segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

AVATAR KORRA, ANARQUIA E INJUSTIÇAS HISTÓRICAS

 
Avatar: The Last Airbender e Avatar: The Legend of Korra são animações espetaculares, duas das maiores surpresas que tive nestes meus 32 anos de vida (completados hoje!).
Das duas versões da animação, a minha favorita é The Legend of Korra, o que deve causar estranheza para muitos leitores. Afinal, a série original tinha personagens e enredos muito mais cativantes.
Mas por outro lado, The Legend of Korra tem um roteiro que faz mais o meu gosto: conflitos de valores e posicionamentos políticos. Sem falar que os vilões desta fase são bem mais interessantes e profundos. Só acho Korra um pouco politicamente correta demais, mas tudo bem.
 
A melhor temporada desta série é certamente a terceira, chamada Change. Teve um desenvolvimento surpreende de roteiros e personagens, tudo evoluiu para melhor, e isso depois de uma primeira temporada que começou bem, mas teve um final que deixou muito a desejar, e uma segunda temporada bem decepcionante.
Quem não desistiu de Korra depois da segunda temporada se deu muito bem. E eu duvido que ainda haja alguém que não a assistiu, e se este for o seu caso... que vergonha.
 
O roteiro de Change tem uma guinada impressionante a partir do episódio 9, The Stakeout, quando a Avatar Korra encontrava com seu inimigo Zaheer, no Mundo Espiritual, para uma conversa franca. E aqui começam a serem abordados os temas anarquistas presentes no desenho.
 
Zaheer divulga a Korra que a Lótus Vermelha, da qual ele e seus amigos fazem parte, é uma sociedade secreta "dedicada a restaurar a liberdade para o mundo" e que era "o que a Lótus Branca deveria ter sido."
Para quem não sabe, a Ordem da Lótus Branca foi formada como uma sociedade secreta para receber e compartilhar conhecimento, transcendendo as fronteiras nacionais e políticas. Seus membros treinaram Aang, Zuko, Katara e Sokka, e ajudaram a parar a Nação do Fogo e a sua busca pela conquista do mundo.
 
 
Zaheer explica que, após a Guerra dos Cem Anos, os membros da Lótus Branca saíram de seu esconderijo e passaram a apoiar publicamente ao Avatar como "guarda-costas" glorificados que serviam à nações corruptas. A Lótus Vermelha, liderada por Xai Bau, surgiu a partir da Lótus Branca.
 
Ele menciona que trazer os espíritos de volta, feito realizado na segunda temporada pelo "Dark Avatar" Unalaq, tio de Korra e também membro da Lótus Vermelha, foi apenas o começo. E vai mais longe com a noção de que "a idéia de ter nações e governos é tão tola quanto manter os reinos humanos e espirituais separados."
 
E Zaheer ainda apela com Korra, dizendo: "Você teve que lidar com um presidente imbecil e uma rainha tirânica. Você não acha que o mundo seria melhor se os líderes como eles foram eliminados?" 
Korra declara que ela não pode concordar com as escolhas desses líderes, mas que não acredita que se livrar dos líderes mundiais vai fazer algum bem, e que não é motivo por si só para fazer isso.
 
Zaheer continua com seus exemplos de líderes corruptos, citando como a Nação do Fogo atacou os Nômades do Ar por causa de seu governante egoísta. E então ele faz a citação mais anarquista até então nunca dita na história de Avatar: The Legend of Korra:
 
 
Korra ressalta que isso não traria equilíbrio, mas lançaria o mundo no caos. Zaheer responde com: "A ordem natural é a desordem."
 
"Um novo mundo não pode existir sem primeiro a destruição do velho." Ele revela que esta citação foi proferida por ninguém menos que o Guru Laghima, um mestre Dobrador de Ar. E isso realmente me faz lembrar de Winter Solstice (1) : The Spirit World, episódio 7 da primeira temporada de Avatar: The Last Airbender, quando Aang descobre que sem o incêndio da velha floresta, as novas sementes não poderiam brotar.
 
Você acha que Zaheer está tomando esta citação fora de contexto? Ou havia na verdade um Dobrador de Ar anarquista? 
Pode ser que sim, mas é bem provável que não. A nossa história está cheia de exemplos de apropriação de discursos para defender interesses particulares. Exemplificando: São Thomas More escreveu "Utopia", inspirado pelos escritos das viagens do navegador Américo Vespúcio, que nada mais era do que uma crítica ácida ao "O Príncipe", de Nicolau Maquiavel. Mas os escritos do mártir da Igreja acabaram sendo apropriados por comunistas e anarquistas que também tomaram para si a suposta bandeira da defesa do fraco e o combate à pobreza.
  
Por outro lado, na história da humanidade também temos visto muitos grupos que formam facções após divergências sobre autoridade, práticas, etc. A propósito Zaheer descreve as coisas apenas do seu lado da história, mas eu não culpo o seu ressentimento em relação à Lótus Branca. Era a missão desta ordem preservar o conhecimento antigo, mas se eles a mudaram para apenas servir ao Avatar, as razões para a sua formação em primeiro lugar são perdidas. No episódio 8 da terceira temporada da série original, Winter Solstice (2): Avatar Roku, aprendemos que os Sábios já serviram ao Avatar, mas dentro dos períodos de guerra, eles juraram sua fidelidade ao Senhor do Fogo. Quando a organização se esquece do propósito para a sua existência, ela pode facilmente cair numa ladeira escorregadia.
 
Enquanto nós podemos esperar que nunca existirá Avatar mau, também não seria ingênuo acreditar que isso nunca poderia acontecer? Será que os membros da Lótus Branca seriam capazes de perceber mesmo com a sua lealdade cega?
 
Eu só não entendo como o sonho da Lótus Vermelha de unir o Mundo Espiritual e o Mundo real tem relação com a derrubada de governos corruptos. Já havia este argumento dentro da Lótus Branca? Ao dizer que o Avatar servia às nações corruptas, ele parecia estar insinuando que antes da divisão alguns membros dentro desta ordem já partilhavam desta ideia.
 
Detalhe legal de ambas as séries de Avatar é que suas histórias e personagens nem sempre são tão preto no branco como na maioria dos desenhos animados. Korra percebeu que Unalaq estava certo até certo ponto ao dizer que não havia razão para os espíritos e os mortais serem separados uns dos outros. E agora que estes dois reinos não estão completamente separados um do outro, a Lótus Vermelha está interessada em combater o Estado.
 
Nos episódios 3 e 4 da terceira temporada de Legend of Korra, a jovem Avatar sentiu que a rainha do reino da Terra não tinha o direito de tratar seus cidadãos da forma fria e autoritária que tratava, mas Bumi retrucou que ela tem o direito, já que é a Rainha da Terra, a governante de Ba Sing Se. No entanto, ninguém questionava por que ainda é dada a uma pessoa tão cruel quanto aquela mulher a autoridade para governar sobre milhares de civis. Como podemos ver, infelizmente a tirania é facilmente alcançável nesta forma de governo. Onde está a democracia?
E a democracia de Republic City? Zaheer não deixa de mencionar o presidente daquela terra, chamando-o de "imbecil", o que para um líder não é muito melhor do que ser chamado de "tirânico". Mesmo quando eleitos (ou assim podemos presumir), líderes de um povo não conseguem governar de forma inteligente. 
 
