quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O NATAL EM XENA: A PRINCESA GUERREIRA


Quem bem me conhece já pode atestar: eu sou um muito grande fã do Natal. E nesta época do ano, mesmo que eu tente mudar, ainda é impossível não ceder em realizar todo aquele conjunto de tradições do feriado. Há aquelas de sempre, é claro, como a decoração da árvore, mas também faço algumas de minha autoria.
 
Há também uma outra tradição que é seguida não apenas por mim, mas pela maioria das pessoas vidradas em seriados ou desenhos animados em geral (nerds/crianças de espírito), que é acompanhar a sempre bem vinda temporada de especiais de Natal todos os anos na TV.
Uma animação que passa praticamente todos os anos e a qual nunca perco é o Um Conto de Natal da Disney, com o Tio Patinhas, baseado na obra de mesmo nome do escritor Charles Dickens.

 
Poucos devem saber, mas o personagem Tio Patinhas foi baseado de fato na figura de Ebenezer Scrooge, o velho rico pouco simpático que protagoniza o conto de Charles Dickens. Talvez por essa razão o pato ranzinza que conhecemos como Tio Patinhas se chame Scrooge McDuck no original.

O Natal fica estranhamente vago na TV quando esta adaptação do famoso conto não é exibida. Mas para mim a época do Natal, caso você acompanhe a temporada de especiais na TV, também não fica completa sem uma visualização de A Solstice Carol, episódio natalino do seriado Xena: A princesa guerreira.
Vocês sabem, aquele onde Xena encontra o Papai Noel.
 
 
É isso mesmo! Eles conseguiram ter um episódio de Natal em um seriado cuja história se passa há pelo menos uns 1.200 anos antes que houvesse um Natal de fato.
E, sinceramente, pode parecer loucura, mas isso não escandaliza mais ninguém. Lembram-se dos Flintstones? Eles celebravam o Natal mesmo vivendo milhões de anos antes do nascimento de Cristo!
 
 
Mas em Xena a "liberdade poética" vai bem mais longe e a cronologia de muitos acontecimentos históricos é completamente ignorada, simplesmente para tornar a história ainda mais rica e interessante.
Quero dizer, este episódio de Natal vem bem no meio de uma temporada onde Xena se encontra com David (e consequentemente com Golias) e Júlio César, e que envolve também um episódio que somos transportados para a década de 1940, onde todo o elenco pode ser visto reencarnado para lutar contra os nazistas. Em outras palavras, há uma margem de erro cronológico tão grande aqui que eu tenho certeza que a única razão pela qual não termos visto Xena lutando contra o pirata Barba Negra foi porque os produtores já o estavam usando para um episódio de Jack of All Trades (estrelado por Bruce Campbell!) onde ele sequestrou Ben Franklin. E isso é bem insano se você considerar que Barba Negra morreu quando Franklin tinha apenas 12 anos.
Então, realmente, você pode ignorar a existência de alguém que se veste como o Papai Noel há um par de milênios antes de São Nicolau começar a depositar moedas em calçados infantis e de outros necessitados. E esta figura dá mais beleza ao episódio de Xena, sendo então indispensável.
 
A coisa toda começa quando Xena e sua ajudante Gabrielle chegam a uma cidade que, como tende a ser o caso das cidades em Xena: A princesa guerreira, está sendo governada por um senhor do mal e da guerra. Neste caso, o infrator é o rei Silvus:
 
 
Além de ser um razoável imitador de Angus Scrimm, Silvus está mais interessado em cobrar impostos abusivos de todo o povoado e ainda jogar na prisão aqueles que não podem pagar. Além do mais, ele odeia o feriado do Solstício!
 
Em outras palavras, ele é um avarento que odeia o tal feriado, e neste ponto, a 1 minuto e 21 segundos do episódio, você provavelmente já pode ver exatamente aonde isso vai dar. Mas enquanto a maioria dos seriados teria sido feliz se concentrando em uma trama, Xena teve 44 minutos mais comerciais para preencher, e por isso precisava de um pouco mais para alongar o especial. Assim, somos apresentados ao Bob Cratchit desta nossa versão do conto de Dickens, um funcionário bem-educado na corte de Silvus, chamado Senticles (O nome parece familiar?).
 
