domingo, 2 de novembro de 2014

CENAS DE MORTES INESQUECÍVEIS DOS ANIMÊS

 
2014 foi um ano de muitas perdas.
Foram perdas na literatura, no cinema, no humor, no esporte, na música e até na política.
E sendo hoje 2 de Novembro, o dia de Finados, preparei uma postagem, na forma de mais um TOP, sobre as grandes e inesquecíveis cenas de mortes dos animês.
A morte é algo muito presente nos animês e mangás. E algumas delas chocaram, repercutiram, foram tão comentadas, tão tristes ou até mesmo tão bonitas que ficaram marcadas para sempre na lembrança de todos aqueles que as acompanharam.
Morte dentro de qualquer animê é sempre triste, no entanto muitas vezes os personagens entregam as suas vidas por algo maior, guiados por sentimentos como o amor e a esperança. Lembramos aqui também dos animês onde ocorreram combates brutais e os personagens, jovens em sua maioria, que lutaram por toda a humanidade e nos foram apresentados como indivíduos capazes de se martirizarem e se sacrificarem pela amizade. Sem dúvidas algo capaz de comover o coração.
Vamos agora recordar de algumas das mais marcantes mortes vistas nos animês.



11º Lugar
Wizardmon (Digimon Adventure)

Começando com a cena da morte de Wizardmon, personagem do animê Digimon Adventure, série muito conhecida pelo grande público que acompanhou os bons tempos da explosão das animações japonesas na TV aberta.
Esta foi uma cena que chocou muito ao público, pois a morte do personagem foi realmente inesperada, além da maneira repentina como ela ocorreu. Um momento inesquecível, além de ter sido capaz de arrancar lágrimas de muitas crianças e adultos que acompanharam a série.
Digimon é uma franquia que surpreende, com muitas nuances interessantes em seu roteiro, sendo também a prova de que não é por um animê ser infantil que ele é ruim.
A princípio, Wizardmon fazia parte do grupo de Digimons que serviam ao vilão Myotismon, assim como a sua companheira de batalhas e amiga de longa data Tailmon, e a sua missão era descobrir o paradeiro da Oitava Criança.
Quando da invasão do Japão, Wizardmon encontrou o oitavo Digivice e descobriu que Kari era a tal Oitava Criança que se tornaria um dos Digiescolhidos, mas como o companheiro Digimon da menina seria a sua amiga Tailmon, decidiu protegê-los, e tal atitude acabou custando-lhe a vida. Ele pereceu pelo poder de Myotismon ao proteger Tailmon e Kari do ataque do vilão. Extremamente triste foi a cena com que Tailmon chora perante o corpo despedaçado do seu amigo. A carinha triste da pequena Digimon e sua voz chorosa mexeram com as emoções dos espectadores. Ela estava muito arrependida por ter envolvido Wizardmon nisso, mas seu amigo sorri e diz que não se importa e ainda agradece por ter conhecido Tailmon, aquela pessoa especial que foi capaz de dar um sentido à sua vida. E para completar a cena, Tailmon digivolve pela primeira vez tornando-se Angewomon e derrotando o vampirão Myotismon com os seus novos poderes.
Tailmon era bem fofa na forma de gato, e quando digivolve vira um mulherão. Wizardmon era um personagem bem bacana e fazia um casal diferente, porém legal, com a gatinha. Embora eles nunca tenham dito isso abertamente, muitos fãs viam que o relacionamento deles era bem mais do que uma amizade.
Ah, hormônios.

                                       
                         


 
10º Lugar
Camus de Aquário (Cavaleiros do Zodíaco)

A batalha mais emocionante que aconteceu na saga das 12 Casas do Santuário em Cavaleiros do Zodíaco também foi aquela que terminou com a morte mais triste de todo o animê.
Camus de Aquário dedicou a sua vida ao desenvolvimento do seu discípulo Hyoga de Cisne. Apesar de parecer um homem frio, em todos os sentidos, e impiedoso, Camus era uma alma bondosa.
Quando conheceu Hyoga, o cavaleiro de Aquário já havia alertado ao jovem que, para sobreviver às batalhas, deveria tornar-se tão frio quanto as geleiras eternas da Sibéria.
Camus tinha um comportamento ambíguo para com aquela batalha. Defendia a sua casa zodiacal, mas parecia não dar importância aos eventos que estremeciam o Santuário.
Ele foi muito mais do que um mestre para Hyoga, foi um verdadeiro pai. Na luta final entre os dois na casa de Aquário, Hyoga consegue finalmente despertar o 7º Sentido e o Zero Absoluto, reproduzindo a técnica definitiva de seu mestre, a "Execução Aurora". E, em uma das cenas mais dramáticas de toda a história do animê, após os golpes de ambos colidirem e tudo ficar branco, Camus felicita o seu discípulo por superar a sua última lição e morre após confessar a sua tristeza por ter lutado do lado errado durante tanto tempo, manipulado pelo Grande Patriarca, e por não poder acompanhar o crescimento de Hyoga a partir de agora.
Ele parecia predestinado a morrer naquele lugar, deixou um grande legado e importância para a história, além do mistério sobre suas verdadeiras intenções e objetivos para com o Santuário.

                                     




9º Lugar
Portgas D. Ace e Barba Branca (One Piece)

A saga da guerra em Marineford, em One Piece, foi surpreendente e rendeu acontecimentos e revelações inesperadas. Aqui ficamos sabendo, antes que fosse aplicada a sua execução por seus supostos crimes, que o pirata Portgas D. Ace era irmão de criação de Monkey D. Luffy e seu pai verdadeiro era ninguém menos do que o rei dos piratas Gol D. Roger.
Toneladas de tripulações piratas foram ao resgate do jovem, e toneladas deles morreram tentando faze-lo. Todos eles fizeram isso por amor a ele, voluntariamente. A parte mais triste é que eles conseguiram, e Ace estava tão feliz e juntamente com Luffy e os irmãos de consideração fizeram uma luta incrível para fugirem a salvos daquele lugar. Estavam todos comemorando, e o público que assistia vibrava. E então, de repente, Ace morre protegendo o seu irmão do ataque do Almirante Akainu.
A reação de Luffy foi simplesmente devastadora. Ace tinha acabado de ser salvo e poderia ter ido embora, mas aconteceu tamanha e inesperada fatalidade. E o choque foi tão grande para Luffy que o coitado quase enlouqueceu. 
Ace era o personagem mais sofrido de toda a história de One Piece, odiado e desprezado por todos por ter o sangue de Roger em suas veias, isso até conhecer Luffy, Barba Branca e todos os piratas que o admiravam e não o odiavam por causa da sua origem. Foi na hora da sua morte que Ace finalmente pode perceber o quão bom foi viver. Muito triste, mas também muito bela a morte do jovem que sentia-se tão deslocado do mundo que até mesmo tinha dúvida de que se realmente fora uma coisa boa ter nascido.

