sábado, 14 de março de 2020

OS PIORES PRESIDENTES CLÁSSICOS DA AMÉRICA LATINA E A GLOBALIZAÇÃO


Enriquecimento ilícito. Corrupção. Crises econômicas. Terrorismo. Abuso de poder. Ditaduras intermináveis.

Esta é certamente a parte da história da nossa querida América Latina da qual não nos orgulhamos e muitos gostariam de ignorar. Este grandioso continente em extensão, plural e rico em cultura é sacudido pela corrupção num círculo vicioso que não parece ter fim. Do Brasil à Argentina encontramos os mesmos mecanismos financiados por empresários e políticos corruptos que buscam se manter no poder à qualquer custo.

Quando você estuda o controverso processo da independência da Hispano-América e percebe como os seus maiores beneficiários não foram justamente os povos nativos, percebe como temos sido desde então governados segundo os interesses das grandes economias.

Há uma estrita relação entre política e dinheiro. O grande problema institucional do continente na atualidade reside na falta de controle e equilíbrio. A corrupção é um grande problema, entretanto, não é o único.

Esta postagem não tem o objetivo de causar desalento, pelo contrário, tem como objetivo apontar estes problemas e apresentar possíveis soluções, sem cair na ingenuidade de uma esperança cega.  A democracia pode ter seus custos, mas é ainda a melhor forma de governo que temos. Aprender com a história para não repetir os erros do passado.

Recentemente, devido ao pânico e confusão social causado pelos governos contemporâneos da América Latina, por curiosidade pesquisei em um site mexicano uma lista dos Piores Presidentes da América Latina. A lista em questão só conta com presidentes até o ano de 2015. E é interessante que nenhum presidente do Brasil apareceu nela. Eu gostaria de compartilha-la e dar uma opinião.

Vou, entretanto, destacar alguns pontos muito importantes:

1 - Esta lista não é minha, mas original de um site mexicano;

2 - Esta lista vai precisar urgentemente de uma atualização. Só estão presentes governos latino-americanos até o ano de 2015. E, de fato, aconteceu muita coisa daquelas anos para cá;

3 - Os presidentes da lista formulada na terra natal do Chespirito não chegaram ao poder através de golpe militar, mas foram eleitos democraticamente. Embora alguns deles tenham com o tempo se tornado ditadores e seus antecessores possam ter sido depostos por golpe, eles ainda foram eleitos pelo voto popular;

4 - Ao final da lista, acrescento duas menções honrosas (ou, neste caso, desonrosas) que eu selecionei de políticos que chegaram ao poder por meio de golpe militar. Que fique claro, minhas duas escolhas não foram eleitas democraticamente. A função destas duas menções honrosas é servir como um "gancho" para o segundo assunto apresentado no título e que fechará a postagem;

5 - Não selecionei nenhum presidente do Brasil como menção "honrosa" (eleito ou ditatorial), porque a mensagem da postagem poderia se perder e vai ser mais interessante para você recordar dos outros políticos latino-americanos e fazer um paralelo entre eles e nossos momentos políticos atuais;

6 - Decidi compor esta postagem desta maneira porque espero que você se sinta provocado a reflexão. Pensamentos de pessoas alinhadas a distintos espectros políticos (direita, esquerda, centro) podem convergir perante fatos inquestionáveis;

7 - Sinto-me perfeitamente confortável para comentar esta referida lista (com suas devidas menções desonrosas de minha autoria) para atacar qualquer político que seja, porque nunca expressei simpatia ou fui filiado a nenhum partido político;

8 - Espero que se divirta.

Então vamos a lista dos piores presidentes clássicos da América Latina:





10º Lugar
JUAN DOMINGO PERÓN

País: Argentina

Período: 1946-1952, 1952-1955 e 1973-1974

Provavelmente um dos governos mais controversos do século XX.

Juan Domingo Perón polarizou o seu país, dividindo este em dois grupos irreconciliáveis, os Peronistas e os Anti-Peronistas.

Devido as suas políticas que favoreciam principalmente a classe trabalhadora, detratores presentes nas classes média e alta cometeram ações racistas, classistas, fascistas, golpistas e até terroristas.

Por sua vez, tais ações acarretaram reações arbitrárias, como torturas policiais e violações a liberdade de imprensa e expressão por parte do governo contra os grupos Anti-Peronistas, conseguindo desta maneira desestabilizar completamente o país.

Ainda assim, Perón foi eleito presidente em três ocasiões distintas.




9º Lugar
ALAN GARCÍA

País: Peru

Período: 1985-1990 e 2006-2011

Corrupção, terrorismo, e a pior crise econômica que este país havia conhecido foram as principais características do primeiro mandato de Alan García como presidente do Peru. (Seu suicídio a 17 de Abril de 2019, antes da sua prisão por seu envolvimento no caso Odebrecht, despertou uma nova discussão sobre a luta anticorrupção no Peru.)

Durante sua presidência, em vários centros penitenciários de Lima, prisioneiros rendidos, considerados terroristas por se operem fortemente ao governo, foram assassinados pelas forças militares.

Depois desta matança, Alan García deu carta branca para formarem esquadrões da morte (Os avós das milícias assim também conhecidas no Brasil) que se caracterizaram por sua grande violência contra os grupos subversivos. Apesar deste histórico nada favorável, Alan García foi eleito presidente do Peru por uma segunda vez no ano de 2006.

Ah. A democracia e suas desgraças.




8º Lugar
CARLOS SAÚL MENEM

País: Argentina

Período: 1989-1999

Se falamos da desestabilização da Argentina, então é muito necessário falar do que o presidente Menem fez a sua nação.

Durante os seus anos de mandato, Menem privatizou muitas empresas estatais, aumentou a dívida externa do país em mais de 300%.

Além disso, instaurou a "lei da Convertibilidade" na qual 1 dólar americano equivaleria a 1 peso argentino.

Isto ocasionou uma resseção econômica que se arrastou até o ano de 2001, momento em que extrapolou na presidência de Fernando de La Rua, levando quase metade da população à ruína e o país à uma taxa de desemprego de quase 35%.




7º Lugar
ANASTASIO SOMOZA GARCÍA

País: Nicarágua

Período: 1937-1947 e 1950-1956

Recordado pelo assassinato de mais de 300.000 nicaraguenses, por altas taxas de crime e enriquecimento ilícito. A sua fortuna pessoal superava a mais de 300 milhões de dólares.

Além disso, todos os postos de poder em seu governo estavam repartidos entre seus familiares, dando sentido a uma de suas mais sínicas frases célebres:

"Plata al amigo. Palo al indiferente. Plomo al inimigo"

Foi sucedido primeiro por seu filho Luis Somoza Debayle que foi presidente de 1957 a 1963. E posteriormente seu outro filho Anastasio Somoza Debayle esteve no poder desde 1967 a 1979.

Os três foram conhecidos como a Dinastia Somozista, ditadores cruéis e considerados ainda como uma fortaleza anti-comunista  que praticamente vendeu a Nicarágua aos Estados Unidos.