O que filósofos como Platão tem a nos dizer sobre as deficiências da democracia? "Vamos apenas nos livrar dos maus líderes!" O problema é a forma como você vai fazer isso, especialmente através dos olhos da Lótus Vermelha. Como devemos escolher os nossos líderes?
Só porque houve uma vez um grande rei ou rainha, não significa que vai ser sempre assim. Podemos confiar no público para eleger os líderes honestos e inteligentes? Pode haver uma geração de cidadãos politicamente conscientes, mas, em seguida, a próxima geração só pode escolher líderes que mostrem apenas resultados superficiais, que lhes permitam sobreviver apenas com o básico, o povo torna-se simples massa de manobra. Parece que Zaheer está com a ideia fixa de que não há líderes em que se pode confiar.
 
A citação "A verdadeira liberdade só pode ser alcançada quando governos opressores são derrubados" só tem valor quando no contexto em que é usada. Mas nós estamos cansados de ver o quanto de canalhas oportunistas se valem desta suposta "verdade universal" para fazerem o que bem entendem. Estes discursos foram e ainda são muito usados, jogando povo contra governo e até mesmo povo contra povo.
Agora, será que todos os governos são opressores? Será que todas as formas de governo levam à corrupção?
 
A Lótus Vermelha, ou pelo menos Zaheer, acredita que a "liberdade" é uma alternativa preferível ao "equilíbrio", mas o quão longe eles esperam que mundo resista até sucumbir ao caos?
 

Suyin Beifong e Zaheer: Diferentes opiniões sobre um mesmo tema.

 
 
 
Um grande problema, praticamente endêmico, entre os autointitulados "revolucionários" é a relativização entre o bem o mal. Poderosos tendem a modificar as definições de justiça de uma sociedade. O mal sempre tentará distorcer aquilo que é bom e justo, mas a verdade é que ele nunca deixará de ser aquilo que é:
 
                                    
 
A solução para o caos no qual o mundo certamente mergulharia seria a "Ordem". E é isto o que a quarta temporada de Legend of Korra trás.
Traduzindo os significados das críticas sociais e políticas presentes na animação, na primeira temporada, o vilão Amon pregava a igualdade. A sociedade da Republic City era dividida em dobradores ("opressores") e não-dobradores ("oprimidos") e Amon seria um poder mais forte do que todos os dobradores que forçaria a todos estes a diminuírem as suas forças, descendo ao nível dos não-dobradores. E além disso, Amon incentiva essas diferenças e alimenta os conflitos e o ódio entre as classes, mas ele tem os oprimidos como simples massa de manobra para manter-se e aumentar o seu poder. Logo, ele é uma crítica ao Comunismo.
Na segunda temporada, temos Unalaq que torna-se um Dark Avatar e priva Korra, Avatar por nascença, de seus poderes. Unalaq usurpou o poder espiritual e ideológico do Avatar e o usou para proveito próprio, forçando o mundo a mudar de acordo com a sua própria filosofia. Muitas vezes é o homem quem transforma a religião e não o contrário. Aqui a crítica é para com o fanatismo religioso/ideológico.
A terceira temporada, como já falado na postagem, é uma crítica ao Anarquismo. Então nada mais justo do que os temas a serem abordados para finalizar a saga de Korra sejam o Autoritarismo e o Fascismo.
 
Na terceira temporada, vimos que Kuvira é uma dos jovens dobradores de metal em Zaofu, a fortaleza do Clã de Metal liderado por Suyin Beifong. Em um dos episódios desta temporada, vimos também que ela é a capitã dos guardas da cidade e também faz parte do grupo de dança de Suyin. Sim, ela é uma dançarina (nós estamos querendo saber se os movimentos de dança artística ajudam com a manipulação do metal).
 
Pouco antes do término da terceira temporada, a tela voltava para ela um pouco mais que o normal, embora ela só tenha tido um par de linhas para se pronunciar. Isso já nos deu a sensação estranha de que ela poderia desempenhar um papel mais importante na próxima temporada.
 
Passaram-se três anos e Kuvira deixou Zaofu (mesmo com a desaprovação de Suyin) e tem sido apontada como a líder interina do Reino da Terra. Esse papel lhe rendeu o título de "A Grande Unificadora", e ela aparece mobilizando seu exército de Dobradores de Metal para restabelecer o reino após a queda da Rainha da Terra.
 
Já no primeiro episódio da quarta temporada nos é dada uma ideia de como ela é merecedora de ter o referido título.  Kuvira detém um comboio e um grupo de bandidos, derrubando todos eles usando apenas pequenas placas de metal que estão ligados ao seu uniforme.
 
 
Seus métodos já nos levaram a acreditar que ela seria o próximo vilão da série. Esses "métodos" incluem a conquista do Reino da Terra, protegendo seus estados de bandidos em troca de sua lealdade. Ela explicou que os governos estaduais ainda vão exercer a autoridade, mas eles serão colocados sob a sua "supervisão".
 
Se você notar, Kuvira não é como qualquer outro vilão que já apareceu na animação. Ao contrário de Zaheer, que teve como objetivo fazer uma mudança no mundo através da anarquia (ou desordem), Kuvira tem uma grande paixão pela ordem e pela disciplina. Ela tem algum senso de humanidade dentro dela que carece aos vilões anteriores.
 
Em entrevista, os criadores de Legend of Korra, Michael Dante e Bryan Konietzko Dimartino, forneceram alguns dos princípios por trás da personagem de Kuvira. Eles mencionaram que não tinham se inspirado para a sua concepção em qualquer pessoa na história. Embora o mecanismo que ela usa para reorganizar a sociedade do Reino da Terra de alguma forma lembre algum tipo de ditadura, se você sabe um pouco sobre a história do mundo real. 
Eles apontaram que queriam que a história fosse o mais realista possível para que representassem Kuvira como uma personagem de muitas faces, uma ditadora militar temporária.
Um tema muito interessante e oportuno: Como eu já disse, o conservador não quer paralisar o progresso, ele apenas deseja selecionar o que serve e o que não serve para a sua sociedade. A intervenção militar em Avatar acabou por privar as liberdades. Assim como expliquei na minha postagem sobre o ano político de 2014, existe uma imensa diferença entre Intervenção Constitucional e Golpe de Estado. 
Interessante foi o seu discurso de posse, quando Kuvira tornou-se líder interino. Ela glorifica a República que conheceu nos seus tempos em Zaofu e ataca a Monarquia, chamando esta forma de governo de arcaica e atacando o seu período da história, nomeando-o como idade das trevas. Uma visão preconceituosa semelhante aquela dos Iluministas, que edificaram nossos livros de História do Ensino Médio, para definirem o certo período compreendido entre o final da Antiguidade e o início do Renascimento. 
Claro que existiram em nossa história muitas Monarquias justas, como foi aquela de Carlos Magno, que viria a tornar-se o pai da Europa. Admito isso embora não simpatize com esta forma de governo, mas também existiram terríveis períodos da história como a Dinastia Tudor do devasso Henrique VIII na Inglaterra. 
 
