quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O NATAL EM XENA: A PRINCESA GUERREIRA


Quem bem me conhece já pode atestar: eu sou um muito grande fã do Natal. E nesta época do ano, mesmo que eu tente mudar, ainda é impossível não ceder em realizar todo aquele conjunto de tradições do feriado. Há aquelas de sempre, é claro, como a decoração da árvore, mas também faço algumas de minha autoria.
 
Há também uma outra tradição que é seguida não apenas por mim, mas pela maioria das pessoas vidradas em seriados ou desenhos animados em geral (nerds/crianças de espírito), que é acompanhar a sempre bem vinda temporada de especiais de Natal todos os anos na TV.
Uma animação que passa praticamente todos os anos e a qual nunca perco é o Um Conto de Natal da Disney, com o Tio Patinhas, baseado na obra de mesmo nome do escritor Charles Dickens.

 
Poucos devem saber, mas o personagem Tio Patinhas foi baseado de fato na figura de Ebenezer Scrooge, o velho rico pouco simpático que protagoniza o conto de Charles Dickens. Talvez por essa razão o pato ranzinza que conhecemos como Tio Patinhas se chame Scrooge McDuck no original.

O Natal fica estranhamente vago na TV quando esta adaptação do famoso conto não é exibida. Mas para mim a época do Natal, caso você acompanhe a temporada de especiais na TV, também não fica completa sem uma visualização de A Solstice Carol, episódio natalino do seriado Xena: A princesa guerreira.
Vocês sabem, aquele onde Xena encontra o Papai Noel.
 
 
É isso mesmo! Eles conseguiram ter um episódio de Natal em um seriado cuja história se passa há pelo menos uns 1.200 anos antes que houvesse um Natal de fato.
E, sinceramente, pode parecer loucura, mas isso não escandaliza mais ninguém. Lembram-se dos Flintstones? Eles celebravam o Natal mesmo vivendo milhões de anos antes do nascimento de Cristo!
 
 
Mas em Xena a "liberdade poética" vai bem mais longe e a cronologia de muitos acontecimentos históricos é completamente ignorada, simplesmente para tornar a história ainda mais rica e interessante.
Quero dizer, este episódio de Natal vem bem no meio de uma temporada onde Xena se encontra com David (e consequentemente com Golias) e Júlio César, e que envolve também um episódio que somos transportados para a década de 1940, onde todo o elenco pode ser visto reencarnado para lutar contra os nazistas. Em outras palavras, há uma margem de erro cronológico tão grande aqui que eu tenho certeza que a única razão pela qual não termos visto Xena lutando contra o pirata Barba Negra foi porque os produtores já o estavam usando para um episódio de Jack of All Trades (estrelado por Bruce Campbell!) onde ele sequestrou Ben Franklin. E isso é bem insano se você considerar que Barba Negra morreu quando Franklin tinha apenas 12 anos.
Então, realmente, você pode ignorar a existência de alguém que se veste como o Papai Noel há um par de milênios antes de São Nicolau começar a depositar moedas em calçados infantis e de outros necessitados. E esta figura dá mais beleza ao episódio de Xena, sendo então indispensável.
 
A coisa toda começa quando Xena e sua ajudante Gabrielle chegam a uma cidade que, como tende a ser o caso das cidades em Xena: A princesa guerreira, está sendo governada por um senhor do mal e da guerra. Neste caso, o infrator é o rei Silvus:
 
 
Além de ser um razoável imitador de Angus Scrimm, Silvus está mais interessado em cobrar impostos abusivos de todo o povoado e ainda jogar na prisão aqueles que não podem pagar. Além do mais, ele odeia o feriado do Solstício!
 
Em outras palavras, ele é um avarento que odeia o tal feriado, e neste ponto, a 1 minuto e 21 segundos do episódio, você provavelmente já pode ver exatamente aonde isso vai dar. Mas enquanto a maioria dos seriados teria sido feliz se concentrando em uma trama, Xena teve 44 minutos mais comerciais para preencher, e por isso precisava de um pouco mais para alongar o especial. Assim, somos apresentados ao Bob Cratchit desta nossa versão do conto de Dickens, um funcionário bem-educado na corte de Silvus, chamado Senticles (O nome parece familiar?).
 
 
E ele, devidas as muitas semelhanças que poderão notar, vai eventualmente entrar no papel do Bom Velhinho desta história natalina. Mas eu estou já me adiantando.
 
O rei Silvus odeia a época do Solstício de tal forma que poderia facilmente tornar-se o equivalente grego de Burgermeister Meisterburger, e ele proibiu qualquer de todos os tipos de celebrações do feriado. Isso se torna claro quando Xena tem o seu chakram roubado, o que acaba por conduzi-la a um tipo de orfanato onde uma grande árvore de Solstício estava sendo decorada...
 
 
... Ainda há tempo para a princesa guerreira ver Senticles aparecer e anunciar que o orfanato vai ser fechado e os seus órfãos seriam expulso naquela mesma noite.
 
 
Ah, e também descobrimos que Senticles costumava ser um fabricante de brinquedos antes de Silvus proibir toda a diversão.
 
Então, vamos rever, neste momento, aos 4 minutos do episódio, antes mesmo de aparecerem os créditos de abertura, o que já temos:
  • Um avarento que precisa que alguém lhe mostre os seus erros.
  • Um orfanato na necessidade de ser salvo do mesmo.
  • O fabricante de brinquedos secreto cujo nome soa como "Santa Claus" ("Papai Noel").
Os sinais estão todos aqui. Claramente, Xena tem que salvar o Natal.
 
No espírito desta época do ano, Xena decide por não valer-se da sua tática usual de descer o cacete em todas as autoridades locais até fazer todos concordarem em curtir o feriado na paz. Ao invés disso, sua tática é mais elegante, com um plano construído em torno de invasão de domicílio, tortura psicológica, e drogas alucinógenas (!). Para isso, ela xereta um quarto que Silvus tinha trancado e descobre que ele odeia o Solstício porque foi quando a sua esposa Analia morreu, há 30 anos atrás, um pouco de informação que vem na forma de uma prática pintura no estilo medieval:
 
 
Enquanto isso, Gabrielle compra um burro. Acredite ou não, isso vai ser realmente importante mais a frente.
 
Assim, no verdadeiro estilo de Dickens - apenas com o acréscimo real de órfãos - Xena começa com o seu plano, no qual, da mesma forma que acontece com Ebenezer Scrooge no conto original, o rei Silvus será visitado pelos fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro, mas aqui substituídos pelos Três Destinos, as Parcas da mitologia grega que regem os destinos dos mortais. O primeiro é Clotho, interpretado pela própria Xena.
 
Curiosamente, Xena deu uma aparência no melhor estilo mil e uma noites a sua personagem. E essa é para quem só conhece Clotho agora por causa desta ser uma das chefes no grandioso game God of War II.
Neste game, Clotho é um tremendo jaburu, daquele tipo que faria você querer arrancar os próprios olhos se algum dia a conhecesse pessoalmente.
Agora, caso Clotho fosse parecida com a Lucy Lawless... Ô, lá em casa!
 
 
"Clotho" então conduz o velho rei ao "passado", que neste caso é uma sala empoeirada onde Gabrielle está pendurada no teto por uma corda e disfarçada como Analia.
Mas Xena e Gabrielle pensavam que a esposa do rei havia morrido, quando na verdade ela simplesmente o abandonara.
 
