segunda-feira, 26 de abril de 2021

QUEM SÃO MITSUMASA KIDO, OS SEUS FILHOS E AS SUAS AMANTES?


Mitsumasa Kido, uma pessoa que, como todos sabem, morreu de forma natural em uma idade avançada, cumprindo uma difícil tarefa solicitada pelo moribundo cavaleiro de ouro Aiolos de Sagitário de proteger e cuidar da sua própria armadura de ouro e da pequena Saori, a reencarnação da deusa Athena no século XX. Criada pelo velho multimilionário e adotada como sua neta, a criança divina cresceu e veio a herdar toda a sua fortuna... 


Os últimos momentos de Mitsumasa
Kido, no mangá Saintia Sho.

Até aí tudo bem. 
Um homem respeitável, bom e com muito valor e coragem, mas seu passado pode condená-lo em alguns pontos.


Como vemos na imagem acima, vestido elegantemente como o magnata japonês que era, em uma idade aparente talvez entre os 50 e 60 anos, este homem, vejam bem, já havia se envolvido com quase 99 mulheres, algumas delas jovens e muito belas como Natassia, a mãe de Hyoga, as quais todas ele engravidou!

 
Já em idade avançada, quando Kido recebeu Athena a pedido de Aiolos já em seus últimos momentos vida, naquele momento, este homem teria quase 100 filhos, aos quais ele enviaria para todas as partes do mundo a fim destes se converterem em cavaleiros de Athena!


O velho Kido, em suas viagens por diversos países do mundo, teve relações com quase 99 mulheres, e embuchou todas estas que lhe deram 100 filhos. Parece que estou me repetindo muito, mas é inevitável, visto o quão espantoso é tal feito para este homem aparentemente comum (Seria mesmo apenas um homem comum?). Podemos dizer que foram 99 mulheres porque até onde sabemos apenas Ikki e Shun são filhos do mesmo pai e da mesma mãe. 

 
O caso de Seiya e de sua irmã Seika é diferente, porque o mangá nunca disse que esta última era também filha de Kido. Além do mais, quando se fala que os filhos deste homem foram enviados para se converterem em cavaleiros de Athena, a irmã de Seiya nunca foi incluída. Do contrário teria sido incluída entre os 100 filhos de Kido e enviada para obter uma armadura, coisa que não acontece. Assim, presumimos que Seika não seja filha de Kido, sendo apenas uma meia-irmã de Seiya, com quem compartilha apenas a mesma mãe.


Então, atentando apenas ao mangá original, excluindo Seika, podemos concluir que Kido envolveu-se com cerca de 99 mulheres. Porém, se Seika for sua filha, poderíamos reduzir este número para 98. Percebem aonde estamos chegando agora? Estamos calculando o número de mulheres que tiveram relações sexuais com este homem.
Seguindo com o tema, o mais correto é que Kido teve relações com 99 mulheres com quem teve 100 filhos, como revela o mangá. Excluindo Seika, de acordo com a interpretação do mangá, vemos também que todos estes 100 filhos eram homens!


Sabemos que os 100 filhos foram chamados a viver como órfãos em uma instituição fundada pelo próprio Kido. O único que veio a conhecer a sua mãe fora Hyoga. Todos os demais são órfãos que nunca conheceram suas mães e sequer imaginavam ter uma família. 

O orfanato em questão poderia ser confundido com um "Campo de Concentração" visto as condições como as crianças viviam: cercas eletrificadas circundavam a localidade, os órfãos eram literalmente privados da liberdade e submetidos, não raro, à castigos físicos e psicológicos em casos de desobediência/insubordinação. Seiya foi separado de sua irmã Seika de uma forma extremamente traumática, enquanto Ikki foi pendurado e surrado com canos de metal pelos mordomos de Kido por ter tentado fugir para impedir que Shun fosse enviado para a infernal Ilha de Andrômeda e tudo isso após ficar inconsciente com o choque elétrico das cercas ao tentar deter a partida do seu irmão.

Destes 100 filhos, sobrevivem apenas 10, que conquistaram uma armadura de bronze, e são aqueles que vemos competir durante a Guerra Galáctica. Exatamente todos os jovens Cavaleiros de Bronze que quase se mataram lutando em um torneio sangrento transmitido para todas as TV's do mundo são irmãos, ou melhor, meios-irmãos, filhos de mesmo pai, porém de diferentes mães.


Curioso. Quando assistia ao animê quando criança, e desconhecia completamente as informações oficiais do mangá, eu sempre achei o Ikki é muito mais irmão do Seiya do que do Shun
Nunca reparou? O Ikki e o Seiya são idênticos! (Jabu também se parece um pouco com os dois). O que me faz crer que, quando jovem, Mitsumasa Kido deveria ter aparência semelhante a destes dois dos mais famosos Cavaleiros de Bronze.


E como nem Seiya, Ikki, Hyoga, Shiryu e Shun, nem nenhum dos outros Cavaleiros de Bronze se parecem de alguma forma com o Ichi, este deve ter puxado a mãe, o que me faz imaginar que Mitsumasa Kido deve ter bebido além da conta na noite em que o cavaleiro de Hidra foi concebido.


Hoje também há aqueles que teorizam que June de Camaleão, a única mulher entre os cavaleiros de Bronze, poderia ser também filha de Kido, o que faria June e Shun serem incestuosos, como Luke Skywalker e a princesa Lea (???). Mas esta é uma teoria tão absurda e sem cabimento quanto a reação de revolta de alguns fãs quando o mangá original revela que Marin não é irmã de Seiya.


