domingo, 8 de julho de 2018

ENRICO PUCCI E O "CAMINHO PARA O CÉU"


Enrico Pucci é o antagonista de Stone Ocean, a parte 6 do mangá Jojo's Bizarre Adventure. Embora ele seja o "cara mau", seus objetivos finais são muito mais admiráveis do que os da heroína Jolyne Kujo (a minha "Jojo" favorita ao lado de Johnny Joestar). Jolyne quer sair da prisão, salvar seu pai (recuperando sua "alma" roubada por Pucci) e derrotar Dio Brando, enquanto Pucci deseja reiniciar o universo para que este exista sem o "mal", transformando-o em "céu". Embora Pucci seja um filadaputa e possa ter feito coisas ruins, por um ponto de vista mais analítico, ele é inocente e suas ações são de certo modo justificadas.

O próprio mangaká Hirohiko Araki, personificado no narrador deste conto, questiona ao leitor: "De quem é a culpa de todo o mal desta história? Cabe a você, leitor, decidir".
Na minha opinião, Enrico Pucci é uma das vítimas. Sua vida é governada pelas circunstâncias.


Foi seu irmão gêmeo fraterno, Weather Report (Domenico Pucci), quem foi trocado pelo filho natimorto de uma mãe desesperada na maternidade. Enrico poderia ter sido o escolhido...

Quem é Enrico Pucci?

Parte de uma família muito rica e descendente direto de um Papa, Enrico Pucci buscou cedo, na tenra idade de 15 anos, estudar em um seminário para se tornar padre.
Foi ele quem escolheu escutar a confissão da mesma mãe desesperada que sequestrara seu irmão, até então considerado morto. Enrico poderia ter escolhido não escutar aquela confissão...


Sua irmã mais nova, Pearla, estava naquele momento vivendo um romance com o seu próprio irmão, agora conhecido como Wes Bluemarine, desconhecendo a verdade por trás daquele encontro.
Enrico estava desesperado por sua irmã. Ele sabia a verdade. Mas o que poderia fazer? Ele descobriu a verdade através de uma confissão. E ele se via na obrigação de zelar por seus votos sacerdotais.

Enrico tinha a consciência de que a revelação de uma confissão é punida com a excomunhão. E por outro lado, ele temia pela salvação da alma de sua irmã, que cometia o grave pecado do incesto, mesmo que a verdade não fosse do seu conhecimento. Enrico protegeria sua irmã, ele não permitira que ninguém a machucasse, não se importando com os meios necessários para isso.


O silêncio sacramental do sacerdote em relação aos pecados ouvidos em confissão já foi utilizado como um tema de fundo em inúmeros filmes, inclusive, em um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos, dirigido com brilhantismo pelo mestre Alfred Hitchcock. Trata-se de A Tortura do Silêncio (I Confess), de 1953. E o mestre Hirohiko Araki utilizou-se também deste tema belo e interessante.

Os fins justificam os meios? Quais foram as medidas tomadas por Enrico para proteger Pearla? Por uma quantia considerável de dinheiro, da qual Pucci estava mais do que disposto e capaz de fornecer, ele contratou uma agência de detetives particulares. A agência ameaçaria o Wes para separa-lo de Pearla, posando como um grupo de membros de gangues ameaçadores para intimidá-lo.

As estipulações? Seria realizado com rapidez, não-violência, profissionalmente, e sem perguntas. No entanto, Pucci não levou em conta dois detalhes cruciais: a curiosidade humana e o preconceito.
A agência ocultara de Pucci suas afiliações antigas com o movimento Ku Klux Klan (KKK), a seita religiosa secreta do sul dos Estados Unidos. E por eles foi descoberto que Wes era fruto de um relacionamento inter-racial. Diferente de Enrico, Weather Report, tinha a pele clara, mas ainda era considerado negro.

Ao ver o casal compartilhar um beijo de boa noite, quatro dias depois de Pearla ter se aproximado de seu irmão, o detetive-chefe da agência assumiu uma raiva malévola.
Dentro de uma noite, Pearla foi atacada e molestada, enquanto Wes foi linchado e enforcado, pendurado em uma árvore. As cenas são muito fortes como se descrevessem os casos reais documentados durante a história.


O tempo todo, o detetive-chefe fez questão de avisá-los que foi o irmão de Pearla quem lhes dera autorização para aquela atividade. Depois de tudo dito e feito, Pearla desceu seu irmão da árvore, e em seu desespero, pulou do penhasco cometendo suicídio...