6º Lugar
ERINQUE PEÑA NIETO

País: México

Período: 2012-2018

O primeiro presidente desta lista eleito pela primeira vez em um período mais recente da história. E ainda que possa parecer cedo incluí-lo nesta lista, Enrique Peña Nieto disse e fez coisas que deram muito do que falar.

É indiscutível que as reformas sociais as quais impôs foram a parte mais problemática de seu governo.

Dentre elas destacam-se assassinatos e massacres inumeráveis, desaparições massivas de estudantes, repressões violentas e participações diretas do Exército mexicano em execuções extra-judiciais.

E tudo isso sem mencionar os gigantescos problemas sociais que foram acumulados ao longo do seu mandato.

Por todas as redes sociais era possível encontrarmos mexicanos que asseguravam estar de luto e exigindo a renúncia do seu então atual presidente.




5º Lugar
HUGO CHÁVEZ

País: Venezuela

Período: 1999-2013

Este foi o homem que saiu do cárcere para a presidência. De militar dissidente a sonhador bolivariano, durante os 14 anos em que esteve no poder, ele aprontou das suas até o dia de sua morte.

Pouco tempo após ter tomado o poder, modificou a constituição do país, implementando modelos polarizadores de governo e de sociedade, ocasionando com eles intolerância e ódio entre o seu povo.

A marcada influência de Fidel e Raúl Castro se fez presente em seu governo comunista, em suas declarações anti-norte-americanas e suas limitações a liberdade de imprensa.

Durante o mandato de Chávez, a Venezuela foi considerada como um dos países mais corruptos do mundo e com os níveis mais altos de criminalidade, com aproximadamente 19 mil assassinatos anuais.




4º Lugar
NICOLÁS MADURO

País: Venezuela

Período: 2013-atualidade

O atual presidente da Venezuela deu início ao seu governo com aproximadamente 24.000 mortes vinculadas com a delinquência que impera em seu país. Além disso, faz uso da brutalidade policial para amedrontar a seus opositores.

Desde que tomou o poder, a inflação na Venezuela tem alcançado as taxas mais altas da história com um terrível 64%.

Escassez, corrupção, abolição da liberdade de expressão, diminuição do poder aquisitivo e um estranho culto a Hugo Chávez são somente algumas das características de seu governo.

Se tudo isso parece pouco, ele ainda parece padecer de um paranoia que o faz acusar seus opositores de terrorismo, sabotagem e mesmo de fazerem parte de uma conspiração mundial contra a Venezuela.




3º Lugar
ALBERTO FUJIMORI

País: Peru

Período: 1990-2000

Dizer que o governo de Alberto Fujimori deixou o povo peruano na pobreza, não é nenhuma mentira.

Como todo autocrata, fingia guiar-se por ideais patrióticos. Em 1992, quando dissolveu o congresso, inaugurando um autogolpe de Estado, prometera defender os "interesses reais do povo" e instaurar uma "democracia real" no Peru.

Seu plano de privatizações de empresas públicas foi de todo um êxito... para ELE. Já que depois de todas as vendas e liquidações, nem todo o dinheiro chegou aos cofres do Estado.

Com milhares de milhões de dólares desaparecidos do tesouro nacional, este escorregadio presidente enviou a sua renúncia por fax do Japão (!).

Isso mesmo, você não leu errado.

Por fax.

Fujimori deixou altíssimas taxas de desemprego, corrupção, pobreza e carências no comércio e transporte público.

A ditadura Fujimorista terminou mal. Aos finais de 2007, Alberto Fujimori foi extraditado e processado por crimes contra o Estado, usurpação de funções, abuso de autoridade e homicídio qualificado, crime pelo qual foi condenado a 25 anos de prisão, pena esta que está cumprindo atualmente.




2º Lugar
FIDEL CASTRO

País: Cuba

Período: 1976-2008

Este político ocupou o governo de Cuba por quase 50 anos. Sob o seu poder, o povo cubano se viu submetido a um modelo político que supostamente zelava por sua igualdade, mas que os deixou na pobreza.

Com seu regime totalitário, Fidel ocasionou um desabastecimento de alimentos, baixou bruscamente o poder aquisitivo e privou os seus cidadãos de liberdade. Tudo isto, junto ao seu irmão Raúl, que o substituiu após a sua renúncia, e levou pânico social com a sua reforma.

Fidel Castro foi certamente o rosto mais conhecido de Cuba, mas seu irmão Raúl sempre foi a sua sombra. A maioria das leis e mandatos vinham dele e não de Fidel. Poderíamos então concluir que enquanto Fidel era o ditador líder da Revolução, Raúl era o seu produtor.

Não é de se estranhar que logo após a morte de Fidel, tenha sido o seu irmão vir a substituí-lo.

Ainda que possa parecer que agora os cubanos tenham mais liberdades, seu poder aquisitivo continua sendo tão baixo que ao final a situação segue sendo má como sempre.




1º Lugar
AUGUSTO PINOCHET

País: Chile

Período: 1973-1990

Dispensa apresentações.

Muitos ex-presidentes poderiam encabeçar esta lista, entretanto Pinochet foi um dos piores.

Genocídio, terrorismo, tortura e enriquecimento ilícito se listam dentre as centenas de atos que este governante emoldurou na história chilena.

Sua modificação da constituição outorgou-lhe poder supremo, permitindo-lhe prolongar o seu mandato por 17 anos, levando o seu país a uma grande instabilidade.

Entretanto, foi após deixar o poder que começaram a surgir as acusações por seu enriquecimento ilícito, as denúncias por desaparecimentos e fuzilamento de seus opositores e o descobrimento de forças clandestinas.

Já com seus 91 anos, Pinochet assumiu a responsabilidade por seus atos mediante uma carta pública em que expressou que... tudo o que fez foi por amor a pátria (!).

Parafraseando o poeta inglês Samuel Johnson (1709-1784), o Patriotismo sempre será o último refúgio dos canalhas.


Como prometido, agora faço duas menções desonrosas de presidentes corruptos e com tendências ditatoriais que não poderiam aparecer nesta lista porque não chegaram ao poder democraticamente, mas tomaram a presidência por meio de golpe militar e com o apoio da política externa das grandes economias:



Alfredo Stroessner

País: Paraguai

Período: 1954-1989

Comandante do exército paraguaio, chegou ao governo tirando Federico Chávez da presidência com um golpe de estado militar. Stroessner tornou-se presidente e foi reeleito, em pleitos marcados pela fraude, por 7 mandatos consecutivos.

Durante sua ditadura, foram cometidas violações maciças contra os direitos humanos, como prisões arbitrárias, tortura e desaparecimentos. Ao menos 150 mil pessoas teriam passado pelas prisões da ditadura e se contabiliza que três mil mortos e desaparecidos e refúgio a nazistas estão na conta deste ex-ditador.

