quinta-feira, 14 de maio de 2020

GOKU VERSUS SUPERMAN: DETALHES IGNORADOS NO ETERNO DEBATE


Há anos acompanhava ao ScrewAttack. Um dos melhores canais de games e entretenimento da internet. Tornou-se uma divisão da Rooster Teeth e da Let's Play em 2015 e é mais conhecido pela série Death Battle, onde diferentes personagens da cultura pop com algumas similaridades têm suas habilidades comparadas e lutam até a morte em animações muito bem feitas (Thanos versus Darkseid foi a mais fodamente animada na minha opinião).

No geral, concordo com a maioria dos resultados dos combates. O grupo responsável pela série realiza uma pesquisa incrivelmente profunda e completa para cada episódio. São raros os casos em que as lutas têm um resultado polêmico ou que eu discorde completamente. Um dos casos mais polêmicos é a famosa Death Battle entre Goku e Superman (Inspiração para esta postagem com um tema leve, que veio até vocês do meu arquivo com anos de atraso, porém atualizada. Em tempos de quarentena lemos livros, mas também obras leves e descompromissadas como quadrinhos). 

Dentre casos os quais discordo completamente posso citar as lutas da Mulher Maravilha contra a Vampira e o Thor. Da mesma forma que não vejo a Mulher Maravilha sendo derrotada pela Vampira, porque a guerreira amazona é muito mais forte e tem uma infinidade de habilidades que a protegeriam de um contato mortal com a pele da mutante, também não vejo a maior super-heroína da DC derrotando o Thor, já que o deus do trovão tem muito mais recursos e é indiscutivelmente mais poderoso.

Goku e Superman se enfrentaram duas vezes na série Death Battle. E as lutas foram de certo modo idênticas. O resultado da revanche foi extremamente previsível. Em ambas as lutas vemos uma versão de Goku enfrentando um Superman que parece ser a fusão de todas as versões já criadas do Superman. A luta terminou antes de começar.

Para a última luta entre estes personagens, fora decidido que a versão do Superman que seria utilizada para o novo combate seria a versão dos Novos 52. Mas aquele Superman que enfrentou Goku apresentava habilidades e poderes que não correspondem a sua versão dos Novos 52.

E muitos ignoram o detalhe de que Goku, assim como a sua contraparte norte-americana, apresenta muitas versões diferentes
Vamos analisar a partir de agora as particularidades variáveis de cada personagem. 


1. Força

Está correta a afirmação presente na última Death Battle entre Goku e Superman: A diferença fundamental entre os personagens está na "ideologia" na qual foram concebidos. Enquanto o Superman é um personagem que foi idealizado como um ser perfeito, invencível, Son Goku representa alguns dos ideais mais admirados e cultuados na Terra do Sol Nascente, isto é, trabalho duro, disciplina e um treinamento contínuo buscando sempre se aperfeiçoar para vencer as adversidades. 
Superman é um personagem que, não importando a sua versão, será sempre tão forte quanto necessário e terá uma força quase infinita, enquanto a força de Goku é especificada graças aos seus treinamentos e não "porque sim".



Vejamos quais são as versões mais conhecidas de Goku e suas respectivas potencialidades destrutivas:

Goku versão mangá original DBZ: De Multi Solar System Buster a Galaxy Buster

Goku versão animê original DBZ (inclui feitos de filmes e OVA's): Multi Galaxy Buster

Goku Dragon Ball GT: Universe Buster

Goku Dragon Ball Super: Universe Buster +

Goku DB Xenoverse: Multiverse Buster

Na primeira Death Battle entre Goku e Superman, vemos que o Goku utilizado era a versão DBZ animê, porém este contava com a transformação de Super Saiyajin 4, habilidade que não corresponde ao personagem original criado pelo autor vendido Akira Toriyama.
O Goku do mangá e do animê originais, a versão Dragon Ball GT, a versão Dragon Ball Super e a versão Xenoverse são personagens completamente distintos não apenas em poderes, mas também em personalidades.

Poderia ter incluído aqui também a versão Dragon Ball Evolution, mas o próprio Toriyama considera o filme um erro e por isso pede para os fãs o verem como um "Dragon Ball de outra dimensão".
Uma ideia interessante para reparar um erro grotesco, Akira... Eu pessoalmente faço o mesmo com Dragon Ball GT e Dragon Ball Super: "Dragon Ball de outra dimensão" com personagens arruinados.

Avaliar o poder das versões do "Superman japonês" pode ser problemático. O Goku da versão mangá original (DBZ) algumas vezes aparenta ser mais poderoso do que as suas versões animadas. Este Goku, após receber um ataque de 100% de Freeza se levanta poucos segundos depois sem nenhum dano aparente.


Enquanto a sua versão em animê na mesma saga aparentemente fica inconsciente após aquele ataque e só retorna após uma rápida intromissão de Gohan, que assume o combate contra Freeza no lugar de seu pai, enquanto este se recuperava para retomar a luta.

Apesar da cena animada ser muito melhor do que a mesma em sua versão impressa, tais casos contraditórios podem causar questionamentos sobre o que é oficial quanto as reais capacidades e a resistência de Goku.

E acontecimentos similares podem ser observados em outras sagas.


Durante a saga de Majin Buu, na versão em animê, observamos que Goku é capaz de manter uma luta contra Buutenks (Majin Buu após absorver Gotenks e Piccolo), um inimigo que é ao menos umas 5 vezes mais forte do que ele.

Não vimos a sua versão mangá fazendo o mesmo, mas seguramente teria um desempenho pior do que Gohan, o saiyajin mais poderoso de todos.

Como um argumento para justificar o desempenho razoável de Goku contra Buutenks na versão animada do combate podemos considerar que enquanto Gohan é mais forte em matéria de poder, Goku possui muito mais técnicas e tem muito mais experiência. Goku ainda foi declarado o "número 1" por Vegeta no final do animê/mangá.


A versão mais poderosa de Goku até aquele momento era obviamente a do final de DBZ.

Uma vez que Cell era capaz de explodir sistemas solares, Goku certamente poderia destruir galáxias já que em seu estado base é pelo menos umas 100 vezes mais forte do que Cell.

Também não podemos nos esquecer de que, no universo Dragon Ball, o poder de destruição de um personagem é refletido em sua força física e durabilidade. Isso significa que Goku pode ter a durabilidade de galáxias, já que em Dragon Ball os poderes não são metafóricos e hiperbólicos como em Saint Seiya.



Qual outro protagonista de animê/mangá teria chances de vencer Goku?

Giorno Giovanna (de Jojo's Bizarre Adventure)?



A principal habilidade do stand Gold Experience Requiem chama-se "Retornar a Zero". Esta é uma habilidade automática, na qual qualquer ação que um inimigo tome contra seu usuário Giorno Giovanna é revertida para o estado zero, ou seja, nulificação da ação e da reação. O alcance desta habilidade é universal e provavelmente multiversal, uma vez que nulificou as ações mesmo do King Crimson, um stand com a habilidade de "saltar o tempo". Como só vimos o Gold Experience Requiem uma única vez, não temos real noção das suas totais capacidades.

Contra o Goku farsante de Dragon Ball Super, certamente Giorno Giovanna seria o vitorioso. Não importam as habilidades que o seu oponente tenha, o Gold Experience Requiem vai retornar a ação dele ao estado zero. E como este Goku fica vulnerável se abaixar a guarda, mesmo que pudesse usar o tão alardeado "Instinto Superior", seria obliterado pelo Requiem de Giorno.

Goku versão Dragon Ball Super: Esta ainda não é minha última transformação!

Giorno Giovanna: Você jamais chegará a sua última transformação!

Contra o Goku verdadeiro, de Dragon Ball e Dragon Ball Z, acredito que esta luta poderia ficar em um impasse. É certo que todas as ações de Goku seriam nulificadas, mas o que o Gold Experience Requiem poderia fazer contra a durabilidade deste Goku que pode chegar ao nível galáctico?

Não sabemos a real extensão do poder de Giorno. Podemos imaginar que talvez ele possa ignorar a durabilidade porque seus socos simplesmente rasgam o tecido da realidade! Quem é morto pelo Gold Experience Requiem nunca encontrará o seu verdadeiro fim. Ele será transportado para diferentes realidades paralelas, experimentando diferentes mortes. Ele sofrerá pela eternidade. É um fim sem um fim. Este stand teria poder para destruir universos? Precisamos de respostas.

Giorno vencerá qualquer versão de Goku acima citada caso o Gold Experience Requiem ignore a durabilidade do oponente. Coisa que ainda não sabemos.


Sobre a força física de Goku, sabemos que ela cresce indefinidamente a medida que treina durante todas as sagas. Se com um soco Goku conseguiu destruir boa parte do planeta do seu Senhor Kaioh que é 10 vezes mais denso do que a Terra, o mesmo soco de Goku poderia transformar todo o nosso planeta em poeira espacial!

A maioria dos Supermen têm uma força ilimitada. Sua única limitação é não possuir um ataque ultra-massivo de energia como um Kame Hame Ha capaz de destruir uma galáxia. Superman tem poder para destruir uma galáxia, mas não a capacidade.

Uma de suas mais novas habilidades, apresentada pela versão Novos 52, é o Super Flare que queima toda a sua energia solar interna. Muitos comparam o Super Flare do Superman ao Kaioh Ken do Goku e se perguntam se o super-herói norte-americano não seria capaz também de direcionar um ataque de energia semelhante a um Kame Hame Ha, habilidade nunca exibida até então.


O Super Flare é muito semelhante ao Kaioh Ken, mas com 
a desvantagem da queima de toda a energia solar interna
do Superman o deixa enfraquecido. É uma habilidade
que deve ser usada em situações "tudo ou nada".