                                      

Eichiro Oda, criador do mangá mais vendido da história, era acusado de não gostar de matar os seus personagens, o que era realmente verdade. Mesmo em meio a batalhas tão violentas, ninguém nunca morria em One Piece. As mortes só aconteciam em flashbacks e fora destes a impressão que tínhamos era que a morte não existia de fato no mundo de One Piece.
Mas aí acontece essa saga da guerra em Marineford, e o Oda matou o Ace, um dos personagens mais queridos pelos fãs, e o Barba Branca, um importantíssimo personagem para a história do mangá, que, quando estávamos ainda o conhecendo e gostando de fato dele, acabou tendo uma das mortes mais surpreendentes de todos os animês/mangás.
Conhecido como o pirata mais forte do mundo, Edward Newgate, o Barba Branca, liderou seu grupo pirata e centenas de outras tripulações piratas vindas do Novo Mundo para resgatar Ace, o filho do seu maior rival e ironicamente amigo, Gol D. Roger.
Em meio a guerra, ele é traído e ferido mortalmente, mas continua lutando. Recebe espadadas, machadadas, tem sua cabeça partida ao meio (!) e até leva vários tiros de canhão no peito, mas mesmo assim não cai em nenhum momento.
Só quando é atacado por seu antigo aliado, o Barba Negra, este agora com a sua própria tripulação, que acaba sendo morto, mas ele não cai, terminando por morrer de pé, sem nenhum ferimento em suas costas, já que em momento algum retrocedera em batalha.
O Barba Branca era o mais poderoso de todos os piratas e o mais capacitado para encontrar o lendário tesouro que dá nome a série, mas não estava interessado nisso. Ele só queria ter uma família, que no caso foi a sua tripulação.

                                        



 
8º Lugar
Kamina (Tengen Toppa Gurren Lagann)

Gurren Lagann! Quando o vi pela primeira vez, já o considerei o melhor animê mecha que já havia assistido.
Gurren Lagann é excelente. Tem uma história maravilhosa, personagens sensacionais e uma animação fodônica! E o que poderia ser mais ousado do que o atrevimento do autor ao matar Kamina, um dos mais legais personagens de animês de todos os tempos, já no oitavo episódio da animação?
A morte de Kamina certamente era esperada, mas a maneira como ele morreu foi muito merecida para um homem da sua estatura. Foi uma cena totalmente ÉPICA.
Tendo tomado um golpe fatal do inimigo e ainda sob ataque, teve forças suficientes para lançar um ataque final contra seus adversários, enquanto sussurrava palavras de adeus para os seus amigos.
Ao ver isso senti minhas lágrimas VIRÍS, algo que não tinha feito desde que vi Hokuto no Ken pela primeira vez. Kamina foi um grande homem e que ensinou que o mais importante é que você tenha fé na sua capacidade. Acreditar em si mesmo foi o último conselho que ele deu a Simon. E esse aconselhamento vai fazer Simon avançar e tornar-se um grande homem como Kamina.
Um personagem que prova que as pessoas morrem apenas quando são esquecidas. Embora ele tenha morrido, viverá para sempre dentro dos nossos corações.
Kamina, um dos maiores homens dos animês!

                                     



 
7º Lugar
Rosette e Chrno (Chrno Crusade)

Um animê que será para sempre lembrado, marcante em todos os sentidos, esse foi Chrono Crusade. Rosette Christopher, a heroína desta história, uma freira muito animada e enérgica, uma exorcista e membro da Ordem de Madalena. Embora seu trabalho seja lidar com o sombrio, lutando contra demônios, Rosette é uma presença contínua de luminosidade, graças a sua personalidade espirituosa. 
Estranhamente, Rosette está vinculada ao demônio Chrno que tem o dever de ajuda-la em suas missões. Devido à ligação entre Rosette e Chrno, o animê nos conduz ao triste e inevitável fim que a eles está reservado. Afinal Chrno só pode usar seu poder sacrificando os anos da vida de Rosette.
O que corta o coração de qualquer um que acompanhou a saga em busca de redenção da freira e do demônio, outrora inimigos e agora amigos inseparáveis, é a sensação do medo e da perda inevitáveis que os acompanha. 
Em um momento de muita tristeza, a jovem Rosette expressa que ela não está realmente pronta para morrer. É realmente tocante a fragilidade de ambos os personagens e os sentimentos que tinham um pelo outro. Uma das finalizações de animê mais bem feitas, emocionantes e bonitas que já foram escritas. E o pior é que você sabe que vai acontecer, você aceita que vai acontecer, você entende que vai acontecer. 
Morte aceita, morte anunciada, morte triste. Esta é provavelmente a melhor finalização que criaram para personagens de animê até hoje. Muita comoção e reflexão sobre a condição humana e o sentido da vida.

                                     



 
6º Lugar
Piccolo e Kami-Sama (Dragon Ball Z)

Piccolo Daimao é o personagem com o conceito mais legal de todo animê/mangá Dragon Ball.
Assim como grande parte dos personagens da série, é um alienígena. Sua raça, Namekuseijin, é composta por seres inteiramente puros e castos, sendo assexuados, nascem sem qualquer tipo de contato carnal. Possuem grandiosos poderes, sendo os criadores das famosas Esferas do Dragão.
Piccolo é um ser demoníaco e ao mesmo tempo celestial, já que ele é a face má, uma verdadeira antítese de "Deus", e a sua origem parece ter alguma relação com a Trindade. No fim, ele assumiu ser apenas uma manifestação de uma força celeste, afinal ele veio do céu, do espaço sideral.
Quando Kami-Sama livrou-se da sua parte maligna, uma pequena gota de maldade de seu coração, para poder tornar-se o guardião da Terra, aquela essência do mal tornou-se Piccolo, cheio de ódio para com toda a humanidade, e assim ele cometeu uma série de crimes hediondos contra a raça humana.
Ao final da sua primeira vida, Piccolo deixou um ovo do qual nasceu o seu filho, aquele que nós melhor conhecemos e que herdou de seu pai, além de grandiosos poderes, o seu espírito. E mais a frente na história, após retornar ao céu, na Plataforma Celeste, voltou a ser um só com "Deus", isto é, Kami-Sama.
Mas o momento da sua vida que quero destacar aqui é a forma inesperada com a qual encontrou a sua morte na saga dos Saiyajins. Piccolo Daimao, a reencarnação do mal, entregou a sua vida para proteger uma criança, o filho do seu maior inimigo.
O Namekuseijin nos mostrou que a paternidade vai muito mais além do que simplesmente colocar um filho no mundo. Apesar de todas as surras que diariamente aplicava no coitado do Gohan, realmente se importava com o garoto, a única pessoa que se afeiçoou a ele e o considerou um amigo de verdade. Aqui também descobrimos que a solidão talvez fosse o maior martírio de Piccolo e aquela criança preenchera um grande vazio no seu peito. Gohan era uma criança pura, no sentido mais profundo da palavra, sem quaisquer tipos de preconceitos para com o diferente.
Nem mesmo Kami-Sama esperava que um dia ambos teriam uma morte assim, ele próprio proferiu que o Rei do Mal morrer para salvar uma criança era algo inadmissível. E o guardião da Terra também morreu (por manterem ligações espirituais) admitindo estar muito orgulhoso do que Piccolo havia se tornado, seu poder e personalidade.
 