 
Um dos pontos principais abordados nesta postagem a destacar para chegarmos a sua conclusão é a usurpação das ideias dos pensadores críticos da sociedade. Os ditos revolucionários utilizam tais ideias fora do contexto e ainda conseguem fazer a cabeça dos antigos seguidores destas. 
O outro ponto é o diálogo presente entre Korra e Toph, no início da quarta temporada. A agora anciã "Bandida Cega" não condenou como um todo o pensamento dos inimigos da Avatar, mas condenou o maior erro que havia naquelas ideias: a falta de equilíbrio.
Equilíbrio este que dá nome a quarta temporada (Balance) e o qual carece na mente do "revolucionário".

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

FILOSOFANDO FRASES DE ANIMÊS

 
Ano Novo! Depois das farras, bebidas e comilanças de fim de ano, sempre bate uma pequena depressão pós-festas. Depressão esta que sinto quando preciso retornar ao blog. É sempre difícil escolher um assunto legal para colocar na primeira postagem do ano. Mas desta vez passei por cima do problema decidindo bem adiantado sobre o que eu falaria para inaugurar a Fase 2015 do Blog do Doutor Nerd. Nos últimos dois meses, passou pela minha cabeça uma ideia de escolher e debater frases e citações de animes e/ou mangás que eu conhecia. Então, reunir várias imagens com frases dos personagens destas grandes obras e falar sobre os seus significados, pareceu uma bela forma de se começar o ano.

O meu interesse sobre tais obras vem de uma experiência de longos anos e a minha vontade em vasculhar melhor este universo tão amplo de títulos, personagens e autores aumentou consideravelmente após conhecer muitas pessoas, mesmo estrangeiras, de gostos e conhecimentos semelhantes aos meus com relação a estas formas de entretenimento. Assim, percebi o quanto deste mundo eu já conhecia, o quão pouco era tudo o que eu sabia, e como era enorme a vontade de que eu tinha de descobrir mais.
 
Bem, então vamos filosofar sobre as frases de animês/mangás:
 
 
 
Naruto, sobretudo Naruto Shippuden, fala sobre "laços", e também sobre a importância de cultivá-los ao longo da nossa vida, além das suas implicações sobre o amor e o ódio.
Se você não vê esse ponto como o principal da trama, sinto informa-lo de que não sabe ver/ler Naruto, ou só curte por causa das lutas (o que não é condenável).
 
Orochimaru e Sarutobi eram os meus favoritos. Ambos tinham laços muito fortes um com o outro, mas as circunstâncias acabaram revelando uma fragilidade na relação que possuíam.
Sarutobi, o velho Terceiro Hokage, tinha Orochimaru não apenas como o seu pupilo nas artes ninjas, mas também como o seu sucessor e, de uma certa forma, como o seu filho.
Orochimaru decepcionou o seu mestre e os seus companheiros Jiraya e Tsunade, seguindo caminhos sombrios, mas acabou criando laços verdadeiros com todos eles. Nunca dizia isso com palavras, mas percebíamos por suas atitudes.
Inclina os olhos perante o corpo sem vida do mestre que ele próprio matou, da mesma forma que observava os prantos de Tsunade sob o cadáver de seu amado Dan, morto na guerra. Mostrava-se emudecido perante seus antigos companheiros e suas palavras de reprovação sobre seus atos, e ainda, ao fim da sua jornada, preferiu ser um mero espectador a ser a própria tempestade que transformaria o mundo ninja, quis ver até onde seu discípulo Uchiha Sasuke chegaria, sendo este agora os novos ventos da mudança.
Orochimaru parecia guardar uma pequena noção de honra, mas não compreendia porque Jiraya, seu maior rival, poderia insistir tanto e não ter desistido de trazê-lo de volta para o caminho do bem.
As mortes de Jiraya e Sarutobi provavelmente o fizeram finalmente enxergar a verdadeira essência daqueles laços.
Tsunade censura a atitude de Orochimaru. Se o "homem-cobra" não tivesse fugido da aldeia, Jiraya talvez poderia ter sobrevivido. Mas o sábio Orochimaru conclui que, se as coisas tivessem sido assim, Jiraya provavelmente não teria mudado tanto.
Não há nada quebrado que não possa ser reparado. Todos nós podemos mudar. Até mesmo Orochimaru!
 
 
 
Crona de Soul Eater é uma personagem dividida entre o medo e a insanidade. E precisamos compreender a grandiosidade deste tema, que é bem pesado para um animê/mangá Shonen.
Nesta obra, a insanidade é vista como algo negativo/errado, porém natural, normal aos seres humanos. O medo por outro lado não é uma coisa ruim, pois é ele quem nos coloca neste mundo.
A mensagem que Crona tem para nós é que devemos abraçar o nosso medo, aceita-lo, para assim podermos seguir em frente. O corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que o enfrenta. Afinal, a vida é feita de escolhas e devemos ser responsáveis pelos escolhas que fazemos, para o bem ou para o mal. Como bem diria Kenshin Himura: "Cada escolha que fazemos é uma pequena revolução".
 
 
 
De nada adianta querer voltar atrás, procurar por aquilo que já passou. O que já aconteceu, ficou no passado e por mais que você queira, por mais que insista, nunca conseguirá voltar para lá.
Agora comece a se concentrar nesta realidade e pense no que foi tudo aquilo que passou. Aquilo um dia também foi o presente, o que significa que o agora que você vive vai se tornar passado e em um futuro você irá lamentar por todo o tempo que perdeu insistindo em voltar para uma época que já não existia.
Então, antes que este presente se torne novamente passado, corra atrás, faça o seu próprio futuro com as suas própria forças. Projete o que você quer com o agora. O futuro pode ser uma caixinha de surpresas, mas é algo que apenas o que você fizer "agora" vai decidir se você estará ou não pronto para "depois".
E assim como o passado nunca volta, o futuro sempre chegará... Então é melhor que esteja pronto.
 
(A Renamon tá uma delicinha nessa foto... Opa... Continuando... )
 
 
 
Existe algo que mais cause preocupação e medo do que o desconhecido?
O desconhecido é a causa dos nossos medos e temores. Algo como uma escuridão que quer apagar para sempre o nosso último feixe de luz, de esperança.
Esta luz é a nossa sanidade, como um porto seguro, o único ponto entre a escuridão deste universo em que podemos nos sentirmos confortáveis. Mas até quando?
Temos tão pouca luz do conhecimento, luz de certezas, e o desconhecido possui oceanos de escuridão de ignorância e monstros que nem sabemos ao certo se existem.
Mas o que mais possui medo é o próprio medo. Nós não temos certeza do que vem mais adiante.
E o desconhecido, este tem a certeza do que somos capazes de fazer. Porque ele vê toda a nossa luz, toda a nossa capacidade, e o que resta a ele é apenas se esconder.
 
 
 
É bem oportuno o momento para meditarmos sobre esta citação de Ling Yao, de Fullmetal Alchemist.
Quem estuda com afinco a história percebe que o povo tende se revoltar contra os governos opressores, melhorando assim o seu modo de vida, e ainda com o passar das gerações, as pessoas se acostumam e acabam por ser dominadas por um novo sistema de governo opressor.

