamá-lo (mas só depois de fazer dois filmes inteiros sobre ele), Dragon Ball Super. Cada pequena falha nesta série é sistêmica. "Toeiyama" não quer um conto sobre a superação de uma batalha quase impossível. Ele quer forçar uma nova história e vender brinquedos (e também comida).

Dragon Ball terminou na saga Majin Boo, e não há ninguém que vá me convencer de que existe mais história após a Edição Definitiva do mangá!


 
Cheguei a gostar do filme Battle of Gods quando ele saiu, mas hoje percebo que ele era apenas o prelúdio da tragédia que estava por vir (Ou talvez tudo tenha começado em 2008 com o especial "O retorno de Son Goku e seus amigos").
Achava os "vilões" do filme interessantes, e o conceito dos Universos paralelos parecia fantástico. Mas não há ninguém que represente uma verdadeira ameaça dentro da história, uma vez que todos se tornam amigos e tudo termina em diversão. E estes "vilões" agora estão entre os personagens mais irritantes e infantilóides de todos os animês.

A melhor coisa de Battle of Gods é o seu encerramento, com a nostalgia do mangá original e a música Chala Head Chala. O problema é que aqui você não tem a voz poderosa de Hinorobu Kageyama, mas a voz de um jovem e autotunes.

                                        

Com relação ao humor fora de hora que irrita bastante, podem ainda argumentar: "Ah, mas é Dragon Ball! Não deveria haver espaço para comédia? Estamos apenas retornando as origens do divertido Dragon Ball clássico!"

Dragon Ball era muito mais do que cenas engraçadas.
Era uma série era sobre Companheirismo.
Escolhas Complexas.
Sacrifício.
Esforço.
Belos sentimentos.
Redenção.
E a superação de desafios tidos como impossíveis.
 
Com DBS temos:
Piadas sobre comida.
Bonecos de ação batendo uns nos outros.
 
Um dos pontos mais criticados, não só desta série como de muitas outras atuais, é a qualidade da animação. Aqui não há muito o que discutir. Mesmo os maiores defensores de DBS concordam que animação é muito pobre.
Os defensores mais fanáticos, entretanto, costumam capturar imagens do clássico DBZ onde a animação e os personagens estão realmente muito bugados e ainda provocam com um "Vejam isso! Antigamente ninguém reclamava!"

Animação velha, ultrapassada e bugada?
Este desenho de Hanna Barbera respeita o seu material de origem, a HQ, de
uma forma que nenhum filme jamais foi capaz..
Ambas as séries foram feitas para a TV e de fato não há muita exigência para o tipo de animação. Mas em muitíssimos momentos de DBS, o traço fica tão estranho que os personagens nem parecem os mesmos que conhecemos.
Com relação a imagens bugadas, mesmo em filmes mais modernos elas podem acontecer se você for procurar com bastante cuidado.
O maior atrativo de Dragon Ball são as lutas, e nos episódios atuais, é justamente durante as cenas de ação que a animação fica pior. Com relação as comparações entre o novo e o antigo, a animação nunca foi um grande problema, pelo menos para mim. O grande ponto fraco de DBS é a história e a descaracterização dos personagens. Se não fosse por isso, acredito que não existiriam tantas críticas negativas. A verdade é que DBS foi realizado para um novo público, que são as crianças criadas nesta cultura do politicamente correto e que devem ser protegidas do sangue e de temas mais pesados para desenhos animados.


Nova Geração, você tem cerca de 3 minutos para provar que também é foda...


...


Perda de tempo!

DBZ: Freeza preferiu a morte a desonra de viver a vida concedida
pela piedade de seu inimigo Goku.
O olhar de Goku após assassinar Freeza. Seria desprezo ou despontamento?
E esta é mesmo a tendência atual. Os desenhos animados com os super-heróis da DC Comis, por exemplo, preferem focar o cotidiano e a comédia do que as batalhas e os dramas complexos de seus personagens. Que saudades de Batman Animated Series e Liga da Justiça Sem Limites!

