sábado, 25 de julho de 2015

TOP DOS MAIS INFAMES PIRATAS DA HISTÓRIA QUE INSPIRARAM ONE PIECE


One Piece é um sucesso incontestável. A obra de Eiichiro Oda é o mangá mais vendido de toda a história e, mais do que um simples divertimento, trata-se de uma verdadeira crítica social. 
O mangá fala com muita irreverência sobre a política, a anarquia, as desigualdades sociais, o racismo, e há espaço até para temas como a transsexualidade (WTF?!). É um grande entretenimento, você se diverte, se emociona e o mais importante, se acaba de tanto rir. Este mangá é uma das provas de que quadrinhos não precisam ser levados tão a sério.
Outra mérito deste animê/mangá é explorar um tema pouco utilizado para o tipo de obra: os piratas.
Agora, falando um pouco de História, que será o tema central desta postagem, a pirataria é o ato de se roubar navios nos mares. Piratas eram normalmente violentos e assassinos (Diferente dos heróis da história de One Piece) e uma de suas atividades correlatas era a de saquear cidades a beira-mar.
A Pirataria sempre existiu e está presente mesmo nos dias atuais, sendo que era muito mais comum na época colonial. Existiam também os ditos corsários que eram piratas que, por missão ou carta de corso (ou “de marca”) expedida por um governo, eram autorizados a pilhar navios de outras nações (guerra de corso), ou seja, era uma “pirataria oficializada”. Piratas se transformavam em corsários e vice-versa. Os conhecidos Shichibukais presentes em One Piece são a versão de Eiichiro Oda para os corsários.
É de conhecimento histórico que a Inglaterra foi a “rainha” da pirataria e sempre se utilizou muito dos corsários. Essa atividade era para ela uma grande fonte de renda e havia uma extensiva infraestrutura para apoiar e dar aparência de “operação comercial” à pirataria. Os anglófilos deveriam ligar-se mais nestes fatos históricos que muito tem a nos revelar acerca da origem da riqueza dos países ricos de hoje. O Brasil na época colonial era muitíssimo mais rico do que os Estados Unidos!
Entre 1688 e 1815, cerca de 25.000 “cartas de marca” foram expedidas na Inglaterra. Durante certa época, o principal objetivo militar da Inglaterra era saquear os navios espanhóis. De 1585 a 1604, entre 100 e 200 embarcações foram enviadas para assediar barcos espanhóis.
Era muito utilizado um tipo de “perdão real” no qual a Inglaterra anistiava piratas para fazê-los servir à Coroa como corsários, contra os inimigos dela. A atividade imperial e colonial inglesa era indistinta da pirataria. Houve “heróis” nacionais, parlamentares, colonizadores, funcionários das companhias e governadores coloniais que foram piratas. Boa parte dos piratas na História Moderna, muitos deles famosos, eram ingleses.

Eiichiro Oda inspirou-se em muitos dos reais e mais famosos ladrões dos mares da história para a criação de personagens em One Piece. E a seguir estão listados, na forma de um Top 10, os mais infames piratas da história ao lado do respectivo personagem que eles inspiraram.



10º Lugar
Zheng Zhilong e Ame no Shiliew


Enquanto a maioria das pessoas geralmente associam os piratas apenas ao Hemisfério Ocidental, vários outros notórios ladrões dos mares vieram também do Oriente.
Zheng Zhilong foi um pirata chinês do século XVII. Trazendo vergonha para sua família, ele foi expulso da casa de seu pai aos 17 anos de idade. Não tendo outro lugar para ir, acabou em Macau com o seu tio. Naquele tempo, a cidade recentemente havia sido inundada pelos ocidentais e sua cultura, e logo Zheng Zhilong converteu-se ao cristianismo e foi batizado aos 18 anos sob o nome cristão de Nicholas Gaspard. Sua integração a cultura ocidental fez dele um recurso valioso nos portos marítimos da China. Logo assumiu um cargo em um navio para trabalhar em colaboração com os holandeses (outro povo com talento nato para a pirataria e constantemente adulado pelos "livros didáticos" de história) para garantir uma rota da China para o Japão.
Quando seu comandante morreu, Zheng Zhilong herdou o navio e iniciou a pirataria por conta própria. Em 1628, ele derrotou a frota da Dinastia Ming. Utilizando da sua posse que agora era de cerca de 800 navios, manipulou alianças de modo que atuaria como um pirata desta vez contra os navios invasores dos holandeses.
Zheng Zhilong aposentou-se extremamente rico, mas foi executado mais tarde, porque seu filho agiu como um pirata contra o governo Qing em vez de mudar de lado em momentos oportunos, como fazia o seu pai.
Ame no Shiliew ("Shiliew da Chuva") aparece no arco do mangá da batalha em Impel Down, já com a fama de ser extremamente perigoso e temido, e logo tornou-se membro da tripulação do Barba Negra. A sua personalidade é bem similar a de Zheng, faz o que quer, e sempre escolhe o lado que lhe é mais vantajoso para seguir. Por outro lado, a aparência de Shiliew foi baseada na de Yasunori Kato, um personagem de uma novela de terror japonesa, assim como M. Bison de Street Fighter e Washizaki de Riki-Oh.



9º Lugar
Thomas Cavendish e Cavendish do Cavalo Branco


Cavendish do Cavalo Branco é o líder dos Piratas Bonitos, surgiu no recente arco de Dressrosa. Ele é um dos Super Novas, e no início era apenas um "príncipe pirata" afetadinho dono de um irritante complexo de celebridade. Mas tudo mudou mais tarde quando demonstrou uma personalidade interessante e complexa, com um grande senso de honra, e ainda há o misterioso caso de "Hakuba", sua outra personalidade que é totalmente insana e dotada de força e fúria assassinas que se manifesta durante suas batalhas, provavelmente inspirado na famosa novela Dr. Jekyl and Mr. Hyde.
O pirata real Thomas Cavendish foi um explorador inglês e um corsário que é melhor lembrado como o homem que deliberadamente contornou a Terra. Filho do nobre Roger Cavendish, aos 12 anos herdou a riqueza dos pais e por volta de 1585 comprou navio Elizabeth e juntou-se a frota de expedição de Sir Richard Grenville em sua viagem para a Virgínia.
A primeira grande viagem de Cavendish começou em 27 de junho de 1586, quando ele decidiu repetir o feito de Francis Drake em 1577. Ele construiu um grandioso navio chamado Desejo, e junto com dois outros navios "Content" e "Hugh Gallant" começou sua jornada através do mundo. Durante sua jornada, seus homens estavam preparados para atacar quaisquer navios espanhóis e cidades em seu caminho e isso aconteceu quando chegaram à costa do sul da Califórnia. Eles invadiram três cidades espanholas e 13 navios, incluindo o galeão de 600 toneladas Santa Anna, onde capturaram o maior tesouro que nunca caiu em mãos inglesas.
Durante sua viagem pelo Pacífico, Thomas Cavendish aprendeu sobre a costa do Japão e veio em posse do mapa de China. Retornou a Inglaterra em 9 de setembro de 1588, completando sua jornada em tempo recorde.
Cavendish atuou inclusive na costa brasileira. Em 1591 saqueou a cidade brasileira de Santos e sofreu grandes perdas na batalha contra os portugueses em Vitória, no Espírito Santo. Logo depois em 1592, continuou a sua viagem através do Atlântico, mas de acordo com relatórios, morreu perto da costa da Ilha de Ascensão.



8º Lugar
William Kidd e Eustass Kid

Conhecido pelos fãs como "o Magneto de One Piece", Eustass Kid, o Capitão Kid, apareceu em One Piece como o Super Nova com a maior de todas as recompensas postas por sua cabeça, maior até mesmo do que a do protagonista Monkey D. Luffy na época, o que fez muitos se questionarem sobre o quão mal ele deveria ter se comportado. Afinal, Luffy do Chapéu de Palha já havia desafiado o próprio Governo Mundial.
A inspiração para Eustass Kid foi William Kidd, um dos piratas mais famosos de todos os tempos. Também conhecido simplesmente como "Capitão Kidd", o corsário escocês William Kidd é mais lembrado por seu julgamento e execução por pirataria depois de voltar de uma viagem pelo Oceano Índico. Alguns historiadores modernos consideram sua reputação de pirataria injusta, pois há evidências de que Kidd agiu apenas como um corsário. Sua fama nasce em grande parte das circunstâncias sensacionais de seu interrogatório perante o Parlamento Inglês e consequente julgamento.
Kidd começou como um corsário, mas depois de uma série de eventos infelizes, ele se tornou um pirata procurado. Foi em 30 de janeiro de 1698 que ele tomou o seu maior prêmio, um navio armênio carregado com cetins, musselina, ouro, prata, e uma incrível variedade de mercadorias do leste indiano, bem como sedas extremamente valiosas.
Bellomont, um investidor, atraiu Kidd para Boston com falsas promessas de clemência, e em seguida ordenou que o prendessem em 6 de julho de 1699. Kidd foi colocado em uma prisão de pedra, passando a maior parte do tempo em confinamento solitário. Sua esposa, Sarah, também foi presa. As condições de detenção de Kidd foram extremamente duras, e parecem tê-lo conduzido a insanidade, pelo menos temporariamente. Ele foi transferido para Londres e ficou chocado ao saber no julgamento que foi acusado de assassinato. Kidd foi considerado culpado de todas as acusações (assassinato e pirataria) e foi enforcado em 23 de maio de 1701, em Londres.