Estas são as versões mais conhecidas do Superman por seu poder e suas respectivas potencialidades destrutivas:

Superman original: Multiverse buster (Superboy Prime, de poder similar, socou a realidade)

Superman Pré-crise: Multiverse buster

Superman Pós-crise: Solar System buster

Superman Pós-Flashpoint: Solar System buster/Multiverse buster

Superman All Star: Planet buster (poder máximo exibido)

Superman Kingdom Come: Solar System buster

Superman Prime (One Million): Multiverse buster+

Superman Christopher Reeves: Planet buster (poder máximo exibido)

Superman Injustice: Planet buster (poder máximo exibido)

Superman DCAU: Planet buster (poder máximo exibido)

Como podem ver, não coloquei todas as versões do Superman, apenas aquelas que ficaram mais famosas, não apenas por suas aparições nos quadrinhos, mas também em outras mídias como filmes e desenhos animados, e que tiveram um grande destaque por seu poder demonstrado.

O Superman tem uma história muitíssimo mais longa, e portanto apresenta muito mais versões do que o Goku. E, como podem perceber, a força e as habilidades do homem de aço variam de forma extrema.

Havia fases antiquíssimas em que o personagem carregava corpos celestes por todo o universo e destruía sistemas solares com espirros, quase como se fosse dotado da "toon force". 
A fase John Byrne salvou o Homem de aço, ajudando com a redução de suas habilidades, mas ainda há escritores que o consideram um personagem "chato" e difícil de se trabalhar por causa do excesso de poderes. 


Qual outro super-herói das HQs teria alguma chance de vencer o Superman?

Thor?


O que observamos no "Superman da Marvel" é que a sua força e habilidades mudam dependendo de sagas ou eventos em que ele possa receber algum incremento do poder.

O Thor base das HQs é Solar System buster, podendo chegar a Multiverse buster com a Força Odin. Sua versão mais poderosa, Rune King Thor (foto acima), é um deus em todos os sentidos com um nível Low Complex Multiverse. Esta versão do deus do trovão é certamente mais poderosa do que a maior parte das versões do Superman.

O Thor Ultimate é incrivelmente mais fraco, com um nível Mountain buster, assim como o Hulk deste universo, igualmente enfraquecido. O Thor do cinema era regularmente um City buster no máximo, como todos os outros peso-pesados do MCU. Mas seu absurdo aumento de poder durante e após Ragnarok e Guerra Infinita tornaram o atual poder desta versão difícil de determinar.

Tivemos a oportunidade de ver o Thor enfrentando o Superman na excelente HQ Liga da Justiça e Vingadores (2003), escrita por Kurt Busiek e desenhada por George Pérez. Nesta história o Superman não apenas vence o Thor como também proclama a superioridade de seu universo.

Thor: Ninguém em nove reinos seria capaz de conter o Mjolnir!

Superman: Parece que no meu universo as escalas vão até onze!

Embora eu concorde com o resultado daquela luta, o Thor é um deus portando um martelo MÁGICO (uma das maiores vulnerabilidades do Homem de aço). O Superman venceria ao final, mas ficaria muito mais quebrado do que ficou.

Falando nisso, já passou da hora de mais um crossover Marvel versus DC.


Todas as versões do Superman que são afetadas por ataques nucleares, que não são imortais, que não são capazes superar a velocidade do Flash ou que possam ficar às portas da morte com ataques produzidos por máquinas não resistiriam a uma luta contra o Goku. Mas o restante das versões (uns 70%) venceriam Goku à longo ou a curto prazo.

Em uma luta amistosa, o Superman poderia vencer com vantagem graças a sua maior resistência ao desgaste, ao menos que Goku contasse com uma boa quantidade de sementes dos deuses.

Há também que levar em consideração que em uma luta, há várias circunstâncias que poderiam levar uma versão mais poderosa do Superman a perder para Goku. Isto já aconteceu com seres muito mais fracos pelo simples fato do kriptoniano não saber contra o que lutava.

O Superman foi "enfraquecido" ao longa para eras e isto proporcionou aos escritores maior facilidade para roteirizar o personagem. Apesar disso, o personagem ainda possui um imenso número de habilidades, porém sentir a presença do perigo e calcular a sua força não estão entre elas.


Além da sua velocidade, a resistência do Superman é muito variável dependendo do seu roteirista:
1. Ele ficou às portas da morte após um ataque de uma bomba nuclear.
2. Já sobreviveu a explosão de uma supernova sem nenhum dano aparente.
3. Golpeou um planeta em alta-velocidade destruindo-o completamente, mas ficando desacordado
no processo.

Uma das grandes desvantagens do Superman em uma luta é não poder sentir a energia de seu oponente. Ele não teria ideia do que Goku é capaz e poderia não estar preparado para ataques com uma força como a de Goku.

Por saber sentir o ki, Goku poderia atacar com a força necessária para acabar com a luta o mais rápido possível, ao menos é claro que queira desfrutar do combate por mais um tempo, coisa que também poderia custar-lhe a luta.

Como podem perceber, em uma luta entre dois seres tão complexos, há muito o que se ver, não apenas quem é o mais forte.


2. Velocidade de deslocamento e reação:

A velocidade de Goku é centenas de vezes superior à velocidade da luz (É, a Física vai para o saco!) e isso fica claro desde os primórdios de Dragon Ball. Os ataques de energia já chegavam em segundos ao Sol e em menos de 4 segundos à Lua.


O Mestre Kame, cujo poder de luta máximo apresentado foi de 139 unidades, foi capaz de destruir a 
Lua no começo da saga Dragon Ball.
Piccolo, ao menos 10 vezes mais forte do que Kame no começo de DBZ, 
obviamente fez o mesmo sem o menor esforço.

Nenhum humano comum pode ver a movimentação de Goku em combate, mesmo com tecnologia, como foi apresentado durante a saga de Cell.

Apenas aqueles que receberam um treinamento super-humano ou que possuem poderes especiais podem enxergar cada passo do saiyajin. E isso se este observador estiver em um nível de poder aproximado.
Porque com o passar da história mesmo lutadores com um nível de poder muito acima da média foram deixados para trás pelas habilidades de Goku


"Se eu mal posso vê-lo, imagine as pessoas comuns..."
Tenshinhan sobre Goku

Quando da sua participação inicial nas lutas na saga de Freeza em Namek, Goku passou por um treinamento em gravidade aumentada que o permitiu superar inclusive a velocidade de Butter, um ser alienígena que era considerado o mais rápido do universo, embora este título tenha controvérsias.

Outro detalhe pouco avaliado é como no universo Dragon Ball as habilidades evoluem no decorrer das sagas. 

No início de DBZ, na saga dos Saiyajins, o poder de luta ainda não tudo para determinar a vitória de um personagem em uma luta. Por exemplo, Nappa poderia ter sido seriamente ferido (ou até mesmo poderia ter sido morto) por Kuririn, apesar deste ser muito mais fraco do que ele, caso não tivesse se esquivado no último segundo da técnica do monge careca, o Kienzan. (Lembrem-se do espanto do Vegeta naquela cena: "NAAAAPPAAAA, DESVIEEEEE!" ). 
Nesta fase de Dragon Ball, o tipo de técnica utilizada ainda poderia ser mais importante do que o poder de luta de quem a utilizava.


Burter se movia mais rápido do que a luz e já foi superado por
Goku em seu primeiro confronto.

Durante a saga de Freeza, em Namek, o alienígena Burter era implicitamente mais veloz do que o seu capitão Ginyu, apesar deste ter um poder de luta muito maior do que o dele. Na verdade, Burter possuía um tipo de técnica/habilidade especial que permitia alcançar uma velocidade de deslocamento acima mesmo de seres mais poderosos do que ele.
Ginyu ficara bem menos chocado com o fato de Goku superar a sua velocidade do que com os números do poder de luta do saiyajin que surgiram em seu scouter. Foram aqueles números que fizeram o capitão das Forças Especiais entrar em pânico (+180.000 unidades contra as suas 120.000 unidades).

A partir do momento em que Freeza entra em cena, velocidade, técnicas, habilidades perderam toda a importância para o poder de luta, uma vez que o lutador com o maior poder de luta era agora o detentor das melhores habilidades, das técnicas mais eficientes e, em adição, da maior velocidade de deslocamento e reação.


"Em apenas 5 minutos..."

A luta de Goku contra Freeza foi assistida por nós, telespectadores da versão animê, em câmera lenta.
Enquanto no mundo de Dragon Ball passaram-se apenas 5 minutos ou talvez menos do que isso, para nós estes poucos minutos foram equivalentes a impressionantes 10 episódios de animê!

Na saga de Majin Buu, Gotenks em sua forma base de Super saiyajin foi capaz de dar muitíssimas voltas ao redor da terra em menos de um segundo sem o menor esforço. Goku em seu máximo poder seria centenas de vezes mais forte do que este Gotenks.



Gotenks em sua primeira transformação foi capaz de completar 
inúmeras voltas ao redor do globo terrestre em poucos segundos.

Com sua velocidade de reação, Goku se esquiva de ataques que são iguais ou superiores a velocidade da luz. Então é razoável concluir que a sua velocidade em combate ou em deslocamento sejam quase iguais a sua velocidade de reação, sem levar em consideração a sua habilidade de teletransportação.


Superman em quase todas as suas versões supera em muito a velocidade da luz, inclusive supera Goku neste aspecto, igualando-se quase a teletransportação porque em um segundo o vemos de um lado do universo e em outro segundo o vemos chegando à Terra.


Superman: da estrela Vega
para o planeta Terra em
poucos minutos.
Nota: A estrela Vega está
separada do nosso Sistema
Solar a mais de 25 anos
luz!

Entretanto, sua velocidade de reação não é a mesma. Esta poderia ser maior do que a velocidade da luz, mas ainda assim não chegaria a uma dezena de vezes maior. Se fosse assim, Superman nunca seria golpeado por humanos super-poderosos (meta-humanos) ou máquinas.