O que aconteceu com Goku é um crime tão grande quanto aquilo que fizeram ao Gohan, seu filho e personagem favorito de muitos.
Para onde foi a personalidade estoica de Goku? Agora Vegeta parece mais heroico do que ele.
Goku sempre foi louco por lutas, mas sabia ser prudente em meio a batalhas que poderiam destruir o planeta, enquanto em DBS, ele parece não se importar com a possível destruição do Universo. Para ele a única coisa que importa é ter uma boa luta. Sua atitude está muito infantil, chegando ao ponto de não levar ameaça alguma a sério. Parece que o herói da infância e juventude de muitas pessoas morreu e foi substituído por um cara odioso que só está preocupado em brincar e pouco está se lixando em salvar a Terra. Um cara assim inspira alguém? Mesmo quando ele vence, ainda merece ser chamado de herói?
Goku teve uma evolução memorável durante a série original, graças as experiências que obteve com as batalhas e em seus relacionamentos com os outros personagens, que também acompanharam a sua evolução. Do ápice de sua forma física e mental ao final de DBZ, Goku agora regrediu para um moleque mimado que só pensa em diversão.
Toriyama deu uma trajetória incrível para Goku e Vegeta durante DBZ. E o que acontece em Super?
Mesmo quando ainda era criança, Goku entrava em momentos de seriedade e tinha mais noção dos perigos que o cercavam. Mas em DBS a personalidade boba é regra e não exceção.

DBZ: Vegeta assassina Guldo à traição.
(Mangá é melhor do que animê)
Vegeta, sinceramente, para onde foi aquele cara revoltante, irritado, que não gostava de nada e de ninguém, ofendendo os seus oponentes e mesmo aliados? E agora ele é superior a quase todos do animê. Uma das características mais marcantes do Vegeta era a sua perseverança. Vegeta sempre perdia, e muitos que assistiam o animê se irritavam e o viam como um fracassado, mas ele nunca desistia de algum dia ser o melhor, e era sempre mostrado treinando sob pressão. Hoje ele está muito poderoso, e muitos o veem como o mais forte de todos.
Por mais poderoso que o Vegeta fosse em DBZ, ele ainda foi obrigado a reconhecer que não poderia superar o seu rival, e isso foi uma dose de realismo para a série. Vegeta não foi capaz de realizar o seu sonho, mas ele não se abateu, não se conformou e continuou treinando para melhorar, para ao menos fazer o seu melhor. Como ele mesmo falou no final da Edição Definitiva de Dragon Ball: "Fique mais forte, Kakarotto. Algum dia você conhecerá o que é a derrota!".
Nisso muitos de nós poderíamos nos identificar com o Vegeta, e nos sentir inspirados. Mesmo que a nossa valentia e força sejam do tamanho do Universo, ainda assim podemos fracassar em realizar o nosso sonho (e isto certamente vai acontecer a muitos de nós). Então façamos como o Vegeta nos ensinou, vamos todos nos esforçar e fazer o nosso melhor. Abaixar a cabeça e se conformar, jamais!

                                           

E Vegeta ganhou todo esse upgrade em DBS simplesmente porque sim. O Gohan precisou diminuir para que o Vegeta pudesse aparecer. E a desculpa foi das piores. Só por deixar de treinar para se tornar um estudioso, Gohan tornou-se um fracote! Qual é o sentido disso? Durante DBZ, Goku e Vegeta precisaram treinar por sete anos para chegarem ao nível que Gohan alcançou no final da saga de Cell. E o Gohan Místico era ainda mais forte à princípio do que o Goku na forma de Super Saiyajin 3, e sem limite de tempo!
Gohan, dentro da série original, era como a personificação de até onde a determinação e o esforço poderiam levar um homem, sem perder a sua personalidade e sensibilidade. Por que nesta série Gohan precisou escolher entre ser poderoso ou estudioso? Trunks é um exemplo de um personagem forte e inteligente, ele não precisou escolher entre ser um ou outro.