 
E ele, devidas as muitas semelhanças que poderão notar, vai eventualmente entrar no papel do Bom Velhinho desta história natalina. Mas eu estou já me adiantando.
 
O rei Silvus odeia a época do Solstício de tal forma que poderia facilmente tornar-se o equivalente grego de Burgermeister Meisterburger, e ele proibiu qualquer de todos os tipos de celebrações do feriado. Isso se torna claro quando Xena tem o seu chakram roubado, o que acaba por conduzi-la a um tipo de orfanato onde uma grande árvore de Solstício estava sendo decorada...
 
 
... Ainda há tempo para a princesa guerreira ver Senticles aparecer e anunciar que o orfanato vai ser fechado e os seus órfãos seriam expulso naquela mesma noite.
 
 
Ah, e também descobrimos que Senticles costumava ser um fabricante de brinquedos antes de Silvus proibir toda a diversão.
 
Então, vamos rever, neste momento, aos 4 minutos do episódio, antes mesmo de aparecerem os créditos de abertura, o que já temos:
  • Um avarento que precisa que alguém lhe mostre os seus erros.
  • Um orfanato na necessidade de ser salvo do mesmo.
  • O fabricante de brinquedos secreto cujo nome soa como "Santa Claus" ("Papai Noel").
Os sinais estão todos aqui. Claramente, Xena tem que salvar o Natal.
 
No espírito desta época do ano, Xena decide por não valer-se da sua tática usual de descer o cacete em todas as autoridades locais até fazer todos concordarem em curtir o feriado na paz. Ao invés disso, sua tática é mais elegante, com um plano construído em torno de invasão de domicílio, tortura psicológica, e drogas alucinógenas (!). Para isso, ela xereta um quarto que Silvus tinha trancado e descobre que ele odeia o Solstício porque foi quando a sua esposa Analia morreu, há 30 anos atrás, um pouco de informação que vem na forma de uma prática pintura no estilo medieval:
 
 
Enquanto isso, Gabrielle compra um burro. Acredite ou não, isso vai ser realmente importante mais a frente.
 
Assim, no verdadeiro estilo de Dickens - apenas com o acréscimo real de órfãos - Xena começa com o seu plano, no qual, da mesma forma que acontece com Ebenezer Scrooge no conto original, o rei Silvus será visitado pelos fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro, mas aqui substituídos pelos Três Destinos, as Parcas da mitologia grega que regem os destinos dos mortais. O primeiro é Clotho, interpretado pela própria Xena.
 
Curiosamente, Xena deu uma aparência no melhor estilo mil e uma noites a sua personagem. E essa é para quem só conhece Clotho agora por causa desta ser uma das chefes no grandioso game God of War II.
Neste game, Clotho é um tremendo jaburu, daquele tipo que faria você querer arrancar os próprios olhos se algum dia a conhecesse pessoalmente.
Agora, caso Clotho fosse parecida com a Lucy Lawless... Ô, lá em casa!
 
 
"Clotho" então conduz o velho rei ao "passado", que neste caso é uma sala empoeirada onde Gabrielle está pendurada no teto por uma corda e disfarçada como Analia.
Mas Xena e Gabrielle pensavam que a esposa do rei havia morrido, quando na verdade ela simplesmente o abandonara.
 
Neste ponto, acredito que qualquer um já estaria inclinado a se perguntar por que Silvus não se tocou logo de cara de que aquilo tudo não passava de uma encanação e ainda das mais bisonhas possíveis. Mas vamos ser honestos, no mundo de Xena: A princesa guerreira, na verdade é perfeitamente provável que a personificação de um conceito abstrato iria aparecer do nada e ainda proferindo as mais duvidosas proclamações. Sim, é essencialmente o Princípio da Navalha de Occam por meio de programas de aventura sindicalizados.
 
O próximo Destino a fazer a sua cena é Lachesis, representante do "presente". Para este papel, Xena usa roupas comuns e leva Silvus ao orfanato para ver o que as pessoas realmente pensam ao seu respeito. E, por outro lado, Gabrielle, indo a procura de Senticles, encontrasse em um quarto cheio de bonecas que sobraram do tempo em que o atual escrivão do rei ainda era um fabricante de brinquedos.
 
