domingo, 8 de julho de 2018

ENRICO PUCCI E O "CAMINHO PARA O CÉU"


Enrico Pucci é o antagonista de Stone Ocean, a parte 6 do mangá Jojo's Bizarre Adventure. Embora ele seja o "cara mau", seus objetivos finais são muito mais admiráveis do que os da heroína Jolyne Kujo (a minha "Jojo" favorita ao lado de Johnny Joestar). Jolyne quer sair da prisão, salvar seu pai (recuperando sua "alma" roubada por Pucci) e derrotar Dio Brando, enquanto Pucci deseja reiniciar o universo para que este exista sem o "mal", transformando-o em "céu". Embora Pucci seja um filadaputa e possa ter feito coisas ruins, por um ponto de vista mais analítico, ele é inocente e suas ações são de certo modo justificadas.

O próprio mangaká Hirohiko Araki, personificado no narrador deste conto, questiona ao leitor: "De quem é a culpa de todo o mal desta história? Cabe a você, leitor, decidir".
Na minha opinião, Enrico Pucci é uma das vítimas. Sua vida é governada pelas circunstâncias.


Foi seu irmão gêmeo fraterno, Weather Report (Domenico Pucci), quem foi trocado pelo filho natimorto de uma mãe desesperada na maternidade. Enrico poderia ter sido o escolhido...

Quem é Enrico Pucci?

Parte de uma família muito rica e descendente direto de um Papa, Enrico Pucci buscou cedo, na tenra idade de 15 anos, estudar em um seminário para se tornar padre.
Foi ele quem escolheu escutar a confissão da mesma mãe desesperada que sequestrara seu irmão, até então considerado morto. Enrico poderia ter escolhido não escutar aquela confissão...


Sua irmã mais nova, Pearla, estava naquele momento vivendo um romance com o seu próprio irmão, agora conhecido como Wes Bluemarine, desconhecendo a verdade por trás daquele encontro.
Enrico estava desesperado por sua irmã. Ele sabia a verdade. Mas o que poderia fazer? Ele descobriu a verdade através de uma confissão. E ele se via na obrigação de zelar por seus votos sacerdotais.

Enrico tinha a consciência de que a revelação de uma confissão é punida com a excomunhão. E por outro lado, ele temia pela salvação da alma de sua irmã, que cometia o grave pecado do incesto, mesmo que a verdade não fosse do seu conhecimento. Enrico protegeria sua irmã, ele não permitira que ninguém a machucasse, não se importando com os meios necessários para isso.


O silêncio sacramental do sacerdote em relação aos pecados ouvidos em confissão já foi utilizado como um tema de fundo em inúmeros filmes, inclusive, em um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos, dirigido com brilhantismo pelo mestre Alfred Hitchcock. Trata-se de A Tortura do Silêncio (I Confess), de 1953. E o mestre Hirohiko Araki utilizou-se também deste tema belo e interessante.

Os fins justificam os meios? Quais foram as medidas tomadas por Enrico para proteger Pearla? Por uma quantia considerável de dinheiro, da qual Pucci estava mais do que disposto e capaz de fornecer, ele contratou uma agência de detetives particulares. A agência ameaçaria o Wes para separa-lo de Pearla, posando como um grupo de membros de gangues ameaçadores para intimidá-lo.

As estipulações? Seria realizado com rapidez, não-violência, profissionalmente, e sem perguntas. No entanto, Pucci não levou em conta dois detalhes cruciais: a curiosidade humana e o preconceito.
A agência ocultara de Pucci suas afiliações antigas com o movimento Ku Klux Klan (KKK), a seita religiosa secreta do sul dos Estados Unidos. E por eles foi descoberto que Wes era fruto de um relacionamento inter-racial. Diferente de Enrico, Weather Report, tinha a pele clara, mas ainda era considerado negro.


Ao ver o casal compartilhar um beijo de boa noite, quatro dias depois de Pearla ter se aproximado de seu irmão, o detetive-chefe da agência assumiu uma raiva malévola.
Dentro de uma noite, Pearla foi atacada e molestada, enquanto Wes foi linchado e enforcado, pendurado em uma árvore. As cenas são muito fortes como se descrevessem os casos reais documentados durante a história.

O tempo todo, o detetive-chefe fez questão de avisá-los que foi o irmão de Pearla quem lhes dera autorização para aquela atividade. Depois de tudo dito e feito, Pearla desceu seu irmão da árvore, e em seu desespero, pulou do penhasco cometendo suicídio...

Curioso Enrico Pucci ter sido o único poupado da violência. Enrico Pucci é mulato, ele aparenta ser negro. Embora tenha nascido nos Estados Unidos, é descendente de imigrantes italianos (Ele é ítalo-americano). É católico, e ainda sacerdote...
A KKK teria motivos de sobra para pendura-lo em uma árvore ou ao menos queimar algumas cruzes na porta da sua casa ou diante da igreja onde ele comunga...


Os WASP ("White", "Anglo-Saxon" e "Protestant") da KKK não veem Enrico como americano, eles são extremamente agressivos com católicos, negros, latinos, judeus, nativo-americanos, asiáticos, e a lista segue.
A KKK é, na verdade, o conjunto de diversos grupos de extremistas, e não um só grupo. Embora tenha tido milhões de membros, atualmente ela conta com apenas alguns adeptos.

Os Estados Unidos são um país fundado por imigrantes desde a sua origem, mas, paradoxalmente, importantes facções políticas convencidas de que a imigração deveria ser drasticamente limitada sempre estiveram presentes. Muitas vezes, as justificativas para essa rejeição à imigração tiveram, como hoje, um tom étnico quando não abertamente racista. As limitações são sempre dirigidas a populações consideradas em qualquer época indesejável, desde os alemães no século XVII até os mexicanos, centro-americanos, passando pelos irlandeses e italianos, chineses e japoneses, franceses e russos, judeus da Europa Central e povos do Mediterrâneo em geral.

