sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MITOLOGIA, HISTÓRIA E O UNIVERSO DRAGON BALL

Jornada ao Oeste - "Son Goku em conflito no Paraíso"
Arte de Gongbi Lianhuanhua, por Liu Jiyou
Dragon Ball é uma história de amadurecimento e perseverança, uma verdadeira epopeia das artes marciais nos animês e mangás. E o universo presente na obra de Akira Toriyama está fortemente influenciado pelas mitologias, principalmente as chinesas, elementos da cultura pop, fatos históricos e até mesmo obras literárias.
Através do mangá, acompanhamos o crescimento do herói Son Goku, e sua evolução de um menino para um homem, visto através da visão única de Toriyama. 


Goku é originalmente um menino de rabo de macaco de origem misteriosa. Ele monta uma nuvem voadora e porta um bastão mágico, e para todos os efeitos, nos lembra o Rei Macaco Sun Wukong (seu nome chinês), o personagem homônimo de Jornada para o Oeste, o antigo conto chinês no qual a série se baseia.

Original Son Goku (Sun Wukong)
Isto em si é interessante, pois o Son Goku de Jornada ao Oeste é o representativo do espírito inquieto do homem e possui o que é conhecido como a "mente selvagem", desencadeada, sem foco, sendo constantemente distraído por novas ideias, acontecimentos e objetos, pensando apenas em suas necessidades e desejos.
Ao contrário do Rei Macaco, Goku é uma criança perfeitamente sublime, às vezes alheio ao mundo que o cerca, sem medo ou dúvida, sempre justo e compassivo. Mesmo em DBZ ele permanece perfeitamente sereno a maior parte do tempo e desta forma assume características do inquieto Rei Macaco e do Santo Louco, personagem também de Jornada ao Oeste.

O Santo Louco
O Santo Louco coloca toda a sua fé no divino, está sempre à procura de dar tudo o que têm ou até mesmo dar a vida pelos outros, independentemente de suas más ações, na crença de que suas ações estão em todos os momentos sendo guiadas por forças superiores.
Goku é sempre inocente, profundamente compassivo e na estrada eterna em busca da perfeição marcial (que em DBZ é utilizada como um substituto para a iluminação como retratada em Jornada ao Oeste). Em sua busca, no entanto, Goku aparentemente aliena-se, gastando menos tempo com sua família e comprometendo o seu relacionamento com sua esposa por constantemente colocar seu filho Gohan em perigo mortal.
Nesta história Goku é o herói hercúleo da mitologia grega ou o mártir da mitologia cristã. Podemos tentar imitá-lo, mas não podemos ser ele; ele está para nós como está para sua família, em um pedestal, sempre fora de alcance, ordenado pelos deuses, apoiado por um coro grego, e tem uma perfeição que é aparentemente inatingível.

Coro grego
O coro grego é um dispositivo teatral que tem suas origens no antigo teatro grego. Ele consiste em um grupo de pessoas, geralmente ao lado da área de atuação, que comentam as cenas e revelam informações ocultas que o público pode não estar à par.
O coro grego para DBZ tipicamente consiste de Kurilin, Yamcha, Tenshinhan e Chaos, mas é muitas vezes acompanhado por outros que, devido à sua relativa insignificância, são incapazes de participar da trama principal. 

Há vários aspectos divinos em Dragon Ball, como as similaridades entre Goku e os mestres espirituais, e ainda a forma como o bem sempre triunfa sobre o mal.
Ao contrário do que muitos possam imaginar, Dragon Ball é uma obra que possui muitíssimas particularidades, rendendo extensas análises.
Vamos a partir de agora analisar tais particularidades. A maioria delas foram pesquisadas, e há ainda algumas de minhas próprias teorias.


Original Rei Enma, juiz dos mortos
Origem no misticismo oriental

Vagamente baseado em Jornada ao Oeste, que conta a jornada de peregrinos em uma missão sagrada para encontrar os sutras budistas da Índia, Dragon Ball é repleto de referências espirituais de uma perspectiva do Leste Asiático. Sun Wukong, o Rei Macaco, é o personagem em que Goku é baseado. E a inspiração para o próprio Sun Wukong é provavelmente Hanuman, o deus indiano e guerreiro.