Seu regime colaborou com outras ditaduras latino-americanas do Plano Condor na década de 1970, instigado pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Defendeu tenazmente os interesses norte-americanos e também demonstrou sua simpatia pelos ex-nazistas, tendo dado a vários deles asilo no país, inclusive ao Dr. Josef Mengele.

Também já foi comprovado que Stroessner era um pedófilo. E durante o seu regime, teria violado em torno de 4 meninas todos os meses. A alta cúpula de seu governo patrocinava, nas zonas rurais do país, sequestros de meninas entre dez e quinze anos, que eram mantidas por vezes anos como escravas sexuais.

Exilado no Brasil, Alfredo Stroessner morreu tranquilamente em 2006 e está enterrado no Cemitério do Campo, em Brasília (DF).



José Efraín Ríos Montt

País: Guatemala

Período: 1982-1983

Aqui se faz necessária a compreensão de um tema muitíssimo delicado: a instrumentalização da religião pela e para a política.

Em 1969, um ensaio do senador norte-americano Nelson Rockefeller propôs uma nova política externa para os anos 80 buscando contrabalancear a Teologia da Libertação, uma corrente religiosa nascida na América Latina, cujos postulados "marxistas" foram condenados como uma heresia pela igreja Católica e tratados como um grande obstáculo para o "capitalismo produtivo" pelos Estados Unidos.

Leia-se: Houve um enfraquecimento da influência norte-americana sobre os governos da América Latina.

Círculos neoconservadores estadunidenses investiram muito dinheiro e recursos para uma conversão massiva de latino-americanos ao protestantismo evangélico e pentecostal (Não me refiro ao protestantismo tradicional civilizado sem ambições, mas principalmente às seitas derivadas que deram origem ao neopentecostalismo presentes na América Latina desde mediados de 1930) com o único objetivo de reforçar sua influência política e econômica em nosso continente. Uma vez que as seitas trazem consigo o "americanismo" dentro de uma cultura de massas.

Esquerdas e Direitas instrumentalizam igrejas e a fé. E ao final o objetivo segue sendo o mesmo: o poder.

Esses investimentos nestas novas igrejas na América Latina são direcionados principalmente para adquirir meios de comunicação e influencia política apoiando o governante do turno, seja ele eleito ou ditatorial.
 
Um exemplo especial deste política externa acontece na Guatemala, na qual o protestantismo existe desde o século XIX graças a franco-maçonaria e aos governos liberais. O plano norte-americano impulsionou "missões religiosas" com o discurso “pão e dólar” que atraíram para si milhares de pessoas pobres em campos e cidades que buscavam empoderamento espiritual, sobretudo depois do terremoto de 1976 e durante a Guerra civil.

O político e ex-militar José Efraín Ríos Montt pertenceu a igreja pentecostal Verbo desde 1978, a qual favoreceu com cargos no governo e fundos estatais, e durante o seu regime, usava a cadeia nacional de rádio e televisão nos domingos a tarde para pregar.

Bíblia na mão e o grito “Usted Papá, Usted Mamá!”, referindo-se ao seu país como “o povo escolhido do Novo Testamento, os Novos Israelitas da América Central”, e acusando a igreja Católica e outras instituições que não comungavam com o seu governo de colaborarem com o marxismo cultural e de causar a sua derrota nas eleições de 1974.

Perceberam como este tipo de retórica não é nova?

Algumas pessoas não conseguem mais ver os fatos por si mesmas, mas dentro de paradigmas ideológicos fechados, abstratos e sem contato com o mundo real.
Quando quebramos esses paradigmas para mostrar a estas pessoas as coisas como elas realmente são, a reação é basicamente agressiva, instintiva ou mesmo irracional, rotulando os seus críticos dentro dos esquemas que elas mesmas criaram.


José Efraín Ríos Montt e Ronald Reagan.
Responsabilidade dos Estados Unidos, junto ao ex-presidente 
guatemalteco, no massacre de povos indígenas não foi debate 
quando do seu julgamento em 2013. 

Se o crítico quebra os paradigmas dos comunistas, mostrando os fatos que contrariam a ideologia dos comunistas, ele será rotulado como um fascista. E o mesmo é observado com os liberais e neoconservadores. Se o crítico quebra os paradigmas dos liberais e neoconservadores, contrariando as suas crenças, ele será rotulado como um comunista, e por isso será silenciado, desacreditado e terá a sua reputação destruída com a divulgação de informações falsas.

Ríos Montt foi presidente entre 1982 e 1983 mediante golpe militar, e é tristemente reconhecido pelas matanças contra as etnias indígenas Poqomam e Ixil nos anos de 1973 e 1982-1983, respectivamente.

A 10 de maio de 2013, foi condenado a 50 anos de prisão por genocídio e a 30 anos por crimes contra a humanidade, tornando-se o primeiro líder latino-americano a ser condenado por esses crimes. Faleceu a 1 de abril de 2018, impune de seus crimes.

Algumas pessoas insistem em viver como se ainda estivéssemos em uma Guerra Fria. De fato, tal guerra terminou, mas é inevitável concluir que nossos países foram o campo de uma batalha ideológica durante a Guerra Fria.


Os resultados desta guerra encontram ainda ressonância em nosso cotidiano.

Igrejas e seitas tornaram-se extremamente poderosas na América Latina. Seus líderes não são apenas líderes espirituais, mas líderes políticos, gozando de prestígio e ocupando elevados cargos políticos, favorecendo suas próprias igrejas e a política externa das nações as quais estão alinhados ideologicamente.

Se há líderes religiosos de filiações similares que são democratas, estes ou não têm voz ou já se tornaram história, e são inexpressivos perante a maioria avassaladora. Vide a questão brasileira, onde estes religiosos entram para a política, com as graças de um curral eleitoral fiel e fanático dentro das suas igrejas, envolvendo-se em escândalos de corrupção e apoiando esse bizarro "patriotismo anti-Brasil".

Os religiosos certamente vai discordar, mas o Estado laico foi algo muito benéfico para as suas instituições. Usando como um exemplo a igreja Católica, o Estado laico foi útil para que esta instituição bimilenar não fosse mais usada por líderes políticos pretensamente católicos para dominarem esse ou aquele grupo. Hoje tais líderes políticos precisam fabricar uma outra "igreja" ou buscar coisas do passado para influenciarem certos grupos.


Diante do líder sandinista, Daniel Ortega, o Papa
João Paulo II repreendeu Ernesto Cardenal 
por misturar política com religião.
Nicarágua (1983)

Para finalizar esta análise, sem desviar muito do foco da postagem, escrevo sobre a confusão chamada Globalização/Globalismo.

A Globalização tem sombras e luzes. Se de um lado aproxima povos e quebra barreiras de comunicação, de outro ela assume, nas esferas econômica e cultural, o caráter de globo-colonização.
Depois de tudo aqui escrito, muitos podem pensar que sou anti-estado-unidense, mas isso não é bem verdade. O que critico de fato é a política externa daquele país, que, convenhamos, não tem como defender.