Procurem ler sobre o movimento Nativista iniciado nos Estados Unidos no século XVII. E assistam ao ótimo Gangues de Nova York, de 2002, dirigido por Marin Scorsese.


Muitas vezes exacerbado em situações de crise econômica, a persistência desses sentimentos mostra que há algo mais. A história dos movimentos nativistas nos EUA não começa em Charlottesville, mas vem de muito mais longe: desde seu nascimento como nação.

Mas voltando ao mangá... Provavelmente porque a notícia de um suicídio estava apenas começando a se espalhar, ou provavelmente devido ao fato de que a agência havia incendiado a casa dos Pucci momentos antes de atacar Wes e Pearla, Enrico entrou em cena em pouco tempo.
Ao ver o corpo morto de sua irmã sendo retirado do rio, ele desesperadamente entrou naquelas águas, puxando-a à força das mãos dos resgatadores e levando-a de volta à praia. Ele teve apenas um minuto para gritar e chorar pela sua irmã, o seu porto seguro, a pessoa que o jovem mais amou em sua vida. E mal ele poderia imaginar que a sua vida mudaria completamente a partir do seguinte acontecimento...

Por que ele seria uma vítima?


Em primeiro lugar; ele foi educado pela igreja a acreditar nos conceitos religiosos da fé e na vontade de Deus. Como um sacerdote, ele se via como parte da vontade de Deus e discípulo da fé. Além disso, como um homem religioso, foi criado para acreditar que "os fins justificam os meios"... (Isto não é uma crítica direcionada exclusivamente ao fanatismo religioso, mas a qualquer tipo de fanatismo.)

Em segundo lugar; Dio mudou o destino de Pucci ao curar o seu pé deformado de nascença na igreja. Foi Dio quem incentivou Pucci a fazer coisas antiéticas para "alcançar o céu". 

Em terceiro lugar; se não fosse pela flecha Stand (presenteada por Dio), Pucci teria renunciado a sua crença. Quando sua irmã comete suicídio e Wes quase morre, Pucci questiona profundamente sua vida. Se ele não tivesse conhecido Dio e ganhado a flecha, ele teria renunciado a sua crença e encontrado significado em outro lugar. Infelizmente, quando a flecha entra em seu corpo, sua fé em Dio também fica encravada. 



O primeiro poder que Enrico ganhou da flecha tinha tudo a ver com o seu sentimento. A capacidade de armazenar a "alma" e as memórias de qualquer pessoa em discos. E ele preservou para sempre as memórias de sua amada irmã em um destes discos.

Enrico Pucci é um personagem falho, mas de certa forma bem-humorado. Dio apenas se aproveitou de toda esta doutrinação. Em última análise, Pucci não fez nada de errado; foram suas circunstâncias e o azar que o levaram a fazer o que ele fez. O destino não foi gentil com ele. Seu objetivo final era puro; chegar ao "céu", e trazer todo o universo com ele.

"Meu malvado favorito" é o Enrico Pucci. Ele é um personagem simpático e até talvez identificável. Eu admiro seu amor pela perfeição e seu firme objetivo. Seu compromisso inabalável com seu propósito e sua genuína tentativa de reconciliar o mundo com suas crenças. Tenho profunda empatia por suas deficiências. Embora na superfície ele possa parecer um personagem unidimensional (fanático religioso), vejo Enrico como uma grande quantidade de contradições de ação e crença; um personagem extremamente humano, inocente e justificado.

Dio Brando, antes de sua morte, assassinado no Egito por Jotaro Kujo (trineto de Jonathan Joestar), estava pesquisando métodos para conceber um mundo perfeito através do uso de Stands altamente potentes, registrando todas as suas análises detalhadas e explicações abrangentes em um diário. Mas tais anotações foram lidas e consequentemente queimados pelo próprio Jotaro Kujo.


Oficialmente empregado em Green Dolphin Street Prison, uma prisão fora das zonas úmidas do Cabo Canaveral, Pucci trabalhava como um Sacerdote Prisional, desempenhando seus deveres pastorais. Sob sigilo, Pucci governou a prisão a partir das bases: inserindo discos de Stand em criminosos para controlá-los.
Seus capangas? Que tal um brucutu que atrai meteoros do espaço sideral? Uma jovem com a capacidade de bloquear a memória de curto prazo das pessoas até o limite de três informações? Uma versão made in China de Charles Manson? Uma Mulher-Plâncton?

Pucci supostamente também planejara uma sentença ilegítima poder vigiar seu irmão gêmeo (que sobreviveu ao massacre), mantendo-o na prisão onde vivia como um amnésico quieto e excêntrico.
Pucci mantinha seu irmão vivo na prisão unicamente porque havia pensado em salvá-lo eventualmente da "maldição" colocada sobre ele desde o dia em que nasceu.

"Você é o tipo de mau que não sabe que é mau... esse é o pior tipo que existe." É assim que, nas últimas circunstâncias, Weather Report definiu o seu perturbado irmão.


Enrico Pucci não transmitia ameaça, espelhava uma imagem rigorosa sem parecer autoritário, obstinado sem parecer excessivamente intrusivo. Ele mantinha alguns vestígios duradouros da religiosidade clássica: Dio descreve-o como um homem sem necessidade de poder político, fama, riqueza ou desejo sexual. Seus motivos para assumir o controle da prisão não eram para se deliciar com o controle que a autoridade fornece. Pelo contrário, ele estava mais do que satisfeito em seguir as regras de seus supostos superiores, desde que seus objetivos não fossem comprometidos.
Ele movia as ações para os seus planos pedindo educadamente aos outros, em vez de distribuir ordens impetuosas. Ele rezava. Ele tinha a Bíblia aprendida de cor. Ele ouvia a adoração religiosa em seu tempo livre.

