terça-feira, 29 de agosto de 2017

OS SIMPSONS: QUAL EPISÓDIO MATOU A SÉRIE?

Os Simpsons são talvez a família mais famosa da televisão. A série era conhecida mundialmente por seu humor inteligente, sátira a sociedade e suas referências a cultura pop.
A revista Time a considerou a melhor série de todos os tempos.


Capa da revista Time na década de 90

A série Os Simpsons ganhou 25 prêmios Emmy, 24 prêmios Annie e um prêmio Peabody.
Passou de um simples programa de TV a uma das séries mais influentes da história!
Muitos estarão de acordo (inclusive os criadores) que os melhores episódios de Os Simpsons se encontram entre as temporadas 3 e 8.
Até então a série contava com críticas mais do que favoráveis, e com uma audiência que chegava a mais de 22 milhões de espectadores.
Mas, depois de literalmente conquistar o mundo inteiro, tudo isso veio abaixo.


O dia em que a série morreu

Há muitas razões para explicar porque uma série decai com o passar do tempo.
Grandes séries podem chegar a mediocridade de inúmeras formas.
Alguns dizem que a série morreu na temporada 15, outros que morreu na 20. Mas a verdade é que os problemas começaram a surgir em temporadas mais anteriores.
Tudo começou com o segundo episódio da nona temporada, intitulado "The prince and the pauper", quando é revelado que o personagem Seymour Skinner que conhecemos durante tanto tempo (e que era muito top com a dublagem de André Filho) é um impostor.

 
Este episódio foi como uma apunhalada para o público.
Harry Shearer, que dá a voz a vários dos personagens da série na dublagem original, também se queixou deste episódio:

 
"Isto foi muito mal. Estão tomando algo que uma audiência havia construído por 8 ou 9 anos de interação e jogando no lixo sem nenhuma boa razão, com uma história que foi planejada previamente para outros personagens. Isto é muito arbitrário, gratuito e desrespeitoso para o público."
 Harry Shearer

  
E isto está certo! Em temporadas anteriores, Skinner, apesar de um simples personagem recorrente, passou por um grande desenvolvimento, com muitos momentos comoventes, ganhando a empatia de toda a audiência. Por isso tal episódio foi uma traição para o universo da série.

 
As temporadas posteriores seguiram explorando o mesmo conceito.
Tentando sempre mudar e levar os personagens a situações cada vez mais ridículas. Afastando-se cada vez mais do conceito original da série. O de ser uma sátira.
Agora vamos listar alguns outros dos principais motivos para o declínio da série:

 
Flanderização
 
 
A Flanderiação é um recurso que utilizam os escritores medíocres como um escape fácil quando já não têm mais ideias para um episódio.
A Flanderização consiste em tomar parte da personalidade de um personagem e exagera-la tanto que esta torna-se o único traço de sua personalidade. Portanto os personagens tornam-se mais loucos, estúpidos, e inclusive irritantes.





O grande exemplo, que inclusive é o personagem que dá nome a este recurso, é Ned Flanders.

Eu entendo o Homer. Eu também odeio o Ned Flanders!
Mas revendo os episódios clássicos (que vez ou outra surgem na programação da Fox), devo admitir que ele era um personagem até legalzinho. Havia toda uma história por trás do seu jeito de ser e agir. Era um personagem de muitas facetas, e vez ou outra demonstrava vários traços de sua personalidade.


O Flanders era uma pessoa chata. Mas ele não era um personagem chato. E ele estava longe de ser um personagem raso. Claro, eu sempre fui Time Homer Simpson: "Cala a boca, Flanders!"


Hoje Ned Flanders não passa de um maluco. Ele é agora um fanático religioso que chega ao ponto de parecer louco. Já não bastam aqueles (provavelmente terraplanistas) que somos obrigados a tolerar assediando e comprando brigas com os nossos pacientes no posto de saúde onde trabalho. Ligo a minha televisão na Fox para descansar depois de um dia de trabalho e o que acontece?

Continuando...
 
Homer Simpson, que era um pai trabalhador, mas que alguns vezes cometia estupidezes, tornou-se um grande retardado, alcóolatra, e que se sempre se envolverá em alguma estupidez porque sim.

Ele agora até lembra um certo...
 

Será...?