 
Gabrielle encontra uma pequena ovelha esculpida que era o seu brinquedo favorito do tempo em que ainda era uma criança. Ela então sugere a Senticles que eles levem todos aqueles brinquedos para o orfanato, para que as crianças pudessem ter algo para brincar, isso sem dúvida alegraria o Solstício de todos os pequeninos.
 
Apesar das afirmações de que ele não é um herói e o seu medo enfático de acabar parando na prisão, Senticles acaba sendo convencido pelo "discurso motivacional" de Gabrielle e concorda em fazer aquela boa ação, mas não antes de descolar um belo disfarce. E nada melhor do que uma grande barba branca falsa e roupas de inverno nas cores vermelha e branca, com direito a gorro e, é claro, um grande saco para que eles pudessem guardar todos os brinquedos para depois serem distribuídos entre os órfãos.
Ah, Gabrielle sabe mesmo ser inspiradora.
 
Aqui é quando o especial fica ainda mais divertido e a nostalgia torna-se ainda mais forte.
Aproveito este momento do episódio para recordar de uma certa música chamada "Which one is the real Santa Claus?", uma das minhas canções favoritas deste tipo de atração, além de ser vibrante e combinar com o clima do especial natalino de Xena.
Aqueles que sabem do que se trata podem lembrar da canção em certo especial de Natal dos Flintstones produzido em 1977, mas a maioria das pessoas podem não saber que a mesma música foi ao ar pela primeira vez em 1971 durante o especial A Christmas Story, uma outra animação especial para o Natal destes também dos estúdios Hanna-Barbera.
 
                             

Infelizmente, quando Gabrielle e Senticles chegam ao orfanato, a guarda da cidade já havia chegado para expulsar toda aquela pobre gente e ainda certificaram-se de cercar todo o local.
Como resultado, Senticles precisa esgueirar-se por meio de - como você já poderia esperar - uma chaminé.
Neste ponto, é hora de uma cena de luta, o que não pode faltar em absolutamente nenhum episódio deste seriado. Mas como Xena ainda quer preservar o espírito da não-violência deste feriado, os produtores optaram por fazer a batalha com brinquedos:
 
                               

Batalha épica! E usar os enfeites da árvore como shurikens foi uma boa sacada.
 
De qualquer forma, essa tática funcionou bem, mas infelizmente Silvus permanece firmemente nas suas convicções egoístas, até que ele finalmente fica cara a cara com o último Destino a visita-lo naquele noite, que acaba por ser a matriarca do orfanato, e ela por sua vez revela ser ninguém menos do que Analia, a sua ex-esposa. Assim, o avarento rei decide mudar sua vida para melhor, se reencontrando com o seu amor perdido, o orfanato é salvo, e Senticles começa a entregar brinquedos a todos.
 
Um episódio memorável, com muita loucura e diversão para animar o feriado, mas você se engana se acha que é aqui que esta história  termina. Na verdade, antes dos créditos finais, Xena e Gabrielle ainda se encontram com  algumas pessoas amigáveis:
 
 
Sim, são eles. Maria, José e seu bebê recém-nascido Jesus, que inclusive nasceu durante um episódio de Hercules: The Legendary Journeys, que foi ao ar no mesmo dia em que Kevin Sorbo levou os Três Reis Magos até a manjedoura. Sério. Foi o que aconteceu nesses episódios.
 
Então, em um ato de caridade, Gabrielle entrega o burro que comprara a nova mamãe, o que significa que em um dia, Xena conheceu Papai Noel, Jesus e o velho Scrooge dos contos de Dickens. E você pensando que só o Snoopy sabia sobre o verdadeiro significado do Natal...
 
É isso, meus amigos. Feliz Natal e Boas Festas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FESTAS DE FIM DE ANO E OS ESPECIAIS DE NATAL

 
Sempre que o fim de ano vem chegando, eu digo o quão especial esta época é para mim.
O sentimento de dar adeus ao velho e a certeza de que um ano novinho em folha vem aí, sem falar dos muitos desafios e experiências novas que aguardam por todos nós.
E, é claro, tem também o Natal, época tão querida da qual guardo as minhas melhores recordações. E felizmente eu tenho boas recordações.
Todo o programa que planejo durante esta época sempre trás aquele ar de nostalgia.
 