O Globalismo é praticamente um palavrão na boca de certos seguimentos conspiracionistas neoconservadores, tal como socialismo, coletivismo ou (acredite) miscigenação (É isso mesmo?! WTF!!!). Eles defendem a tese de que a globalização econômica passou a ser pilotada pelo marxismo cultural, isto é, meta-capitalistas, ao conquistarem o domínio da economia global, viraram socialistas desejosos de controle estatal máximo e governo global para instaurar o comunismo. Ô lôco!


Comunismo com monopólios capitalistas? O pensamento ortodoxo marxista nunca apoiou a ideia de um sistema comunista ao lado de empresas capitalistas monopolistas.
Conspiracionistas dirão então que o comunismo mudou e que não tem mais as mesmas características de antes. Mas então o que é comunismo? A resposta deles: um “projeto de poder”. Mas e o que não pode ser chamado de projeto de poder? A resposta seria tudo. Se comunismo é isso, então o que não é comunismo?

Rússia, China, Japão e Coreia do Sul estão copiando muitos negócios do mundo capitalista, sobretudo dos Estados Unidos, para ganharem um lugar neste mundo globalizado e sobretudo capitalista. Podemos destacar que um dos maiores problemas para o desenvolvimento dos países da América Latina é porque esperam comodamente sentados, enquanto as multinacionais colonizam seus países, enchendo os seus países de empresas estrangeiras e, claro, com o apoio irrestrito de políticos corruptos. Estes políticos não passam de simples capachos dos interesses estadunidenses!

A mudança da Rússia foi radical com a queda da União Soviética, enquanto a China experimentou mudanças paulatinas desde os anos 1970 e começou uma transformação econômica sem precedentes, abraçando uma economia de mercado.

Empresas como Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, General Motors, General Electric marcaram época e têm guiado as tendências em distintos campos comerciais e tecnológicos em todo mundo, e muitos dos autores envolvidos nestes projetos sequer eram estadunidenses, o que demonstra a importância da imigração para o desenvolvimento dos Estados Unidos e o grande sucesso comercial daquele país e como a sua atual política anti-imigração pode estar equivocada (Assista o curta Don't Be a Sucker, de 1947).

A disciplina vencerá a inteligência. De fato, grandes empreendedores não são apenas disciplinados, mas inteligentes. Nós temos estas duas características de sobra aqui na América Latina, mas infelizmente ainda não as exploramos como deveríamos.

Os grandes inventos que temos hoje em dia são o resultado de que seus inventores estiveram sobre ombros de gigantes, isto é a globalização, que, claro, tem matizes negros e cinzentos.

O Goggle foi fundado pelo estadunidense Larry Page e Serguei Brin, um imigrante russo. Dos três fundadores do Youtube, um é estadunidense, outro é nascido na Alemanha, mas com pais migrantes de Bangladesh, e o terceiro é chinês.

Tudo o que temos hoje é porque um inventor de um país ou empreendedor de outro copiaram ou tomaram códigos, chips, teorias menores para darem forma a inventos maiores.

O primeiro ordenador digital moderno foi criado no Estados Unidos, mas seu inventor era um imigrante búlgaro. O primeiro telefone móvel foi desenvolvido pela empresa estadunidense Motorola em 1973 por Martin Cooper, filho de imigrantes ucranianos.

O primeiro motor de combustão a gasolina é invenção de um engenheiro belga, mas foi Henry Ford, nascido em Michigan, mas de ascendência inglesa, quem revolucionou a produção de veículos automotores em inícios do século XX. Muitas fábricas ao redor do mundo implementaram o modelo de produção de Ford. Um invento belga, produzido nos Estados Unidos, não foi monopolizado por nenhum dos dois.

A TV é invenção do britânico John Logie, mas a TV colorida foi criada pelo mexicano Guilhermo González Camarena em 1940. E são as empresas japonesas, alemãs e sul-coreanas aquelas que dominam o mercado dos eletrodomésticos que não foram inventados em seus países.


Grandes inovadores da América.
Guilhermo González Camarena.

Autor de inúmeras invenções no campo do electromagnetismo, Nicolas Tesla, com seu trabalho teórico, ajudou a forjar as bases para o sistema moderno para o uso da energia por corrente alterna. Embora seus trabalhos tenham se desenvolvido nos Estados Unidos, ele nasceu no Império Austríaco, atual Croácia, e trabalhou na companhia de Thomas Edson, o mais importante inventor norte-americano.

E não posso deixar de mencionar o padre Roberto Landell de Moura, sacerdote brasileiro, inventor do rádio e que fora capaz de transmitir a sua voz antes mesmo de Graham Bell. O notável cientista brasileiro viajou aos Estados Unidos para apresentar a sua invenção durante aquele conturbado começo do século XX, obtendo três patentes em 1904 naquele país.

Seria um exagero dizer que nos Estados Unidos o fracasso total não é estigmatizado como é aqui na América Latina. Mas digamos que por lá o fracasso é encarado de uma maneira diferente.
As pessoas precisam aprender a se arriscar mais. Da mesma forma que não é possível construir um país enquanto estivermos presos aos interesses das gigantes corporações a serviço do capital financeiro, não é possível construir um país sem jovens que se arrisquem mais, que entrem nas universidades determinados e com uma grande ideia própria para colocar em prática pelo seu país. Se errar na primeira tentativa, ele não deve encarar isso como uma derrota final, mas como um aprendizado.
Levantar, cair, levantar, cai, levantar...
O incentivo a educação, as ciências e a garantia da nossa soberania estão acima de qualquer ideologia política.

domingo, 19 de janeiro de 2020

BOSSA NOVA: AS MELHORES CANÇÕES


Uma nova onda para a música nacional surgiu durante a década de 1950. Esse gênero em particular nasceu no Rio de Janeiro, quando músicos locais fundiram a cultura popular brasileira ao jazz. Devido aos milhões de africanos enviados para o Brasil nos tempos coloniais, um intercâmbio cultural permitiu o nascimento do samba algumas décadas antes desse gênero de "jazz brasileiro".

O Rio de Janeiro, hoje desgraçadamente reduzido a nada mais que um antro miliciano gospel, já foi lugar de cultura pungente. Durante aquela década de 1950, o Brasil vivia a euforia do crescimento econômico gerado após a Segunda Guerra Mundial.

Com base na onda de otimismo dos “Anos Dourados”, um grupo de jovens músicos e compositores de classe média alta do Rio de Janeiro começou a buscar algo realmente novo e que fosse capaz de fugir do estilo operístico que dominava a música brasileira. Estes artistas acreditavam que o Brasil poderia influenciar o mundo com sua cultura, por isso, o novo movimento visava a internacionalização da música brasileira.


Creed Taylor e a explosão da Bossa Nova.

Em Agosto de 1958, o violinista baiano João Gilberto gravava long play de 78 rotações, este o primeiro em que estão juntos, a sua voz e o seu singular jeito de tocar. Um ano depois lançou o seu primeiro LP "Chega de Saudade" que marcou definitivamente a presença do estilo musical no cenário brasileiro. Era o nascimento deste gênero.

