segunda-feira, 29 de abril de 2019

FORMAS HILARIANTEMENTE ERRADAS PARA INSERIR "DIVERSIDADE" VERSUS LIBERDADE CRIATIVA EM OBRAS FICCIONAIS


Diversidade em obras de ficção, como nos atualmente badalados pela indústria cinematográfica quadrinhos de super-heróis, é perfeitamente normal. E isso não é tão recente como alardeiam alguns seguimentos intelectuais. "Personagens diversos" nasciam da vontade dos próprios autores, roteiristas, etc, embora limitados pela censura que era muito mais presente à época. Estes personagens que evocam a "diversidade" não surgiam dos recentes movimentos de reivindicação, mas obviamente levavam aos leitores questionamentos referentes aos momentos sociais contemporâneos. E, pelo menos entre os leitores, não havia a patrulha conservadora e a patrulha progressista se brigando pelo monopólio do que deve ou não ser publicado e do que é ou não politicamente aceitável. O público antigamente estava interessado apenas em boas histórias e em bom entretenimento, independentemente de como eram seus personagens.

Sempre reconhecemos nestas histórias que os heróis podem vir de qualquer raça, sexo ou nação. No entanto, muitas vezes os esforços dos escritores para criar os personagens faziam parecer que eles nunca tinham falado com nenhuma pessoa não-branca em suas vidas.

A seguir listo alguns dos episódios mais controversos relacionados a diversidade em Hq's clássicas.
ATENÇÃO: mais uma vez publico uma postagem com conteúdo CÔMICO, sem a intenção de ofender ninguém. Espero inclusive que siva como um questionamento sobre os preconceitos ligados às amarras sociais.

Várias informações presentes nesta postagem são creditadas ao site Cracked.



MONSIEUR MALLAH e CÉREBRO, o mais estranho casal das Hq's

Este primeiro caso, sinceramente, não entraria nesta lista, já que creio não ter tratado-se propriamente de uma tentativa de tornar esta Hq (Patrulha do Destino) mais diversa (Apesar do histórico de Grant Morrison, o seu roteirista na época em que foi publicada), mas sim o mais surreal e estranha possível. Objetivo que foi alcançado.

Por ser um caso tão bizarro quanto parece, tem a sua merecida menção.
Eu sei que estes personagens já apareceram outras vezes aqui no blog, mas é impossível não se repetir após tanto tempo publicando...

Todo mundo hoje já deve conhecer a Patrulha do Destino. Isso mesmo! Um dos grupos de super-heróis mais obscuros da história, e também uma das minhas Hq's clássicas favoritas, é agora razoavelmente popular graças ao seu seriado transmitido no Brasil pela Netflix em 2019. E todo mundo está amando o seriado.

Vejamos como (e se) o seriado adaptará personagens como a dupla de super-vilões Cérebro e Monsieur Mallah, a qual agora mencionamos...


O Cérebro, quando ainda era "apenas" um cientista louco, fez alguns experimentos científicos loucos com um gorila da montanha até que o macaco se tornou um gênio símio com o incrível poder de falar francês e o desejo de praticar o mal.

Inevitavelmente o cientista perdeu o seu corpo em algum tipo de acidente científico e acabou como um cérebro em um pote. E quando você acha que isso por si só já tornaria esta dupla estranha o suficiente...


Na fase dos anos 80 com Grant Morrison na Patrulha do Destino, mais precisamente em Doom Patrol Vol. 2 # 34, durante um evento  muito revelador, o Cérebro roubou um dos corpos robóticos sobressalentes do Homem Robô - corpo este que durante esta estarrecedora Hq ganhou vida própria e descartou o cérebro do seu dono Cliff Steele, o Homem Robô original -, membro da Patrulha do Destino.


Agora que finalmente tinha braços e pernas (e outras partes do corpo) novamente, o Cérebro diz a Mallah que sempre esteve secretamente apaixonado por ele, seu bichinho peludo, por anos, mas não podia confessar isso quando era apenas um órgão conservado dentro de um tubo...


O gorila militante e inexplicavelmente francófono confessa a seguir também estar apaixonado por seu mestre e retribui com seu amor gay e bestial, e eles então protagonizam o mais estranho beijo da história da ficção ocidental... até que… bem, você apenas terá que ler para acreditar…


…Sim. O corpo do Homem Robô se destrói porque este, sentindo-se finalmente livre da sina de ser apenas um receptáculo controlado por um cérebro humano, havia se autoprogramado para explodir caso alguém tentasse colocar um outro cérebro nele.

(Ironic mode on) É, acho que esta história foi capaz de convencer o grande público da época de que os homossexuais são pessoas como você e eu. Um grande salto para a tolerância. (Ironic mode off).

Esta história tem de tudo. Humor, homossexualidade e um exame sério da eterna questão filosófica: “Quem está no comando, a mente ou o corpo?”