Superman versus Slade Wilson, o Exterminador (o maior assassino
meta-humano da DC Comics).
Detalhe: O Exterminador não esperava encontrar o Superman,
ou seja, ele estava "sem preparo" (Não é só o Batman que usa).

Como Goku tem reflexos equivalentes a sua velocidade, ele pode evitar ataques de quase qualquer Superman e conta-atacar ao menos 90% das versões deste já que estes podem ser tocados. Mas exceções são feitas às versões do Superman que são intocáveis, isto é, aquelas versões que são deuses em sua máxima expressão.


3. Resistência:



Radtiz, o inimigo mais "fraco" da saga DBZ, já era
resistente o suficiente para suportar um golpe que
poderia destruir corpos celestes inteiros.

A resistência de Goku é abismal. Se Radtiz sobreviveu a um ataque que poderia destruir a Lua, isso significa que Goku teria, já naqueles momentos do início de DBZ, uma resistência lunar, e isso considerando que o Goku daqueles primórdios estava muitíssimo mais fraco do que nas sagas seguintes.


Freeza é um sobrevivente de uma explosão
planetária.

Freeza sobreviveu à explosão de Namek sem nenhum dano. O estado em que se encontrava o seu corpo após aquela explosão foi graças ao seu próprio ataque e ao ataque final de Goku.

A insegurança de Freeza e de Goku com o fato de permanecerem dentro de Namek quando este estava a ponto de explodir era pelo o fato de nunca terem experimentado sobreviver a uma explosão planetária das proporções do planeta natal de Piccolo que era de fato umas 10 vezes maior do que a Terra.
Certamente Goku sobreviveria à explosão de um planeta, seu corpo apenas não estaria adaptado ao vácuo, embora este não o mataria.


Mesmo com o corpo mutilado de forma brutal, Freeza sobreviveu à
  explosão de Namek, então é certo que Goku também sobreviveria.

Na série fora dito algumas vezes que sayajins não podem sobreviver no espaço, porém isto não faz o menor sentido. Se sayajins não podem sobreviver no vácuo espacial, como podem destruir planetas? É razoável concluir que o vácuo espacial não mataria um sayajin, a raça apenas não está adaptada a sobreviver/habitar naquele ambiente, diferente de outras raças como a raça de Freeza que pode habitar em qualquer tipo de ambiente. Já vimos cenas canônicas em que saiyajins tinham a habilidade de voar através do espaço.


Mesmo após sofrer um "derrame" causado pelos poderes
mentais do Manchester Black, o Superman sobreviveu ao
ataque do Fusão À Frio, que tinha a potência de 12 Sóis
explodindo, sem nenhum dano aparente.

A resistência de 60% das versões de Superman, entretanto, é muito maior do que aquela que Goku poderia chegar. Dependendo da versão, o Superman passa de um ser que resiste apenas a explosões de bombas atômicas a um ser que sobrevive à explosões de supernovas! Em resistência, Goku venceria ao menos 40% dos Supermen existentes.


4. Fraquezas:

Mesmo no caso de Goku, nesta categoria existem variáveis, dependendo da versão a qual nos referimos.
Como já anteriormente descrito, Dragon Ball Super introduziu uma fraqueza tosca que, se valesse para as séries Dragon Ball e Dragon Ball Z, faria as histórias destas séries serem completamente diferentes.


Em sua evolução em Dragon Ball Z, Goku, de um ser com uma durabilidade planetária, passou a um ser com durabilidade de um sistema solar e provavelmente alcançou uma durabilidade galáctica. Então toda esta evolução é desconsiderada e Goku se transforma em um humano vulnerável caso abaixe a guarda no caça-niqueis chamado Dragon Ball Super.

Recordemos um acontecimento da saga dos Saiyajins: como não podia derrotar Goku, Vegeta decidiu lançar um ataque contra a Terra para destruí-la completamente. O príncipe dos saiyajins apostou que poderia destruir Goku com os impactos do seu poder e da explosão da Terra combinados.
Mas Goku contra-atacou rebatendo o ataque de Vegeta com o Kame Hame Ha aumentado em 4 vezes. Vegeta suportou dois ataques combinados que poderiam acabar com planetas tão grandes ou até maiores do que a Terra! Ele "apenas" foi arremessado para a estratosfera.

Quem poderia argumentar que Vegeta não estava com a guarda baixa? Vegeta estava com a guarda baixa naquele momento sim! Vegeta estava apenas atacando Goku e a Terra e não estava se defendendo de nada, estava apenas atacando. Vegeta sobreviveu, sem condições de se defender, a dois ataques com poder de destruição planetária! Se as regras criadas por Dragon Ball Super valessem nesta época, Vegeta deveria ter morrido naquele momento.


Ao contrário do que muitos possam pensar, nem todas as versões do Superman podem sobreviver no espaço sideral. E Goku tem a vantagem da teletransportação, além de poder contar com os deuses Kaioh que sempre podem oferecer-lhe conselhos durante as lutas.


Assim como o Superman pode contar com o Sol para recurar suas energias em uma batalha, Goku pode contar com a Genki Dama, as sementes dos deuses e com a capacidade de sentir o ki, além de outros itens mágicos.

Superman tem várias fraquezas conhecidas, mas as mais evidentes são a kriptonita, o Sol vermelho e o... Batman.


Quase nenhuma versão do Superman apresenta habilidades de artista marcial. No geral ele não sabe lutar, sendo que, quando ele é afetado por um Sol vermelho, mesmo um humano com um bom treinamento pode deixá-lo inconsciente.

Em uma luta até a morte entre os dois personagens, quase 70% ou 80% das versões do Superman sairiam vitoriosas, isto se ele estiver preparado, caso contrário, Goku venceria mesmo estes 70% ou 80%.


5. Versões mais poderosas:



Muitos acreditam que a versão mais poderosa do homem de aço é o Superman Prime One Milliom (foto acima) e não é muito difícil entender o porquê.

Nesta versão, depois de permanecer milhões de anos no Sol, o Superman se fez um deus até certo ponto. Não é suficiente nem onipresente. É até certo ponto onipotente, já que é capaz de reviver pessoas e criar versões superpoderosas de outros seres se tiver acesso a com um pouco de DNA. Conta com os poderes de um duende da quinta dimensão (como o Mr. Mxyzptlk). Não tem fraquezas visíveis, a não ser o fato de que, se estiver fora de seu universo, seus poderes enfraquecem um pouco. E até onde se sabe é imortal.

Porém, esta não é a versão mais poderosa do Superman, na verdade ela está muito longe disso. A versão mais poderosa do Superman é...


Superman Armadura Cósmica



Também chamado Robô de Pensamento, é um sistema de defesa criado por Dax Novu para proteger todo o Multiverso DC.

Durante um dos eventos de Crise Final, a matéria do Superman e a antimatéria do Ultraman (Superman da Terra-3) se encontraram, fundindo os dois opostos em uma única consciência. A única mente despertou no corpo de uma enorme armadura construída pelos Monitores.

O Superman Armadura Cósmica vive num alto plano acima do Multiverso, do tempo e do espaço.

Ele já segurou todo o universo DC em sua mão, o que faz dele Onmiversal. Ele quebra a quarta parede, podendo ouvir a respiração do leitor e também senti-lo tocando as páginas da HQ.
Ele pode ser tão grande quanto todo o Multiverso DC que tem um tamanho infinito!

Seu corpo é feito de puro pensamento e pode se adaptar instantaneamente para conter qualquer tipo de ameça! Este Superman é literalmente tão forte quanto precisa ser!

Podemos estar certos de que ante este Superman nenhuma das versões de Goku poderiam fazer algo. Mas há uma outra versão de Goku tão poderosa quanto a mais conhecida versão ultrapoderosa do Superman (Prime One Million).


Goku Dragon Ball GT 100 Anos Depois


Ele é um deus em toda a expressão e é um Goku que quase ninguém pensou em fazer um versus contra o Superman ou contra qualquer outro personagem.

Segundo a Toei, nesta versão, Goku é muito mais poderoso do que o infame Super Saiyajin deus e está com mais de 100 anos de treinamento nas costas. Uma representação muito interessante do personagem.

A sua fusão com as Esferas do Dragão e Shenlong criaram um ser capaz de destruir universos. As Esferas do Dragão têm habilidades impressionantes que nem mesmo os mais poderosos seres dos universos DBZ e DBGT possuem, mas com a limitação de não serem capazes de conceder desejos que estejam fora do alcance do seu criador. Após a fusão com Goku, estas limitações desapareceram completamente, tudo é possível através do seu poder. Por isto, este é um Goku com habilidades únicas e até certo ponto onipotente e onisciente.

Os dragões das Esferas têm informações de todas as pessoas do universo: quem eram, quando morreram, quem as matou, em que planeta nasceram e em que planeta morreram. Além disso, têm a capacidade de fazer imortal a qualquer um, reconstruir planetas e um sem número de outras habilidades mais.


Goku conhece seu descendente.
Imagine colocar tipo o... GALACTUS para enfrentar
o Jafar (Animação Aladdin de 1992, por favor) em uma
condição de "Gênio Livre", conquistada hipoteticamente
com a realização de seu terceiro desejo. Como Jafar é
agora imortal, pode ser o que quiser e fazer o que quiser,
 Galactus seria transformado em um pato de borracha...
Só para comparação, Goku DBGT 100 Anos Depois
é tudo isto e muito mais. O saiyajin consegue ser ainda
mais poderoso
(que bichão apelão!).


Somando todas as habilidades de Shenlong a um Goku tão poderoso, as chances de vencer qualquer um Superman, tirando Prime One Milliom e Armadura Cósmica, seriam de 100%.
Tal como as duas versões mais absurdamente poderosas do Superman, este Goku é um ser com habilidades inimagináveis e indescritíveis e, portanto, qualquer argumento contra ele é inválido.

A maioria das versões do Superman tem mais força do que Goku, mas também apresentam muitos pontos vulneráveis que fazem com que essa força não seja de grande ajuda.