Neste ponto, acredito que qualquer um já estaria inclinado a se perguntar por que Silvus não se tocou logo de cara de que aquilo tudo não passava de uma encanação e ainda das mais bisonhas possíveis. Mas vamos ser honestos, no mundo de Xena: A princesa guerreira, na verdade é perfeitamente provável que a personificação de um conceito abstrato iria aparecer do nada e ainda proferindo as mais duvidosas proclamações. Sim, é essencialmente o Princípio da Navalha de Occam por meio de programas de aventura sindicalizados.
 
O próximo Destino a fazer a sua cena é Lachesis, representante do "presente". Para este papel, Xena usa roupas comuns e leva Silvus ao orfanato para ver o que as pessoas realmente pensam ao seu respeito. E, por outro lado, Gabrielle, indo a procura de Senticles, encontrasse em um quarto cheio de bonecas que sobraram do tempo em que o atual escrivão do rei ainda era um fabricante de brinquedos.
 
 
Gabrielle encontra uma pequena ovelha esculpida que era o seu brinquedo favorito do tempo em que ainda era uma criança. Ela então sugere a Senticles que eles levem todos aqueles brinquedos para o orfanato, para que as crianças pudessem ter algo para brincar, isso sem dúvida alegraria o Solstício de todos os pequeninos.
 
Apesar das afirmações de que ele não é um herói e o seu medo enfático de acabar parando na prisão, Senticles acaba sendo convencido pelo "discurso motivacional" de Gabrielle e concorda em fazer aquela boa ação, mas não antes de descolar um belo disfarce. E nada melhor do que uma grande barba branca falsa e roupas de inverno nas cores vermelha e branca, com direito a gorro e, é claro, um grande saco para que eles pudessem guardar todos os brinquedos para depois serem distribuídos entre os órfãos.
Ah, Gabrielle sabe mesmo ser inspiradora.
 
Aqui é quando o especial fica ainda mais divertido e a nostalgia torna-se ainda mais forte.
Aproveito este momento do episódio para recordar de uma certa música chamada "Which one is the real Santa Claus?", uma das minhas canções favoritas deste tipo de atração, além de ser vibrante e combinar com o clima do especial natalino de Xena.
Aqueles que sabem do que se trata podem lembrar da canção em certo especial de Natal dos Flintstones produzido em 1977, mas a maioria das pessoas podem não saber que a mesma música foi ao ar pela primeira vez em 1971 durante o especial A Christmas Story, uma outra animação especial para o Natal destes também dos estúdios Hanna-Barbera.
 
                             

Infelizmente, quando Gabrielle e Senticles chegam ao orfanato, a guarda da cidade já havia chegado para expulsar toda aquela pobre gente e ainda certificaram-se de cercar todo o local.
Como resultado, Senticles precisa esgueirar-se por meio de - como você já poderia esperar - uma chaminé.
Neste ponto, é hora de uma cena de luta, o que não pode faltar em absolutamente nenhum episódio deste seriado. Mas como Xena ainda quer preservar o espírito da não-violência deste feriado, os produtores optaram por fazer a batalha com brinquedos:
 
                               

Batalha épica! E usar os enfeites da árvore como shurikens foi uma boa sacada.
 
De qualquer forma, essa tática funcionou bem, mas infelizmente Silvus permanece firmemente nas suas convicções egoístas, até que ele finalmente fica cara a cara com o último Destino a visita-lo naquele noite, que acaba por ser a matriarca do orfanato, e ela por sua vez revela ser ninguém menos do que Analia, a sua ex-esposa. Assim, o avarento rei decide mudar sua vida para melhor, se reencontrando com o seu amor perdido, o orfanato é salvo, e Senticles começa a entregar brinquedos a todos.
 
Um episódio memorável, com muita loucura e diversão para animar o feriado, mas você se engana se acha que é aqui que esta história  termina. Na verdade, antes dos créditos finais, Xena e Gabrielle ainda se encontram com  algumas pessoas amigáveis:
 
 
Sim, são eles. Maria, José e seu bebê recém-nascido Jesus, que inclusive nasceu durante um episódio de Hercules: The Legendary Journeys, que foi ao ar no mesmo dia em que Kevin Sorbo levou os Três Reis Magos até a manjedoura. Sério. Foi o que aconteceu nesses episódios.
 
Então, em um ato de caridade, Gabrielle entrega o burro que comprara a nova mamãe, o que significa que em um dia, Xena conheceu Papai Noel, Jesus e o velho Scrooge dos contos de Dickens. E você pensando que só o Snoopy sabia sobre o verdadeiro significado do Natal...
 
É isso, meus amigos. Feliz Natal e Boas Festas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FESTAS DE FIM DE ANO E OS ESPECIAIS DE NATAL

 
Sempre que o fim de ano vem chegando, eu digo o quão especial esta época é para mim.
O sentimento de dar adeus ao velho e a certeza de que um ano novinho em folha vem aí, sem falar dos muitos desafios e experiências novas que aguardam por todos nós.
E, é claro, tem também o Natal, época tão querida da qual guardo as minhas melhores recordações. E felizmente eu tenho boas recordações.
Todo o programa que planejo durante esta época sempre trás aquele ar de nostalgia.
 
                                   

Nada melhor do que o novo convivendo com o clássico. Isso sim é cultura.
A Garnet tá demais nesse vídeo acima. Ela é a melhor dos Jewelpets.
Ah, Garnet. Ah, anos 80.
Eu curto a Garnet. O que foi? Vai encarar?
 
Bem, mas eu escolhi fazer um Especial de Natal diferente.
Aqui eu decidi analisar dois "episódios natalinos" de duas animações, uma ocidental e uma oriental, que fogem um pouco do padrão dos demais especiais da época. E aqui vocês perceberão o poder da suposta "magia do Natal" que pode contagiar as mais diferentes culturas. 
 
 
My Little Pony: Friendship is Magic veio para conquistar o mundo inteiro. Cerca de dois anos atrás, a turma da musa nerd Twilight Sparkle apresentou, no décimo primeiro episódio da segunda temporada desta animação, as suas tradicionais celebrações natalinas ou, como diriam os pôneis, "Hearth’s Warming Eve", que também é o título deste episódio, um trocadilho entre Hearth (lareira) e Heart (coração).
Este é um grande exemplo de um tipo incomum de episódio de Natal. Como Equestria não tem relação com a Terra, o seu festival do solstício é um pouco diferente. É um feriado em homenagem à fundação da sua terra e a amizade entre os diferentes subtipos de pôneis. É claramente um feriado de Natal, completo com guirlandas, fitas, sinos e uma história de muito tempo atrás.
 
Para quem sempre acompanhou esta série, já ficou muito claro que os pôneis tem seus próprios feriados de Halloween e Natal, embora não tenham as mesmas origens que os nossos. Claro, afinal eles vivem em um mundo de cultura diferente, mesmo com significados similares.
Pense em algo como Star Wars Holiday Special (na verdade, não pense muito sobre isso) ou ainda o episódio de Natal de Xena: A princesa guerreira. É mais ou menos por aí.
 
Na trama principal deste episódio, as personagens estão estrelando, em um concurso de férias em Canterlot, uma peça que dramatiza a história da fundação de Equestria. A maior parte do episódio é essa história-dentro-da-história, dramatizando a lenda dos líderes originais dos clãs Unicórnio, Pegasus e Terrestres, o que por sinal é bem legal. 