Mas a pergunta que muitos realmente fazem, e uma das que mais geram discursões, é sobre quem foram as mães dos Cavaleiros de Bronze, ou melhor dizendo, o que teria acontecido a estas 99 mulheres que deram à luz aos 100 filhos de Kido. A mãe de Hyoga, como sabemos, morreu em um acidente, onde o barco em que viajava com seu filho naufragou. A mãe de Ikki e Shun, de acordo com uma história externa ao mangá produzida pela Toei, também morreu.


O que terá acontecido ao restante destas mulheres?
Teria sido ele, Kido, responsável por estes desaparecimentos para encobrir o seu passado?
Parece estranho que 99 mulheres relacionadas a um mesmo homem tenham deixado os seus filhos órfãos. Isto continua um mistério sem uma resposta muito clara, mas alguns fãs podem responder com algumas teorias.


Sabemos que Kido era um homem muito rico e poderoso. Ele poderia ter feito um trato com estas mulheres. Oferecendo-lhes uma grande quantidade de dinheiro para que ele se tornasse o único responsável por seus filhos e com a condição de que elas desaparecessem por completo de suas vidas, sem perguntar nem reclamar nada. Algumas talvez não aceitaram, como aconteceu com a mãe de Hyoga, decidindo cuidarem de seus filhos. Assim a Fundação de Kido encarregou-se de cuidar das demais crianças.
 
Outros fãs, entretanto, creem em outra teoria parecida, porém que tenha ocorrido do modo diferente. Supõem-se que todas estas mulheres criaram os seus filhos e até receberam dinheiro de Kido, porém, assim que este recebeu Athena e a missão de oferecer os seus filhos em sacrifício para se tornarem cavaleiros, encontrou cada uma destas mães e as convenceu de que seus filhos teriam um futuro melhor se fossem entregues aos seus cuidados.

A outra teoria que propõem muitos é que Kido era ZEUS! E de fato há muitos pontos parecidos nas histórias de ambos os personagens.

  
Por exemplo, segundo a mitologia grega, Zeus teve muitas aventuras amorosas com mulheres mortais e deusas com as quais teve muitos filhos. Muito semelhante a imagem que temos do velho Kido. Não acham surpreendente como um homem em idade avançada tenha sido capaz de seduzir e engravidar quase 100 mulheres?
Kido e Zeus, ambos são poderosos, muito ricos e influentes, um na Terra, e o outro rei do Olimpo.
Zeus é um deus grego. Kido, um aficionado pela cultura grega.
Um é pai de Athena. Outro, em um momento, foi pai adotivo de Saori, a reencarnação de Athena.
Enfim, por todas estas semelhanças, muitos creem que Kido é Zeus.

Esta teoria de que Mitsumasa Kido seria Zeus é uma das preferidas para aqueles que querem justificar o porquê dos 5 principais Cavaleiros de Bronze serem capazes de feitos tão incríveis, como derrotar Cavaleiros de Ouro e confrontar até mesmo outros deuses. Sendo filhos da reencarnação humana de Zeus, seriam Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki semideuses?

A minha opinião é que NÃO há evidenciais suficientes para afirmar que Kido e Zeus sejam a mesma pessoa, mas enfim...

Movendo por um momento o foco da postagem para os mais famosos filhos de Mitsumasa Kido, ou seja, os 5 Cavaleiros de Bronze principais e mais poderosos da série, disserto sobre algumas polêmicas envolvendo protagonismo, níveis de poder e preferências do autor e do público.
Com relação a preferencia dos fãs, ao menos no Japão, Seiya seria o menos popular dos Cavaleiros de Bronze principais. De acordo com o resultado da pesquisa de popularidade divulgada no volume 3 do mangá clássico teríamos: 1° - Shiryu (2396 votos), 2° Hyoga (1897 votos), 3° Shun (1760 votos), 4° Ikki (1619 votos) e 5° Seiya (1548 votos).
A exceção dos muitos protagonistas criados por Kurumada, Seiya perde popularidade em detrimento de Shriryu, Hyoga, Shun e Ikki. Uma situação similar a de um grupo de rock onde o cantor principal não é nada popular e o público ama unicamente aqueles que tocam a guitarra ou a bateria. 

 

O Taizen, já utilizado em duas situações neste blog, analisa características dos personagens que podem ser mais ou menos questionáveis, e de fato parecem mais apropriadas para um videogame, entretanto não analisa em profundidade a efetividade e a capacidade de ataque dos personagens, assim como a eficiência de suas técnicas. Estes dados não tomam em conta a determinação, a estratégia, a potência do cosmos ou a velocidade, por isso não podem servir como critério estrito de comparação entre personagens, são valores absolutos que pouco tem a ver com a realidade. Por exemplo, Seiya não tem a pontuação maior do que nenhum Cavaleiro de Ouro, entretanto, por um motivo ou outro, sempre acaba vencendo, e Mu de Áries e Afrodite de Peixes aparecem com a mesma pontuação, quando se demonstrou que as técnicas de Mu eram sumariamente efetivas contra Afrodite. Os critérios são generalistas e não se adequam ao contexto, portanto em batalhas reais não são aplicáveis. Mas vejamos o que o Taizen expõe sobre os 5 Cavaleiros de Bronze.