Tais revoltas acabam sendo lideradas muitas vezes por aproveitadores, mas talvez seja necessário para que o povo desperte da sua situação. São muitas as formas de revoluções que a humanidade já passou e não cabe a mim especifica-las, entretanto com o mínimo de conhecimento básico de escola se pode ter uma boa noção do que já passamos. E confirmamos também que estes líderes momentâneos foram os que ditaram os pilares dos novos governos opressores.

O povo desperta, derruba tiranos e criam os futuros opressores que irão governar os seus filhos.

Somos responsáveis pelos lideres que levantamos e o líder possui a face daqueles que os seguem. Todo o povo tem o líder que merece.
Vejam os exemplos dos protestos ocorridos recentemente no Brasil, que não foram à toa. O povo queria mudanças, líderes que fossem a sua voz. Infelizmente não foi bem o que aconteceu. Sim, ainda estou de luto pelo meu país.
Tempos difíceis estão por vir. Aqueles que não aprendem com os próprios erros do passado estão fadados a repeti-los.
Conhecer o passado é o segredo para levantarmos um rei que esteja pelo povo, e não o inverso.
 
 
 
Pelos menos até onde sabemos, os seres humanos são os únicos até hoje que ousaram questionar toda essa chamada autoridade do universo.
Não que sejamos especiais ou coisa assim, mas devemos aproveitar essa mísera chance que nos foi concedida para sabermos ao menos onde nós estamos, mesmo que com isto não cheguemos a lugar algum.
Somos seres pensantes, de tudo que o já foi criado no universo, somos aqueles privilegiados por podermos ver e observar tudo que existe. E, como parte também dessa criação maravilhosa, temos que preservar nossa vida e vislumbrar o máximo possível deste grande espetáculo em que estamos como espectadores.
O universo está pronto para nos dar as respostas que procuramos. Para quem tem a coragem de perguntar, tudo está ao seu alcance.
 
 
 
O que podemos dizer? A quais conclusões poderemos chegar por simplesmente esperarmos por alguém que venha nos salvar?
É típico do ser humano esperar, esperar por ajuda para as nossas dores. Mas a grande verdade é que a luta do bem e do mal se inicia dentro de nós mesmos.
A luta que vai decidir o nosso futuro está nas escolhas que podemos ter e também naquelas que escolhemos fazer.
Não há indícios, em toda a nossa obscuridade, em toda esta vastidão, de que vá chegar ajuda para nos salvar de nós próprios. Então, em quem devemos nos apoiar é em nós mesmos. Sejamos fortes, nunca temerosos, que sejamos pessoas boas e nos importemos uns com os outros.
 
 
 
Dragon Ball não é uma simples diversão despretensiosa. A obra de Akira Toriyama fala sobre superação, coragem e amadurecimento, principalmente relacionado a masculinidade. E o personagem Son Gohan, filho do herói Son Goku, é o verdadeiro protagonista da história se você se concentrar nestes detalhes.
 
Um dos personagens mais fascinantes desta série foi o Andróide 16, um robô construído a imagem e semelhança do único filho do cientista Dr. Gero, assassinado por um tiro de um soldado inimigo.
O propósito de sua criação era assassinar Goku. Mas todos os que conheceram o personagem o descrevem como uma pessoa agradável, gentil, e que amava a vida.
E agora você questiona: Ele era um andróide e amava a vida? Como isso pode acontecer? E a sua missão de matar Goku?
Vejam, eu acredito que todos nós de uma certa forma somos como o Andróide 16. Para começar, não nascemos para causar dor e mortes, mas para abraçar os familiares, fazer amigos, curtir a vida. Quando saímos para ver o mundo, dependendo das circunstâncias, podemos criar violência e até mesmo levar a morte. O Andróide 16 vê a mesma violência que vemos, quando ele foi se aventurando ao redor do mundo, junto dos Andróides 17 e 18 que a princípio só pensavam em matar e destruir. Todos os Andróides foram concebidos com a mesma missão de matar Goku, então tudo o que eles pensavam era a mesma coisa. Em sua jornada, no entanto, o Andróide 16 encarava a vida de forma diferente. Ele olha para cima e vê um pássaro, senta-se para acariciar um esquilo, contempla a luz do Sol, aprecia a brisa, e faz esses tipos de coisas na maior parte do tempo sorrindo. Mesmo quando a violência se faz presente, ele prefere curtir a natureza a assistir ao derramamento de sangue ou causa-lo.
Vê o mundo ao seu redor, e se torna apaixonado por ele. Ele percebe o quão bonita, calma e amorosa a vida é. Ama as plantas, o céu, os animais, tudo. E quando você ama o mundo, você não busca a violência para ele, mas protegê-lo.
 
Usando seus últimos momentos de vida, 16 estimulou o amadurecimento de Gohan, lembrando que ele deveria vencer o seu medo, seu receio, suas dúvidas na luta contra o Andróide mais poderoso, Cell. Naquele momento, lembrou ao garoto de que ele não estava cometendo nenhum crime por usar a sua força contra aquele grande mal, porque se você valoriza a vida, você deve protegê-la.
Nunca cause violência, mas se você tiver que lutar, nunca é um pecado lutar pela causa certa, se as palavras por si só não podem alcançar os corações corrompidos.
O Andróide 16 amava a vida e sacrificou-se por isso. Todos nós devemos ser gratos pela vida. Olhe ao seu redor, basta um olhar para ver como a vida é bela. Valorize o seu tempo aqui, como o Andróide 16, que mesmo nascido apenas para matar, olhou a sua volta e viu o quão bela é a vida, tornou-se gentil, amoroso, desejando proteger a tudo o que amava.
Talvez o Dr. Gero não esperasse por isso, mas ele deu a esta sua grande criação a aparência do seu filho amado. E pode ser que o amor dele para com a vida do seu filho tenha passado para a sua criação. O que é bem estranho de imaginar, conhecendo o que sabemos do cientista louco da Red Ribbon. 
Agora imagine-se agindo como o Andróide 16, as pessoas também vão adorar e amar você do mesmo jeito.
Se você ama a vida, você sempre vai viver intensamente para torná-la inesquecível. Todos nós devemos ser como o Andróide 16.
 
(O meu irmão que é apenas um ano mais velho do que eu era apelidado de Andróide 16 nos tempos de colégio, e de fato os dois são parecidos fisicamente.)
 
 
 
Frase original: "Você não deve me ter como muleta. Os homens devem desbravar o mundo por si mesmos. Em último caso, vocês tem as Esferas do Dragão para ajuda-los".
Eu modifiquei um pouco do texto original acima para dar mais sentido àquilo que importa na análise...
 
Envelhecer. Esta é uma palavra que, se fosse possível, certamente excluiríamos do nosso vocabulário. Diferente da nossa cultura ocidental, os orientais tem uma grande reverência para com os anciões.
Eu adoro os personagens idosos dos animês, eles são fascinantes e nos ensinam grandes lições com sua sabedoria e também estimulam as crianças a respeitarem os mais velhos.
Os "velhinhos" de Dragon Ball estão entre os meus favoritos. Vejam o que aprendemos com o Mestre Kame, o tutor de Son Goku, extremamente pervertido e malicioso: ele é praticamente imortal e prova que mesmo se todos nós homens pudéssemos ser eternos, dificilmente poderíamos compreender as mulheres.
Mas o meu favorito foi Kami Sama, o deus guardião da Terra, a metade bondosa e justa da alma de Piccolo Daimao. Ele é uma clara analogia ao Deus judaico-cristão, quer dizer, no seu papel, mais como um observador das ações dos homens.
 