Aparentemente, antes da existência de Equestria e da chegada de Celestia (e Luna), pôneis de diferentes tipos não se davam bem. Os unicórnios eram responsáveis por controlar o dia e a noite, os pegasus controlavam o tempo, e os pôneis terrestres trabalhavam nas terras e forneciam alimentos como tributos aos outros dois clãs, como faziam os camponeses à realeza.
As coisas funcionaram bem do jeito que estavam por muitas gerações, até que uma nevasca interminável caiu sobre a terra e reduziu drasticamente a oferta de alimentos. E com isto os três clãs reagiram da maneira tradicional, culpando um ao outro.
 
 
Assim esta história fala sobre como as diferenças entre os clãs quase destruíram Equestria antes mesmo do seu início, mas depois a amizade salva o dia. O calor de sua amizade que nasce quando as personagens, em meio as suas dificuldades, finalmente decidem aceitar as suas diferenças e que, acima de tudo, todas são pôneis. Isto afasta os Windigos, criaturas malignas do gelo que se alimentam de ódio e que chegaram perto de concluírem com a morte de todos os pôneis em um inverno sem fim.
Esse tipo de amor nesta história sobre "amizade" é um clássico dos especiais desta época de festas. Aqui também temos a chegada do inverno e ligação das pessoas com a saúde da terra. É realmente um especial de solstício.
 
 
No pequeno subenredo, vemos Fluttershy, cativante como sempre, com medo do palco, e todas as personagens exagerando nas suas personalidades normais já marcantes para os seus papéis no concurso, resultando em cenas absurdas e também engraçadas.
O episódio termina com o acendimento de uma lareira tradicional, acompanhado por "coros natalinos". A canção é bonita, mesmo não sendo uma das melhores músicas de MLP:FiM, na minha opinião.
 
No fim, a mensagem que este episódio nos passa é bem clara. Afinal, qual é o sentido do Natal se não o compartilhar, o doar e receber, do mesmo modo que mostra a fábula sobre a Chama da Amizade? Mais do que presentes, é a data que nos lembra da importância de repartir a compreensão e a boa vontade.
 
Um dos detalhes mais apaixonantes em MLP: FiM é como o mundo das pôneis e o nosso se correlacionam e ainda sem cair em típicos clichês.
Os sentimentos mais valorizados tanto no mundo dos pôneis quanto no nosso nos fazem recordar do principal lema do fandom brony: “Amor e Tolerância.”

Eu gostei deste episódio, é bonito, ainda que não seja um dos melhores da série. Mas isso é porque o desenho é mesmo incrível. É um pouco de diversão de meia hora e um divertido mimo de férias.
 
 
Agora vou falar sobre um episódio com uma temática natalina em um animê. Embora a questão do Natal não tenha sido o principal elemento da trama, ele trás uma interessante reflexão.
E aqui também analisamos uma obra mais voltada para a realidade que é o animê Ghost Hunt. Bem, quando falo de realidade estou dizendo isso fazendo uma comparação direta com o desenho dos pôneis multicoloridos que analisei anteriormente.
Afinal, Ghost Hunt é pura ficção com jovens que caçam fenômenos paranormais e fantasmas. Mas nenhuma comparação entre eles e "aquelas crianças enxeridas e aquele cachorro" de Hanna-Barbera, ok. 
O "realismo" de Ghost Hunt é exclusivamente pelo fato de sua história se passar em um mundo exatamente como o nosso.
 
O Natal em Ghost Hunt começa como provavelmente se inicia o Natal para muitas pessoas: pendurando enfeites em uma bela árvore e vagamente se perguntando por que eles estão comemorando o feriado em primeiro lugar.
 
A cena começa com Mai colocando uma árvore de Natal no Centro de Pesquisa Psíquica de Shibuya quando Naru, o chefe daquele instituto entra, olhando fixamente para ela, e lhe pede que a desmonte, porque ele não poderia ter algo tão colorido e alegre como uma árvore de Natal em sua presença. 
A psíquica Masako entra em cena e simplesmente ama aquela árvore. Então Houshou, um monge Budista, e Ayako, uma Miko, isto é, uma sacerdotisa Xintoísta, seguem o grupo e  eles também curtem muito toda aquela decoração e, por fim, o mal humorado Naru decide não brigar mais com eles, mas permanece com um típico olhar aborrecido.
 
Então Houshou e Ayako começam a se perguntarem:
 
Ayoko: "Você é um monge, e você comemora o Natal?"
 
Houshou: "E você? Você é uma sacerdotisa, certo? "
 
Antes de continuar com a análise, quero falar que gosto bastante do estilo e personalidades dos protagonistas de Ghost Hunt, que são únicas, e isto tornou este animê uma das maiores surpresas que eu tive o prazer de assistir. Ainda mais que sou muito fã de histórias de terror e suspense.
 
Houshou Takigawa é o monge Budista mais cabeludo de que tem notícia. E ele foge de todos os estereótipos, sendo um cara bem divertido, que gosta de contar piadas e provocar as garotas, e ainda toca baixo muito bem.
 
Ayako Matsuzaki é a figura materna do grupo de protagonistas. Assim como minha amada Rei Hino de Sailor Moon, é uma miko, mas devido ao fato de ser a mulher mais velha da turma e os seus modos, que fazem muitos duvidarem de que ela realmente seja uma donzela, acaba sendo o principal alvo das piadinhas de Houshou, que normalmente apanha depois.
 
John Brown é um padre Católico australiano dono do sotaque mais bizarro de todos os tempos. É o bom moço do grupo e também o mais compreensivo.
 
Ainda temos Masako Hara, a médium/psíquica famosa na TV, que pode ver espíritos e descobrir a sua natureza. É a típica japonesa belíssima, mas que pode parecer um tanto assustadora as vezes.
 
Mai Taniyama é a personagem principal, uma menina otimista, animada e esforçada, responsável pela maior parte dos momentos cômicos da série. É o típico exemplo de protagonista fácil de se gostar e ela divide o estrelato na série como Kazuya Shibuya, apelidado por ela mesma de Naru (que vem da palavra em inglês para narcisista). Ele é o líder do Instituto de Pesquisas Psiquicas Shibuya, inteligente, mas arrogante à primeira vista. Mesmo assim, bem lá no fundo é um cara legal. Ele é um investigador muito competente e muita vezes é aquele que tira os companheiros de enrascadas.
Não podemos nos esquecer também de Koujo Lin, assistente principal de Kazuya e também o seu guardião. Ele tem um pequeno papel de destaque neste especial.

Legal é ver como os membros do instituto são tão diferentes, seja na personalidade, no sendo de humor, ou na forma como enxergam o mundo, e se dão tão bem, quase como se fossem membros de uma mesma adorável família. É, parece que depois de falar de MLP:FiM, ainda sou obrigado a falar de amizade, tolerância e amor. Será que isso vai abalar a minha fama de mau?
 
 
Mas vamos voltar ao assunto dos episódios natalinos.
Depois daquele momento de descontração com as decorações de Natal, o padre John Brown chega e diz aos seus companheiros que agora eles têm um caso para resolver em uma igreja, e todo mundo fica muito animado, porque afinal Natal definitivamente precisa envolver de alguma forma uma igreja, mas ninguém está realmente certo do porquê.
 
E o que se seguiu aqui é provavelmente o único especial de Natal que eu já vi envolvendo coisas como possessões e exorcismos. Também há uma história muito triste, mas emocionante sobre um órfão que congelou até a morte e brincava de esconde-esconde como um fantasma até que alguém encontrou o seu corpo.
A segunda parte desta história termina com a turma toda indo para uma festa de Natal, porque em momentos como este você precisa ter uma festa de Natal, certo?
 