Apesar dos seus ideais, Pucci era um tanto excêntrico. A amplitude de sua inteligência era quase ilimitada. Ele exibia um claro fascínio pela aritmética, biologia e psicologia. Estava mais do que disposto e pronto para discutir em grande detalhe a fisiologia de um animal ou as mensagens subliminares em cartazes de campanha ou a criptozoologia, não importando o quão triviais sejam os fatos concretos. E como Dio, ele era excelente em exalar um senso de compaixão e carisma quando necessário. Era a intensidade de sua devoção que atraía a admiração de tantas pessoas (os guardas da prisão, os filhos de Dio...). Pucci realmente acreditava estar fazendo a coisa certa. Não apenas por si, mas pela nobre busca de um futuro melhor para a humanidade como um todo.

Dependendo de quem você pergunta, alguns dirão que há poucos que podem rivalizar com ele em termos de generosidade, especialmente quando comparado aos severos guardas prisionais ansiosos para dispensar violência a qualquer sinal de desordem.


É de seu interesse que pessoas venham a segui-lo. Quando a oportunidade se apresenta, ele prefere delegar agressão àqueles considerados pecadores irredimíveis, em parte para manter as aparências, em parte para reafirmar seu próprio senso de virtuosidade. Para a causa de Pucci, ou as pessoas vivem uma vida de pecado, ou são utilizadas para um propósito maior do que elas. Até certo ponto, ele não acredita em reforma pessoal, o que tanto justifica quanto contraria sua descrição oficial de trabalho, dependendo da sua avaliação. Uma vez que você nasceu amaldiçoado, você morre amaldiçoado. É uma questão simples de destino. Pucci está convencido, esta era está amaldiçoada, os Joestars são amaldiçoados... assim como todo aquele que se opõe a ele.

Por que ele é um vilão?

Dio estava usando Enrico Pucci? Ou será que foi Enrico Pucci quem estava usando Dio?
Fundamentalmente, Pucci é um homem totalmente incapaz de se examinar em termos de certo ou errado, porque simplesmente não há "errado" para ele em suas ações. Arrependimento e vergonha não têm lugar em seu raciocínio. Porque se fizessem, serviriam como lembretes insuportáveis ​​dos erros de seu passado, ou pior ainda, da pergunta confusa sobre sua responsabilidade pessoal com relação a Wes e Pearla. Desde sempre, o lema "coisas ruins não acontecem com pessoas tementes a Deus" foi vigorosamente doutrinado em sua psique. Para lidar com as muitas contradições de sua vida, "coisas ruins" são apenas obstáculos, não consequências, o que elimina a responsabilidade pessoal, e "coisas boas" são sinais divinos de que ele está destinado. Claro, Pucci não tem problema em flexionar seus músculos de atenção seletiva em todos os lugares, alimentando seu senso de superioridade a alturas extremas sob as mais generosas estimativas. Seus ideais intelectuais, sua devoção, sua lealdade, tudo isso é mais do que suficiente para justificar seus meios, por mais sinistros ou corruptos que pareçam.


Enrico Pucci e Claude Frollo são personagens similares, no 
sentido que em suas trajetórias é dito que ambos praticam o
"mal" e o chamam de "bem"São incapazes de verem o mal 
que há em si mesmos, apenas veem o mal que há no outro.

A marca de violência de Pucci é dissimulada, não bárbara, totalmente maquiavélica em sua execução. Ele está inclinado a lutar na presença de outro perigo presente e, muitas vezes, arquiteta deliberadamente seus confrontos para que seus oponentes enfrentem dilemas internos importantes.
Pucci não fechou os olhos para suas próprias fraquezas, é um planejador especialista, graças a uma paciência duradoura e a sua forte convicção.

Mesmo o menor indício de incerteza, de mãos dadas com a sensação de perder o controle, é o suficiente para lhe dar surtos de ansiedade nervosa. Combinado com uma demonstração rigorosa de contorção de mãos, contar números primos é seu mecanismo de enfrentamento em tempos de alta tensão, unicamente pelo fato de que eles não podem ser divididos por eles mesmos além de 1: o "número de Deus", um símbolo de invencibilidade eterna. Em suas próprias palavras? Isso lhe dá força. Deus está sempre no controle e, como Pucci se considera o embaixador mais dedicado de Deus, ele também deve estar sempre no controle. Até mesmo sua ideia de "céu" é aquela em que todos os humanos nasceriam sabendo o que está além do horizonte de seu futuro, para que possam resignar-se a seu destino com dignidade. Em última análise, Pucci subscreve uma forma radical de fatalismo religioso, aumentada por uma infância em que o desconhecido o condenou a tumultos.

Avançando para 2011. Enrico Pucci não contava que seu plano infalível para alcançar o céu tivesse uma falha crucial... A filha de Jotaro Kujo, Jolyne Kujo, tinha uma tenacidade capaz de envergonhar os mais durões heróis do cinema brucutu. Mas infelizmente todos os acontecimentos conspiraram a favor de Pucci e ele foi capaz de ler as memórias de Jotaro, o que era necessário para completar o "caminho para o céu".