Não é qualquer história em quadrinhos que nos dá não apenas um gorila gay, mas a Irmandade de Dada e uma super-heroína com Transtorno Dissociativo de Identidade (cada personalidade tem um poder diferente).

Patrulha do Destino é realmente foda!





VIBRO, o super-herói latino

Quando chegou a hora da DC Comics trazer ao mundo um jovem super-herói latino, surgiu Vibro. Ele começou a sua carreira em 1984 como Paco Ramone, um garoto de rua de Detroit com o poder de gerar vibrações de suas mãos, o que é uma habilidade que realmente seria bastante útil na vida cotidiana (pense nisso), mas provavelmente não é tão útil no combate ao crime quanto, por exemplo, invulnerabilidade ou super-velocidade.

Mas é claro que a verdadeira razão pela qual ele se juntou à Liga da Justiça foi por ser vítima de todo estereótipo latino que a década de 1980 tinha a oferecer.


Toda a caracterização do personagem parece ter sido realizada por um grupo de desenhistas que nunca conheceram uma pessoa latina e basearam todo o seu conhecimento em vídeos de break dance e no filme Scarface de 1983.


Um exemplo de enredo para o Vibro envolve o personagem trazendo um de seus novos amigos brancos para a sua casa para que seus pais fiquem orgulhosos dele, porque pessoas aparentemente brancas são tão reverenciadas na comunidade latina que simplesmente ser associado a uma eleva o seu status social ao de um herói local.

O velho "trazer o povo branco para casa para conhecer a família" recebe uma nova reviravolta quando os escritores, com base em todos os seus conhecimentos pessoais sobre a etnia do personagem, fazem Vibro ficar furiosamente irritado com um caucasiano por este se aproximar de sua irmã mais nova.


O respeitado artista de quadrinhos George Pérez, que é de ascendência porto-riquenha, ficou particularmente ofendido com o Vibro, e disse em uma entrevista em 1985 que o personagem, sozinho, o desligou de toda a Liga da Justiça.

Quando ele trabalhou em uma história em quadrinhos que envolvia um confronto da Liga da Justiça com os Vingadores (sua contraparte da Marvel Comics) que supostamente apresentava participações especiais de todos os membros anteriores de ambas as equipes, Pérez fez questão de que o "cameo" do Vibro consistisse em nada mais do que a metade inferior de suas pernas.


Pouca gente notou, mas o Vibro fez participações esporádicas
em Liga da Justiça sem Limites, a animação dos anos 2000 
que todos amamos.


Vibro no seriado do Flash.
O traje dele continua ruim.

Felizmente para nós, o povo latino-americano, passamos da fase dos Vibros e agora temos um Homem Aranha de sobrenome "Morales" estrelando um filme que inclusive foi premiado com um Óscar.





JOHN STEWART, o Lanterna Verde afro-americano

Quando Guy Gardner, o mais cômico Lanterna Verde da Terra, foi atropelado por um ônibus, ele foi substituído em 1984 por um homem afro-americano de fala invocada e um ar de malandrão chamado John Stewart.

A habilidade primária de John parecia ser ficar lembrando as pessoas de sua negritude a cada nova sentença, porque aparentemente seus escritores esqueceram que os quadrinhos têm imagens. Da maneira como foi feito, eles poderiam muito bem ter chamado logo o personagem de "Lanterna Negra".


Sim, isso pode ser um pouco chocante para o público não-leitor de quadrinhos e que foi conhecer o personagem John Stewart apenas na premiada animação da Liga da Justiça dos anos 2000.

Se durante a referida animação, John Stewart tornou-se um dos personagens mais queridos e populares principalmente por sua personalidade estoica e centrada, em sua primeira aparição nos quadrinhos, a sua personalidade era bem mais similar a personalidade do Flash Wally West apresentado no mesmo desenho animado, que aliás era o palhaço daquela equipe de super-heróis.


Talvez algum contexto ajudaria.

Na década de 1970, o autor do Green Lantern, Dennis O'Neil, e o artista Neal Adams tentaram lidar com questões tópicas complexas como o vício das drogas e a injustiça social.

John Stewart, que foi criado em 1971, foi sua tentativa de abordar o racismo, mas ele foi escrito por um nerd que queria ter certeza de que cada painel demonstrava claramente que a cor da pele de John não era um erro de coloração. O resultado foi um estereótipo ambulante.


Em um arco desta história, John começa a namorar uma mulher chamada Rose Hardin, que por acaso é uma ex-namorada de Hal Jordan. Hal fica chateado por sua ex agora estar namorando um outro homem e desafia John para uma batalha mental, que pode inicialmente parecer que ele quer jogar xadrez, mas literalmente significa que ele quer lutar contra John dentro de sua mente.

John aparece como várias personalidades diferentes, cada uma com um estereótipo pior do que o anterior (Não está claro se isso é feito por Hal ou John). As várias personalidades de John Stewart incluem um cafetão vestido de Robin Hood, um africano bongo, Barry Bonds e até o Balrog de Street Fighter.