Comparar as habilidades de Goku com as de Superman pode parecer ilógico porque em um combate até a morte com qualquer versão de Goku, excetuando-se a DBGT 100 Anos Depois e algumas outras versões mais recentes, teríamos a vitória de Superman em ao menos 80% dos casos. Enquanto em outras ocasiões, em um combate casual, Goku venceria o Superman em 80% dos casos pelos pontos mencionados.


6. Conclusão

Concluímos então que o resultado de uma luta entre Goku e Superman dependeria das versões e das circunstâncias.
Ambos são grandes personagens, fenômenos da cultura pop que tiveram excelentes histórias e, infelizmente, também fases sofríveis e esquecíveis ("Superman Elétrico" e algumas representações em Novos 52 e Dragon Ball Super/GT), mas que não foram suficientes para apagar o legado que deixaram.

Goku se emocionaria ao encontrar um ser como o Superman e teria o objetivo de vencê-lo em um combate justo, enquanto o Superman certamente acharia Goku uma pessoa muito divertida e um cara do bem.


MANLY!!!!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O AUTISMO EM ANIMÊS E MANGÁS JAPONESES


Há animês de todos os tipos e para todos os gostos. Com tantos estúdios produzindo obras de vários estilos artísticos, o animê abrange muitos tópicos, como guerra, economia, relacionamentos, etc. Provavelmente não há nenhum tema que ainda não tenha sido exposto através da animação japonesa.

No entanto, há um tema que poucos estúdios de animê abordam: Os transtornos globais do desenvolvimento/transtornos mentais.

Dependendo da situação, um transtorno mental pode ser usado para explicar o sofrimento de um personagem ou fazê-lo parecer mais assustador. Muitas representações de transtornos mentais na mídia sofrem com a falta de realismo, e são poucos os personagens cujos sintomas são fiéis à vida real.

Eu tenho Síndrome de Asperger, sou um Autista de alto processamento, como já revelei em outra postagem. Cada vez mais me sinto atraído por esta condição, sinto grande vontade de estudá-la mais profundamente e deixar alguma contribuição científica. Minhas crises de hipersensibilidade principalmente durante a infância e a minha falta de trato social, ambos estados que grande parte dos autistas apresentam, me marcaram profundamente. Talvez uma nova tese de Doutorado... Não sou Psicólogo, mas Anatomia e Fisiologia são alguns dos meus pontos fortes. Quem sabe.


A doutora Temple Grandin e a atriz Claire Danes.

De acordo com a doutora Temple Grandin, uma professora de ciências dos animais que ajudou a revolucionar as práticas no manejo humano de animais em fazendas de gado e matadouros, o Transtorno do espectro do autismo (TEA) nem sempre é fácil de entender para quem não foi imediatamente exposto a ele. A vida desta grande cientista foi retratada em 2010 no cinema com autenticidade e precisão por Claire Danes.


Como a televisão e o cinema retratam o autismo?

Como outros fenômenos, muitas pessoas se familiarizam com o TEA pela maneira como o distúrbio é retratado na televisão e no cinema. Obviamente, nem todos os programas de TV ou filmes são criados iguais. Há retratos bons e ruins de pessoas com TEA e com os efeitos que o distúrbio tem em suas famílias e vidas. Os maus retratos se aproximam da caricatura e plantam perspectivas muito enganadoras na cabeça das pessoas, enquanto os bons aprimoram a compreensão e a empatia por aqueles com TEA e pelos cuidadores e membros da família que lidam com o distúrbio.


A interpretação de Dustin Hoffman de Raymond Babbitt em Rain Man 
estrelando ao lado de Tom Cruise, foi a performance que realmente 
deu início à busca de autenticidade na representação de personagens 
com TEA no cinema. Hoffman ganhou o Oscar de Melhor Ator e o filme
 o Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Diretor, além de 
vários outros prêmios da indústria cinematográfica.

O filme Rain Man (1988) foi possivelmente o pioneiro na busca de uma representação autêntica das pessoas com autismo. Para alcançar um nível de precisão digno de Oscar neste filme, tanto o ator principal Dustin Hoffman quanto o autor do roteiro Barry Morrow passaram um tempo com o homem em que o personagem Raymond Babbitt, interpretado por Hoffman, se baseou: Kim Peek, um notório americano autista com síndrome de Savant. Muitas das habilidades aparentemente extraordinárias de Babbitt foram extraídas de talentos genuínos que Peek exibiu. Hoffman também imitou a marcha um tanto incomum de Peek e vários de seus maneirismos, a fim de fornecer um retrato preciso do personagem.

Embora sua representação fosse fiel à vida de Peek, o filme era tão popular que teve alguns efeitos colaterais indesejados para a comunidade TEA: muitos espectadores chegaram a acreditar que todas as pessoas com autismo sem exceção também eram super-dotadas, o que está longe de ser o caso! No entanto, o filme ajudou a humanizar as pessoas com TEA e seu sucesso comercial e crítico abriu o caminho para outros filmes com personagens autistas.

O autismo Savant (ou Savantismo) voltou a ficar em evidência graças ao brilhante personagem principal da recente série Good Doctor, o doutor Shaun Murphy, portador desta síndrome e interpretado por Freddie Highmore.

Um jovem Leonardo DiCaprio recebeu sua primeira indicação ao Oscar por interpretar um irmão mais novo com deficiência mental de Johnny Depp no drama familiar Gilbert Grape - Aprendiz sonhador (1993). Para se preparar para o papel, DiCaprio visitou uma instalação de vida assistida e observou vários adolescentes com TEA e outras deficiências de desenvolvimento.


Leonardo DiCaprio, Johnny Depp e Juliette Lewis, em
Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador.
A partir de suas observações, DiCaprio incorporou todos
os trejeitos e as tendências comuns de muitas famílias de
 crianças com TEA.

O filme também ganhou aplausos por representar os desafios para famílias de crianças com TEA. A frustração e a raiva demonstradas pelo personagem de Depp, lançadas na posição indesejável de cuidar de um irmão que deveria ter idade suficiente para cuidar de si mesmo, também são familiares a muitas famílias na comunidade do autismo. A interpretação do personagem Gilbert Grape de Johnny Deep como se sentindo preso em seu papel de cuidador é aquela com a qual muitos pais e irmãos de crianças com TEA podem simpatizar.

Atypical é um dos vários novos programas de TV que se concentram em um personagem com autismo e, como a maioria desses programas, foi criticado por problematizadores por supostamente apresentar um retrato às vezes insensível ou inepto desse personagem. No entanto, Atypical chega a um lugar que muitas representações ficcionais de autismo não abordam: as dificuldades de ser um adolescente carregado de hormônios e lidam com os problemas de crescer e namorar enquanto estão no espectro.

Atypical é uma série necessária, engraçada e emocionante. Pessoalmente, eu aprovo.


Sam Gardner (Keir Gilchrist) de Atypical.
 A maneira como as obsessões de Sam se manifestam em sua vida
 amorosa são ao mesmo tempo precisas e desconfortáveis... 
exatamente como na vida real.

Embora a estrela do programa, Sam Gardner, interpretado por Keir Gilchrist, seja escrita com alguns comportamentos excessivamente ridículos, as situações em que ele e sua família se encontram são geralmente mais familiares e sutis.


Tipos de transtornos mentais em animê e mangá

Os animê e mangás, com sua propensão a dar a seus personagens personalidades envolventes e histórias de fundo complexas, ainda tem o potencial de humanizar portadores de tais transtornos e chamar a atenção para sua situação.

Houve apenas alguns títulos selecionados que abordam certos distúrbios, como o Transtorno Bipolar, a Esquizofrenia, o Transtorno de Personalidade Múltipla, etc. Muitas pessoas têm estereótipos sobre o tema, e os criadores de animê e mangá não são exceção. De um modo geral, esses estereótipos presentes em certos personagens se resumem a três pontos principais:

Medo e exclusão: as pessoas com transtornos mentais graves devem ser temidas e, portanto, mantidas fora das comunidades; Autoritarismo: pessoas com transtornos mentais graves são irresponsáveis, portanto, as decisões das suas vidas devem ser tomadas por outros; Benevolência: as pessoas com transtornos mentais graves são infantis e precisam ser cuidadas.


Tatsuhiro Sato, Welcome to NHK é um depressivo e tem
graves crises de ansiedade quando em público.
 O personagem é retrato fiel de um hikikomori, que são
pessoas jovens que se retiram completamente da 
sociedade, buscando isolamento absoluto e fuga do
 contato social. Um sério e preocupante problema de 
saúde pública no Japão.

Não é uma questão de problematização, uma vez que qualquer um desses estereótipos tem o potencial de prejudicar pessoas com transtornos mentais, separando-as de outras pessoas e impedindo-as de exercer sua própria autodeterminação. No extremo mais extremo, eles podem ser usados para justificar a violência contra estas pessoas, apresentando o comportamento violento como um ato razoável de legítima defesa contra uma pessoa "perigosa" ou como uma resposta compreensível para alguém ser um fardo.

Curiosamente, os personagens de animê que se encaixam nesses estereótipos raramente mostram sinais claros de transtornos mentais diagnosticáveis, e seus problemas são provavelmente tão devidos a elementos sobrenaturais quanto qualquer coisa que possa levar a transtornos mentais na vida real.

O personagem Mao, de Code Geass, se enquadra nessa categoria. Ele demonstra muitos comportamentos ultrajantes e egoístas que o levam a ser rotulado como "insano" tanto na própria história quanto no fandom, mas a única razão pela qual ele age dessa maneira é porque seus poderes de leitura da mente o impedem de formar relacionamentos normais.

O transtorno mental pode também ser tratado como algo bem-humorado, ou não tão importante assim. Por exemplo, em Soul Eater, a obsessão do Death the Kid com a simetria é retratada como uma peculiaridade tola e socialmente desajeitada, e a dor e as dificuldades associadas ao Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) na vida real não são levadas à sério.