Ah. Ele está aqui!
Este especial de Ghost Hunt nos faz pensar sobre as muitas razões pelas quais as pessoas celebram o Natal, Cristãos e não-Cristãos.
 
Para muitos, o Natal é sobre a família. Trata-se de ver a família, comer com a família, e dirigir centenas de quilômetros para estar com a família. Para alguns, trata-se de decorações, presentes e "batalhas em um shopping center". Para outros, é sobre solidão e uma lembrança de algo que perdeu ou nunca teve, em primeiro lugar.
 
Para mim, o significado do Natal mudou ao longo dos anos. Quando eu era pequeno, o Natal era em tudo extremamente especial. Foi um momento especial em que todas aquelas decorações tinham um significado especial. Tinhamos visitas especiais, comidas especiais, viagens especiais, um serviço especial que minha mãe fazia com a igreja e as Irmãs de Caridade para a comunidade carente. Tudo era especial... e depois ainda havia os presentes.
 
Quando fiquei mais velho, o Natal era sobre ter uma pausa e fazer as coisas com a família. Eu não tinha que ir a escola e eu passava esse tempo com minha família e tínhamos muitas visitas. E então... vinham os presentes. 
 
Depois que eu passei dos meus 18 anos, o significado provavelmente teve uma mudança ainda mais radical. Para os Cristãos, o Natal é usado para comemorar o nascimento de Cristo.
 
Para mim, quando você comemora o aniversário de alguém, como um amigo ou parente, você está dizendo para a pessoa: "Eu estou feliz por você nascer e eu aprecio a sua existência".
Minha mãe sempre teve orgulho das suas origens humildes e ama a sua fé Católica. Ela é solidária e detentora de uma fé inabalável (coisa que sempre me impressionou), e a figura de Cristo sempre foi muito importante para a sua vida. Após a doença de meu pai, nós ficamos ainda mais próximos e passei a compreender melhor o que ela realmente sentia em suas crenças. Sou um cético e isso não escondo, mas ainda assim não sou nenhum cego ou insensível, caso fosse poderia me considerar morto por dentro.

Natal é uma época em que podemos dizer obrigado. É uma oportunidade para parar e, especificamente, celebrar a nossa união, com todos os nossos amigos e família, e ainda recordar daqueles momentos divertidos que sempre e inexplicavelmente acontecem durante as festas de fim de ano.
 
E... é claro... ainda tem os presentes... 
 
                             

Engraçado, mas esta nostálgica e bela melodia sempre me faz recordar desta época de Natal...
Bom, ficamos por aqui, mas logo eu já volto com mais especiais de Fim de Ano.
Até logo!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CIÊNCIA: A FÍSICA DOS APELÕES


Quem acompanha o meu blog já deve ter percebido as tantas referências e homenagens que faço a minha classe. Eu sou um graduado em Biomédicas.
Curioso. Na minha família é quase unânime a identificação das pessoas com as Exatas.
Na casa onde fui criado, por exemplo, os meus dois irmãos resolveram trabalhar com números, com cálculos, com máquinas.
Já eu decidi trabalhar com pessoas, com genética, com saúde, etc.
Posso então ser considerado uma ovelha negra na família?
Não. Longe disso! A saúde é com o que me identifico e também é aquilo com o que acredito poder dar alguma contribuição à sociedade.
Mas por ter sido tão apegado aos irmãos, penso que gostaria de ter mais habilidades com os números. Seria legal se pudéssemos trabalhar juntos.
E, graças aos meus irmãos, eu ainda sou fascinado pelos estudos relacionados aos fenômenos físicos da natureza, em especial a astrofísica.
Sou muito curioso e penso o quanto seria realizador ir de encontro ao desconhecido. Estudar o Universo, tudo aquilo que não podemos ver com os nossos olhos.
 
 
"O mundo que conhecemos é apenas uma pequena parte de um
mundo muito maior."
 
                                                                    Ging Freecs (Hunter X Hunter)
 
Quadrinhos e mangás de super-heróis ou de seres com poderes fantásticos são perfeitos para os nerds entrarem em discussões sadias sobre fatos que desafiam a lógica.
Escolhi aqui apenas quatro exemplos porque senão posso me empolgar e fazer uma postagem-monstro, daquelas que ninguém vai ter coragem de ler, como foi a que fiz sobre política e eleições.
Vejamos:

 
Personagem: Magneto
Poder: Eletromagnetismo
 
O vilão/anti-herói Magneto das histórias dos X-men na Marvel Comics é um imã vivo. E como pode usar seus poderes a hora que quiser podemos concluir que ele é um eletroímã.
Magneto deve ser capaz de manipular enormes quantidades de cargas elétricas que circulam dentro de seu corpo e é esse movimento que gera o magnetismo.
Devido aos seus feitos absurdos de poder, imaginamos que estas cargas devem ter energia suficiente para iluminar uma cidade. Difícil é pensar de onde Magneto tira tanta energia. Se pensarmos que ele quebra os próprios núcleos de seus átomos, provocando uma pequena explosão nuclear interna, surgira também um outro problema: a radiação. O corpo do mutante precisaria ser feito de chumbo para contê-la!
Bem, mas vamos analisar os feitos de Erik Lehnsherr.
Magneto é de longe um dos personagens mais poderosos da Marvel Comics. Ele poderia destruir o planeta Terra inteiro se quisesse, já que é capaz de controlar todas as formas de eletromagnetismo de formas simultâneas, e ainda é dito que o seu poder não tem limites.
O eletromagnetismo age sobre todos os elementos, em alguns mais em outros menos. Magneto teria o nosso planeta como seu refém, poderia agir com seus poderes no centro de níquel e ferro magnetizado da Terra e pararia a sua rotação! Afinal, seus poderes são ilimitados.
Sem esquecer de mencionar que, como magnetismo e eletricidade são dois lados de uma mesma moeda, Magneto poderia ser capaz de gerar cargas elétricas sobre todo o espectro visível, deixando a Tempestade no chinelo.

 
Magneto enfrentando os Vingadores em Guerras Secretas chegou a mencionar que o único daquela super equipe que poderia enfrenta-lo era Thor, que seria o seu equivalente. Pode parecer absurdo pensar em uma pessoa, mesmo sendo um mutante, nascer com um poder para fazer frente a um deus, mas se meditarmos sobre os conceitos clássicos acerca do que seria classificado como uma divindade (os antigos atribuíam todos os fenômenos da natureza aos deuses), faz bastante sentido. 

Nikola Tesla
Aqui aproveito para falar sobre Nikola Tesla, o inventor nascido no Império Austríaco, famoso por suas contribuições na engenharia mecânica e eletrotécnica. Uma de minhas figuras históricas favoritas, fascinante era a sua inteligência e a sua personalidade que serviu de inspiração para os típicos cientistas loucos de ficção científica, principalmente por causa da sua teoria do "Raio da morte".
Tesla descobriu que não são necessários fios para que a energia pudesse ser transportada, assim criou o primeiro “transformador amplificado”, na tentava de iluminar o mundo gratuitamente. Interesses políticos e coorporativos impediram suas pesquisas para esse fim, assim criou um projeto que disfarçava seus interesses, conseguindo verba para suas pesquisas.
Ele descobriu que a Terra não é somente um enorme imã, mas na verdade um capacitor, ou seja, um acumulador e liberador de energia de tamanho descomunal. 
 