Balrog vs Hal Jordan: "UUUUraaa!"

Hal percebe que ele está sendo um idiota e concorda em recuar, e ele e John terminam como amigos. Mas provavelmente havia uma maneira melhor para os escritores lidarem com preconceitos raciais latentes do que ter Hal Jordan confrontando os corvos do Dumbo com seus pensamentos.





IRMÃO VODU, o bruxo haitiano

Em 1973, a Marvel decidiu acrescentar um super-herói haitiano, certamente na esperança de ampliar os horizontes dos leitores com um olhar sobre a cultura daquela pequena e empobrecida nação. O resultado foi o Irmão Vodu. Um personagem até certo ponto popular pelo público mais hardcore de leitores de quadrinhos.


A história de fundo é que depois de passar 12 anos na faculdade, Jericho Drumm volta para sua casa no Haiti e descobre que seu irmão morreu de uma maldição vodu. Parece que parte da maldição impediu que alguém usasse um telefone ou enviasse uma carta para transmitir essa informação a Jericho.


Depois que seu irmão inevitavelmente morre, Jericho visita o feiticeiro local, Papa Jambo, e inexplicavelmente decide jogar uma década de educação no lixo e se tornar o Irmão Vodu. O seu traje, a propósito, consiste em um decote em V profundo, calças verdes e um colar de ossos.


Em uma das "aventuras" mais assustadoras do Irmão Vodu, ele usa suas habilidades para possuir uma jovem e atraente médica que veio ao Haiti para ajudar a combater doenças e fazê-la se apaixonar por ele.


Então, o Irmão Vodu, o primeiro super-herói haitiano da Marvel Comics e um poderoso praticante das artes místicas, usa sua feitiçaria para enganar uma mulher e obrigá-la a fazer sexo com ele. 

Ele faz isso infundindo seu corpo com o espírito de seu irmão morto, o que significa que além de essencialmente estuprar uma mulher, ele também está fazendo sexo com o fantasma de seu irmão. 


Enquanto isso, seu companheiro de editora, o Homem-Aranha, com um histórico de admiráveis boas ações, na mesma época seguia sendo massacrado pela mídia como um marginal.






CONNOR HAWKE, o Arqueiro Verde mestiço (e possivelmente gay)

Desde a década de 1970, o super-herói da DC Comics Arqueiro Verde fez sexo com praticamente todas as mulheres que ele conseguiu impressionar com insinuações baseadas em flechas. Portanto, não foi uma grande surpresa quando, no início dos anos 90, ele descobriu que tinha um filho birracial.

Ele foi nomeado Connor Hawke, e foi destinado a substituir seu pai como Arqueiro Verde para mais uma vez tentar dar nova vida ao personagem adicionando alguma diversidade. O problema era que os escritores não conseguiam concordar exatamente com a etnia de Connor, então decidiram fazer dele um japonês-negro de cabelos dourados.


De acordo com o enredo, a mãe de Connor era meio negra e meio coreana, e seu pai era o canhão de esperma caucasiano conhecido como Arqueiro Verde.

Então, Connor era tão diverso quanto eles poderiam fazê-lo, certo? Não é bem assim. Ele também era gay (Mas não totalmente gay).


Apesar de ser o filho de um vendedor ambulante de pênis, Connor não tem ideia de como se portar perto de mulheres e fica desconfortável quando tem que lidar com elas. Mas essa confusão sexual na verdade resulta mais em mal-entendidos e inaptidão hilariantes estilo George McFly.


Então, o Arqueiro Verde meio branco, meio negro-coreano e parcialmente gay, destinado a ser uma afirmação firme contra a imagem "socialmente aceitável" dos super-heróis de quadrinhos, saiu como uma mistura confusa.

O pior é que os escritores nem se atêm ao seu próprio plano e abandonam a confusa sexualidade de Connor quando o seu pai reaparece para que ele possa desenvolver um relacionamento com uma adolescente soropositiva.


Pessoalmente conheci o personagem em uma lista (se não me engano no site "Melhores do Mundo") de personagens que poderiam vencer o Batman.

Quando soube que o Arqueiro Verde tinha um filho que era um lutador tão foda que poderia vencer até o Batman, fiquei muito curioso pelo personagem. Não tinha ainda nenhuma noção do contexto para a criação do Connor (Estava há um tempo sem ler quadrinhos), tanto que naquela época pensei que ele era só meio asiático.


Connor Hawke no universo do seriado Arrow.
Nos seriados para a TV do Arrow e do Flash no CW, os produtores optaram por deixar o personagem menos confuso etnicamente.

Não curto há um tempo estes seriados, mas o contexto dos episódios que apresentaram o Connor ficou muito interessante, fazendo referência inclusive a Hq "Cavaleiro das Trevas" de 1986.