                                      



 
5º Lugar
Nephrite (Sailor Moon)

Sailor Moon é muito bem lembrado por sua grande carga romântica e a comédia escrachada que todos nós amamos, típica dos animês. Mas essa obra também tinha muitos momentos dramáticos memoráveis. E para este especial eu tinha certeza que colocaria algo de Sailor Moon. Poderia ser a morte das Sailor Senshis na primeira fase da animação ou na batalha contra a vilã toda-poderosa Galáxia. Mas em ambos os casos, não demorou muito para vermos as personagens revividas novamente, por isso acredito que nenhuma morte teve tanto impacto em Sailor Moon quanto a morte do outrora vilão a serviço do Negaverso, Nephrite, que aliás é um personagem bem mais legal e interessante no animê do que no mangá.
Ele não é o primeiro caso de um vilão que morre ao tentar redimir-se, mas é provavelmente o mais memorável. O episódio em que seu óbito inevitavelmente ocorre narra uma verdadeira cruzada de Nephrite e Molly (Naru, no original) para ficarem a salvo dos inimigos que ameaçavam as suas vidas. Aqui os personagens principais são meros coadjuvantes e Molly é a única pessoa normal neste enredo. Ela não tem poderes e real compreensão do que está acontecendo. E durante o tempo em que estiveram juntos, mesmo Nephrite parecia sentir-se bem ao lado da menina e começava vê-la como uma companhia agradável. Ele riu pela primeira vez por causa dela.
Mas, aquele momento de paz é interrompido quando  Nephrite é atacado violentamente por um trio de Youmas, recrutado pelo próprio Zoisite, que usara Molly como uma isca para finalmente dar um fim ao seu maior rival.
Numa cena muito tensa e triste, Molly tenta em vão salvar o seu amado, mas tudo o que ela pode fazer é assistir a vida de Nephrite chegar a uma triste conclusão. E embora não tenha deixado claro se também amava a jovem da mesma forma, Nephrite valorizava a vida dela o suficiente para arriscar a sua própria. As emoções eram completamente estranhas para ele, e a dicotomia de como tentava racionalizar a insignificância de Molly em relação a si mesmo o perturbava e o fazia desenvolver sentimentos confusos.
Nephrite foi um personagem fantástico e inesquecível e o episódio da sua morte para sempre será lembrado por todos os fãs da animação.
Sailor Moon foi capaz de fazer a todos simpatizarem com um vilão em plena década de 90, quando estávamos acostumados com os vilões ocidentais que morriam sem mudar de lado. 
Com este fim monumental, restou aos fãs apenas deixarem as lágrimas rolarem, enquanto subiam os créditos finais do episódio.
 
                                    



 
4º Lugar
Maes Hughes (Full Metal Alchemist)

Maes Hughes foi o grande nome de Full Metal Alchemist e também aquele lembrado por seu fim incrivelmente precoce e triste. Ele era o melhor amigo do tenente-coronel Roy Mustang e seu maior incentivador em sua busca para chegar ao topo do governo. No entanto, Hughes é rápido para farejar os detalhes e os culpados da grande conspiração envolvendo laboratórios e experimentos secretos que ameaçavam a existência da própria nação. Em sua busca por justiça, acabou atraindo a atenção de um novo inimigo e as forças corruptas do governo.
Hughes era também acima de tudo um homem de muita coragem e ele tenta avisar a todo o custo a Mustang, mas acaba caindo nas garras do homúnculo Envy, ao tentar fazer contato com o tenente-coronel pela cabine telefônica do lado de fora do prédio onde se encontrava... Bem, é melhor você assistir ao vídeo postado logo abaixo...
Hughes era o personagem mais cabra-macho e engraçado de Full Metal Alchemist, dotado de um grandioso carisma. Sua morte foi dramática, violenta e muito triste e, quando lembramos que além de tudo ele era um pai de família que amava intensamente a sua mulher e filha, a sua morte torna-se ainda mais revoltante.
Mas foi esse acontecimento que engrenou o que vinha a seguir na série. E desvendar o que Hughes havia investigado e descoberto, além de vingar a sua morte, tornaram-se as maiores obsessões de Roy Mustang. 
Ele era o amigo que Roy queria ter ao seu lado quando finalmente chegasse ao topo da nação. Por isso, é fácil ver o buraco que Hughes deixou no coração dele e nos corações de Riza, Ross e todos os outros que o conheceram.

                                     

 
 
 
3º Lugar
Spike Spiegel (Cowboy Bebop)

Spike Spiegel foi um cara muito foda! O maior herói fora-da-lei de todos os tempos vivia a deriva no espaço sideral em sua nave Cowboy Bebop junto com três tripulantes e um cachorro super-gênio. Eles estavam sempre a procura de criminosos foragidos a fim de receberem uma boa recompensa pela sua captura. 
Mas antes disso Spike trabalhava para a Máfia. E essa tal máfia o traiu e mandou a sua própria mulher para assassiná-lo!
Mas não vamos nos concentrar em narrar a história de Cowboy Bebop, vamos sim falar de uma das mortes mais perfeitas de todos os tempos.
Essa morte é tão espetacular que ainda hoje me surpreende quando a revejo.
Se tem uma coisa que os japoneses gostam muito é de matar heróis. E Spike foi uma dessas vitimas.
Cowboy Bebop é um animê relativamente antigo, tendo sido lançando em 1998. A maioria daqueles que se lembram dessa cena foi porque a assistiram na época. E isso porque hoje em dia está sendo muito difícil as pessoas se interessarem por algumas dessas animações mais antigas.
Esta morte foi triste sim, muito triste. Spike entrou em um prédio repleto de capangas da máfia que ele enfrentava, conseguindo chegar até o seu maior rival, a quem enfrentou e matou. No final ele vence, mas acaba perdendo... para a morte. Simplesmente triste, principalmente depois de escutarmos suas últimas palavras: BANG!
Triste e épico. Aqui há uma certa dualidade. Você quer chorar por ele, mas ao mesmo tempo o admira.

                                      


2º Lugar 
                            
Temos um empate no segundo lugar deste TOP porque ambas as histórias aqui presentes apresentam temas em comum: O remorso, o peso da culpa, a redenção e a cruz que cada um de nós carregamos.


 
Nicholas D. Wolfwood (Trigun)
 
Nicholas D. Wolfwood foi o meu personagem favorito em Trigun. Ele é um padre de arma em punho, e a cruz a qual transporta está "cheia de misericórdia" e armas. Eu me identificava com ele e acredito que a maioria das pessoas se conectam com sua humanidade - ele é frágil, violento, e tem uma boca suja. Mas apesar de tudo isso, ele sempre tenta fazer o que é certo.
Wolfwood quis, durante sua participação na história do animê, mostrar o quanto estamos longe daquilo que seria deus. A humanidade é capaz de coisas terríveis e muitas vezes somos levados a nos tornarmos como um próprio diabo. Mesmo as pessoas "normais" podem ser levadas a cometer crimes horrendos. A história está cheia de exemplos assim, como exemplo o apoio generalizado a Adolf Hitler de uma população alemã rancorosa e empobrecida que permitiu a sua subida ao poder, graças ao uso da retórica e do ódio. 
Wolfwood frequentemente mostrava sua frustração com a incapacidade de viver o estilo de vida de Vash, que poupava a vida de todos os seres sendo estes bons ou maus, e demonstrava a culpa que sentia ao tirar a vida dos outros, mesmo ao fazê-lo para bons propósitos.
Em sua conclusão, Wolfwood sentia-se cada vez mais distante do Deus que acreditava por causa dos seus muitos pecados, até que, em última instância, tomou a decisão da não-violência e do sacrifício, seguindo o mesmo caminho do seu grande amigo Vash. 
Inclinando-se em uma capela e carregando a sua cruz, ele está em paz. Finalmente havia derrotado o seu mentor e, apesar de ter decidido poupar a vida dele, este acabou sendo morto de qualquer maneira.
Então eu acredito que a paz que Wolfwood sentia no momento foi  porque ele sofreu uma transformação. Ele aceitou o seu caminho que não é o caminho certo. Resolveu imitar Vash, e ao fazê-lo, agiu como um Cristo.
Sua boca propositalmente não pediu perdão, mas sua ações demonstram finalmente a sua própria aceitação. Ele também quis passar a mensagem que um pecador não é simplesmente alguém que comete erros, mas sim aquele que não está disposto a dar a sua vida para remediá-los.