                       
7º Lugar
Olivier Levasseur e Gol D. Roger


Olivier Levasseur ganhou o apelido de "La Buse" no início de sua carreira de pirata. "La Buse" é uma expressão em francês para um urubu ou um falcão que possui velocidade e ferocidade tremendas quando em direção a sua presa. Com este apelido em mente, é fácil de se avaliar o caráter de Levasseur. Ele na verdade começou como um corsário para os franceses durante o início dos anos de 1700, tornando-o um pirata legalmente justificado durante a Guerra da Sucessão Espanhola, em acordo com o próprio rei francês Louis XIV. No entanto, quando essa guerra acabou, foi obrigado a trazer o seu navio e tripulação de volta à França. Ele havia tomado muito gosto pela pirataria e começou a ignorar ordens, tornando-se um pirata completamente ilegal ao longo da costa ocidental da África.
Diferente de sua contra-parte, Gol D. Roger o Rei dos Piratas de One Piece, Levasseur eventualmente foi ferido em batalha em um de seus olhos e passou a usar um tradicional tapa-olho de pirata. Ele saqueou inúmeros navios de qualquer nacionalidade, até mesmo navios franceses, todos em torno da África. Mais tarde, tentaria obter o perdão oficial por seus crimes, e o governo francês exigiu uma quantidade exorbitante de despojos para o perdão, o que tornou isso inviável para o pirata.
Estabelecendo-se no arquipélago de Seychelles com sua ridícula fortuna, ele desistiu da pirataria para se aposentar. No entanto, logo depois foi capturado em Madagáscar e enforcado por pirataria em 1730 antes que pudesse desfrutar de seu acúmulo de riquezas.
No momento da sua morte, Olivier Levasseur tinha jogado um criptograma do andaime de execução no meio da multidão e disse-lhes que aquele que fosse capaz de decifrar a mensagem, poderia ficar como todo o seu tesouro, um tesouro que até hoje não foi encontrado. Esta parece ter sido parte da inspiração para o discurso da morte do lendário Gol D. Roger, em One Piece.
Como Oliver Levasseur, o próprio Roger tinha entregue a mensagem para encontrar o seu tesouro, e, nomeadamente, os Poneglyphs também são parte de um grande criptograma que conduz ao fim do Grand Line no animê/mangá.


6º Lugar
Anne Bonny e Jewelry Bonney

Jewelry Bonney é uma das Super Novas em One Piece e muito pouco foi revelado ao seu respeito. Ela tem a habilidade de controlar a sua idade física, bem como a de outras pessoas. Aparentemente tem boas intenções, já que ajudou Zoro em uma ocasião e peitou o Barba Negra. O próprio Eiichiro Oda confessou que a sua inspiração para a criação da personagem foi obviamente a pirata real Anne Bonny.
Tendo viajado para o Novo Mundo com sua família, Anne se apaixonou e se casou com um marinheiro pobre chamado James Bonny. Mas por ficar cada vez mais decepcionada por seu marido não lhe dar valor suficiente, ela começou a procurar a companhia de muitos homens diferentes em Nassau. Entre esses homens, estava o famigerado John "Calico Jack" Rackham, o capitão de um navio pirata. Ela se juntou a sua equipe, precisando para isto agir e vestir-se como um homem (incluindo lutar e beber profusamente).
Assim, Anne lutou sob o comando daquele famosíssimo pirata e, junto com uma outra companheira pirata chamada Mary Read, ela persuadiu a tripulação para um ainda maior derramamento de sangue e violência, e assim se tornou uma pirata formidável. No entanto, ela foi capturada com a tripulação de Rackham e condenada à morte.
Tanto Anne Bonny quanto Mary Read alegaram gravidez na prisão, e suas sentenças de morte não foram realizadas (mas Mary teve a infelicidade de morrer em seu cárcere). Ninguém sabe ao certo como a mais famosa pirata feminina morreu, embora haja especulações de que ela voltou para casa com o marido ou o pai.


                           
5º Lugar
Sir Walter Raleigh e Silver Rayleigh

O lendário Silver Rayleigh foi o imediato de Gol D. Roger e ainda tornou-se o mestre de Monkey D. Luffy, ensinando-o todos os seus conhecimentos sobre o Haki. Ele foi obviamente inspirado em Walter Raleigh, talvez um dos poucos piratas intelectuais do seu tempo, nascendo numa família da nobreza e estudando por um tempo na Universidade de Oxford. Também lutou com os huguenotes na França e mais tarde estudou Direito em Londres.
Em 1578, Raleigh partiu para a América como explorador junto de seu meio-irmão Sir Humphrey Gilbert, com um plano de lá fundar uma colônia. Em 1585, ele patrocinou a primeira colônia inglesa na América em Roanoke Island (a atual Carolina do Norte).
Raleigh logo chamou a atenção de Elizabeth I ("a Rainha Virgem" que mais deu em toda a história) em 1580, quando foi a Irlanda para ajudar a suprimir uma revolta em Munster. Ele se tornou o favorito da rainha, e foi nomeado cavaleiro e capitão da Guarda Real (1587). Chegou também a tornar-se um membro do parlamento em 1584 e recebeu extensas propriedades na Irlanda.
Em 1592, a rainha descobriu o casamento secreto de Raleigh com uma de suas damas de honra, Elizabeth Throckmorton. Esta descoberta levou Elizabeth a um ataque de ciúmes e assim Raleigh e sua esposa foram presos na Torre. Em troca da sua liberação, prestou um favor para a rainha, partindo em uma expedição mal sucedida para encontrar El Dorado, a "Terra do Ouro", cujos rumores indicavam que poderia estar situada em algum lugar além da foz do rio Orinoco, na Guiana (agora Venezuela).
O sucessor de Elizabeth, James I, não tinha nenhuma simpatia por Raleigh, e por isso em 1603 ele foi acusado de conspirar contra o rei e condenado à morte. Mas a pena foi reduzida para prisão perpétua e Raleigh passou os próximos 12 anos na Torre de Londres, onde escreveu o primeiro volume de sua "História do Mundo" (1614).
Em 1616, Raleigh foi libertado para levar uma segunda expedição de pesquisa para El Dorado. A expedição foi um fracasso, e Raleigh também desacatou as ordens do rei ao atacar os espanhóis. Em seu retorno à Inglaterra, a sentença de morte foi restabelecida e a sua execução aconteceu em 29 de outubro de 1618.



4º Lugar
Bartholomew "Black Bart" Roberts e Bartholomew Kuma

Nascido John Roberts, Bartholomew Roberts, também conhecido como Black Bart, foi um pirata galês que atuou saqueando principalmente as embarcações nos mares das Américas e África Ocidental entre 1719 e 1722. Ele foi o pirata mais bem-sucedido da época dourada da pirataria, capturando e saqueando muito mais navios do que os piratas mais conhecidos da época, como Barba Negra ou o Capitão Kidd.
Seu primeiro ato como um capitão pirata foi levar a sua tripulação a Príncipe para vingar a morte de seu velho capitão Howell Davis. Roberts e sua tripulação chegaram a ilha na escuridão da noite, matando uma grande parcela da população masculina, e roubando todos os itens de valor que podiam levar. Logo depois, ele roubou uma embarcação holandesa, e dois dias depois um navio inglês chamado Experiment.
Roberts foi o arquetípico capitão pirata no seu amor por roupas finas e joias, mas tinha alguns traços incomuns para um pirata, como uma preferência por beber chá em vez de rum, e não era tão cruel com os seus prisioneiros como eram alguns outros piratas como Edward Lowe.
O Capitão Roberts foi morto em batalha ao ser atingido por tiro na garganta, enquanto estava no convés do seu navio. Antes que seu corpo fosse capturado por Sir Chaloner Ogle, o almirante da marinha inglesa que liderou a perseguição ao capitão pirata, o desejo de Roberts de ser enterrado no oceano foi cumprido por sua tripulação, que jogou o seu corpo ao mar depois de ser amarrado na vela de seu navio. Ele nunca foi encontrado. Alguns consideram sua morte como um marco do fim da era dourada da pirataria.
O Shichibukai e ex-Revolucionário Bartholomew Kuma, também chamado "Kuma, o tirano", é um ciborque poderosíssimo. Além de ter um corpo cibernético, modificado pelo cientista-chefe da marinha, tem o poder da Nikyu Nikyu no mi (a fruta da pata) que lhe concede a habilidade de refletir qualquer tipo de força.
Kuma tem muito da personalidade de Roberts. O fato do Shichibukai carregar um Bíblia e usar roupas que emulam trajes sacerdotais são referências ao fato de que o real pirata Roberts também era um homem religioso. E o design de um outro personagem de One Piece, o também Shichibukai Dracule Mihawk foi fortemente inspirado em Roberts, com direito a crucifixos dourados e uma enorme espada em forma de cruz.