Com relação ao poder dos Cavaleiros de Bronze em geral, é notório que há uma certa complementariedade entre as três castas de cavaleiros. Os Cavaleiros de Ouro são os guardiões do Santuário, e os Cavaleiros de Prata são os responsáveis pelas missões externas ao Santuário, com o apoio dos Cavaleiros de Bronze e estes, devido a sua aparente falta de poder bruto, possuem em suas armaduras assessórios ou artefatos adicionais que não são comuns às demais castas de cavaleiros acima da sua categoria. E, de uma certa forma, estes assessórios funcionam como uma compensação para a falta de poder dos Cavaleiros de Bronze permitindo que estes auxiliem convenientemente os Cavaleiros de Prata em suas missões:

1) A armadura de Andrômeda (Shun) possui correntes virtuosas com propriedades incríveis, sendo capazes de se regenerar, estender-se infinitamente, gerar eletricidade e detectar o oponente mesmo que este esteja à anos luz de distância;
2) A armadura de Cisne (Hyoga) possui um efeito de congelamento ao tato, o que confere uma proteção extra ao seu usuário, ao ser difícil de ser tocado devido a sua baixa temperatura;
3) A armadura de Fênix (Ikki) é a única dentre as 88 armaduras que não necessita de reparação nem de revitalização com sangue humano, pois é capaz de ressuscitar por si mesma, ainda que seja reduzida a cinzas;
4) A armadura de Dragão (Shiryu) dispõe de um escudo e punho célebres com dureza extrema, maior do que a do carbono, que é o elemento mais duro conhecido;
5) A armadura de Pégaso (Seiya) é igual as outras de bronze, talvez seu destaque fique com as suas asas;
6) A armadura de Hydra (Ichi) contem garras venenosas e versáteis;
7) A amadura de Camaleão (June) inclui um chicote e eventuais habilidades de ocultação...

Diferente do que acontece com a versão animê de Saint Seiya, no mangá original os 5 principais Cavaleiros de Bronze são, desde o começo da história, quase tão fortes quanto os Cavaleiros de Prata! O Hyoga derrotou Babel de Centauro sem muito esforço, só para começar!

5 º Lugar com 14 de 25 pontos no Taizen: Hyoga de Cisne

Hyoga foi o Cavaleiro de Bronze com as vitórias mais fáceis no início do mangá. Além dele ter derrotado um cavaleiro de prata (Babel de Centauro) com extrema facilidade, era o único cavaleiro de bronze que teria alguma chance na luta contra Ikki. Para muitos Hyoga não só quase venceu Ikki, mas sim o venceu (!). O Cisne apenas perdeu aquela luta devido a ajuda do Cisne Negro, que antes de sua morte, foi capaz de enviar uma mensagem para o Fênix revelando para este o segredo do poder de Hyoga, e assim permitindo ao seu mestre vencer o seu oponente.

Na batalha das 12 Casas (O referencial usado para todos os outros Cavaleiros de Bronze da lista), Hyoga enfrenta Milo de Escorpião (o 5 º dourado na escala do Taizen) e seu mestre Camus de Aquário (o 9 º dourado na escala do Taizen).
Muitos dizem que Hyoga lutou de igual para igual com o Escorpião, mas foi Milo quem dominou a luta após a sua primeira Agulha Escarlate. Ao final do combate, Hyoga acabou tendo uma vitória no mínimo curiosa, ele estava caído no chão, inconsciente e sangrando efusivamente, e Milo estava de pé, surpreso pelo Cisne ter sido capaz de golpear seus 15 pontos vitais antes de tombar. O Escorpião então conclui: "Ele morreu, mas eu perdi a luta".
Certo, Milo teria morrido antes de Hyoga se não fosse a sua armadura de ouro, mas, supondo que o dourado morresse, quem salvaria a vida de Hyoga detendo o sangramento dele? Podemos considerar que a luta entre Hyoga e Milo terminou como um empate.

Já contra seu mestre Camus, Hyoga teve uma luta bem equilibrada do mangá, talvez a mais equilibrada de todas contra um dourado. E o resultado, mais uma vez poderíamos considerar como empate, mas, se considerarmos que o cavaleiro de Aquário ainda estava protegido por sua armadura durante a grande colisão final de poderes, o resultado da luta favoreceria mais a Hyoga.

4 º Lugar com 15 de 25 pontos no Taizen: Shun de Andrômeda

No início do mangá, Shun aparentava o mais poderoso dos Cavaleiros de Bronze. O cacete federal que Jabu de Unicórnio tonou do cavaleiro de Andrômeda durante a Guerra Galáctica deixou a todos boquiabertos e duvido haver uma humilhação maior do que esta em toda a história do mangá. As Correntes de Andrômeda pareciam invencíveis. Com a aparição de Ikki na história, contudo, a imagem de invencibilidade do personagem quase desapareceu completamente.

Nas 12 casas, tem enfrentamentos nas terceira e décima segunda casas e pode se dizer que Shun não esteve tão incrível nesta saga. Ele enfrentou Saga de Gêmeos (o 4 º ou 3 º dourado na escala Taizen), mas, e só não terminou derrotado, perdido para sempre na outra dimensão, graças a conveniente ajuda de Ikki.
Saga foi surpreendido pelo poder de Shun quando este voltou para o segundo round, mas não houve uma vitória absoluta do cavaleiro de Andrômeda e o dourado poderia continuar aquela luta se quisesse, mas optou por deixar o cavaleiro de bronze passar por sua casa de Gêmeos.