Recentemente revi este clássico e divertido episódio.
Episódio 8, temporada 9: "Lisa the Skeptic".

Lisa Simpson, que antes era a voz da razão e a mais inteligente da família, passou para uma estúpida liberal e intolerante, que crê que todos devem seguir os seus ideais, em razão de sua "inteligência" superior, sem muitos argumentos convincentes.


Quando criança, eu era apaixonado pela
Lisa Simpson. Vamos lá, me julguem!

Agora ela está tipo aquilo no que se transformou um blogueiro cujo trabalho acompanhava e mesmo me identificava.
O tempo e a falta de sexo podem ser cruéis com algumas pessoas!

 
Bart Simpson, por outro lado, passou de um menino rebelde, porém compreensivo em algumas ocasiões, que fazia brincadeiras/trotes com um certo objetivo e que sempre estavam de acordo com a sua personalidade, para um simples bully tosco sem motivos e que muitas vezes é cruel, inclusive com os seus próprios amigos.

Vejam agora outros exemplos de como a Flanderização está presente em outros seriados recentes:


Bob Esponja Calça Quadrada

O mais clássico exemplo de Flanderização em personagens de um desenho animado (fora Os Simpsons) é com o protagonista de Bob Esponja Calça Quadrada, aquela que já foi uma das animações mais hilárias de todos os tempos, e que surpreendentemente continua a ser produzida deste o fim dos anos 90.
Bob Esponja sempre foi um personagem muito ingênuo, atrapalhado, mas que era muito esperto em algumas situações. E nós muitas vezes sentíamos raiva do seu vizinho Lula Molusco (apesar dele ser um personagem também muito legal) por ele ser tão babaca com a pessoa tão correta e prestativa que era o Bob.
Mas agora você até tem o Lula Molusco como o seu personagem favorito porque nos episódios atuais, o Bob Esponja é um retardado completo (o Patrick então nem se fala). E você acaba sentindo a mesma dor que o Lula Molusco sente quando tenta acompanhar os episódios mais recentes.






Dragon Ball Super
 
Ao contrário de muitas pessoas, eu nunca tive a mínima esperança de que Dragon Ball Super fosse uma animação boa. Mas eu SINCERAMENTE não esperava que ela fosse um animação tão RUIM!
TODOS os personagens de Dragon Ball foram Flanderizados para a produção desta série.

Não considero Dragon Ball Super uma série Dragon Ball (Aliás "Super" nem deveria ser mencionado quando falamos de Dragon Ball).

Como já não existiam mais inimigos fortes o suficiente para representar ameaça a Goku, o que poderia ser feito para produzir uma continuação para a série original?
Além de desconsiderar a cronologia correta, que tal transformar Goku no vilão da história? Sim! Aparentemente essa foi a ideia dos roteiristas, uma vez que na última saga que vem sendo produzida, descobrimos que o universo estaria muito mais seguro sem a existência de Goku.
Além de transformarem o Goku em um psicopata que só pensa em lutar e realizar os seus interesses egoístas, ele virou um completo retardado e - talvez para que alguns fãs possam se identificar melhor - um VIRJÃO!
Os roteiristas dessa merda acharam que seria genial revelar que nosso "herói" nunca beijou na boca, apesar de já ser pai e avô!! Aí já é abusar demais da ingenuidade do personagem. Por que será que eles acharam que isso seria engraçado?


A Flanderização de Son Goku.

Porra! Até o Ash Ketchum já perdeu o BV!
Até o ASH KETCHUM, mano!
É ridículo demais o que fizeram com o Goku!
 


Os Jovens Titãs em Ação

Ok. Eu sei que esta animação é um tipo de paródia. Mas ela serve para que eu possa expressar algumas outras ideias.