3º Lugar
Henry Morgan e Morgan Mão de Machado

Henry Morgan foi um pirata galês, que fez nome no Caribe como um líder de corsários. Ele estava entre os corsários mais famosos e bem-sucedidos da Inglaterra. Em 1667, Morgan foi contratado para capturar alguns prisioneiros espanhóis em Cuba, a fim de descobrir os detalhes da ameaça de ataque à Jamaica. Com seus dez navios tripulados por cerca de quinhentos homens, Morgan desembarcou na ilha e saqueou Puerto Principe, e em seguida veio a tomar a cidade de Portobelo, no Panamá, que era naquele tempo uma verdadeira fortaleza. É também do conhecimento dos historiadores que os homens de Morgan capturaram os padres e missionários jesuítas, que estavam em missões para catequizar os povos do Novo Mundo, e os usaram como escudos humanos para tomar a já dita fortaleza.
Ele tomou a ilha de Santa Catalina em 15 de Dezembro de 1670, e em 27 de dezembro do mesmo ano, ganhou a posse do castelo de Chagres, matando trezentos da guarnição. Em seguida, com mil e quatrocentos homens, subiu o rio Chagres, um dos piores pantanais na área. Quando finalmente deixou o Panamá, junto de sua tripulação, todos já estavam muito enfraquecidos e cansados.
Morgan tinha vivido em um momento oportuno para os piratas. Com sucesso foi capaz de usar os conflitos entre Inglaterra e seus inimigos, tanto para apoiar os ingleses ou para enriquecer a si mesmo e suas tripulações. Com a sua morte, os piratas que se seguiriam também usariam essa mesma tática, mas com resultados bem menos sucedidos. Ele também foi um dos poucos piratas que foi capaz de se aposentar da pirataria, tendo tido grande sucesso, e com pouca retribuição legal.
Henry Morgan foi a inspiração para Morgan Mão de Machado, o corrupto oficial da marinha que tornou-se um criminoso procurado, um dos primeiros inimigos que Monkey D. Luffy enfrentou em One Piece.



2º Lugar
Sir Francis Drake e X Drake

O corsário mais célebre de seu tempo, o capitão Drake saqueou inúmeras vezes os militares espanhóis, frequentemente por ordem da rainha Elizabeth I (Sim, ela de novo). A Espanha foi por assim dizer o seu arque-inimigo ao longo da vida, causou repetida devastação e saqueou implacavelmente as cidades espanholas ao longo da costa da Flórida. Ele também viajou para a América do Norte e reivindicou terras na costa do Pacífico para a rainha Elizabeth, tornando-se o primeiro inglês a circunavegar o globo.
Foi Francis Drake mesmo quem resgatou os colonos ingleses das mal sucedidas colônias de Roanoke Island ao longo da costa das Carolinas e lhes deu passagem para a Inglaterra a bordo do seu navio. Depois de uma carreira ilustre, Drake morreu na costa do Panamá para algo tão mundano como a disenteria.
X Drake, apesar de pouco sabermos ao seu respeito, ele tem a habilidade de se transformar em um enorme T-Rex e é um habilidoso espadachim. É um dos Super Novas com mais fãs em One Piece e, tal como a sua contra-parte histórica, ele também foi um oficial da marinha que se tornou pirata.



1º Lugar
Barba Negra e Barba Negra

Marshall D. Teach, o Barba Negra, é o mais poderoso e infame pirata da história de One Piece. Dentre seus feitos estão a captura e entrega para a execução do irmão de criação de Luffy, Portgas D. Ace, ele também assassinou a sangue frio um companheiro para roubar deste o poder da mais poderosa fruta do Diabo, a Yami Yami no mi, e ainda foi capaz de matar o seu antigo capitão, o Barba Branca, considerado o homem mais poderoso do planeta, roubando deste os seus poderes para criar terremotos da Gura Gura no Mi, e por fim entrou para a elite dos Yonkou, os mais temíveis e poderosos piratas do mundo. Logicamente Marshall D. Teach foi inspirado em um pirata igualmente infame.
Edward Teach, também conhecido como Barba Negra, foi um notório pirata inglês no Mar do Caribe, durante o início do século XVIII, o período do tempo referido como a era dourada da pirataria. Seu navio mais conhecido foi Vingança da Rainha Ana, que se acredita ter encalhado perto de Beaufort Inlet, Carolina do Norte em 1718.
Barba Negra muitas vezes lutou, ou simplesmente mostrou-se, usando um grande tricórnio (um tipo de chapéu da época) de penas, e tinha várias espadas, facas e pistolas à sua disposição. Foi relatado na História Geral dos piratas que ele tinha cânhamo e fósforos acesos e tecidos em sua enorme barba durante a batalha. Relatos de pessoas que o viram lutar afirmam que ele "parecia o diabo" com um rosto temível e uma nuvem de fumaça ao redor de sua cabeça. Esta imagem que ele cultivou tornou-se sua marca registrada.
Barba Negra saqueou inúmeros navios mercantes. Os seus piratas aproveitavam todos os objetos de valor, comida, bebidas alcoólicas e armas. Ironicamente, apesar de sua reputação feroz, não há contas verificadas sobre a quantidade de pessoas que matou. Ele geralmente prevalecia pelo medo. Conta-se que um vez atirou em um dos homens da sua tripulação só para mostrar a todos que ele era capaz de qualquer coisa. Para os nossos padrões, Barba Negra seria considerado um psicopata.
Apesar de ser perdoado por seus crimes, um grupo de homens foi atrás dele, a fim de ganharem a grande recompensa oferecida por sua cabeça. Teach foi baleado cinco vezes e esfaqueado mais de vinte vezes antes de morrer, e por fim foi decapitado. Lendas sobre sua morte imediatamente surgiram, incluindo a alegação de que o seu corpo sem cabeça, depois de ter sido lançado ao mar, ainda fora capaz de nadar antes de afundar (LOL).


                                       OS 2 MAIS CRUÉIS PIRATAS DA HISTÓRIA


Nas listas do blog sempre há uma colocação ainda mais elevada até do que o primeiro lugar. E desta vez foi necessário dividi-la entre estes dois piratas que são certamente os piores dos piores que já navegaram os sete mares...



Edward Lowe e Trafalgar D. Water Law

O mais famoso e querido personagem membro dos Super Novas, Trafalgar D. Water Law, teve sua maior inspiração em Edward Lowe, um dos mais cruéis e famigerados piratas da história.
Edward Lowe nasceu em Westminster, Londres, Inglaterra. À medida que envelhecia, Lowe cansado de furtos e roubos, trocou a Inglaterra por Boston. No começo, procurou trabalhar honestamente, mas em maio de 1722 juntou-se a um grupo de homens em um saveiro e com eles rumou para Honduras, onde planejavam roubar um carregamento de toras para revenda em Boston. Na sequência de um motim fracassado, no entanto, Lowe e seus companheiros foram forçados a deixar o barco. Um dia depois, Lowe instigou seus aliados a roubarem um pequeno saveiro, e oficialmente virou um pirata determinado "a declarar guerra contra todo o mundo".
Lowe foi muito bem sucedido como um pirata. O sucesso de Lowe aumentou quando das suas mais notáveis incursões no Caribe, foi quando também conquistou maior notoriedade. Depois de ir para os Açores, Lowe ficou particularmente conhecido por sua brutalidade e sadismo, que incluía torturar as suas vítimas com métodos incrivelmente aflitivos como cortar os seus lábios, cozinhá-los, e em seguida forçar a vítima a comê-los!
Há duas histórias conflitantes sobre sua morte: A primeira delas conta que Edward Lowe e seu navio foram avistados pela última vez em julho de 1723, perto das Ilhas Canárias e Guiné, e acredita-se que seu barco afundou em uma tempestade, com tudo o que havia dentro dele. A segunda afirma que Lowe foi levado à deriva por sua própria equipe, e foi resgatado por um navio francês para depois encontrar o seu fim enforcado em 1724.