Osaka, da Azumanga Daioh, por sua vez, demonstra uma série de comportamentos associados ao Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Novamente, esses comportamentos são jogados como algo engraçado e tratados como peculiaridades inofensivas da personalidade, mesmo que o TDAH não tratado possa ser fatal.

Apesar desses problemas, o animê e o mangá são abundantes em personagens interessantes e instigantes que sofrem de problemas mentais. Os personagens com problemas mentais no animê podem ser heróis ou vilões, e variam muito na precisão com que seus problemas de saúde mental são retratados. Alguns desses personagens acabam entre os mais envolventes e complexos em seus respectivos trabalhos.


Hideaki Anno.
A mente genial criadora de Neon Genesis Evangelion.

Provavelmente o mais conhecido protagonista de animê com problemas mentais é Shinji Ikari, de Neon Genesis Evangelion. O diretor Hideaki Anno sofre de depressão há muitos anos, e ele escreveu o personagem de Shinji com base em suas experiências.

Apesar de sua depressão, Shinji ainda é capaz de pilotar um robô gigante e lutar contra monstros, e está no centro da maior parte dos conflitos da história. O exemplo de Shinji mostra que personagens de animê com problemas mentais não precisam ser vilões ou vítimas.


Siddhartha, o homem que se tornou Buda.
Adaptação animada do mangá de Osamu Tezuka.
Na obra original, ele apresentava vários sintomas que
poderiam ser associados à depressão.

Outro lugar surpreendente onde surgem transtornos mentais é no mangá Buda de Osamu Tezuka, uma adaptação em quadrinhos da vida e dos tempos do Buda. Neste mangá, Siddhartha, o homem que finalmente se tornou Buda, mostra vários sinais associados à depressão.

Quando criança, outros personagens comentam como ele dorme o tempo todo, frequentemente adoece e mostra pouco interesse nas festividades que seus cortesões organizam em sua homenagem. Em vez disso, ele passa boa parte do tempo ponderando a morte e seu medo, um medo que o assombra até atingir a iluminação e, ocasionalmente, retorna mesmo depois.

Em uma cena particularmente sugestiva, um jovem nobre chamado Devadatta encontra Siddartha em uma caverna, alegando que os demônios o estão provocando e dizendo para ele morrer. Todos esses pensamentos e comportamentos podem ser vistos como sintomas de depressão. No entanto, ele ainda fundou uma religião que tem milhões de adeptos em todo o mundo.


E onde estão os animês e mangás com personagens autistas?


À medida que médicos/neurologistas/psicólogos em todo o mundo aprendem mais sobre essa condição misteriosa, há mais programas de televisão representando personagens com alguma forma do distúrbio. 

Isso pode se correlacionar com a crescente conscientização sobre os sintomas exibidos por quem a possui ou conhece alguém que a possui. Mas os estúdios de animê ainda não fizeram programas ou adaptaram séries de mangás que apresentam um indivíduo autista como personagem principal.

Então, existem personagens nos animês que mostram sinais comuns de autismo? A resposta curta é sim. Mas, como o próprio distúrbio, a representação varia de personagem para personagem, dependendo do contexto do programa.


O que é autismo?


“Autismo, ou transtorno do espectro do autismo (TEA), refere-se a uma gama de condições caracterizadas por desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não verbal, além de comunicação pontos fortes e diferenças”.

Estima-se que, no Brasil, 1 para cada 100 crianças são diagnosticadas com alguma forma de Autismo (Informação da Federação Nacional das Apaes). O distúrbio aparece com mais frequência em meninos do que em meninas.

Aqueles com uma forma mais branda de TEA, chamada Síndrome de Asperger (O meu Autismo), são capazes de falar em frases completas. Mas eles lutam com habilidades sociais e têm problemas para entender a linguagem corporal e as dicas verbais. Alguns podem ter uma reação positiva ou negativa a certos estímulos externos.

Por exemplo, alguns podem não gostar da sensação de etiquetas de roupas, enquanto outros podem ficar chateados com barulhos altos (Certos tipos de sons ou estímulos visuais me enlouquecem).


Resasuke, de Aggressive Retsuko, é um dos personagens
mais fortemente codificados como autistas que já se viu.

Quanto aos pontos fortes e às diferenças, alguns podem mostrar inteligência acima da média em certas áreas, como matemática, gramática ou música. Mas quando falam sobre assuntos que lhes interessam, têm dificuldade em saber quando parar ou mudar de assunto.

No entanto, aqueles do outro lado do espectro são mais graves. Esses indivíduos não são verbais e não podem cuidar de si mesmos sem assistência. Alguns se batem ou se mutilam como um mecanismo de enfrentamento para compensar a falta de expressão. Outro sintoma é balançar para frente e para trás. Pessoas com TEA grave tendem a não avançar além do diploma do ensino médio.

Dorothy, em The Big O, por exemplo, fala em tom monótono e parece perceber a empatia e a emoção de maneira diferente.


Opiniões japonesas sobre o autismo

Hikaru em With the Light: Raising an Autistic Child


Embora exista uma maior conscientização sobre a desordem do espectro do autismo em grande parte do Ocidente, o Japão ainda precisa recuperar o atraso. Um exemplo de como o Japão vê o autismo pode ser visto na série de mangá josei With the Light: Raising an Autistic Child, de Keiko Tobe. 

A história segue uma jovem mãe, Sachiko Azuma, e sua família enquanto eles criam seu filho, Hikaru. Não apenas a série fornece uma representação realista do autismo, mas também como a sociedade japonesa o vê. 

O marido de Sachiko, Masato, nega que haja algo errado com o filho a princípio. Mais tarde, porém, ele aceita o fato de que o filho deles é diferente.

Como a conformidade do grupo está enraizada na sociedade japonesa, qualquer pessoa que mostre comportamento incomum é considerada incapaz de se encaixar em qualquer lugar. Quando é revelado que o filho dos Azuma é autista, a família responsabiliza Sachiko por dar à luz Hikaru. 


Isso mostra não apenas a falta de compreensão do autismo por parte da família, mas também a ignorância e discriminação que os Azuma enfrentam da sociedade japonesa em geral.

Akira em Akira


Um exemplo de personagem autista é o personagem-título da série de mangá Akira, o épico de ficção científica de Katsuhiro Otomo. Tanto na série de mangás quanto no filme animado de 1988, Akira é uma criança com poderes telecinéticos divinos. Ele é responsável por destruir Tóquio no início da história e Neo-Tóquio.

Embora não haja referências explícitas a ele ter autismo, Akira apresenta alguns sintomas: sendo não verbal e inexpressivo. Isso se deve a seus imensos poderes telecinéticos, roubando-lhe toda a personalidade e fala. 

A intenção original de Otomo era retratar Akira como uma metáfora da bomba atômica que dizimou Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Mas alguém poderia argumentar que Akira espelha uma pessoa autista com inteligência acima da média, ao custo de não poder falar.

Existem certos indivíduos autistas que não são verbais que usam teclados para se comunicar. Enquanto alguns podem digitar apenas palavras simples para transmitir significado, outros podem digitar frases completas que exibem a inteligência acima da média que a maioria das pessoas ignoraria.

L em Death Note


Há uma teoria entre os fãs do animê/mangá Death Note que L tenha Síndrome de Asperger. Vou destacar os pontos apontados pelo fandom que corroboram com esta teoria:

Vemos que L também não é tão socialmente qualificado quanto as outras pessoas. Por causa de sua inteligência, as pessoas com Asperger descobrirão mais rapidamente como agir normal do que as pessoas com autismo clássico. Assim, aos 20 anos de idade, as pessoas com Asperger reagirão muito melhor aos outros do que quando tinham 10 anos de idade.

Os hábitos de L também podem vir de seu autismo. L é visto brincando com sua comida como uma maneira de pensar melhor. Ele costuma encontrar-se em situações difíceis o tempo todo, afinal. Pessoas com autismo podem ter uma coisa em particular na qual estão totalmente interessadas. Toda essa coisa de detetive é claramente o interesse particular de L.

Outra coisa destacável é a maneira como L se senta. L diz que se senta daquela forma incomum porque, caso contrário, "sua capacidade de raciocínio diminuiria em 40%", mas, exceto a razão pela qual ele só come comida doce, não consigo pensar em como a história sobre sua maneira de sentar parece lógica. Pessoas com autismo podem fazer as coisas um pouco diferentes o que pode ser visível desde os seus primeiros anos de vida.

Sabemos que L é órfão e por mais triste que pareça, ter um filho com autismo já foi um bom motivo para se "institucionalizar" tal criança em épocas passadas. L nasceu em uma época em que as pessoas não sabiam tanto sobre autismo como hoje e, nesse período, as pessoas com autismo eram vistas como loucas, de modo que as chances deste ser o passado de L são bastante grandes.

No fim, acredito que Watari (Fundador do orfanato Wammy's House para crianças super-dotadas) nunca soube se L tinha Asperger. Ele apenas aceitou que L era um pouco diferente.

Rui Hanazawa em Boys Over Flowers


Uma das séries de shoujo mais famosas de todos os tempos, Boys Over Flowers, segue as tentativas de Tsukushi Makino de viver uma vida tranquila na prestigiada Academia Eitoku. Suas tentativas são frustradas quando ela encontra Flower Four, ou F4, os filhos das famílias mais poderosas do Japão.

No início da série, Tsukushi conhece Rui Hanazawa, o membro quieto e introvertido do F4. Tsukushi encontra Rui tocando violino fora da escola. E embora ele pareça frio e distante no começo, Tsukushi desenvolve uma queda por ele. 

Rui, no entanto, nutre sentimentos por sua amiga de infância, Shizuka Todou, que o ajudou a se abrir para os outros. Ao longo da série, Rui está dividido entre Shizuka por sua ternura e Tsukushi por sua assertividade.