Jovens Titãs em Ação é uma série atual que surgiu da Flanderização Extrema de personagens consagrados pelas HQ's e pela série animada original Os Jovens Titãs.
Mas uma coisa curiosa sobre esta animação é que os seus próprios criadores têm a total ciência de que o desenho é muito odiado, principalmente por quem era fã da animação original. E assim os roteiristas fazem questão de provocar os seus Haters.
A imagem acima, por exemplo, é do episódio sobre o dia Primeiro de Abril, cujo  título é "Batman vs Teen Titans: Dark Injustice". O próprio título é uma das inúmeras mentiras contadas durante o dito episódio.
No fim desse episódio, todos os personagens, após uma tragédia que envolveu toda a esquipe, decidem mudar complemente as suas atitudes: O Robin decide deixar de ser um cuzão e se transforma no Asa Noturna, o Mutano e a Ravena começam um relacionamento, o Cyborg decide realizar o seu sonho de entrar para a Liga da Justiça, e por aí vai. E para finalizar com chave-de-ouro, eles anunciam o fim de Os Jovens Titãs em Ação.
Mas em seguida (na imagem acima), os personagens estão literalmente dizendo a audiência: "Fodam-se, seus viadinhos! Vão ter que nos engolir! O Cartoon Network vai renovar nosso contrato para mais temporadas!"

Se bem que eu preferia que anunciassem o fim de Dragon Ball Super.
Esse seriado cômico dos Jovens Titãs não representa ameaça alguma ao legado dos personagens originais. Afinal, não passa de uma sátira, e não uma continuação.
Já Dragon Ball Super é dito ser uma continuação oficial. E SIM, ele vai destruir TODO o legado de Goku e seus amigos!  

Poderia continuar citando mais e mais exemplos, mas acabaria me estendendo muito, e creio que já tenha chegado ao ponto.


 
Os episódios atuais
 
 
Os episódios antigos de Os Simpsons, mais do que simplesmente engraçados, eram inteligentes.
Entretanto agora passaram de críticas inteligentes a sociedade americana, para repetições cada vez mais desgastadas.
Um personagem faz algo estúpido que provoca e envolve outros personagens...
Um episódio com alguma estrela convidada...
Ou algum outro episódio de paródia de filme ou série...
Antes haviam episódios onde se mudava toda a dinâmica, e mostravam uma outra faceta dos personagens, momentos comoventes e outros onde até aprendíamos lições de vida.
Agora os episódios são cada vez mais forçados e sem graça, os personagens estagnaram, e os roteiristas tentam os recursos mais apelativos possíveis para chamar a atenção da audiência.



Sr. Burns contracena com a lenda Leonard Nimoy.
Mesmo que você não seja capaz de entender as
referências, com certeza vai rir muito!
Assim eram os episódios clássicos de Os Simpsons. 

Antes, quando faziam alguma referência a algum filme, mesmo que você sequer tivesse visto o filme, ainda conseguia rir por causa da situação.
Agora a piada está focada em que você seja capaz de entender a referência nela contida, semelhante ao que acontece em outros seriados como...


Os Simpsons, de uma tradicional família americana, passaram a ser um "Family Guy Lite".
Aliás, Family Guy entra para a minha lista das animações que todo mundo ama (ou amava),

mas eu nunca vi a menor graça, nos seus personagens e no seu estranho estilo de humor
(E olha que eu sou fã de South Park!).

Como a saga de Asgard - que todo mundo ama e eu odeio - em Cavaleiros do Zodíaco,

mas isso já é tema para futuras postagens.


Como podem ver, Os Simpsons passaram de uma das melhores séries de todos os tempos para uma série medíocre, sem graça, repetitiva, e com uma constante necessidade de ser como as outras séries da atualidade.
 
Vendo os velhos episódios, depois de muitos anos, continuo rindo, lembrando como aquele desenho me divertia quando criança e agora como adulto.
Além da nostalgia, ainda posso me recordar do quão magnífica foi esta série. Assim só posso desejar que a série algum dia termine... É triste.

domingo, 23 de julho de 2017

GRANDES PERSONAGENS DAS HQ'S: MULHER MARAVILHA

 
Finalmente!
Mulher Maravilha é o grande acerto da DC Comics no cinema! Os atores foram ótimos, a ação foi fenomenal e muito bem dirigida. O filme foi estabelecido na Primeira Guerra Mundial em vez da Segunda Guerra Mundial (como seria de se esperar para quem conhece a fundo a história da maior heroína das histórias em quadrinhos!). E isso merece uma menção especial porque sinto que foi feito um trabalho muito bom para mostrar a realidade desse conflito, apesar da classificação do filme.