François L’Olonnais e Roronoa Zoro

Um dos personagens mais queridos pelos fãs de One Piece, aquele que é considerado quase como o segundo protagonista da história, o não-declarado imediato de Monkey D. Luffy, Roronoa Zoro foi definitivamente inspirado em François L'Ollonais, o mais cruel dos piratas do Caribe e um dos mais terríveis que o mundo já conheceu.
Jean David Nau, mais conhecido como François L'Olonnais, foi um pirata e corsário francês. Ele era conhecido como um dos piratas mais cruéis no Mar do Caribe. Tratou os habitantes nativos da região, os colonos espanhóis e missionários jesuítas com tanta selvageria que muitos historiadores acreditam que ele era louco!
Com mais de 600 piratas e 8 navios atacou as cidades de Maracaibo e Gibraltar no Golfo da Venezuela. A cidade de Maracaibo foi conquistada facilmente o que deixou a região aberta e fácil para a sua devastação. Quando os corsários chegaram a Maracaibo, perceberam que muitos dos seus habitantes fugiram, então trataram de perseguir os fugitivos e os trouxeram de volta. L'Ollonais torturou de forma abominável quase todos os cidadãos até que um destes traiu seus companheiros e revelou a localização de seus tesouros escondidos. Alguns deles não resistiram às torturas e morreram em dor.
Depois disso, os piratas desembarcaram perto de Gibraltar. O povo daquela região conheceu o mesmo destino que os de Maracaibo. Eles foram estuprados, torturados, assassinados e ninguém foi poupado. Alguns deles foram mortos sem qualquer motivo especial, apenas para a diversão dos cruéis piratas. Quase toda a cidade foi queimada.
L'Ollonais conduziu muitas invasões contra as possessões espanholas e foi morto durante uma tentativa de invasão, capturado pelos índios que estavam do lado espanhol. Sua vida terminou como ele talvez tenha merecido. Ele foi cortado em pedaços e queimado. Alguns rumores dizem que ele foi comido por canibais.
Com este histórico do pirata real que o inspirou, fica fácil compreender porque Zoro foi comparado a um "demônio" por alguns personagens quando da sua primeira aparição. Porém, o honrado ex-caçador de piratas se distancia enormemente de François L'Olonnais por ser aquele personagem que todos sentem vontade de imitar, aquele que se sacrifica por seus companheiros e declara ser a "dor de seus amigos a sua dor".

O tratado de Paris de 1856 pôs fim aos corsários (Em One Piece temos o Almirante da Marinha Fujitora que deseja acabar com o sistema de Shichibukai). Nesta ocasião, a Inglaterra dominava os mares e era a grande potência do mundo, logo ela só teria a perder com a manutenção do corso, já que seria mais vítima dele do que patrocinadora, por isso, advogou seu fim junto com outras potências.


Será que o mangaká Eiichiro Oda pesquisou profundamente a vida destas figuras históricas ou simplesmente buscou uma inspiração de forma bem superficial?
Há quem critique o fato do protagonista do mangá ser um pirata do bem, o que de fato é uma grande contradição. Mas Luffy já deixou claro que entrou para a pirataria não por desejo de enriquecer pilhando navios e cidades a beira-mar, mas por seu gosto pela liberdade. Segundo o Chapéu de Palha, não existe ninguém no mundo mais livre do que o Rei dos Piratas.
One Piece, com toda a sua pegada sobre desigualdades sociais, acima de tudo é uma história sobre liberdade. A busca pela liberdade, tão aclamada por Luffy, é vista como o seu caminho para a felicidade, mesmo que ela seja fugaz ou temporária. Hoje a liberdade é entendida na esfera individual e não coletiva e, apesar de haver liberdade, esta continua restrita a necessidade de adequar-se à vida em sociedade. Talvez por sentir que não pode se adequar aos padrões impostos pela sociedade, Luffy anseie tanto ser como esse Rei dos Piratas.
Luffy é um espírito livre, ele pensa na liberdade em um âmbito coletivo, respeitando e importando-se com as escolhas de seus amigos, porque afinal se não fosse assim, não se sentiria mais livre do que se estivesse vivendo em uma ilha isolada.
O que importa na história de One Piece os profundos e positivos valores transmitidos por seus personagens. E a utilização de personagens baseados em figuras históricas deixa a obra de ficção ainda mais rica e interessante.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

TOP TESTOSTERONA: HERÓIS MAIS MACHOS DOS ANIMÊS


Com os novos filmes do animê Dragon Ball que já passou e a chegada de Dragon Ball Super, foi resgatado o assunto sobre a validade dos sacrifícios de Goku frente as ameaças que surgem perante a raça humana. Confesso sinceramente que DETESTEI o filme "Fukkatsu no F"! Descaracterizaram tudo o que eu mais gostava nos personagens, principalmente o Gohan, que de um guerreiro épico e inspirador, tornou-se um lixo! Sou fã do Vegeta, mas não me conformo com a ideia dele ficar superpoderoso do nada e fazerem isso com os outros personagens, sem falar que trazer o Freeza de volta a vida foi um porre, por mais que eu também adore este vilão. No mais, "Batalha dos Deuses", com suas intermináveis cenas de humor e poucas de ação, é um filme muito melhor. "Fukkatsu no F" vale apenas os fanservices. E que porra de cabelo azul era aquele? Pois é, infelizmente o novo filme é uma bomba.
Retornando à postagem...
Son Goku é um herói da humanidade ou luta acima de tudo por si mesmo, para superar os seus limites? Ele é um grande individualista, não gosta de depender de ajuda para vencer, mas isso faz parte da sua personalidade como um guerreiro, por esse lado ele não é muito diferente de Vegeta.
Mas, tal como o príncipe dos saiyajins, Goku é um grande ícone de força e masculinidade que inspiram muitas pessoas.
Ele se esforça, treina duro para manter seu corpo em forma. É humilde, vive uma vida de mansidão apesar do fato de ser o guerreiro saiyajin mais talentoso do universo. É misericordioso até mesmo com seus piores inimigos. Para ele a vida é preciosa, por isso valoriza a vida de todas as pessoas, tanto quanto valoriza a sua própria, e até mesmo arrisca a própria vida para salvar outra pessoa. Goku ama a sua esposa Chichi e também é um pai amoroso, claro que isto na forma clássica e clichê masculina: Não demonstrando muito. Mas ele vai disciplinar seus filhos quando necessário, e é muito melhor o exemplo de um pai que educa, ainda que não seja muito convencional.
Goku é um forte modelo que pode ensinar lições de vida importantes para os jovens que estão crescendo em um mundo onde a masculinidade é fortemente reprimida. Ele também ensinou que não há problema em se defender de qualquer um que esteja tentando prejudicá-lo sem uma causa justa, e mais importante ainda, aprendemos com ele que é nosso dever moral proteger as vidas de pessoas inocentes de qualquer um que esteja tentando prejudicá-las de alguma forma. Goku está mais do que disposto a se sacrificar para proteger a vida de seus entes queridos.
Enfim, é inspirador para os jovens um herói homem com atitude de homem
Por isso, em homenagem a Goku e a todos os outros grandes heróis da ficção, aqui está um Top 15 com os mais influentes protagonistas machos dos desenhos japoneses.



15º Lugar
Kintaro Oe

Eu não sei se você é velho o suficiente para ter visto Golden Boy, mas tenho certeza de que você deve ter ao menos ouvido dele. E acredite, é tão bom quanto parece ser.
Kintaro é um sujeito muito capaz. Ele é um espírito livre, um estudante da vida que sequer tem um emprego fixo, e por isso aceita qualquer tipo de emprego temporário para ganhar o seu sustento e aprender absolutamente tudo sobre qualquer coisa... e além disso é um grande pervertido. Podemos dizer que Golden Boy trata-se de um mangá sensual e educativo!
Kintaro é natural em qualquer coisa que ele tenta, ele sabe caratê (embora odeie usá-lo), ele pode correr mais que uma motocicleta em sua bicicleta, e as mulheres não podem resistir a ele (eventualmente).
Acabou se apaixonando pela sua gostosíssima chefa. Com todas aquelas poses e decotes, quem poderia culpa-lo?
Embora possa parecer uma besteira à princípio, a devoção de Kintaro para melhorar a si mesmo tornou-o em uma espécie de super-homem. Ele está em uma busca incessante pelo conhecimento e não há nada em que ele não vá se destacar!
O mais viril de todos. Assim que domina sua mais recente aspiração, ele parte para o próximo desafio com o caderno na mão!



14º Lugar
Cobra

Este é um nome provavelmente bem pouco conhecido pelo grande público do animê no nosso país...
Cobra é o típico pirata espacial e mercenário intergaláctico dos animês. Um passado misterioso, uma arma laser em seu braço, um charuto preso permanentemente a sua boca, e sempre cercado e agradado por mulheres deslumbrantes.
Por dinheiro, orgulho, amor, ou uma dívida de seu passado, ele realiza estranhas e perigosas missões através das estrelas. Ele está pronto para brigas, corridas de carros, traição, magia, e qualquer outra coisa neste universo selvagem e maluco que possa lançar-se no seu caminho.
A única pergunta é: o universo está pronto para Cobra?



13º Lugar
Arsene Lupin III

Um dos maiores ícones da cultura pop japonesa e um dos maiores símbolos dos animês, Lupin é, inquestionavelmente, o maior gatuno do mundo!
Mesmo que você já saiba que Lupin de alguma forma é mais esperto do que seus inimigos, é sempre divertido ver como ele escapa de qualquer situação adversa na qual venha a se encontrar.
E nestes mais de 40 anos de atividade, Lupin e sua equipe sempre demonstraram a sua força e parecem ainda ser capazes de percorrer um longo caminho, mostrando que toda a credibilidade e a popularidade destes personagens não estão aí por nada.
Como uma curiosidade, podemos lembrar que de todos os diretores que já trabalharam com o personagem, foi com ele que o lendário animador Hayao Miyazaki conseguiu seu primeiro grande projeto.