Rei Enma em DBZ e Estátua do Rei Enma em santuário xintoísta
Rei Enma, senhor da vida após a morte, é baseado em uma divindade japonesa e chinesa que pesa a quantidade de virtude e karma na alma de uma pessoa para determinar onde esta deve ser enviada, Céu ou Inferno, e nós encontramos o mesmo personagem em Dragon Ball.
Há uma infinidade de outros exemplos e referências às histórias as quais as crianças budistas japonesas como Akira Toriyama teriam sido ensinadas enquanto cresciam.
O Céu e a vida após a morte tem um grande papel em Dragon Ball Z. Depois de se sacrificar para salvar a vida de seu filho (e do próprio planeta) Goku é enviado para a vida após a morte, onde sua alma é julgada pelo rei Enma. O rei determina que ele é puro de coração o suficiente para subir ao Céu, mas Kami-Sama pede-lhe como um favor especial que Goku seja treinado pelo Kaioh do Norte, Senhor da Galáxia do Norte, para que ele esteja preparado para a chegada de seus novos inimigos.


Personagens originais do conto Jornada ao Oeste:
Genzo Sanzo (Bulma), Sha Wuijing (Yamcha), Sun Wukong (Goku) e Zhu Bajie (Oolong).
Peregrinação

Os guerreiros Z, com Goku em particular, viajam ao redor do mundo (e até mesmo de outros sistemas estelares) em busca das Esferas do Dragão. Eles embarcam em uma peregrinação para encontrar relíquias sagradas que contêm o poder de alterar o mundo conhecido, reverter a morte para a vida, conceder a imortalidade, fornecer incalculável fortuna, riqueza, ou cumprir quase qualquer desejo humano.
Enquanto nesta busca, eles conhecem muitas pessoas, superam inúmeras dificuldades e melhoram a si mesmos a cada passo. Mas depois de conseguir seu objetivo e invocarem o dragão, em sua maior parte eles fazem coisas desinteressantes para eles, ou preferindo ajudar as pessoas com quem desenvolveram fortes vínculos durante a sua jornada. A mensagem subjacente é que a busca não é sobre encontrar as relíquias, mas sobre encontrar seu verdadeiro eu.

O guerreiro Bora é revivido pelas Esferas do Dragão
em Dragon Ball: Mystical Adventure
Shugyo é a palavra japonesa para "treinamento", mas seu uso original refere-se a "formação espiritual", mais notavelmente por monges ou artistas marciais em um caminho de iluminação.
Em Jornada ao Oeste, Son Goku acompanha o monge Genzo Sanzo em busca pelos sutras secretos da Índia. O papel do monge é desempenhado na história original do mangá por Bulma. E justamente é um monge (Kurilin) quem acaba transformando-se no melhor amigo de Goku.
O ato de shugyo é treinar-se física e espiritualmente para superar um demônio externo ou interno. Você só terá concluído o treinamento quando você alcançar um nível alto o suficiente para fazê-lo, e muitas vezes a verdadeira batalha vem de dentro, em uma tentativa sempre constante para derrotar a si mesmo, revelando o verdadeiro eu mais profundo.



O Bem Contra o Mal

O bem e o mal desempenham um papel importante em muitos Shonen mangás de batalha, e Dragon Ball é um exemplo perfeito. Os "demônios" que os guerreiros devem enfrentar parecem surgir do nada, e a dicotomia do bem e do mal, invariavelmente, resultam com o bem como o vencedor. Talvez não a curto prazo, mas sempre a longo prazo.
Mas estes não são valores absolutos, como anteriormente personagens demoníacas podem aprender a mudarem suas noções perversas, anexos e comportamentos para se tornarem uma força do bem. Lições como certo e errado e que é mais sensato para seguir um caminho de justiça são tão claras quanto o dia.