Depois de muito esperar por uma nova luta, Shun enfrenta Afrodite de Peixes (o 7 º dourado na escala Taizen) na luta mais emocionante das 12 Casas. 
O incrível é que Shun provavelmente nasceu com um poder tão absurdo que ele próprio não compreendia no início de tudo. Levando em conta que ele destruiu completamente a armadura de prata de seu mestre Daidalos de Cefeu, considerado um dos cavaleiros de prata mais poderosos, quando ainda mal havia aprendido a controlar o seu cosmo. Ele pode ter inconscientemente alcançado o sétimo sentido na época em que acabara de conquistar sua armadura!
Shun é o único cavaleiro de bronze que pode se gabar de realmente ter vencido um dourado por completo. Ele ainda ofereceu uma oportunidade para Afrodite desistir da luta, uma vez que não queria mata-lo, e foi isto o que permitiu que o cavaleiro de Peixes ainda golpeasse o seu coração com a Rosa Sangrenta. 
Poucos personagens seriam capazes de resistir a Tempestade Nebulosa, que cresce infinitamente mesmo quando o cosmo do seu usuário está muito baixo. Lembrem-se que o cavaleiro de Andrômeda, mesmo com o seu cosmo suprimido para 1% pelo poder de Sorento de Sirene, quase conseguiu uma vitória completa contra o general marina!



3 º Lugar com 15 de 25 pontos no Taizen: Shiryu de Dragão

O favorito de muitos fãs, desde o início tinha um grande diferencial com relação aos outros Cavaleiros de Bronze. "O mais santo dos santos de Bronze" era muito confiante de sua força no começo do animê/mangá, ao ponto inclusive de desprezar Seiya, mas a sua primeira derrota para o mesmo o faz mudar completamente de atitude. O Shiryu é o mais sangue-bom dos Cavaleiros de Bronze.
Sempre é o escolhido para de enfrentar oponentes mais difíceis, dramáticos e complicados para se vencer em todas as sagas, como o cavaleiro de prata Algol de Perseu, luta a responsável pelo amadurecimento de fato do personagem. Nas 12 Casas ele enfrenta Câncer e Capricórnio, dois dos Cavaleiros de Ouro mais difíceis de se confrontar.

Máscara da morte de Câncer (o 10 º  décimo dourado na escala Taizen) foi o primeiro cavaleiro de ouro a ser completamente derrotado por um cavaleiro de bronze, porém não nos esqueçamos que se não fosse pelas conveniente ajuda de Athena e pelas providenciais orações de Shunrei, o Dragão talvez poderia ter perdido.

Depois tem um enfrentamento com Shura de Capricórnio (o 8 º  oitavo dourado na escala Taizen), um oponente complicadíssimo, uma vez que mesmo o escudo de Shiryu é cortado pela Excalibur do cavaleiro de Capricórnio. 
Shiryu apela para vencer Shura, utilizando a técnica suicida do Último Dragão, que, segundo o Mestre Ancião, era poderosa o bastante para vencer qualquer oponente, ao preço da vida do seu usuário. Foi, portanto, um empate, mas se Shura, mesmo naquela situação (deixando a atmosfera da Terra junto com Shiryu), ainda foi capaz de proteger Shiryu com sua armadura de ouro, transferir o poder da Excalibur para o braço direito do Dragão e ainda era forte o bastante para enviar o seu oponente de volta para a Terra (exatamente para o mesmo lugar onde eles se enfrentaram), não seria o cavaleiro de Capricórnio capaz de se salvar não fosse a sua obrigação moral de salvar Shiryu? Podemos dizer que o final desta luta foi semelhante ao polêmico final da luta entre Ikki e Shaka.

2 º Lugar com 16 de 25 pontos no Taizen: Seiya de Pégaso

Muitos gostam de criticar um suposto protagonismo persente na série. Os maiores problemas da franquia, no entanto, estão muito mais presentes na versão animada, a mais conhecida e assesível para o público casual. 
Um dos grandes erros da série, inexistente na sua versão impressa, estão nas mudanças de personalidade dos Cavaleiros de Bronze. Seiya era o rebelde e o Hyoga o arrogante, apenas para exemplificar, e o animê do nada muda as personalidades deles. O mangá apenas vai acrescentando aos poucos novas camadas às personalidades do Cavaleiros de Bronze, como o complexo de Épido de Hyoga.

Mas voltando agora a Seiya. Na batalha das 12 Casas, ele enfrenta Touro (o 11 º dourado na escla Taizen), Leão (o 12 º na escala Taizen) e Gêmeos (o 4 º ou 3 º na escala Taizen).
Sua luta na casa de Touro contra Aldebaran nem foi uma luta de verdade. Por ter seu chifre dourado quebrado por Seiya, o Touro decide dar a vitória daquele confronto ao Pégaso, mas segundo Mu, Aldebaran poderia ter matado a todos os Cavaleiros de Bronze se quisesse. Como um desconto, levemos em conto que aquele foi a primeira vez que Seiya enfrentou um dourado sem qualquer tipo de ajuda.

Na casa de Leão, Aioria (controlado pelo Satã Imperial de Saga) massacrou o Pégaso, que acertou apenas dois golpes Leão durante toda a luta, dos quais um só serviu para deixa-lo ainda mais descontrolado e o segundo meio que o venceu (um vitória mais moral do que física) e Seiya precisou da ajuda de Cassius, porque do contrário...

Seiya se redimiu mais adiante enfrentado Saga de Gêmeos, no Salão do Grande Mestre. Apesar de ter sido derrotado (Afinal, quem poderia vencer o Saga?), Seiya teve uma luta até certo ponto equilibrada, e chegou a surpreender o cavaleiro de Gêmeos em alguns momentos.