12º Lugar
Ryo Saeba

Ryo Saeba é um detetive particular conhecido em Tóquio, ele trabalha com Kaori Makimura, irmã de seu sócio falecido. Além de ser um incrível lutador e um exímio atirador, Ryo é extremamente safado e mulherengo, e Kaori, eventualmente, atinge-lhe com seus potentes golpes quando o vê se assanhando com alguma mulher, o que acontece com frequência.
Mesmo admitindo ser um assassino habilidoso, Ryo normalmente não mata seu adversário, exceto quando o inimigo realmente precisa ser morto.
Ryo ficou muito famoso em Tóquio porque ele conseguiu praticamente eliminar os crimes de lá. Seu pseudônimo ou codinome "City Hunter" é na verdade o nome do seu negócio.
Qual a melhor referência para quem quer curtir o personagem? A resposta é o animê original, ele é o melhor simplesmente porque é o original.Você vai rir em todas as séries do animê. E também é indispensável conhecer o live action estrelado por Jackie Chan com a pérola da luta parodiando Street Fighter.



11º Lugar
Tsurugi Momotaro

Tsurugi Momotaro é um estudante de Otokojuku, uma escola particular para jovens delinquentes que foram expulsos de escolas normais. Nela, eles recebem seus ensinamentos através de fundamentos feudais e militares. Semelhante a um filme de ação, as classes são oprimidas pela violência, e somente aqueles que sobreviverem, se tornarão verdadeiros homens.
Momotaro é o mais bravo destes jovens e através dele podemos compreender muito bem a mentalidade dos japoneses na década de 1980. Um sentimento que voltou a tornar-se muito forte entre os nipônicos é o nacionalismo, um grande senso de coletividade do povo, para que procurem se unir em benefício de todos.
Momotaro é um mestre espadachim que nos ensinou sobre a lealdade, a masculinidade, a disciplina e sobre como tratar um Gaijin.
Um personagem fenomenal e simplesmente épico, mas que poderia ofender muitas pessoas nesta "Era do mimimi" e do politicamente correto.



10º Lugar
Ramenman

Aqui eu deveria colocar "Todo o elenco de Kinnikuman", mas como seria exagerar demais, preferi colocar apenas um dos personagens mais másculos de toda a franquia. E, antes que questionem o fato de Ramenman não ser o protagonista desta série, lembrem-se que ele tornou-se tão top que ganhou o direito de estrelar o seu próprio animê.
Ramenman é, além de tudo, o lutador mais incrível do politicamente incorreto universo Kinnikuman, com seu estereótipos negativos (alemão nazista) ou positivos (inglês cortês).
O lutador representante da China ganha a simpatia do público facilmente, ele é impiedoso no princípio, como quando assassinou a sangue frio o perverso Choujin Nazista Brockeman, mas com o tempo revela lutar com honra acima de tudo. Foi graças a ele que Brocken Jr decide esquecer a vingança pra tornar-se um lutador melhor. E mesmo depois de ter o seu cérebro perfurado pelas garras metálicas do lutador e ciborgue soviético (e meu preferido) Warsman, consegue se recuperar e voltar ao ringue, sendo um grande exemplo de incentivo para todos os demais lutadores.
É principalmente sobre isto de que trata o mangá Kinnikuman: superação através da força e da verdadeira amizade.
E como bem disse o Chaves: "Um homem deve ser feioforte e formal!"



9º Lugar
Jotaro Kujo

O neto de Joseph Joestar e o maior dos heróis do infinito mangá Jojo's Bizarre Adventure.
O típico delinquente de bom coração dos animês que certamente inspirou tantos outros que vieram a seguir. Jotaro Kujo enfrentou desde vampiros imortais com a habilidade de parar o tempo a maníacos homicidas fetichistas por mãos e fanáticos religiosos com poderes de fazer Thanos repensar a sua divindade.
Jotaro e todo o arco 3 deste animê/mangá é o que as pessoas normalmente pensam quando se trata de Jojo's Bizarre Adventure. Reconhecido pela maioria dos fãs como o protagonista mais fodão absoluto da série, e certamente o seu mais popular. Enquanto Jonathan era um badass do tipo bonzinho e Joseph compensava sua fodiçe sendo meio pateta, Jotaro é puro, puro BADASS.
Mesmo quando não parece haver chances de vencer, Jotaro dá um jeito. Como quando enfrentou Alessi e, mesmo sendo transformado por este em uma criança de 7 anos, ainda chutou a bunda dele!

"Dio, você perdeu por uma razão, uma única simples razão: Você me deixou puto..."



8º Lugar
Spike Spiegel

Spike Spiegel é um dos principais elementos que fazem Cowboy Bebop tão divertido. Há muito poucos personagens que se definem de forma tão legal como Spike fez.
Cowboy Bebop já começa revolucionando com sua abertura inesquecível de puro 007 e sua trama envolvente com elementos de histórias policiais, suspense, sci-fi e comédia. Para tornar as coisas ainda melhores, cada personagem em Cowboy Bebop tem sua própria história, e mesmo com todas as histórias interessantes de seus companheiros, precisamos falar que está é a história de Spike.
Especificamente a história de Spike trata do seu passado como ex-integrante de um sindicato do crime. Ele traiu a máfia e foi caçado inclusive pela mulher que amava.
O fim de Spike é um dos momentos mais emblemáticos e inesquecíveis da história da animação. Ao mesmo tempo que você sente a sua dor e chora com a sua partida, ainda é capaz de admira-lo.



7º Lugar
Black Jack

O mangá Black Jack é de autoria de Osamu Tezuka, e isso por si só já traz ao personagem-título uma grande relevância ao mundo da ficção.
Black Jack é um cirurgião brilhante e arrogante que vive à margem da respeitabilidade enquanto oferece seus serviços de técnicas avançadíssimas de cirurgia que beiram o misticismo a todos os desesperados desenganados pelos médicos comuns e dispostos a pagarem qualquer quantia para receberem o tratamento de um praticante inflexivelmente não licenciado.
Além de seu grande carisma, Black Jack é genial, cruel, estranhamente carinhoso e muito mais do que um pouco macabro, suscetível a empatia intensa e insensibilidade absoluta.
Ele é tão durão que conseguiu transformar um cistoma (o vulgo tumor) em uma criança, que veio a tornar-se a sua assistente Pinoko. Sem falar que uma vez chegou a operar a si mesmo, e, como ele logicamente precisava estar acordado para a realização desta cirurgia, a fez sem anestesia!
Black Jack poderia ser interpretado de muitas maneiras diferentes: como uma crítica obscura ao estabelecimento médico, como o conto de um homem enigmático e o mundo que gira em torno dele, ou talvez até mesmo como um conto estilo X-Files.
O Doutor House voltaria para a faculdade se o conhecesse.



6º Lugar
Akira Fudo

Akira Fudo é o herói da humanidade, o primeiro humano que foi capaz de dominar o demônio que tentou possuí-lo, tornando-se o Devilman. Ele quer matar os demônios que invadem a Terra, para proteger as vidas humanas, mas principalmente pela a emoção da violência e das batalhas.
"A única maneira de matar um demônio é tornar-se um demônio!"
Akira é um garoto pacato, embora fortemente moral e totalmente disposto a defender o que ele acha que é certo. Ele é muito rapidamente convencido de que a única maneira de salvar o mundo é convidar um bando de esquisitos para uma casa com seu amigo Ryo, e lá participarem de um evento hedonista dominado por drogas, sexo e violência (e luzes de discoteca), o ambiente escolhido para atrair os demônios e ser possuído por um deles. E se isso já parece absolutamente insano, acredite, é apenas o começo.
Por ter um coração puro, Akira dominou o demônio que queria controla-lo. Ele começa como um bem típico herói de animê, e, eventualmente, torna-se mais de que um monstro, tanto fisicamente como em termos de conduta. E tristes são os acontecimentos da sua saga, quando em um momento, Akira começa a se questionar sobre a validade de seus esforços e se a raça humana realmente merece ser salva.
Mais uma obra revolucionária do gênio Go Nagai.



5º Lugar
Shotaro Kaneda

Um dos mais conhecidos e marcantes personagens desta lista, assim como a animação da qual faz parte. Akira é uma das maiores obras-primas do mundo dos desenhos animados.
Kaneda é um personagem icônico, e não há muito o que dizer sobre isso. Marcante desde o seu visual, sua atitude e personalidade, típico delinquente juvenil, líder de uma gangue e um punk arruaceiro.
Com as suas características, Kaneda seria visto de imediato, na melhor das hipóteses, como um vilão ou antagonista de animê, mas ele é lembrado como um dos maiores heróis de todos os tempos. Ele tem um humor ácido, atitude decidida, galante e safadão, mas ainda um tremendo senso de responsabilidade e companheirismo, nunca abandona um amigo, não importando o quão complicada possa parecer a situação. Foi assim com Tetsuo, o verdadeiro antagonista de Akira, seu maior rival e, ironicamente, amigo.
Ninguém pode ser considerado um fã de animês sem ter visto Akira, a mais incrível animação já concebida na terra do sol nascente.