Redenção é um princípio fundamental em Dragon Ball. Piccolo é um excelente exemplo. Ao interagir com Goku e sua família através de um período de décadas, seu coração anteriormente demoníaco torna-se suave e compassivo. A amplitude da sua compaixão se expande tanto que ele acaba salvando a terra e é perdoado por seus crimes e permitido a ascender ao Céu.



Os imortais

Imortais e da busca pela imortalidade são elementos muito presentes em Dragon Ball. A longevidade é frequentemente vista como um sinal de seres divinos na Terra.
O primeiro mestre de Goku, Muten Roshi, o mestre Kame, é considerado por alguns como um imortal já com mais de 300 anos de idade quando visto pela primeira vez. Sua força de vida nunca diminui mesmo quando ultrapassado por todos os seus alunos. Seu espírito, com suas taras pelas belas e jovens mulheres, permanece sempre potente.

Chaos é um VAMPIRO!
Por mais estranho que isso possa parecer, o Chaos sempre foi um dos meus preferidos.
O eterno "irmão" de Tenshinhan amarga o fato de não ser o personagem favorito de ninguém. Mas é claramente compreensível. Quem seria fã do coitado do Chaos? Ele é fraco, mais atrapalha do que ajuda nas lutas, e ainda por cima é muito burro (nem sabe contar sem usar as mãos).
Poucos vão concordar, mas Chaos foi o terráqueo com a morte mais digna durante a batalha pelo destino da Terra na saga dos saiyajins.
Chaos é mais um personagem com um conceito interessantíssimo, embora pouco explorado. 
Sua aparência é incomum, pele extremamente pálida, marcas no rosto e um estilo um tanto mórbido para se expressar. Dotado de poderes telecinéticos que possivelmente nasceram com ele, uma vez que nem Tenshinhan, nem seu mestre Tsuru e nem tão pouco Tao Pai Pai fazem algo parecido. Ele dificilmente poderia ser considerado um humano, embora seja classificado como um terráqueo.

Mei-Ling e Hsien-ko, irmãs Jiang-shi.
Game Darkstalkers da Capcom.
Chaos apresenta um design que lembra vagamente o design de uma personagem muito popular de uma série jogos de luta da Capcom, Hsien-ko de Darkstalkers.
Hsien-ko é classificada como uma Jiang-shi, um tipo de vampiro (ou zumbi) chinês, e Akira Toriyama baseou-se nestas criaturas folclóricas para criar Chaos.

Original Jiang-shi
Existem várias maneiras diferentes para uma pessoa tornar-se um Jiangshi. Eles são, tais como os vampiros ocidentais, mortos-vivos, e algumas pessoas também vivem podem se transformar em Jiangshi depois de serem mordidas ou atacadas por um. 
As pessoas que cometem suicídio e cujos corpos não são enterradas após a morte, ou cujos cadáveres se tornam possuídos por espíritos maliciosos podem transformar-se em Jiangshi
Sacerdotes taoístas também podem reanimar os mortos e transformá-los em Jiangshi.


Não está muito claro que Chaos possa realmente ser um Jiang-shi, mas é notável o detalhe de que ele nunca envelheceu ou sofreu quaisquer tipo de mudanças em sua aparência ao longo de TANTOS anos de sua existência. 
Ele é uma eterna criança, mesmo com os muitos anos de passagem de tempo na história de Dragon Ball. E a resposta para tudo isso talvez seja o fato de Chaos ser um vampirinho chinês.

Impressionante e adorável, não é?



