quinta-feira, 29 de maio de 2014

ATORES DE SERIADOS CLÁSSICOS QUE MERECIAM UMA ESTATUETA

 
Como bem sabem, meus caros, existem muitos atores que são conhecidos mundialmente pelo seu talento e pela grande qualidade dos seus trabalhos.
Meus atores favoritos, todos ganhadores do Oscar, são Paul Scofield, Al Pacino, Marlon Brando e John Wayne. Mas hoje falaremos sobre outros atores que, apesar da grande fama e reconhecimento, não receberam uma premiação tão grandiosa.
Muitos dos presentes nesta listagem já encontram-se falecidos, mas permanecem vivos no nosso imaginário como grandes "heróis" dos seriados que nós e nossos pais curtíamos décadas atrás.
Vamos lá.
 
 
Guy Williams

Vocês sabem quem foi Guy Williams? Foi ele quem já nos anos de 1960 interpretou um dos personagens mais importantes do universo nerd em um seriado de ficção científica que será eternamente lembrado por todos nós, mesmo que não o tenhamos assistido durante a época em que fora produzido. E não foi apenas isso, na década anterior ele ainda vivou um dos heróis mais famosos e incríveis do cinema e da TV.
O ator argentino foi Zorro, na série homônima do fim dos anos de 1950, um dos meus programas favoritos nas eternas reprises do SBT durante os anos 80. Impossível pensar em Zorro, uma das grandes inspirações do Batman, sem lembrar de Guy Williams. Poxa, aquele filme que fizeram com o Antonio Banderas foi um bomba. Até o Gato de Botas conseguiu ser um Zorro bem melhor que aquele.
O outro personagem mais conhecido ao qual primeiro me referi foi o Professor John Robinson em "Perdidos no Espaço". E, como devem perceber, eu falei da importância deste seriado, mas na minha lista não estão presentes os grandes ícones da ficção científica William Shatner e Leonard Nimoy, o capitão Kirk e o Sr. Spock respectivamente do lendário seriado "Jornada nas Estrelas", porque os dois já receberam e recebem até hoje a veneração de todos nós, além de serem atores que foram realmente premiados. Todos reconhecem a grandiosidade deles.
Guy Williams também fez participações especiais em outros seriados bem maneiros como "Bonanza", mas brilhou muito mais como Zorro do que como o cientista e chefe da família Robinson, porque em "Perdidos no Espaço" havia um outro ator que foi definitivamente o ladrão da cena. E ele também está nesta lista.
 
 
Don Adams
 
Ganhou muitas premiações e foi reconhecido por sua atuação em séries de comédia, mas Don Adams ainda é pouco lembrado por estas nossas bandas e, para mim, ele merecia um Oscar. Parece que a academia não dá muita bola para os comediantes.
Ele vivera o atrapalhado agente Maxwell Smart do divertidíssimo seriado de humor "Agente 86" na década de 1960. E eu tenho quase certeza de que o agente Smart foi uma das inspirações do grande Roberto Gomes Bolaños, o Chespirito (quem ilustra o título desta postagem), na criação do Chapolin Colorado. O estilo de humor de ambos os personagens são bem similares.
O cara foi uma celebridade e tanto. Deu as caras no desenho do Scooby Doo (naquela fase onde sempre pintavam celebridades) e também foi inspiração para outros personagens semelhantes ao seu mais famoso como o inspetor Bugiganga (É, anos 80).
 
 
Bárbara Feldon
Bárbara Feldon, a belíssima Agente 99, também da série "Agente 86", não era só um rostinho bonito. Era formada pela Carnegie Mellon Universirty e tinha bacharelado em artes cênicas.
Quem disse que mulheres não são engraçadas? Bárbara Feldon era imbatível ao lado de Don Adams. Também recebera diversas premiações pelos seus trabalhos, mas assim como no caso de seu colega, acredito que também merecia a premiação mais elevada da categoria. Embora eu não compreenda muito bem os critérios utilizados.
Titanic ganhar Oscar? No fim das contas esse prêmio não vale exatamente aquilo que ele deveria representar.
 