4º Lugar
Guts

Guts é uma grande montanha de pura coragem e fúria, ele fatia impiedosamente os seus inimigos com a sua espada gigante e ainda tem uma balestra no braço. Sua aparência física por si só garante-lhe um lugar nesta lista, mas, claro, isso é só o começo.
Ele lutou contra demônios e venceu (facilmente, em alguns casos), desempenhou um papel-chave em maciças revoltas políticas, devotadamente seguindo um louco megalomaníaco, mas em seguida terminou abandonando o antigo exército para prosseguir com seu próprio caminho viril e assassino.
Na sua essência, o animê/mangá Berserk é uma história de dedicação, de conflitos e determinação pessoal. Sentimentos.
Guts consegue superar um bilhão de situações complicadas, mas o que você vai se lembrar dele na maioria das vezes é o louco, com dentes-cerrados, dominado pela ira em batalha. Este homem é regado a sangue com mais frequência do que com a água.



3º Lugar
Capitão Harlock

Capitão Harlock é um pirata espacial criado por Leiji Matsumoto, isso é certo. O resto é um pouco nebuloso.
O comandante do navio de guerra Arcadia é a prova da "imortalidade" dos personagens mais marcantes de todos os desenhos animados. Com seus companheiros piratas espaciais viaja livremente pelo espaço para proteger a Terra de invasores alienígenas e libertar os oprimidos dos governos opressores (que podem ou não ser também invasores alienígenas, dependendo do animê).
Pouco mais pode ser dito. O Capitão Harlock estará sempre buscando levar a justiça para todos os seres humanos e aqueles que também procuram pela paz e pela justiça. Ele é o arquétipo de herói romântico com uma filosofia individualista da vida. É tão nobre como é taciturno, rebelde, estoicamente lutando contra os regimes totalitários, sejam estes nascidos na Terra ou alienígenas. Em suas próprias palavras, ele "luta pelo amor de ninguém... apenas por algo profundo no coração". E não teme a morte.
Harlock é realmente um grande homem.



2º Lugar
Joe Yabuki

Joe Yabuki é um boxeador profissional, protagonista da inspiradora obra Ashita no Joe.
Vivendo nas ruas como um órfão, ele dedica sua vida ao boxe depois de uma temporada na prisão. Ele é rude e raivoso, mas vem a se importar profundamente com seus amigos ao longo do tempo.
O que faz de Joe um personagem tão marcante? Nosso herói pode ser o pior idiota que você já viu, mas Joe Yabuki é surpreendentemente real e seu desenvolvimento como um homem é incrível, totalmente fora de série. Às vezes você torce por Joe, outras vezes tem pena dele, e grande parte do tempo você quer vê-lo em combate, seja para esmurrar alguém ou porque às vezes ele também mereça beijar a lona.
Com tendência Joe enfrenta momentos difíceis no ringue, mas sempre volta a se erguer. E esta é a mensagem principal desta história do lutador de sangue quente: voltar a levantar depois de cada queda, o que torna o boxe em si uma metáfora perfeita para a vida.
Danpei, o ex-boxeador que treina Joe, tem esperanças e sonhos lunáticos, que mostram nenhuma chance de realização. Antes de conhecer Joe, ele viveu como um bêbado nas favelas, mas o objetivo de ver aquele rapaz se tornar um boxeador de classe mundial o fez mudar de vida. Sua perseverança é incrível considerando a extrema resistência de Joe.
Simplesmente todos devem assistir a jornada deste herói, de um andarilho sem esperanças e sonhos para um homem com algo que vale a pena lutar!



1º Lugar
Kenshiro

Kenshiro é o clássico herói shonen completo, com músculos intermináveis, cicatrizes, carrancudo e as maiores sobrancelhas que você já viu em um rosto humano. Em uma cena particularmente incrível no filme animado de Hokuto no Ken, Kenshiro sai da cama e a cama então explode!
Está certo. Este homem cria força terrível o suficiente por explodir qualquer coisa em mil pedaços apenas com um toque. Provavelmente por medo.
Se alguém der um soco em Kenshiro, esse alguém também vai explodir. Kenshiro não precisa ligar o registro para tomar banho, ele só olha feio para o chuveiro e este chora de medo. Sua conta com jaquetas deve ser absurda, já que elas sempre se rasgam quando ele flexiona seus músculos. Costuma fazer a sua barba usando uma das facas do Rambo. E destrói tanques de guerra na base de Hondhouse kicks.
Ao contrário do que possa parecer, Kenshiro é um cruzado da justiça e luta pelos sorrisos das crianças, e ele quer garantir um futuro melhor para todos os fracos e desamparados em um mundo pós-apocalíptico onde somente os mais fortes sobrevivem.
Eu acredito que Kenshiro seja quase um anti-Geist (veja na menção especial abaixo). Mesmo que ele ainda seja um monte de músculos em uma missão, esta não é realmente aquilo o que mais importa, são os seus valores e as lições sobre honra, bondade e sacrifício que transmite para todos nós. Um ícone máximo da masculinidade no qual muitos jovens deveriam se inspirar.
É difícil imaginar alguém mais estoico. Exceto, talvez....



O MAIOR CABRA MACHO DOS ANIMÊS
Duke Togo

Puta merda. Esse cara é muito foda! Duke Togo, também conhecido como Golgo 13, fala pouco, mas é o melhor naquilo que faz. É um assassino profissional que nunca falha em atingir o seu alvo. Na verdade, o seu talento para o seu trabalho faz fronteira com o sobrenatural - uma ideia que é, incrivelmente, explorada no mangá!
Ele pode ser considerado um James Bond japonês... Quero dizer, um James Bond se este fosse um assassino insano,  sem nenhum remorso, charme zero e com um rosto sem emoções.
Ele é, sem exageros, o maior exemplo de masculinidade e virilidade da história da ficção, considerado a idealização do herói shonen viril, violento, mas misterioso. Quando não o vemos em ação, cumprindo algum contrato para estourar os miolos de algum filadaputa que mereça, volta e meia podemos vê-lo na cama com mulheres incrivelmente maravilhosas, totalmente tomadas de prazer sexual.
Togo é infalível, imbatível e impiedoso. Não é preciso tentar compreende-lo, da mesma forma que um furacão não se importa com o que você pensa.
Sua frase mais pronunciada no mangá é "..." e sua expressão facial raramente (ou nunca) muda. Golgo 13 é impressionante em tudo. Isto é o que faz dele o número 1: ele é o melhor, e ele não se importa com o que pensamos.



Menção Especial
M. D. Geist

Geist é um mercenário do futuro que foi morto (??), apenas para acordar um pouco mais tarde e matar todos em torno dele por algum motivo. De acordo com o (mal) texto expositivo nas cenas de abertura da sua animação, Geist possui uma capacidade de luta super-humana. Se você ainda não está convencido, você é um idiota.
Este personagem é tão fodão e macho quanto o Kenshiro, mas este é, como já dito, um "anti-Geist". Ele é aparentemente apenas motivado para fazer a coisa mais violenta e absurda possível em todos os momentos. Por que ele aparece apenas como uma menção especial? O problema não é o personagem, que é do caralho, o caso é que você sentirá que o seu animê pode ter sido escrito por um misógino de 14 anos de idade e com danos cerebrais. Infelizmente, porque M. D. Geist tinha muito potencial.
Geist é um homem que não muda suas decisões, não importa o quão razoável poderia ser.


Logicamente a lista poderia ser muito maior, é bem mais fácil do que parece encontrar memoráveis heróis da masculinidade nos animês, ainda mais agora que os grandes nomes do passado estão retornando. E com certeza (acredito eu) ainda há mulheres que apreciam homens com atitude de homem.

Aprovado por Segata Sanshiro!

sexta-feira, 3 de julho de 2015

ESTUPRO: O ETERNO TABU DAS OBRAS DE FICÇÃO


Demorei muito para escrever algo sobre o assunto. Foi quando lembrei da grande polêmica que foi causada pela publicação da capa da revista Batgirl na arte do brasileiro Rafael Albuquerque. A capa em questão foi cancelada e houve muitos protestos e acusações de que a DC Comics estaria glorificando a violência sexual contra a mulher.
Analisando a ilustração (que você pode ver no início desta postagem), podemos facilmente perceber que ela faz uma referência direta ao clássico A Piada Mortal, de Alan Moore.
Em A Piada Mortal, vemos o vilão Coringa invadir a casa da família Gordon, atirar em Barbara/Batgirl (condenando-a a uma cadeira de rodas), para então despi-la e tirar fotografias, e em seguida, utilizando de uma cruel tortura psicológica (que  incluiu o uso destas fotografias) tenta conduzir o Comissário Gordon, o pai da garota, à loucura dentro de um circo de aberrações.
Dependendo de como você escolhe interpretar a história e as fotografias, você poderia argumentar que Barbara também fora agredida sexualmente. Você pode acreditar quando Alan Moore afirmou que ele não estava tentando sugerir uma agressão sexual, mas a forma visual daquela violência abre espaço para muitas interpretações obscuras. Aquele ato poderia ser qualificado como abuso sexual.