                                      



Tomoe Yukishiro(Ruroni Kenshin)
 
Os OVAS Ruroni Kenshin: Tsuiokuhen são uma obra sublime. Todo período conturbado da Guerra Civil Japonesa, que terminou com a queda do Xogunato, retratado maravilhosamente.
Foi durante esta fase da sua vida que o caráter do nosso amado Hitokiri Battousai, o Kenshin Himura, foi verdadeiramente moldado.
A serviço do Clã Choshu, Kenshin  assassina Jubei Shigekura e seus guarda-costas, sendo que um deles é Kyosato, um jovem que mesmo em tempos de conflitos está feliz e logo irá se casar com sua amada Tomoe. Ele foi morto por Kenshin, mas antes consegue atingir o samurai no rosto com a espada, marcando-o com sua primeira cicatriz. 
Em meio a inúmeras batalhas, Kenshin conhece a belíssima Tomoe Yukishiro.
“Você realmente fez chover sangue!”, essas palavras fazem com que Kenshin largue sua espada, simbolizando que até mesmo uma frágil mulher pode desarmar o mais terrível dos assassinos apenas com palavras. E, a partir dali, um tipo de relacionamento começa aos poucos a se desenvolver entre os dois, as circunstâncias foram permitindo que tal fato acontecesse.
Com o ataque do clã Shinsengumi a Kyoto, Kenshin passa a viver com Tomoe, como marido e mulher, para que não suspeitassem de ambos. Em Otsu, o casal leva uma vida calma e tranquila, longe do inferno que foi Kyoto. O samurai começa a acreditar que pode viver essa vida para sempre. Mas Tomoe ainda é tomada pelo desejo de vingança e lembranças do assassinato de seu noivo. Vivendo um dilema, torna-se escrava da dúvida, pois também passou a amar Kenshin e aos poucos vai desistindo dessa vingança.
Kenshin decide sobre o que quer, analisa a sua vida de assassino e se corrige, ele sempre pensou em ajudar os fracos com sua espada. Mas seus inimigos arquitetam um plano, usando o irmão de Tomoe, Enichi, para finalmente mata-lo.
Tomoe, também sabendo do plano, parte em direção à cabana onde estão tramando contra vida do samurai, ela admite não poder fazer mais isso, e que o ama. E o samurai, em busca da amada, com o coração frágil e a mente perturbada, torna-se presa fácil para os ataques dos assassinos contratados para dar cabo dele.
Desorientado, andando pelo caminho da morte que o espera, é assombrando por visões de seus crimes, Kenshin está visivelmente abalado e sem forças pra lutar e encara um assassino obstinado a completar a sua missão. O samurai então decide dar seu “último golpe”, com os pensamentos todos voltados à Tomoe e, cheio de arrependimento de seus crimes, ele se joga em direção à morte, já que nada mais lhe restava. Ao fazer isso, a mulher se coloca na frente para impedir o ataque do inimigo e, sem enxergá-la, Kenshin desfere o golpe mortal sobre ela e o inimigo!
O espadachim mal consegue acreditar no que fez. Tomoe em seus braços, coberta de sangue, antes de morrer, pede perdão e faz um pequeno corte no rosto de Kenshin com a faca que sempre carregava, fazendo a cicatriz em forma de cruz, o que nos abre um leque para várias interpretações.
Kenshin ainda não está pronto, mas acredita que cedo ou tarde irá largar a espada e nunca mais irá tirar uma vida. Agora, seu caminho ficou marcado por fantasmas do passado que sempre irão persegui-lo, no entanto, ele sabe que deve seguir em frente.
Muito triste, mas belo e artístico. A morte de Tomoe foi o mais importante acontecimento na vida de Kenshin e foi aquilo que determinou a pessoa na qual ele deveria se tornar agora.
Um clássico, sucesso de crítica, que merece ser visto e revisto. Vida longa às obras feitas com amor!

  

 
 


1º Lugar
Meruem e Komugi (Hunter X Hunter)

Chimera Ants é o melhor arco da história de Hunter X Hunter. Aqui você tem uma boa amostra do grande poder que o mangaká Yoshihiro Togashi tem para criar personagens incrivelmente carismáticos e desenvolvê-los ao longo da história. Como foi o caso do vilão desta fase da história, Meruem, rei da raça das Formigas.
Mas Meruem não evoluiu por conta própria. Na verdade, ele não teria chegado a tal nível de desenvolvimento se não tivesse encontrado uma das personagens mais marcantes e efêmeras introduzidas na série. Estou falando, claro, de Komugi.
Esta menina não tem absolutamente nenhum dos atributos de poderes grandiosos comumente descritos em mangás do gênero. Ela é cega, necessitando de uma bengala para andar e não tem maneiras graciosas, constantemente tem ranho fluindo pelo rosto. Mas ela tem um talento: sua capacidade excepcional em jogar Go Gungi. Obviamente ela está errada, pois não precisa de muito tempo para percebermos que ela tem muito mais do que um talento. Dentre eles, devemos citar a sua força psicológica incrível, aceitando a sua posição social, sem qualquer pensamento deprimente, sem, na verdade, qualquer tipo de auto-piedade.
Meruem começa a conviver com Komugi, com suas eternas partidas de Gungi, nas quais ele, mesmo sendo dotado de grande inteligência e capacidade de aprender rapidamente, nunca foi capaz de derrotar a jovem. E em várias momentos procuramos algum indício de que ele pudesse vacilar em sua desumanidade, mas todos acabaram sendo em vão.
O todo-poderoso Rei Chimera, nascido com habilidades de combate superiores as de qualquer mortal, mas desprovido de qualquer determinação pessoal, é silenciado por seu antagonista completo, uma menina humana cheia de determinação pessoal, mas incapaz de prejudicar alguém, e privada de qualquer status social.
Komugi semeou as sementes da humanidade nele. E o que brotou a partir dessas sementes foi o amor.
Um amor que continuava a crescer através da confrontação mútua em Gungi, onde a conversa casual substituiu as ameaças comuns proferidas pelo Rei. Chega então a um ponto em que Meruem duvida da reciprocidade de seus sentimentos, imaginando que Komugi está abertamente zombando dele. Aqui, ele não a ameaça mais com pura crueldade. Ele a ameaça com sentimentos feridos, em que a confiança mútua e cumplicidade teria sido subitamente abalada.
O final da história que Togashi deu aos dois não poderia ter sido mais perfeito. Meruem estava morrendo, envenenado por seus inimigos e qualquer um que estivesse próximo dele também pereceria, mas ele queria ter uma última partida de Gungi com Komugi. Foi então que ela decidiu que assim seria, pois, depois de tudo o que passaram juntos, chegou a conclusão de que nasceu apenas para viver aquele momento.
E assim termina a história, com todos nós sendo emocionalmente confrontados com a brutalidade e beleza da imagem de Meruem morto ternamente nos braços do Komugi.
Esta cena é um dos motivos que fazem Hunter X Hunter o melhor animê do ano.
 