                                   

Nada melhor do que o novo convivendo com o clássico. Isso sim é cultura.
A Garnet tá demais nesse vídeo acima. Ela é a melhor dos Jewelpets.
Ah, Garnet. Ah, anos 80.
Eu curto a Garnet. O que foi? Vai encarar?
 
Bem, mas eu escolhi fazer um Especial de Natal diferente.
Aqui eu decidi analisar dois "episódios natalinos" de duas animações, uma ocidental e uma oriental, que fogem um pouco do padrão dos demais especiais da época. E aqui vocês perceberão o poder da suposta "magia do Natal" que pode contagiar as mais diferentes culturas. 
 
 
My Little Pony: Friendship is Magic veio para conquistar o mundo inteiro. Cerca de dois anos atrás, a turma da musa nerd Twilight Sparkle apresentou, no décimo primeiro episódio da segunda temporada desta animação, as suas tradicionais celebrações natalinas ou, como diriam os pôneis, "Hearth’s Warming Eve", que também é o título deste episódio, um trocadilho entre Hearth (lareira) e Heart (coração).
Este é um grande exemplo de um tipo incomum de episódio de Natal. Como Equestria não tem relação com a Terra, o seu festival do solstício é um pouco diferente. É um feriado em homenagem à fundação da sua terra e a amizade entre os diferentes subtipos de pôneis. É claramente um feriado de Natal, completo com guirlandas, fitas, sinos e uma história de muito tempo atrás.
 
Para quem sempre acompanhou esta série, já ficou muito claro que os pôneis tem seus próprios feriados de Halloween e Natal, embora não tenham as mesmas origens que os nossos. Claro, afinal eles vivem em um mundo de cultura diferente, mesmo com significados similares.
Pense em algo como Star Wars Holiday Special (na verdade, não pense muito sobre isso) ou ainda o episódio de Natal de Xena: A princesa guerreira. É mais ou menos por aí.
 
Na trama principal deste episódio, as personagens estão estrelando, em um concurso de férias em Canterlot, uma peça que dramatiza a história da fundação de Equestria. A maior parte do episódio é essa história-dentro-da-história, dramatizando a lenda dos líderes originais dos clãs Unicórnio, Pegasus e Terrestres, o que por sinal é bem legal. 

Aparentemente, antes da existência de Equestria e da chegada de Celestia (e Luna), pôneis de diferentes tipos não se davam bem. Os unicórnios eram responsáveis por controlar o dia e a noite, os pegasus controlavam o tempo, e os pôneis terrestres trabalhavam nas terras e forneciam alimentos como tributos aos outros dois clãs, como faziam os camponeses à realeza.
As coisas funcionaram bem do jeito que estavam por muitas gerações, até que uma nevasca interminável caiu sobre a terra e reduziu drasticamente a oferta de alimentos. E com isto os três clãs reagiram da maneira tradicional, culpando um ao outro.
 
 
Assim esta história fala sobre como as diferenças entre os clãs quase destruíram Equestria antes mesmo do seu início, mas depois a amizade salva o dia. O calor de sua amizade que nasce quando as personagens, em meio as suas dificuldades, finalmente decidem aceitar as suas diferenças e que, acima de tudo, todas são pôneis. Isto afasta os Windigos, criaturas malignas do gelo que se alimentam de ódio e que chegaram perto de concluírem com a morte de todos os pôneis em um inverno sem fim.
Esse tipo de amor nesta história sobre "amizade" é um clássico dos especiais desta época de festas. Aqui também temos a chegada do inverno e ligação das pessoas com a saúde da terra. É realmente um especial de solstício.
 
 
No pequeno subenredo, vemos Fluttershy, cativante como sempre, com medo do palco, e todas as personagens exagerando nas suas personalidades normais já marcantes para os seus papéis no concurso, resultando em cenas absurdas e também engraçadas.
O episódio termina com o acendimento de uma lareira tradicional, acompanhado por "coros natalinos". A canção é bonita, mesmo não sendo uma das melhores músicas de MLP:FiM, na minha opinião.
 