SENHOR DESTINO, o pedófilo transgênero Edipiano

Precisa ir ao Google procurar o que é "Edipiano"? Certamente que não, então vamos lá... Todos devem conhecer o Senhor Destino, um dos mais ridiculamente poderosos personagens da DC Comics, quiça de todos os quadrinhos e histórias ficcionais. Mas acredito que poucos devem conhecer uma das mais estranhas histórias as quais um personagem já protagonizou.

O Senhor Destinho, o feiticeiro membro da Sociedade da Justiça original, foi morto nos anos 80 e substituído por Eric e Linda Strauss, que se uniram para se tornarem o novo Senhor Destino.


Isso deu à DC Comics uma oportunidade maravilhosa de explorar o que acontece quando uma psique masculina e uma feminina habitam o mesmo corpo. O que eles fizeram foi tornar o Senhor Destino o super-herói mais assustador da história dos quadrinhos.


Linda Strauss é uma mulher na casa dos 30 anos, e Eric é seu enteado de 10 anos de idade. Quando eles encontram Nabu (o deus que os transforma no Senhor Destino), Eric é transformado em um homem adulto, e ele e Linda imediatamente fazem sexo.

Isso já é ruim o suficiente, mas as questões subsequentes deixam claro que Linda se sentia atraída por Eric mesmo antes de todas aquelas coisas de Senhor Destino.


Eric estava totalmente possuído pelo complexo de Édipo, porque aparentemente o incesto vende muitos quadrinhos. Um show de horrores se desdobra quando eles realmente lutam contra o crime como o Senhor Destino. Em vez de exibir algum tipo de luta mental com a confusão de gênero, o Senhor Destino alterna fisicamente entre ser um homem e uma mulher.


Às vezes, o Senhor Destino seria retratado como um homem flexionando os músculos abdominais no meio de uma explosão, e às vezes ele seria uma mulher com seios que todos olhavam.



Em cada aspecto dessa versão do Senhor Destino parecia que a DC Comics estava tentando nos atacar sexualmente com balões de falas.






EXTRAÑO, o feiticeiro abertamente gay com HIV

Em 1988, a DC Comics introduziu uma equipe de super-heróis chamada Novos Guardiões. Os oito membros eram de nacionalidades diferentes e pretendiam representar toda a raça humana.


Extraño era um homem peruano gay que recebeu o poder da magia. As más línguas dizem que ele era uma cópia descarada do Doutor Estranho da concorrente Marvel Comics, embora esteja mais para uma paródia do mesmo.

Ele foi provavelmente o primeiro super-herói abertamente gay e mais digno de nota é o fato de ser um dos piores estereótipos de histórias em quadrinhos de todos os tempos.


O seu visual bizarro parece ser uma mistura entre Nathan Lane em A Gaiola das Loucas e um sofá, e ele se refere a si mesmo como uma "bruxa", enquanto constantemente lembra as pessoas de como ele é "estranho":


Extraño também se esforçou muito para se afirmar como o "melhor amigo gay" de sua companheira de equipe Harbinger, usando seus poderes mágicos para aparecer em sua sacada e dizer a ela que os homens são todos uns idiotas.

A propósito, ele faz isso referindo-se à sua homossexualidade pelo menos uma vez por sentença, inclusive chamando a si mesmo de sua "tia" e assegurando-lhe que os dois não estariam fazendo sexo tão cedo.


Extraño e os Novos Guardiões logo enfrentaram um super-vilão chamado Hemo-goblin, um vampiro psíquico aidético nazista (Isso mesmo!), porque isto é um gibi e é assim que eles abordam questões sociais.


O Hemo-globin não ganhou o seu poder naturalmente. Ele foi criado por um grupo supermacista-branco com a intenção de infectar cada pessoa não-branca no mundo a fim de matá-los lentamente.
Presumivelmente, após cumprir a sua missão, o vilão morreu da doença. E para a sorte dos heróis, o personagem mais WTF já criado para uma Hq teve somente duas aparições.


Extraño é capaz de derrotar o Hemo-goblin, mas em decorrência do ataque do mesmo, agora toda a equipe de super-heróis pode estar infectada com o vírus da imunodeficiência humana.


Todos os membros que entraram em contato direto com o vampiro nazista da AIDS tiveram que fazer o teste para o HIV. Exceto Extraño, porque... ele já tem HIV.


Sim, Extraño, não bastasse estar já sobrecarregado com praticamente todos os estereótipos de homens gays que já existiram, também foi revelado ser HIV-positivo, que ainda era amplamente referida como "a doença gay", mesmo neste ponto na década de 1980.


Na defesa dos escritores, suas mãos estavam em grande parte amarradas pela censura, e não lhes era permitido identificar explicitamente qualquer personagem como homossexual. Mas, ao deixar implícita a sexualidade de Extraño, esta foi implementada com toda a sutileza de uma marreta feita de granadas de mão. E então eles deram HIV ao personagem.

