domingo, 7 de setembro de 2014

ANO DE ELEIÇÕES: POLÍTICOS, VILÕES TAMBÉM NA FICÇÃO


Como estamos em ano de eleições, não poderia deixar de fazer uma postagem inteiramente dedicada ao tema. Aqui vamos demonstrar como os nossos eleitos já foram capazes de exercer um perfeito papel como vilões em diversas histórias ficcionais. Mas antes de prosseguirmos com a matéria, é importante deixar claro que tudo o que escrevi apenas faz parte da minha opinião, sou apartidário, mas não devo esconder que tenho as minhas próprias convicções políticas, e acredito que todos os meus leitores devem ter as suas próprias também.
Estamos em um período de reflexão, um momento em que devemos estar ainda mais conscientes dos nossos deveres como cidadãos e, no momento em que realizarmos o exercício cívico do voto, possamos escolher os melhores candidatos que ocuparão os cargos políticos mais importantes do nosso país. E saber selecionar o candidato certo é de importância vital para a nação.
Achei que seria interessante debater um pouco sobre o tema utilizando um pouco das histórias ficcionais (quadrinhos, mangás, etc.) em que a política é um tema bem abordado e nas quais muitas vezes os políticos são retratados como grandes vilões das histórias, dando muita dor de cabeça para os nossos heróis.
Para começar podemos citar um caso bem interessante que aconteceu nos quadrinhos, com Wally West, o super herói Flash, lá pelo fim dos anos de 1990, em uma história de Mark Waid e Paul Ryan.
Nesta ocasião, a prefeitura de Keystone City chegou a conclusão de que o herói velocista era culpado por nove entre dez males que assolavam a cidade. Mas tudo isso foi só porque o prefeito estava à procura de um bode expiatório para se reeleger, e ele chegou até mesmo a exigir um afastamento do Flash e até enviou um técnico em contabilidade para calcular os danos causados em cada atividade do herói.


Assim restou a West  continuar morando em Keystone City e também atuando como Flash por um tempo na cidade litorânea de Santa Marta, até que o Major Desastre apareceu e inundou todo o lugar.

Outro super que também tem seus problemas com os engravatados é o Superman. O maior de todos os heróis da DC Comics, desde que começou a atuar no ramo, sempre foi visto com desconfiança pela alta cúpula, especialmente pelo exército, que temia uma possível rebelião do Kryptoniano.
Por exemplo no arco Nova Krypton, vemos um plano maquiavélico do sogro do herói, o General Sam Lane, para eliminar de uma vez por todas a “ameaça alienígena”, fazendo de tudo um pouco, desde libertar Apocalypse e utilizá-lo para atacar o presidente e até incriminar o Superman como terrorista ao lado de seus conterrâneos.
E não podemos deixar de mencionar o maior inimigo do Homem de Aço que conseguiu até mesmo ocupar o cargo mais importante do país. Sim, Lex Luthor já foi eleito presidente dos Estados Unidos e, o mais incrível, jogando limpo, sem trapaças. Claro que ele fez muitas coisas por baixo dos panos, como formar aliança com sujeitos como o General Zod e Darkseid. Inclusive Luthor planejou o assassinato da namorada de Bruce Wayne, Vesper Fairchild, e ainda o incriminou por ter tirado os contratos militares das empresas Wayne com o exército.


E por falar em Batman, o Cavaleiro das Trevas também teve alguns problemas com os chamados chefes de estado. Além de confrontá-los na minissérie "Batman: Conspiração", ainda teve de ver a sua cidade devastada por um terremoto e separada do resto do país como uma terra sem lei na saga "Terra de Ninguém". 


Esta saga é uma sequência direta da saga "Terremoto" e é ainda mais tensa, onde vemos Gothan que fora derrubada pelo terremoto e as ruas separadas pelos escombros, favorecendo a divisão da cidade pelos grandes do submundo em territórios. E em meio à falta de água e comida qualquer coisa vale como moeda de troca por proteção, e os crimes acontecem de forma absurda.

Mas não dá para falar de DC Comics sem falar também de como as questões políticas também são profundamente abordadas nas histórias do grupo de super heróis Watchmen. Maravilhosa foi a saga de Allan Moore, na qual o que percebemos é que a todo momento o governo procura tomar as rédeas da situação. 
Basta lembrar por exemplo do surgimento do Dr. Manhattan, que, logo após fazer a sua primeira aparição, o governo dos Estados Unidos deu um jeito de transformar a figura do herói na imagem do poderio americano e, mais tarde, é o mesmo governo que vai tentar reprimir as atividades dos vigilantes.


Criados por Alan Moore e Dave Gibbons, esses heróis tiveram que lidar com toda forma de política. Primeiro o Ato Keene, votado pelo Congresso Nacional, que baniu todos os vigilantes mascarados, destituindo os heróis da condição de defensores da sociedade. Os defensores do Ato Keene eram normalmente cidadãos comuns, a mídia liberal e até mesmo alguns poucos heróis e vilões. Essa lei foi uma das primeiras vezes nos quadrinhos em que o governo interferiu na vida dos heróis. Fato parecido também nas histórias da Sociedade da Justiça e também em uma das mais conhecidas mega sagas da Marvel Comics, como veremos mais adiante. O segundo maior obstáculo para os justiceiros viria a ser a Guerra Fria, com o presidente Nixon e a União Soviética à beira de um Apocalipse nuclear.

No século 20, as histórias em quadrinhos procuraram mostrar bem mais este caráter de controle sobre os super vigilantes. Isto é provado em várias séries publicadas no selo Marvel Max, Poder Supremo e Esquadrão Supremo, de J. Michael Straczinsky.

Hyperion
Muito interessante é o personagem Hyperion, membro do Esquadrão Supremo. Ele tem uma origem que emula a do Superman, mas é um personagem mais sombrio e tenebroso. Tal como o Homem de Aço, ele também veio do espaço e também é encontrado por um casal de fazendeiros, mas os dois acabam sendo assassinados  por oficias do governo, que adotam o pequeno alienígena e o levam para ser treinado e doutrinado para ser obediente as leis do país, ao lado de outros meta humanos, que são até mesmo enviados ao Iraque a fim de derrubar regimes totalitários. Mas claro que com o tempo as coisas mudam.


Resumindo, o Esquadrão Supremo seria como a Liga da Justiça da DC Comics, mas aqui o grupo é totalmente controlado pelo governo do país. 

Os maiores clássicos sobre questões de interferência política realmente ocorreram na editora da Marvel Comics. Se pegarmos por exemplo as histórias dos X-Men, vemos como o governo lidou desde o começo com a questão mutante, confiando ao cientista Bolívar Trask a missão de criar aberrações como os Sentinelas, para caçar uma parcela da população que nasceu diferente. Se você não leu, talvez tenha visto o último filme do grupo, "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", que nos apresenta muito bem como tudo isso aconteceu. E foi esse mesmo governo que quase aprovou a terrível Lei de Registro Mutante, e também podemos falar sobre eventos pós-Dia M, quando boa parte da população mutante perdeu os poderes e foi segregada em campos de confinamento.
Nos últimos anos os quadrinhos tiveram muitas histórias que eram claras críticas em relação a postura política diante da comunidade heroica.


Foi a mega saga Guerra Civil, escrita por Mark Millar, que realmente estremeceu as bases não apenas para os heróis, mas entre eles.
Bem, a esta altura do campeonato, dificilmente deve haver alguém que não saiba do que se trata este evento, mas vale uma rápida explicação: Os Novos Guerreiros causaram um acidente que levou cerca de 600 pessoas a morte, incluindo muitas crianças, em uma explosão numa cidade no interior dos Estados Unidos e por isso o governo aprovou a Lei de Registro Super Humano, que obriga cada super humano ou vigilante do país a registrar sua verdadeira identidade junto ao governo, sendo que a recusa poderia até mesmo levar a prisão.
A lei dividiu os heróis entre os defensores da lei como manutenção de suas atividades e os que a viam com maus olhos, como um tipo de repreensão ditatorial. O Capitão América surpreende a todos os leitores ao ficar pela primeira vez na história contra o seu próprio governo e assim vira um justiceiro clandestino e é obrigado a enfrentar o maior defensor da nova lei, o Homem de Ferro.


A cena acima (o soco do Homem de Ferro no rosto do Capitão América, que fica todo desfigurado) resume muito bem o que foi esta saga, que trouxe consequências até os dias de hoje ao universo da Marvel Comics, mas as opiniões dos leitores atualmente se divergem. Muitos acham a fase fantástica, mas por outro lado existem aqueles que não conseguem se conformar com alguns acontecimentos e muitos até hoje não conseguem perdoar Tony Stark pelo o que ele fizera. Sem falar que esta fase foi responsável pelo pacto do Homem Aranha com o Mephisto (!), mas este assunto pode ficar para alguma postagem futura.   


O confronto entre os heróis é apenas um dos grandes problemas. Além da opinião pública ter reagido de forma muito negativa, o governo ainda transformou super vilões em um grupo de mercenários ao seu serviço, chamado Thunderbolts, e os colocou para caçar os heróis que não aceitaram o registro. É o que parece, os Thunderbolts são realmente uma cópia do Esquadrão Suicida da DC Comics, embora possuam alma própria. 
Sem falar que o governo chegou ao cúmulo de tornar Norman Osborn, ninguém menos do que o maior inimigo do Homem Aranha, o Duende Verde, Secretário da Segurança Nacional, logo após a saga da Invasão Secreta.

Em muitos mangás, famosos ou não, o tema da política foi utilizado. E na grande maioria das vezes, refletia a época e a situação política e econômica na qual na qual o Japão se encontrava. 
"Akira", de Katsuhiro Otomo, foi um mangá lançado em meio à crise ocasionada pela bolha imobiliária no Japão, que durou de 1986 a 1991.
Mesmo que o mangá tenha sido iniciado antes desse período, é possível perceber alguma influência da situação política no filme animado lançado na época. Enquanto o mangá é mais espiritual, o animê pega um rumo mais político e filosófico.


O ano é 1988 e estourou a Terceira Guerra Mundial. O Japão foi bombardeado mais uma vez e o efeito é devastador. Passados 31 anos desse episódio, o mundo está sendo reerguido. A sociedade se torna cada vez mais complexa, onde todos querem ter algum poder sobre os outros: gangues, grupos revolucionários, órgãos governamentais, seitas religiosas, dentre outros. Em meio à decadência, o clima de incertezas, o caos, um Estado policiado, disputas entre gangues, a luta por liderança e poder se torna comum e o povo é ainda deixado totalmente de lado por um governo extremamente capitalista. O mundo não é mais o mesmo.