No fim, a mensagem que este episódio nos passa é bem clara. Afinal, qual é o sentido do Natal se não o compartilhar, o doar e receber, do mesmo modo que mostra a fábula sobre a Chama da Amizade? Mais do que presentes, é a data que nos lembra da importância de repartir a compreensão e a boa vontade.
 
Um dos detalhes mais apaixonantes em MLP: FiM é como o mundo das pôneis e o nosso se correlacionam e ainda sem cair em típicos clichês.
Os sentimentos mais valorizados tanto no mundo dos pôneis quanto no nosso nos fazem recordar do principal lema do fandom brony: “Amor e Tolerância.”

Eu gostei deste episódio, é bonito, ainda que não seja um dos melhores da série. Mas isso é porque o desenho é mesmo incrível. É um pouco de diversão de meia hora e um divertido mimo de férias.
 
 
Agora vou falar sobre um episódio com uma temática natalina em um animê. Embora a questão do Natal não tenha sido o principal elemento da trama, ele trás uma interessante reflexão.
E aqui também analisamos uma obra mais voltada para a realidade que é o animê Ghost Hunt. Bem, quando falo de realidade estou dizendo isso fazendo uma comparação direta com o desenho dos pôneis multicoloridos que analisei anteriormente.
Afinal, Ghost Hunt é pura ficção com jovens que caçam fenômenos paranormais e fantasmas. Mas nenhuma comparação entre eles e "aquelas crianças enxeridas e aquele cachorro" de Hanna-Barbera, ok. 
O "realismo" de Ghost Hunt é exclusivamente pelo fato de sua história se passar em um mundo exatamente como o nosso.
 
O Natal em Ghost Hunt começa como provavelmente se inicia o Natal para muitas pessoas: pendurando enfeites em uma bela árvore e vagamente se perguntando por que eles estão comemorando o feriado em primeiro lugar.
 
A cena começa com Mai colocando uma árvore de Natal no Centro de Pesquisa Psíquica de Shibuya quando Naru, o chefe daquele instituto entra, olhando fixamente para ela, e lhe pede que a desmonte, porque ele não poderia ter algo tão colorido e alegre como uma árvore de Natal em sua presença. 
A psíquica Masako entra em cena e simplesmente ama aquela árvore. Então Houshou, um monge Budista, e Ayako, uma Miko, isto é, uma sacerdotisa Xintoísta, seguem o grupo e  eles também curtem muito toda aquela decoração e, por fim, o mal humorado Naru decide não brigar mais com eles, mas permanece com um típico olhar aborrecido.
 
Então Houshou e Ayako começam a se perguntarem:
 
Ayoko: "Você é um monge, e você comemora o Natal?"
 
Houshou: "E você? Você é uma sacerdotisa, certo? "
 
Antes de continuar com a análise, quero falar que gosto bastante do estilo e personalidades dos protagonistas de Ghost Hunt, que são únicas, e isto tornou este animê uma das maiores surpresas que eu tive o prazer de assistir. Ainda mais que sou muito fã de histórias de terror e suspense.
 
Houshou Takigawa é o monge Budista mais cabeludo de que tem notícia. E ele foge de todos os estereótipos, sendo um cara bem divertido, que gosta de contar piadas e provocar as garotas, e ainda toca baixo muito bem.
 
Ayako Matsuzaki é a figura materna do grupo de protagonistas. Assim como minha amada Rei Hino de Sailor Moon, é uma miko, mas devido ao fato de ser a mulher mais velha da turma e os seus modos, que fazem muitos duvidarem de que ela realmente seja uma donzela, acaba sendo o principal alvo das piadinhas de Houshou, que normalmente apanha depois.
 
John Brown é um padre Católico australiano dono do sotaque mais bizarro de todos os tempos. É o bom moço do grupo e também o mais compreensivo.
 
Ainda temos Masako Hara, a médium/psíquica famosa na TV, que pode ver espíritos e descobrir a sua natureza. É a típica japonesa belíssima, mas que pode parecer um tanto assustadora as vezes.
 