A personalidade tranquila e distante de Rui e seu talento com o violino fazem dele o principal candidato a um personagem de animê autista. Muitos programas de televisão retratam personagens autistas com algum tipo de talento, seja em música, arte ou matemática. Eles também mostram esses personagens tentando formar algum tipo de relacionamento amigável e/ou romântico com outras pessoas com graus variados de sucesso. 

No caso de Rui, ele está de olho primeiro em Shizuka, mas depois ele namora Tsukushi por um tempo para esquecer Shizuka. De todos os personagens de Boys Over Flowers, Rui é o mais complexo. Da sua natureza distante ao seu talento musical, Rui se destaca como um dos melhores exemplos de um personagem de animê autista bem escrito.

Mashiro Shiina em The Pet Girl of Sakurasou


Um animê recente que retrata um personagem autista, The Pet Girl of Sakurasou retrata a vida de um grupo de estudantes do ensino médio que vivem em um dormitório na escola de artes da universidade. 

O protagonista masculino da série, Sorata Kanda, se muda para um dormitório cheio de outros desajustados depois que a escola o pega abrigando gatos de rua. É lá que ele conhece Mashiro Shiina, a "Pet Girl" titular da série. 

Mashiro é um prodígio de arte de renome mundial com uma forte memória fotográfica. O único problema é que, embora ela tenha uma alta capacidade artística, ela não sabe se cuidar. É aí que Sorata entra para atuar como seu "cuidador", certificando-se de que ela se vista, faça as refeições e mantenha as notas altas durante o ano letivo.

Ao longo da série, Sorata, Mashiro e seus amigos lutam para melhorar sua vida acadêmica e pessoal. Sorata, sendo um aspirante à designer de jogos, lança seus projetos para vários desenvolvedores, mas é sempre rejeitado. Mashiro, sendo uma aspirante à artista de mangá, tem problemas em desenvolver personagens em seu trabalho porque ela mesma luta para fazer amigos. 

Então, vemos esses dois protagonistas se confrontando à medida que passam pelo crescimento mental. Após muitas rejeições dos desenvolvedores, Sorata fica com ciúmes do sucesso de Mashiro como artista. Isso gera uma barreira na amizade deles por um tempo. Mashiro, por sua vez, desenvolve sentimentos por Sorata à medida que ela se acostuma à vida no dormitório. No final da série light novel, Sorata confessa seus sentimentos a Mashiro e eles se tornam um casal.

Mashiro representa certos indivíduos autistas que não têm o conhecimento necessário para fazer coisas básicas, mas que possuem talentos extraordinários. Este é um sintoma recorrente do distúrbio. Crianças e adultos com autismo podem ficar tão envolvidos com seus próprios interesses que às vezes esquecem as necessidades dos outros. 

O que lhes falta em habilidades sociais, compensam em inteligência e talento acima da média. Como Rui Hanazawa, a Mashiro Shiina que vemos do lado de fora é apenas a ponta do iceberg proverbial. O que está sob seu olhar vazio é uma garota tímida e introvertida que no fundo anseia por uma conexão humana.


Jotaro e Holy Kujo.

Os animês abrangem uma ampla variedade de gêneros, estilos de arte e tópicos para os fãs de todo o mundo. Contam histórias de pessoas diferentes de nós para mostrar como essas diferenças nos unem. À medida que a aceitação desse distúrbio misterioso continua a crescer, o mesmo acontece com as séries de animê que retratam personagens autistas da maneira que eles deveriam ser vistos: como seres humanos.

sábado, 14 de março de 2020

OS PIORES PRESIDENTES CLÁSSICOS DA AMÉRICA LATINA E A GLOBALIZAÇÃO


Enriquecimento ilícito. Corrupção. Crises econômicas. Terrorismo. Abuso de poder. Ditaduras intermináveis.

Esta é certamente a parte da história da nossa querida América Latina da qual não nos orgulhamos e muitos gostariam de ignorar. Este grandioso continente em extensão, plural e rico em cultura é sacudido pela corrupção num círculo vicioso que não parece ter fim. Do Brasil à Argentina encontramos os mesmos mecanismos financiados por empresários e políticos corruptos que buscam se manter no poder à qualquer custo.

Quando você estuda o controverso processo da independência da Hispano-América e percebe como os seus maiores beneficiários não foram justamente os povos nativos, percebe como temos sido desde então governados segundo os interesses das grandes economias.

Há uma estrita relação entre política e dinheiro. O grande problema institucional do continente na atualidade reside na falta de controle e equilíbrio. A corrupção é um grande problema, entretanto, não é o único.

Esta postagem não tem o objetivo de causar desalento, pelo contrário, tem como objetivo apontar estes problemas e apresentar possíveis soluções, sem cair na ingenuidade de uma esperança cega.  A democracia pode ter seus custos, mas é ainda a melhor forma de governo que temos. Aprender com a história para não repetir os erros do passado.

Recentemente, devido ao pânico e confusão social causado pelos governos contemporâneos da América Latina, por curiosidade pesquisei em um site mexicano uma lista dos Piores Presidentes da América Latina. A lista em questão só conta com presidentes até o ano de 2015. E é interessante que nenhum presidente do Brasil apareceu nela. Eu gostaria de compartilha-la e dar uma opinião.

Vou, entretanto, destacar alguns pontos muito importantes:

1 - Esta lista não é minha, mas original de um site mexicano;

2 - Esta lista vai precisar urgentemente de uma atualização. Só estão presentes governos latino-americanos até o ano de 2015. E, de fato, aconteceu muita coisa daquelas anos para cá;

3 - Os presidentes da lista formulada na terra natal do Chespirito não chegaram ao poder através de golpe militar, mas foram eleitos democraticamente. Embora alguns deles tenham com o tempo se tornado ditadores e seus antecessores possam ter sido depostos por golpe, eles ainda foram eleitos pelo voto popular;

4 - Ao final da lista, acrescento duas menções honrosas (ou, neste caso, desonrosas) que eu selecionei de políticos que chegaram ao poder por meio de golpe militar. Que fique claro, minhas duas escolhas não foram eleitas democraticamente. A função destas duas menções honrosas é servir como um "gancho" para o segundo assunto apresentado no título e que fechará a postagem;

5 - Não selecionei nenhum presidente do Brasil como menção "honrosa" (eleito ou ditatorial), porque a mensagem da postagem poderia se perder e vai ser mais interessante para você recordar dos outros políticos latino-americanos e fazer um paralelo entre eles e nossos momentos políticos atuais;

6 - Decidi compor esta postagem desta maneira porque espero que você se sinta provocado a reflexão. Pensamentos de pessoas alinhadas a distintos espectros políticos (direita, esquerda, centro) podem convergir perante fatos inquestionáveis;

7 - Sinto-me perfeitamente confortável para comentar esta referida lista (com suas devidas menções desonrosas de minha autoria) para atacar qualquer político que seja, porque nunca expressei simpatia ou fui filiado a nenhum partido político;

8 - Espero que se divirta.

Então vamos a lista dos piores presidentes clássicos da América Latina:





10º Lugar
JUAN DOMINGO PERÓN

País: Argentina

Período: 1946-1952, 1952-1955 e 1973-1974

Provavelmente um dos governos mais controversos do século XX.

Juan Domingo Perón polarizou o seu país, dividindo este em dois grupos irreconciliáveis, os Peronistas e os Anti-Peronistas.

Devido as suas políticas que favoreciam principalmente a classe trabalhadora, detratores presentes nas classes média e alta cometeram ações racistas, classistas, fascistas, golpistas e até terroristas.

Por sua vez, tais ações acarretaram reações arbitrárias, como torturas policiais e violações a liberdade de imprensa e expressão por parte do governo contra os grupos Anti-Peronistas, conseguindo desta maneira desestabilizar completamente o país.

Ainda assim, Perón foi eleito presidente em três ocasiões distintas.




9º Lugar
ALAN GARCÍA

País: Peru

Período: 1985-1990 e 2006-2011

Corrupção, terrorismo, e a pior crise econômica que este país havia conhecido foram as principais características do primeiro mandato de Alan García como presidente do Peru. (Seu suicídio a 17 de Abril de 2019, antes da sua prisão por seu envolvimento no caso Odebrecht, despertou uma nova discussão sobre a luta anticorrupção no Peru.)

Durante sua presidência, em vários centros penitenciários de Lima, prisioneiros rendidos, considerados terroristas por se operem fortemente ao governo, foram assassinados pelas forças militares.

Depois desta matança, Alan García deu carta branca para formarem esquadrões da morte (Os avós das milícias assim também conhecidas no Brasil) que se caracterizaram por sua grande violência contra os grupos subversivos. Apesar deste histórico nada favorável, Alan García foi eleito presidente do Peru por uma segunda vez no ano de 2006.

Ah. A democracia e suas desgraças.




8º Lugar
CARLOS SAÚL MENEM

País: Argentina

Período: 1989-1999

Se falamos da desestabilização da Argentina, então é muito necessário falar do que o presidente Menem fez a sua nação.

Durante os seus anos de mandato, Menem privatizou muitas empresas estatais, aumentou a dívida externa do país em mais de 300%.

Além disso, instaurou a "lei da Convertibilidade" na qual 1 dólar americano equivaleria a 1 peso argentino.

Isto ocasionou uma resseção econômica que se arrastou até o ano de 2001, momento em que extrapolou na presidência de Fernando de La Rua, levando quase metade da população à ruína e o país à uma taxa de desemprego de quase 35%.




7º Lugar
ANASTASIO SOMOZA GARCÍA

País: Nicarágua

Período: 1937-1947 e 1950-1956

Recordado pelo assassinato de mais de 300.000 nicaraguenses, por altas taxas de crime e enriquecimento ilícito. A sua fortuna pessoal superava a mais de 300 milhões de dólares.