As aventuras de Extraño e dos Novos Guardiões duraram apenas 12 edições antes que a série fosse cancelada. Ele e toda a equipe foram mais tarde transformados em anti-energia por um super-vilão galáctico (o Anti-Monitor na saga Crise nas Infinitas Terras), porque a DC Comics gostaria que todos nós nos esquecêssemos de que ele existiu.


Muitas das tentativas dos escritos em inserir personagens diversos nas histórias clássicas não partiam necessariamente de uma iniciativa para tratar questões sociais, uma vez que havia também interesses mais escusos. A inserção de personagens multi-étnicos e pertencentes a grupos reprimidos por amarras sociais muitas vezes visavam às cifras, atingindo outros públicos consumidores uma vez que coincidia com o crescimento da popularidade internacional das Hq's. É a globalização.

Hq's, tal como a música e o cinema, também podem atuar como uma forma de cultura de massa. Precisamos aceitar isso.

O grupo de jovens super-heróis Novos Mutantes da Marvel Comics por exemplo ganhou um integrante brasileiro. E assim fomos representados por um jovem mutante que descobriu seus poderes de se transformar em uma fama negra viva durante uma partida de futebol, falava espanhol e relatava que Buenos Aires ficava no Brasil, porque americano é realmente péssimo em Geografia.

Todos os personagens presentes nesta lista tiveram um importante significado histórico e todos eles se tornaram populares o suficiente para se tornarem personagens memoráveis. Como é o caso do Lanterna Verde John Stewart que hoje é considerado o principal e mais importante super-herói afro-americano da DC Comics.

Devido à época em que estes personagens foram criados, não havia patrulhas, os envolvidos e os leitores não se envolviam em polêmicas ou trocavam acusações e, é claro, o discurso destes quadrinhos acabava beirando o politicamente incorreto, um efeito inverso àquilo que se esperava ao reforçarem estereótipos marginalizados.

Mas fica claro, mais do que nunca nestes tempos sociais confusos que o conceito de "politicamente incorreto" é também muito relativo principalmente quando envolve os espectros políticos destros e canhotos. O politicamente incorreto vai valer sempre apenas para um dos lados dependendo da situação. Isto renderia uma futura postagem.

sexta-feira, 1 de março de 2019

O RELATO DE UM HOMEM ADULTO DIAGNOSTICADO COMO AUTISTA



Ano passado, passei por uma avaliação neuro-cognitiva. Nem sequer imaginava que estaria fazendo algo assim naquele ano, uma vez que havia me planejado para me concentrar apenas em minha pós-graduação.

Fui então diagnosticado com a Síndrome de Asperger (SA), um transtorno do desenvolvimento que afeta a minha capacidade de me comunicar e de socializar. Para os leitores que por um acaso ainda não ligaram o nome a pessoa, isso significa que eu sou autista.

A pouco conhecida SA é uma forma leve do autismo. Um autismo de alto funcionamento, vulgarmente conhecido - e põe vulgarmente nisso - como "autismo inteligente", e eu gostaria de compartilhar esta experiência com os leitores deste blog.


Digamos que fui conduzido por mim mesmo, devido certos comportamentos que pareciam inexplicáveis. A opinião de um profissional experiente poderia ser de grande ajuda. Tive a sorte de encontrar uma excelente psicóloga, uma vez que foram dias de longos e tediosos testes.

Meses após iniciar aquela avaliação, recebi o resultado daquilo que eu já suspeitava. Após apresentar todos os resultados dos meus testes de QI, habilidades sociais, etc, ouvi da boca da doutora as seguintes palavras: "você está no espectro".

Doutora P: ... Síndrome de Asperger.

Doutor Nerd: ...

Doutora P: Sabe o que é isso?

Doutor Nerd: Estudei psicologia no primeiro período da universidade, mas foi há muito tempo, então não tenho certeza...

Doutora P: A Síndrome de Asperger é um distúrbio do desenvolvimento que afeta a sua capacidade de se socializar e se comunicar com eficiência... É uma perturbação do espectro autista.

Doutor Nerd: (gargalhadas)

Doutora P: O que é tão engraçado?

Doutor Nerd: "O que é tão engraçado?" Ora, é que eu meio já sabia disso...

Isso mesmo, meses antes de receber o resultado, inspirado em minhas próprias experiências, dizia a mim mesmo: "Se ao final da avaliação, a doutora disser que eu sou autista, não será surpresa nenhuma. Isso, aliás, explicaria muitas coisas".

A medida que a doutora me explicava o que era tudo aquilo, passou um filme na minha cabeça. De repente, todas as peças começavam a se encaixar. Tudo agora fazia sentido.