Sendo um momento de grande desenvolvimento para o Japão, na época em que a história foi escrita, e anterior à grande crise econômica que atingiu o arquipélago a partir da década de 1990, a enorme evolução tecnológica e econômica era o que indicavam até mesmo as mais simples análises da situação do país. Otomo, entretanto, buscou mostrar o lado sombrio de todo esse desenvolvimento, não só pelo caráter social apresentado durante o filme, mas pelo exemplo dado em relação ao próprio personagem Tetsuo, o poderosíssimo telepata que outrora fora um jovem fraco que não sabia bem se defender, e perde o controle de si mesmo ao receber poder demais, o que acaba sendo a razão de sua própria destruição, em uma suave metáfora.

Falando agora de uma obra mais conhecida na atualidade, gostaria de citar o espetacular animê/mangá "Hunter X Hunter", da autoria de Yoshihiro Togashi, e falar em especial sobre o arco das Chimera Ants, que é um espetáculo à parte. Cheio de cenas épicas, muita tensão, batalhas estratégicas, cabeças rolando e momentos de pura filosofia e reflexão, enfim temos de tudo nesse arco.


Há uma passagem no referido arco em que nossos heróis Gon e Killua chegam a República de East Gorteau, país que fora invadido pelas Chimeras Ants e completamente dominado por estas perigosas criaturas. Aquele é um lugar que Killua já conhecia graças ao fato de seu avô ter feito um trabalho por lá décadas antes. E aqui Togashi não perde a oportunidade de satirizar ferozmente a Coréia do Norte, um dos mais vergonhosos regimes ditatoriais da atualidade.
Em muito East Gorteau se parece com o país que nós melhor conhecemos. Sendo uma das nações da União Mitene, é governada pelo líder supremo Ming Jol-ik (he, he), uma nação isolacionista, com grande parte do povo vivendo marginalizada. Meruem, o rei das Chimeras Ants, inclusive ficou muito furioso com a pouca inteligência e a inabilidade daquele ditador.
O líder Ming Jol-ik criou um sistema de informantes, recompensado por espionar e punir traidores, e até famílias são divididas e utilizadas como reféns para garantir o bom comportamento dos outros. 
Eu acredito que Togashi configurou as Chimeras Ants como seres tão terríveis e odiosos quanto possível, só para esculpir lentamente as distinções morais entre eles e a maior parte da raça humana enquanto este arco progredia. E ele fez um ótimo serviço denunciando os males do totalitarismo, coragem que poucos tem nos dias de hoje.

Mas falando em Yoshihiro Togashi, não devemos deixar de mencionar o arco que sucedeu ao "Chimera Ants" em "Hunter X Hunter". Com a morte de Netero, presidente da organização dos Hunters apresentada no mangá, era necessário escolher alguém capacitado para liderar o grupo, e aqui o autor faz uma sutil crítica ao sistema eleitoral ao colocar na história o nosso querido aspirante a doutor, Leorio Paradinight, que tornou-se o centro das atenções por causa de um motivo sensacionalista e, quando ele menos esperava, já estava concorrendo ao cargo de presidente e quase vencendo a eleição. Suas motivações eram puras e sinceras, mas ele não era capacitado para o cargo.
Togashi sabe fazer crítica social de forma bem divertida e interessante, sendo que, nesta fase do mangá de "Hunter X Hunter", foi até didático ao apresentar o funcionamento do sistema de votos e o jogo de interesses entre candidatos e seus apoiadores, personificados na disputa entre Leorio e o "vilão" Pariston Hill, vice-presidente da associação e retratado como um patriota de Extrema Esquerda e com a inteligência de um Lex Luthor.

Até mesmo um mangá mais "inocente" como "Kinnikuman" retratou os políticos de tal regime descrito anteriormente como uma pedra no sapato dos heróis. 
"Kinnikuman", o animê/mangá, acontecia na década de 1980, ou seja, o mundo encontrava-se em meio a Guerra Fria. E eram emocionantes os valores de amizade e companheirismo transmitidos pelos campeões da luta-livre mesmo pertencentes a nações tão distintas e antagônicas diante da possível guerra que poderia devastar todo o planeta.
O lutador russo Warsman passou pelo problema mais comum que todos nós enfrentamos com os políticos: promessas não cumpridas.


Sendo ele um Robot Choujin (um super lutador meio-homem meio-máquina), tornou-se membro da federação de luta-livre da União Soviética a pedido de agentes do governo que lhe garantiram que finalmente sairia da miséria e se consagraria um campeão como fora seu pai Mikailman, além é claro de aumentar o prestigio da sua nação. 
Warsman tinha um grande desejo de trazer justiça social para o seu povo e concordou com a proposta, mas tamanha foi a sua decepção quando, após intensos treinamentos e experimentos pelos quais passara, descobriu que se tornara mera propriedade da SKGB.
Todos os Choujins soviéticos deveriam fazer parte de um registro e tornaram-se máquinas que lutariam pela soberania do império soviético. Sua liberdade fora literalmente confiscada pelo governo. Mas é claro que Warsman não deixaria isso por menos.

Agora citando um dos animês/mangás mais queridos e populares atualidade, vamos falar de "One Piece", do mangaká Eichiro Oda. Uma obra que surpreende qualquer um. Para quem pensa que a saga de Monkey D. Luffy e o seu bando de piratas, é mais um daqueles animês/mangás tipo pancadaria total e totalmente inocente, que temos aos montes nos dias de hoje, se surpreende ainda mais com os valores e as críticas sociais que a obra transmite.
Aqui vou fazer um destaque completo ao vilão da saga atual na qual o mangá se encontra, o pirata Donquixote Doflamingo. Esse vilão ainda não teve suas ações e seu passado totalmente esclarecidos, mas ele já é para mim o maior de todos os inimigos que Luffy já enfrentou. Ele é um grande mentiroso, mau caráter e injusto, sem falar que é poderoso pacas, tendo comido o fruto Ito Ito, que lhe deu o poder de produzir teias com os seus dedos, que o permitem ligar-se as nuvens, gerando uma habilidade de voo, além de também lhe darem a capacidade de aprisionar, cortar e, o mais terrível, manipular os seus inimigos como se fossem marionetes. Sem falar que o apelão ainda possui aquele poder do Haki do Conquistador.


Doflamingo é um vilão espetacular, possui uma grandiosa reputação como pirata roubando o dinheiro dos Nobres Mundiais, os Tenryuubitos, e ainda chantageando o Governo Mundial para conquistar o cargo de Shichibukai. E ele também é dono de um país inteiro, Dressrosa, que ele dominou após usurpar o trono do seu verdadeiro governante o rei Riku Dold III.
Donquixote Doflamingo é um subversivo. Ele conseguiu enganar a todos de Dressrosa, o rei e o povo. Fez com que Riku fosse acusado de roubar todas as posses já escassas das pessoas de Dressrosa e ainda de organizar um extermínio generalizado com a ajuda dos seus soldados reais. Quando a verdade era que Doflamingo simplesmente controlou a todos eles usando os seus poderes para força-los a cometerem tamanho crime. E tudo isso para depois surgir, acompanhado por sua tripulação pirata, como um herói e ser aclamado por todo o povo como o salvador que acabou com a tirania do antigo rei.
Esta história é muito parecida com o que já vimos em certas pequenas ditaduras da história contemporânea. Dressrosa era um reino pobre, havia desigualdade social, e Doflamingo, usando da mentira e da subversão, acabou chegando ao poder. Ok, ele era realmente descendente dos Tenryuubitos e pertencente à casta real com o direito legítimo de governar, mas vejam só os métodos por ele utilizados. 
E ele não trouxe igualdade social, apenas mais injustiças, pão e circo para o povo e prisões e execuções para todos os supostos "inimigos do povo", que na verdade seriam aquelas pessoas que não concordavam com a sua permanência na poder. Tais métodos são como os vistos em regimes totalitários e até em outros governos mais moderados, mas que bem sabemos que apoiam os primeiros. E esta realidade é ignorada por certos defensores "intelectuais" que não podem sequer suportar a presença de pessoas com ideias divergentes das suas.

Bem, o assunto agora é um tanto mais pesado. E vai ficar ainda mais depois.
Poucos devem conhecer o mangá que podemos afirmar sem dúvidas que se trata da obra mais chocante e sombria de Osamu Tezuka. Sim, ele mesmo! O mangá "MW" é uma das maiores críticas sociais já vistas em um quadrinho. E o principal motivo da sua existência foi um momento extremamente tenso na história do Japão, onde o povo japonês encontrava-se muito decepcionado e insatisfeito com o seu próprio governo, devido a revelação de uma cooperação secreta entre o governo do Japão e o governo dos Estados Unidos, no pós-Segunda Guerra Mundial.
No mangá, Garai (um dos protagonistas) menciona certo incidente de envenenamento que ocorrera perto de Okinawa, que logo acrescenta um subtexto para a história. Okinawa é uma coleção de ilhas outrora independentes. Durante a batalha de Okinawa na Segunda Guerra Mundial, não só muitos de seus civis eram  mortos por soldados americanos, mas o exército japonês, no comando do governo, forçava civis a cometer suicídio em massa. Okinawa permaneceu sob o controle dos EUA e, em 1960, o Japão e os EUA entraram no Tratado de Cooperação e Segurança Mútua. Fora autorizada a estação de tropas americanas em solo japonês. Ainda sob a jurisdição dos EUA, Okinawa foi então usada pelo seu exército como uma de suas bases estratégicas durante a Guerra do Vietnã.
Okinawa foi devolvida para o Japão em 1972, mas os EUA mantém uma presença militar concentrada lá até hoje. 


Originalmente publicado na revista Comic Big entre 10 de Setembro de 1976 e 25 de janeiro de 1978, "MW" é um thriller assombroso, que revela um inquietante lado obscuro de Osamu Tezuka (autor de maravilhas como "Astro Boy", "Budha" e "Adolf ") e dá um novo exemplo de seu ecletismo e versatilidade. "MW" concentra-se em retratar o mais desagradável da condição humana em suas mais variadas expressões. Sadismo, a corrupção política, a hipocrisia, os ataques terroristas e o servilismo do Japão para com os Estados Unidos estão entre as questões abordadas nesta pouco conhecida obra do Deus do mangá, como uma crítica ácida e documentada da sociedade japonesa da época, abalada por escândalos reais.
Foi uma obra que quando conheci não me agradara, considerando-a apelativa e ofensiva. Mas analisando melhor a mensagem crítica que Tezuka queria passar, acabei compreendendo o porquê de tudo o que estava ali. Como sempre, vale bastante entender o contexto histórico no qual a obra fora produzida. Afinal "um texto fora de um contexto é um pretexto". E a utilização de um tema religioso foi muito interessante, com o atormentado Garai no fim sendo entregue ao martírio pelo bem de toda a humanidade.