Alguém com os poderes do Magneto pode então ir ainda mais longe com um pouco mais de imaginação.
Magneto ainda poderia produzir raios-X ou radiação gama que são gerados por um processo mais violento como a explosão nuclear, que ainda pode ser usado para partir átomos. Poderia também produzir luz visível, ou ultravioleta e ainda a infravermelha, sendo capaz então de gerar calor a temperaturas elevadíssimas. E com ondas eletromagnéticas em um espectro maior, poderia criar explosões de micro-ondas, algo devastador e bem dramático de se assistir.


 
Personagem: Barba Negra
Poder: Energia e Matéria escura/Gravidade infinita
 
Eu mal esperava que surgisse uma boa oportunidade para falar sobre este personagem, e quem diria que seria agora, justo em uma postagem sobre ciências.
Marshall D. Teach, mais conhecido como Barba Negra, não é apenas o vilão mais legal e poderoso do animê/mangá One Piece, mas é também aquele que possui o melhor conceito de personagem nesta história. Ele foi baseado no pirata Barba Negra real e boa parte dos personagens desta série criada pelo mangaká Eiichiro Oda também são referências a piratas reais, outro detalhe maneiríssimo desta obra. Mas aqui não vamos falar do personagem Teach e sim do poder que ele afirma possuir.
O Barba Negra comeu a Yami Yami no mi, a fruta escura, e graças a isso tem o poder sobre a escuridão. Porém a escuridão a qual nos referimos aqui não é simplesmente a falta de luz, como demonstrado, mas sim a Matéria Escura e a Energia Escura, que correspondem a 95% do nosso Universo e são soluções propostas para explicar os fenômenos gravitacionais e, até onde sabemos, são duas coisas distintas, que apenas temos noção de sua existência através de métodos indiretos, observando seus efeitos sobre o universo e tentando deduzir suas propriedades a partir deles.
Já vimos Teach em ação várias vezes e em seus combates o seu principal artifício é criar violentas forças de atração e repulsão contra seus adversários, além de poder confinar qualquer ente dentro do Buraco Negro que o seu poder pode criar.
Vamos deixar de lado o seu poder místico de selar as habilidades de outros usuários de Akuma no mi e também a sua habilidade de roubar os poderes dos usuários e depois usá-los a vontade, como ele fez com o Barba Branca, seu antigo capitão, após mata-lo.

 
Como já aprendemos com um dos mais geniais cientistas que já existiram, Issac Newton, quanto maior a massa, maior a sua força gravitacional. De acordo com o livro do astrofísico Neil DeGrasse Tyson, Death by Black Hole, os buracos negros possuem ainda mais massa do que as maiores estrelas que podem formar corpos celestes com uma tremenda força de atração. Nos buracos negros a velocidade de escape é ainda maior do que a velocidade da luz! Doidera, né!
Nem a luz seria capaz de escapar de um buraco negro, que é uma entidade realmente fantástica devido a toda essa gravidade concentrada em um único ponto. Nem mesmo se você fosse capaz de alcançar a velocidade da luz poderia escapar da força dos buracos negros.
Já imaginou o quão absurda é a força que o Barba Negra poderia alcançar e a quantidade de inimigos do seu universo de animê/mangá ou de outras mídias que tombariam ante ele?

Aioria de Leão, Cavaleiro de Ouro (Saint Seiya)
Tecnicamente, nem mesmo se você fosse um Cavaleiro de Ouro que é capaz de se mover a velocidade da luz, poderia escapar da força de atração de um Buraco Negro, do qual nem mesmo a luz pode escapar (Apenas estamos supondo que Teach tem esse poder).
Quando os átomos de uma estrela ou nebulosa são sugados por um buraco negro (poder que o Barba Negra exemplificou quando lutou contra Portgas D. Ace e absorveu por completo a "Super Nova" criada por ele), estes entram em órbita e formam uma espiral, chamada Disco de Acreção, cuja a rotação é tão acelerada que gera atrito para aquecer o material a milhões de graus e gera fachos de raios-X e gama. E em casos mais extremos formam o objeto mais energético conhecido do universo, o Quasar.

Quasar
Os Quasares emitem mais raios gamas e luz do que galáxias inteiras! E a maior parte daquilo que o Buraco negro absorve é expulso desta forma.
Imagine agora o que você poderia ver num espetáculos como este, se fosse possível aproximar-se dele. Caso você não seja ejetado, poderia cruzar o horizonte de eventos, o ponto de onde nem mesmo a luz escapa, ele distorce tanto o espaço quanto o tempo que atua como uma lente que desvia a luz do que está atrás. E, como o tempo é relativo a gravidade, minutos no horizonte de eventos equivalem a milhares de anos fora dele.
Considerando que o Barba Negra cria um Buraco Negro de tamanho reduzido, cruzando o horizonte de eventos, a diferença de gravidade é tão grande que puxaria seus pés com mais força do que o seu corpo se segura junto. Quer dizer, seu corpo seria divido em dois, que em seguida seria dividido até restarem apenas moléculas que são quebradas em átomos e que são quebrados em partículas menores ainda.
É, isso é quase tudo o que o Barba Negra poderia fazer possuindo o controle completo sobre tais forças. Claro que são tudo especulações minhas, afinal nem o Oda ainda apresentou a real extensão dos poderes deste vilão, mas se o Luffy vai ter que enfrentar tudo isso, precisará de muito mais do que Haki.
 

 
Personagem: Enrico Pucci
Poder: Controle universal da gravidade/Aceleração do tempo
 
O vilão da sexta parte do mangá Jojo's Bizarre Adventure de Hirohiki Araki, Enrico Pucci é a apelação em pessoa. Se algum dia eu for fazer uma lista dos personagens mais poderosos de todos os animês/mangás, ele certamente vai figurar entre as primeiras posições.
Pucci é um padre de profissão. Já repararam como japoneses gostam de criar padres fodões e que lutam pra caraio?
O caso de Enrico Pucci é o de um vilão ideólogo, comprometido com uma noção excepcional da vontade de Deus, e com o plano de Dio Brando, vilão da primeira e terceira partes do mangá e com quem o padre aprendeu a ser um baita de um lazarento. Ele não se importa de ter que manipular e usar as pessoas para seu próprio ganho pessoal. O seu irmão gêmeo Wes ("Weather Report") mesmo comenta que ele é o pior tipo de malvado, " um homem mau que não compreende que faz o mal".
Mas o que faz Enrico Pucci ser um ser tão poderoso?
O seus poderes de Stand (o poder espiritual dos personagens do universo de "Jojo's") evoluíram duas vezes no decorrer da saga em que atua. Se antes ele já era perigoso, mesmo para Dio, com o Stand Whitesnake que rouba as habilidades, alma e memórias dos outros, quão terrível tornou-se então quando adquiriu o Stand C-Moon.
Aqui os fenômenos físicos começam a se fazerem presentes e podemos discutir sobre eles. O C-Moon atribui a Enrico Pucci a habilidade de inverter a gravidade, a partir do seu centro de massa, com um alcance efetivo de 3 km. Assim, qualquer objeto não-fixo dentro de um raio de 3 km cai para longe do usuário do Stand. E ele também pode aumentar drasticamente a força gravitacional atuando sobre um objeto pelo simples toque e, se esse toque for feito no mesmo objeto ou área duas vezes, esse ajuste é revertido. Sem falar que o C-Moon permite ainda a Pucci desafiar a gravidade e orbitar qualquer inimigo ou ameaça.