Aliás não foi só Gohan quem precisou diminuir. O mesmo pode ser dito de Goku.
Além da sua personalidade, da qual já falamos, existem absurdos como vermos Goku com o poder de destruir Universos com socos (!), mas caindo para uma arma laser. No mínimo risível. E tudo como justificativa para Vegeta ter a oportunidade de lutar no lugar dele.
Agora o todo-poderoso Goku tem um ponto fraco. Se alguém chegar para Goku no meio de uma luta e dizer "olha o avião" e ele olhar, um simples soldado raso de Freeza pode pegá-lo desprevenido e derruba-lo com uma arma laser. Esta é a sua Kriptonita.
E você que achava ridículo o Superman cair para uma pedrinha verde!
Não me venham com os argumentos apresentados por DBS. Em DBZ, Goku recebia diretamente impactos que poderiam destruir vários planetas sem estar focado na batalha e sequer ficava inconsciente.

"Ah, mas um vez na saga Boo, o Vegeta desacordou o Goku com um soco quando ele não estava focado na batalha."

Ora por favor!

Estamos falando de um soco do Vegeta, em uma época em que ele poderia destruir um Sistema Solar brincando!

Sério mesmo, "Toeiyama"? Goku caindo para um laser?

E nem comento mais sobre aquele Freeza!

Já li argumentos de defensores de DBS dizendo que agora Akira Toriyama tem a total liberdade de fazer o que quiser com o roteiro da nova série, liberdade esta que seus editores não lhe davam quando escreveu e desenhou a série original.

Duas considerações minhas:

Primeira: Se Akira Toriyama tem a liberdade de escrever o quer agora, então ainda bem que ele não tinha tal liberdade antigamente!

Segunda: Não acredito que todas estas ideias para DBS saíram da mente de Toriyama. Os personagens e seus designers e contexto histórico certamente sim. Mas por suas próprias palavras em entrevistas recentes, DBS já pode ser considerado um DBGT 2.0, com Toriyama como seu consultor artístico.

Fazendo uma grosseira comparação, até o odiado DBGT tinha cenas de ação mais inspiradas do que DBS, embora a história seja tão ruim quanto. E ao menos desde o princípio foi deixado claro: DBGT é filler!
Mas no caso de DBS, estão empurrando esta atrocidade para os espectadores como algo canônico! Isto o torna ainda pior do que DBGT!
DBS agora tem até um mangá para reforçar a sua autenticidade. E eu nunca vi um mangá que é vendido como oficial, mas é produzido depois do animê. E você vai ter que aceitar tudo como canônico! E foda-se se DBS arruína tudo o que foi DB e DBZ!

Durante o mangá e animê originais, por mais que os editores possam ter pentelhado a vida do Toriyama, tudo saiu muito bem no final. Toriyama prolongou a série para a alegria dos editores e seus leitores, e cada uma das partes ficou satisfeita. Em outras palavras, havia um equilíbrio nos bastidores da produção do mangá.


 
O Vegeta nunca foi o personagem favorito de Akira Toriyama. Ele mesmo afirmou que colocou em Vegeta todas as características que mais desprezava em uma pessoa. Mas diferente dele, os editores e leitores amaram o personagem.
A ideia de Toriyama era que Vegeta morresse logo no início da série, mas os editores o obrigaram a mante-lo vivo, porque um personagem tão bom quanto ele deveria ser mais explorado.
E, como forma de protesto, Toriyama fez com que Vegeta fosse ficando cada mais fraco se comparado aos outros saiyajins. Vide as surras homéricas que ele levou durante a série toda.
Mesmo sabendo disso, eu ainda me perguntava se Toriyama odiava tanto assim o personagem.
Vegeta poderia não ser o mais forte do Universo, mas era sem sombra de dúvidas o mais legal.
Vegeta tinha as melhores cenas (como quando massacrou um por um dos servos de Freeza na saga do mesmo, ou como quando ajudou Gohan a derrotar o Cell, e é claro, a sua despedida emocionante quando se sacrificou enfrentando Majin Boo), as melhores frases ("Podem ir tomar café com leite!", "Meu coração é pura maldade!") e ainda as cenas mais engraçadas também eram as dele.
Existe cena mais engraçada do que aquela em que o Vegeta destrói a máquina de socos no torneio de artes marciais na saga Boo?