E já que acabei falando sobre o tema religioso abordado em "MW", vou falar agora sobre o delicado assunto que é a mistura explosiva entre política e religião.
Voltando aos quadrinhos ocidentais, é impossível não falar em como este tema foi explorado de forma fantástica durante a maneiríssima fase de "Os Novos Titãs" da DC Comics com a dupla George Pérez e Marv Wolfman.
O Irmão Sangue é para mim o maior vilão enfrentado pelo grupo de super heróis adolescentes da DC. Sim, porque considero o Exterminador mais como antagonista do que como vilão.
Líder supremo da Igreja do Sangue, o Irmão Sangue nasceu em Zândia, um pequeno país que pode ser considerado a "lixeira" do mundo, já que é habitado principalmente por criminosos, terroristas, assassinos, ex-ditadores, enfim, todos aqueles que são procurados pela polícia de alguma parte do mundo. E eles ajudam a encher os cofres da Igreja do Irmão Sangue em troca de proteção.


Existem várias filiais das igrejas do Sangue pelo mundo e muitos de seus fiéis ocupam cargos elevados em governos nacionais proeminentes, o que tornou a seita muito mais difundida.
Como já devem imaginar, o objetivo desta seita é dominar o mundo. A Igreja do Irmão Sangue faz uma verdadeira e literal lavagem cerebral, sobretudo nos mais jovens, muitos deles outrora rebeldes ou entregues às drogas, tornando-os fanáticos. No congresso norte americano há muitos seguidores da seita que defendem o trabalho da igreja por transformarem jovens delinquentes em jovens "exemplares", mas a verdade é outra.
Jovens, cuidado com as seitas! Batalhem por suas mentes!
Tal é a proximidade do Irmão Sangue com o governo dos EUA que houve até uma negociação aberta sobre o possível envio de armas militares para Zândia para supostamente serem usadas na batalha contra o tirano governante daquela nação, que aliás também é controlado pelo líder espiritual.


E esta igreja ainda tem o apoio de uma grande emissora de TV na figura da jornalista Bethany Snow, também membro da seita e responsável por uma feroz companha contra os Titãs!
É, esse Irmão Sangue parece MUITO com um certo "profeta" brasileiro que nós bem conhecemos. E pode também ser facilmente confundido com outros tantos.
Como Wally West (na época ainda um Titã) bem disse: "O pior de tudo é que uma igreja podre como esta pode manchar a imagem de qualquer crença religiosa".

Vocês tem algum problema com nossas animações nacionais? Eu particularmente curto a maior parte delas. 
"Brichos" é uma série infanto-juvenil bacaninha e feita do jeito que eu gosto, estrelada por adoráveis furries animaizinhos da nossa fauna brasileira. É um desenho divertido e também crítico, tendo como objetivo despertar a consciência cidadã das crianças e ainda estimular conversas e reflexões em casa e na escola, entre pais e filhos, tios, amigos, alunos e professores.
O assunto sobre política e religião é discutido com bastante ousadia e irreverência em um episódio em particular da série.

                           

É no episódio 7 da 1ª temporada do desenho, intitulado de "O profeta", que surge um sujeito estranho e bem esteriotipado, fazendo discursos em praça pública sobre o fim dos tempos. Trata-se de um leão, chamado Léo do Céu, e ele vai agregando vários adeptos, tornando-os fanatizados. À medida que o seu poder aumenta, ele se candidata a prefeito e promete acabar com a democracia, pois ela é coisa "do Demo".
Politicamente incorreto na medida certa! Do jeitinho que eu gosto!

Saindo agora da ficção e para encerrar, vou dar minha opinião. Mas por favor, é apenas a MINHA opinião. Não tenho a intensão de forçar ninguém a mudar a forma de pensar. 
Neste ano aconteceu um tipo de "marcha da família" que não passa de uma caricatura do que vem a ser a defesa legítima de instituições como a família e a religião na vida da sociedade civil. Em outras palavras, um simulacro da mentalidade conservadora que demonstra a grande confusão que há entre “Intervenção Constitucional” e “Golpe de Estado”.
O conservadorismo não deveria pretender congelar o passado. O conservador considera sim, ao voltar-se para a sua consciência, a ordem das coisas permanentes e, por isso, rejeita o modo de viver de homens ocos e infantilizados.

Apesar do que muitos podem pensar, a exceção do Cristianismo, mistura entre religião e estado sempre esteve presente na história da humanidade. E eu acho errado tanto aqueles que deturpam o sentido de Estado Laico, quanto aqueles que consideram o Estado Laico apenas quando lhes convém. No caso da Cristandade, há uma Igreja que é independente dos Estados sem competir com ele e sem ser um estado ela mesma.

O cardeal Wolsey e Sir Thomas More
A disputa entre Henrique VIII e Sir/São Thomas More é um fato fundamental para a compreensão da noção moderna de Estado Laico. Divisão cuja longa história remonta à Revolução Papal do século XI iniciada pela reforma de Gregório VII.
Thomas More foi um humanista, um homem das leis, um dos maiores intelectuais da Idade Média, aliando muito bem a sua fé às novidades trazidas pelo Renascimento, um homem que foi admirado até pelos detratores da sua fé. Ele foi o primeiro leigo a tornar-se chanceler do reino da Inglaterra, mas abandonou o seu cargo por não concordar com os rumos que o governo estaria impondo a Igreja em seu país, nunca trairia a sua consciência e os seus ideais.
Assisti novamente ao filme clássico dos anos 60, "O homem que não vendeu a sua alma", um dos maiores de toda a história do cinema, onde ele é representado pelo grande e saudoso ator Paul Scofield. E aqui gostaria de deixar um dos momentos favoritos da história:

 

Muito foda!

Curiosamente, ele fora declarado pela Igreja patrono dos políticos. O que é uma grande ironia, afinal fora traído pelos próprios políticos e entregue ao martírio. 

Encerramos aqui esta massante postagem e, por mais que possa parecer repetitivo, não custa nada lembrar para votar com consciência.

Créditos pelas informações sobre quadrinhos ao 100grana.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

TOP GUERREIROS MAIS MARCANTES EM CAVALEIROS DO ZODÍACO


Hoje dedico uma postagem inteira aos personagens que mais marcaram a franquia de animês e mangás de "Cavaleiros do Zodíaco"/"Saint Seiya", aproveitando o mês em que estreia nos cinemas do país "Saint Seiya: Legend of Sanctuary". E não! Não pretendo falar dessa bomba desse filme!
Até hoje, desde a sua estreia na saudosa rede Manchete em 1994, sou muito fã dos Cavaleiros do Zodíaco, foi uma animação que realmente me marcou.
Os críticos no geral são notórios em falar mal do autor da obra, Masami Kurumada. Ele desenha mal, faz roteiros com mais buracos do que as estradas brasileiras e por aí vai...
Não posso deixar de concordar com as críticas, mas eu preciso rebater com um detalhe: O Kurumada sabe criar personagens, ele teve ideias muito boas para a construção de cada um integrante da obra, sempre acompanhado por um apoio ou referência nas mitologias e também nas religiões construtoras da Civilização Ocidental. E em especial destacamos a Cristandade.
O santuário de Athena, presente na história, possui até um Papa/Sumo Pontífice, chamado em nossa dublagem de Grande Mestre/Patriarca, mas não se vê sacerdotes para o baixo clero e sim guerreiros, o que dá ao sagrado um aspecto mais de organização secreta.
Os guerreiros são por nós conhecidos como Cavaleiros e, para os japoneses, são chamados Saints ou Santos. Nada mais justo, afinal um Cavaleiro, tal como um Santo, é considerado um autêntico defensor da fé a qual professa. Mas as adaptações das dublagens ocidentais acabaram fazendo uma referência não intencional aos guerreiros do período medieval e às suas grandes paixões em batalha.
Também há um choque de culturas bem interessante, já que Kurumada também faz referências aos ensinamentos de culturas orientais como o Budismo e o Hinduismo clássico. E o autor ainda buscou inspiração em obras da literatura clássica. Caso alguém não tenha notado, a saga de Hades foi baseada no conto "A divina comédia" do grande Dante Alighieri.
Segue agora um Top 20 (ou quase) dos mais marcantes guerreiros da série, na minha mais humilde opinião.



20º Lugar
Misty de Lagarto

Começamos com um guerreiro pertencente ao Santuário de Athena, integrando o grupo dos Cavaleiros de Prata e também o grupo dos portadores da carteira de sócio do GGZ (Se você lia a "Hypercomics", entendeu a piada). Pois é, ainda estávamos nos acostumando com o Shun, e o Kurumada nos apresenta um vilão desses que escandalizou o público brasileiro, principalmente se recordarmos daquele momento esquecível na praia, estilo Buffalo Bill de "O Silêncio dos Inocentes".
Para o bem ou para o mal, Misty foi um personagem marcante. Eu tenho para mim que a escolha desta fisionomia, para o primeiro cavaleiro de prata que o Seiya enfrentou, foi para mostrar que o personagem era algo como um semideus e a aparência andrógena demonstrava que ele era um ser acima de nós, sem muita distinção entre o masculino e o feminino.
Misty é apresentado como um narcisista extremo, de ar afeminado, seduzido por sua própria beleza, considerando a sua beleza inferior apenas a da deusa Athena. Aborrecia-se com a sujeira ou arranhões em seu corpo, considerava o sangue algo impuro e por isso evitava ser de alguma forma tocado em seus combates, depreciava os cavaleiros de bronze por serem de uma casta inferior, convencido da superioridade dos cavaleiros de prata.
Por sua nacionalidade francesa e seu desing, Misty nos faz pensar em Lady Oscar, protagonista do animê/mangá “Rosa de Versailles", um personagem feminino masculinizado, ao contrário de Misty, que é um personagem masculino bastante afeminado. Então podemos pensar que é uma homenagem de Masami Kurumada a Shingo Araki e Michi Himeno, que participaram da série animada “Rosa de Versailles” como Character Designers, assim como em "Saint Seiya".
Muito orgulhoso da sua força e também do fato de nunca ter sido ferido em um combate, ele era realmente poderoso. Mas como alguém que nunca se feriu treinou para ser um cavaleiro?
Melhor não discutir essas ideias do Kurumada. O roteiro dele é cheio de furos como todos bem sabem.
O psicológico de Misty era interessante. Na luta contra Seiya, ele chegou a conclusão que sentia medo de ser ferido em um combate e por isso criara uma técnica que o tornava imune a qualquer golpe. Humilhado por descobrir o seu verdadeiro eu como um guerreiro, ele teve honra em aceitar a derrota e a morte.