Mulher Maravilha é um filme realmente muito bom. Ele está à altura dos ideais da heroína original e entrega uma mensagem positiva e definitiva aos fãs de quadrinhos.
Para que você possa comprovar isso, temos que falar sobre a sua história e aquilo que a inspirou. Então, com isso dito...

O nome real da Mulher Maravilha é Diana, princesa de Themyscira e governante das Amazonas.
Nas histórias em quadrinhos, as Amazonas são uma raça imortal de mulheres guerreiras, mas isto tem uma base real na história do mundo real.

Acredite ou não, as Amazonas são mencionadas em documentos históricos reais. O historiador grego Heródoto afirma que eram uma tribo de mulheres guerreiras que viviam perto do rio Thermodon na Turquia moderna.


E as Amazonas fizeram aparições na mitologia grega. Os dois maiores exemplos foram a rainha amazônica Penthesilea, que lutou e morreu na Ilíada de Homero...

 

Penthesilea

... e sua irmã mais famosa, Hippolyta, a senhora que desistiu de seu cinturão para Hércules (Um dos 12 trabalhos do maior herói grego foi vencer a rainha das Amazonas e tomar o seu cinturão), e ela é a mãe da Mulher Maravilha nas histórias em quadrinhos da DC Comics
.



Connie Nielsen é a rainha Hippolyta no filme

De acordo com as lendas, as Amazonas eram guerreiras ferozes, algo que se traduzia bem nos quadrinhos. Além disso, elas eram conhecidas por cortar o peito esquerdo, a fim de desenhar melhor as suas cordas de arco (!), o que não é algo que se traduziu nos quadrinhos.

Historicamente, elas podem ter sido relacionados a um grupo de pessoas conhecidas como os Citas, que eram um grupo de nômades que viviam perto e ao redor do Mar Negro, e suas mulheres lutavam ao lado dos seus homens.


Os antigos Citas
 
De volta aos quadrinhos, a Mulher Maravilha fez sua primeira aparição em All Star Comics # 8 em outubro de 1941. E embora não tenha sido o primeiro super-herói feminino publicado durante a Era de Ouro dos quadrinhos, ela foi claramente a mais bem-sucedida.


Dentro da Trindade DC Comics, isto é, Superman, Batman e Mulher Maravilha, considero a personagem recentemente vivida no cinema por Gal Gadot como a mais complexa e definitivamente a mais interessante, devido a toda a história que há por trás da criação da personagem.
A Mulher Maravilha é um personagem único dentro dos quadrinhos, e eu diria também inigualável! Acredito que ela poderia ser uma contraparte DC Comics para o Thor da Marvel Comics, porque ambos não são apenas super-heróis, mas referências culturais.


Mulher Maravilha e Thor - heróis e referências culturais.
Além do passado mitológico, os dois compartilham muitos pontos em comum, até
mesmo em suas vulnerabilidades relacionadas a artefatos mágicos que deveriam
amplificar as suas habilidades:
Se amarrada por seu próprio laço mágico, a Mulher Maravilha perde seus poderes.
E Thor, quando fica cerca de 1 minuto longe de seu martelo Mjiolnir, transforma-se em
uma versão mais jovem do doutor House. 
Lógico que isto tudo foi revisto pelos escritores com o passar dos anos.

Curioso também é que, observando de perto o conjunto de poderes originais da Mulher Maravilha, alguns deles não fazem muito sentido.
Para começar, o seu traje não é exatamente o que você chamaria de prático, ou mesmo remotamente remanescente daquilo que os antigos gregos ou citas usavam.


Dentro do seu arsenal de armas estão seus braceletes indestrutíveis que ela usa para desviar balas, e o famoso Laço da Verdade
 que obriga as pessoas a dizerem somente a verdade.
Mas tudo faz muito sentido tudo quando você conhece o homem responsável pela criação da Mulher Maravilha: William Moulton Marston.


William Moulton Marston

Marston foi um psicólogo especialmente ativo durante as décadas de 1920 e 1930.
Além da Mulher Maravilha, ele desenvolveu uma maneira de medir a freqüência cardíaca e a pressão arterial das pessoas, um aspecto importante para os testes modernos do polígrafo.


Exemplo de teste do Polígrafo
 

Steve Trevor e o Laço da Verdade
 
Isso explica o Laço da Verdade da Mulher Maravilha. Mas e os seus braceletes?