Curioso Enrico Pucci ter sido o único poupado da violência. Enrico Pucci é mulato, ele aparenta ser negro. Embora tenha nascido nos Estados Unidos, é descendente de imigrantes italianos (Ele é ítalo-americano). É católico, e ainda sacerdote...
A KKK teria motivos de sobra para pendura-lo em uma árvore ou ao menos queimar algumas cruzes na porta da sua casa ou diante da igreja onde ele comunga...


Os WASP ("White", "Anglo-Saxon" e "Protestant") da KKK não veem Enrico como americano, eles são extremamente agressivos com católicos, negros, latinos, judeus, nativo-americanos, asiáticos, e a lista segue.
A KKK é, na verdade, o conjunto de diversos grupos de extremistas, e não um só grupo. Embora tenha tido milhões de membros, atualmente ela conta com apenas alguns adeptos.

Os Estados Unidos são um país fundado por imigrantes desde a sua origem, mas, paradoxalmente, importantes facções políticas convencidas de que a imigração deveria ser drasticamente limitada sempre estiveram presentes. Muitas vezes, as justificativas para essa rejeição à imigração tiveram, como hoje, um tom étnico quando não abertamente racista. As limitações são sempre dirigidas a populações consideradas em qualquer época indesejável, desde os alemães no século XVII até os mexicanos, centro-americanos, passando pelos irlandeses e italianos, chineses e japoneses, franceses e russos, judeus da Europa Central e povos do Mediterrâneo em geral.

Procurem ler sobre o movimento Nativista iniciado nos Estados Unidos no século XVII. E assistam ao ótimo Gangues de Nova York, de 2002, dirigido por Marin Scorsese.





Muitas vezes exacerbado em situações de crise econômica, a persistência desses sentimentos mostra que há algo mais. A história dos movimentos nativistas nos EUA não começa em Charlottesville, mas vem de muito mais longe: desde seu nascimento como nação.

Mas voltando ao mangá... Provavelmente porque a notícia de um suicídio estava apenas começando a se espalhar, ou provavelmente devido ao fato de que a agência havia incendiado a casa dos Pucci momentos antes de atacar Wes e Pearla, Enrico entrou em cena em pouco tempo.
Ao ver o corpo morto de sua irmã sendo retirado do rio, ele desesperadamente entrou naquelas águas, puxando-a à força das mãos dos resgatadores e levando-a de volta à praia. Ele teve apenas um minuto para gritar e chorar pela sua irmã, o seu porto seguro, a pessoa que o jovem mais amou em sua vida. E mal ele poderia imaginar que a sua vida mudaria completamente a partir do seguinte acontecimento...

Por que ele seria uma vítima?


Em primeiro lugar; ele foi educado pela igreja a acreditar nos conceitos religiosos da fé e na vontade de Deus. Como um sacerdote, ele se via como parte da vontade de Deus e discípulo da fé. Além disso, como um homem religioso, foi criado para acreditar que "os fins justificam os meios"... (Isto não é uma crítica direcionada exclusivamente ao fanatismo religioso, mas a qualquer tipo de fanatismo.)

Em segundo lugar; Dio mudou o destino de Pucci ao curar o seu pé deformado de nascença na igreja. Foi Dio quem incentivou Pucci a fazer coisas antiéticas para "alcançar o céu". 

Em terceiro lugar; se não fosse pela flecha Stand (presenteada por Dio), Pucci teria renunciado a sua crença. Quando sua irmã comete suicídio e Wes quase morre, Pucci questiona profundamente sua vida. Se ele não tivesse conhecido Dio e ganhado a flecha, ele teria renunciado a sua crença e encontrado significado em outro lugar. Infelizmente, quando a flecha entra em seu corpo, sua fé em Dio também fica encravada. 



O primeiro poder que Enrico ganhou da flecha tinha tudo a ver com o seu sentimento. A capacidade de armazenar a "alma" e as memórias de qualquer pessoa em discos. E ele preservou para sempre as memórias de sua amada irmã em um destes discos.

Enrico Pucci é um personagem falho, mas de certa forma bem-humorado. Dio apenas se aproveitou de toda esta doutrinação. Em última análise, Pucci não fez nada de errado; foram suas circunstâncias e o azar que o levaram a fazer o que ele fez. O destino não foi gentil com ele. Seu objetivo final era puro; chegar ao "céu", e trazer todo o universo com ele.