 
César Romero
 
"Vilão especialmente convidado..."
Muitos devem se lembrar de César Romero apenas oferecendo charutos havanos de qualidade duvidosa aos seus capangas que estão cansados "bagaraio" ou cobiçando a tia do Batman no seriado do herói nos loucos anos de 1960.
Mas além de ter sido o "palhaço, o coringa, o jóquer, o palhaço", ele também trabalhou com figuras como John Ford, Erns Lubistch, Rubens Donaldson, Otto Preminger e Howard Haws. É legal também rever os seriados clássicos e vê-lo fazendo participações especiais sempre com uma divertida atuação. Podemos registrar sua presença em Zorro e em Daniel Boonie por exemplo.
 
 
César Romero conheceu também a nossa Carmem Miranda, tornando-se amigo dela e ainda se apaixonou pelo Brasil e por nosso Carnaval. 


Henry Calvin
 
Quem não se divertia com Henry Calvin na pele do atrapalhado Sargento Demétrius Lopez Garcia no seriado "Zorro". Sem dúvidas o trabalho que deu mais notoriedade ao ator que estreou como cantor de ópera. Isso explica porque às vezes era possível vê-lo soltando a voz de forma impressionante no seriado do herói mascarado.
Curiosamente, nos livros de Johnston McCulley (criador do Zorro) não existe nenhum Sargento Garcia, mas sim um implacável Sargento Gonzalez que, embora também um militar gordo similar, era obcecado por capturar Zorro.
Garcia teria sido inspirado neste Gonzalez, que a Disney preferiu tornar engraçado e divertido. Isto tornou Garcia um "inimigo" e ao mesmo tempo um aliado de Zorro durante alguns episódios onde ele demonstra também lutar contra a opressão e a tirania. Era também um trambiqueiro e um pinguço, sempre dando um jeito de encher a cara nas tabernas nas costas de alguém.
Com o encerramento da série "Zorro", começou a trabalhar em programas de humor como Dick Van Dyke Show, onde fez uma participação personificando a dupla "O Gordo e o Magro", sendo ele logicamente o Gordo. O sucesso foi tanto que até fora convidado para repetir a performance.
 
 
Outro detalhe legal é que Henry Calvin conheceu pessoalmente o seu dublador brasileiro, a lenda viva Orlandro Drummond. "Eu sou tão grande e falo tão fino e você é tão pequeno e fala tão grosso", foi o que ele disse para o eterno marinheiro Popeye.


Ramón Valdez Castillo
 
Talvez o nome e a fotografia causem estranheza a alguns, mas trata-se do inigualável Dom Ramón, o seu Madruga do seriado "Chaves".
Aliás o nome seu Madruga foi ideia da nossa equipe de dublagem da Maga, pois dava um bom sincronismo na articulação das falas dos personagens e devido as feições boêmicas do personagem, que tinha cara de quem passou a noite inteira em claro.
Vindo de uma família de grandes atores, deixou um legado de mais de 50 filmes. É impressionante para os mexicanos o carinho e a admiração que nós brasileiros temos para com o personagem seu Madruga. Mas ele era para mim a cara do Brasil e da América Latina. Trabalhador, embora todos o chamassem de preguiçoso, oprimido e sabia usar da sua esperteza para lutar contra a pobreza, embora os seus métodos não fossem lá muito honestos. Sem falar que foi o maior filósofo de boteco que a televisão já teve.
Às vezes nem parece que ele infelizmente já nos deixou. De fato, enquanto uma criança ou um adulto ainda poderem rir de suas eternas performances na TV, Ramón Valdez permanecerá vivo.
Fica então para recordação dos fãs uma declaração dada por Chespirito sobre o que sentia pelo seu amigo:
"Uma espécie de inveja boa, de suas faculdades de expressão. Ramón podia fazer um gesto tosco e a pessoa começava a tremer, eu pensava: "Que não me encontre com um desses à noite na rua". E logo imediatamente, um sorriso, e a pessoa o adorava porque era de uma simpatia genial. Um pouco descuidado, talvez não chegou a brilhar mais, não por falta de talentos, senão porque… não tinha muito interesse nisso".
 
