sábado, 23 de maio de 2015

FANATISMO E RELIGIÃO (2), DIREITOS HUMANOS E O POLITICAMENTE CORRETO


Não tenho medo de ser politicamente incorreto. Opinião todos nós temos, e acredito que muitos vão considerar uma obrigação moral tomar partido aqui.
Na minha última postagem ataquei os ultraconservadores, mas desta vez ataco a hipocrisia dos liberais, aproveitando este ano louco de 2015 que começou com o atentado a sede da revista Charlie Hebdo na França, além das diversas ações violentas do Estado Islâmico, e tudo o que vem sendo exaustivamente falado sobre o assunto.
Uma máxima que os politicamente corretos (gostaria de evitar usar esta expressão) usam durante fatalidades como estas é "deturpação do real islã". Mas o que vem a ser essa tal "deturpação"?

X-Men Schism - O mutante Kid Ômega usa o seu poder e revela o que há no coração dos líderes mundiais.
Participação especial de Ahmadinejad?
Considero um erro, um gravíssimo equivoco, uma pessoa como eu opinar sobre se o Estado Islâmico é ou não é o verdadeiro islã. Por quê? Simplesmente porque não tenho conhecimento sobre isso, não tenho nenhuma autoridade para falar a respeito do assunto. Enfim, não me sinto minimamente preparado para dizer se o Estado Islâmico é ou não o verdadeiro islã.
Mas eu sei que o Estado Islâmico baseia todas as suas ações em tradições islâmicas e no Alcorão. Fazem isso por mal? Deturpam? Talvez. Mas não sou eu, que não entendo nada de tradições islâmicas e Alcorão, quem vai dizer.

Crítica genial
De acordo com o que ouvimos das autoridades islâmicas que são contra o Estado Islâmico, e que procuraram apoio Ocidental, dá para compreender como funciona a lógica dos terroristas. Não podemos simplesmente fazer o jogo deles.
O diálogo com as autoridades islâmicas que são contra o Estado Islâmico é correto, pois com seus argumentos é possível entender que há outro islã possível. Não se trata de uma guerra contra o islã, mas uma guerra contra o terrorismo. Então espero que tenha ficado claro que não disse, nem nas linhas nem nas entrelinhas, que aqueles assassinos são o verdadeiro islã. Não há entrelinhas a ler no meu texto.

Holy Terror de Frank Miller - Propaganda anti-Islã ou anti-terrorismo?
A verdade é que há muitos muçulmanos que abominam este tipo de violência. Alguns falam muito abertamente sobre isto e a imprensa não lhes dá tanta atenção como deveria.
Mas não deixa de ser verdade que a “pequena minoria” de que sempre ouvimos falar, para apaziguar os nossos medos e proclamar a nossa própria tolerância, traduz-se em dezenas, ou mesmo centenas de milhões de potenciais terroristas em todo o mundo.
As ameaças não surpreendem, uma vez que estudos revelam que grande parte dos muçulmanos apoia o islã radical e consideram os atentados justificáveis. Caso não sejam tomadas as devidas providências, poderemos lidar, num futuro próximo, com uma realidade que continuará a inspirar violência a um nível global.
Sobre o caso do massacre em Paris no início deste ano, algo foi muito pouco comentado: O Charlie Hebdo é mais do que uma revista satírica, é radicalmente anarquista, com mais do tipo de autoritarismo que frequentemente acompanha a anarquia.
Mas os muçulmanos radicais não temem serem "zoados". É errado pensar que as charges da Charlie Hebdo fazem diferença para os radicais. Aliás, charges não fazem diferença nem para os políticos, embora estes sim tenham medo de serem "zoados". Aquelas charges não fazem mal a ninguém, mais parecem coisas que os adolescentes adoram fazer, enquanto os adultos simplesmente ignoram.
Mas os chargistas da Charlie Hebdo apresentavam uma única virtude reconhecida: coragem. Sim, coragem que deveria ser imitada (a coragem deve ser imitada, não a falta de respeito!). Mesmo depois de serem incendiados em 2011, eles não cederam à pressão islamita, nem mesmo sob a pretensão da sensibilidade para com a religião.
Não tenho pretensão de formar opinião, mas eu acredito que os chargistas estavam errados, assim como estavam errados também os islâmicos! Mesmo que os chargistas defendam a liberdade de expressão, ofenderam muitas pessoas enquanto inspiraram outras. E olha só, se você fizer uma paródia pornográfica com o cristianismo, dificilmente deverá aguardar que um padre venha te assassinar, assim como se fizer o mesmo com o budismo, não precisará se preocupar com a retaliação de algum monge. Mas se a fé atacada for a islâmica, você pode aguardar pelo seu assassinato, mesmo nestes tempos modernos. E tudo o que fizer contra o islã neste século ainda vai servir de exemplo para o próximo século!
Viva a liberdade, mas repeito é bom, e todo mundo gosta!
Com relação aos nossos amigos e vizinhos politicamente corretos, existem muitas coisas que não consigo compreender. Por que estão sempre do lado do terrorista, do lado do criminoso? Nunca vai haver uma generalização do crime quando este é cometido pela afiliação terrorista da qual falamos.