"Meu malvado favorito" é o Enrico Pucci. Ele é um personagem simpático e até talvez identificável. Eu admiro seu amor pela perfeição e seu firme objetivo. Seu compromisso inabalável com seu propósito e sua genuína tentativa de reconciliar o mundo com suas crenças. Tenho profunda empatia por suas deficiências. Embora na superfície ele possa parecer um personagem unidimensional (fanático religioso), vejo Enrico como uma grande quantidade de contradições de ação e crença; um personagem extremamente humano, inocente e justificado.

Dio Brando, antes de sua morte, assassinado no Egito por Jotaro Kujo (trineto de Jonathan Joestar), estava pesquisando métodos para conceber um mundo perfeito através do uso de Stands altamente potentes, registrando todas as suas análises detalhadas e explicações abrangentes em um diário. Mas tais anotações foram lidas e consequentemente queimados pelo próprio Jotaro Kujo.


Oficialmente empregado em Green Dolphin Street Prison, uma prisão fora das zonas úmidas do Cabo Canaveral, Pucci trabalhava como um Sacerdote Prisional, desempenhando seus deveres pastorais. Sob sigilo, Pucci governou a prisão a partir das bases: inserindo discos de Stand em criminosos para controlá-los.
Seus capangas? Que tal um brucutu que atrai meteoros do espaço sideral? Uma jovem com a capacidade de bloquear a memória de curto prazo das pessoas até o limite de três informações? Uma versão made in China de Charles Manson? Uma Mulher-Plâncton?

Pucci supostamente também planejara uma sentença ilegítima poder vigiar seu irmão gêmeo (que sobreviveu ao massacre), mantendo-o na prisão onde vivia como um amnésico quieto e excêntrico.
Pucci mantinha seu irmão vivo na prisão unicamente porque havia pensado em salvá-lo eventualmente da "maldição" colocada sobre ele desde o dia em que nasceu.

"Você é o tipo de mau que não sabe que é mau... esse é o pior tipo que existe." É assim que, nas últimas circunstâncias, Weather Report definiu o seu perturbado irmão.


Enrico Pucci não transmitia ameaça, espelhava uma imagem rigorosa sem parecer autoritário, obstinado sem parecer excessivamente intrusivo. Ele mantinha alguns vestígios duradouros da religiosidade clássica: Dio descreve-o como um homem sem necessidade de poder político, fama, riqueza ou desejo sexual. Seus motivos para assumir o controle da prisão não eram para se deliciar com o controle que a autoridade fornece. Pelo contrário, ele estava mais do que satisfeito em seguir as regras de seus supostos superiores, desde que seus objetivos não fossem comprometidos.
Ele movia as ações para os seus planos pedindo educadamente aos outros, em vez de distribuir ordens impetuosas. Ele rezava. Ele tinha a Bíblia aprendida de cor. Ele ouvia a adoração religiosa em seu tempo livre.

Apesar dos seus ideais, Pucci era um tanto excêntrico. A amplitude de sua inteligência era quase ilimitada. Ele exibia um claro fascínio pela aritmética, biologia e psicologia. Estava mais do que disposto e pronto para discutir em grande detalhe a fisiologia de um animal ou as mensagens subliminares em cartazes de campanha ou a criptozoologia, não importando o quão triviais sejam os fatos concretos. E como Dio, ele era excelente em exalar um senso de compaixão e carisma quando necessário. Era a intensidade de sua devoção que atraía a admiração de tantas pessoas (os guardas da prisão, os filhos de Dio...). Pucci realmente acreditava estar fazendo a coisa certa. Não apenas por si, mas pela nobre busca de um futuro melhor para a humanidade como um todo.

Dependendo de quem você pergunta, alguns dirão que há poucos que podem rivalizar com ele em termos de generosidade, especialmente quando comparado aos severos guardas prisionais ansiosos para dispensar violência a qualquer sinal de desordem.