O gênero é chamado Bossa Nova, que literalmente significa "nova onda". A Bossa Nova combina o melhor dos ritmos do samba e instrumentos portugueses com o jazz, o que dá à música um pouco de vibração, ainda que fria, do próprio jazz. Atualmente, a Bossa Nova é conhecida em todo o mundo, e agora conta com artistas de ponta emergentes do Brasil e colaborações com músicos de jazz americanos.

A Bossa Nova é reconhecida como parte da cultura do Brasil. Os seus músicos escreveram canções sobre a vida brasileira, mulheres, cultura, amor e felicidade. Os instrumentos utilizados na Bossa Nova incluem violão, bateria e percussão e, às vezes, um pouco de piano. Mas tem seu ritmo principal, baseado na música samba, que a diferencia dos outros gêneros.

A Bossa Nova foi consagrada internacionalmente no ano de 1962, em um histórico concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque, no qual participaram Tom Jobim, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, entre outros artistas.


Vinicius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto e Aloysio de Oliveira.

Dentre as características principais deste gênero musical estão o desenvolvimento do canto-falado, ao invés da valorização da “grande voz”, além da marcante influência do jazz norte-americano. Esta influência, inclusive, foi criticada posteriormente por alguns artistas.

Em meados da década de 1960, um grupo formado por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime procurou reaproximar a Bossa Nova ao samba, ao baião e ao xote nordestino.

Durante a turbulência política brasileira na década de 1960, quando do golpe militar, a Bossa Nova foi ofuscada pela música popular brasileira (MPB), tornando as músicas da Bossa Nova mais carregadas politicamente como forma de protesto, as suas canções começaram a trazer temas sociais.


Milton Nascimento e Chico Buarque: música censurada ao vivo.

A maioria dos brasileiros sente que a Bossa Nova faz parte de sua herança cultural, e este estilo é adorado por milhões de pessoas no mundo inteiro, especialmente por aqueles que amam jazz. Devido à sensação oscilante da música, letras atraentes e ritmos atemporais, será um eterno gênero musical e uma plataforma de expressão.

O samba pode ser a música mais definidora do Brasil do ponto de vista global, mas a Bossa Nova é igualmente importante no país. O mais famoso estilo musical dos anos 50 e 60, fundindo samba, jazz e blues, criou um som nostálgico e comovente, cujos artistas mais célebres são conhecidos (e RECONHECIDOS) e celebrados internacionalmente.

Mergulhe agora na cultura de nossa casa, com um Top 15 músicas mais importantes da Bossa Nova:




Caetano Veloso - Coração Vagabundo

Um dos artistas brasileiros mais célebres é Caetano Veloso. Ele é mais famoso por sua influência no gênero tropicalista da música e também influenciou o gênero da Bossa Nova.
A letra dessa música inclui:

“Meu coração nunca se cansa 
De ter esperança
De um dia seja tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só lembrança
De um vulto feliz de mulher 
Que passou por meu sonho sem dizer adeus"






Elis Regina - Eu Preciso Aprender a Ser Só

Essa música foi gravada por quase todos os grandes cantores da Bossa Nova, mas a versão cantada por Elis Regina é uma das mais tocadas e populares. As palavras capturam dolorosamente a sensação de estar longe de quem você ama. As palavras incluem:

“Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem o seu amor eu não posso viver 
Que sem nós dois o que resta sou eu
E assim tão só
Poder dormir sem sentir teu amor
E ver que foi só um sonho e passou"






Tito Madi - Chove Lá Fora

Tito Madi é um artista menos conhecido no mundo da Bossa Nova, mas teve algumas músicas de sucesso, como "Chove Lá Fora". O nome real deste verdadeiro poeta que tanto encantou o povo brasileiro era Chauki Maddi, embora ele tenha usado um nome diferente para sua carreira musical.
A letra dessa canção começa com:

"A noite está tão fria
Chove lá fora
E essa saudade enjoada
Não vai embora
Quisera compreender
Por que partiste"






Nara Leão - O Barquinho

Conhecida como a musa da Bossa Nova, Nara Leão foi uma das mais célebres cantoras de Bossa Nova e MPB de seu tempo.
Essa é mais uma de suas músicas mais famosas. Uma música muito animadora e agradável, e a sua letra inclui:

“Dias de luz, festa do sol
E o barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão, o amor se faz
No barquinho pelo mar”






Vinicius de Moraes e Toquinho - Onde Anda Você

"Onde Anda Você" é uma das colaborações mais famosas entre os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho. O compositor Toquinho é conhecido por suas colaborações com Vinicius de Moraes, tanto como intérprete quanto como compositor. A letra inclui:

“E por falar em saudade
Onde anda você?
Onde anda os seus olhos
Que agente não vê
Onde anda esse corpo? 
Que me deixou morto
De tanto prazer"






Vinicius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho - Samba em Prelúdio

Essa maravilhosa colaboração combina os talentos e as vozes de três grandes artistas brasileiros - Vinicius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho. A sua letra inclui:

“Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não seu nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Lua sem amor"






Vinicius de Moraes e Maria Creuza - Eu Sei Que Vou Te Amar

Essa música foi cantada por praticamente todos os cantores da Bossa Nova, mas um dos mais populares e, sem dúvida, o mais bonito, foi o dueto de Vinicius de Moraes e Maria Creuza.
A cantora Maria Creuza foi famosa por seu trabalho com vários dos grandes artistas da Bossa Nova na década de 1960.
A letra começa com:

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar"






Tom Jobim - Samba do Avião

Formalmente conhecido como Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim está entre os maiores cantores de Bossa Nova de todos os tempos e é reconhecido como um dos líderes em sua criação. Essa bela canção cantada por Tom Jobim celebra o Rio de Janeiro e declara seu amor pela cidade. A letra inclui:

“Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio teu mar, praias sem fim
Rio você foi feito para mim
Cristo Redentor 
Braços abertos sobre a Guanabara"






Tom Jobim - Corcovado

Essa belíssima canção de Tom Jobim, "Corcovado", é uma música romântica e faz referência à famosa montanha do Rio de Janeiro, onde está o Cristo Redentor. As letras incluem:

“Um cantinho e um violão 
Este amor, uma canção 
Para fazer feliz a quem se ama
Muita calma para pensar
E ter tempo para sonhar"







Nara Leão - Samba de Uma Nota Só

Essa canção executada pela inigualável Nara Leão mistura romance e usa apenas uma nota para criar uma música de samba. Algumas das letras incluem:

"Quanta gente existe por aí
Que fala tanto e não diz nada
Ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala
E no final não sobrou nada
Não deu em nada"






Tom Jobim e Elis Regina - Águas de Março

Elis Regina foi uma das poucas mulheres que representou a cena da Bossa Nova e foi uma das mais amadas cantoras brasileiras até sua morte inesperada aos 36 anos de idade em 1982.
"Águas de Março" foi uma colaboração entre Tom Jobim e Elis Regina.