* a partir daqui, Spoilers dos últimos capítulos da parte 6 do mangá * Pucci alcançou uma das maiores contagens de corpos de protagonistas que um vilão poderia sonhar. Todos os heróis (Jolyne e seu pai incluídos) pereceram em suas mãos... Pucci adquiriu a habilidade de alterar o tempo relativamente a tal ponto que gerou uma singularidade e, bem, reiniciou todo o universo, elevando-se efetivamente a algo semelhante à divindade.

Como eu disse: a vida de Pucci é governada pelas circunstâncias, do começo ao fim. E, no final, foi Emporio, aparentemente o herói com menos poderes, quem acabou matando-o. Como? Pouco antes do fim, bem no momento da morte de Weather, este deu a Jolyne seu disco Stand - que continha o seu poderosíssimo Weather Report - na esperança de que ela pudesse usá-lo para acabar com o seu irmão para sempre. Jolyne então deu aquele disco a Emporio, sabendo que Pucci sequer sabia da existência do garoto... Em um esforço para fazer um golpe letal nele, Pucci acidentalmente empurrou o disco Stand de Weather na testa de Emporio, fazendo com que a concentração de oxigênio na sala fechada em que se encontravam subisse exponencialmente. O padre foi vencido por sua própria habilidade! Embora seu relógio biológico estivesse funcionando normalmente, o tempo corria a velocidades incalculáveis e por isso ele estava respirando a uma velocidade muito superior.

Intoxicado por oxigênio 100% puro e imobilizado, Pucci implorou a vontade de Weather de deixá-lo viver, pelo menos até que sua "ascensão" ao céu estivesse completa, para que o universo não fosse reiniciado sem ele, pelo bem da humanidade.
A vontade de seu irmão, entretanto, não permitiu que Pucci sobrevivesse. A morte de Pucci foi por causa da retribuição acima de tudo, a vingança demorou a chegar.
Emporio foi devolvido são e salvo, mas o estrago foi feito: Emporio teria que viver agora em uma realidade alternativa, como a única pessoa que tinha uma noção do que havia acontecido antes da reinicialização do universo.

"O caminho para o céu" decifrado

A "receita" para alcançar o céu registada no diário de Dio Brando: o osso de Dio; as vidas de 36 humanos que cometeram pecados (os 36 prisioneiros residentes em Green Dolphin Street Prison), porque estes guardam um grande poder dentro de si; e os 14 nomes (Escada Espiral, Besouro Rinoceronte, Cidade Fantasma, Figueira, Besouro Rinoceronte, Via Dolorosa, Besouro Rinoceronte, Ponto de Singularidade, Giotto, Anjo, Hortência, Besouro Rinoceronte, Ponto de Singularidade, Imperador Secreto).


O osso de Dio evoluiu para um estado semelhante a um bebê de cor verde, o Green Baby, que ao se fundir ao Stand Whitesnake de Pucci, levou este a evoluir para o Stand C-Moon, que futuramente tornou-se o Made in Heaven, o Stand definitivo de Pucci.

O Made in Heaven pode controlar a gravidade de todos os elementos do universo, fazendo o tempo avançar de tal forma que, em um momento, dia e noite tornam-se um só. No céu, o Sol era visto apenas como um rastro luminoso. E Enrico Pucci tornou-se imbatível. Por estar sincronizado com a passagem do tempo, ele está sempre se movendo com velocidade infinita. Do ponto de vista de quem o vê, ele está sempre se movendo, mesmo quando está parado.
Então chegamos a um ponto em que o universo entra em colapso, sendo aniquilado, enquanto outro universo é construído em seu lugar.

No quadro abaixo temos, na coluna da esquerda, cada um dos nomes ditos por Enrico Pucci para causar a fusão do Whitesnake com o Green Baby e, na coluna da direita, o seu suposto significado.

Escada Espiral
O Começo
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Cidade Fantasma
O Apocalipse
Figueira
Poder sobre a natureza
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Via Dolorosa
O caminho do sofrimento
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Ponto de Singularidade
O Fim
Giotto
Criando um novo começo
Anjo
Mensageiro
Hortênsia
Renascimento
Besouro Rinoceronte
Desenvolvimento
Ponto de Singularidade
O Começo
Imperador Secreto
Deus

E a seguir, para finalizar, descrevo e especulo sobre as possíveis inspirações que Hirohiko Araki buscou para justificar a escolha de cada uma das palavras. Lembrando sempre, claro, de que é tudo apenas especulação...


Escada Espiral: tempo e humanos são elementos que nos conectam diretamente ao Made in Heaven. O tempo pode ser pensado como um loop, ao menos quando termina, mas ao mesmo tempo, o tempo nunca termina. Tempo também é o começo, o começo de tudo. E qual o começo da vida? O que uma escada espiral lembra você quando pensa no começo da vida? DNA, o código de toda a vida e a espiral que começa tudo.


Besouro Rinoceronte: inseto da subfamília Dynastinae, a subfamília dos escaravelhos. Os escaravelhos têm um enorme efeito na história do Egito.
Khepri era o deus do renascimento. Acreditava-se que ele renovava o Sol a cada dia. Seu nome influenciou inclusive a própria língua. O verbo "Khepre" significa "renascer", "desenvolver".
Pucci o cita quatro vezes. E você pode relacioná-lo às quatro estações ou aos quatro estágios do desenvolvimento que o Green Baby passa (Osso de Dio, Green Baby, C-Moon e Made in Heaven). Logo, besouro rinoceronte é igual a renascimento.


Cidade Fantasma: este é o item mais fácil de especular. Deve significar o Apocalipse, isto é, fim de tudo.


Figueira: você já deve estar familiarizado com a história de Adão e Eva.
Qual era o fruto proibido? A maçã deve ter sido a sua resposta, porém...
Dizem que no Gêneses nunca foi mencionado qual é o fruto proibido, no entanto Adão e Eva usavam folhas de figueira para se cobrirem, por isso há uma teoria de que o fruto proibido seria um figo - símbolo do desafio a Deus e a uma maldição.