É de seu interesse que pessoas venham a segui-lo. Quando a oportunidade se apresenta, ele prefere delegar agressão àqueles considerados pecadores irredimíveis, em parte para manter as aparências, em parte para reafirmar seu próprio senso de virtuosidade. Para a causa de Pucci, ou as pessoas vivem uma vida de pecado, ou são utilizadas para um propósito maior do que elas. Até certo ponto, ele não acredita em reforma pessoal, o que tanto justifica quanto contraria sua descrição oficial de trabalho, dependendo da sua avaliação. Uma vez que você nasceu amaldiçoado, você morre amaldiçoado. É uma questão simples de destino. Pucci está convencido, esta era está amaldiçoada, os Joestars são amaldiçoados... assim como todo aquele que se opõe a ele.

Por que ele é um vilão?

Dio estava usando Enrico Pucci? Ou será que foi Enrico Pucci quem estava usando Dio?
Fundamentalmente, Pucci é um homem totalmente incapaz de se examinar em termos de certo ou errado, porque simplesmente não há "errado" para ele em suas ações. Arrependimento e vergonha não têm lugar em seu raciocínio. Porque se fizessem, serviriam como lembretes insuportáveis ​​dos erros de seu passado, ou pior ainda, da pergunta confusa sobre sua responsabilidade pessoal com relação a Wes e Pearla. Desde sempre, o lema "coisas ruins não acontecem com pessoas tementes a Deus" foi vigorosamente doutrinado em sua psique. Para lidar com as muitas contradições de sua vida, "coisas ruins" são apenas obstáculos, não consequências, o que elimina a responsabilidade pessoal, e "coisas boas" são sinais divinos de que ele está destinado. Claro, Pucci não tem problema em flexionar seus músculos de atenção seletiva em todos os lugares, alimentando seu senso de superioridade a alturas extremas sob as mais generosas estimativas. Seus ideais intelectuais, sua devoção, sua lealdade, tudo isso é mais do que suficiente para justificar seus meios, por mais sinistros ou corruptos que pareçam.


A marca de violência de Pucci é dissimulada, não bárbara, totalmente maquiavélica em sua execução. Ele está inclinado a lutar na presença de outro perigo presente e, muitas vezes, arquiteta deliberadamente seus confrontos para que seus oponentes enfrentem dilemas internos importantes.
Pucci não fechou os olhos para suas próprias fraquezas, é um planejador especialista, graças a uma paciência duradoura e a sua forte convicção.

Mesmo o menor indício de incerteza, de mãos dadas com a sensação de perder o controle, é o suficiente para lhe dar surtos de ansiedade nervosa. Combinado com uma demonstração rigorosa de contorção de mãos, contar números primos é seu mecanismo de enfrentamento em tempos de alta tensão, unicamente pelo fato de que eles não podem ser divididos por eles mesmos além de 1: o "número de Deus", um símbolo de invencibilidade eterna. Em suas próprias palavras? Isso lhe dá força. Deus está sempre no controle e, como Pucci se considera o embaixador mais dedicado de Deus, ele também deve estar sempre no controle. Até mesmo sua ideia de "céu" é aquela em que todos os humanos nasceriam sabendo o que está além do horizonte de seu futuro, para que possam resignar-se a seu destino com dignidade. Em última análise, Pucci subscreve uma forma radical de fatalismo religioso, aumentada por uma infância em que o desconhecido o condenou a tumultos.

Avançando para 2011. Enrico Pucci não contava que seu plano infalível para alcançar o céu tivesse uma falha crucial... A filha de Jotaro Kujo, Jolyne Kujo, tinha uma tenacidade capaz de envergonhar os mais durões heróis do cinema brucutu. Mas infelizmente todos os acontecimentos conspiraram a favor de Pucci e ele foi capaz de ler as memórias de Jotaro, o que era necessário para completar o "caminho para o céu".



* a partir daqui, Spoilers dos últimos capítulos da parte 6 do mangá * Pucci alcançou uma das maiores contagens de corpos de protagonistas que um vilão poderia sonhar. Todos os heróis (Jolyne e seu pai incluídos) pereceram em suas mãos... Pucci adquiriu a habilidade de alterar o tempo relativamente a tal ponto que gerou uma singularidade e, bem, reiniciou todo o universo, elevando-se efetivamente a algo semelhante à divindade.