                                    



 
A mais inesquecível morte de todos os tempos nos animês
Raoh (Hokuto no Ken)
 
A maior premiação, a morte mais perfeita, mais incrível e inesquecível já vista em um animê, não poderia ficar com outro que não fosse Raoh, antagonista principal do clássico imortal Hokuto no Ken.
Assim como Kinnikuman, Hokuto no Ken foi um das obras mais importantes e influentes da história, publicadas na Shonen Jump. E o combate final entre o herói Kenshiro e o seu irmão adotivo Raoh encerra de forma surpreendente a primeira metade da série.
Como eu já comentei em outras postagens, a narrativa messiânica tem uma imensa influência na ficção, especialmente na ficção heróica. E porque não seria assim? A figura messiânica demonstra a forma mais extrema da forte jornada de um herói e a maior manifestação do personagem mais como ideia do que como pessoa. A forma de narrativa heróica, os quadrinhos, os desenhos de ação, e a ficção científica tem sua boa dose de "imitações de Cristo" e outros messias. E em Hokuto no Ken, a inspiração na narrativa Cristã é bem clara. O messianismo é perceptível nos chamados "irmãos de Hokuto" na história, isto é, Kenshiro, Raoh e Toki.
Raoh incorpora o lado mais "sombrio" da narrativa messiânica. Mesmo buscando trazer ordem ao mundo, essa tentativa seria sendo um líder forte, com um discurso único e uma verdade suprema. Toki manifestava o lado empático e caridoso desse tipo de narrativa. Enquanto Kenshiro se dedicava a proteger os fracos, curar os doentes e derrotar os maus, Toki focava quase completamente em reduzir o sofrimento e curar os necessitados.
E ambos morrem para salvar o mundo. Toki permite que Raoh o mate para mostrar a Kenshiro o caminho para derrota-lo. Mas a morte de Raoh é ainda mais "salvadora".
Derrotado pelo irmão e emocionado em ver como Kenshiro cresceu, ergue os punhos em direção aos céus, proclamando ter vivido sem um único remorso, e... absorvendo toda a radiação do ambiente, transforma-se em pedra (!). Não me pergunte como isso é possível, mas podemos considerar a A MAGIA DOS ANOS 80. 
Este ato final ainda é marcado pelas nuvens se abrindo, desaparecendo com a eterna escuridão do mundo pós-apocalíptico no qual a Terra havia se tornado, expondo pela primeira vez em anos a luz direta do Sol.
 
                                    


Bem, aqui terminamos mais uma postagem do nosso blog. Espero que tenham curtido e aprovado as minhas escolhas.
Muitos devem ter estranhado o fato de eu ter escolhido falar da morte de Piccolo e não as duas mortes de Vegeta, o fodônico príncipe dos Saiyajins. E o motivo foi porque considero a morte do namekuseijin mais marcante para o dia de hoje e, além disso, se fosse me concentrar em Dragon Ball, esta postagem seria totalmente dominada pelos personagens criados por Akira Toryiama, que até lembram o herói da canção "Faroeste Caboclo". Os caras sabem morrer.
Também lamento por não ter conseguido falar de outras "mortes icônicas" nos animês que também poderiam ter aparecido, mas afinal nenhum tipo de TOP possui essa capacidade. O mais importante aqui é podermos compartilhar conhecimentos.
Até a próxima.

sábado, 11 de outubro de 2014

A TV E SEUS MOMENTOS SOMBRIOS NA INFÂNCIA NERD NOS ANOS 80 E 90

 
Os anos 80 e 90 foram supostamente um momento inofensivo, tempo de ingenuidade na TV. Tempo bom que não volta mais, tempo em que realmente valia a pena pegar um dia, sentar na frente da TV e assistir a tudo o que era transmitido.
Tudo era muito bom. Foi a era em que foram produzidos os melhores desenhos animados e seriados de todos os tempos. E, é claro, também foi perfeito para toda aquela avalanche comercial e consumismo. Que criança nunca sonhou em ter um Daileon?
Mas antes de serem lembradas com manobra para impulsionarem as vendas de brinquedos, minha memória afetiva tem todas aquelas atrações como projetadas para cativar as crianças, em blocos de 30 minutos, promovendo valores e a boa cidadania.
Apesar disso, desenhos animados ou outros tipos de seriados, por vezes sorrateiramente, proporcionaram momentos um tanto insanos ou perturbadores. Os censores podem ter deixado certas coisas passarem desapercebidas durante aquele tempo. E hoje que estamos adultos e vivendo nesse mundo cada vez mais sem graça e politicamente correto, é até engraçado lembrar do que a TV daquele tempo já longínquo trouxe para as nossas casas. Certas cenas ou momentos que hoje não poderiam jamais aparecer em um programa que teoricamente fora projetado para ser uma atração voltada para o público infantil.
Baseado nisto, aqui vai uma listagem com alguns dos momentos mais sombrios ou questionáveis para os programas da nossa infância, as melhores ou piores coisas que os anos 80/90 já fizeram para nós.
Mas atenção, esta lista foi feita apenas com o propósito de divertir e portanto não deve ser levada à sério.
Então vamos nessa!
 
 
 
A família de Shipwreck derrete em "Comandos em Ação"
 
Regra número 1 dos desenhos animados que pretendem ser traumatizantes para os espectadores: Abuse do personagem mais amado.
E o personagem mais amado de "Comandos em Ação" era Shipwreck, o simpático marinheiro que não era de forma alguma baseado em Jack Nicholson. Ah, vá. Todos sabem que ele era uma cruza do personagem de Nicholson, Buddusk, do filme "A Última Missão" (filme aliás que faz qualquer homem chorar) com o marinheiro Popeye.
No desenho animado, houve um episódio que vou chamar de "Não há nenhum lugar como Springfield" (traduzi o título do inglês, não lembro do nome do episódio aqui no Brasil). Neste episódio, Shipwreck é preso em um simulacro bizarro do futuro, onde ele vivia em uma pequena cidade com sua esposa e uma filha que ele nem lembrava de ter.
Claro, a coisa toda é um complô de Cobra, e todos os amigos e a família de Shipwreck que encontram-se em sua casa não passam de androides.
O fato é revelado quando as pessoas ao redor de Shipwreck começam a derreter lentamente diante de seus olhos, e sua esposa e filha, eventualmente, tentam matá-lo dentro de uma casa em chamas.

                        

Paranoia?
Famílias falsas?
Perfeito para a Guerra Fria.
 
 
 
 Os Ursinhos Carinhosos ressuscitam um morto em "A volta dos Ursinhos Carinhosos"
 
Os Ursinhos Carinhosos foram supostamente destinados a promover a moral e os bons costumes. E isso os tornaria especiais se comparados aos demais personagens dos desenhos animados da época. Mas eles geralmente empurravam para nós as mesmas lições também ensinadas pelas estrelas dos outros desenhos contemporâneos: Acreditar em si mesmo, comer todos os seus legumes, não ser um idiota, e não vender a sua alma ao demônio.
No entanto, há um momento histórico proporcionado pelo segundo filme protagonizado pelos ursinhos que moravam no céu. Aqui vemos uma legião de Ursinhos Carinhosos enfrentando o próprio Capiroto, uma entidade maléfica chamada Coração Negro (Dark Heart, não o Black Heart, inimigo do Motoqueiro Fantasma), que exigia a alma de uma menina chamada Christy em troca por torna-la a melhor atleta em seu acampamento de verão.
A menina, depois de perceber o grande erro que cometera, se junta aos Ursinhos Carinhosos para enfrentar o Coração Negro no final do filme. E de uma forma estranhamente mórbida para um desenho animado inspirado pela American Greetings, durante uma batalha intensa, um dos raios disparados pelo vilão atinge a criança que acaba morrendo (!).
O Coração Negro percebe o que fizera e inesperadamente fala em prantos: "O que foi que eu fiz?"
Pode parecer complexo, mas no decorrer do filme o Tinhoso se descobre apaixonado pela Christy.
De volta a sua forma humana, o vilão embala o corpo sem vida da menina e implora aos Ursinhos Carinhosos por ajuda. E ela é concebida no velho estilo Peter Pan: dizendo que todos eles se importam com aquela vida e pedindo a toda a audiência do filme para juntarem-se a eles. E, claro, funciona (!).
Ensinando assim as crianças que se pode ressuscitar um falecido por pura força de vontade. Só podemos imaginar todas as crianças que ficaram decepcionadas após gritarem para seus animaizinhos de estimação mortos ou sobre os caixões dos avós.
 