Adão e Eva desafiaram Deus. E quando Jesus amaldiçoou uma figueira, demonstrou sua autoridade sobre a natureza. Assim, podemos deduzir que figueira representa o controle sobre a natureza, o que é ainda mais interessante quando você lembra do irmão de Pucci que literalmente pode controlar a natureza.

Besouro Rinoceronte: é citado novamente anunciando um segundo estágio no desenvolvimento.


Via Dolorosa: O "caminho do sofrimento", o "caminho da tristeza", simboliza a luta, a dor ou qualquer tipo de dificuldade no caminho para o céu.

Besouro Rinoceronte: terceiro estágio do desenvolvimento.


Ponto de Singularidade: na física do espaço, no centro de um buraco negro, há uma única dimensão unidimensional. Neste ponto ridiculamente pequeno, a densidade e a gravidade tornam-se infinitas, e o espaço-tempo curvado infinitamente.
Conexão perfeita com o funcionamento do C-Moon e do Made in Heaven.
Após o fim do universo há o ponto de singularidade, onde o universo original acabou e um universo novo nasceu, basicamente é o ponto onde o fim acabou, mas o início ainda não começou.


Giotto: não é um lugar ou uma "coisa", mas uma pessoa. Giotto di Bondone foi um artista do Renascimento, aparentemente o primeiro de uma boa quantidade de artistas durante esse tempo.
Sua arte pode ser interpretada como uma visualização da Bíblia.
O nome deste personagem histórico pode representar uma visualização, especialmente por aparecer após o Ponto de Singularidade. O começo que não pode ser visualizado, mas possível de ser visto porque está entrando em forma.


Anjo: significa mensageiro.
É apenas especulação, mas pensem nisso: quem ajudou Pucci a completar seu plano mesmo contra a vontade dele? Ninguém senão o próprio Jotaro Kujo.
Se Jotaro nunca tivesse lido o diário de Dio antes de queimá-lo, Pucci nunca poderia saber como alcançar o céu porque sua pesquisa nunca chegaria a tão longe. Jotaro queria salvar o mundo, mas acabou sendo a razão para o sucesso do Made in Heaven.


Hortênsia: florescer, afinal é o que as flores fazem. As hortênsias são plantas que precisam de muita água, o que se conecta ao seu próprio nome que vem de duas plavras gregas: Hydrangea, hydros (água) e angos (navio). Este nome também representa  uma vasilha de batismo, símbolo de regeneração, renascimento, etc.
O renascimento que houve foi o do Green Baby porque o corpo de Dio é o corpo de Jonathan Joestar (do pescoço para baixo). Então houve o renascimento de Jonathan... Bem, a genética de Dio é meio louca quando pensamos em Green Baby, Giorno e seus meio-irmãos.

Besouro Rinoceronte: quarta etapa do desenvolvimento.

Ponto de Singularidade: o fim dos fins e o começo dos primórdios.


Imperador Secreto: imperador é símbolo de poder, autoridade e paternidade. Mas, por que ele é um segredo? Porque não sabemos como ele é. Uma pessoa que você nunca viu, fé e essas coisas...
Sem mexer com as sensibilidades religiosas de ninguém, o imperador secreto deve ser algo como Deus. O ponto de singularidade vem antes do imperador secreto porque é a transição para o começo de tudo. Logo, o elemento mais significativo para um homem como Enrico Pucci.


36 vidas de criminosos sacrificadas? O osso de Dio? No futuro talvez possamos amarrar estes dados com os significados reais dos 14 nomes. 

sábado, 31 de março de 2018

MINHAS REFERÊNCIAS MUSICAIS FAVORITAS DE JOJO'S BIZARRE ADVENTURE


Um dos detalhes que mais chamam a atenção no universo de Jojo's Bizarre Adventure, o mangá de autoria de Hirohiko Araki, é a grande quantidade de nomes de personagens, Stands ou golpes especiais relacionados a música.

Há ainda várias outras referências, como a gastronomia italiana (na quinta parte do mangá) ou famosos desenhistas de moda (na sexta parte do mangá), mas as homenagens musicais sempre foram aqueles que estiveram mais presentes.


Terceiro encerramento do animê: Last Train Home, por Pat Metheny Group.













A própria versão animada desta série de mangás faz as suas próprias referências musicais ao jazz contemporâneo: O encerramento de Stardust Crusaders, a terceira parte de Jojo's Bizarre Adventure, com a melodia de Pat Metheny Group, Last Train Home, é na minha opinião o mais belo encerramento já feito para uma série de animê.

                                           

Eu gosto de imaginar como devem existir tantas pessoas de meia-idade que assistiram este belo vídeo no youtube e ficaram a falar coisas como: "Ah, minha música favorita de quando eu era jovem, mas... quem são estes personagens?"
Quem leu o mangá antes de ver o animê certamente compreendeu a mensagem deste belíssimo trabalho. Metheny estuda e escreve muito, e é aberto a inúmeras influências. Seus trabalhos são muito agradáveis e perfeitamente bem executados. Continua a ser muito influente na comunidade do jazz, ajudando novos músicos em suas próprias visões artísticas.



Provavelmente todas estas referências musicais se devam ao fato do mangaká Araki e seus assistentes trabalharem sempre escutando música. Em seu estúdio há uma enorme coleção de gravações.
Escutar algo enquanto desenha é muito inspirador e às vezes influencia no resultado. Pode ser que isto tenha ajudado aos personagens de Jojo's Bizarre Adventure a se tornarem tão dinâmicos.