"Tempo é relativo"/"Gravidade dobra o tempo"
Como foi subentendido anteriormente quando falei do Barba Negra, "a gravidade dobra o tempo". E é aqui que os maiores absurdos do mangá de Hirohiko Araki acontecem.
Pucci desenvolve um novo Stand chamado Made in Heaven (sim, o nome daquele álbum do Queen) que aumenta a velocidade ou taxa de fluxo do tempo através de sua capacidade de controlar as forças gravitacionais da Terra, da Lua e as aparentemente de todo o universo (em referência a aspectos da teoria da relatividade)!
Além disso, este Stand parece ter retido algumas das habilidade de Dio, uma vez que quando Jotaro Kujo usou a sua habilidade de parar o tempo, Pucci parecia estar ciente disso, agindo quando o tempo não deveria estar correndo.
Com a capacidade de acelerar o fluxo do tempo, nada no universo pode escapar do poder dele, com a exceção de seu usuário, Enrico Pucci, e essencialmente Deus.


Haruhi Suzumiya - a visão Otaku de um Deus
 
Deve-se notar que, enquanto o tempo se acelera para todos os processos não-vivos, os relógios biológicos das pessoas permanecem o mesmo, como se o tempo não acelerasse.
Para aqueles que lutam com o seu usuário, ele apareceria em constantemente movimento, mesmo quando parado.
Enrico Pucci pode atingir a velocidade da luz em poucos segundos e ainda foi capaz de fazer um dia virar um minuto, meses viraram segundos e mesmo os físicos especialistas confirmaram que a Terra estava realizando o seu ciclo em torno do Sol em segundos! Ele ainda matou os heróis da história e fez seus corpos apodreceram rapidamente. Tudo isso foi feito durante um segundo!
 
 
Nem mesmo o Flash, da DC Comics, poderia esperar por algo assim. Pucci poderia detê-lo com a sua velocidade de ação infinita ou ainda deixa-lo muito velho! O velocista por outro lado tem uma grande quantidade de recursos que poderiam favorece-lo. Não vamos criar muitas polêmicas aqui, afinal, para qualquer um fã do Flash, ele é invencível. É como bem disse Stan Lee: "Num duelo entre dois personagens vence aquele que você prefere que vença".
Voltando ao poder do padre de "Jojo's", como o tempo continua a correr, o universo vai bater em um "ponto de fuga", e um novo universo será criado, onde tudo se repete, de acordo com o "destino".
O usuário do Stand pode então alterar as características do universo e os destinos das pessoas no universo recriado e criar o mundo perfeito que eles desejam. Qualquer um que é morto por este Stand no universo anterior não deixará de existir, mas simplesmente será substituído por um ser semelhante, embora Pucci afirme que suas almas e personalidades terão sido apagadas e que eles vão parecer pessoas completamente diferentes.

"Desafio Infinito" (Marvel Comics) X "Stone Ocean" (Jojo's Bizarre Adventure)
Conte quantos planetas e estrelas existem no universo e depois entenderá o poder que esse cara ganhou. Embora muitos ainda acreditem que Pucci teria uma boa luta com o outro ser mais apelão de "Jojo's", o filho do seu chefe, Giorno Giovanna.
 
No resultado do "reset" que Pucci atribui ao universo, o destino das pessoas não pode mudar, a menos que o "padre libertino" realize alguma ação.
Quando o usuário do Stand é morto, o universo será redefinido em uma linha de tempo alternativa.


 
Personagem: Galactus
Poder: Poderes cósmicos obtidos pela energia do Big Crunch/Big Bang
 
O nome Galactus e a origem do personagem são bem conhecidos por qualquer nerd vidrado em quadrinhos que se preze.
O Devorador de Mundos da Marvel Comics originalmente era chamado Galan nascido no planeta Taa. Galactus é o único sobrevivente do Big Crunch que destruiu o universo anterior, acontecido antes do Big Bang que gerou o Universo Marvel atual (o "nosso" universo).
Galan era um explorador do espaço investigando o iminente fim do universo. Posteriormente, Taa foi mergulhada em uma praga radioativa que matou quase todos os seus habitantes. No último instante, Galan consegue escapar do planeta condenado numa nave espacial com alguns outros sobreviventes. Ao invés de morrer vítima da radiação que já tinha extinto a vida em todo o universo, Galan propõe aos seus companheiros que eles pilotassem a nave diretamente até o centro do Big Crunch. Enquanto se aproximava do Ovo Cósmico (ponto central do Big Crunch e fonte da radiação exterminadora), sua tripulação e sua nave são prontamente destruídas, mas um destino diferente foi reservado a Galan.
Dentro do Ovo Cósmico a "Sentença do Universo" se revela para Galan e lhe informa que embora ambos fossem morrer no cataclisma, eles iriam renascer como uma espécie única de herdeiro nascido no próximo universo. A "Sentença do Universo" então se funde ao corpo do mortal Galan, estabelecendo-o como o único sobrevivente do Big Crunch. Esta união leva ao seu renascimento no universo atual como o Galactus. Após o Big Bang e a formação da realidade atual, Galactus passa por uma gestação num casulo de energia cósmica para completar sua metamorfose. E após milhões de anos enfim emerge como uma entidade de vasto poder cósmico, essencial e intrínseco ao recém-formado universo.
 
Mas aqui eu não vou ficar debatendo sobre os poderes deste personagem, e sim sobre dois temas relacionados a ele que são os mais fascinantes para mim: A teoria da criação do universo e as escalas universais.
E quando vamos falar sobre as teorias de criação do nosso universo, é impossível deixar de mencionar o nome de Georges Lemaître.
 
Georges Lemaître
Georges Lemaître foi um padre católico e também um astrofísico. Estudou sobre a expansão do universo, teoria proposta anteriormente por Willem de Sitter e George Friedman. Foi o primeiro ou um dos primeiros cientistas a levantar a teoria do Big Bang. De fato, ele conheceu Albert Einstein pessoalmente e juntos discutiram sobre se o universo é estático ou se está em constante expansão.
Segundo Lemaître, como sabemos que o universo está se expandindo, ficando cada vez maior, então há muito tempo atrás, ele era menor. E há muito, muito tempo, era menor ainda. Isso significa que há bilhões de anos, tudo no universo estava contido em uma pequena bola ("Ovo Cósmico") que explodiu. Uau!
Algumas das perguntas dos cosmólogos a respeito deste tema são: E depois? Será que o universo vai realmente acabar? Ou será que continuará a expandir-se indefinidamente até esfriar-se totalmente e se tornar um Universo de escuridão? Ou será que tudo prosseguirá num ciclo eterno de Big Bangs e Big Crunchs? 
 
Galactus nos quadrinhos tem uma origem bem interessante. Legal também são os personagens que tentam emular o seu sucesso como Imperiex, a versão DC Comics de Galactus. E há até mesmo uma versão Capcom de Galactus, Pyron, diretamente dos games de luta da série Darkstalkers.
Pyron é um ser cósmico que se alimenta de corpos celestes, como planetas e estrelas, assim como a sua contraparte da Marvel Comics. Curioso é pensar que uma criatura de tamanho poder como Pyron vem à Terra enfrentar entidades como vampiros, lobisomens, múmias e até mulheres-gatos. Esperava um desafio maior para ele.
 
                            
 
Pyron tem o comportamento de uma estrela. Com bilhões de anos de idade, está continuamente em expansão, juntando cada vez mais massa, com seus átomos em constante pressão. Então eu até tinha uma teoria de que ele se transformaria em uma supernova e ao fim seria um ser de puro ébano. Assustadoras as minhas ideais, né?
Vejam que no vídeo acima ele faz os planetas do nosso Sistema Solar orbitarem os seus dedos. Pyron originalmente deve ter o tamanho de uma galáxia! Seus poderes cósmicos lhe permitem ter a escala de que precisa.
 