Como eu disse: a vida de Pucci é governada pelas circunstâncias, do começo ao fim. E, no final, foi Emporio, aparentemente o herói com menos poderes, quem acabou matando-o. Como? Pouco antes do fim, bem no momento da morte de Weather, este deu a Jolyne seu disco Stand - que continha o seu poderosíssimo Weather Report - na esperança de que ela pudesse usá-lo para acabar com o seu irmão para sempre. Jolyne então deu aquele disco a Emporio, sabendo que Pucci sequer sabia da existência do garoto... Em um esforço para fazer um golpe letal nele, Pucci acidentalmente empurrou o disco Stand de Weather na testa de Emporio, fazendo com que a concentração de oxigênio na sala fechada em que se encontravam subisse exponencialmente. O padre foi vencido por sua própria habilidade! Embora seu relógio biológico estivesse funcionando normalmente, o tempo corria a velocidades incalculáveis e por isso ele estava respirando a uma velocidade muito superior.

Intoxicado por oxigênio 100% puro e imobilizado, Pucci implorou a vontade de Weather de deixá-lo viver, pelo menos até que sua "ascensão" ao céu estivesse completa, para que o universo não fosse reiniciado sem ele, pelo bem da humanidade.
A vontade de seu irmão, entretanto, não permitiu que Pucci sobrevivesse. A morte de Pucci foi por causa da retribuição acima de tudo, a vingança demorou a chegar.
Emporio foi devolvido são e salvo, mas o estrago foi feito: Emporio teria que viver agora em uma realidade alternativa, como a única pessoa que tinha uma noção do que havia acontecido antes da reinicialização do universo.

"O caminho para o céu" decifrado

A "receita" para alcançar o céu registada no diário de Dio Brando: o osso de Dio; as vidas de 36 humanos que cometeram pecados (os 36 prisioneiros residentes em Green Dolphin Street Prison), porque estes guardam um grande poder dentro de si; e os 14 nomes (Escada Espiral, Besouro Rinoceronte, Cidade Fantasma, Figueira, Besouro Rinoceronte, Via Dolorosa, Besouro Rinoceronte, Ponto de Singularidade, Giotto, Anjo, Hortência, Besouro Rinoceronte, Ponto de Singularidade, Imperador Secreto).




O osso de Dio evoluiu para um estado semelhante a um bebê de cor verde, o Green Baby, que ao se fundir ao Stand Whitesnake de Pucci, levou este a evoluir para o Stand C-Moon, que futuramente tornou-se o Made in Heaven, o Stand definitivo de Pucci.

O Made in Heaven pode controlar a gravidade de todos os elementos do universo, fazendo o tempo avançar de tal forma que, em um momento, dia e noite tornam-se um só. No céu, o Sol era visto apenas como um rastro luminoso. E Enrico Pucci tornou-se imbatível. Por estar sincronizado com a passagem do tempo, ele está sempre se movendo com velocidade infinita. Do ponto de vista de quem o vê, ele está sempre se movendo, mesmo quando está parado.
Então chegamos a um ponto em que o universo entra em colapso, sendo aniquilado, enquanto outro universo é construído em seu lugar.

No quadro abaixo temos, na coluna da esquerda, cada um dos nomes ditos por Enrico Pucci para causar a fusão do Whitesnake com o Green Baby e, na coluna da direita, o seu suposto significado.

Escada Espiral
O Começo
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Cidade Fantasma
O Apocalipse
Figueira
Poder sobre a natureza
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Via Dolorosa
O caminho do sofrimento
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Ponto de Singularidade
O Fim
Giotto
Criando um novo começo
Anjo
Mensageiro
Hortênsia
Renascimento
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Ponto de Singularidade
O Começo
Imperador Secreto
Deus

E a seguir, para finalizar, descrevo e especulo sobre as possíveis inspirações que Hirohiko Araki buscou para justificar a escolha de cada uma das palavras. Lembrando sempre, claro, de que é tudo apenas especulação...


Escada Espiral: tempo e humanos são elementos que nos conectam diretamente ao Made in Heaven. O tempo pode ser pensado como um loop, ao menos quando termina, mas ao mesmo tempo, o tempo nunca termina. Tempo também é o começo, o começo de tudo. E qual o começo da vida? O que uma escada espiral lembra você quando pensa no começo da vida? DNA, o código de toda a vida e a espiral que começa tudo.


Besouro Rinoceronte: inseto da subfamília Dynastinae, a subfamília dos escaravelhos. Os escaravelhos têm um enorme efeito na história do Egito.
Khepri era o deus do renascimento. Acreditava-se que ele renovava o Sol a cada dia. Seu nome influenciou inclusive a própria língua. O verbo "Khepre" significa "renascer", "desenvolver".
Pucci o cita quatro vezes. E você pode relacioná-lo às quatro estações ou aos quatro estágios do desenvolvimento que o Green Baby passa (Osso de Dio, Green Baby, C-Moon e Made in Heaven). Logo, besouro rinoceronte é igual a renascimento.