Segue agora a lista com um as minhas referências musicais favoritas e originais apresentadas em todo o universo de Jojo's Bizarre Adventure, feitas exclusivamente no mangá por Hirohiko Araki:




Going Underground, The Jam

The Jam foi uma banda britânica dos anos 70. Suas influências vieram diretamente dos anos 60, do soul, do rock psicodélico, R&B, e também das ondas do seu tempo, como punk rock e new wave. O seu primeiro álbum tem uma certa semelhança com The Clash (Também referenciado por Araki).
Encerraram suas atividades no começo dos anos 80 quando estavam no seu auge.

Going Underground, canção original da banda The Jam, é o nome original do stand de Kyo Nijimura. Uma das mais legais personagens femininas do mangá tem um dos stands mais estilosos e poderosos, uma versão nevasca do Motoqueiro Fantasma da Marvel Comics.

                                            

Infelizmente, e por um motivo que desconheço (não acompanhei direito Jojolion, a oitava parte do mangá), esta referência musical foi substituída por uma canção mais "moderna". O stand de Kyo Nijimura agora se chama Born This Way, referência a canção homônima de Lady Gaga.
Nada contra quem goste de Lady Gaga (Embora seu gosto musical seja duvidoso), mas.... que porra... trocar uma referência a uma banda lendária como The Jam e uma canção tão incrível como Going Underground...

Going Underground>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Born This Way




Purple Haze, Jimmy Hendrix

Vindo diretamente do glorioso, porém triste, Clube dos 27, Jimmy Hendrix pode ser chamado de o rei da guitarra. Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, a primeira pessoa a fazer parte do Hall da Fama da Música Nativo-Americana e um dos mais influentes músicos de sua era
Esta música, Purple Haze, Hendrix provavelmente a compôs para ser a nossa "viagem", é algo intoxicante, alucinógeno, o som perfeito de sua guitarra e sua voz funcionam como um elemento viciante. Você fica completamente viciado por sua música! Tudo no bom sentido, ok (Crianças, não usem drogas).

                                           

Puple Haze é o nome do stand mega-apelão de Pannacotta Fugo, aquele com o poder de produzir  um vírus canibal letal que mata qualquer adversário em questão de segundos.
Mas Fugo é de longe o personagem mais zoado de todo o mangá, e isso porque apesar de ter um stand tão poderoso, ele acabou ganhando a fama de ser meio covardão. Ele foi o único que ficou de fora da batalha final contra o chefão da máfia. O que eu acho? Foi uma boa ideia do Araki. Deixar Fugo de fora nos fez duvidar de que os "heróis" poderiam vencer no final.




Highway Star, Deep Purple

Mais uma banda britânica, considerada um dos precursores do heavy metal e do hard rock moderno, ao estilo de Led Zeppelin e Black Sabbath, outras duas grandiosas bandas também referenciadas por Jojo's Bizarre Adventure. Esta é a banda Deep Purple que é, segundo o Guinness, a banda com o som mais alto do mundo!!
O nome desta canção alucinante, Highway Star, foi escolhido para nomear o maneiro stand do motoqueiro pegador Yuuya Fungami.

                                                        
"Nobody gonna take my girl
I'm gonna keep her to the end
Nobody gonna have my girl
She stays close on every bend

UUUUUUUU She's a killing machine
She got everything
Like a moving mouth body control
And everything
I love her, I need her, I seed her
She turns me on
Alright, hold on tight
I'm a highway staaaaaaaaaar"

Quando o rock era rock!




Another One Bite The Dust, The Queen

The Queen, a banda que adotava os gêneros hard rock, pop rock e rock progressivo, fundada em 1970, e liderada por Freddie Mercury (1946-1991) dispensa apresentações.

Another One Bite The Dust, reduzido no mangá para Bite The Dust, é a canção que nomeia a última habilidade do stand Killer Queen do carismático vilão Yoshikage Kira.

"Uh, let's go
Steve walks warily down the street
With his brim pulled way down low
Ain't no sound but the sound of his feet
Machine guns ready to go
Are you ready, hey, are you ready for this?
Are you hanging on the edge of your seat?
Out of the doorway the bullets rip
To the sound of the beat, yeah
Another one bites the dust
Another one bites the dust
And another one gone, and another one gone
Another one bites the dust
Hey, I'm gonna get you too
Another one bites the dust"

Esta música é extremamente foda!
E quando Kira utiliza esta habilidade pela primeira vez, matando no processo Rohan Kishibe, o assassino comenta sobre o destino do pobre mangaká, morrendo sem se dar conta do porquê e lamentando nunca mais poder desenhar mangá. É inevitável fazer uma associação entre a cena e a letra da canção.

                  

O último e mais poderoso poder de Yoshikage Kira, a terceira bomba que explode os seus alvos, de acordo com uma condição imposta pelo próprio Kira, e faz o tempo do universo retornar para uma hora antes do ocorrido. Uma vez que o tempo reinicia, todos aqueles mortos por esta bomba terão o mesmo destino, isto é, até que Kira decida desfazer o Bite The Dust.



David Bowie

David Bowie (1947-2016) foi uma figura mítica, não apenas um dos melhores cantores de todos os tempos, mas também foi um grande ator. Basta observar as suas apresentações e os personagens que ele mesmo criava.
O personagem Yoshikage Kira é uma referência musical em si. Sua aparência foi completamente inspirada em David Bowie, e seu stand e ataques especiais referenciam várias canções da banda britânica The Queen.

                                         

Scary Monsters é o nome
do stand do Dr. Ferdinand,
 mais tarde utilizado por
Diego Brando, na oitava
parte do mangá. Referenciando
diretamente a canção de
mesmo nome de David Bowie.