19º Lugar
Radamanthys de Wyvern

O primeiro dos três Juízos do Mundo dos Mortos, apresentado na Saga de Hades.
É o mais imponente e emblemático dos Espectros. Sua mera presença força o respeito. Seu caráter é o mais elaborado de todos os Espectros, graças às suas múltiplas aparições durante quase toda a saga de Hades. E ele parece também ter uma rivalidade intrínseca com os outros Juízes, Aiacos e Minos.
Mas devo acrescentar que, antes do mangá "The Lost Canvas", Radamanthys seria um personagem relevante mais por ser um típico inimigo forte que deu muito trabalho aos cavaleiros de Bronze. É neste mangá que Radamanthys torna-se um personagem mais relevante por conta da sua participação. E, caramba, ele deveria ser interpretado pelo Bruce Willis. O cara é "duro de matar".
Também conhecemos melhor o seu passado, como o mais fiel e devoto Espectro a serviço do deus Hades e a sua comandante Pandora. Por esta aliás a devoção de Radamanthys foi tamanha que ele foi capaz de desafiar o seu próprio deus para protegê-la. Uma devoção que pode ser facilmente identificada como amor. Ele morreu nos braços de sua amada e o sentimento era definitivamente mútuo.
 

 
18º Lugar
Mu de Áries

Guardião da primeira casa zodiacal do Santuário de Athena, Mu de Áries é um personagem muito interessante. Começando pelo fato de que ele não é exatamente um ser humano. De acordo com o Hipermito, faz parte do povo Muviano, habitantes de um continente místico que, assim como Atlântida e Lemúria, afundou nas profundidades do oceano Pacífico, durante a Gigantomaquia. E foi a deusa Athena quem encomendou aos alquimistas Muvianos a confecção das armaduras sagradas dos Cavaleiros.
A civilização do continente de Mu, segundo os ocultistas, se caracterizava por incluir seres com dons inimagináveis e uma psique altamente evoluída, além de um pronunciado pacifismo. Este povo adorava as estrelas e dispunha de uma tecnologia muito avançada, sendo capazes de abrir um portal dimensional que absorvia tudo ao seu redor (tal como a técnica "Extinção Estelar").
Possuem os maiores dons psíquicos do história e sua expectativa de vida é bem elevada. Shion de Áries, o mestre de Mu e antigo Grande Mestre do Santuário, por exemplo, permaneceu vivo por mais de 200 anos, sem a ajuda de Athena, ao contrário do Dokho de Libra, o Mestre Ancião, que viveu por mais de dois séculos com um poder que recebera da deusa.
Mu é pacífico e pacato, como os membros de sua etnia normalmente são, misterioso, mas extremamente poderoso, o que descobrimos apenas na saga de Hades, onde ele segura dois cavaleiros de ouro sozinho, na entrada da sua casa.
Sempre soube da traição do Grande Mestre e ajudou muito os heróis cavaleiros de bronze, para os quais ele foi um professor e ferreiro mais qualificado para as suas armaduras danificadas.



17º Lugar
Yuzuriha de Groll

Um dos grandes motivos para "The Lost Canvas" ser considerado um mangá bem melhor do que o original!
Yuzuriha é a amazona de prata que acompanha Kouga de Pegasus e Yato de Unicórnio neste maravilhoso mangá. É o toque feminino da equipe, uma novidade no mangá, já que os main characters até então eram todos homens. Yuzuriha é ligeiramente menos falante do que Tenma e Yato, e toma a palavra apenas para dizer algo relevante. Como seu mestre Hakurei, Yuzuriha tem um grande sentido de responsabilidade com relação aos objetivos da sua missão para com a Guerra Santa. Mostra uma personalidade bastante dura e fria, ao ponto de parecer soberba e arrogante, está em constante análise da situação para saber agir da melhor forma. É bastante obediente a seu mestre e segue o caminho da honra e da justiça. Com Shion é muito mais aberta e expressiva, sendo alguém com quem pode conversar sem problemas por ambos serem amigos de infância.
Devido a morte de seus pais, concentrou-se em buscar vingança contra Hades, mas não perde seu tempo com lutas desnecessárias.

Ela é perfeita, não concordam? Um maravilhosa combinação de força, inteligência e beleza.



16º Lugar
Dragão Negro

Esse cavaleiro é muito fera! Ele poderia ocupar tranquilamente uma posição mais elevada nesta lista, mas como não teve uma participação muito significativa para a série, assim como os demais guerreiros da sua ordem, com tristeza devo deixá-lo aqui.
Ah, a princípio era esquisito ver que o Ikki, no seu tempo de vilão, tinha como seus principais servos os Cavaleiros Negros que coincidentemente eram as versões malignas dos melhores cavaleiros de bronze da guerra galáctica, mas eles são interessantes e foram outra das ótimas ideias que Kurumada teve para criar personagens.
São renegados que não tiveram a força nem o espírito para tornarem-se cavaleiros de Athena. São reconhecidos por suas armaduras de cor negra, forjadas por alquimistas rebeldes na Ilha da Rainha da Morte, que é um vestígio do subcontinente Muviano, onde instalaram-se vários sobreviventes do grande cataclismo, alquimistas que reproduziram réplicas de várias das armaduras de Athena. Ali, qualquer aquele que desejasse uma armadura poderia obtê-la facilmente, aspirantes fracassados e ressentidos viajavam a dita ilha para buscar sua vingança em forma de armadura e poder, esse lugar serviu de confinamento de traidores e malfeitores dentro da própria ordem dos cavaleiros.
As motivações dos Cavaleiros Negros se distanciam muito das motivações dos verdadeiros cavaleiros. Os Cavaleiros Negros lutam para satisfazer suas ambições e sede de poder. Entretanto, é costume seguirem como líder o cavaleiro negro mais poderoso. A maioria destes guerreiros possuem uma cosmo-energia muito limitada.
Como um dado curioso, na Idade Média, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), na França, existiu um grupo de cavaleiros negros independentes, que não lutavam nem a favor dos ingleses nem dos franceses, lutavam em benefício próprio. Kurumada se inspirou neste fato histórico.
Dragão Negro era o único dos Cavaleiros Negros de Ikki relevante como personagem. E ele ainda era muito poderoso, diferente de seus companheiros que não deram lá muito trabalho para os cavaleiros de bronze. Tá, o Pégaso Negro quase matou o Seiya, mas não durou muito em combate, perdendo já no primeiro ataque do cavaleiro de bronze.
O Dragão Negro era muito carismático e interessante e foi apresentado como uma grande antítese do Shiryu, seu rival.
Desprezava sentimentos como a amizade e afirmava que não existia nada no mundo que merecesse as suas lágrimas. Demonstrou grande desdém pelos seus companheiros e mesmo por seu irmão (no mangá) por eles terem sido derrotados num mundo onde somente aqueles que sobrevivem são considerados fortes.
Considerava uma estupidez a filosofia do cavaleiro de bronze de Dragão, que escolheu lutar ao lado dos seus companheiros, apesar de não estar em uma condição física adequada no momento.
Entretanto, a obstinação de seu adversário terminou por fazê-lo duvidar de seus próprios ideais, e ao término do combate entre os dois, em seus últimos momentos de vida, decidiu crer na amizade ao menos uma vez e salvou a vida do outro dragão. Sendo então o único cavaleiro negro que se arrepende por seus atos, e além disso ele teve contra Shiryu a luta mais movimentada e mais bem animada da série, muito foda mesmo!
Misterioso. Apenas podemos imaginar o tipo de vida destes guerreiros renegados e as motivações que os levaram a seguir tal filosofia.
"Ele perdeu a vida, mas ganhou um amigo."


 
15º Lugar
Albafica de Peixes

Para que servem os signos do zodíaco?
A resposta é: "saber qual cavaleiro de ouro é o seu".
Então quando "Cavaleiros do Zodíaco" passou no Brasil, muitas pessoas devem ter sentido vergonha de serem do signo de Peixes. Mas calma, não estou com preconceito com o Afrodite de Peixes por causa da sua aparência extremamente feminina, com direito a batom e pinta da Marilyn Monroe no rosto, mas não há como negar que ele nunca foi grande coisa. Ele matou o mestre do Shun e era um dos mais fortes e temidos do santuário (isso o Saga dizia de todos), mas não foi lá um personagem tão bem inspirado. Ele acabou sendo apenas um Yuda de "Hokuto no Ken", porém sem o plot interessante e a personalidade complexa. Mas aí veio o mangá "The Lost Canvas", concertando os erros do Kurumada.
Albafica de Peixes é à princípio um outro Afrodite (aparência feminina, golpes com rosas, etc), mas ele tem uma história muito envolvente. Foi abandonado ainda bebê sobre o jardim de Rosas Diabólicas Reais, o que poderia resultar a morte para qualquer ser vivo, mas milagrosamente sobrevivera, o que demonstrava que deveria ter um tipo de resistência natural ao veneno das rosas. Foi adotado pelo cavaleiro de ouro  Rugonis de Peixes que também tornou-se seu mestre.
Para suceder o seu mestre, fez com ele um tipo de ritual de transfusão de sangue durante vários anos no qual sobreviveria aquele que possuir o sangue mais tóxico. Sim, o contato com as Rosas Diabólicas torna o corpo do cavaleiro de Peixes uma verdadeira bolsa de puro veneno. Com tristeza, Albafica sobreviveu ao ritual e assumiu a Casa e a Armadura de seu falecido mestre.
"Tristeza" é uma palavra que bem define Albafica, além é claro de "solidão". É muito apático e distante, não gosta de companhia, já que o contato com ele pode ser fatal para um humano normal. Mas ainda Albafica tem um grande apego pelas pessoas de Rodorio, povoado nas proximidades do Santuário de Athena, em especial pela garota Agasha.
Ao contrário da sua contraparte do século XX, é um cavaleiro mais reservado e não é cruel, mas possui uma certa arrogância ao lutar e também não gosta que falem de sua "bela" aparência.
Além de suas Rosas, ele pode usar até seu sangue como arma, tem um "fator de morte" de fazer inveja ao Omega Red da Marvel Comics e, apesar da aparência delicada, tem muita atitude e é um dos cabras mais machos do Santuário de Athena.
Albafica também nos ensinou que a beleza é apenas superficial e muitas vezes causadora de ódio.
Agora quem é de Peixes se sentiu melhor representado.