Shin-jin e a Cosmologia de Dragon Ball

Segundo a "mitologia Dragon Ball", os deuses não são eternos, enquanto o bem e o mal, simples conceitos e ideias, estes sim são eternos. 
Os deuses nascem e morrem como qualquer ser mortal, embora possam viver por milhares de anos.
Como nada vivo é eterno, o bem e o mal necessitam de representantes, como Kami-Sama, representante de uma das milhares de forças do bem, e Dabura, representante supremo das forças do mal, assumindo o papel do "diabo".
O Mundo Espiritual é dirigido por uma hierarquia. Começando pelo regente sobre os mortos o Rei Emma, seguido pelos senhores Kaioh, o Grande Senhor Kaioh e finalmente os Supremos Senhores Kaioh (Kaioh-Shins). Shin-jin é o nome das raças dos Kaiohs e Kaioh-Shins.
Existe uma população de oitenta Shin-jins por geração e eles nascem como um fruto de uma Árvore Sobrenatural. Ao nascer, eles disputam títulos de Kaiohs e Dai Kaiohs. Apenas os que nascem dos frutos dourados podem se tornar Kaioh-Shins ou Dai Kaioh-Shins. Os que nascem com maldade no coração são enviados ao inferno e se tornam Makaios ou Makaio-Shins.
Os mais interessantes são os Kaioh-Shins, muito poderosos e responsáveis por proteger e dar vida aos seus respectivos quadrantes do universo, repletos de galáxias, pelos quais são responsáveis.

Universo DBZ
Na cosmologia Dragon Ball, o universo é dividido em níveis de forma similar ao modo como os nórdicos imaginavam o universo, com vários mundos paralelos ligados entre si através dos galhos da colossal árvore mística Yggdrasil.

Yggdrasil e os nove mundos.
Além disso, quando um Kaioh-Shin morre, ele pode reencarnar na forma de uma planta.
O Animismo também está muito presente nas crenças orientais. 

Kaioh-Shin do Sul e Kaioh-Shin do Oeste
Rou Kaioh-Shin é o velhinho antepassado do Kaioh-Shin do Leste. Ele é um deus "onipotente" muito sábio e totalmente pervertido. Com seus olhos divinos pode observar as ações de todas as pessoas da Terra, mas prefere usar tal dom para enxergar através das paredes e ver as garotas sexys tomando banho e trocando de roupa. Sem palavras, ele é demais. Mesmo já no fim da sua vida (restam-lhe "apenas" mais mil anos), sua testosterona não parece ter fim, e mesmo que ele seja um hermafrodita! 

Rou Kaioh Shin e sua outa metade.
Rou Kaioh-Shin, tal como o Homem Negativo da Patrulha do Destino, fundiu-se com uma mulher (tornando-se Rebis), e tornou-se uma nova entidade. O fato de ser meio-futanari deve incomodá-lo um pouco, pois já alegou que, se pudesse desfazer a eterna fusão Potara, a teria desfeito há muito tempo. Quando jovem, teve um de seus brincos de fusão foi roubado por uma bruxa horrorosa, e por isso acabou fundindo-se com ela. Mas graças a isso, Rou Kaoih Shin pode agora usar magia.

Rebis
"Rosarim Philosophorum"
Viajando agora: O elemento central presente Rosarium Philosophorum dos filósofos mediais dos século XVII, considerado uma pseudociência, é o casamento alquímico de opostos que levam à criação de uma terceira entidade (Rebis), esta seria um tipo de "ser perfeito", completo com ambos os sexos. O conceito é semelhante a procriação ou como as reações químicas criar novos compostos.
Este conceito também é explorado no mangá Fullmetal Alchemist.



O terceiro olho

Tenshinhan é um dos melhores, e na primeira geração da série, ele era facilmente apontado como o mais poderoso depois de Goku.
Sua história de redenção é uma das melhores presentes na série. De um lutador impiedoso que aleijava seus adversários após vencê-los em batalha, torna-se um verdadeiro "gigante gentil". Tenshinhan. entretanto, não poderia ser culpado pelo que era, devido a sua criação. Adotado e treinado pelo impiedoso mestre Tsuru, ferir e assassinar pessoas fora essencialmente a educação que recebera.
Antes de mais nada, Tenshinhan, apesar de sua aparência, é humano. 
Para entender o personagem, acredito ser necessário falar do estilo de Akira Toriyama para a criação de personagens.
Algo que chama a atenção em Tenshinhan é o fato dele, assim como seu amigo Chaos, ser bem diferente dos outros personagens humanos da série. Tenshinhan é um "triclope", e isso não deveria ter tanta importância para quem lê ou assiste Dragon Ball.
Akira Toriyama, como muitos outros mangakás, não esconde as influências de outros autores, e entre os seus preferidos estão o deus do mangá Osamu Tezuka e o mundialmente conhecido Walt Disney. A influência de Disney é bem evidente até mesmo em Dragon Ball, já que grande parte dos personagem da série são animais antropomórficos. Então poderíamos considerar que Tenshinhan possui três olhos simplesmente por esta ser a vontade de Toriyama.