Sky High, Jigsaw

Esta canção data de 1975, foi a trilha sonora do filme The Man From Hong Kong, e ainda esteve muito presente durante a minha infância. Simplesmente a amava, mesmo sem entender nada de inglês na época, sem saber de onde ela veio, ou mesmo que ela já era velha quando a escutei pela primeira vez.
Sky High é o nome desta canção da banda pop britânica Jigsaw. Mais uma banda que teve uma existência relativamente curta, aposentando-se em seu auge.

                                        

O "homem-vaca" Rykiel é o usuário do stand Sky High que o possibilita controlar as "varas" ("Rods", termo utilizado em ufologia e criptozoologia, também conhecidas como "skyfish", "hastes de ar", "entidades solares"), entidades que se movem a velocidade da luz e roubam o calor do corpo de seus inimigos. É hilário tentar associar este poder a música.




Dirty Deep Dirt Done Cheap, AC/DC

Eu poderia citar todas as bandas de rock and roll dos anos 60/70/80 que mais marcaram a minha vida, referenciadas em Jojo's Bizarre Adventure como Metallica, Beach Boys, Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Guns N' Roses, mas seria uma postagem mais extensa do que esta já está sendo.
Assim escolho citar a minha banda de hard rock favorita de todos os tempos, a banda australiana AC/DC, e a minha música favorita deste grupo, Dirty Deep Dirt Done Cheap.


Eisidisi

A banda é referenciada muitas outras vezes durante todo o mangá, em suas canções que servem como inspiração para nomes de stands ou poderes, e inclusive o personagem Esidisi tem sem nome referenciando diretamente a banda AC/DC.

                                        

Sempre gostei de procurar uma associação entre a letra da música referência e o stand ao qual ela nomeia no mangá. Mas aqui é um dos casos mais engraçados. O poder principal do stand Dirty Deep Dirt Done Cheap, abreviado no mangá para D4C, pelo óbvio motivo de ser um nome desgraçadamente longo para ficar escrevendo o tempo todo em um balão de fala de uma história em quadrinhos, é o de possibilitar ao presidente Funny Valentine, seu usuário, viajar para outros universos, recrutando versões alternativas de si mesmo, e possibilitando a ele uma relativa imortalidade. Enquanto esta canção da banda AC/DC pode ser interpretada por alguns como um tipo de propaganda de um assassino de aluguel.


                                           

Johnny B. Goode, Chuck Berry

Johnny B. Goode foi escrita em 1955 por Chuck Berry (1926-2017), sendo lançada apenas 3 anos depois, em 1958. A letra fala sobre um jovem cantor em início de carreira que foi inspirado em um parceiro musical de Berry, Johnnie Johnson (que na verdade era pianista).

                                       

Chuck Berry, compositor, cantor e guitarrista estadunidense, um dos pioneiros do rock and roll, estilo que foi produto de um contexto do pós-guerra, misturando jump blues e rhythm and blues que eram feitos por muitos músicos afro-americanos durante aquele tempo. Mas foi Chuck Berry aquele que fez a mistura funcionar, e por isto, dentre inúmeros outros motivos, ele é considerado um dos maiores gênios da música.


Michael J. Fox, como Marty McFly, em cena de
De Volta para o Futuro.
(Funny Valentine não curtiu isto)

Em 1985, no filme De Volta para o Futuro, o personagem Marty McFly, em um baile de 1955, não apenas toca esta música, como imita de forma fenomenal a maneira como Chuck Berry se apresentava no palco. Os produtores escolheram esta música porque foi escrita na mesma época em filme se passava.


Jonathan Johnny Joestar

E Hirohiko Araki homenageia Chuck Berry referenciando a canção Johnny B. Goode através do protagonista da sétima parte do mangá. Johnny é o apelido de Jonathan Joestar, o  principal protagonista de Steel Ball Run.




Mandom, Jerry Wallace

Mandom é o nome do stand de Ringo Roadagain (que junto de Rykiel, são os antagonistas secundários mais humanos de toda a obra). Este stand é capaz de reverter o tempo para 6 segundos ao passado, a partir da necessidade de seu usuário. Seu nome foi inspirado na letra da canção Lovers of World do saudoso Jerry Wallace (You're in Maaaannnndon...). Há uma história interessante sobre a escolha de Araki para nomear este stand...

O nome de “Mandom” tem sido uma referência para a Tancho Corporation, principal fabricante e distribuidora de produtos para cabelo, cuidados com a pele, perfumes e desodorantes no Japão e na Ásia.
A empresa foi fundada em 1927 por Shinpachiro Nishimura sob o nome Kintsuru Perfume Corporation em Osaka, no Japão.
Em 1959, após seu sucesso com um produto chamado “Tancho Stick”, a empresa muda seu nome para Tancho Corporation.
Os esforços da Tancho com a expansão para fora do Japão foram impulsionados em 1970, quando a empresa lançou uma nova linha de produtos masculinos de grande sucesso chamada Mandom, que recebeu o nome de uma combinação das palavras "Human" ("Humano") e "Freedom" ("Liberdade"). Uma campanha publicitária inovadora com Charles Bronson (o lendário ator e um dos padroeiros deste blog) tornou-se a primeira de uma longa série de anúncios japoneses para apresentar as principais estrelas de Hollywood.


Em 1970, Charles Bronson havia se tornado uma grande estrela no Japão através do filme "Once Upon a Time in the West", e era visto como o "homem ocidental" em essência. Bronson concordou em estrelar em um anúncio de televisão para Mandom. Durante quatro dias de trabalho Bronson recebeu US $ 100.000, o que foi mais do que ele recebeu para os papéis icônicos em "The Magnificent Seven" e "The Great Escape" juntos (!!!).