                                                

Se os editores não tivessem interferido, não teríamos este personagem tão épico no hall da fama dos animês e mangás.
E, por outro lado, foi graças ao "ódio" de Toriyama pelo personagem, que Vegeta tornou-se tão humano e único dentro da série.

Para DBZ, existem muitos críticos da sua última saga, isto é, a saga Boo. Seja por sua narrativa, pelo vilão "cômico" ou por eventuais descaracterizações de alguns personagens (tipo o Piccolo). Mas houve coerência para os destinos dos personagens, mesmo para aqueles supostamente descaracterizados. Considero a última saga tão boa quanto as demais, e Toriyama soube encaminhar o mangá para o seu final, mesmo que este tenha deixado a desejar.

Majin Boo não era um vilão como Freeza e Cell, ele era mais um vilão slasher, tipo  um Freddy ou um Jason. Ele só queria causar destruição e devorar todos os seres vivos na forma de seus doces favoritos. Ele era tremendamente poderoso, chegando a distorcer a realidade no grito (Chupa, Superboy Prime!).
Majin Boo era engraçado. Ele era nojento. Ele era patético. Ele era vil. E super divertido de assistir.

DBZ manteve a coerência, e durante toda a série sentíamos que assistíamos ao mesmo animê.

Companheirismo.
Escolhas Complexas.
Sacrifício.
Esforço.
Belos Sentimentos.
Redenção.
A superação de desafios tidos como impossíveis.
Cenas hilárias.

DBS talvez não fosse tão mal se fosse um outro animê, quero dizer, diferente do universo Dragon Ball. Por isso mesmo que o mercado dos animês está tão saturado. Falta criatividade para criar algo novo, e por isso desenterram franquias que fizeram sucesso e ainda apresentam algum apelo junto ao público.
Akira Toriyama em entrevistas revelou que ficou desapontado com a tragédia hollywoodina o filme DB Evolution e agora está muito insatisfeito com Super. Ele mesmo admite que Dragon Ball já deveria ter sido deixado de lado.
Não apenas os traços, o roteiro do novo animê é muito ruim. E isto agora é uma opinião pessoal minha, era realmente melhor tê-lo deixado "morto" do que ressuscitar um dos melhores animês que já existiu para trazer algo deste nível.
Aqui está a diferença principal entre o fã e o fanboy. O fanboy aceita qualquer coisa que é jogada para ele, contanto que tenha o nome de sua série favorita.

O Superman também teve a sua fase colorida.
E todos sabemos a bosta que ficou!

Até o Gumball sabe qual é
o Super Saiyajin que vale!

Majin Boo foi um inimigo final fantástico. Ele sobrevivia e voltava a vida através de um mísero átomo. Goku não o derrotou de fato, precisando da ajuda de todos os seus amigos.
Não é à toa que Goku desejou que Boo reencarna-se para que os dois pudessem ter uma luta realmente justa.
Como podem ver, até o filme Battle of Gods começou errado. Goku deveria conhecer os deuses da destruição após treinar Ubuu, e esse seu discípulo provavelmente se tornaria um dos personagens mais poderosos da série.


É infantilidade desejar que as coisas aconteçam do seu jeito. Mas seria o correto que Pan, a neta de Goku, e Ubuu fossem os novos protagonistas de uma continuação da história sobre o universo Dragon Ball, juntos de Trunks e Goten. Com a condição de não ser uma série que se prolongasse por quinhentos capítulos. Apenas uma pequena história que mostrasse para os fãs o destino destes personagens.
Ademais, Dragon Ball Online tem uma história bem interessante, e poderia gerar algum animê com personagens 100% novos. E até mesmo Dragon Ball Multiverse (feito por fãs!) é muito melhor do que Super. Embora Multiverse tenha se prolongado tanto que acabou gerando momentos dignos de um DBGT (argh!). Lembrando que depois de DBS, DBGT não parece mais tão ruim.

Claro, não estou desconsiderando o que disse anteriormente. A série acabou na saga Boo, e a nós só resta aceitar isso.

Se é verdade que hoje as palavras machucam...


 
... Meu Blog é meu gramado.