1 º Lugar com 18 de 25 pontos no Taizen: Ikki de Fênix

O cavaleiro de bronze mais foda, e aquele com quem mais me identifico. Quando o Ikki luta, há 99% de chances de que ele vai vencer. Humilhou os Cavaleiros de Prata e tem técnicas super efetivas, é capaz de ilusões e ainda por cima é de certa forma quase "imortal".
Nas 12 Casas enfrenta os cavaleiros de Virgem e de Gêmeos, os dois mais apelões daquela geração de dourados. E sempre ficou clara que essa aparente superioridade do Ikki e do Shiryu vem mais do fato dos dois enfrentarem os mais complicados oponentes de cada uma das sagas que participaram.

Embora na casa de Virgem ele tenha empatado a luta com Shaka (o 3 º ou 4 º dourado na escala Taizen), esta luta poderia ter sido considerada uma derrota para o Fênix. O "cavaleiro de ouro mais próximo de deus" poderia ter escapado da outra dimensão, e, de acordo com a conversa que teve com Mu de Áries, só pediu a ajuda do mesmo porque também precisava salvar Ikki além de si mesmo.
Mas, claro, não estou desmerecendo o Fênix. Quem mais poderia ter feito Shaka de Virgem tremer de medo se não o mais velho dos Cavaleiros de Bronze?

Contra Saga de Gêmeos, o Fênix teve uma luta equilibrada e super-disputada. Devemos lembrar que sempre que renasce, Ikki aumenta o seu poder e isso contribui para que ele seja um oponente formidável em qualquer situação.


Uma hipótese de que esta teoria pode ser verdadeira é que a causa das mortes das mães de todos os órfãs da Fundação Kido possa ter sido obra de Hera, a esposa legítima de Zeus, que se encarregou de destruir todas aquelas mulheres como aconteceu na mitologia grega, onde ela é conhecida por sua natureza ciumenta e vingativa.
 
Creem que foi a deusa Hera quem esteve por trás do acidente marítimo que vitimou a mãe de Hyoga, assim como o desaparecimento de todas as suas rivais humanas, mas poupou os seus filhos porque isto poderia despertar a ira de seu poderoso esposo Zeus.
É uma teoria muito interessante, e muitos fãs a aprovam. Porém há um problema...

A especulação de que Kido possa ser Zeus já parece um rumor que veio a ser desmentido.
Há uma prova no mangá original. Uma cena em particular em que Kido, com Athena em seus braços, reza ao deus de Abraão, clamando respostas sobre o que fazer na situação em que se encontrava.
Então perguntamos: Se Kido era Zeus, por que estava se perguntado se deus estaria lhe impondo uma prova? Por que ele rezaria a outro deus? E ainda mais ao deus cristão? Dizendo coisas como: "Estaria deus impondo-me uma prova? Quer fazer comigo o que fez a Abraão?"

  
Enfim, estas coisas provariam que Kido era apenas um homem "comum". É pouco provável que Zeus, por mais que tenha reencarnado em um humano, venha a rezar a outros deuses, menos ainda a um cristão. E esta é a ideia que muitos fãs atualmente tendem a se inclinar, excluindo totalmente a teoria de que Kido seja Zeus.
A teoria da esposa de Zeus como a assassina psicopata das mulheres de Kido também tem pouco valor para explicar o desaparecimento destas mulheres.

Na história oficial do mangá de Saint Seiya, Mitsumasa Kido se vê como um escolhido pelos deuses para uma missão que decidirá o destino de todo o universo e isso se deu justamente por ele ser um homem fora do comum, um humano mais elevado do que qualquer outro que tenha nascido antes dele, vendo-se então obrigado a entregar a todos os seus 100 filhos em sacrifício para salvar toda a humanidade e recebendo o desprezo e o ódio dos mesmos para todo o sempre. Todas estas características históricas do personagem nos revelam que Masami Kurumada criou Mitsumasa Kido inspirando-se no Messianismo.


Mitsumasa Kido e Abraão.
 
Mitsumasa Kido é de fato o personagem mais importante de todo o animê/mangá de Saint Seiya, sem o qual a história da obra jamais teria acontecido. Está atualmente no meu Top 10 melhores personagens de Saint Seiya e encontra também na minha opinião e gosto particular a mesma importância de Kami-Sama para Dragon Ball.

Outra teoria que muitos apostam e que estão de acordo, é que Kido era um assassino. Não que ele se dedicasse a isso, uma vez que foi apresentado como um homem íntegro e de bom coração ao adotar Athena. Muitos acreditam que a Fundação Graad, por ordens de Kido, encarregou-se de eliminar a todas as mães dos seus filhos. Em essência, muitos creem que Kido usou a Fundação, muito poderosa e com influência pelo mundo inteiro, para desaparecer com estas mulheres e usar todos os órfãos em seus propósitos, o que converteria Kido em um assassino, no autor intelectual das mortes daquelas mulheres, e ele não precisou sujar as suas mãos para fazê-lo.
Este homem estaria envolvido no acidente do barco que matou a mãe de Hyoga, acidente este em que esta mulher foi curiosamente a única pessoa que morreu.
Bem, muitas destas mulheres seguramente podem ter morrido no parto, devido a alguma doença, em um acidente, ou simplesmente abandonaram seus filhos. Mas e o resto? O que aconteceu com elas?

Muitos ainda acreditam que a inspiração definitiva de Kurumada para a criação de Mitsumasa Kido possa mesmo ter sido Zeus, mas o personagem apresenta paralelos muito mais evidentes com o personagem bíblico Abraão e especialmente como Licaão, o primeiro rei da Arcádia na mitologia grega que abandonara a sua vida selvagem e se tornara um homem muito culto e religioso e conhecido por ser pai de inúmeros filhos, em torno de 50, com distintas mulheres.