 
14º Lugar
Sorento de Sirene

Mais um dos meus personagens favoritos e que eu gostaria também de poder colocá-lo em uma posição elevada na postagem, mas as condições não me permitem.
Sorento de Sirene é o general Marina responsável por proteger o pilar do Oceano Atlântico Sul no templo submarino de Poseidon. E ele não é apenas o mais forte dos Marinas, como é provavelmente o personagem mais poderoso do Kurumada. Ele é um personagem épico!
A música da sua flauta, inofensiva à princípio, esconde a morte, já que tal melodia afeta diretamente o sistema nervoso do seu adversário, gerando um estado de hipnose e aos poucos enfraquece os cinco sentidos, afetando diretamente o cérebro e o espírito da vítima, inclusive reduzindo o Cosmo (no mangá, contra Aldebaran de Touro, Sorento disse que o Cosmo deste fora dividido por 100).
Foi derrotado por Shun no fim mais porque este tratava-se de seu inimigo natural. Afinal, Shun de Andrômeda tem a técnica mais apelona dos Cavaleiros de Bronze, a "Tempestade Nebulosa", que cresce infinitamente mesmo se o usuário dispõe de apenas 1% de seu cosmo!
Sorento é o típico personagem de animê/mangá cuja aparência suave, quase feminina, esconde um grande poder e inteligência em combate. Ele é muito fiel ao seu deus Poseidon e dedicado a sua causa, crê na utopia que este último deseja instaurar sobre a Terra, mas também está disposto a servir a seu deus sob toda circunstância, inclusive tratando de desmascarar os traidores de seu próprio grupo. Sorento é perspicaz e alimentava duvidas sobre o general Kanon de Dragão Marinho, de quem suspeitava querer eliminar Athena e utilizar Poseidon para apoderar-se da Terra, descobrindo que este era o responsável pela ressurreição do deus dos mares e que as consequências da batalha eram resultado de suas próprias ambições e não as de Poseidon.
Afetado pelo amor que emana do canto e Cosmo de Athena, compreendeu que a Terra não merece ser destruída e ajudou Ikki a destruir o pilar do Atlântico Norte. Como disse Shun, Sorento não é uma má pessoa e o fundo de sua personalidade se refletia na beleza de sua música.
Este personagem parecia covarde no princípio devido a sua forma insidiosa de atacar, tocando uma flauta para selar a sorte de seu oponente antes de que fosse anunciado o início do combate.
Entretanto, Sorento aparece de uma maneira muito mais positiva quando reaparece na série, em primeiro lugar porque Shun sente que ele é um homem justo, e em parte porque é consciente da bondade do Cosmo de Athena. O quadro se completa quando Sorento, que já demonstrava dúvidas acerca de Kanon, entende que a forma mais fiel de servir a Poseidon não é continuar uma guerra não desejada por ele, e sim ajudar aos cavaleiros de bronze a termina-la antes do possível.
Inclusive depois que o imperador dos mares desapareceu, Sorento segue sendo fiel a quem fora seu corpo mortal, Julian Solo, e sua estima pelos cavaleiros de Athena se mantém intacta.



13º Lugar
Manigoldo de Câncer e El Cid de Capricórnio

Os dois sempre empataram para mim. São os guerreiros mais fodas do mangá "The Lost Canvas".
Manigoldo de Câncer é o típico anti-herói em seu estilo mais divertido. É discípulo do Mestre do Santuário de sua época, Sage, o antigo cavaleiro dourado de Câncer.
Comparativamente com Máscara da Morte de Câncer, mais conhecido do grande público, ambos são agressivos, arrogantes e orgulhosos. Máscara da Morte era a personificação da maldade, uma absoluta desonra para o que deveria ser um cavaleiro de ouro a serviço de Athena, um sádico cujo passatempo era decorar sua casa no Santuário com os rostos de todos aqueles a quem assassinava e inclusive chegou a ser abandonado por sua própria armadura devido tal curriculum criminal, na sua luta contra Shiryu. E, no caso de Manigoldo, os três primeiros adjetivos citados anteriormente são a única maior maldade que poderia possuir, graças aos ensinamentos de seu mestre Sage, de quem aprendeu a importância de todos os seres do universo, vivos ou mortos. E fica claro que ele não teme a nada, nem mesmo a morte ou a fúria dos deuses.
Manigoldo e seu mestre Sage fazem a batalha mais emocionante de todo o mangá que fora contra o deus Thanatos e por ter sido capaz de sobreviver aos ataques do deus da morte é considerado este cavaleiro de câncer como um dos mais fortes de sua geração, inclusive poderíamos dizer que está no mesmo nível de Sísifo, Asmita, Aspros e El Cid.

 
E, falando em El Cid, o cavaleiro de Capricórnio de "Lost Canvas" é um guerreiro no sentido mais completo da palavra. Mostra-se como uma pessoa rigorosa e bastante séria, é muito reservado e bem calado, com a impressão de ser de poucos amigos, mas a verdade é que estima muito a seus demais companheiros e sempre está disposto a ajudar-lhes quando necessário. Tem uma personalidade forte e parece não importar-se com nada. Possuindo um ar um tanto misterioso, como se tentasse esconder algo. É decidido e pode parecer um tanto frio, é em tudo um cavaleiro. Segundo Dohko de Libra demonstra, a sua personalidade é "fria e afiada" como uma espada.


É dele o feito mais incrível da série. Enfrentou os filhos do deus Hypnos, os quatro deuses controladores dos sonhos, e conseguiu matar dois deles sem nenhuma ajuda. Além de ter sido dele o golpe final que despachou todos os deuses do mal, que o enfrentaram em uma espécie de fusão, para o outro mundo e tudo isso depois de ter perdido um braço!


 
12º Lugar
Shaina de Ofiúco

A famosa "mulher cavaleiro" segundo Milo de Escorpião. Uma amazona de prata com um corpo de formas bem generosas, a princípio era muito temperamental, tem um caráter firme, colérico e rancoroso, como uma bruxa malvada, como demonstrava em seu desejo de querer matar Seiya, mas também é audaz, valente e determinada, sempre capaz de manter a cabeça fria e tomar as decisões necessárias. Sua forte personalidade contrasta com suas qualidades combativas, sendo uma temível e excelente guerreira. Shaina é respeitada por muitos cavaleiros, homens e mulheres, sua força era reconhecida em um consenso entre seus pares. No começo da série, com Marin de Águia havia uma relação de inimizade bastante presente.
Seguindo a tradição do Santuário, para iniciarem a sua formação como guerreira, as mulheres devem ocultar sempre seu rosto sobre uma máscara, abandonando a sua feminilidade. Muitos poderiam imaginar que por baixo daquela máscara da moça escondia-se um rosto horripilante, combinando com a sua atitude, mas a verdade era exatamente o contrário. O rosto da amazona de Ofiúco é suave e encantador, do tipo que faria qualquer homem se apaixonar.
Seu comportamento para com Seiya era ambíguo. No princípio tinha uma obsessão muito pronunciada e desejava matar Seiya. Nunca o vira com bons olhos devido o preconceito que ela tinha para com os japoneses, e ele ainda derrotou o seu discípulo Cassius e a humilhou destruindo a sua máscara durante um combate entre os dois, descobrindo sua verdadeira face.
Quando ela revela seu amor secreto pelo cavaleiro de Pégaso, sua personalidade muda de maneira espetacular. Mantém seu lado severo enquanto porta a sua máscara, mas torna-se doce quando não a usa. Em diversas ocasiões ela mostra estar disposta a cruzar a fronteira da legalidade e da justiça sem hesitar em alcançar os seus objetivos. É um guerreira de tremenda coragem, chegando ao ponto de desafiar o poder de um deus como Poseidon, sem ajuda nenhuma, por querer fazer justiça pela humanidade.
Sendo também uma amante trágica em "Saint Seiya", é a imagem de uma femme fatale, uma mulher que causa medo aos homens. Uma vez convertida em uma garota gentil, não perde nada de sua tenacidade e carisma.
 
Outro motivo para o Seiya ser tão odiado por algumas pessoas é essa sorte inexplicável que o cara tem com a mulherada. Bom, mas ele é o protagonista da história afinal.

 

11º Lugar
Milo de Escorpião e Camus de Aquário 

Mais um empate. Os dois Cavaleiros de ouro responsáveis pelo verdadeiro desenvolvimento do cavaleiro Hyoga de Cisne.
Milo de Escorpião, o mais anti-heroico dos Cavaleiros de ouro, e Camus de Aquário, o mestre mais fodão da série (depois do Dohko de Libra).
Milo é um dos mais nobres e honestos cavaleiros, orgulhoso e muito arrogante, mas, como muitos, foi manipulado pelo Patriarca usurpador Saga. Nos encontramos com um cavaleiro bem severo, sempre em atividade e cheio de impulsividade, aprecia muito a amizade, tem um grande orgulho e é implacável com os seus inimigos.
Por  mais estranho que pareça, Milo é um guerreiro leal e muito respeitoso para com seus mestres, entretanto põe sua própria noção de justiça acima das ordens de seus superiores, desafiando mesmo o Mestre do Santuário quando este o convocou para enfrentar os cavaleiros de bronze e também mais tarde negou a escutar o pedido de Athena, a sua deusa, quando esta lhe pede para poupar Kanon, a quem ela já havia concedido seu perdão.