Pichação na Mesquita Brasil em São Paulo
Lembro que no Brasil aconteceram protestos com mensagens e ações em apoio aos chargistas assassinados. E houve um caso, noticiado inclusive pela Folha de São Paulo, de uma pichação no muro de uma mesquita com os dizeres "Je suis Charlie". Tal ato revoltou muitas pessoas que acusaram os responsáveis de cometerem "islamofobia à brasileira" por supostamente estarem generalizando todos os muçulmanos como terroristas (De fato foi uma agressão, mas nada que se compare a uma marcha das vadias). E pensar que estas mesmas pessoas não fazem qualquer protesto contra, por exemplo, o Irã, um regime teocrático vergonhoso, onde pessoas podem ser mortas, enforcadas e penduradas em guindastes pelo simples fato de serem gays. As mesmas pessoas que também se dizem fervorosas defensoras da causa LGBT quando da visita do ex-presidente iraniano Mahamoud Ahmadinejad ao Brasil, alguns anos atrás, não realizaram qualquer tipo de manifestação. Onde estavam os "corajosos" militantes? É um estranho paradoxo.

Como lidar com o terrorista adepto do islã sem ser taxado como "racista"? Será que ser seguidor de Maomé confere um DNA diferente?
O massacres cometidos pelos terroristas diariamente no Oriente Médio contra pessoas de outras crenças religiosas, particularmente cristãos, também não causam nenhum impacto. Até parece que estes oprimidos não tem nem o direito de existirem.

Jihad, em Esquadrão Suicida.
"A arte imita a vida".
A única vez que vi mobilização de alguns politicamente corretos por tais assassinatos foi o caso do Boko Haram, o grupo terrorista que massacrou cristãos e incendiou igrejas em retaliação às charges da revista Charlie Hebdo. Mas o que aquelas pessoas tinham a ver com as charges? Por um acaso os autores das charges também eram cristãos? E aqueles que se importaram com o ocorrido o fizerem porque este aconteceu na África, e não seria politicamente correto o suficiente da parte deles ficarem calados. Se fosse o mesmo de sempre no Oriente Médio, permaneceriam em silêncio. Mas em todos os casos são vidas humanas, igualmente importantes. Quanto vale a vida de um cristão na Síria?
Durante anos fomos doutrinados contra esse tipo de “racismo”. Por quê? A única resposta verdadeira é que era mais fácil para os políticos usar um termo aceito universalmente como negativo do que percorrer o caminho mais complicado de lidar com um problema muito mais complexo.

X-Men Schism - X-Girls dão uma lição em Amahdinejad com o poder feminino e...
Kitty Pryde: "Mencionei que sou judia?"
Pessoas matam por causa de religião? Sim, matam! Mas também matam por causa de política, de dinheiro, e até por futebol. Vejam só como podemos ser patéticos!
O problema não é a fé! São as pessoas!
E mesmo que se vivêssemos em um mundo onde ninguém acredita em nada, certamente ainda encontraríamos outros motivos para nos matarmos!

Bom, mas este é um humilde blog sobre assuntos diversos da cultura geek, que de vez em quando gosta de expressar a sua opinião sobre diversos assuntos da atualidade correlacionando-os a obras da ficção como quadrinhos, mangás, livros ou filmes, principalmente se estiverem ligados a geopolítica.
E por mais estranho que possa parecer, essa discussão sobre fanatismo sempre acaba no velho e cansativo papo de direita contra esquerda.
E acho que a essa altura do campeonato todos já devem estar por dentro da antiga briga entre Alan Moore e Frank Miller.

Alan Moore Vs Frank Miller
Fight!
Alan Moore e Frank Milller são dois dos mais influentes criadores de quadrinhos das últimas décadas.
Moore é inglês e seus quadrinhos mais famosos são V de Vingança e Watchmen. Miller é americano e responsável por maravilhas como Sin City e Os 300 de Esparta.
A treta deu início quando Frank Miller causou revolta por criticar o movimento "Ocupe", o protesto anti-capitalista que segundo ele "não é nada menos do que uma tentativa desajeitada e mal expressa da anarquia" feita por "um bando de crianças mimadas empunhando os seus iPhone e iPad e que deveriam parar de ficar no caminho de pessoas trabalhadoras e irem procurar empregos para eles mesmos" porque "a América está em guerra contra um inimigo implacável".
Alan Moore se autodenomina um anarquista e em sua graphic novel V de Vingança, o personagem V, usando uma máscara de Guy Fawkes, trabalha para derrubar o governo. E segundo Moore, os protestos Ocupe são "apenas pessoas comuns reivindicando direitos que sempre deveriam ter sido delas". E ainda lançou um ataque ao seu colega, condenando o seu trabalho como misógino, homofóbico e "completamente equivocado".

Robin, modere o seu linguajar, por favor...

As vezes eu me sinto como o
Lanterna Verde.
Como um anarquista, Moore acredita que o poder deve ser dado às pessoas cujas vidas isso está realmente afetando. Ele sugere que não é nada bom ter um grupo de pessoas "controlando os nossos destinos". Esse grupo que "nos controla" têm o poder porque eles controlam a moeda, além disso, eles não têm autoridade moral e mostram o oposto desta autoridade.