Como dói fazer piada com esse filme. Eu gostava dele sinceramente.
Falei de coração, tá. 
 
Parece até que seus produtores buscaram inspiração em "Fausto", o poema trágico do escritor alemão Goethe.
Vai dizer que não reparou em certas coincidências? O pacto com o "Diabo" e o fato do tempo não passar para Christy e as outras crianças do acampamento (Não notou que os Ursinhos Carinhosos aparecem como bebês e crescem ao longo do filme, enquanto as crianças não mudaram coisa nenhuma?).
Sério mesmo! Leiam mais livros!
 
 
 
 Momentos questionáveis em "As Tartarugas Ninjas"
 
A sensual April O'Neil, a aliada humana mais proeminente das Tartarugas Ninjas, era a paixão de todo o moleque dos anos 80, vivendo nos sonhos molhados de todos nós naquele tempo. Peguei pesado nas minhas declarações? Eu só disse a verdade.
Como todos vimos, April e as Tartarugas eram apenas amigos. Mas a nossa perspectiva mudou mais tarde, graças à Internet e um monte de coisas que não tinham como não serem discutidas.
Há pelo menos uma cena que dá aos telespectadores um certo questionamento acerca dessa relação. No episódio "April's Fool", April finalmente tira o seu macacão amarelo e veste um elegante vestido com um estilo "tomara que caia" porreta. Por alguma razão, ela vai visitar os esgotos para mostrar seu vestido a Donatello, Raphael, Leonardo e Michelangelo. A reação deles não poderia ter sido mais compreensível e rapidamente podemos ver todos eles à beira de uivarem feito os lobos dos desenhos do Tex Avery. E até mesmo o mestre Splinter, tão certinho e moralista, pode ser visto cobiçando a mulher humana.
Na cena seguinte, as tartarugas seguem April para fora da sala, e eles tentam passar todos ao mesmo tempo pela porta, em meio a brigas e empurrões, com um indisfarçável desejo réptil. Tenso. 
 
 
 
 Os Smurfs derrotam o feiticeiro infernal
 
Para os malucos teóricos da conspiração de plantão, na lista de personagens ameaçadores de desenhos animados, os Smurfs encontram-se um pouco acima dos Snorks e logo abaixo dos Super Tiras. Mas convenhamos que os Smurfs talvez sejam os personagens de desenhos animados que mais sofreram com boatos e contos aterrorizantes na década perdida, com suas casas de cogumelos, seus questionáveis posicionamentos políticos para a época, e por aí vai.
É cada uma que esse povo inventa...
Porém aqui vamos falar do seu primeiro especial de Natal, onde os Smurfs foram chamados para salvar duas crianças perdidas e seu inimigo de longa data, o feiticeiro Gargamel, que, durante este desenho, estão à mercê de um outro bruxo que pode ser claramente descrito como um emissário do inferno.
E eu curti, mas também fiquei decepcionado com o personagem, mesmo naqueles meus anos inocentes.
Porra, ele entraria facilmente para a minha lista dos vilões mais ameaçadores dos desenhos dos anos 80, se não tivesse sido derrotado da maneira que fora. Mas isso não quer dizer que não tenha sido aterrorizante para o público da época.
Os Smurfs lutaram da única maneira que poderiam: cantando uma música natalina com um interminável e irritante refrão. E todos se juntam aos Smurfs, cantando até fazer o feiticeiro satânico, aos gritos de agonia, desaparecer completamente.

                         
 
"A bondade faz a maldade ir embora."
Não brinquem com os Smurfs.


 
 Seaspray se apaixona por uma sereia e se torna uma sereia em "Transformers"
 
Esqueçam todo o massacre e as chocantes mortes mecânicas no filme dos Transformers de 1986 ou o episódio em que Perceptor tornou-se um robô gueixa em um planeta de japoneses feudais alienígenas.
O momento mais ferrado em toda a história de "Transformers" aconteceu em um episódio da série clássica em que Seaspray vai a uma planeta distante para deter uma operação dos Decepticons.
Naquele mundo longínquo, porém civilizado, Seaspray conhece Alana, uma dos nativos inteiramente humanóides. E em mais uma prova do quão pouco os escritores dos episódios estão se lixando para o que estão produzindo (afinal é um show para crianças), é revelado que aquele povo dispõem de uma piscina mágica para se transformarem em sereias.
Seaspray salta naquelas águas místicas e se torna uma espécie de Aquaman. E isso não é apenas estranho, mas também assustador porque aqui é demonstrado que os Transformadores também têm alma (!)... o que faz com que os massacres de robôs em grande escala no filme sejam ainda mais perturbadores.
Também é meio bizarro ver Seaspray tendo uma conversa estranhamente romântica à beira do oceano com um Bumblebee claramente desconfortável.
 
 
 
 Os exércitos infernais (de novo?) em "My Little Pony"
 
Essa é para quem se julga Brony de verdade. Certamente deve ser do conhecimento de todos que o fim da quarta temporada do tão amado "My Little Pony: Friendship is Magic" foi fortemente inspirado no episódio piloto da franquia nos anos 80.
Ao contrário de todos os outros desenhos animados baseados em uma linha de brinquedos, "My Little Pony" não tinha vilões pré-designados, deixando os escritores para desenvolver outros constantemente. Alguns destes antagonistas não foram tão ameaçadores, coisas que não surpreendem nem um pouco como lulas gigantes ou bruxas com excesso de peso que queriam tocar o terror em Pony Mansion. Nada que convencesse alguém, mas o primeiro vilão das pôneis, no entanto, era um senhor demônio.
Tirek é um centauro chifrudo com uma voz rouca digna dos melhores papéis de Frank Welker. Este emissário de Satanás enviava dragões e homens-lagartos para sequestrar pôneis desavisadas. Então, em cenas muito assustadoras para um desenho animado ostensivamente destinado a crianças de 5 anos, ele as transforma em dragões monstruosos despejando a sua forte magia negra sobre as pobres criaturas.
Desculpem fãs do "novo Tirek". Embora o atual seja mais poderoso, canalha e muito bom de briga, o clássico é um vilão que realmente impõem respeito.
Mas estamos falando de anos 80. Então ainda assim a sua imagem ficou abalada até os dias de hoje, quando as pôneis e sua aliada humana o derrotam durante o confronto final deixando ele ser esmagado dentro de um arco-íris mágico.
Uma finalização bem gay, diga-se de passagem.
 
 
 
 As crianças zumbis de "Zona Espiral"
 
Esse desenho era MUITO FODA! Um dos mais sombrios e perturbadores produzidos durante a década de 80!
"Zona Espiral" pode ser facilmente confundido com uma recauchutagem de "Comandos em Ação", o que de uma certa forma ele é. Os heróis da série, um bando de super-soldados convenientemente internacionais dotados de armaduras hi-tech, poderiam participar de uma das inúmeras batalhas contra o Comandante Cobra. Mas os vilões da sua série, no entanto, são um pouco diferentes.
No início do desenho, um cientista louco já havia conquistado metade do mundo, lançando sobre o planeta um tipo de bactéria que ele próprio desenvolvera, transformando as pessoas infectadas em zumbis de olhos amarelos e com um tipo de fungo vermelho brotando de seus rostos!
Esta animação, retratando um verdadeiro conflito em um mundo pós-apocalíptico, com suas cidades queimadas e "zonas" infectadas cheias de vítimas contaminadas, foi o que nós crianças dos anos 80 tivemos de mais próximo de um "The Day After" ("O dia seguinte"). E claro que os heróis tinham nomes como Dirk Courage e os vilões, mesmo com as suas lesões faciais assustadoras, eram estúpidos. Mas há algo ainda mais sombrio e desagradável sobre "Zona Espiral". Foi uma alegoria sobre a guerra nuclear? A crise da AIDS? Provavelmente não, mas não seria preocupante que tais questões tivessem sido abordadas até mesmo em uma simples série comercial da época?
 