Camus é um amigo de longa data de Milo e eles tem muito respeito um pelo outro. Quando Milo lutou contra Hyoga, chegou a dizer que não mataria o pupilo do Cavaleiro de Aquário por respeito a Camus.
O guardião da 11ª casa zodiacal é um homem muito tranquilo, como as propriedades congeladas de seus ataques. A diferencia de seu aluno, pode manter a calma e desfazer-se de seus sentimentos. Seu relacionamento com o seu aprendiz era como o de pai e filho, ele queria proteger o cavaleiro de Cisne contra si mesmo. Não desejava que um outro cavaleiro de ouro o matasse e por isso o selou em um ataúde de gelo por toda a eternidade na casa de Libra.
Camus também é um cavaleiro muito correto e com um grande sentido de honra. Mas a sua posição com relação ao Grande Mestre era um tanto ambígua durante a batalha no Santuário, atuando de forma estranha. De fato, parecia que todos aqueles combates e problemas pouco lhe importavam, desejando apenas tornar Hyoga um cavaleiro completo, encerrando a sua formação, tanto que ele permitiu que Seiya e Shun passassem através da Casa de Aquário sem se preocupar e ele foi o único dourado que teve tal atitude.
Sua prioridade era guiar Hyoga ao caminho do 7º sentido, sendo capaz de medidas extremas para tal, inclusive afundando o barco da mãe falecida do Cisne para sempre nos mares congelados da Sibéria e o enfrentando num combate mortal no Santuário.
De fato, na história das 12 Casas, suas intervenções estão destinadas ao desenvolvimento de seu discípulo Hyoga e impedir que este lute inutilmente, e não a defender o Santuário ou convencer sobre “a verdade” os “rebeldes” Cavaleiros de Bronze. Sua obsessão pela superação daqueles que estavam sob sua responsabilidade foi tal que o levou a por em risco sua própria vida e por fim acabou por perde-la.
Enfim quando sentia que a morte o estava alcançando se referiu a Athena e finalmente foi capaz de compreender e dar razão ao seu aluno. Se ele acreditava tanto em algo ao ponto de dar a sua vida por isto, então aquilo em que acreditava deveria mesmo ser verdadeiro.

A primeira aparição do mestre do Hyoga.
Repare que sua silhueta lembra Milo de Escorpião.

Já deve ser muito popular entre os fãs, mas vale lembrar que a ideia inicial de Kurumada era que Milo fosse o mestre de Hyoga, mas depois ele decidiu que o treinador do Cisne deveria ser o cavaleiro do signo de Aquário, que é bem melhor relacionado com o gelo do que o Escorpião. E a amizade entre Camus e Milo nasceu justamente dessa relação na concepção dos personagens.
Mas e se o Kuramada não tivesse mudado de ideia? O Milo ia começar a soltar gelo ou o Hyoga ia começar a dar dedada?


 
10º Lugar
  Aioria de Leão

Um dos mais poderosos Cavaleiros de Ouro, além de ser mais um com uma atitude de anti-herói bem legal. Aioria é o cara!
Aioria poderia ser considerado como aquele que mais se aproxima de Seiya dentre os Cavaleiros de Ouro. Ele é impulsivo, cool, forte e poderoso pacas, além de ter uma atitude simpática, cheio de boas intenções e francamente inocente. Como Seiya já disse sobre ele, Aiolia representa um cavaleiro ideal, é correto, de coração nobre e honesto, obedece e cumpre as regras da autoridade mesmo estando em desacordo com elas. Apesar de sua personalidade explosiva, tem um coração puro que identifica rapidamente a justiça e por esta razão foi um dos primeiros cavaleiros a reconhecer a autoridade de Athena.
Aioria é considerado como um jovem exemplar no Santuário, devido ao seu sentido de justiça e a sua força. Aioria trabalha duro para demonstrar sua lealdade a sua deusa e recuperar a sua honra devido a vergonha que o suposto crime cometido por seu irmão Aiolos de Sagitário lhe conferiu, permanecendo muito leal ao Grande Mestre do Santuário para limpar o nome da sua família, chegando a participar voluntariamente do extermínio dos cavaleiros de bronze. Quando soube da verdade sobre seu irmão nunca ter sido um traidor e sim o maior herói de todo o Santuário, ficou muito comovido e, a partir desse momento, se compromete a permanecer fiel àquela que era a verdadeira deusa Athena. 
Mesmo durante o tempo em que Aioria pensou que Aiolos era um traidor, mostrava um grande respeito e amor por sua memória.

Ele tem atitude:

Saga: "Aioria, o que você faria se eu preferisse mandar o Milo no seu lugar?"
Aioria: "Eu o mataria aqui mesmo!"

Alguém ainda tem alguma dúvida de que ele já deu uns pegas na Marin?
  

 
9º Lugar
Aiacos de Garuda
 
Ele pode ser considerado a maior surpresa da postagem.
Aiacos de Garuda, um dos três Juízes dos mortos, era na série clássica um personagem raso, um vilão poderoso, que subestima demais seus inimigos e que no fim acabou sendo derrotado facilmente por Ikki. A única lembrança que a maioria deve ter dele é o seu golpe especial que tem uma finalização estilo Looney Toones, marcando um "X" no chão aonde o adversário se esborracha após ser lançado a uma grande altitude.
Mas (mais uma vez) veio o mangá "The Lost Canvas" mudando o conceito dos personagens.
No clássico ele era tido como o detentor da melhor técnica de luta dos três Juízes, mas não era bem isso que ele aparentou. Já em "The Lost Canvas", Aiacos é tranquilamente julgado como o mais poderoso dos Juízes. É apresentado como um homem muito cruel, assim como Minos, mas possuindo uma visão mais obscura do mundo, tratando os seus subordinados como escravos e com grande desdém, afirmando que apenas lhe servem por temer o seu poder.
Esta visão foi questionada por Sísifo de Sagitário, quando da sua batalha. A mangaká Shiori Teshirogi buscou claramente aumentar o carisma de Aiacos fazendo dele  o Juiz “final” que guarda o acesso ao Lost Canvas e também o beneficia com uma introdução pré-combate mais marcante do que as de Minos ou Radamanthys. Há ainda a sua especial relação sentimental que mantém com a Espectro Violate, que trouxe mais profundidade ao personagem. Teshirogi aproveita para explicar que para ele nada importa mais que ser o dominador e estar no comando fazendo todos os seus servos manterem-se dominados pelo medo que suscita neles. Para Aiacos, cada um de seus guerreiros deve compreender que lhe pertencem, e não tem dúvidas em executar um de seus subordinados quando este tolamente venha a discordar dele.


 
8º Lugar
Shaka de Virgem

Shaka é sem dúvida uma das figuras mais destacadas dentre os Cavaleiros de Ouro aos olhos de todos os fãs, sobretudo por causa do poder surpreendente que ele possui. Quando conhecemos Shaka durante a batalha do Santuário, ele se apresenta como um personagem imbuído de grande poder e conhecimento, chegando ao ponto de afirmar ser ele o dono da verdade absoluta de todo o universo, mas irônica e paradoxalmente, disse a Ikki que não existe nem bondade nem maldade perfeitas e assim sendo poderia fazer justiça através da maldade. Também sofre de um complexo de deificação que o leva a reivindicar ser um Buda e propor a Ikki que, para salvar-se do seu esmagador poder, se colocasse de joelhos com a testa no chão e o adorasse por toda a eternidade. Shaka não peca em modéstia. Este cavaleiro não está livre de defeitos e parece inclusive cruel em sua luta contra Ikki quando, voltando a ilusão do cavaleiro de Fênix contra o próprio, o faz enxergar a si mesmo quando criança carregando o ainda bebê Shun na estrada de pedras que era um limite entre a vida e a morte, uma imagem aterradora e perturbadora para qualquer um. Também se pode reprovar a sua falta de previsão (ainda mais sendo o homem mais próximo dos deuses), já que não chegou a compreender que o atual Mestre do Santuário era um impostor (a este respeito, Aldebaran foi mais perspicaz).
Shaka é o único de todos os cavaleiros que ocupa um lugar de privilégio entre Deus e o homem, mas viver entre dois mundos tem seus benefícios e maldições. Como a reencarnação de Buda, é dotado do Cosmo mais poderoso de todos os cavaleiros, Shaka bem merece sua reputação como o homem mais próximo de Deus. Ainda quando criança na sua terra natal, a Índia, Shaka foi precoce em sua comunhão com os deuses, como visto na cena retrospectiva durante a sua "morte", nos jardins de Twin Sala  na saga de Hades.
Durante a maior parte de sua vida, observa os sentimentos humanos com uma mescla de lástima e compaixão, sem estar sujeito aos mesmos, com caridade mas nem sempre com amor. O distanciamento parece ser a resposta de Shaka para as perguntas que afligem a existência humana, e percebe a humanidade a partir do ponto de vista de Deus no lugar de viver essa experiência. No entanto, percebeu a desilusão de adotar esta atitude após o seu confronto com Ikki. Ao final, Shaka teria que recordar que ele, além de deus, é também homem, e assim voltaria para onde tudo começou.



7º Lugar
Shura de Capricórnio

Eu já disse antes que a única função dos signos do zodíaco é apenas para sabermos qual cavaleiro de ouro é o nosso, mas não é só por isso que o Shura é o meu cavaleiro de ouro favorito. Eu gosto sinceramente dele e ele é um dos motivos do porque eu gostaria que o animê tivesse sido feito de uma forma mais fiel ao mangá. Ao contrário da maioria, detestei a maneira como Shura foi retratado na animação. O caso é que este personagem tem muitas faces, de acordo com a mídia na qual ele esteja aparecendo. Ele tem mais faces que o Saga de Gêmeos.
Diferente do animê, em nenhum momento no mangá é mencionado ser ele o cavaleiro mais fiel a deusa Athena. Na verdade ele é o cavaleiro mais fiel a justiça! Ele sempre soube que o mestre do Santuário era Saga, assim como Afrodite de Peixes e Máscara da Morte de Câncer. O que aconteceu com Shura foi a sua visão niilista, a descrença na humanidade, que foi muito provavelmente por ter sido ele próprio o encarregado por executar o seu melhor amigo, Aiolos de Sagitário, injustamente como um traidor.
É um homem desejoso por justiça que está consciente das posturas do Mestre do Santuário, mas o segue fielmente já que considera que reina como o líder de maior força e por isto pode conduzir o Santuário no caminho da verdadeira justiça. Para Shura o poder é o mais importante, a justiça está do lado do mais forte e este seu ponto de vista ideológico não era muito diferente daquilo pregado por Máscara da Morte, por exemplo. Entretanto, seu pensamento mudou completamente quando se deu conta dos seu erros, graças a Shiryu e na luta travada entre os dois percebeu que, agindo do jeito que agia, não estava servindo à Athena.
Ao conhecer Shiryu e comprovar que segue lutando por suas próprias convicções, começa a duvidar da sua visão de justiça e muda de ideia. E, num dos momentos mais emblemáticos dos "Cavaleiros do Zodíaco", Shura, junto de Shiryu, no meio do espaço sideral, sob o efeito da técnica proibida do cavaleiro de bronze, "O Último Dragão", decide salvar o jovem, sacrificando-se, entregando-lhe sua armadura de ouro e lhe concedendo o seu dom mais poderoso a "Excalibur" que passa a habitar o braço direito do cavaleiro de dragão. Assim Shura poderia agora lutar pela verdadeira justiça e por Athena. 