João Gilberto - Chega de Saudade

João Gilberto canta sobre a saudade em sua forma mais sincera. A letra inclui:

"Não há paz, não há beleza, é só tristeza
E a melancolia que não sai de mim
Não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca"






João Gilberto - Desafinado

Essa é outras das mais famosas das canções de João Gilberto,  reconhecido por sua influência na criação do gênero em sua característica voz suave acompanhada apenas de um violão. Algumas das letras são:

"Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova, que isto é muito natural
O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração"






Vinicius de Moraes e Tom Jobim - Garota de Ipanema

Indiscutivelmente uma das canções mais famosas da Bossa Nova, "Garota de Ipanema" foi inventada quando os dois artistas viram Helô Pinheiro, de 17 anos, passear por um bar em Ipanema todos os dias. A música se tornou um sucesso internacional e rendeu vários prêmios aos artistas. Algumas das letras incluem:

"Olha que coisa linda
Mais cheia de graça
É ela, menina,
Que vem e que passa
 Num doce balanço
A caminho do mar"






João Gilberto - Ela é Carioca

Cantada em um sussurro baixo, como se estivesse perto do ouvido, essa é uma das canções mais bonitas de João Gilberto. Com o mínimo de instrumentos tocados à mão, seu charme está na simplicidade. Algumas das palavras incluem:

"Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais
Ela é carioca
Ela é carioca"




Artistas por vezes de entendimento complexo e dotados de uma profundidade inigualável.

Por vezes polêmicos, sempre em perfeita consonância com a vivência de cada um, para cada momento e para cada ideal.

Percebo nos dias de hoje, ainda que com algumas nobres exceções, uma falta de qualidade musical, cultural e sentimental. João Gilberto e seus parceiros, fazem muita falta, nos deixam muitas saudades.

Pude conhecer a arte destes artistas verdadeiramente brasileiros e geniais graças às vivências de parentes e de professores. Naqueles tempos de colégio, o meu gosto por nossa língua e nossa cultura nacional com as suas raízes ibéricas e seu intercâmbio cultural afro e indígena nasceu graças aos incentivos em sala de aula. Costumávamos ter letras de canções da Bossa Nova em nossos livros enquanto as aulas de história traziam alguns nomes dos seus representantes, sua posição e valor na história do país.


Frank Sinatra e Tom Jobim - A Man and his Music (1967).

A saudade é um sentimento ruim e bom ao mesmo tempo.
Neste caso, é triste ver como este tempo de valorização do que é nosso se perdeu.

Os brasileiros eram orgulhosos de suas origens e levavam a sua cultura para todo o mundo. Estes outrora jovens artistas e compositores não apenas apresentaram a nossa cultura ao mundo. Eles de fato ganharam o mundo. O Brasil ganhou o mundo.


Enquanto os brasileiros agora desprezam a sua cultura, abertos a um processo de "recolonização" ianque e seduzidos por esta insípida "cultura" de massas, os gringos em contrapartida amam a nossa tradição e nossa arte. Nossos artistas são reconhecidos internacionalmente. João Gilberto, não por acaso, foi provavelmente o brasileiro mais reverenciado no Japão.

Foi muito bom ser criança (anos 80)/adolescente (anos 90) quando ainda havia valorização da brasilidade e quando as pessoas tinham mais cultura. Tempo bom com bons compositores e cultura de alta qualidade. Este é o lado bom da saudade.

“O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. É o que está impresso no artigo 215 da Constituição Federativa do Brasil de 1988.

Devemos exigir este pleno exercício dos direitos culturais, mas uma cultura digna que busca por um mundo melhor para todos. Não ao desmonte da educação pública e fora a todos os vieses que despertam nas pessoas alguns dos piores sentimentos possíveis. A cultura não é um plano de governo. Ela não deve ser controlada, não deve ser especificamente privilegiar alguma ideologia. A cultura deve ser livre e plural.

Ainda acredito que há bons artistas e boas melodias atuais. Se estes artistas desejarem de fato influenciar a sociedade com canções motivadoras, poderão como a geração de outrora, deixar um legado igualmente valioso.


Lenita Plocynska, Edu Lobo, Tom Jobim, Torquato Neto, Caetano Veloso, Capinam, Paulinho da Viola, Sidney Miller, Zé Kétti, Eumir Deodato, Olivia Hime,  Helena Gastal, Luiz Eça, João Araújo, Dori Caymmi, Chico Buarque, Francis Hime, Nelson Motta, Vinícius de Moraes, Dircinha Batista, Luiz Bonfá, Tuca, Braguinha, Jandira Negrão de Lima. Foto tirada na casa de Vinicius de Moraes em 1965.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

LEX LUTHOR E A SÍNDROME DA PAPOULA ALTA


O mais icônico inimigo das histórias do Superman (Talvez de todas as HQ's). Lex Luthor é o segundo mais importante personagem da mitologia criada por Joe Shuster e Jerry Siegel e um verdadeiro arquétipo de super-vilão-gênio-cientista-do-mal no qual tantos outros criadores se apoiaram para a concepção de figuras similares.

“Qualquer história que tenha heróis versus vilões só pode ser tão inteligente quanto a inteligência do seu vilão”. (Bruce Willis) 

Essencialmente é o vilão quem faz o enredo de uma história.

O antagonista do filme Duro de Matar (1988), Hans Gruber, é um terrorista e um homem culto, mas que acaba sendo apenas um ladrão. Sua personalidade é fortemente contrastada com o brucutu John McClane, que consegue ser mais esperto e instruído com astutas táticas de rua. 


Hans Gruber ajuda a definir o que há de heroico em John McClane: seu caráter mundano em oposição ao refinamento de Gruber, sua brusquidão em oposição à suavidade de Gruber. Se não fosse por Gruber, McClane seria apenas um idiota.

O que faz de um herói um herói e, na verdade, cria o conflito necessário para uma trama forte, é um vilão que é sua antítese. O valor só pode vir da distinção, afinal. Como John McClane, a maioria dos heróis tem vários vilões para escolher, cada um dos quais pode enfatizar um conflito diferente.

Doutor Octopus, Lagarto ou Duende Verde, antagonistas das histórias do Homem Aranha, são frequentemente usados ​​como representantes da "ciência que deu errado" em oposição à "ciência que deu certo". Por outro lado, Venom é frequentemente usado como um exemplo de como o poder do Homem Aranha pode ser mal utilizado nas mãos erradas.

O Superman também tem muitos vilões, mas nenhum compartilha a mesma gravidade de Lex Luthor, que o desafia como nenhum outro.

Apesar do destaque de Lex Luthor, sua introdução não foi das mais ilustres. Ele não foi o primeiro cientista careca que o Superman enfrentou (Esse foi o Ultra-Humanoide - o macacão albino que você vê no cartoon da Liga da Justiça mudou seu cérebro de corpo constantemente, ele já foi originalmente um velho careca, já foi um insetão, já foi uma mulher sexy, já foi um T-Rex... Ah, quadrinhos).