Atenção, não é nenhuma crítica, apenas uma forma de interpretação, e não estou dizendo que o "homem-lesma" seria o criador do céu e da Terra. Sei que existem aqueles que não toleram em hipótese nenhuma que alguma outra entidade receba o nome "Deus".
 
Kami Sama, um alienígena de Namek, vivendo na Terra, deu aos humanos um grande tesouro, as 7 Esferas do Dragão que, quando reunidas, invocariam Sheng Long, o dragão mágico capaz de realizar qualquer desejo. E ele criou tal presente para estimular nos homens as boas ações e a bravura, mas não foi bem o que aconteceu, pois a maioria dos humanos mostraram-se mesquinhos e impuros.
Ao se encontrar com Goku, o mais puro dos homens, Kami Sama lhe deu um grandioso conselho que serve para todos nós: desbravar o mundo por si mesmo.
Nos dias de hoje, as pessoas transformaram "Deus" em uma espécie de Gênio da Lâmpada que vai atender todos os nossos desejos e estes ainda carregados de puro materialismo.
Deus, existindo ou não a tal vontade que comanda este universo, deve concordar com Kami Sama (Redundante?). Deve ser por isso que temos o chamado livre arbítrio.
 
(Este texto foi feito para cativar aqueles que acreditam ou não... Espero ter me saído bem...)
 
 

Continuando o que foi dito anteriormente, as pessoas da atualidade estão se acomodando. Acostumadas a pedir e esperar e os poucos que vão atrás do que querem tem uma vantagem enorme em relação aos que ficam parados.
Para muitos o gesto do pedir faz com eles se sintam úteis, mas isto está muito longe de ser verdade.
Temos forças para mover o mundo, somos capazes de grandes feitos, de coisas incríveis. Mas, por medo das nossas falhas ou por acomodação, não tentamos. A falta de vontade e o comportamento indolente são um grande risco para aqueles que querem viver neste mundo e não apenas sobreviver.
Superando todos os riscos, toda a dúvida, podemos dizer que somos humanos e que sabemos viver com coragem e dignidade. São muito raros aqueles que realmente vivem, todos querem, mas não tem a vontade suficiente para isto. Por outro lado, acredito que todos possuam a capacidade para tal.


Com o ano de 2015 começando, vamos pensar em nossas profissões, nossos trabalhos, ou, caso você ainda seja apenas estudante, pense na sua escola e reflita sobre algo chamado ÉTICA.
Nossa vida está sendo reduzida ao conflito com nossos semelhantes, em busca de prosperidade. Vejam nossas universidades que formam indivíduos que não serão nada éticos em suas profissões e que estão preocupados apenas com a rentabilidade que os seus empregos proporcionarão no futuro. É preciso rever nossos conceitos, nossos valores. Trabalhar com honestidade é o mais importante.
Ética também é algo que falta em muito para os nossos governantes com relação ao povo que passa a ser uma simples massa de manobra. A falta de informação e a ignorância são seríssimos problemas da sociedade civil.
Esses problemas podem ser resolvidos e nem precisam passar pela política. As soluções podem partir de cada um de nós e quem sabe, ainda que com muito sacrifício, sangue, suor e lágrimas, teremos o bem comum para todos nós. Eu acredito nisso.

 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O NATAL EM XENA: A PRINCESA GUERREIRA


Quem bem me conhece já pode atestar: eu sou um muito grande fã do Natal. E nesta época do ano, mesmo que eu tente mudar, ainda é impossível não ceder em realizar todo aquele conjunto de tradições do feriado. Há aquelas de sempre, é claro, como a decoração da árvore, mas também faço algumas de minha autoria.
 
Há também uma outra tradição que é seguida não apenas por mim, mas pela maioria das pessoas vidradas em seriados ou desenhos animados em geral (nerds/crianças de espírito), que é acompanhar a sempre bem vinda temporada de especiais de Natal todos os anos na TV.
Uma animação que passa praticamente todos os anos e a qual nunca perco é o Um Conto de Natal da Disney, com o Tio Patinhas, baseado na obra de mesmo nome do escritor Charles Dickens.

 
Poucos devem saber, mas o personagem Tio Patinhas foi baseado de fato na figura de Ebenezer Scrooge, o velho rico pouco simpático que protagoniza o conto de Charles Dickens. Talvez por essa razão o pato ranzinza que conhecemos como Tio Patinhas se chame Scrooge McDuck no original.

O Natal fica estranhamente vago na TV quando esta adaptação do famoso conto não é exibida. Mas para mim a época do Natal, caso você acompanhe a temporada de especiais na TV, também não fica completa sem uma visualização de A Solstice Carol, episódio natalino do seriado Xena: A princesa guerreira.
Vocês sabem, aquele onde Xena encontra o Papai Noel.
 
 
É isso mesmo! Eles conseguiram ter um episódio de Natal em um seriado cuja história se passa há pelo menos uns 1.200 anos antes que houvesse um Natal de fato.
E, sinceramente, pode parecer loucura, mas isso não escandaliza mais ninguém. Lembram-se dos Flintstones? Eles celebravam o Natal mesmo vivendo milhões de anos antes do nascimento de Cristo!
 
 
Mas em Xena a "liberdade poética" vai bem mais longe e a cronologia de muitos acontecimentos históricos é completamente ignorada, simplesmente para tornar a história ainda mais rica e interessante.
Quero dizer, este episódio de Natal vem bem no meio de uma temporada onde Xena se encontra com David (e consequentemente com Golias) e Júlio César, e que envolve também um episódio que somos transportados para a década de 1940, onde todo o elenco pode ser visto reencarnado para lutar contra os nazistas. Em outras palavras, há uma margem de erro cronológico tão grande aqui que eu tenho certeza que a única razão pela qual não termos visto Xena lutando contra o pirata Barba Negra foi porque os produtores já o estavam usando para um episódio de Jack of All Trades (estrelado por Bruce Campbell!) onde ele sequestrou Ben Franklin. E isso é bem insano se você considerar que Barba Negra morreu quando Franklin tinha apenas 12 anos.
Então, realmente, você pode ignorar a existência de alguém que se veste como o Papai Noel há um par de milênios antes de São Nicolau começar a depositar moedas em calçados infantis e de outros necessitados. E esta figura dá mais beleza ao episódio de Xena, sendo então indispensável.
 
A coisa toda começa quando Xena e sua ajudante Gabrielle chegam a uma cidade que, como tende a ser o caso das cidades em Xena: A princesa guerreira, está sendo governada por um senhor do mal e da guerra. Neste caso, o infrator é o rei Silvus:
 
 
Além de ser um razoável imitador de Angus Scrimm, Silvus está mais interessado em cobrar impostos abusivos de todo o povoado e ainda jogar na prisão aqueles que não podem pagar. Além do mais, ele odeia o feriado do Solstício!
 