"A Piada Mortal", de Alan Moore
Com isso em mente, a ilustração da capa da revista da Batgirl pode facilmente assumir um subtexto sexual indesejado. O Coringa está segurando Barbara contra sua vontade. Ele está acariciando seus lábios. Ela não pode lutar ou resistir. Ela está apenas presa, indefesa, e tão aterrorizada que pode apenas chorar. A posição da pistola do Coringa entre os seios da moça pode até mesmo ser interpretada como uma imagem fálica. Eu não vou nem dizer se eu concordo plenamente com esta leitura da capa porque isso não é importante. O ponto é que esses elementos estão lá e muitos leitores interpretaram a capa como sexual. A capa gera esse subtexto sexual de uma forma que provavelmente não se caracterizaria para quaisquer outros dois personagens do Universo DC.

"After Rafael Albuquerque"
Caso em questão, esta imagem acima feita por um fã, como forma de protesto contra a ilustração de Rafael Albuquerque, e esteve disponível na rede pouco tempo depois.
Foi concebida como uma forma de mostrar um herói masculino na mesma posição de impotência de Batgirl na polêmica capa. Mas eu acho que isso prova que a história entre a Batgirl e o Coringa é o que faz o desenho de Albuquerque inquietante. Não há nada de sexual sobre o relacionamento de Superman e Apocalipse. Os dois têm uma história de se espancarem até a morte, e é só isso. Assim, o efeito de ver o Apocalipse passar um batom na boca de um choroso Superman é mais bizarro ou cômico do que qualquer outra coisa. Pois é, o autor do desenho de protesto quis chocar para nos conscientizar sobre a "cultura do estupro", mas o máximo que conseguiu foi nos fazer dar umas boas gargalhadas.

A Piada Mortal é influente e também veio para redefinir a história da Batgirl. Trata-se de uma tragédia persistente a qual ela não consegue escapar, mesmo depois de sua recuperação e retorno ao dever. Nos anos seguintes, investiu-se pesadamente com Barbara e, acima de tudo, a revista tem sido uma metáfora sobre superação do trauma, e houve um esforço claro e concentrado para finalmente mover a Batgirl para longe da sombra de A Piada Mortal. Esta representação da heroína foi muito positiva e motivacional, e estimulou muitas jovens, que infelizmente passaram pelo mesmo drama, a se superarem. A nova identidade de Barbara Gordon, Oráculo, era uma verdadeira metáfora sobre superação, e infelizmente não a vemos mais em os Novos 52 e nesta "Era do mimimi".

Lembro que o crime do estupro era algo muito comum nos filmes dos anos de 1980. Se você é fã de Charles Bronson, pode muito bem saber do que estou falando. Claro que o estupro também poderia aparecer em alguns filmes como um recurso apelativo e estúpido, apenas servindo para mover a trama, dando uma motivação para o herói caçar alucinadamente o vilão.
Há muitos casos que ocorreram também nos quadrinhos. Alguns destes são tão subjetivos que muitos dos leitores podem jurar que não aconteceram.


Miss Marvel

O maior/pior caso de estupro foi sem dúvidas o da Miss Marvel.
Na minha opinião, uma verdadeira atrocidade. Uma das piores coisas já feitas pela Marvel Comics.
No fim dos anos de 1970, Carol Danvers, a Miss Marvel, tornara-se uma das principais personagens femininas da sua editora. E a dita história foi o que arruinou tudo isto.

Miss Marvel fica misteriosamente grávida e dá a luz a um bebê chamado Marcus que cresce instantaneamente. Depois é revelado que ele controlou a mente, "seduziu" a sua própria mãe, e a engravidou.
Basicamente Marcus era um viajante do tempo e voltou ao passado para engravidar a própria mãe. E após tudo isso eles foram ao espaço.
Para finalizar, quando Carol partiu com Marcus, os Vingadores mandaram lembranças e desejos de boa sorte ao novo casal. E Marcus até mesmo revela ao Homem de Ferro e ao Gavião Arqueiro que teve "ajuda" de um aparelho que controlava mentes para conseguir "uma mulher daquelas", e no fim todos riem e nenhum dos Vingadores acha a situação estranha! Como é possível que uma história tão obscura, com um roteiro desses, tenha sido aprovada e publicada?

Chris Claremont salvou Os Vingadores.

A história toda foi "concertada" quando Chris Claremont ajeitou a trama em Fabulosos X-Men, com direito a um belíssimo discurso de Carol para os Vingadores, confrontando-os por terem falhado com ela, e esperando que este erro ajudasse outras pessoas.
Eventualmente a Marvel, na tentativa de esconder isso, criou o ataque da Vampira a Miss Marvel para deixa-la em coma e longe da ira das feministas.
Imagino que estes dados podem ser um tanto chocantes para aqueles que foram conhecer a personagem Vampira por causa daquele desenho animado dos X-Men da década de 1990. E pensar que todo aquele lance da personagem ganhar os poderes da Miss Marvel (vôo, super-força, sentidos Kree) surgiu como um recurso para tirar Carol Danvers de cena.

Vampira, Fabulosos X-Men #236.
E isto nos leva agora a falar de um outro polêmico caso que foi o estupro da Vampira em Genosha.
Vampira, uma personagem cujos poderes a proíbem de tocar as pessoas, inesperadamente perde esses poderes e subitamente é estuprada na prisão. E mesmo que a Marvel sempre fale de forma subjetiva e alguns leitores contestem, no texto de Chris Claremont há claras evidências de que a tragédia tenha acontecido.

Estupro não é um assunto fácil. É algo que pode destruir a vida de uma pessoa, acontece muitas vezes na realidade, e assim não é surpreendente que apareça também na ficção.
Fushigi Yuugi, de Yuu Watase, foi um shojo mangá popular dos anos de 1990 e ele retratava várias tentativas de estupro a uma taxa de proporções infames.
A heroína desta história é Miaka, uma colegial de 15 anos, que é sugada para dentro de um mundo mágico contido dentro de um antigo livro chinês. E ela começa a viver a lenda escrita naquela história, transformando-se em "Susaku No Miko", a sacerdotisa do deus Suzaku, e encarregando-se de reunir os sete guerreiros celestiais, cujos destinos são proteger e ajudar a sacerdotisa de seu país. Com os guerreiros reunidos, ela pode invocar, através de uma cerimônia, o seu deus que poderá realizar os seus mais grandiosos desejos.

Miaka "Susaku No Miko" e Yui "Seiryu No Miko",
mangá Fushigi Yuugi.
As coisas ficam complicadas quando Yui, uma amiga de infância de Miaka, também é sugada pelo livro mágico e converte-se na sacerdotisa de Seiryu, o deus de um país vizinho inimigo. Este país é extremamente imperialista e, com seus próprios guerreiros celestiais, tem planos para impedir Miaka e seus companheiros.
Aqui é onde nós alcançamos o ponto problemático. Há uma série de maneiras de sabotar as tentativas do outro lado invocar seu deus e realizar os seus desejos. Uma destas maneiras seria livrar-se da sacerdotisa. Isso poderia significar apenas matá-la, e a série certamente emprega isto de várias formas, mas os vilões do mangá podem utilizar uma outra tática mais obscura. A sacerdotisa deve ser pura, ou seja, virgem, para realizar a cerimônia que convoca o seu respectivo deus. Portanto, muitos dos inimigos de Miaka vão tentar estuprá-la.

Muitos podem argumentar que em tempos de guerra o estupro é tristemente comum e se você adicionar o fator de que o estupro pode ser usado para impedir o seu inimigo de alcançar seus objetivos, faz sentido que ele seja utilizado em Fushigi Yuugi. Mas isso acaba sendo incrivelmente apelativo durante a série. E em quase todas essas tentativas, Miaka é a vítima. É tão ruim que um fã de Fushigi Yuugi pode tranquilamente questionar: "Quem nunca tentou estuprar Miaka?"
Na minha opinião, o número de tentativas de estupro na série sugere um problema. Começa a parecer ridículo, e como resultado qualquer discussão séria sobre agressão sexual dentro da história torna-se quase impossível. A forma como o enredo é trabalhado, a exploração real do problema da violência sexual e seus efeitos são nulas e o estupro funciona mais para criar um drama barato, assim como os filmes de terror que recorrem frequentemente a tragédia do assassinato em um enigmático banho de sangue.