Cidade Fantasma: este é o item mais fácil de especular. Deve significar o Apocalipse, isto é, fim de tudo.


Figueira: você já deve estar familiarizado com a história de Adão e Eva.
Qual era o fruto proibido? A maçã deve ter sido a sua resposta, porém...
Dizem que no Gêneses nunca foi mencionado qual é o fruto proibido, no entanto Adão e Eva usavam folhas de figueira para se cobrirem, por isso há uma teoria de que o fruto proibido seria um figo - símbolo do desafio a Deus e a uma maldição.


Adão e Eva desafiaram Deus. E quando Jesus amaldiçoou uma figueira, demonstrou sua autoridade sobre a natureza. Assim, podemos deduzir que figueira representa o controle sobre a natureza, o que é ainda mais interessante quando você lembra do irmão de Pucci que literalmente pode controlar a natureza.

Besouro Rinoceronte: é citado novamente anunciando um segundo estágio no desenvolvimento.


Via Dolorosa: O "caminho do sofrimento", o "caminho da tristeza", simboliza a luta, a dor ou qualquer tipo de dificuldade no caminho para o céu.

Besouro Rinoceronte: terceiro estágio do desenvolvimento.


Ponto de Singularidade: na física do espaço, no centro de um buraco negro, há uma única dimensão unidimensional. Neste ponto ridiculamente pequeno, a densidade e a gravidade tornam-se infinitas, e o espaço-tempo curvado infinitamente.
Conexão perfeita com o funcionamento do C-Moon e do Made in Heaven.
Após o fim do universo há o ponto de singularidade, onde o universo original acabou e um universo novo nasceu, basicamente é o ponto onde o fim acabou, mas o início ainda não começou.


Giotto: não é um lugar ou uma "coisa", mas uma pessoa. Giotto di Bondone foi um artista do Renascimento, aparentemente o primeiro de uma boa quantidade de artistas durante esse tempo.
Sua arte pode ser interpretada como uma visualização da Bíblia.
O nome deste personagem histórico pode representar uma visualização, especialmente por aparecer após o Ponto de Singularidade. O começo que não pode ser visualizado, mas possível de ser visto porque está entrando em forma.


Anjo: significa mensageiro.
É apenas especulação, mas pensem nisso: quem ajudou Pucci a completar seu plano mesmo contra a vontade dele? Ninguém senão o próprio Jotaro Kujo.
Se Jotaro nunca tivesse lido o diário de Dio antes de queimá-lo, Pucci nunca poderia saber como alcançar o céu porque sua pesquisa nunca chegaria a tão longe. Jotaro queria salvar o mundo, mas acabou sendo a razão para o sucesso do Made in Heaven.


Hortênsia: florescer, afinal é o que as flores fazem. As hortênsias são plantas que precisam de muita água, o que se conecta ao seu próprio nome que vem de duas plavras gregas: Hydrangea, hydros (água) e angos (navio). Este nome também representa  uma vasilha de batismo, símbolo de regeneração, renascimento, etc.
O renascimento que houve foi o do Green Baby porque o corpo de Dio é o corpo de Jonathan Joestar (do pescoço para baixo). Então houve o renascimento de Jonathan... Bem, a genética de Dio é meio louca quando pensamos em Green Baby, Giorno e seus meio-irmãos.

Besouro Rinoceronte: quarta etapa do desenvolvimento.

Ponto de Singularidade: o fim dos fins e o começo dos primórdios.


Imperador Secreto: imperador é símbolo de poder, autoridade e paternidade. Mas, por que ele é um segredo? Porque não sabemos como ele é. Uma pessoa que você nunca viu, fé e essas coisas...
Sem mexer com as sensibilidades religiosas de ninguém, o imperador secreto deve ser algo como Deus. O ponto de singularidade vem antes do imperador secreto porque é a transição para o começo de tudo. Logo, o elemento mais significativo para um homem como Enrico Pucci.


36 vidas de criminosos sacrificadas? O osso de Dio? No futuro talvez possamos amarrar estes dados com os significados reais dos 14 nomes. 

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