Em outras palavras, ele é um avarento que odeia o tal feriado, e neste ponto, a 1 minuto e 21 segundos do episódio, você provavelmente já pode ver exatamente aonde isso vai dar. Mas enquanto a maioria dos seriados teria sido feliz se concentrando em uma trama, Xena teve 44 minutos mais comerciais para preencher, e por isso precisava de um pouco mais para alongar o especial. Assim, somos apresentados ao Bob Cratchit desta nossa versão do conto de Dickens, um funcionário bem-educado na corte de Silvus, chamado Senticles (O nome parece familiar?).
 
 
E ele, devidas as muitas semelhanças que poderão notar, vai eventualmente entrar no papel do Bom Velhinho desta história natalina. Mas eu estou já me adiantando.
 
O rei Silvus odeia a época do Solstício de tal forma que poderia facilmente tornar-se o equivalente grego de Burgermeister Meisterburger, e ele proibiu qualquer de todos os tipos de celebrações do feriado. Isso se torna claro quando Xena tem o seu chakram roubado, o que acaba por conduzi-la a um tipo de orfanato onde uma grande árvore de Solstício estava sendo decorada...
 
 
... Ainda há tempo para a princesa guerreira ver Senticles aparecer e anunciar que o orfanato vai ser fechado e os seus órfãos seriam expulso naquela mesma noite.
 
 
Ah, e também descobrimos que Senticles costumava ser um fabricante de brinquedos antes de Silvus proibir toda a diversão.
 
Então, vamos rever, neste momento, aos 4 minutos do episódio, antes mesmo de aparecerem os créditos de abertura, o que já temos:
  • Um avarento que precisa que alguém lhe mostre os seus erros.
  • Um orfanato na necessidade de ser salvo do mesmo.
  • O fabricante de brinquedos secreto cujo nome soa como "Santa Claus" ("Papai Noel").
Os sinais estão todos aqui. Claramente, Xena tem que salvar o Natal.
 
No espírito desta época do ano, Xena decide por não valer-se da sua tática usual de descer o cacete em todas as autoridades locais até fazer todos concordarem em curtir o feriado na paz. Ao invés disso, sua tática é mais elegante, com um plano construído em torno de invasão de domicílio, tortura psicológica, e drogas alucinógenas (!). Para isso, ela xereta um quarto que Silvus tinha trancado e descobre que ele odeia o Solstício porque foi quando a sua esposa Analia morreu, há 30 anos atrás, um pouco de informação que vem na forma de uma prática pintura no estilo medieval:
 
 
Enquanto isso, Gabrielle compra um burro. Acredite ou não, isso vai ser realmente importante mais a frente.
 
Assim, no verdadeiro estilo de Dickens - apenas com o acréscimo real de órfãos - Xena começa com o seu plano, no qual, da mesma forma que acontece com Ebenezer Scrooge no conto original, o rei Silvus será visitado pelos fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro, mas aqui substituídos pelos Três Destinos, as Parcas da mitologia grega que regem os destinos dos mortais. O primeiro é Clotho, interpretado pela própria Xena.
 
Curiosamente, Xena deu uma aparência no melhor estilo mil e uma noites a sua personagem. E essa é para quem só conhece Clotho agora por causa desta ser uma das chefes no grandioso game God of War II.
Neste game, Clotho é um tremendo jaburu, daquele tipo que faria você querer arrancar os próprios olhos se algum dia a conhecesse pessoalmente.
Agora, caso Clotho fosse parecida com a Lucy Lawless... Ô, lá em casa!
 
 
"Clotho" então conduz o velho rei ao "passado", que neste caso é uma sala empoeirada onde Gabrielle está pendurada no teto por uma corda e disfarçada como Analia.
Mas Xena e Gabrielle pensavam que a esposa do rei havia morrido, quando na verdade ela simplesmente o abandonara.
 
Neste ponto, acredito que qualquer um já estaria inclinado a se perguntar por que Silvus não se tocou logo de cara de que aquilo tudo não passava de uma encanação e ainda das mais bisonhas possíveis. Mas vamos ser honestos, no mundo de Xena: A princesa guerreira, na verdade é perfeitamente provável que a personificação de um conceito abstrato iria aparecer do nada e ainda proferindo as mais duvidosas proclamações. Sim, é essencialmente o Princípio da Navalha de Occam por meio de programas de aventura sindicalizados.
 
O próximo Destino a fazer a sua cena é Lachesis, representante do "presente". Para este papel, Xena usa roupas comuns e leva Silvus ao orfanato para ver o que as pessoas realmente pensam ao seu respeito. E, por outro lado, Gabrielle, indo a procura de Senticles, encontrasse em um quarto cheio de bonecas que sobraram do tempo em que o atual escrivão do rei ainda era um fabricante de brinquedos.
 
 
Gabrielle encontra uma pequena ovelha esculpida que era o seu brinquedo favorito do tempo em que ainda era uma criança. Ela então sugere a Senticles que eles levem todos aqueles brinquedos para o orfanato, para que as crianças pudessem ter algo para brincar, isso sem dúvida alegraria o Solstício de todos os pequeninos.
 
Apesar das afirmações de que ele não é um herói e o seu medo enfático de acabar parando na prisão, Senticles acaba sendo convencido pelo "discurso motivacional" de Gabrielle e concorda em fazer aquela boa ação, mas não antes de descolar um belo disfarce. E nada melhor do que uma grande barba branca falsa e roupas de inverno nas cores vermelha e branca, com direito a gorro e, é claro, um grande saco para que eles pudessem guardar todos os brinquedos para depois serem distribuídos entre os órfãos.
Ah, Gabrielle sabe mesmo ser inspiradora.
 
Aqui é quando o especial fica ainda mais divertido e a nostalgia torna-se ainda mais forte.
Aproveito este momento do episódio para recordar de uma certa música chamada "Which one is the real Santa Claus?", uma das minhas canções favoritas deste tipo de atração, além de ser vibrante e combinar com o clima do especial natalino de Xena.
Aqueles que sabem do que se trata podem lembrar da canção em certo especial de Natal dos Flintstones produzido em 1977, mas a maioria das pessoas podem não saber que a mesma música foi ao ar pela primeira vez em 1971 durante o especial A Christmas Story, uma outra animação especial para o Natal destes também dos estúdios Hanna-Barbera.
 
                             

Infelizmente, quando Gabrielle e Senticles chegam ao orfanato, a guarda da cidade já havia chegado para expulsar toda aquela pobre gente e ainda certificaram-se de cercar todo o local.
Como resultado, Senticles precisa esgueirar-se por meio de - como você já poderia esperar - uma chaminé.
Neste ponto, é hora de uma cena de luta, o que não pode faltar em absolutamente nenhum episódio deste seriado. Mas como Xena ainda quer preservar o espírito da não-violência deste feriado, os produtores optaram por fazer a batalha com brinquedos:
 
                               

Batalha épica! E usar os enfeites da árvore como shurikens foi uma boa sacada.
 