Mas há momentos em que a série tenta tocar nesses efeitos. Quando Yui e Miaka acreditam ter sido estupradas, ambas parecem desenvolver transtorno de estresse pós-traumático, uma experiência que às vezes também afeta seu relacionamento com os outros. Mas as personagens parecem estar chateadas com isso apenas no momento, e logo se recuperam do trauma como se nada tivesse acontecido, isto é, até a próxima tentativa de estupro. Na verdade, os únicos momentos em que elas parecem sofrer um efeito é quando acreditam que o estupro tenha sido concluído. Caso contrário, a tentativa de estupro é posta de lado, desde que a relação sexual não tenha sido concluída.
Embora Fushigi Yuugi seja uma leitura leve, se as heroínas não são agredidas sexualmente, eu acredito que os escritores deveriam comprometer-se em aprofundar os efeitos do estupro através de um personagem que tenha sido vítima em vez de recuar no último momento. O grande problema com este enredo é que mais de uma vez parece ser sugerido que, enquanto a pessoa não tenha realmente sofrido a agressão, está tudo bem.
Ainda que tenha sido pouco explorado neste mangá, somos apresentados ao caso de Nakago.

O passado de Nakago.
O vilão da história Nakago, um dos sete guerreiros celestes de Seiryu, era extremamente cruel e frio, mas dotado de um forte carisma. Um personagem interessante, mas ele também chegou a tentar agredir Miaka sexualmente (Com poderes de fazer inveja a Jean Grey, ele poderia facilmente matar a heroína, mas preferiu tentar tirar a sua virgindade). Nakago só não concluiu o ato porque Miaka foi salva graças aos seus poderes de Miko e porque o vilão recuou ao se ver na sua própria inimiga.

Sim, no final da história descobrimos que Nakago fora estuprado, e o seu caso é ainda mais dramático, envolvendo pedofilia, pois quando isso ocorrera ele ainda era uma criança!
Após ver sua mãe ser estuprada e morta pelos soldados do seu país que exterminaram todo o seu clã, ele foi "adotado" pelo próprio imperador, que o transformou em um "brinquedo sexual". Nakago cresceu no palácio real e, sob a proteção do rei, tornou-se um soldado e líder do exército daquele país, mas secretamente arquitetou a sua vingança contra o homem que o molestara durante toda a sua infância e matara a sua família.

Nakago: "Você massacrou a minha tribo. Agora você vai sentir a
 agonia que infligiu."
Os efeitos daquele trauma eram bem visíveis em Nakago, a experiência mexeu com a sua personalidade. Além da crueldade e falta de escrúpulos, era incrivelmente sarcástico com todos, aliados ou inimigos ("Você me excita, quase tanto quanto uma mulher"), e era incapaz de amar, isto é, até que sua aliada Soi se sacrificou por ele na guerra.
Soi era uma guerreira celeste de Seiryu com poderes sobre o clima, foi uma ex-prostituta que tornou-se guerreira, tendo sido vendida para um bordel pelos próprios pais quando criança. Foi Nakago quem a tirou daquela vida de sofrimentos e por isso Soi apaixonou-se por seu salvador. Será que todos os vilões de Fushigi Yuugi foram prostitutas?

Já repararam como homens sendo estuprados quase sempre é encarado como uma piada? Tipo em filmes de comédia escrachada? Será que tal experiência não seria igualmente traumática para um homem? Onde fica a "igualdade de sexos" numa hora dessas? Se uma mulher acusa alguém de estuprá-la, ela certamente será ouvida e levada a sério, mas caso um homem se queixe de estupro, ele ouvirá simplesmente que "não foi homem o suficiente".

O Homem-Purpura e Jessica Jones
Voltando a ficção, existem alguns casos em que este tipo de violência foi utilizada para montar uma história, sem que este tema fosse o foco dela. Como foi o caso da Jessica Jones de Brian Bendis, também na Marvel.
Jessica é apresentada nesta história como uma ex-super-heroína que, embora fracassada, era também incrivelmente carismática. Durante toda a série é colocado um ar de mistério sobre o motivo pelo qual ela deixara de ser super-heroína, algo de terrível havia acontecido.
Então descobrimos que ela fora violentada pelo Homem-Purpura. Este, apesar de não ser um nome de peso dentro da ampla galeria de vilões da Marvel, é muito lembrado por ser um estuprador.
Mas o mais surpreendente nesta história foi que o Homem-Purpura jamais encostou em Jessica. Com seus poderes de controlar a vontade das pessoas, ele apenas fez com que a heroína o desejasse mais do que tudo na vida, e assim a torturava, obrigando-a a vê-lo transando com outras mulheres. Depois disso, ainda teve um rolo com o Homem-Purpura a controlando para matar o Demolidor, quando acabou fracassando. Jessica não teve seu corpo violado, mas sim a sua mente.

O outro caso relevante foi o estupro de Guts, na série de mangás de Berserk. Quando ainda era uma criança de apenas nove anos, vivendo com um grupo de mercenários, Guts foi violentado de várias formas, inclusive sexualmente. Ele foi vendido pelo pai adotivo que o odiava para uma noite de sexo com um notório pederasta de um outro exército.


Guts

O protagonista de Berserk era pequeno e fraco, e apesar daquela cena aparecer em apenas um quadrinho, foi o acontecimento que moldou o personagem. Guts odeia ser tocado, não confia nas pessoas, mesmo naquelas a quem salva, e não quer ter nenhum tipo de relação. Mas quem poderia pensar de outra forma, combatendo diariamente monstros e demônios que querem te matar e te foder em todos os sentidos?
Triste foi quando Guts finalmente fez um grupo de amigos em quem poderia confiar, mas o líder deles o traiu, permitindo que todos fossem mortos por um grupo de demônios e ainda violentou a mulher que ele amava na sua frente, o que fez as terríveis memórias de seu passado retornarem! A nova experiência traumática faz Guts tornar-se mais recluso e desconfiado.
Guts pode ser um dos caras mais machos de todos os animês e mangás e ainda um incrível espadachim e matador, mas continua traumatizado pela experiência. A profundidade da personalidade de Guts é uma das mais incríveis.

E finalmente chegamos ao caso de MW, mangá do final dos anos de 1970 de autoria de Osamu Tezuka, um drama psicológico de assassinato e guerra química. Os personagens principais, Garai e Michio Yuki, estão envolvidos em um relacionamento sexual de longo prazo que termina em drama e desgosto quando Yuki, infectado pelo gás venenoso MW, transforma-se em um assassino psicopata.


Na mesma noite em que aconteceu a liberação acidental do MW, Yuki, ainda criança, foi estuprado por Garai, quando se escondiam em uma caverna da Ilha Okino Mafune.

Yuki  e Sumiko, mangá MW.
O relacionamento dos dois é certamente tumultuado. Com um grave complexo de culpa, Garai torna-se um religioso como compensação por seus erros passados e deseja mais do que tudo salvar Yuki daquela vida de crimes horríveis. Garai é para Yuki, além de seu confidente, o seu amante. Existem casos registrados pela psicologia em que vítimas de abuso sexual se apaixonam por seus próprios agressores. Há por exemplo neste próprio mangá o episódio em que a jovem Sumiko apaixona-se por Garai, e Yuki, enlouquecido pelo ciúme, a viola. Mas a pobre moça, muito fraca e abalada mentalmente, com o tempo relevou desejo de casar-se com Yuki.

MW é um trabalho que examina a condição humana e a psicologia por trás daqueles que matam e as pessoas que as protegem. Também é uma violenta crítica ao servilismo do Japão aos EUA e a indústria bélica.




A dicotomia de bem e mal, são e insano, entre Garai e Yuki é evidente em MW. Incluído também está o conceito do inferno como este lugar de represálias. Yuki por exemplo é constantemente comparado ao demônio. Ele tornou-se um inimigo do governo, um bissexual sádico capaz de qualquer coisa para realizar seus objetivos, mesmo que isto inclua estuprar homens e mulheres. As noções sobre o inferno e vida após a morte no xintoísmo são semelhantes aquelas às quais os ocidentais estão acostumados, mas o inferno parece muito mais real e menos cerebral.
Garai fala constantemente de retribuição por seus pecados e pelos pecados de Yuki a partir de uma perspectiva japonesa, algo que você não vê frequentemente tão bem feito. O Dr. Tezuka fez claramente sua pesquisa sobre religiões.

O tormento de Garai.

No final, no entanto, as linhas entre estas duas forças em conflito, sejam elas quais forem, estão constantemente embaçadas. Embora os dois personagens sejam claramente dois lados da uma mesma moeda, a diferença entre eles torna-se mais turva na última metade da história quando Garai em vários momentos faz coisas questionavelmente morais a mando de Yuki. No raciocínio do próprio Garai, ele está apenas tentando salvar Yuki.

In Hell: "Não deixe que transformem você em algo que não é."
Estupro ainda é um tabu nas obras de ficção. Um crime hediondo, porém encarado por muitos como um ato extremamente horrível apenas quando entre um homem e uma mulher, e estranhamente sendo permitido e considerado tema para piadas quando entre pessoas do mesmo sexo. Com relação ao assunto há um pesadíssimo e violento filme In Hell, com Jean-Claude Van Damme, que retrata a assustadora realidade do estupro nos presídios. O homicídio muitas vezes também é usado nas histórias ficcionais de uma forma forçada e estúpida, e o estrupo quando usado do mesmo modo é ainda pior.