O tema dos anúncios foi realizado em inglês e japonês. A versão japonesa com a versão original da canção intitulada Otoko no Sekai, escrita por Hisao Tagi e Shuici Kurai, foi realizada por Takahiro Saito, um famoso cantor country japonês.
A versão em inglês intitulada Lovers of World, escrita por Howard Maurer e Mat Maurer, foi executada por Jerry Wallace. A música se tornou seu single mais vendido que foi lançado no Japão apenas como campanha de marketing de Mandom. 

Poucas semanas depois de veicular os anúncios, o Mandom tornou-se o produto de higiene masculino mais vendido em todo o Japão e depois se expandiu por toda a Ásia.
Seguindo o sucesso de Mandom, Tancho então mudou seu nome novamente para Mandom Corporation, em 1971. A empresa teve sucesso em criar e lançar sua nova marca principal, “Gatsby” em 1976, como a continuidade do legado de Tancho.




Ronnie James Dio

O vilão mais amado e popular da história do mangá Dio Brando, referencia diretamente a Ronnie James Dio, nome artístico de Ronald James Padavona (1942-2010), músico, produtor e compositor de heavy metal. Considerado um dos melhores vocalistas de todos os tempos, com um enorme talento, com técnicas vocais dificílimas e voz marcante, servindo como influência para os melhores vocalistas da atualidade. É lembrado também como o criador da "mão chifrada", o símbolo do rock que representa dois chifres.

                                    

Escute este som! Ele é perfeito, marcante! Não existiu um cantor que reproduzisse este estilo com tamanha perfeição como Dio, o rei do heavy metal, foi capaz de fazer!
Curioso é que o personagem Dio Brando, apesar de ser inglês, tem um nome de origem italiana. O que faz muitos acreditarem que talvez o personagem tenha descendência italiana. O seu sobrenome Brando inclusive faz referência ao ator Marlon Brando.


O álbum Holy Diver e o stand The World.

Hirohiko Araki ainda faz uma outra referência a Ronnie James Dio através de The World, o stand de Dio Brando. Notem que a imagem do demônio que aparece atrás do rochedo na capa do álbum Holy Diver, álbum lançado em 1985, foi a inspiração para a aparência do The World.




Made in Heaven, The Queen

Esta é a minha canção favorita de uma de minhas bandas favoritas.
Tudo sobre a relação com a banda The Queen e o Brasil é marcante.
Claro, durante o Rock in Rio de 1985 eu provavelmente estava dormindo no colo na minha mãe, enquanto a galera cantava junto:

"Love of my life, you've hurt me
You've broken my heart
And now you leave me


Love of my life, can't you see?
Bring it back, bring it back
Don't take it away from me
Because you don't know
What it means to me"


Mas como o tema de minhas dissertações e teses estão todos agora pautados na Epigenética, eu já tenho certeza de que o ambiente social onde estamos inseridos, hábitos da vida e experiências vivenciadas por nós mesmos e nossos antepassados ficam marcadas para sempre nos nossos genes.

                                     

Made in Heaven é a minha canção favorita do Queen e também o nome que Hirohiko Araki escolheu para nomear o stand mais foderoso de todos os tempos pertencente ao padre Enrico Pucci, que foi capaz de destruir todo o universo!

"I'm taking my ride with destiny
Willing to play my part
Living with painful memories
Loving with all my heart
Made in heaven, made in heaven
It was all meant to be, yeah
Made in heaven, made in heaven
That's what they say
Can't you see
That's what everybody says to me
Can't you see
Oh I know, I know, I know that it's true
Yes it's really meant to be
Deep in my heart
I'm having to learn to pay the price
They're turning me upside down
Waiting for possibilities
Don't see too many around
Made in heaven, made in heaven
It's for all to see
Made in heaven, made in heaven
That's what everybody says
Everybody says to me
It was really meant to be
Oh can't you see
Yeah everybody, everybody says
Yes it was meant to be
Yeah yeah"

A letra da música se encaixa perfeitamente com as motivações do usuário do stand homônimo em resetar o nosso universo através da sua habilidade de acelerar o tempo, cujos os efeitos são catastróficos.
Bem, se a suposta "modernidade" nos trouxe por um lado pensadores que acreditam que a Terra é plana e por outro lado pensadores que dizem que a maconha abre a mente... Padre Enrico Pucci, por favor, REINICIE O UNIVERSO!

Não foi Beatles. Não foi Rolling Stones. A melhor banda que já existiu foi THE QUEEN!




Hors Concours 
Tom Jobim

E a referência musical SUPREMA feita por Hirohiko Araki em Jojo's Bizarre Adventure foi para Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, conhecido artisticamente como Tom Jobim (1927-1994), compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista brasileiro! Um dos criadores da Bossa Nova e o maior expoente de todos os tempos da música popular brasileira!

Conhecido internacionalmente, este gênio brasileiro chegou a gravar inclusive com Frank Sinatra, e bebe de uma clara influência impressionista. Utilizando de motivos impressionistas e estruturas harmônicas semelhantes a Debussy e Ravel em sua música. Sempre esteve aberto ao diálogo com as tendências internacionais da música, mantendo uma disposição ativa para conhecer a diversidade cultural dos povos, reverenciando os clássicos, oferecendo uma nova leitura da música popular. Suas obras são de uma beleza rara, atingindo amplo reconhecimento internacional da critica especializada e o grande público.

                                       

O maestro Tom Jobim é referenciado por Araki através de um personagem da oitava parte do mangá, chamado Jobin Higashikata.



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