O rei Licaão é amaldiçoado por Zeus.
 
O fanatismo religioso de Licaão, que só pensava em adorar aos deuses, no entanto, o transformou em um rei muito cruel, sacrificando vidas humanas diariamente às deidades olimpianas. Sabendo disso, Zeus irou-se contra o rei da Arcádia e puniu-lhe transformando-o em um lobo, história esta que deu origem à lenda do lobisomem e à criação do termo licantropia.
Os filhos de Licaão eram tão cruéis quanto o seu pai e tiveram o mesmo destino trágico do seu pai, chegando a ousadia de matarem e cozinharem as entranhas do próprio irmão para darem de comida a Zeus que se manifestou para eles na forma de um velho mendigo e, por isso, foram todos também convertidos em lobos.

Alguns fãs têm suas teorias e tratam de dar uma resposta lógica a isto.
Mas, enfim, esta é uma questão que seguramente poderá ter explicações em algum momento.
Kurumada poderia aprofundar este tema, porque o animê omite a paternidade de Kido, o que favorece que se pergunte menos sobre o que aconteceu as mães dos Cavaleiros de Bronze.


Mitsumasa Kido não era um deus, nem tão pouco a reencarnação do deus de todos os deuses, mas é verdade que ele estava muito longe de ser uma pessoa comum. Creio na teoria de que ele seja um ser humano excepcional, predestinado a feitos incríveis, escolhido pelos deuses para uma missão sagrada. A imagem do pai adotivo amoroso para Saori permanece muito forte do início ao fim da saga.
Não concordo com a teoria de que Kido poderia ter sido um assassino, apesar da enorme quantidade de crimes que ele declaradamente cometeu. Quase 90% dos seus filhos morreram, sacrificou 100 filhos pelo bem de uma filha adotiva, não pensou duas vezes em privar seus filhos da liberdade de escolha, os utilizou como marionetes para passarem pelos mais terríveis treinamentos e conquistarem ao menos uma armadura, planejou um torneio de vida ou morte entre os filhos com o prêmio uma armadura de ouro, implantando uma semente que nasceria na mente dos garotos, deixando a ideia que eles iriam proteger a sua filha adotiva arriscando as suas vidas a todo momento. 

Mitsumasa Kido é o melhor pai e o pior pai de todos os tempos!!!

O que pensa sobre as mães destes órfãos? 
Tiveram a mesma sorte da mãe de Hyoga? 
Abandonaram seus filhos? Kido seria um assassino? 
Ou ainda crê com todas as suas forças que Kido seja Zeus?

sexta-feira, 2 de abril de 2021

FORREST GUMP E EU

Os melhores filmes de todos os tempos foram realizados durante a década de 1990.

Não tenho dúvidas disso.

Forrest Gump - O contador de histórias foi um filme realizado em 1994 e foi um dos mais importantes da minha vida. Os 40 anos da história estadunidense, da Guerra do Vietnã a Watergate, sob os olhos de um rapaz ingênuo, mas cheio de boas intenções. Apesar de participar ativamente e até influenciar alguns destes importantes acontecimentos, Forrest, em nenhum momento, esquece o seu grande amor de infância, Jenny Curran. Basicamente, um filme sobre como um homem, apesar de todas as suas limitações cognitivas, foi capaz de ter uma vida incrível!

Forrest Gump (interpretado por Tom Hanks) é um personagem conhecido e amado por todos por sua inocência e peculiaridades. Apesar de se assumir num princípio que a sua particularidade era gerada por um tipo de retardo mental, ao analisarmos cuidadosamente seu comportamento e atitudes, podemos identificar que Forrest na realidade era portador de um Transtorno do Espectro Autista (TEA).


Forrest Gump era autista?


“GUMP!!! Qual é o seu único propósito neste exército?!!! "

"Para fazer o que você me disser, sargento instrutor!!!!"

“Maldição, Gump!!! Você é um maldito! gênio!!! Esta é a resposta mais notável que já ouvi!!!! Você deve ter um maldito QI de 160!!!! Você é um maldito talentoso, soldado Gump!!!!!”


Para a maioria das pessoas, a cena entre o instrutor de exercícios do Exército e o recruta Forrest Gump foi apenas mais uma situação da série de incidentes divertidos onde Gump se encontra durante toda a sua história. Mas também é um dos muitos sinais espalhados pelo filme de que o personagem pode ser autista.

Cada vez mais têm-se abandonado o termo Síndrome de Asperger para se referir ao autismo nível 1, em especial devido ao histórico do médico Hans Asperger em colaboração com o regime nazista (denunciado no livro As Crianças de Asperger de Edith Sheffer) e por fomentar o capacitismo. Ademais, o DSM-5 tornou a designação obsoleta e o CID-11 consolidará a sua substituição.


Dentro dos critérios do DSM-5 para o autismo, descartando possíveis diagnósticos alternativos, como transtorno de Rett ou transtorno desintegrativo da infância de acordo com a observação evidências fornecidas no romance e filme, encontramos:

Critério A: Déficit persistente na comunicação e interação social em diversos contextos, manifestado pelos seguintes (atualmente ou também antecedentes):

A1. Déficit na reciprocidade socioemocional, o que pode levar a aproximações sociais anômalas e problemas para o desenvolvimento normal e seguimento da conversação, problemas para compartilhar interesses ou, como é o caso de Forrest, suas emoções e afetos, igualmente há problemas para responder as interações sociais. 