 
Vê a senhora da extrema esquerda na imagem acima tomando notas? Vê a pulseira que ela usa no pulso? Esta é Olive Byrne, uma das principais inspirações para a criação da Mulher Maravilha. Ela e Marston estavam envolvidos em uma relação, digamos... profundamente pessoal.
 

Ah, e por sinal, esta na nova imagem acima é Elizabeth, a espoa de William Marston.

Para todos os efeitos, os três tinham uma relação e viviam felizes juntos, e foi assim que a Mulher Maravilha conseguiu suas pulseiras indestrutíveis.


A família Marston em um dia de folga.
Veja a Olive no fundo da foto. De pulseira e tudo.
Além de viverem em um relacionamento poli-amoroso, os Marstons eram grandes fãs de bondage e submissão, o que eu não vou mostrar aqui porque pode ter crianças vendo.

Você não precisa aceitar a minha palavra, apenas dê uma pequena olhada em algumas das imagens dos primeiros quadrinhos da Mulher Maravilha:

 
 
 
Controverso?
 
Falando em controvérsia, os diálogos do filme da Mulher Maravilha são muito interessantes. E há uma cena em particular que me chamou muito a atenção no cinema.
 
O momento em questão é a viagem de Diana e Steve partindo de Themyscira para Londres, onde os dois têm um dos mais engraçados diálogos do filme sobre aparências e sexo.
Diana não consegue entender por que Steve está desconfortável por dormir ao lado dela. E quando ele assume que ela não deve entender nada sobre os desejos e os prazeres da carne, ela rebate que leu todos os 12 volumes dos Tratados de Cleo sobre o corpo e o prazer.
 
 
Diana afirma a Steve que, enquanto os homens são essenciais para a procriação, eles são dispensáveis para coisas como o prazer. 
Zoeiras à parte, juro que após esta cena sussurrei dentro do cinema "doutor William Marston". Está claro que o filme abordou, ainda que superficialmente, muitas das ideias por ele defendidas. Marston era um homem da ciência, mas também um feminista. Na verdade, ele não era apenas um feminista, ele acreditava que as mulheres eram inerentemente superiores aos homens de todas as maneiras.

É sutil, mas se você olhar de perto o seu trabalho:
 
 
 
 
Apesar destes ideais progressivos e avançados que a Mulher Maravilha estabeleceu para a indústria de quadrinhos no início dos anos 40, acredito que William Marston seria odiado pelo feminismo moderno (Já ouviu falar do boicote feminista ao filme?).
Martson antes de um psicólogo boêmio e polígamo com fetiche por bondage, acreditava na igualdade de sexos. Mas eu não compreendo bem como pensa o movimento feminista de nossa época.
 
O feminismo de fato surgiu durante a Segunda Guerra Mundial. Esta guerra foi um conflito de homens e mulheres. As mulheres passaram a ocupar funções que antes eram consideradas masculinas, como engenheiras, supervisoras de produção e motoristas de caminhão, por exemplo, e também se alistaram nas forças armadas.
 
A entrada maciça de mulheres no mercado de trabalho, seja para suprir o vazio deixado pelos homens que estavam no front de batalha, seja para preencher uma demanda surgida com a eclosão da guerra, causaria um grande impacto social, durante e depois do evento. Não demorou muito para que as lideranças dos países envolvidos no conflito percebessem que teriam que convocar as mulheres para a guerra. Inicialmente, elas foram conclamadas a se voluntariarem, mas, com o avanço dos combates, passaram a ser recrutadas. Se na Primeira Guerra Mundial elas estiveram em fábricas e foram enfermeiras, agora fabricavam e até pilotavam aviões.
 
 
A Mulher Maravilha era literalmente uma embaixadora enviada para um lugar que ela chama de "Mundo dos Homens" para convencer as pessoas de que as mulheres podem ser tão poderosas quanto os homens, e também para salvá-los de se destruírem na guerra.
 
 
E a personagem encarna perfeitamente o ideal de como a super-heroína deveria ser: Forte como Hércules e bela como Afrodite. Ideal este também claramente defendido pelo doutor Martson. 

William Marston morreu em 1947, e a Mulher Maravilha permaneceu uma das maiores super-heroínas da DC Comics. E ela permaneceu um ícone popular, chegando inclusive a estrelar um programa de TV bastante popular na década de 70, estrelado por Lynda Carter.