Diagnosticado, agora é seguir adiante numa nova etapa da minha vida, sobre aprendizagem e os desafios comportamentais e emocionais que outrora pareciam inexplicáveis para mim. É preciso iniciar um processo para aprender a viver mais adaptado com o cérebro de um Asperger, o que pode ajudar também em demais aspectos da minha vida.

A doutora, surpresa com a minha capacidade de entendimento do que acontece com a minha mente, teve ainda mais certeza do meu diagnóstico.

Doutora P: Incrível! Você sabe o que está acontecendo consigo mesmo! Como foi que você chegou a essa conclusão sozinho?

Doutor Nerd: Baseado em comportamentos de estereotipia... Tudo o que me acontecia batia com tudo o que eu aprendi sobre o autismo... Vendo documentários na TV, na internet, lendo livros na universidade e com exemplos na vida real... Todos os esteriótipos eram um tanto identificáveis.


No começo do ano passado, quando ainda nem imaginava que passaria por uma avaliação neuro-cognitiva, comecei a ter desconfianças sobre meu comportamento peculiar. Passava horas meditando e pensando sobre tudo isso.

Até que um dia, indo de carro para a universidade para encontrar com a minha professora orientadora do meu projeto de pós-graduação, eu tive um tipo de "epifania"...


Bizarro, não é? A minha capacidade de percepção do que há comigo é tão alta, que eu já desconfiava do meu próprio diagnóstico, mesmo sendo um leigo no assunto - não sou psicólogo - e, portanto, sem ter o conhecimento de que existiam formas tão leves de autismo que um portador poderia até passar desapercebido na multidão.

Durante toda a minha vida eu sentia que havia algo de errado comigo. E esse meu diagnóstico mudou esses pensamentos.

Quando soube do meu diagnóstico, percebi que nada estava errado comigo, mas eu sabia que algo estava prestes a mudar.

Como a SA é um transtorno ainda muito pouco conhecido, os seus portadores são frequentemente alvo de preconceito e discriminação. Esta síndrome afeta a nossa interação social recíproca e a comunicação verbal e não-verbal. Temos resistência em aceitar as mudanças, inflexibilidade de pensamento e campos de interesse estreitos e absorventes.


Nem todos os portadores da SA são superdotados. Isso é mito. Eles se tornam obcecados e apaixonados por certos campos do saber que requerem treinamento (matemática, música, etc), o que permite que eles se destaquem.

Desde criança, eu já tinha essa percepção de que era "diferente" frente aos meus colegas de classe. Mas o Asperger não é uma doença. Não somos esquisitos, nem loucos. É apenas a nossa maneira de receber e processar a informação que é diferente. Eu sentia muita necessidade de me explicar, porque me sentia incompreendido por meus colegas de escola.


E não são apenas as crianças portadoras da síndrome que sofrem, os seus pais também podem igualmente sofrer com o julgamento da sociedade.

As crianças com essa condição podem ser hipersensíveis a certos ruídos, cores, texturas, etc. Então se bloqueiam e se comportam de um jeito que parece "birra".

Há quem interprete esse comportamento como malcriação - Eu já ouvi muito isso! - e acham que os pais precisam ser mais enérgicos. Os pais, frequentemente, se sentem julgados e incompreendidos frente a sociedade. Eles sentem culpa.


Eu lembro de tudo agora. Minha mãe me levou a vários médicos quando eu era criança. E ninguém sabia ao certo qual poderia ser meu problema. Os pais acabavam injustamente culpados pela ignorância dos outros.

Uma criança com SA é muitas vezes categorizada como muito tímido - muitas delas sequer tem a habilidade de olhar nos olhos da pessoa com quem conversa. Na verdade, elas só precisavam de um pouco de atenção extra.

Diferente do "autismo clássico", as habilidades cognitivas do portador da SA estão em sua maioria preservadas e algumas delas estão inclusive muito acima da média (Meu QI de processamento é de 133), mas isso não é tão foda quanto parece.

Eu ouço todos os sons ao mesmo tempo, fico completamente sobrecarregado, não entendo nada da linguagem não-verbal e olhar nos olhos de outra pessoa é uma experiência quase dolorosa. A tendência é a de me impor um auto-isolamento.

Nas palavras da minha psicóloga: "Veja, você até sabe o que você tem... Você sofre porque você sabe o que está acontecendo com você, mas não tem as ferramentas para lidar com isso".


Falhamos em nossas interações sociais porque somos muito rígidos. Não entendemos bem a linguagem não-verbal e temos uma tolerância muito baixa para aqueles que não se encaixam nos padrões que estabelecemos. Eu passei por inúmeras situações hilárias justamente por todas estas características que acabei de descrever.

Resumindo, temos dificuldade em compreender o mundo em que vivemos. Imagine, viver completamente isolado em um mundo que você não pode compreender e vice-versa.

Finalmente tenho as explicações para todas as situações bizarras nas quais estive envolvido na infância e principalmente na adolescência e início da fase adulta. Surgem as explicações para os rótulos os quais a sociedade me impôs.