Esse déficit é sobretudo evidente na sua relação com Jenny, os amigos e companheiros dela e nas múltiplas vezes em que visita os distintos presidentes, nas quais não é capaz de ler as situações.

A2. Déficits nas condutas comunicativas não-verbais utilizadas nas interações.

Dificuldades na compreensão e uso de gestos como é o caso do personagem e falta total ou parcial de expressão facial ou comunicação não-verbal.

A3. Déficit no desenvolvimento, manutenção e  compreensão das relações sociais.

É difícil ajustar a conduta a contextos, compartilhar brincadeiras, fazer amigos e há ausência de interesses por seus iguais, como é demonstrado pelas poucas amizades que ele mantém durante toda a sua vida.

Critério B: Padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades que se manifestam em dois ou mais dos seguintes pontos, atualmente ou por antecedentes

B1. Movimentos, utilização de objetos ou falas estereotipadas ou repetitivas (estereotipias motoras simples, alienação a mudanças de lugar dos objetos, ecolalia, frases indiossincráticas).

B.2. Insistência em monotonia, excessiva inflexibilidade de rotinas ou padrões ritualísticos de comportamento verbal ou não-verbal (grande angústia frente a pequenas mudanças, dificuldades com as transições, padrões de pensamento rígidos, rituais restritivos, necessidade de tomar o mesmo caminho ou de comer os mesmos alimentos cada dia).

B.3. Interesses muito restringidos e fixos que são anormais quanto a sua intensidade ou foco de interesse (forte apego ou preocupação por objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverantes).

Forrest apresenta uma não especificada deficiência mental que o faz diferente dos demais. Entretanto, isso também o impulsiona a querer triunfar em tudo o que faz e superar-se dia a dia, apesar das complicações tão grandes que se apresentam.


"Você só tem que ficar de olho na
bola..." 
Por algum motivo, o
pingue-pongue era muito fácil
para ele.

B.4. Hiper ou Hipoatividade aos estímulos sensoriais ou interesse inabitual por aspectos sensoriais do entorno (indiferença aparente a dor/temperatura, respostas adversas a sons ou texturas específicas, olfação ou palpação de objetos, fascinação visual pelas luzes ou o movimento).

Critério C: Os sintomas devem estar nas primeiras fases do período de desenvolvimento (mas podem não se manifestar totalmente até que as demandas sociais superem as capacidades limitadas ou podem estar mascaradas aprendidas em fases posteriores da vida).


Ver minhas fotos antigas é uma experiência esclarecedora.
Nunca olhava para as pessoas atrás da câmera, tinha um olhar
sem vida, duro como estátua, ausência do sorriso social e,
quando eu me forçava a sorrir, fazia uma careta. 

Critério D: Os sintomas causam deterioração clinicamente significativo no social, laboral e outras áreas importantes do funcionamento habitual.

Critério E: Essas alterações não se explicam melhor pela descapacitada intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) ou por atraso global do desenvolvimento. A incapacitação intelectual e o TEA frequentemente coincidem. Para fazer um diagnóstico de comorbidades de um TEA e incapacidade social, a comunicação social deve estar abaixo do previsto para o nível geral de desenvolvimento.

Quando Forrest era criança, a sintomatologia era uma marcada deficiência para a comunicação social e uma série de padrões restritivos no seu comportamento o qual dificultaram desde tenra idade seu desempenho escolar assim como suas habilidades para socializar com seus semelhantes. 


"Corra, Forrest, corra."
O pequeno Gump que mal consegue andar,
devido um problema na coluna, precisa
correr para se salvar do bullying das outras
crianças. Quando hoje vejo o filme,
lembro do meu passado, e esse é um
dos momentos que mais me tocam.

Forrest cumpre o critério D, apresentando uma disfunção clinicamente significativa ainda que seja um personagem altamente funcional com múltiplas compensações que facilitam a sua comunicação com os outros e com muitas dificuldades para compreender situações sociais as quais afetam suas relações sociais e limitam o número de pessoas com as quais consegue se relacionar o que gera muito mal-estar emocional.


Quando acompanhei a jornada do personagem na década de 1990, ainda era uma criança e me identifiquei muito com seus valores e ideais, assim como com a tragédia e a realidade de sua vida diária. Com minha ingenuidade de criança, me diverti e ri bastante com o Forrest Gump, sem me dar conta de que estava rindo de mim mesmo.

O Forrest Gump é um personagem que amadurece em sua experiências ao longo do filme, embora permaneça sendo sempre o mesmo. É tolerante, gentil e tem uma impressionante habilidade para perdoar e aceitar as diferenças, em outras palavras, Forrest Gump é idêntico ao meu eu criança e adolescente.

Não escrevo isto apenas pelo fato de hoje conhecer no meu autismo a resposta para todas as situações as quais vivenciei. Forrest Gump lembra muito a mim mesmo da complicada fase adulta, por isso escrever sobre um filme como esse implica ter que aprofundar situações difíceis e dolorosas, mas sem dúvida alguma, cale a pena porque deixam um ensinamento muito valioso.

O que chama muito a atenção, é observar a perseverança que Forest Gump tem frente a vida e possui qualidades como o amor, a humildade, a entrega, a força e uma grande generosidade. O mesmo tempo, é um homem que mantem uma visão muito inocente sobre as personas e portanto, é muito difícil crer na maldade humana. Isto muitas vezes lhe causa dor e conflito, mas o mais importante é que nunca deixa de lutar e de empreender os sonhos que tem.