Em sua estreia, Lex Luthor nem mesmo era careca. Ele era ruivo. E com um guarda-roupas digno de um monge medieval. Ainda muito distante daquela imagem estereotipada de cientista do mal que foi, acredito, consolidada pelo Dr. Sivana.


Originalmente, Luthor conhecera o Superman, na época chamado Superboy, ainda em sua juventude quando ambos viviam em Smallville (Atualmente o Superman e o Superboy não são mais o mesmo personagem devido a uma série de retcons).

Se você já assistiu Superamigos ao menos algumas vezes em sua jovem vida, talvez tenha visto um ótimo episódio cujo título original era History of Doom. Se não assistiu, lamento, porque ele é ótimo, com um tom bem sombrio para aquela inocente animação produzida pelos estúdios Hanna Barbera na década de 70.

O dito episódio traz uma história apocalíptica, o mundo que conhecemos está completamente arruinado, aparentemente por um colapso nuclear resultante de uma guerra.

Um grupo de sábios alienígenas visitam o nosso falecido mundo para estudarem o que restou da civilização e descobrir o que foi que levou um povo pensante como o nosso a sucumbir em uma guerra.


Os inteligentes extraterrestres, encontram as ruínas da Sala da Justiça e tem acesso a um antigo arquivo em vídeo deixado pelos super-heróis da Terra.

Basicamente, Lex Luthor, líder da Legião do Mal, lançou em nosso Sol um foguete de Íons causando uma explosão colossal que nem mesmo o Superman pode impedir de aniquilar com a vida na Terra.

Tenho certeza de que este episódio dos Superamigos foi a inspiração para o episódio de Liga da Justiça, em que o Superman é teletransportado para um futuro igualmente apocalíptico, sendo dado como morto no presente. As situações são muito semelhantes, porém com Vandal Savage colocado no lugar de Luthor como o responsável pelo fim do mundo.


"Obrigado... "

Enfim, o episódio History of Doom abre um espaço para contar a origem do super-vilão Lex Luthor.


Luthor e o Superman se tornaram amigos quando adolescentes em Smallville, logo após o futuro vilão ter salvo o maior herói da Terra de morrer pela queda de um meteoro de kriptonita.

Naquele tempo, Luthor já era um aspirante à cientista e um grande fã do Superman. Como gratidão por salvar-lhe a vida, o Superman reformou o laboratório de Luthor, tornando-o muito mais moderno, para ajudá-lo na realização de seu sonho.


A calvície de Luthor foi devida a um acidente de laboratório que ele atribuiu ao Superman.

Trabalhando num antídoto que tornaria o Superman invulnerável a kriptonita, Luthor se viu preso em seu próprio laboratório em chamas. Ele gritou por socorro, e o Superman tentou salvá-lo apagando o fogo com o seu super-sopro.

Porém, o sopro do Superman não apenas destruiu o laboratório do jovem Lex Luthor, como também derramou substâncias químicas sobre ele, fazendo-o perder todos os seus cabelos. Apesar do Superman alegar inocência, Luthor o acusou de ser um mentiroso e de invejar o seu gênio científico.

Seu ódio pelo Superman fez com que decidisse dedicar o resto da sua vida a cometer crimes super-científicos.


Sim.

A sua origem era exatamente assim nas histórias em quadrinhos daquele tempo.
Esta história veio da necessidade que os roteiristas da época viram em dar ao confronto entre o Superman e Lex Luthor uma rixa pessoal.

Ah, a Era de Prata.

Piadas à parte Ok. Você vai dizer que é uma história de origem idiota, mas eu gostei bastante de conhecê-la ainda quando criança quando via o desenho dos Superamigos. E esta história de origem ainda estabeleceu a irracionalidade da personalidade de Luthor quando se trata do Superman.

Em um grande arco da série animada da Liga da Justiça, Luthor financia uma campanha de um bilhão de dólares para concorrer à presidência. Quando perguntado por outro super-herói, o Questão, sobre o porquê disso tudo, Luthor ri porque alegadamente nem se importa com isso. Ele só queria irritar o Superman.


O Super-Homem de John Byrne, Man of Steel, reformulou o personagem para se ajustar aos tempos, especificamente a América dos anos 80. Em um país da era Reagan, onde os ricos eram vistos agindo sem consideração pelos outros (como ilustrado em filmes como Wall Street e Changing Places), não poderia haver vilão maior do que um executivo corporativo corrupto.

Lex Luthor patenteou suas inovações científicas brilhantes para ganhar bilhões, além de se envolver em algumas atividades ilegais. Se o Superman representa o que é considerado bom em seu país (altruísmo irrestrito), Luthor representa o seu lado mais perigoso (um capitalismo sem restrições).

Esse "reboot" removeu qualquer conexão entre o passado do Superman e Lex Luthor. A animosidade de Luthor decorre de pura arrogância.

Quando Luthor vê pela primeira vez a grande introdução do Superman a Metropolis em Man of Steel, sua secretária pergunta sarcasticamente: "Como é ser o segundo homem mais poderoso de Metropolis?"

Isso resume a razão de Lex Luthor confrontar o Superman: sua própria existência é uma afronta ao seu sucesso.


Esta versão de Lex Luthor não é apenas um homem muito rico, mas também é um homem feito por si mesmo. Ele nasceu na pobreza, filho de um pai abusivo em um distrito da luz vermelha, inocentemente conhecido como Suicide Slum. Ele fez sua fortuna através da engenharia autodidata e do assassinato de seu próprio pai como capital inicial.

Alguém poderia imaginar como um homem assim, que teve que "se sustentar com suas próprias pernas" por toda a vida, reagiria a alguém que tem a divindade como uma primogenitura?


Na vida real, os seres humanos não são os melhores em reagir a disparidades claras de capacidade ou recursos, especialmente quando essas disparidades não são "conquistadas".

Na psicologia social, esse fenômeno é chamado de "síndrome da papoula alta", na qual "pessoas de mérito genuíno são ressentidas, atacadas, cortadas ou criticadas por causa dos seus talentos ou realizações que as elevam ou as diferenciam de seus pares".


Conta-se que o tema da síndrome da alta exposição tem suas primeiras referências nos livros de Heródoto e nas reflexões de Aristóteles. Também aparece em um relato de Lívio sobre o tirano “Tarquínio, o orgulhoso”.

Segundo Heródoto, o imperador enviou um mensageiro para pedir conselhos a Trasíbulo sobre a melhor maneira de manter o controle sobre seu império.

O mensageiro perguntou a ele, mas Trasíbulo somente começou a caminhar entre as plantações de trigo. Cada vez que encontrava uma espiga mais alta, cortava-a e a jogava no chão. E não disse nenhuma palavra.


Quando o mensageiro voltou para o imperador, contou-lhe sobre a atitude estranha do conselheiro. O imperador o compreendeu. A mensagem significava que ele deveria eliminar todos aqueles que estivessem acima dos outros. Acabar com os melhores, para que seu poder e sua supremacia jamais fossem postos em cheque.

A síndrome da alta exposição gera consequências em duas dimensões.