A SA pode ser uma forma muito leve do autismo, mas ela me afetou muito.

No dia seguinte ao diagnóstico oficial com a psicóloga, lembro-me de ter saído do meu trabalho e parar nos meus pensamentos no meio da praça: "Eu me sinto normal".

Por que, depois de todos esses anos, eu finalmente me senti "normal"?

Ainda estou tentando descobrir o que isso significa. Porém, por mais estranho quanto isso possa parecer, minha vida faz sentido agora. Eu não me sinto fora do lugar e desajeitado. Eu acho que a melhor coisa que saiu disso é agora ter o sentido de que minha vida inteira foi finalmente validada.

Quando eu digo às pessoas que sou "autista", e as reações delas são principalmente “Uau, eu nunca teria adivinhado isso. Você não age como se tivesse autismo".

Quero então dizer a elas: "E como eu devo agir?" Você não pode dizer que uma pessoa está no espectro apenas olhando para ela.


Enquanto tento explicar o que significa estar no espectro, posso vê-los começar a se interessar pelo que estou dizendo e começam a me fazer perguntas. Eu respondo da melhor maneira possível usando exemplos da minha própria vida.

Embora eu esteja feliz por finalmente saber qual o meu "problema", às vezes fico muito aborrecido, revoltado.

Como teria sido a minha vida se eu tivesse sido diagnosticado quando criança em vez de um adulto na casa dos trinta anos?

Eu me pergunto em meus próprios pensamentos: "E se eu fosse uma criança agora, eu seria diagnosticado? O quão diferente teria sido a minha vida se eu tivesse descoberto a SA com uns 13 anos de idade ou menos?"

Eu sempre tive uma grande tendência ao isolamento, fui alvo constante de bullying durante todas as fases da minha vida. Na faculdade era vítima de colegas e, pasmem, até mesmo de alguns professores.

Eu era um alvo muito fácil em meu distanciamento, em minhas poucas palavras e em meu temperamento pavio curto e intolerante.


Tenho características temperamentais muito complicadas para um homem que escolheu seguir a área da saúde como profissão. Perco a paciência muito fácil, e tenho uma tolerância extremamente baixa para com gente que categorizo como ignorante e arrogante.

Mas quem tolera gente assim, não é?

Quando me encontrava em algum grupo e esse tipo de pessoa dava sua opinião estúpida sobre um certo tema, antes dela terminar seu raciocínio, eu já sabia qual seria o final do seu discurso, e a minha tendência era me aborrecer e me afastar. Ou pior. Isso já aconteceu mesmo no meu ambiente de trabalho.

Mas ninguém suspeitava de autismo.

Passei por vários outros psicólogos e assistentes sociais antes desta recente avaliação neuro-cognitiva e nunca ninguém pensou na ideia de que eu poderia ter SA.

Era frustrante não saber porque me sentia tão diferente. Ninguém parecia saber.

E quanto mais eu leio sobre o autismo de Asperger, mais me eu vejo nele... Especialmente no aspecto social disso.

Esta poderia ser a resposta que eu estava procurando por toda a minha vida?

Interesses restritos, apego extremo a rotinas e rituais, dificuldades em compreender o abstrato, ser literal e muito racional, além da dificuldade de entender emoções e relacionamentos. Como não me dei conta disso antes?

Por isso muitos nos catalogam como tímidos acima de tudo, silenciosos, sem empatia e solitários.


Você que está lendo esta postagem tem filhos? É adulto e acha que precisa de alguma ajuda? Por que deve procurar ajuda e se tratar caso diagnosticado?

A SA pode ficar no caminho da sua carreira. Você parece nunca conseguir um emprego que reflete suas habilidades, mesmo que todas as credenciais sejam ótimas no papel.

A SA pode ficar no caminho do começo de suas amizades. Você tem dificuldade de fazer e/ou manter amigos, e não sabe porquê. Mesmo que envolvidos em uma atividade que você compartilha, você não constrói relação pessoal com outras pessoas.

A SA pode fazer você ficar obsessivo em determinados temas. Você poderia procurar saber sobre a oportunidade para expandir os seus interesses.


A SA pode dificultar a sua vida pessoal. Conhecer pessoas é essencial para conseguir trabalho, namorar e até mesmo encontrar um casamento feliz.

A SA pode dificultar o seu romance. Se namorar já é difícil para alguns, imagine para quem tem SA.

Precisa de ajuda? Que tal começar com um diagnóstico?


A SA pode ser a razão para você ter algum tipo de fobia. Você fica facilmente “esmagado” quando há muito estímulos sensoriais em atividades/eventos os quais você gostaria muito de fazer parte.


Adendo: O episódio da animação infantil Arthur When Carl Met George se aventura em um tema espinhoso (o autismo) para as crianças e lhes ensina com uma bela descrição o que é a Síndrome de Asperger.