De qualquer forma, essa tática funcionou bem, mas infelizmente Silvus permanece firmemente nas suas convicções egoístas, até que ele finalmente fica cara a cara com o último Destino a visita-lo naquele noite, que acaba por ser a matriarca do orfanato, e ela por sua vez revela ser ninguém menos do que Analia, a sua ex-esposa. Assim, o avarento rei decide mudar sua vida para melhor, se reencontrando com o seu amor perdido, o orfanato é salvo, e Senticles começa a entregar brinquedos a todos.
 
Um episódio memorável, com muita loucura e diversão para animar o feriado, mas você se engana se acha que é aqui que esta história  termina. Na verdade, antes dos créditos finais, Xena e Gabrielle ainda se encontram com  algumas pessoas amigáveis:
 
 
Sim, são eles. Maria, José e seu bebê recém-nascido Jesus, que inclusive nasceu durante um episódio de Hercules: The Legendary Journeys, que foi ao ar no mesmo dia em que Kevin Sorbo levou os Três Reis Magos até a manjedoura. Sério. Foi o que aconteceu nesses episódios.
 
Então, em um ato de caridade, Gabrielle entrega o burro que comprara a nova mamãe, o que significa que em um dia, Xena conheceu Papai Noel, Jesus e o velho Scrooge dos contos de Dickens. E você pensando que só o Snoopy sabia sobre o verdadeiro significado do Natal...
 
É isso, meus amigos. Feliz Natal e Boas Festas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FESTAS DE FIM DE ANO E OS ESPECIAIS DE NATAL

 
Sempre que o fim de ano vem chegando, eu digo o quão especial esta época é para mim.
O sentimento de dar adeus ao velho e a certeza de que um ano novinho em folha vem aí, sem falar dos muitos desafios e experiências novas que aguardam por todos nós.
E, é claro, tem também o Natal, época tão querida da qual guardo as minhas melhores recordações. E felizmente eu tenho boas recordações.
Todo o programa que planejo durante esta época sempre trás aquele ar de nostalgia.
 
                                   

Nada melhor do que o novo convivendo com o clássico. Isso sim é cultura.
A Garnet tá demais nesse vídeo acima. Ela é a melhor dos Jewelpets.
Ah, Garnet. Ah, anos 80.
Eu curto a Garnet. O que foi? Vai encarar?
 
Bem, mas eu escolhi fazer um Especial de Natal diferente.
Aqui eu decidi analisar dois "episódios natalinos" de duas animações, uma ocidental e uma oriental, que fogem um pouco do padrão dos demais especiais da época. E aqui vocês perceberão o poder da suposta "magia do Natal" que pode contagiar as mais diferentes culturas. 
 
 
My Little Pony: Friendship is Magic veio para conquistar o mundo inteiro. Cerca de dois anos atrás, a turma da musa nerd Twilight Sparkle apresentou, no décimo primeiro episódio da segunda temporada desta animação, as suas tradicionais celebrações natalinas ou, como diriam os pôneis, "Hearth’s Warming Eve", que também é o título deste episódio, um trocadilho entre Hearth (lareira) e Heart (coração).
Este é um grande exemplo de um tipo incomum de episódio de Natal. Como Equestria não tem relação com a Terra, o seu festival do solstício é um pouco diferente. É um feriado em homenagem à fundação da sua terra e a amizade entre os diferentes subtipos de pôneis. É claramente um feriado de Natal, completo com guirlandas, fitas, sinos e uma história de muito tempo atrás.
 
Para quem sempre acompanhou esta série, já ficou muito claro que os pôneis tem seus próprios feriados de Halloween e Natal, embora não tenham as mesmas origens que os nossos. Claro, afinal eles vivem em um mundo de cultura diferente, mesmo com significados similares.
Pense em algo como Star Wars Holiday Special (na verdade, não pense muito sobre isso) ou ainda o episódio de Natal de Xena: A princesa guerreira. É mais ou menos por aí.
 
Na trama principal deste episódio, as personagens estão estrelando, em um concurso de férias em Canterlot, uma peça que dramatiza a história da fundação de Equestria. A maior parte do episódio é essa história-dentro-da-história, dramatizando a lenda dos líderes originais dos clãs Unicórnio, Pegasus e Terrestres, o que por sinal é bem legal. 

Aparentemente, antes da existência de Equestria e da chegada de Celestia (e Luna), pôneis de diferentes tipos não se davam bem. Os unicórnios eram responsáveis por controlar o dia e a noite, os pegasus controlavam o tempo, e os pôneis terrestres trabalhavam nas terras e forneciam alimentos como tributos aos outros dois clãs, como faziam os camponeses à realeza.
As coisas funcionaram bem do jeito que estavam por muitas gerações, até que uma nevasca interminável caiu sobre a terra e reduziu drasticamente a oferta de alimentos. E com isto os três clãs reagiram da maneira tradicional, culpando um ao outro.
 
 
Assim esta história fala sobre como as diferenças entre os clãs quase destruíram Equestria antes mesmo do seu início, mas depois a amizade salva o dia. O calor de sua amizade que nasce quando as personagens, em meio as suas dificuldades, finalmente decidem aceitar as suas diferenças e que, acima de tudo, todas são pôneis. Isto afasta os Windigos, criaturas malignas do gelo que se alimentam de ódio e que chegaram perto de concluírem com a morte de todos os pôneis em um inverno sem fim.
Esse tipo de amor nesta história sobre "amizade" é um clássico dos especiais desta época de festas. Aqui também temos a chegada do inverno e ligação das pessoas com a saúde da terra. É realmente um especial de solstício.
 
 
No pequeno subenredo, vemos Fluttershy, cativante como sempre, com medo do palco, e todas as personagens exagerando nas suas personalidades normais já marcantes para os seus papéis no concurso, resultando em cenas absurdas e também engraçadas.
O episódio termina com o acendimento de uma lareira tradicional, acompanhado por "coros natalinos". A canção é bonita, mesmo não sendo uma das melhores músicas de MLP:FiM, na minha opinião.
 
No fim, a mensagem que este episódio nos passa é bem clara. Afinal, qual é o sentido do Natal se não o compartilhar, o doar e receber, do mesmo modo que mostra a fábula sobre a Chama da Amizade? Mais do que presentes, é a data que nos lembra da importância de repartir a compreensão e a boa vontade.
 
Um dos detalhes mais apaixonantes em MLP: FiM é como o mundo das pôneis e o nosso se correlacionam e ainda sem cair em típicos clichês.
Os sentimentos mais valorizados tanto no mundo dos pôneis quanto no nosso nos fazem recordar do principal lema do fandom brony: “Amor e Tolerância.”

Eu gostei deste episódio, é bonito, ainda que não seja um dos melhores da série. Mas isso é porque o desenho é mesmo incrível. É um pouco de diversão de meia hora e um divertido mimo de férias.
 
 
Agora vou falar sobre um episódio com uma temática natalina em um animê. Embora a questão do Natal não tenha sido o principal elemento da trama, ele trás uma interessante reflexão.
E aqui também analisamos uma obra mais voltada para a realidade que é o animê Ghost Hunt. Bem, quando falo de realidade estou dizendo isso fazendo uma comparação direta com o desenho dos pôneis multicoloridos que analisei anteriormente.
Afinal, Ghost Hunt é pura ficção com jovens que caçam fenômenos paranormais e fantasmas. Mas nenhuma comparação entre eles e "aquelas crianças enxeridas e aquele cachorro" de Hanna-Barbera, ok. 
O "realismo" de Ghost Hunt é exclusivamente pelo fato de sua história se passar em um mundo exatamente como o nosso.
 