Lynda Carter
 
Mas foi com renovação da personagem, no final dos anos 80, juntamente com o resto do universo DC, que a editora percebeu o quão importante, e comercializável, a Mulher Maravilha é para eles. 


A Mulher Maravilha de George Perez (década de 1980)

A super-heroína foi acomodada por excelência dentro da mitologia do universo DC, fazendo parte da importante Trindade.
 

A Trindade DC Comics
 
Até então a adaptação mais famosa para a personagem esteve presente na excelente série de desenhos animados da Liga da Justiça. Acredito que grande parte do público atual da internet tem aquele desenho como a imagem definitiva da personagem.
Mas e hoje? O filme Mulher Maravilha atendeu ao legado e à mensagem da personagem original e é um aditamento valioso para sua longa carreira?

Não pensei em escrever a crítica completa do filme da Mulher Maravilha (que aliás já deixei bem claro que GOSTEI MUITO), porque desisti de escrever críticas sobre filmes já que existem blogueiros que fazem isso muito melhor do que eu jamais poderia. Então deixo crítica para quem é especialista.

O que quero escrever sobre o filme são dois pontos muito importantes:

O primeiro ponto é sobre a filosofia por trás da história deste filme.
Durante toda a sua vida, a Mulher Maravilha escutava que o culpado por todas as mazelas do mundo era o deus da guerra Ares. Isso quer dizer que o homem nasce bom, mas Ares o corrompe.


Oi?
 
Sendo assim, o objetivo da Mulher Maravilha era muito simples: Ela deveria apenas matar Ares e assim os homens deixariam de se matar e o mundo teria paz novamente.
Então a Mulher Maravilha descobre que o general alemão Ludendorff é Ares.


Sou Ludendorff e, sim, eu existi!

Eles se enfrentam e ela o mata. Mas o que acontece depois disso?
A guerra não acaba. O que poderia significar que Ares não passava de um mito, como assim especulou Steve Trevor.
Assim a Mulher Maravilha compreende que o mundo não é feito de pessoas boas e más. Mas pessoas com ideias diferentes. O que foi um momento único para o longa metragem. Porém, poucos minutos depois, o verdadeiro Ares aparece. Uma aparição desnecessária na minha opinião, já que o filme fazia questão de passar uma mensagem de que não existia um mal encarnado chamado Ares.
Com a aparição do deus da guerra, o propósito da narrativa acabou se perdendo. Agora, se eu dissesse que não gostei da luta final entre a heroína e o vilão, eu estaria mentindo. Foi uma cena de ação muito boa!


O segundo ponto que preciso destacar é a atuação de Gal Gadot.
Em sua primeira aparição, no filme Batman vs Superman, ela foi considerada a melhor do elenco, e isso aconteceu pelo simples fato de que ninguém esperava nada dela. Mas é verdade, Gal Gadot foi a única coisa boa daquele filme (Minhas desculpas para quem gostou).

Agora, em Mulher Maravilha, posso dizer que Gal Gadot estava muito mais a vontade com a sua personagem. E a sua atuação foi fenomenal.
A Mulher Maravilha é a personagem mais distinta do restante da Trindade DC Comics. Diferente de Batman e Superman, a Mulher Maravilha não tem obrigação de seguir códigos morais. Ela é uma super-heroína que mata (Maxwell Lord que o diga!), afinal ela é uma guerreira Amazona.

E, nos momentos finais do filme, Ares tenta influenciar a Mulher Maravilha a matar a sua inimiga a Doutora Veneno, porque segundo o deus da guerra os humanos são todos iguais e, ambos como deuses, tem o direito de matar estas falhas da criação.
Então a Mulher Maravilha simplesmente se nega a fazer aquilo. Porque os humanos não são simplesmente tudo isso que o Ares disse. Eles são muito mais do que isso. E ela acredita no amor.

A Mulher Maravilha então assume o seu papel como protetora de toda a humanidade.
Gal Gadot realmente foi capaz de encarnar todos os ideias da Mulher Maravilha. Eu aprovo.
 
E agora? Após este grande acerto, o que universo cinematográfico da DC Comics ainda reserva para nós?

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