 
Jonathan Harris
 
Quando falei anteriormente sobre o grande ator que roubava todas as cenas no seriado "Perdidos no Espaço", falava de Jonathan Harris.
Ele ficou mundialmente famoso neste seriado de ficção científica como um dos maiores "vilões" de todos os tempos da televisão. Dono de um sotaque britânico e uma interpretação shakesperiana, elevou o Dr. Zachary Smith ao posto de celebridade nos anos de 1960.
Inesquecíveis os seus insultos ao robô B-9, a quem ele chamava de lata de sardinha, e o seu bordão "Não tema, com Smith não há problema".
Sua participação no seriado consistia em uma série de planos, golpes e trambiques na tentativa de retornar ao planeta Terra depois da desastrosa missão que o condenou junto da família Robinson a ficar perdido no espaço.
Aliás, a ideia do seriado era que os membros da família Robinson fossem os protagonistas, mas com Smith e o Robô roubando todas as atenções, isso acabou perdendo o sentido.
Jonathan Harris também apareceu em outras séries antigas como "Zorro", "A Feiticeira", "Terra de Gigantes" e "Agente 86".

Jonathan Harris no programa da Hebe Camargo em 1969

Poucos sabem, mas Jonathan Harris esteve no Brasil e ainda conheceu pessoalmente o seu dublador Borges de Barros, o mendigo milionário de "A Praça é Nossa".
 
Jonathan Harris com o seu dublador Borges de Barros
 
Jonathan morreu em 2002, deixando uma legião de fãs em todo o mundo. 
 
 
Junichi Haruta

Esse cara é fera!
Junichi Haruta é um grande conhecido nosso, Tokufãs! Um consagrado ator, dublê e coreógrafo japonês, tendo participado de vários seriados do gênero Tokusatsu nos anos 80, 90 e 2000.
Começou sua carreira com apenas 16 anos e foi dublê do primeiro Kamen Rider em 1971.
Foi em 1982 que viveu Kanpei Kuroda, o Goggle Black, em "Goggle V", que aliás tinha neste ator e em Megumi Ogawa (a gatíssima Google Pink) os únicos bons motivos para ser assistido, pois a série infelizmente não passava de um Changeman de quinta categoria.
No Brasil ele ganhou sua fama e prestígio como o vilão Macgaren no seriado "Jaspion". E o ator Hiraku Kurosaki, o herói desta série, confirmou em entrevista para os fãs brasileiros as histórias que ouvíamos sobre o fato de Haruta dispensar dublês e sempre executar todas as cenas de seus personagens, mesmo quando estavam mascarados! O cara era o Jackie Chan japonês!
Haruta ainda é muito conhecido pelo povo brazuca por ter sido o ninja-robô Stormin, um de meus favoritos da série "Jiraya, o incrível ninja".
 
 
Recentemente pudemos vê-lo reprisando o seu papel de Goggle Black em "Kaizoku Sentai Gokaiger", que é um prato cheio de nostalgia e divertimento para os fãs dos mais antigos. 
 