O Natal em Ghost Hunt começa como provavelmente se inicia o Natal para muitas pessoas: pendurando enfeites em uma bela árvore e vagamente se perguntando por que eles estão comemorando o feriado em primeiro lugar.
 
A cena começa com Mai colocando uma árvore de Natal no Centro de Pesquisa Psíquica de Shibuya quando Naru, o chefe daquele instituto entra, olhando fixamente para ela, e lhe pede que a desmonte, porque ele não poderia ter algo tão colorido e alegre como uma árvore de Natal em sua presença. 
A psíquica Masako entra em cena e simplesmente ama aquela árvore. Então Houshou, um monge Budista, e Ayako, uma Miko, isto é, uma sacerdotisa Xintoísta, seguem o grupo e  eles também curtem muito toda aquela decoração e, por fim, o mal humorado Naru decide não brigar mais com eles, mas permanece com um típico olhar aborrecido.
 
Então Houshou e Ayako começam a se perguntarem:
 
Ayoko: "Você é um monge, e você comemora o Natal?"
 
Houshou: "E você? Você é uma sacerdotisa, certo? "
 
Antes de continuar com a análise, quero falar que gosto bastante do estilo e personalidades dos protagonistas de Ghost Hunt, que são únicas, e isto tornou este animê uma das maiores surpresas que eu tive o prazer de assistir. Ainda mais que sou muito fã de histórias de terror e suspense.
 
Houshou Takigawa é o monge Budista mais cabeludo de que tem notícia. E ele foge de todos os estereótipos, sendo um cara bem divertido, que gosta de contar piadas e provocar as garotas, e ainda toca baixo muito bem.
 
Ayako Matsuzaki é a figura materna do grupo de protagonistas. Assim como minha amada Rei Hino de Sailor Moon, é uma miko, mas devido ao fato de ser a mulher mais velha da turma e os seus modos, que fazem muitos duvidarem de que ela realmente seja uma donzela, acaba sendo o principal alvo das piadinhas de Houshou, que normalmente apanha depois.
 
John Brown é um padre Católico australiano dono do sotaque mais bizarro de todos os tempos. É o bom moço do grupo e também o mais compreensivo.
 
Ainda temos Masako Hara, a médium/psíquica famosa na TV, que pode ver espíritos e descobrir a sua natureza. É a típica japonesa belíssima, mas que pode parecer um tanto assustadora as vezes.
 
Mai Taniyama é a personagem principal, uma menina otimista, animada e esforçada, responsável pela maior parte dos momentos cômicos da série. É o típico exemplo de protagonista fácil de se gostar e ela divide o estrelato na série como Kazuya Shibuya, apelidado por ela mesma de Naru (que vem da palavra em inglês para narcisista). Ele é o líder do Instituto de Pesquisas Psiquicas Shibuya, inteligente, mas arrogante à primeira vista. Mesmo assim, bem lá no fundo é um cara legal. Ele é um investigador muito competente e muita vezes é aquele que tira os companheiros de enrascadas.
Não podemos nos esquecer também de Koujo Lin, assistente principal de Kazuya e também o seu guardião. Ele tem um pequeno papel de destaque neste especial.

Legal é ver como os membros do instituto são tão diferentes, seja na personalidade, no sendo de humor, ou na forma como enxergam o mundo, e se dão tão bem, quase como se fossem membros de uma mesma adorável família. É, parece que depois de falar de MLP:FiM, ainda sou obrigado a falar de amizade, tolerância e amor. Será que isso vai abalar a minha fama de mau?
 
 
Mas vamos voltar ao assunto dos episódios natalinos.
Depois daquele momento de descontração com as decorações de Natal, o padre John Brown chega e diz aos seus companheiros que agora eles têm um caso para resolver em uma igreja, e todo mundo fica muito animado, porque afinal Natal definitivamente precisa envolver de alguma forma uma igreja, mas ninguém está realmente certo do porquê.
 
E o que se seguiu aqui é provavelmente o único especial de Natal que eu já vi envolvendo coisas como possessões e exorcismos. Também há uma história muito triste, mas emocionante sobre um órfão que congelou até a morte e brincava de esconde-esconde como um fantasma até que alguém encontrou o seu corpo.
A segunda parte desta história termina com a turma toda indo para uma festa de Natal, porque em momentos como este você precisa ter uma festa de Natal, certo?
 
Ah. Ele está aqui!
Este especial de Ghost Hunt nos faz pensar sobre as muitas razões pelas quais as pessoas celebram o Natal, Cristãos e não-Cristãos.
 
Para muitos, o Natal é sobre a família. Trata-se de ver a família, comer com a família, e dirigir centenas de quilômetros para estar com a família. Para alguns, trata-se de decorações, presentes e "batalhas em um shopping center". Para outros, é sobre solidão e uma lembrança de algo que perdeu ou nunca teve, em primeiro lugar.
 
Para mim, o significado do Natal mudou ao longo dos anos. Quando eu era pequeno, o Natal era em tudo extremamente especial. Foi um momento especial em que todas aquelas decorações tinham um significado especial. Tinhamos visitas especiais, comidas especiais, viagens especiais, um serviço especial que minha mãe fazia com a igreja e as Irmãs de Caridade para a comunidade carente. Tudo era especial... e depois ainda havia os presentes.
 
Quando fiquei mais velho, o Natal era sobre ter uma pausa e fazer as coisas com a família. Eu não tinha que ir a escola e eu passava esse tempo com minha família e tínhamos muitas visitas. E então... vinham os presentes. 
 
Depois que eu passei dos meus 18 anos, o significado provavelmente teve uma mudança ainda mais radical. Para os Cristãos, o Natal é usado para comemorar o nascimento de Cristo.
 
Para mim, quando você comemora o aniversário de alguém, como um amigo ou parente, você está dizendo para a pessoa: "Eu estou feliz por você nascer e eu aprecio a sua existência".
Minha mãe sempre teve orgulho das suas origens humildes e ama a sua fé Católica. Ela é solidária e detentora de uma fé inabalável (coisa que sempre me impressionou), e a figura de Cristo sempre foi muito importante para a sua vida. Após a doença de meu pai, nós ficamos ainda mais próximos e passei a compreender melhor o que ela realmente sentia em suas crenças. Sou um cético e isso não escondo, mas ainda assim não sou nenhum cego ou insensível, caso fosse poderia me considerar morto por dentro.

Natal é uma época em que podemos dizer obrigado. É uma oportunidade para parar e, especificamente, celebrar a nossa união, com todos os nossos amigos e família, e ainda recordar daqueles momentos divertidos que sempre e inexplicavelmente acontecem durante as festas de fim de ano.
 
E... é claro... ainda tem os presentes... 
 
                             

Engraçado, mas esta nostálgica e bela melodia sempre me faz recordar desta época de Natal...
Bom, ficamos por aqui, mas logo eu já volto com mais especiais de Fim de Ano.
Até logo!

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