 
 
Jem faz amor em "Jem e as Hologramas"
 
Caras, eu sou terrível!
Tá, o título ficou meio sensacionalista, mas...
Devemos admitir que os censores nos anos 80 foram pessoas razoavelmente atentas. Eles são a razão pela qual todos os pilotos dos aviões de guerra em "Comandos em Ação" tinham paraquedas e porque a palavra "morrer" foi evitada tanto quanto palavrões.
Se tivéssemos que escolher algum dos desenhos animados daquele tempo que foi perito em passar por cima das análises dos censores, poderíamos falar de "Jem e as Hologramas". É, a Hasbro vem há décadas mostrando a que veio, com "Jem", "Comandos em Ação", "Transformers". Aliás também não é a Hasbro a culpada por "My Little Pony: Friendship is Magic" que transformou todos nós em Bronys?
"Jem" foi um desenho muito popular no Brasil e a minha memória afetiva me faz pensar que eu realmente curtia isso um pouco. E agora, o que poderíamos comentar de questionável no desenho aparentemente inofensivo da Sailor Moon do rock? A resposta viria com a internet, e agora que estamos adultos, ao rever algumas canções e clipes musicais da personagem, percebemos que algumas letras podem ser um tanto quanto insinuantes.
Prestem atenção no que é dito durante a música "Who is he kissing" no clipe a seguir.
 
                         

Se você entende um pouquinho de inglês, já deve ter entendido o que eu quis dizer.
Bom, pode ser só o fato de que já dei adeus a minha inocência há muito tempo, mas também é fato que ela disse o que acho que escutei ela dizer.
Ou talvez seja apenas minha mente poluída mesmo!
 
Mente poluída.
Traduzindo o principal, ela diz logo na primeira estrofe: "fazendo amor com uma fantasia." Eita!
Talvez possam ter acontecido reuniões e debates no estúdio sobre isso. Mas, se pensar em um tempo em que foram proibidos os namoros inter-raciais de "Robotech", é de se estranhar que a canção de Jem não tenha sido alterada.
 
 
 
 D. Compose tem seu braço impiedosamente devorado
 
"Inumanóides" foi um desenho animado que todo o menino desajustado de oito anos de idade teria feito se ele tivesse o seu próprio estúdio de animadores japoneses e coreanos com excesso de trabalho em 1987. Lembro que achava esse desenho muito foda, interessante e assustador, mas é uma pena que boa parte disso seja só a minha memória afetiva sendo muito generosa.
No desenho, os heróis da humanidade enfrentam criaturas gigantes e hediondas, chamadas Inumanóides, que habitam as profundezas da Terra e são capazes de fazer coisas horríveis aos humanos, devido ao seu ódio pela nossa raça. E na abertura da animação já vemos a que vieram aqueles monstros quando é rapidamente mostrada uma cena em que o membro feminino do grupo de heróis é transformado em um horripilante esqueleto salivante com o toque de D. Compose, que aliás foi o meu monstro favorito da infância, devido o seu estilo e o seu poder louco de zumbificação.
Mas ainda mais perturbador foi Gagoyle, uma monstruosidade sem braços, de apenas um olho e com um asqueroso estômago transparente. Após ter sido chocado pelos vilões humanos do desenho, a criatura devora impiedosamente todos os seus irmãos não eclodidos e segue devorando muito mais coisas, incluindo o braço de D. Compose e duas estátuas de guarda do submundo que, apesar de serem de pedra, se contorcem e gritam quando Gagoyle arranca as suas cabeças. Em seguida, o vilão principal do desenho, Metlar torna-se o herói de todas as crianças, matando a criatura, embora ele tenha agido um pouco tarde demais. Aquelas cenas serviriam de longos pesadelos e noites mal dormidas em nossos infâncias felizes.
 
 
 
Thundercats pelados
 
Enquanto muitas gerações passadas simplesmente não questionavam o fato do Pato Donald não usar calças, chegam os anos 80 e os animadores dos novos desenhos resolvem chocar as crianças da minha geração quando, em pleno episódio piloto de "Thundercats", vemos os heróis principais do desenho apresentados completamente nus em sua terra natal.
Sim, aqui todo muito é visto da forma em que vieram ao mundo. Mesmo que a Cheetara também esteja sem roupas, não dá para ver os seus mamilos e o desenho poderia até querer nos convencer de que aquela falta de roupas era algo natural. Mas vejam só, Jaga usava roupas. Será que no planeta Thundera roupas é um sinal de status social? Na verdade, não. Logo depois todos eles ganham suas roupas habituais e nós finalmente vamos assistir ao desenho podendo encarar a Wilykit de frente.
E assim a nossa geração perdeu um pouco do resquício de inocência que lhe restava. Alguns pais, provavelmente proibiram seus filhos de assistirem a "Thundercats" logo após os cinco primeiros minutos do episódio piloto.
 
Isso sim é uma boa maneira de se começar o dia.
No mais eu devo agradecer aos Thundercats por me apresentarem a minha primeira mulher pelada. Ah,  e agradeço igualmente ao Jaspion também pela Anri (Vocês fãs de Tokusatsus sabem do que eu estou falando)! 
 
 
 
Premiação máxima
"Policial de aço Jiban"
 
Tokusatsus, além de divertirem, instruem. Eles  nos mostraram que o mundo não é um mar de rosas e que não é errado você querer lutar pela justiça, já que existem muitíssimas pessoas que infelizmente não são convencidas com simples discursos.
Em outras palavras, Tokusatsus ensinam você a ser homem! Mas em compensação, devo admitir que os roteiristas de Tokusatsus devem odiar crianças. E se vocês não estão convencidos, revejam os seriados e notem a quantidade de cenas brutais e questionáveis nestas atrações destinadas aos horários em que a turminha de 7 a 10 anos estava diante da TV.
Eu queria mesmo colocar algum Tokusatsu nesta postagem. Pensei em falar de outras pérolas como o Natal macabro do Sheider, mas cheguei a conclusão de que o seriado que mais merece ficar aqui é o do Policial de aço Jiban.
Os roteiristas além de ter algo contra as crianças, tinham um grande ódio pelo personagem, que é morto de forma brutal, com direito a perda de um braço, no episódio 34 da série. Mas o seriado nos proporcionou diversos outros momentos sombrios como o do episódio "Bem-vindo ao mundo espiritual". Neste episódio, o vilão mais odiado de todos os Tokusatsus, o dr. Jean-Marie, quer descobrir a localização da base secreta do Jiban e para isso coloca em ação a sua criação mais aterrorizante, o monstro Shisatsunoide. E ele era horripilante feito aquele zumbi de "A volta dos mortos-vivos" que gritava "miooooolos" e ainda era dono da personalidade mais louca de todas.
Pois bem, Shisatsunoide queria matar o Jiban, mas também queria morrer, e tudo porque desejava conhecer ao vivo o Mundo Espiritual, que mais parecia o próprio inferno (ou o Yomotsu Hirasaka, apresentado por Máscara da Morte de Câncer em "Cavaleiros do Zodíaco"), cheio de gritos e torturas. E, como não podia partir desta para uma pior sem antes completar a sua missão, ele se contentava em se envenenar aos poucos com uma névoa tóxica produzida pelo seu próprio corpo até chegar o momento em que esta mataria a ele e ao herói.
Ô loco! O cara queria morrer, se agoniava com um desejo tão intenso, e ainda queria ir de preferência ao inferno, e melhor ainda se puder levar o Jiban junto com ele.
Loucura é pouco! E olha que ainda nem mencionei o episódio 27, "A transformação dos filhos em Satanás", violência praticada por crianças e politicamente incorreto ao extremo.
Bons tempos, bons tempos!
 