 
Nichelle Nichols
 
Não apenas fora uma grande atriz, importantíssima também para a cultura nerd, como também deixou a sua marca em nossa sociedade, em grande transformação na década de 1960.
Antes de sua carreira como atriz, Nichelle Nichols foi uma cantora e ainda cantou junto de Duke Ellington e Lionel Hampton.
Tornou-se famosa e muito conhecida por todos nós como a tenente Uhura na telessérie original de "Jornada nas Estrelas" e nos longas-metragens produzidos para o cinema relacionados a série.
A atriz cita frequentemente em entrevistas que nunca sentiu-se discriminada no set, mas que fora dele a situação era diferente. Ela entrava por uma porta "especial", pois era sempre barrada pelos guardas, que inventavam desculpas, e era desvalorizada por alguns integrantes da equipe técnica, como o fotógrafo, que nunca tirava imagens decentes suas para a divulgação. Mas ela nunca se queixou a ninguém, nem ao criador da série, Nichelle simplesmente fez o seu melhor e venceu.
A belíssima atriz, que enfrentou muitos obstáculos e quebrou todos os paradigmas, participou do primeiro beijo "inter-racial" na TV norte-americana, com o ator canadense William Shatner, o capitão Kirk (Olha ele aparecendo de novo na postagem!).
Devo deixar clara a admiração que tenho por esta mulher, o quanto que ela mostrou que o trabalho e o estudo realmente valem a pena. Saber que ela serviu de inspiração para tantos é algo que enche o coração de alegria.
 
                         

O vídeo acima e um pequeno documentário sobre o famoso "Historic kiss". Totalmente em inglês, pequeno gafanhoto, mas qualquer um pode compreender facilmente o que eles estão dizendo.
 
Com seu lugar de destaque na cultura e na história dos direitos civis, Nichelle foi convidada pela NASA para ajudar em campanhas de recrutamento para a primeira astronauta mulher da agência espacial. A ação não apenas selecionou Sally Ride, a primeira mulher astronauta, e Mae Jemison, a primeira negra a viajar para o espaço, mas também os primeiros astronautas membros de minorias: Guion Bluford, Judith Resnik e Ronald McNair.
Nos dias de hoje existem poucas pessoas para quem eu possa falar "Eu admiro você", mas Nichelle Nichols é certamente uma delas.
 
 
Bill Bixby
 
Um dos maiores heróis que os seriados dos anos de 1980 já tiveram. "O Incrível Hulk" foi um dos mais divertidos programas que nós assitíamos na nossa infância e acredito que tenha influenciado não apenas outros seriados para TV, mas também as próprias histórias em quadrinhos.
Com a série "Arrow" (O Arqueiro Verde, embora ele nunca tenha usado esse nome) fazendo um grande sucesso na atualidade, podemos perceber o que ainda pode ser feito com uma boa vontade e roteiristas competentes. E que nostalgia isso trás.
Ah, perdoem-me Eric Bana, Edward Norton e Mark Ruffalo, mas não existirá nenhum Bruce Banner de verdade depois de Bill Bixby.
O legado deste ator é impressionante e tenho certeza de que ele também tinha o seu lado nerd, já que, antes de Hulk, já aparecia em outras séries de ficção, como quando caçava marcianos em Meu "Marciano Favorito". Sem falar que além de atuar, ele também produzia e dirigia.
O Bruce Banner de Bill Bixby para mim foi aquele que melhor incorporou o espírito do personagem dos quadrinhos. E quem não se lembra da sua solidão e reflexão, caminhando ao som de "Lonely man" ao final de cada episódio. Essa cena faz muito marmanjo suar pelos olhos nos dia de hoje.
 
                         

Esta série nunca deixará de ser lembrada e homenageada com as referências que vemos até hoje em tantos outros seriados, desenhos ou mesmo filmes.
Valeu, Bill Bixby. Você foi um dos responsáveis por tornar a nossa infância muito melhor do que ela poderia ter sido.
 
Enfim, estes foram alguns dos grandes astros dignos de todas as nossas homenagens e reconhecimento. E, pra finalizar, um incrível vídeo musical feito por um grande fã. Compartilho este sentimento do vídeo para com todos os atores, aqueles que permanecem conosco ou aqueles que já nos deixaram, presentes nesta listagem, vocês merecem.
 
             
         
              Saudades eternas.

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