A primeira tem a ver com o indicado. Há uma tendência, quase natural, de não permitir que alguém se destaque demais, porque isso gera inseguranças ou cria uma sensação de ameaça nos outros.

Portanto, aos que se destacam, muito frequentemente são feitas críticas com severidade excessiva. Ou são muito exigidos. Ou procuram minimizar seus talentos e suas conquistas.


A segunda consequência da síndrome da alta exposição é que ela ensina as pessoas a terem medo de se destacar.

Precisamente por tudo o que foi dito, as pessoas aprendem, mais implícita do que explicitamente, que estar acima dos outros pode colocá-las em risco. Risco do quê? De rejeição, questionamentos, crítica e até mesmo de ostracismo.

Por isso, muitos assumem que o correto é não se destacar em nenhuma circunstância. Assumem o “baixo perfil” como uma norma e se assustam ao se verem expostos aos outros. De uma forma ou outra, acabam sendo adestrados para não desafiarem o estabelecido.

É uma pena, pois nesse processo, também perdem capacidades, deixam de lado talentos genuínos e até renunciam ao sucesso.


A síndrome da papoula alta ou da alta exposição nos diz que quando as pessoas se destacam muito em alguma área, provocam o ódio nos demais. Esse ódio não pode ser chamado de inveja propriamente dita. Sobretudo, ele se relaciona como o fato de que o sucesso dos outros faz com que as nossas próprias limitações se tornem mais visíveis.

Na mesma linha, muitas versões de Lex Luthor se consideram trabalhando a favor do público, tentando reduzir o Superman e outros heróis.

Na série 52, Lex Luthor cria o "Everyman Project", que foi um esforço para capacitar humanos normais com meta-habilidades, destruindo assim a distinção de meta-humanos.

É claro que ele quer usar o processo em si mesmo, mas como ele é incompatível, isso o leva a matar alguns dos seus próprios meta-humanos criados.


Apesar de seus óbvios problemas pessoais, a reação de Luthor ao Superman não está muito longe de como as pessoas reais provavelmente reagiriam nessa situação. Pense nas realizações humanas como um todo (ciências, filosofia, etc.), depois pense no que a existência de uma raça alienígena avançada significaria para o nosso orgulho nesses empreendimentos.

O Superman não é apenas mais forte. Em Grandes Astros Superman, é ele retratado como sendo mais inteligente e possuindo tecnologia superior do que Luthor.

Todas as disciplinas empíricas são antrópicas por necessidade. Não temos o benefício de poder perguntar a uma lula ou a um cacto o que eles acham que a vida significa. Por isso o modelo geocêntrico do universo era tão popular.

A narrativa do significado dos seres humanos no universo é baseada na ignorância. Portanto, a existência de um grupo de seres que não são apenas semelhantes a nós, mas também superiores, seria terrivelmente chocante, uma vez que subverte nossa confiança intelectual.

Superman é um homem que Luthor não pode superar, e, portanto, ele deve destituí-lo. Isso explica a afetação de Luthor pelo "humanismo" em suas encarnações recentes.

Filosofias democráticas como o humanismo geralmente têm a nefasta base da síndrome de papoula alta mencionada: se todos são iguais, ninguém pode ser superior. As pessoas naturalmente querem ser superiores a alguém. Sem superioridade, teríamos muito pouco a lutar.

Acontece que sempre haverá alguém com uma superioridade inerente que não pode ser correspondida por nenhuma quantidade de esforço. Lembre-se, Lex Luthor ainda quer poder para si, apesar de suas afetações ao humanismo. Ele justifica sua própria sede de poder por determinação "humana", em oposição aos presentes "alienígenas" do Superman.


Enquanto Lex pensa que Superman é o fim do orgulho humano, eu diria que ele faz exatamente o oposto. Veja sua origem: um simples garoto da fazenda que, por acaso, levanta tratores, descobre que não é humano. Ele é realmente o último sobrevivente de uma raça alienígena hiper avançada.

Ele se torna um atleta profissional e ganha milhões?

Não.

Ele derruba o governo e se declara governante do planeta?

Não.

Ele nem mesmo se tornou um lutador profissional.


Ele coloca uma capa e se torna um super-herói, sem recompensa necessária.

Clark não precisou sofrer uma tragédia horrível (como o Batman ou o Homem-Aranha) ou receber um código de uma vocação superior (como a Mulher Maravilha ou o Lanterna Verde) para se tornar um super-herói. Tudo o que ele precisou foram os bons costumes antigos da sua cidade natal.

Os pais de Superman ensinaram-lhe alguns princípios básicos: cuide de sua família e vizinhos, não faça o mal, seja responsável. Essas são todas as coisas que provavelmente já ouvimos em algum momento de nossas vidas e aplicamos.


Clark levou essas ideias a sério. Quando adulto, ele sentiu que estes mesmos valores eram verdadeiros no nível macro, e por isso levou o universo sob sua proteção. O heroísmo dele é uma versão ampliada da maioria das pessoas. Provavelmente é por isso que a maioria das iterações atuais do personagem enfatiza o quão "comum" o Superman realmente é.

Embora ele possa ter a grandeza de um super-herói, ele é apenas um garoto otimista em seu coração. A maioria das obras que tentam desconstruir o Superman parecem sugerir que seu heroísmo vem de um provincialismo autoritário, especialmente The Dark Knight Returns, onde ele é retratado como um arrogante a serviço do governo estadunidense.

O fato é que Clark nunca pensou em si mesmo de maneiras tão sublimes. Ele é apenas um cara honesto, tentando ao máximo usar suas habilidades para o bem da humanidade.

Para todos os efeitos, ele é humano, e é isso que o torna Superman. Se essa moral de cidade pequena do interior pode inspirá-lo a ser o maior herói do mundo, isso valida os humanos que a mantêm.


O Superman vê através da fachada humanista de Luthor. Se ele quisesse melhorar a humanidade, isso poderia ter sido realizado facilmente, dado seus meios.

Em Grandes Astros Superman, quando Luthor está confiante de que a sua maquinação para morte de Superman foi bem sucedida. Apesar de saber que vai morrer em breve, o que mais irrita o Superman não é o que seu inimigo fez com ele, mas o fato de que Lex Luthor desperdiçou o seu potencial em uma disputa de rancor sem sentido.

Luthor não vai seguir seus objetivos "humanistas" depois de derrotar o Superman, revelando que sua cruzada é uma busca egoísta.

Em contraste, o Superman não vê a humanidade como algo a ser conquistado, ele realmente reconhece a força de vontade e a capacidade que Lex Luthor tem e fica frustrado por seu rival não ser capaz de enxergar a semelhança que compartilham.


O que faz do Superman o maior herói do mundo, pelo menos segundo ele, é que ele vê o melhor da humanidade.

“É uma dicotomia notável. De muitas maneiras, Clark é o mais humano de todos nós. Então... ele atira fogo dos céus e é difícil não pensar ele como um deus. E como somos todos afortunados por isso não lhe ocorrer". (Batman)

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