 
6º Lugar
Shun de Andrômeda

Chegamos finalmente a um dos personagens principais da série. Shun é sem dúvida o mais injustiçado dos Cavaleiros de Bronze. Ele é um ótimo personagem e não sou um dos únicos que pensam assim, cada vez mais pessoas reconhecem o seu valor.
Shun é o mais jovem do grupo de cinco protagonistas e muitas vezes definido como o mais imaturo e emotivo, mas é também o mais tranquilo e posicionado. Nada disso significa que seja o mais fraco, já que só demonstra o verdadeiro poder de seu cosmo em raras ocasiões, quando a situação o leva ao extremo. Shun tem um problema similar ao de Hyoga e é demasiadamente sentimental, especialmente durante os combates, bem diferente de seu irmão Ikki. Quando criança era frágil e protegido incessantemente por seu irmão mais velho (os dois eram os únicos cavaleiros de bronze filhos de mesma mãe no mangá). Ikki sempre o ajudava em todos os momentos difíceis, e essa relação de dependência mantém-se por quase toda a série animada principalmente.
Uma vez adulto, sua falta de entusiasmo nos combates oculta muito bem o seu formidável potencial que resiste despertar completamente. Sua pacífica personalidade faz Shun parecer muitas vezes covarde, mas na realidade ele esconde uma natureza forte e um grandioso poder. Ele é devastador quando realmente quer. Acho que o Shun poderia ter seguido o caminho de um personagem 100% macho que fora Toki em "Hokuto no Ken", que de certa forma teve um passado similar em sua dependência de um irmão mais velho que o protegia, o vilão querido por todos Raoh.
 
Toki ("Hokuto no Ken")
Seu cabelo castanho claro (no mangá) ou verde (no animê) e seu lado andrógino fazem que seja atrativo e popular entre as garotas presentes no público do Coliseu que enlouquecem com sua aparição ("Deus dá asa para quem não sabe voar"). Pode não ser um dos favoritos dos fãs da série, mas é um dos personagens mais importantes da obra e para mim o cavaleiro de bronze com o plot mais interessante. Shun é o mais humano dos cinco protagonistas.
Claro que seu apego excessivo ao irmão (terrivelmente exagerado no animê) e a cena constrangedora na casa de Libra (outra palhaçada do animê) não ajudam em nada na sua popularidade, mas ele tem pontos ao seu favor, como o exemplo que ele dá sobre a bondade e a superação.
Do seu lado afetivo, tem a seu irmão Ikki, seu mestre, Seiya e seus amigos e uma garota, June de Camaleão, que conheceu durante seu treinamento na ilha de Andrômeda. E no mangá os dois até tiveram um momento mais íntimo (Sem falar que também nesta versão a amazona retirava a máscara por vontade própria quando estava diante de Shun, o que poderia significar que eles já estavam vivendo em um tipo de relacionamento).
Shun também apresenta uma natureza melancólica e apesar de nunca duvidar da justiça de sua causa, considera que isso não o autoriza a cometer o pior dos crimes, tirar vidas.
Por ser considerado a perfeição da pureza humana, Shun foi escolhido para ser o hospedeiro da alma do deus do mundo inferior Hades.



5º Lugar
Seiya de Pegasus

Não é uma opinião popular, mas a verdade é que não há motivos suficientes para o Seiya ser odiado!
Já expliquei vários dos motivos na postagem mais vista do meu blog. O Seiya é tão legal quanto qualquer outro cavaleiro de bronze e eu mesmo muitas vezes o tenho como um exemplo de inspiração e superação. Mas é um fato que Seiya é provavelmente aquele dos cinco heróis que evoluiu menos ao longo de todo o mangá, já que desde o princípio até o fim da história o seu comportamento permanece sendo o mesmo. No geral, Seiya está aqui para demonstrar a capacidade do ser humano de se superar, vencer qualquer adversidade que seja. Com a ajuda de sua força de vontade, é capaz de levantar os seus companheiros, fazendo a todos demonstrarem igualmente as mesmas capacidades. 
Por outro lado, os objetivos de Seiya mudaram. No começo o seu único objetivo era encontrar a sua irmã Seika, mas Seiya acabou por converter-se em um ardente defensor de Athena e se preocupa com destino da Terra quando esta encontra-se sendo ameaçada por algum grande perigo.
Sua principal virtude no campo de batalha é a de nunca dar um combate por perdido. Mesmo de personalidade insolente e por vezes arrogante, Seiya é o arquétipo de herói. Tem fortes valores morais nos quais crê e defende a todo o custo, inclusive arriscando a própria vida. Extremamente valente, não retrocede ante nenhum obstáculo, seja seu rival de bronze, prata, ouro ou até mesmo deuses. Sua primeira qualidade, que faz dele o cavaleiro que é, é sua perseverança, graças a qual se levanta sempre ante as dificuldades, fazendo o impossível para vencer seus combates.


 
4º Lugar
Violate de Behemoth
 
Minha personagem favorita de "The Lost Canvas" é também uma das personagens que mais me marcaram e ela nem precisou de uma participação mais significativa para isso.
O Kurumada deve ter muita inveja deste mangá, tanto que pediu que fosse desconsiderado e que o verdadeiro passado da Guerra Santa contra Hades fosse o que ele apresentou em "Next Dimension", que é inegavelmente inferior ao "The Lost Canvas". Mas não vamos discutir estes detalhes por agora.
Contrariamente a sua aparência, Violate é uma mulher, guerreira implacável, como demonstra seu corpo coberto de cicatrizes, as quais considera verdadeiras medalhas e méritos de batalhas nas quais saiu vitoriosa.
Como um dos espectros à serviço do deus Hades, tem uma força de vontade incrível que provém da devoção que ela professa a Aiacos de Garuda, quem reconheceu a sua força e, finalmente, a ajudou a realizar seu desejo conduzindo-a ao céu. Podemos inclusive perguntar se essa lealdade não está também impregnada de um toque de amor. Este sentimento é muito surpreendente em um espectro e, do lado de Aiacos, o sentimento não parecia ser recíproco, já que o juiz via Violate, como mais um de seus subordinados, como sua propriedade pessoal. Mas no fim, Aiacos demonstrou que o sentimento poderia ser mesmo recíproco, porque ele recusou-se a lutar contra Violate no momento em que esta, após morrer em combate, teve seu cadáver controlado como uma marionete por Hades. O juiz proferiu as seguintes palavras: "Preferiria sofrer sob tuas mãos do que morrer na solidão".
As inúmeras cicatrizes de Violate são provas de intensos combates que teve que superar para desenvolver sua força e subir na escala de sua hierarquia. Por esta razão, Violate se nega a perder para Regulus de Leão que teve a sorte de beneficiar-se de todos os dons e talentos que herdara desde seu nascimento e nunca precisara se esforçar para vencer batalhas para chegar até onde está. A derrota de Violate é especialmente cruel, porque apesar de todos seus esforços e sua vontade incrível, este poder tão duramente adquirido não foi suficiente para superar o talento natural de Regulus.
Violate é uma belíssima mulher e todos nós homens invejamos o juiz Aiacos de Garuda por quem ela fora sinceramente apaixonada.
 


3º Lugar
Ikki de Fênix e Hyoga de Cisne

Dois dos mais marcantes cavaleiros de bronze e também alguns dos maiores ícones da série.
Hyoga é dono da personalidade mais complexa dos cinco principais cavaleiros de bronze. No mangá, retorna ao Japão, uma vez terminado seu treinamento para cumprir uma missão do Santuário: matar a todos os cavaleiros participantes da Guerra Galáctica e devolver a armadura de ouro de Sagitário. Mas acabou por não realizar a sua tarefa, durante as lutas ele demonstrou ter todas as intensões de executá-la, mas mudou de ideia após presenciar o combate de Shiryu e Seiya. Percebeu que as intenções dos cavaleiros de bronze não são como as que o Santuário lhe havia relatado.
Ele é o mais frio e compenetrado dos cavaleiros, muitas vezes lutando como um guerreiro implacável e impiedoso. Sua personalidade agressiva também o distanciava dos demais cavaleiros de bronze, mas, com o decorrer da série, foi tornando-se uma pessoa mais comunicativa e mais aberto aos sentimentos.

 
Hyoga é um homem amargurado, complexado e também traumatizado, principalmente pelo martírio de perder a sua mãe e a grande obsessão que ele apresentava por estar sempre junto dela, mesmo após a sua morte. Natassia era a única coisa que havia no mundo do cavaleiro de Cisne e, quando ela se foi, sentiu-se completamente desamparado e isso o fez desenvolver uma grande individualidade.
Logo nos damos conta de que, apesar da sua postura inicial, ainda estava muito apegado a sua falecida mãe, com quem está extremamente ligado emocionalmente, circunstância que vamos descobrindo durante seus combates, e é este sentimento o que lhe causa problemas, porque não pode deixá-los de lado quando deve lutar, o seu maior obstáculo para alcançar o sétimo sentido. A medida que a história avança, Hyoga torna-se capaz de distinguir entre seu dever de cavaleiro e seus sentimentos, graças a Camus foi capaz de desvencilhar-se dos vínculos com seu passado, embora as recordações de sua genitora permanecerão para sempre com ele. Seu amor maternal representa provavelmente uma parte da sua força.
 

E o Ikki. O Ikki é foda. Só dizer isso já bastaria, ele tem uma grande legião de fãs. É o cabra mais macho de toda a franquia!
Ikki é um símbolo do inconformismo, do livre pensador que não se submete a nada, que tem a coragem de defender suas convicções e fazer-se responsável por suas ações. Inclusive quando está no território sagrado de Athena, às vezes não duvida em desafiar a autoridade de sua deusa, como na cena em que abandona o grupo para seguir seu próprio caminho. Ele mesmo proferiu a frase: "Não tenho porque receber ordens de ninguém, nem sequer de uma deusa!". Aqui está incluído uma espécie de crítica velada ao dogma religioso ou a algumas atitudes fanáticas religiosas. Ikki se compromete a servir a deusa Athena, mas sem renunciar as suas convicções nem alienar-se.
É um homem duro e orgulhoso, individualista, por mais que colabore nas batalhas, não gosta de trabalhar em equipe com "Seiya e os outros", prefere agir sozinho para ser mais eficaz e aparece no momento em que realmente é necessária a sua intervenção, isto é, quando seus amigos estão em grave perigo ou ante uma morte inevitável (especialmente seu irmão).
Um guerreiro muito dedicado à sua causa e, apesar da sua brutalidade e desprezo aparente que tem pelos outros, valoriza muito seus companheiros e demonstra um imenso orgulho de compartilhar laços de amizade e de sangue com todos ele, fato mais destacado no mangá. Ikki é um guerreiro comprometido, fiel e perseverante.