Além disso, todos os postos de poder em seu governo estavam repartidos entre seus familiares, dando sentido a uma de suas mais sínicas frases célebres:

"Plata al amigo. Palo al indiferente. Plomo al inimigo"

Foi sucedido primeiro por seu filho Luis Somoza Debayle que foi presidente de 1957 a 1963. E posteriormente seu outro filho Anastasio Somoza Debayle esteve no poder desde 1967 a 1979.

Os três foram conhecidos como a Dinastia Somozista, ditadores cruéis e considerados ainda como uma fortaleza anti-comunista  que praticamente vendeu a Nicarágua aos Estados Unidos.




6º Lugar
ERINQUE PEÑA NIETO

País: México

Período: 2012-2018

O primeiro presidente desta lista eleito pela primeira vez em um período mais recente da história. E ainda que possa parecer cedo incluí-lo nesta lista, Enrique Peña Nieto disse e fez coisas que deram muito do que falar.

É indiscutível que as reformas sociais as quais impôs foram a parte mais problemática de seu governo.

Dentre elas destacam-se assassinatos e massacres inumeráveis, desaparições massivas de estudantes, repressões violentas e participações diretas do Exército mexicano em execuções extra-judiciais.

E tudo isso sem mencionar os gigantescos problemas sociais que foram acumulados ao longo do seu mandato.

Por todas as redes sociais era possível encontrarmos mexicanos que asseguravam estar de luto e exigindo a renúncia do seu então atual presidente.




5º Lugar
HUGO CHÁVEZ

País: Venezuela

Período: 1999-2013

Este foi o homem que saiu do cárcere para a presidência. De militar dissidente a sonhador bolivariano, durante os 14 anos em que esteve no poder, ele aprontou das suas até o dia de sua morte.

Pouco tempo após ter tomado o poder, modificou a constituição do país, implementando modelos polarizadores de governo e de sociedade, ocasionando com eles intolerância e ódio entre o seu povo.

A marcada influência de Fidel e Raúl Castro se fez presente em seu governo comunista, em suas declarações anti-norte-americanas e suas limitações a liberdade de imprensa.

Durante o mandato de Chávez, a Venezuela foi considerada como um dos países mais corruptos do mundo e com os níveis mais altos de criminalidade, com aproximadamente 19 mil assassinatos anuais.




4º Lugar
NICOLÁS MADURO

País: Venezuela

Período: 2013-atualidade

O atual presidente da Venezuela deu início ao seu governo com aproximadamente 24.000 mortes vinculadas com a delinquência que impera em seu país. Além disso, faz uso da brutalidade policial para amedrontar a seus opositores.

Desde que tomou o poder, a inflação na Venezuela tem alcançado as taxas mais altas da história com um terrível 64%.

Escassez, corrupção, abolição da liberdade de expressão, diminuição do poder aquisitivo e um estranho culto a Hugo Chávez são somente algumas das características de seu governo.

Se tudo isso parece pouco, ele ainda parece padecer de um paranoia que o faz acusar seus opositores de terrorismo, sabotagem e mesmo de fazerem parte de uma conspiração mundial contra a Venezuela.




3º Lugar
ALBERTO FUJIMORI

País: Peru

Período: 1990-2000

Dizer que o governo de Alberto Fujimori deixou o povo peruano na pobreza, não é nenhuma mentira.

Como todo autocrata, fingia guiar-se por ideais patrióticos. Em 1992, quando dissolveu o congresso, inaugurando um autogolpe de Estado, prometera defender os "interesses reais do povo" e instaurar uma "democracia real" no Peru.

Seu plano de privatizações de empresas públicas foi de todo um êxito... para ELE. Já que depois de todas as vendas e liquidações, nem todo o dinheiro chegou aos cofres do Estado.

Com milhares de milhões de dólares desaparecidos do tesouro nacional, este escorregadio presidente enviou a sua renúncia por fax do Japão (!).

Isso mesmo, você não leu errado.

Por fax.

Fujimori deixou altíssimas taxas de desemprego, corrupção, pobreza e carências no comércio e transporte público.

A ditadura Fujimorista terminou mal. Aos finais de 2007, Alberto Fujimori foi extraditado e processado por crimes contra o Estado, usurpação de funções, abuso de autoridade e homicídio qualificado, crime pelo qual foi condenado a 25 anos de prisão, pena esta que está cumprindo atualmente.




2º Lugar
FIDEL CASTRO

País: Cuba

Período: 1976-2008

Este político ocupou o governo de Cuba por quase 50 anos. Sob o seu poder, o povo cubano se viu submetido a um modelo político que supostamente zelava por sua igualdade, mas que os deixou na pobreza.

Com seu regime totalitário, Fidel ocasionou um desabastecimento de alimentos, baixou bruscamente o poder aquisitivo e privou os seus cidadãos de liberdade. Tudo isto, junto ao seu irmão Raúl, que o substituiu após a sua renúncia, e levou pânico social com a sua reforma.

Fidel Castro foi certamente o rosto mais conhecido de Cuba, mas seu irmão Raúl sempre foi a sua sombra. A maioria das leis e mandatos vinham dele e não de Fidel. Poderíamos então concluir que enquanto Fidel era o ditador líder da Revolução, Raúl era o seu produtor.

Não é de se estranhar que logo após a morte de Fidel, tenha sido o seu irmão vir a substituí-lo.

Ainda que possa parecer que agora os cubanos tenham mais liberdades, seu poder aquisitivo continua sendo tão baixo que ao final a situação segue sendo má como sempre.




1º Lugar
AUGUSTO PINOCHET

País: Chile

Período: 1973-1990

Dispensa apresentações.

Muitos ex-presidentes poderiam encabeçar esta lista, entretanto Pinochet foi um dos piores.

Genocídio, terrorismo, tortura e enriquecimento ilícito se listam dentre as centenas de atos que este governante emoldurou na história chilena.

Sua modificação da constituição outorgou-lhe poder supremo, permitindo-lhe prolongar o seu mandato por 17 anos, levando o seu país a uma grande instabilidade.

Entretanto, foi após deixar o poder que começaram a surgir as acusações por seu enriquecimento ilícito, as denúncias por desaparecimentos e fuzilamento de seus opositores e o descobrimento de forças clandestinas.

Já com seus 91 anos, Pinochet assumiu a responsabilidade por seus atos mediante uma carta pública em que expressou que... tudo o que fez foi por amor a pátria (!).

Parafraseando o poeta inglês Samuel Johnson (1709-1784), o Patriotismo sempre será o último refúgio dos canalhas.


Como prometido, agora faço duas menções desonrosas de presidentes corruptos e com tendências ditatoriais que não poderiam aparecer nesta lista porque não chegaram ao poder democraticamente, mas tomaram a presidência por meio de golpe militar e com o apoio da política externa das grandes economias:



Alfredo Stroessner

País: Paraguai

Período: 1954-1989

Comandante do exército paraguaio, chegou ao governo tirando Federico Chávez da presidência com um golpe de estado militar. Stroessner tornou-se presidente e foi reeleito, em pleitos marcados pela fraude, por 7 mandatos consecutivos.

Durante sua ditadura, foram cometidas violações maciças contra os direitos humanos, como prisões arbitrárias, tortura e desaparecimentos. Ao menos 150 mil pessoas teriam passado pelas prisões da ditadura e se contabiliza que três mil mortos e desaparecidos e refúgio a nazistas estão na conta deste ex-ditador.

Seu regime colaborou com outras ditaduras latino-americanas do Plano Condor na década de 1970, instigado pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Defendeu tenazmente os interesses norte-americanos e também demonstrou sua simpatia pelos ex-nazistas, tendo dado a vários deles asilo no país, inclusive ao Dr. Josef Mengele.

Também já foi comprovado que Stroessner era um pedófilo. E durante o seu regime, teria violado em torno de 4 meninas todos os meses. A alta cúpula de seu governo patrocinava, nas zonas rurais do país, sequestros de meninas entre dez e quinze anos, que eram mantidas por vezes anos como escravas sexuais.

Exilado no Brasil, Alfredo Stroessner morreu tranquilamente em 2006 e está enterrado no Cemitério do Campo, em Brasília (DF).



José Efraín Ríos Montt

País: Guatemala

Período: 1982-1983

Aqui se faz necessária a compreensão de um tema muitíssimo delicado: a instrumentalização da religião pela e para a política.

Em 1969, um ensaio do senador norte-americano Nelson Rockefeller propôs uma nova política externa para os anos 80 buscando contrabalancear a Teologia da Libertação, uma corrente religiosa nascida na América Latina, cujos postulados "marxistas" foram condenados como uma heresia pela igreja Católica e tratados como um grande obstáculo para o "capitalismo produtivo" pelos Estados Unidos.

Leia-se: Houve um enfraquecimento da influência norte-americana sobre os governos da América Latina.

Círculos neoconservadores estadunidenses investiram muito dinheiro e recursos para uma conversão massiva de latino-americanos ao protestantismo evangélico e pentecostal (Não me refiro ao protestantismo tradicional civilizado sem ambições, mas principalmente às seitas derivadas que deram origem ao neopentecostalismo presentes na América Latina desde mediados de 1930) com o único objetivo de reforçar sua influência política e econômica em nosso continente. Uma vez que as seitas trazem consigo o "americanismo" dentro de uma cultura de massas.

Esquerdas e Direitas instrumentalizam igrejas e a fé. E ao final o objetivo segue sendo o mesmo: o poder.

Esses investimentos nestas novas igrejas na América Latina são direcionados principalmente para adquirir meios de comunicação e influencia política apoiando o governante do turno, seja ele eleito ou ditatorial.
 
Um exemplo especial deste política externa acontece na Guatemala, na qual o protestantismo existe desde o século XIX graças a franco-maçonaria e aos governos liberais. O plano norte-americano impulsionou "missões religiosas" com o discurso “pão e dólar” que atraíram para si milhares de pessoas pobres em campos e cidades que buscavam empoderamento espiritual, sobretudo depois do terremoto de 1976 e durante a Guerra civil.