Shiva e o terceiro olho
Na cultura popular, o terceiro olho é um símbolo da iluminação (como o deus hindu Shiva). Alguns mestres acreditavam que poderiam alcança-lo através de meditação profunda.
O terceiro olho de Tenshinhan é também uma clara referência ao personagem Sharaku, do mangá de 1974 The Tree-eyed One, criado por Osamu Tezuka. 

Sharaku
The Tree-eyed One
O personagem Sharaku é um descendente de uma raça de humanos de três olhos, e essa pode ser a origem de Tenshinhan. 
Havia um rumor de que Tenshinhan não seria um terráqueo, mas o próprio Toriyama o descreveu sempre como terráqueo genuíno. 
Podemos então considerar Tenshinhan um mutante, e mesmo que não seja tão humano quanto parece, é sem dúvidas o mais poderoso terráqueo. O terceiro olho é característica física também é a do personagem Erlang Shen de Jornada ao Oeste.

Son Goku confronta Erlang Shen
Hoje consideramos Tenshinhan como o último descendente do clã dos Três Olhos, segundo afirma o Daizenshuu, assim como Sharaku de Osamu Tezuka. Graças a sua genética incomum, Tenshinhan é capaz de feitos surpreendentes para qualquer outro ser humano. Sua constituição física é claramente superior aos dos demais terráqueos, seus três olhos praticamente lhe dão "a visão além do alcance" e ele ainda revelou ter quatro braços (!).
Tenshinhan derrotou Burter e Jeice das Forças Especiais Ginyu sem nenhuma ajuda, confrontou Imperfect Cell durante muito tempo, e foi forte o bastante para deter um golpe do Super Boo que explodiria toda a Terra!



Deus e as Esferas do Dragão

Deus é o nome do cara! Kami (a palavra japonesa para Deus ou Divino) é o título do guardião da Terra, e ele cuida do planeta e mantém o seu equilíbrio.
Muito próximo de uma analogia a figura do deus judaico-cristão, apenas observa o mundo e seus habitantes com seus olhos que a tudo veem, mas ele está sempre disposto a dar uma mão celestial quando necessário.
O seu conceito de Piccolo e Kami-Sama é de longe o mais interessante de toda a história de Dragon Ball!
Originalmente identificado como um demônio verde sanguinário e megalomaníaco com tendências a ditadura e ao controle mundial, Piccolo, também chamado Rei Piccolo, era nada menos do que a face sombria de "Deus". E o Piccolo ao qual estamos mais familiarizados é o filho e também a reencarnação do diabólico rei dos demônios. A ideia de um deus-trino foi claramente utilizada na concepção do personagem.
Ao derrotar o Piccolo Daimaoh original, Goku foi convidado a conhecer Kami-Sama no Céu. Semelhante também ao Son Goku de Jornada ao Oeste que devido aos seus grandes feitos foi convidado a mudar-se para o Céu onde receberia o status de divindade.


Na história do conto chinês, Son Goku se revolta contra o Senhor do Céu ao descobrir que apenas seria um de seus criados. O Rei Macaco causa uma grande confusão no Céu até que confronta Buddha e descobre o quão insignificante são seus poderes frente aos deuses. Mesmo voando a centenas de milhares de quilômetros percorrendo toda a Terra, Son Goku percebe que não pode escapar da palma da mão de Buddha.