2º Lugar
Shiryu de Dragão

Atualmente considerado o mais vazio dos cavaleiros de bronze pela maioria dos críticos, por não ter um plot tão diferenciado. Ele é um cara fodão que ganhou uma armadura, lutou junto de "Seiya e os outros", venceu batalhas, ficou cego... Querem saber? Shiryu é o mais foda dos Cavaleiros do Zodíaco e nada poderá mudar isto!
Na época da saudosa Rede Manchete, Shiryu era o cavaleiro de bronze favorito da maioria da galera e até hoje ele é o meu preferido.
Ele parecia arrogante no início (algo comum a todos os cavaleiros de bronze, que ao conquistarem suas armaduras começavam a achar que eram os mais fortes do universo), silencioso, discreto, misterioso e muito seguro de sua força, com uma tendência a subestimar o seu adversário (embora o único caso tenha ocorrido em sua luta contra Seiya). Entra em cena muito confiante das propriedades do seu "indestrutível" Escudo do Dragão e sua técnica, aparentemente invencível, o "Cólera do Dragão", mas após sua derrota contra Seiya adquire humildade e se converte rapidamente em um de seus mais fiéis amigos.
De todos os cavaleiros de Athena, é aquele que melhor representa o guerreiro de Deus, um Santo. Ele nunca sente qualquer dúvida em sacrificar-se por seus companheiros e por sua deusa, sacrifica-se sem receio pelos que ama, entregando a sua vida para um bem maior.
Aliás, todos podem falar que o Seiya é o encosto do grupo e o que mais apanhou em toda a história, mas o Shiryu, com esse altruísmo exagerado, foi o cavaleiro que mais sofreu. A sua disposição em se sacrificar pelos outros e por suas crenças foi provavelmente baseada no personagem Shuu, também de "Hokuto no Ken".
Dentre os cinco personagens principais, Shiryu é conhecido por ser o mais calmo e reflexivo do grupo. Sua força física é a maior dos cavaleiros de bronze, com a possível exceção de Ikki. Isso se refletia em sua habilidade para ganhar numerosas batalhas sem aumentar seu Cosmo com as capacidades de sua armadura. Mas em combate, realmente não é raro Shiryu livrar-se de sua armadura e lutar com o corpo desprotegido e, segundo ele mesmo, consegue realizar suas maiores proezas quando está arriscando a sua vida na batalha. Além de ser um típico exibicionista, foi muito famoso por ter ficado cego várias vezes durante o animê e ele mostrou que luta muito bem mesmo sem poder utilizar a sua visão, eu diria que ele ficou até mais foda.
Ele foi o meu favorito e o de muita gente na época por motivos muito claros. Afinal ele era um Bruce Lee cabeludo, tinha uma tatuagem fodona de dragão nas costas, lutava realmente com influência nas artes marciais chinesas e ainda tinha o seu "Cólera do Dragão", que a garotada na época logo relacionou a sua semelhança com o Shoryuken, o golpe especial de Ryu e Ken nos games do Street Fighter (Pelo menos na primeira vez em que ele usou o golpe). E quem não se emocionava com as suas muitas as lições sobre fé e amizade.
Sem deixar de mencionar que aqui no Brasil ele é dublado pelo Élcio Sodré, que só fato de ser a voz do Issamu  Minami, o Black Kamen Rider, faz dele um dos dubladores mais memoráveis do elenco.

 

1º Lugar
Saga de Gêmeos

Saga de Gêmeos. Ele é o mais fodão dos cavaleiros de ouro e um dos vilões mais legais, sofridos e amargurados já criados em um mangá.
Saga é indiscutivelmente um dos personagens centrais no mangá original, cuja influência se faz sentir ao longo da história. Sem ele, de fato, a história de "Saint Seiya" teria sido muito diferente e o Santuário não teria sofrido tanta agitação, o que impediria o surgimento de heróis como Seiya e seus companheiros. Como inimigo final da parte mais importante da história dos Cavaleiros, Saga é bastante incomum em comparação com os adversários dos heróis dos mangás shonen dos anos 80, porque ele não é apenas um simples conquistador maléfico (Raoh em "Hokuto no Ken" também não escapou desse clichê), sendo um homem dividido entre duas personalidades opostas, e a revelação de seu rosto é uma chocante surpresa quando vemos que o temido Patriarca parece ser um bom homem.
Saga sofreu muito por causa do fenômeno que afetava sua personalidade durante os 13 anos em que governou o Santuário, sofrimento que Mu e Dohko compreendem e explicam aos cavaleiros. O mangá "Episódio G" explora um pouco mais este tema, destacando, durante sua batalha contra Cronos, o grande alcance de sua vontade em prol da justiça de seu lado bondoso em oposição ao lado mal, e a batalha entre o cavaleiro e o Titã termina com Saga coberto de lágrimas, predestinado ao fracasso no momento crucial por causa da maldade que habita nele, sendo derrotado por si mesmo.
Sua personalidade é interessante em vários aspectos, como todo mundo sabe, Saga possui duas caras, e na versão animê interpretamos que é um esquizofrênico ao extremo e que alterna entre um homem bom, amado, respeitado por todos e um demônio enlouquecido, desejoso de poder, mas a verdade é bem mais sutil. Descobriremos que sofre de um desdobramento de personalidade inerente ao seu signo do zodíaco, duas personalidades diferentes que se enfrentam incessantemente. Um conflito do qual não pode escapar e uma das suas faces deve impor-se sobre a outra já que não podem coabitar normalmente.


 
O personagem mais marcante de TODOS
Kanon de Gêmeos/Dragão Marinho

O personagem mais marcante de toda a franquia dos "Cavaleiros do Zodíaco" para mim é Kanon de Gêmeos. Apresentado como Kanon de Dragão Marinho, um dos sete Generais Marinas do exército de Poseidon. Um indivíduo misterioso que ostenta o papel de líder e também que protege o Pilar do Atlântico Norte, mas, realmente, Kanon era um antigo aprendiz de cavaleiro, nada mais nada menos que o irmão gêmeo mais novo do carismático Saga de Gêmeos, e é revelado que ele é culpado do lado obscuro de Saga ter despertado.
O homem que foi capaz de enganar um deus para alcançar as suas ambições. No fim das contas, Kanon é um personagem como Saga, com uma importância substancial no universo do mangá de Kurumada e portanto em sua adaptação para o animê. É o principal responsável por provocar dois eventos cruciais: o conflito interno que teve lugar no Santuário, que alcançou seu clímax na batalha das 12 Casas, incitando Saga a sucumbir a seus maus desejos, e a ressurreição do deus Poseidon, gerando a batalha no reino submarino, ainda que manteve somente a metade de Poseidon desperta para poder fazer uso dele e fingindo ser o verdadeiro líder do exército dos Marinas, como meio para alcançar seus desejos. Entretanto, Kanon foi notável por redimir-se depois de todos seus erros do passado, causando estragos importantes nas fileiras inimigas, substituindo Saga como cavaleiro dourado de Gêmeos e eliminando a muitos membros do exército dos 108 espectros de Hades.
É difícil falar de Kanon sem mencionar seu irmão Saga. A diferença deste, Kanon nunca esteve dividido entre duas personalidades distintas e, conscientemente incentivando seus planos de conquista mundial, faz Saga sucumbir a tentação de sua personalidade malvada que até então havia permanecido latente. Enquanto Saga apresentava uma atitude tranquila e pouco pródiga nas palavras (pelo menos sua boa personalidade), Kanon tem um caráter mais dinâmico e não se priva de mostrar sua arrogância ante seus inimigos. Mas igual ao seu irmão, Kanon tem uma força de vontade indomável, característica que lhe permitiu sobreviver no Cabo Sounion, circunstância que o levou ao seu papel de comandante dos Marinas, e ao longo caminho para a sua redenção. Esta última parte de sua vida tem um grande significado para Kanon, ele já não tinha razão para viver, até ter seus pecados perdoados por Athena.
Em definitivo, Kanon é um dos personagens mais complexos da obra de Kurumada. Nascido sob a frágil estrela de Gêmeos, a espera de sua redenção não pode chegar sem derramamento de sangue e desolação.



Menção honrosa
Cassius
Pode parecer estranho, mas Cassius foi um dos meus personagens favoritos.
Porque ele é o tipo de personagem cada vez mais raro: o gigante cruel, mas gentil e apaixonado.
Ele foi o discípulo da amazona Shaina que fora derrotado e humilhado por Seiya, com quem lutou pela armadura de Pégasus.
Cassius tinha Shaina como a sua musa inspiradora, demonstrava um grande respeito e afeto por ela. Mas sabia que sua a mestra escondia um grande sentimento por Seiya, o que fez o seu ódio pelo seu rival aumentar ainda mais.
Foi o grande sentimento que tinha por Shaina que o fez ser capaz de feitos impossíveis para alguém como ele, desenvolvendo a sua força e o seu cosmo e aceitando morrer nas mãos de Aioria, apenas para que Seiya pudesse viver, salvando assim o amor da vida da sua amada mestra.
Cassius também foi outra boa sacada do Kurumada para a criação de um personagem. O gigante com cabelo moicano, que parece mais um personagem random que o Kenshiro cansa de matar em "Hokuto no Ken", teve seu nome baseado em Caio Cássio Longino, um senador romano e o principal conspirador contra Júlio César. O personagem histórico é citado em "O inferno de Dante" como um dos maiores pecadores da história da humanidade, ao lado de Brutus, outro traidor de César, e Judas Iscariotes.
Por favor, desconsiderem o aumento exagerado de poder que o animê deu ao personagem na saga das 12 Casas. Foi outra palhaçada da Toei (Como eu sempre digo: filler é tenso).
 
 
 
Encerramos aqui o especial sobre os "Cavaleiros do Zodíaco" e  este assunto certamente renderá novas e longas postagens  agradeço a todos os que leram e também por sua audiência e paciência.