Tanto Frank Miller quanto Alan Moore tem pontos interessantes em suas críticas.
Mas Moore expõe o já manjado papo da Esquerda. Pregam "igualdade", mas sempre jogam uns contra os outros (pobres contra ricos, brancos contra negros, gays contra héteros, etc). Sem falar que ele é um hipócrita. Reconheço a genialidade de Moore, mas mesmo sendo um gênio, ainda é um hipócrita. Odeia o capitalismo e Hollywood, tanto que nem queria seu nome sendo creditado a "porcaria" que seria a versão cinematográfica de V de Vingança, mas esse movimento Ocupe foi inspirado justamente pelo filme. Duvido que tais manifestantes tenham conhecido o seu trabalho lendo quadrinhos.
Ele também declarou abertamente odiar quadrinhos e super-heróis, mas de onde será que vem o dinheiro que ele recebe? Seu colega é acusado de misoginia, mas qual é a da obsessão que Moore tem em sempre colocar algum estupro de uma mulher em seus quadrinhos?

Frank Miller por outro lado foi babaca com relação a alguns pontos de suas declarações, ainda que ao menos reconhecera que passou uma imagem muito superficial do terrorismo islâmico na sua tão criticada história Holly Terror, na qual todos os muçulmanos são retratados como terroristas perigosos e são incansavelmente perseguido pelo super-herói The Fixer.
Com razão as declarações de Miller foram criticadas? Sim, mas como já falado, a questão é muito mais complexa. Ser um esquerdista funciona muitas vezes como um escudo, Moore pode falar e escrever o que bem entender, mas nunca receberá as mesmas críticas que o seu colega Miller. Deve ser por isso que a maioria esmagadora dos humoristas são de esquerda. E, claro, vale qualquer ofensa contra os católicos, mas nem pensar em criticar um jihadista.
Mas a questão não é ser de esquerda ou direita. Quando você é um babaca, você é um babaca.

Bem, eu sou fã de ambos, acho os dois geniais. E é engraçado esse flagrante conflito entre Moore e Miller, porque eles são alguns dos maiores nomes da grande revolução em quadrinhos da década de 1980, com aquelas tão marcantes obras com um conteúdo mais adulto e sombrio que as histórias de super-heróis passaram a ter.
Não deixo de gostar do Moore por ele ser um anarquista ou "petralha", nem deixo de gostar do Miller por ele ser um ultra-conservador ou "coxinha". Concordo e discordo em muitas das ideias por eles defendidas.

Esquerda e Direita: No fundo um não vive sem o outro.
Essa pseudo-guerra não leva a lugar nenhum. E, sério mesmo, caso você queira militar por algum partido ou causa, a primeira coisa de que precisará será uma venda para os seus olhos. O canal Nerdologia do Youtube trás um vídeo muito interessante que aborda este assunto.
E agora, para falar rapidamente sobre a ligação entre direitos humanos e o politicamente correto, vou usar mais um exemplo dentro da ficção:

Pode me acusar do que for, mas alguns dos trabalhos de Miller são perfeitos para expor uma crítica sobre diretos humanos e politicamente correto.
Entre os anos de 2012 e 2013 veio a adaptação em desenho animado da célebre história em quadrinhos de 1986 "The Dark Knight Returns" de autoria de Frank Miller. E uma das figuras mais controversas apresentada na obra é o Dr. Bartolomew Wolper, um psiquiatra liberal que garante que todos os criminosos loucos de Gotham são apenas vítimas do Batman. Uma questão recorrente é se a ação do Batman como combatente do crime vale para a redução da criminalidade ou na verdade estimula os criminosos a saírem da toca.
Será que há alguma razão nesta teoria? No contexto desta história, o Dr. Wolper é então um médico midiático que só dá bola fora.

Animação Batman The Dark Knight Returns:
Dr. Wolper e o "reformado" Coringa.
O crime e a violência são problemas sócio-econômico-educacionais. Um dos maiores problemas sociais que enfrentamos é a fala de educação. Educação familiar, escolar e social. A educação que há anos segue em declínio. Os crimes mais comuns, que com pesar percebemos serem em grande parte praticados por jovens, são estupros e torturas, e estes não tem relação com níveis sociais. Pessoas matam ou estupram por pura maldade e não por falta de condições melhores de vida.
Nosso código penal é ainda obsoleto e precisa urgentemente de uma revisão. Se os criminosos cometem crimes hediondos, não devem ser protegidos de forma alguma, e sabemos de muitos casos destes recebendo ainda indultos do governo.
Por que a nossa sociedade anda tão confusa? Por que esses tais "direitos humanos" sempre ficam do lado de quem comete o crime? Por que não ficam nunca do lado da vítima ou por exemplo da família do policial que morreu durante o serviço?
O povo quer justiça, quer segurança, e não deve nunca ficar desamparado frente a violência. Ele anseia por um governo que seja a sua voz e não que governe de acordo com os seus próprios interesses. Afinal, não é o povo o que há de mais valioso para o governo?

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