Teggen Toppa Gurren Lagann
E aqui entramos na questão das escalas universais. Se Pyron ter o tamanho de uma galáxia é exagerado, não surpreenderia tanto quando lembramos da saga do Anti-Spiral no animê/mangá Teggen Toppa Gurren Lagann. Aqui temos um meka tão colossal que usa as galáxias como Shurikens! O que pensar de um ser que tem bilhões de anos luz de altura?
 
 
                              
 
Este vídeo é impressionante. Com certeza não somos o centro do universo! Uma das coisas que mais me fascinam na astrofísica e na astronomia é a capacidade têm de nos ensinar a humildade (Ainda que a maioria dos nossos astrofísicos careçam dela).

No começo desta postagem, eu falei muito sobre trabalho e família. Eu me considero um homem desejoso de encontrar algo que realmente me faça feliz com o meu trabalho e eu acho que arriscar é importante, mas não podemos nos esquecer de aproveitar o que vem no caminho trilhado em busca daquilo que realmente procuramos para nós.

 
"É bom se divertir com pequenos imprevistos. Ao máximo. Porque aí você vai encontrar o que é mais importante do que aquilo que você quer."
 
                                                                         Ging Freecs (Hunter X Hunter)

domingo, 16 de novembro de 2014

ANIVERSÁRIO 20 ANOS KOF/PERFIL: IORI YAGAMI

 
Neste ano foram celebrados os 20 anos de existência de uma super popular franquia de vídeo games iniciada em 1994 pela (hoje falida) SNK.
The King of Fighters 94 foi sem sombra de dúvidas um jogo revolucionário! O já consagrado estilo "Fighting Game" recebeu uma nova roupagem e foi muito bem recebido pelo público. Mantido o antigo esquema do tipo de game, apenas combates, nada de fases, mas agora com uma nova definição. O jogador fazia as partidas com um time de três personagens, enquanto um lutava, os outros dois assistiam a luta, e os combates prosseguiam até ser definido o time vencedor, que seria aquele cujo último lutador permanecesse vivo terminada a partida.
Muito inovador e ainda por cima foi na forma de um crossover, juntando personagens de outras franquias da SNK, como Fatal Fury, Art of Fighting, Psycho Soldiers e Ikari Warriors, além de vários personagens inéditos feitos exclusivamente para este jogo.
É certo que já aconteceram outros crossovers antes de "KOF", mas nenhum até então havia sido tão bem sucedido e unido personagens de tantas franquias de uma forma tão harmoniosa.
 
E agora, o Blog sentindo-se na necessidade de comemorar o aniversário da franquia e, claro, aproveitando que o ano de 2014 ainda não acabou, dedica uma postagem em homenagem ao personagem mais popular de toda esta série de games, Iori Yagami.
 
O deus do mar e das tempestades Susano'o encontra Yamata no Orochi
 
Antes de falarmos sobre o astro Iori Yagami, vamos nos situar no contexto mitológico utilizado na criação da história dos personagens e do jogo. E como eu amo mitologia, isto não poderia ficar de fora.
 
Kusanagi (Kusanagi no Tsurugi) é o nome de uma espada lendária da mitologia japonesa, que segundo a lenda, foi retirada de dentro de uma das caudas de Yamata no Orochi depois que ele foi morto pelo deus Susano'o (muita gente só deve ter ouvido falar deles por causa do Naruto).
Yamata no Orochi era uma serpente-dragão mitológica japonesa que possuía oito cabeças e oito caudas e conta-se que seu corpo era tão imenso que poderia alcançar oito vales e oito colinas.
Esta espada Kusanagi é considerada hoje um dos três tesouros sagrados do Japão, juntamente com a Joia Santa Yasakani no Magatama, e o Espelho Santo Yata no Kagami.
Para o jogo foi adaptada a história e cada um destes tesouros é guardado por um clã, sendo a missão deles usá-los para selar o Orochi sempre que ele estiver quebrando o seu selo para se libertar.
 
Orochi aqui é retratado como uma força celestial, inclusive apelidado de "O amado de Gaea". Sendo ele uma entidade, uma força oculta da própria natureza, começou a se aborrecer com a humanidade, que crescia maltratando a sua mãe Gaea e destruindo uns aos outros. Assim Orochi chegou a seguinte conclusão: era necessário destruir a raça humana por completo para recomeçar a evolução a partir do zero e instaurar uma utopia na Terra.
 
A origem da rivalidade entre os clãs Kusanagi e Yasakani (Yagami) surgiu quando há 660 anos atrás, um membro do Hakkesshu (clã que detém o poder de Orochi), com o intuito de acabar com a união dos clãs, matou a esposa do líder do clã Yasakani, e conseguiu convence-lo de que foram os Kusanagi.
 
                              
 
Desejoso por vingança, mas certo de que os Kusanagi eram superiores em força, Yasakani decide por fazer um pacto com Orochi. Desde então o nome do clã foi mudado para Yagami e o poder das suas chamas se tornaram púrpuras, e todos seus descendentes foram amaldiçoados. Esta não fora uma missão muito complicada para os Hakkesshu, já que os Yasakani sempre tiveram sede de poder e cobiçavam a força de Orochi. Esta história é contada por completo em "KOF'96 Collection", mas infelizmente encontra-se apenas japonês (como visto no vídeo acima).
 
Iori Yagami faz a sua estreia em KOF 95. Ele foi criado para ser um rival do herói da série e também líder do Japan Time (o Time do Japão), Kyo Kusanagi. Mas aqui temos o caso não raro em que o rival superou o herói, tornando-se o personagem mais popular e querido da série.
 
Em sua estreia, Iori Yagami está representando o Time dos EUA, cujos antigos membros aparentemente foram derrotados e desapareceram misteriosamente. Como esta história aconteceu e qual foi o verdadeiro destino da antiga equipe, também conhecida como Time dos Esportes, nós provavelmente nunca saberemos. Mas podemos ter certeza que o despache ou a possível morte deles (afinal, os outros jogos em que eles apareceram não são canônicos) tiveram relação com Iori e seus parceiros de time.
 
Aqui aproveito para dar um destaque aos primeiros colegas de equipe do Yagami: Billy Kane do jogo Fatal Fury, braço direito do mafioso Geese Howard, que o enviara ao torneio para investigar o seu ex-sócio Rugal Bernstein, e Eiji Kisaragi do jogo Art of Fighting, o ninja que odeia o clã Sakazaki.
 
Rugal, o chefão dos dois primeiros jogos da série KOF, as edições 94 e 95, aliás um personagem que você certamente xingou muito por fazê-lo perder todas as suas fichas no fliperama, era um traficante de armas que organizava estes torneios de artes marciais do submundo e tinha uma grande sede por poder. Depois de ser dado como morto em 94, ele reaparece em 95, reconstruído com implantes cibernéticos e agora dotado de um novo poder, uma força cujo nome sequer é mencionado, mas que sabemos estar diretamente relacionada a Iori Yagami.
 
Iori é um personagem forte em vários aspectos: o design, a personalidade, a popularidade.
O seu design de fato é bem original. E é interessante pensar em originalidade quando discutimos sobre games, quadrinhos ou mangás. Algo original sempre acaba inspirando o surgimento de outras boas ideias que inspiram consequentemente ideias ainda mais novas.
 