Ikki de Fênix encontra Buddha na casa de Virgem.
Animê Saint Seiya.
Esta passagem é citada em Saint Seiya, quando Ikki de Fênix confronta Shaka de Virgem, e o cavaleiro de ouro compara o poder do irmão de Shun ao poder de um macaco na mão de Buddha.
No mangá original, quando Shaka confronta Ikki pela primeira vez na Ilha da Rainha da Morte, ele chega inclusive a citar o nome de Son Goku.


Por vencer o Rei Piccolo, Goku considerou-se o mais forte do mundo, mas ao confrontar Kami-Sama, descobre o quão insignificante ele poderia ser, e esta foi talvez a sua maior lição sobre humildade.
Kami-Sama criou as Esferas do Dragão e as espalhou pela Terra na esperança de que os humanos, caso as reunissem, desenvolvessem virtudes como a coragem. Infelizmente a maioria dos humanos desejavam o poder das Esferas para objetivos mesquinhos e fúteis. Mas em consideração ao mais puro dos terrestres, Goku, o único capaz de encontrar-se com ele, Kami-Sama decidiu reviver as Esferas do Dragão que foram destruídas pelo Rei Piccolo e devolve-las aos humanos. 

Nanso Satomi Hakkenden
A lenda que Akira Toriyama utilizou na concepção das Esferas do Dragão, ao contrário do que muitos possam imaginar, não é chinesa, mas japonesa.
Trata-se de Nanso Satomi Hakkenden ("Satomi e os Oito Cães"), um conto sobre uma princesa que fez sexo com um cachorro (!) e desta relação nasceram, não apenas sete, mas oito esferas, que se espalharam pelo mundo e transformaram-se em crianças. E, sim, criaram um animê baseado nesta lenda.


Dragon Ball inspirado por eventos históricos: 
O Exército Vermelho e a Red Ribbon

Exército Vermelho é um termo usado para descrever um exército que se reúne sob a bandeira vermelha, um símbolo militarista de uma força comunista.
O termo foi cunhado pela primeira vez por seu comandante Leon Trotsky para referir-se ao exército recém-criado da Rússia Soviética após a Revolução Bolchevique de 1917. O termo continuou a ser usado na Europa nas próximas décadas e tornou-se sinônimo de violência, derramamento de sangue e poder. Depois disso, o termo se espalhou pelo leste quando Mao Zedong criou seu próprio Exército Vermelho na China, que mais tarde seria conhecido como o Exército Popular de Libertação. Ambos dominaram militarmente a Ásia por várias décadas, confrontando inclusive o Japão, o local de nascimento de Dragon Ball.

Gerenal Red e Josef Stalin
Nós encontramos o Exército Vermelho em Dragon Ball na forma do exército Red Ribbon, uma paródia da ameaça militar unificada. A maioria do exército Red Ribbon e todos os seus líderes são "estrangeiros", ou seja, ocidentais. Eles representam um tipo de exército socialista ou comunista estereotipado que desejam tomar todo o mundo com seu poderio militar.
A Red Ribbon tem uma coleção de soldados de infantaria, especialistas militares, assassinos, cientistas do mal, uma divisão móvel (caminhões e tanques), uma divisão do voo (aviões, helicópteros), uma divisão marítima (submarinos, barcos), robôs assassinos, androides e agentes especiais. A sede do exército Red Ribbon é uma base enorme cercada e repleta de tecnologia avançada e armas defensivas.
Eles poderiam também ser descritos como o exército de um vilão de algum filme de James Bond. Embora mais precisamente eles são uma reminiscência do Exército Vermelho da Rússia Soviética, sobre o qual muitos dos vilões de James Bond foram baseados. E todos os soldados vestem-se como as tropas da era da Segunda Guerra Mundial.


No logotipo "RR" é abreviação de "Red Ribbon" e é geralmente visto como uma fita vermelha simétrica com letras brancas, e ele pode aparecer em um uniforme militar ou um tanque por exemplo. Mas também é visto em uma bandeira vermelha que é muito semelhante às versões stalinistas e nazistas da mesma.