Mai Taniyama é a personagem principal, uma menina otimista, animada e esforçada, responsável pela maior parte dos momentos cômicos da série. É o típico exemplo de protagonista fácil de se gostar e ela divide o estrelato na série como Kazuya Shibuya, apelidado por ela mesma de Naru (que vem da palavra em inglês para narcisista). Ele é o líder do Instituto de Pesquisas Psiquicas Shibuya, inteligente, mas arrogante à primeira vista. Mesmo assim, bem lá no fundo é um cara legal. Ele é um investigador muito competente e muita vezes é aquele que tira os companheiros de enrascadas.
Não podemos nos esquecer também de Koujo Lin, assistente principal de Kazuya e também o seu guardião. Ele tem um pequeno papel de destaque neste especial.

Legal é ver como os membros do instituto são tão diferentes, seja na personalidade, no sendo de humor, ou na forma como enxergam o mundo, e se dão tão bem, quase como se fossem membros de uma mesma adorável família. É, parece que depois de falar de MLP:FiM, ainda sou obrigado a falar de amizade, tolerância e amor. Será que isso vai abalar a minha fama de mau?
 
 
Mas vamos voltar ao assunto dos episódios natalinos.
Depois daquele momento de descontração com as decorações de Natal, o padre John Brown chega e diz aos seus companheiros que agora eles têm um caso para resolver em uma igreja, e todo mundo fica muito animado, porque afinal Natal definitivamente precisa envolver de alguma forma uma igreja, mas ninguém está realmente certo do porquê.
 
E o que se seguiu aqui é provavelmente o único especial de Natal que eu já vi envolvendo coisas como possessões e exorcismos. Também há uma história muito triste, mas emocionante sobre um órfão que congelou até a morte e brincava de esconde-esconde como um fantasma até que alguém encontrou o seu corpo.
A segunda parte desta história termina com a turma toda indo para uma festa de Natal, porque em momentos como este você precisa ter uma festa de Natal, certo?
 
Ah. Ele está aqui!
Este especial de Ghost Hunt nos faz pensar sobre as muitas razões pelas quais as pessoas celebram o Natal, Cristãos e não-Cristãos.
 
Para muitos, o Natal é sobre a família. Trata-se de ver a família, comer com a família, e dirigir centenas de quilômetros para estar com a família. Para alguns, trata-se de decorações, presentes e "batalhas em um shopping center". Para outros, é sobre solidão e uma lembrança de algo que perdeu ou nunca teve, em primeiro lugar.
 
Para mim, o significado do Natal mudou ao longo dos anos. Quando eu era pequeno, o Natal era em tudo extremamente especial. Foi um momento especial em que todas aquelas decorações tinham um significado especial. Tinhamos visitas especiais, comidas especiais, viagens especiais, um serviço especial que minha mãe fazia com a igreja e as Irmãs de Caridade para a comunidade carente. Tudo era especial... e depois ainda havia os presentes.
 
Quando fiquei mais velho, o Natal era sobre ter uma pausa e fazer as coisas com a família. Eu não tinha que ir a escola e eu passava esse tempo com minha família e tínhamos muitas visitas. E então... vinham os presentes. 
 
Depois que eu passei dos meus 18 anos, o significado provavelmente teve uma mudança ainda mais radical. Para os Cristãos, o Natal é usado para comemorar o nascimento de Cristo.
 
Para mim, quando você comemora o aniversário de alguém, como um amigo ou parente, você está dizendo para a pessoa: "Eu estou feliz por você nascer e eu aprecio a sua existência".
Minha mãe sempre teve orgulho das suas origens humildes e ama a sua fé Católica. Ela é solidária e detentora de uma fé inabalável (coisa que sempre me impressionou), e a figura de Cristo sempre foi muito importante para a sua vida. Após a doença de meu pai, nós ficamos ainda mais próximos e passei a compreender melhor o que ela realmente sentia em suas crenças. Sou um cético e isso não escondo, mas ainda assim não sou nenhum cego ou insensível, caso fosse poderia me considerar morto por dentro.

Natal é uma época em que podemos dizer obrigado. É uma oportunidade para parar e, especificamente, celebrar a nossa união, com todos os nossos amigos e família, e ainda recordar daqueles momentos divertidos que sempre e inexplicavelmente acontecem durante as festas de fim de ano.
 
E... é claro... ainda tem os presentes... 
 
                             

Engraçado, mas esta nostálgica e bela melodia sempre me faz recordar desta época de Natal...
Bom, ficamos por aqui, mas logo eu já volto com mais especiais de Fim de Ano.
Até logo!