Tipo, podemos dizer que o Duende Verde, vilão do Homem Aranha, foi inspirado no arqui-inimigo do Batman, o Coringa, com a mesma temática de comédia macabra, enquanto o Príncipe Palhaço do Crime foi claramente inspirado na fisionomia de Gwynplaine, personagem de Conrad Veidt, no filme da era do cinema mudo O Homem que Ri. Também posso dizer que Vega, o ninja espanhol de Street Fighter, teve um pouco do seu design e história (passado sofrido com pai abusivo) baseado em Dio Brando, vilão mais influente e marcante do animê/mangá Jojo's Bizarre Adventure, que por sua vez teve inspiração em Shin, rival de Kenshiro em Hokuto no Ken.
 
O desing de Iori tem muito de  Glam rock dos anos 80 e J-Rock, o que pode lhe conferir um ar um tanto extravagante, mas que é compensado por uma tremenda violência em seus golpes e a sua dublagem que é extremamente agressiva.
 
                           
 
Um outro detalhe foda na sua dublagem é a sua gargalhada impiedosa e aterrorizante que ele disparava vez ou outra quando vence o seu adversário.
Lembro-me da primeira vez em que vi essa cena. Ela despertou as mais distintas reações naqueles que a presenciaram. E eu também me recordo que fiquei imaginando o quão desagradável poderia ser perder uma luta para ele e a seguir escutar essa risada doentia.
 
E tudo isso em um único personagem, completado por uma trilha sonora arrasadora de puro jazz fusion, um saxofone matador e um groovy muito marcante.
Ele é além de tudo um rockstar, nem liga pros oponentes e companheiros de time, permanecendo de costas enquanto os outros lutam.

Voltando agora a sua saga. Eu considero a aparição dele em KOF 95 como a sua melhor fase.
Iori era mais vilanesco, usou de seus colegas de equipe para conseguir o que queria, e se ele peitou Billy Kane, podemos dizer que peitou indiretamente Geese Howard, o que significa que ele não tem nem um pouco de medo do poder deste grande vilão.
E Iori também demonstrou um grande desdém para com o derrotado Rugal, que morreu ao tentar dominar uma força que o rival de Kyo declarava ser o único capaz de dominar, e ainda deu uma surra em seus companheiros de time por agora não servirem mais aos seus propósitos.

                                

É durante os eventos de KOF 96 que ficamos sabendo melhor sobre o passado de Iori Yagami.
Todos os membros do seu clã são amaldiçoados pelo sangue de Orochi e por isso condenados a terem uma vida muito curta, e eles também são conhecidos por entrarem em um estado de loucura onde são possuídos por uma força aterrorizante e por uma assustadora sede por sangue e mortes, estado este conhecido como Fúria de Sangue.
 
Iori é um homem muito sofrido e aos poucos vamos nos dando conta disso. Além é claro da sua rivalidade com o Kyo, nós percebemos que ambos nunca se importaram com as desavenças entre seus clãs, as únicas coisas importantes para eles eram as lutas e o desejo de superarem seus rivais.
Toda esta história é também melhor esclarecida com a aparição da membro do clã Yata, Chizuru Kagura, que organizou este torneio de 1996 para encontrar aquelas pessoas que poderiam auxiliá-la na missão de selar Orochi novamente.
 
Impossível não considerar a sina de Iori Yagami envolvente. Condenado a uma vida curta e ainda a uma completa solidão. Quando é transformado pela Fúria de Sangue é capaz de coisas que nem mesmo ele poderia imaginar fazer, como visto em seu final em KOF 96, quando aparentemente mata as suas duas colegas de equipe Mature e Vice, ex-secretárias de Rugal e também membros do clã Hakkeshu, enviadas pelo seu superior Goenitz para vigiar o antigo vilão.

                             

Goenitz também era um vilão interessante. Ele se vestia como um clérigo e costumava carregar uma Bíblia, mas secretamente desejava a vontade de Gaea do seu senhor Orochi. Foi ele quem arrancou o olho direito de Rugal e lhe entregou um pouco do poder de Orochi. Na verdade, Goenitz fez isto para realizar um tipo de experiência, ele queria testar Rugal para comprovar se este poderia ser um bom hospedeiro para que Orochi pudesse renascer na Terra.

 
Como já foi dito, Iori Yagami é um homem de muitos sofrimentos. O último de uma linhagem, que no fundo desejava apenas encontrar a sua redenção. E é em KOF 97, para muitos o melhor jogo de toda a série, que ele finalmente pode encontra-la.
 
É aqui que a história chega ao seu momento de maior tensão com o aparecimento dos últimos membros do clã dos Hakkeshu, Yashiro, Shermie e Cris, sendo que este último acaba por tornar-se o hospedeiro de Orochi. Surge também Yamazaki, vilão dos jogos de Fatal Fury e que descobrimos ser também um Hakkeshu, mas ele não liga nem um pouco para Orochi ou sua utopia, preferindo usar o seu poder para si mesmo.
 
E ainda é nesta fase que a Fúria de Sangue que possui Iori torna-se incontrolável, assim como acontece com Leona dos Ikari Warriors, que por ser filha de Gaidel, um dos Hakkeshu, herdou o poder maldito.
 
Para por um fim às intensões dos Hakkeshu, Iori se vê obrigado a unir forças com Kyo Kusanagi e Chizuru Kagura, e assim os três clãs lendários estão juntos novamente na batalha contra Orochi.
Apesar da combinação de suas forças obter um pequeno êxito, Orochi não se dá por vencido e controla Iori, despertando a sua Fúria de Sangue para fazê-lo atacar seus próprios companheiros. Mas algo que nem mesmo Orochi poderia esperar aconteceu: Iori, em meios a dores e sofrimentos, consegue controlar aquele poder e ataca o próprio Orochi.
 
É chegada a hora de por um fim a toda aquela dor. Kyo recebe uma mensagem dos Yasakani, para por um fim a todo aquele ódio e maldições. E o que se segue é o final mais emocionante que eu já vi para uma história feita para um game de luta.

                            

A impressão que todos nós tivemos foi que todos estes personagens morreram aqui e muito provavelmente esta era mesmo a intensão dos produtores do jogo, mas não foi bem isto o que aconteceu como bem pudemos ver assim que novos jogos foram lançados.

A ideia para os próximos games seria acabar com a rivalidade entre Kyo e Iori e concentrar no desenvolvimento dos novos personagens que seriam integrados ao elenco de lutadores.
Claro, por pressão dos fãs, a rivalidade entre os dois não terminou, sendo sempre lembrada a cada novo jogo lançado. E, apesar deste enredo já não fazer mais sentido para as próximas tramas, acabou sendo importante, pois os novos personagens, que ocupariam a posição de protagonistas da série, não possuíam nem um décimo do carisma dos primeiros personagens.

Rivalidade é algo muito valorizado nas produções japonesas, sendo desenhos, filmes e até vídeo games, considerada essencial para o desenvolvimento dos personagens.
E, apesar da repetição desnecessária que a série KOF deu ao tema, considero a rivalidade entre Iori Yagami e Kyo Kusanagi uma das mais marcantes e inesquecíveis de todos os tempos.
 
 
KOF é uma série perfeita, seja nos jogos, personagens e enredo, pelo menos até a versão 97 e, quem diria, a série já está completando 20 anos! Certamente uma franquia de jogos que proporciona muita diversão e empolgação, e hoje trás nostalgia para todos os fã de jogos do gênero. Simplesmente inesquecível!