Imagine que você está em um planeta estranho. É como a Terra, mas é um pouco diferente - as pessoas falam mais alto, dizem coisas estranhas e algumas coisas são mais engraçadas para você do que para elas. É difícil no começo porque as pessoas não te entendem e acham que você é estranho. No entanto, você aprende a se ajustar. Às vezes você encontra um interesse especial que ajuda você a lidar com a vida no planeta. Eventualmente, você e as pessoas encontram maneiras de se entender: elas falam mais quietamente e você usa as suas gírias. Embora você possa se encaixar, você sempre se sentirá um pouco diferente, mas tudo bem. (Esta não é a explicação exata no episódio, mas apenas uma versão condensada.)


SA pode estar lhe afetando na escola. Você pode não entender a linguagem não-verbal e a comunicação com os colegas e professores pode ser prejudicada.

Você pode obter a ajuda e as acomodações que você precisa para concluir os cursos, testes e entrevistas para o tão sonhado trabalho.


A SA pode ser um problema em uma relação importante.

O diagnóstico de SA pode ser a chave para a obtenção de serviços que você precisa.

Você pode ter encontrado problemas em toda a sua vida, ser isolado, com pouco dinheiro, ou mesmo na necessidade de uma melhor habitação.

O diagnóstico pode qualificá-lo para uma variedade de serviços e benefícios.


Você tem se sentido “diferente” a sua vida inteira. Agora, você está esperando para encontrar uma comunidade de pessoas que recebem quem você é, como você pensa, e até mesmo como você se sente.

O diagnóstico pode ser aquilo que faltava para você entrar em contato com grupos de apoio e se conectar com uma comunidade.

O diagnóstico pode inclusive abrir portas para novas amizades em grupos ou comunidades.


Eu acho que eu tinha duas coisas trabalhando contra mim enquanto crescia. A primeira foi que o autismo não era tão conhecido quanto é hoje...

Isso foi tudo que eu ouvi crescendo... que eu era tímido e quieto.

Isso sempre me deixou aborrecido...


Agora sinto que sou muito melhor compreendido pelas pessoas da minha vida.

É uma luta todos os dias tentando descobrir essa coisa chamada vida como alguém que está no espectro, mas com o apoio da minha família e amigos, sei que posso me tornar uma pessoa melhor.

Quando olho para trás e lembro do que eu passei. As experiências desagradáveis com as humilhações (aquilo que hoje chamamos de bullying) e os julgamentos, eu sinto muita revolta mesmo.

Será que se soubessem que eu era autista, aquelas pessoas teriam se portado de uma forma diferente?


Se você acredita que há um autismo verdadeiro, um autismo "severo", e que há um falso autismo, “leve”, fácil de lidar, que não precisa de nenhum suporte porque a pessoa namora, trabalha, escreve, lê, fala, e “é até criativa” não sabe o que é autismo.


Um autista que não tem “cara de autista”, é atacado como se fosse uma criatura muito grosseira, mal educada, sem noção nenhuma de civilidade.

Há autista que não consegue transitar pra vida adulta e fica em um limbo sendo julgado como incompetente, fracassado e inútil e achando que é verdade porque nem acesso a um diagnóstico ele tem.


Você não pode enxergar que há “autistas leves” que vivem pensando em se matar todo santo dia porque estão com desequilíbrios emocionais intensos causados por exigências sociais que são impossíveis de atender?

Se acha que só "autistas severos" têm crises, você não sabe o que é ser autista nesse país. Aqui a comunicação se dá muito nas entrelinhas. Todo vínculo de amizade, afetivo e profissional se dá por meio de uma linguagem altamente trabalhada no nível abstrato, cheia de não ditos.


Todos os autistas precisam de algum tipo de suporte. Alguns bem menos, outros bem mais.

O que nenhum autista precisa é de ser tratado como um falso autista que só faz o que faz e é do jeito que é pra chamar a atenção de alguém.

Esse tipo de tratamento só atrapalha, é como espancar alguém que está tentando se levantar e andar com as próprias pernas.



Outro dia, alguém muito próximo de mim mencionou o quanto cheguei em tão pouco tempo. Eu ainda fico frustrado com pequenas coisas que sinto que não devo fazer e com minha sensibilidade sensorial, mas estou aprendendo a viver como um homem no espectro do autismo.

E como eu disse durante a defesa da minha pós-graduação: "Se eu estou aqui hoje, defendendo a minha tese, deve haver um motivo muito especial. Graças ao auto-conhecimento que adquiri, agora me aceito como um neuro-atípico. Apesar de todas as minhas limitações cognitivas, graças ao apoio da família e dos amigos, eu pude superar todas elas. E, se eu sou capaz, qualquer um também é capaz".

O último ano foi uma montanha-russa, mas posso finalmente dizer que estou confortável em minha própria pele. É um ótimo sentimento!

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