O político e ex-militar José Efraín Ríos Montt pertenceu a igreja pentecostal Verbo desde 1978, a qual favoreceu com cargos no governo e fundos estatais, e durante o seu regime, usava a cadeia nacional de rádio e televisão nos domingos a tarde para pregar.

Bíblia na mão e o grito “Usted Papá, Usted Mamá!”, referindo-se ao seu país como “o povo escolhido do Novo Testamento, os Novos Israelitas da América Central”, e acusando a igreja Católica e outras instituições que não comungavam com o seu governo de colaborarem com o marxismo cultural e de causar a sua derrota nas eleições de 1974.

Perceberam como este tipo de retórica não é nova?

Algumas pessoas não conseguem mais ver os fatos por si mesmas, mas dentro de paradigmas ideológicos fechados, abstratos e sem contato com o mundo real.
Quando quebramos esses paradigmas para mostrar a estas pessoas as coisas como elas realmente são, a reação é basicamente agressiva, instintiva ou mesmo irracional, rotulando os seus críticos dentro dos esquemas que elas mesmas criaram.


José Efraín Ríos Montt e Ronald Reagan.
Responsabilidade dos Estados Unidos, junto ao ex-presidente 
guatemalteco, no massacre de povos indígenas não foi debate 
quando do seu julgamento em 2013. 

Se o crítico quebra os paradigmas dos comunistas, mostrando os fatos que contrariam a ideologia dos comunistas, ele será rotulado como um fascista. E o mesmo é observado com os liberais e neoconservadores. Se o crítico quebra os paradigmas dos liberais e neoconservadores, contrariando as suas crenças, ele será rotulado como um comunista, e por isso será silenciado, desacreditado e terá a sua reputação destruída com a divulgação de informações falsas.

Ríos Montt foi presidente entre 1982 e 1983 mediante golpe militar, e é tristemente reconhecido pelas matanças contra as etnias indígenas Poqomam e Ixil nos anos de 1973 e 1982-1983, respectivamente.

A 10 de maio de 2013, foi condenado a 50 anos de prisão por genocídio e a 30 anos por crimes contra a humanidade, tornando-se o primeiro líder latino-americano a ser condenado por esses crimes. Faleceu a 1 de abril de 2018, impune de seus crimes.

Algumas pessoas insistem em viver como se ainda estivéssemos em uma Guerra Fria. De fato, tal guerra terminou, mas é inevitável concluir que nossos países foram o campo de uma batalha ideológica durante a Guerra Fria.


Os resultados desta guerra encontram ainda ressonância em nosso cotidiano.

Igrejas e seitas tornaram-se extremamente poderosas na América Latina. Seus líderes não são apenas líderes espirituais, mas líderes políticos, gozando de prestígio e ocupando elevados cargos políticos, favorecendo suas próprias igrejas e a política externa das nações as quais estão alinhados ideologicamente.

Se há líderes religiosos de filiações similares que são democratas, estes ou não têm voz ou já se tornaram história, e são inexpressivos perante a maioria avassaladora. Vide a questão brasileira, onde estes religiosos entram para a política, com as graças de um curral eleitoral fiel e fanático dentro das suas igrejas, envolvendo-se em escândalos de corrupção e apoiando esse bizarro "patriotismo anti-Brasil".

Os religiosos certamente vai discordar, mas o Estado laico foi algo muito benéfico para as suas instituições. Usando como um exemplo a igreja Católica, o Estado laico foi útil para que esta instituição bimilenar não fosse mais usada por líderes políticos pretensamente católicos para dominarem esse ou aquele grupo. Hoje tais líderes políticos precisam fabricar uma outra "igreja" ou buscar coisas do passado para influenciarem certos grupos.


Diante do líder sandinista, Daniel Ortega, o Papa
João Paulo II repreendeu Ernesto Cardenal 
por misturar política com religião.
Nicarágua (1983)

Para finalizar esta análise, sem desviar muito do foco da postagem, escrevo sobre a confusão chamada Globalização/Globalismo.

A Globalização tem sombras e luzes. Se de um lado aproxima povos e quebra barreiras de comunicação, de outro ela assume, nas esferas econômica e cultural, o caráter de globo-colonização.
Depois de tudo aqui escrito, muitos podem pensar que sou anti-estado-unidense, mas isso não é bem verdade. O que critico de fato é a política externa daquele país, que, convenhamos, não tem como defender.

O Globalismo é praticamente um palavrão na boca de certos seguimentos conspiracionistas neoconservadores, tal como socialismo, coletivismo ou (acredite) miscigenação (É isso mesmo?! WTF!!!). Eles defendem a tese de que a globalização econômica passou a ser pilotada pelo marxismo cultural, isto é, meta-capitalistas, ao conquistarem o domínio da economia global, viraram socialistas desejosos de controle estatal máximo e governo global para instaurar o comunismo. Ô lôco!


Comunismo com monopólios capitalistas? O pensamento ortodoxo marxista nunca apoiou a ideia de um sistema comunista ao lado de empresas capitalistas monopolistas.
Conspiracionistas dirão então que o comunismo mudou e que não tem mais as mesmas características de antes. Mas então o que é comunismo? A resposta deles: um “projeto de poder”. Mas e o que não pode ser chamado de projeto de poder? A resposta seria tudo. Se comunismo é isso, então o que não é comunismo?

Rússia, China, Japão e Coreia do Sul estão copiando muitos negócios do mundo capitalista, sobretudo dos Estados Unidos, para ganharem um lugar neste mundo globalizado e sobretudo capitalista. Podemos destacar que um dos maiores problemas para o desenvolvimento dos países da América Latina é porque esperam comodamente sentados, enquanto as multinacionais colonizam seus países, enchendo os seus países de empresas estrangeiras e, claro, com o apoio irrestrito de políticos corruptos. Estes políticos não passam de simples capachos dos interesses estadunidenses!

A mudança da Rússia foi radical com a queda da União Soviética, enquanto a China experimentou mudanças paulatinas desde os anos 1970 e começou uma transformação econômica sem precedentes, abraçando uma economia de mercado.

Empresas como Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, General Motors, General Electric marcaram época e têm guiado as tendências em distintos campos comerciais e tecnológicos em todo mundo, e muitos dos autores envolvidos nestes projetos sequer eram estadunidenses, o que demonstra a importância da imigração para o desenvolvimento dos Estados Unidos e o grande sucesso comercial daquele país e como a sua atual política anti-imigração pode estar equivocada (Assista o curta Don't Be a Sucker, de 1947).

A disciplina vencerá a inteligência. De fato, grandes empreendedores não são apenas disciplinados, mas inteligentes. Nós temos estas duas características de sobra aqui na América Latina, mas infelizmente ainda não as exploramos como deveríamos.

Os grandes inventos que temos hoje em dia são o resultado de que seus inventores estiveram sobre ombros de gigantes, isto é a globalização, que, claro, tem matizes negros e cinzentos.

O Goggle foi fundado pelo estadunidense Larry Page e Serguei Brin, um imigrante russo. Dos três fundadores do Youtube, um é estadunidense, outro é nascido na Alemanha, mas com pais migrantes de Bangladesh, e o terceiro é chinês.

Tudo o que temos hoje é porque um inventor de um país ou empreendedor de outro copiaram ou tomaram códigos, chips, teorias menores para darem forma a inventos maiores.

O primeiro ordenador digital moderno foi criado no Estados Unidos, mas seu inventor era um imigrante búlgaro. O primeiro telefone móvel foi desenvolvido pela empresa estadunidense Motorola em 1973 por Martin Cooper, filho de imigrantes ucranianos.

O primeiro motor de combustão a gasolina é invenção de um engenheiro belga, mas foi Henry Ford, nascido em Michigan, mas de ascendência inglesa, quem revolucionou a produção de veículos automotores em inícios do século XX. Muitas fábricas ao redor do mundo implementaram o modelo de produção de Ford. Um invento belga, produzido nos Estados Unidos, não foi monopolizado por nenhum dos dois.

A TV é invenção do britânico John Logie, mas a TV colorida foi criada pelo mexicano Guilhermo González Camarena em 1940. E são as empresas japonesas, alemãs e sul-coreanas aquelas que dominam o mercado dos eletrodomésticos que não foram inventados em seus países.


Grandes inovadores da América.
Guilhermo González Camarena.

Autor de inúmeras invenções no campo do electromagnetismo, Nicolas Tesla, com seu trabalho teórico, ajudou a forjar as bases para o sistema moderno para o uso da energia por corrente alterna. Embora seus trabalhos tenham se desenvolvido nos Estados Unidos, ele nasceu no Império Austríaco, atual Croácia, e trabalhou na companhia de Thomas Edson, o mais importante inventor norte-americano.

E não posso deixar de mencionar o padre Roberto Landell de Moura, sacerdote brasileiro, inventor do rádio e que fora capaz de transmitir a sua voz antes mesmo de Graham Bell. O notável cientista brasileiro viajou aos Estados Unidos para apresentar a sua invenção durante aquele conturbado começo do século XX, obtendo três patentes em 1904 naquele país.

Seria um exagero dizer que nos Estados Unidos o fracasso total não é estigmatizado como é aqui na América Latina. Mas digamos que por lá o fracasso é encarado de uma maneira diferente.
As pessoas precisam aprender a se arriscar mais. Da mesma forma que não é possível construir um país enquanto estivermos presos aos interesses das gigantes corporações a serviço do capital financeiro, não é possível construir um país sem jovens que se arrisquem mais, que entrem nas universidades determinados e com uma grande ideia própria para colocar em prática pelo seu país. Se errar na primeira tentativa, ele não deve encarar isso como uma derrota final, mas como um aprendizado.
Levantar, cair, levantar, cai, levantar...
O incentivo a educação, as ciências e a garantia da nossa soberania estão acima de qualquer ideologia política.

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