Um elemento central do filme é a influência que tem a família sobre o ser humano ao longo da vida. Forest Gump sempre se mostra próximo a suas convicções e da educação que durante a infância recebeu de seu mãe.

O protagonista é muito inteligente, diferente da impressão que a maioria das pessoas tem dele, porque sempre se adapta as situações que em que se encontra. Nos dá lições muito importantes através da perseverança e da valentia. Também podemos ver a bondade em suas intenções e em cada um de seus atos. Demonstra uma grande lealdade, já que apesar das humilhações, não deixa a seus amigos em nenhum momento.

Aprendemos aquilo de mais valor na vida: a qualidade humana. Nos faz refletir sobre o tratamento que como pessoas todos merecemos e por último, podemos apreciar que a vontade e a fortaleza, são capazes de alcançar qualquer objetivo.

O filme assegura que Forrest apresenta uma deficiência intelectual, mas não é evidente que ele tenha deficiências em suas funções intelectuais e de ele fato foi capaz de concluir os seus estudos tanto básicos como superiores sem aparente dificuldade e por isso não cumpre com os critérios para um transtorno de desenvolvimento intelectual.  

Nem o autor Winston Groom, nem a estrela Tom Hanks ou o diretor Robert Zemeckis jamais comentaram sobre sua opinião sobre se Forrest deveria ou não ser retratado como autista. Na verdade, na época em que Groom publicou o romance, em 1986, o autismo ainda era mal compreendido e não amplamente reconhecido pela maioria das pessoas. 

Caso soubéssemos do verdadeiro final da história do personagem, ele certamente deve ter terminado a sua vida desconhecendo a sua própria deficiência. O meu caso é parecido, vivendo 3 décadas da minha vida no mesmo desconhecimento. Forrest Gump e eu enfrentamos uma sociedade que vê nossas características autistas como fraqueza ou mesmo desvio de caráter e, além disso, que prega que homens dignos, íntegros e virtuosos teriam um comportamento oposto ao nosso.

Eu me identifico muito com Gump em suas adoráveis e destacáveis características presentes em sua história e também muito comuns às pessoas autistas, especialmente às crianças autistas: somos menos preconceituosas e mais aceitadores das diferenças, somos verdadeiros e não somos inclinados a praticar bullying, questionadores das autoridades quando estas são injustas, honestos e leais, atenciosos à detalhes, observadores e mais perdoadores àqueles que erram e se desculpam, somos menos propensos a sermos antiéticos e somos empáticos a nossa maneira. Por estas características, Gump conquistou muitas pessoas, mesmo o amargurado tenente Dan, que, à sua maneira, demonstrou gratidão por ter a sua vida salva, em uma das cenas mais emocionantes do longa.


Winston Groom, autor de Forrest Gump.

Teria sido extraordinário se Winston Groom tivesse criado o personagem com o autismo em mente e todas as evidências apontassem para a ideia de que ele simplesmente pretendia que Forrest Gump fosse um indivíduo de baixo QI que tropeçou em alguns dos eventos mais históricos da história recente. Mas uma coisa sobre arte e literatura é que ela está constantemente em processo de reavaliação e interpretação por parte do público e da crítica. Para muitas famílias e profissionais (como analistas de comportamento aplicado) que trabalham regularmente com indivíduos no espectro do autismo, os comportamentos de Gump atingem um ponto de reconhecimento.


"Idiotas são os que dizem idiotices"


Gump passa pela vida como um trapalhão inepto, alheio aos sinais e normas sociais, mas possui a capacidade de se concentrar em detalhes técnicos e seguir instruções claras com precisão de laser. Vê-lo desmontar e remontar um rifle de batalha M-14 no quartel é muito parecido com assistir um autista savant construindo castelos com Legos em precisão e velocidade fluindo de pura dedicação à tarefa.

E as pessoas com formação militar e um olho afiado que notaram as decorações no uniforme Classe A de Gump mais tarde no filme notariam que ele levou essa dedicação ainda mais longe: ele usa o maior distintivo de pontaria disponível no Exército.

Gump consegue feitos incrível com muito foco e intensidade. Seu foco em dirigir seu barco de camarão mostra comprometimento e perseverança, e, embora outros interpretem isso como pura estupidez, seu método compensa no final.




A vida é como uma caixa de chocolates


Colocado em um ambiente com regras e sistemas bem definidos, o Gump se destaca. Quando lhe é dito que a chave para o sucesso em jogar pingue-pongue é nunca tirar os olhos da bola, não há um segundo de tempo de jogo em que ele o faça. Além disso, sua prática é obsessiva, tanto com outros jogadores quanto por conta própria, por horas e horas... o suficiente para levá-lo à China para competir pelos Estados Unidos na diplomacia do pingue-pongue.

Analistas do comportamento aplicado que trabalham com pacientes autistas já viram esse tipo de foco antes e podem muito bem ter feito o mesmo uso dele que o instrutor de exercício de Gump e os professores de pingue-pongue fizeram. Eles também viram muitos pacientes com TEA que têm um tipo de energia nervosa, um tipo de hiperatividade e movimentos motores repetitivos que os analistas tentam redirecionar para comportamentos mais saudáveis... correr, por exemplo, assim como Forrest faz.

A capacidade de canalizar os comportamentos obsessivos em ações positivas é algo que a mãe de Forrest tem em comum com os esses analistas de comportamento. A lição dela para o seu filho, incentivando-o a abraçar a vida e aceitar que "você nunca sabe o que vai conseguir" é uma boa lição para todos, autistas ou não, se lembrarem.

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