General Blue e Ernst Rohm
Além disso, um de seus líderes, o General Blue, é baseado no ideal do soldado disciplinado no programa de eugenia de Hitler. 
Blue é magro e forte, com cabelos loiros e olhos azuis, e está implícito que ele é descendente de alemães, utilizando no mangá expressões da língua alemã como "Auf Wiedersehen" (Adeus).
Ele é o lutador mais forte de todos os soldados do exército Red Ribbon, empregando força super-humana e habilidades psíquicas. Curiosamente Akira Toriyama fez dele um personagem muito afeminado (com uma homossexualidade implícita). Ele ama a sua aparência, adora cheirar rosas e tem nojo de ratos, entrando em pânico quando vê algum. No entanto, ele é muito mais sério e inteligente do que a maioria dos soldados do exército Red Ribbon.
A homossexualidade do General Blue é uma referencia a sexualidade do personagem histórico no qual ele foi baseado: Ernst Rohm, um dos líderes da SA de Adolf Hitler.



A ciência de Dragon Ball

A ciência de Dragon Ball é extremamente vasta e envolvente, mas um assunto ainda intocado.
A série original foi inspirada por conceitos e paradigmas culturais escritos na China antiga, e inspirou-se também em religiões indianas e no TaoísmoMas com o início de Dragon Ball Z são rapidamente introduzidos elementos como alienígenas, outros planetas, viagens espaciais, cientistas do mal e os seres humanos artificiais, como os androides da saga Cell,
Recentemente Akira Toriyama revelou os nomes verdadeiros dos Androides 17 e 18, Lapis e Lazulli, respectivamente. Seria mais justo defini-los sob o conceito de ciborgues, uma vez que nasceram como humanos, mas tiveram seus corpos modificados pelo brilhante cientista-chefe da força Red Ribbon, doutor Maki Gero.
O elemento mais carismático destes seres humanos artificiais é o Androide 16, que Toriyama revelou, como uma das suas mais recentes adições a mitologia da série, ter sido construído a partir da aparência do filho único do doutor Gero, morto por um tiro de um soldado inimigo, evocando a Astro Boy de Osamu Tezuka. 

Doutor Umataro Tenma e Doutor Maki Gero
No clássico de Osamu Tezuka, o doutor Umataro Tenma constrói Astro Boy na esperança de substituir o seu filho morto em um acidente. E talvez essa seja a explicação para o Androide 16 ter um coração bondoso, ainda que tenha sido criado como uma máquina de matar.
A série se torna mais influenciada pela ficção científica. Existem vários livros científicos escritos sobre outras séries da cultural pop, como A Física de Star Trek, que eu muito aprecio, e A Ciência de Star Wars. Não houve nada escrito sobre a ciência de Dragon Ball? Parece que Derek Padula em seu livro The Science of Dragon Ball foi o primeiro a fazê-lo. Em vez de escrever artigos cheios de equações matemáticas pesadas ou postulados argumentativos, ele apresenta os elementos científicos, integrando modernos equivalentes tecnológicos de nosso mundo real. Estes servem como trampolins que mostram como a ciência de Dragon Ball pode ser encontrada em nosso mundo moderno, ou está a caminho de se tornar mais próxima com aquela presente no mundo deste mangá.



Como ainda veremos na próxima ocasião, sem o cinema clássico de artes marciais chinês seria impossível a produção de uma obra como Dragon Ball.


E a seguir: Superman!

3 comentários:

  1. Você tem algum canal no youtube? Acho que esse artigo está perfeito para ser feito em formato de vídeo

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  2. Realmente, um artigo para dezenas de vídeos

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  3. ARTIGO TOP DEMAIS, MUITO ASSUNTO POPULAR DE VARIAS ÉPOCAS HISTÓRICAS Q NÃO TEM COMO NÃO QUERER SABER!PARABENS

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