 
 
Menção Honrosa 
A morte do Superman
 
A memória afetiva de muitas pessoas não alivia nem um pouco para o desenho "Superamigos", sendo muitas vezes considerado um "lixo clássico".
Tá certo que tinha muitos episódios realmente toscos, como aquele em que descobrimos que a nossa Lua na verdade é um ovo que abriga uma criatura bizarra que cresce absurdamente, conseguindo andar sobre o planeta Terra, com direito a uma finalização histórica em que o Chefe Apache, usando um aparelho do Átomo (ou Eléctron), intensifica os seus poderes de crescimento e enfrenta o monstro pisando tranquilamente sobre os continentes. Roteiro este que parece ter sido concebido sob a influência de drogas alucinógenas.
Mas outros episódios eram muito bons, sem falar que o primeiro contato que eu tive com muitos dos heróis da DC Comics foi através dos "Superamigos".
Eu coloco como o momento mais sombrio desta animação o episódio em que o Superman morreu. E aqui está apenas como uma "Menção honrosa" porque esse episódio, apesar de ser tão marcante, digno de uma postagem inteiramente dedicada a ele, não foi um tipo de acontecimento questionável, e sim algo ousado. Os roteiristas do episódio passaram, em uma atração dedicada às crianças, um tema sobre o qual todos nós, mesmo agora adultos, evitamos ao máximo falar: a morte.
Muito antes da DC ter a "brilhante" ideia de matar o seu maior super-herói na década de 90 para alavancar as vendas dos quadrinhos, o desenho "Superamigos" nos apresentou como um evento assim realmente seria. E aqui o Último Filho de Kripton não é morto da forma ultraviolenta que a DC nos apresentou, ele morre envenenado por Kriptonita.
Seu corpo inerte, completamente verde, o desespero do Tempestade (eu sei que o nome dele nos quadrinhos é Nuclear, ok.), que julgou-se culpado, e a comoção de todas as pessoas do planeta, chocaram e marcaram muitas crianças na época. 
 
 
E por hoje fico por aqui. Gostaria de encerrar esta postagem com alguma mensagem edificante sobre a beleza de ter pertencido a esta geração, mas, como não encontro as palavras certas, termino com o vídeo da abertura do animê fodão e velhão "Saber Rider e os Star Sheriffs" que passou aqui naquela época:
 
                        

Alegria nas manhãs do SBT, embora devidamente censurado e adaptado pela chata WEP dos norte-americanos, o que pode render uma boa postagem futura.
 
Até a próxima, pessoal!

domingo, 5 de outubro de 2014

DICA DE FILME/PERFIL: DJANGO (1966)

 
Hoje vamos falar sobre masculinidade! Os frescos e críticos politicamente corretos de plantão devem passar longe de uma postagem como esta que agora vos apresento.
Quando o assunto é faroeste italiano (ou western spaghetti), o nome que sempre vem a mente daqueles que o conhecem é o do diretor Sergio Leone. Mesmo porque fora este um dos grandes nomes que deu vida ao clássico "Três homens em conflito" e outras maravilhosas pérolas do gênero. Porém, o nome Sergio Corbucci merece também ser imortalizado, pois foi ele o diretor de dois incríveis filmes que foram "O Grande Silêncio" e, é claro, "Django", que com certeza está entre os filmes favoritos de todos aqueles que admiram o gênero.
O bang bang italiano, como também é chamado, surgiu nos anos 60. E estes filmes se diferenciavam dos faroestes feitos em solo norte americano em muitos aspectos. Eram filmes, que poderíamos assim chamar de mais “sujos”, muitas vezes protagonizados por anti-heróis desprovidos de escrúpulos, como no caso do personagem de Clint Eastwood no filme "Três homens em conflito", nem mesmo um nome ele tinha. 
Por outro lado, os filmes de faroeste feitos em território americano eram mais "poéticos", com o herói nobre que luta defendendo o "sonho americano".

Django é o personagem criado para o filme de mesmo nome em 1966, dirigido por Sergio Corbucci, e foi inspirado em "Yojimbo, o guarda-costas" de Akira Kurosawa. 
Corbucci queria que seu personagem fosse um pouco mais parecido com um ronin, um samurai sem mestre, como aquele apresentado em "Yojimbo" e brilhantemente vivido pelo lendário Toshiro Mifune. Por esta razão, a Django foi negado um cavalo. Ele surge pela primeira vez no filme andando, arrastando um caixão no meio da lama, levando sua sela em seu ombro.
 
Yojimbo (1961)
 
Ao contrário de Sanjuro (o samurai de "Yojimbo"), Django não é um transeunte que se depara com uma determinada situação que, por um motivo ou outro, atrai a sua atenção. Ele é um homem com uma missão, e a missão é: vingança! Ele é um veterano da Guerra Civil e sua esposa foi morta  pelo racista major Jackson dos Confederados.
Django... "o homem é foda, patroa". Quando em desvantagem na luta contra seus adversários na rua, simplesmente saca uma metralhadora do seu caixão, vinda sabe-se lá de onde e, mais a frente, após ter as suas mãos esmagadas e mutiladas com crueldade por ter traído os seus ex-aliados, ele milagrosamente equilibra seu revólver em uma cruz de metal no cemitério e mata seu inimigo.
Com sua capa preta e truques sujos, ele é como nenhum outro vaqueiro nunca havia sido na história do cinema e o seu nome é uma homenagem ao lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt. Curiosamente Reinhardt era um cigano e o nome Django significa "acordar". É provável que Corbucci era fascinado pelo "simbolismo das mãos ", já que em seu filme anterior havia apresentado um pistoleiro que ficou cego, e agora Corbucci queria fazer um filme sobre um pistoleiro que não podia usar as mãos. Parece lógico que um homem armado e com algum tipo de deficiência seria batizado com o nome de um músico deficiente. Quando tinha 18 anos, Reinhardt foi ferido em um incêndio; sua perna direita ficou paralisada e o terceiro e quarto dedos da sua mão esquerda sofreram queimaduras de terceiro grau. Pensava-se que ele nunca mais iria tocar guitarra novamente, mas ele aprendeu a tocar todos os solos de guitarra com apenas dois dedos (!).


Django Reinhardt

Django foi interpretado pelo ator italiano Franco Nero, que tinha apenas 23 anos de idade na época. Ele portanto recebeu a voz de um ator na versão italiana, para fazê-lo, pelo menos, parecer mais velho. De acordo com Mark Damon, ator veterano, Corbucci o queria para o papel, mas foi convencido pelo produtor Bolognini e sua esposa Nora a aceitar Nero.
Em vários países "Django" enfrentou alguns problemas graves de censura, e foi proibido pela censura britânica até o seu lançamento em 1993 em vídeo.

Se você assistiu e curtiu a versão moderna de "Django", "Django livre" de 2012, é obrigado a conhecer a versão original, caso ainda não a conheça. Afinal esta foi a inspiração de um jovem Quentin Tarrantino nos idos de 1966.
Em muitos aspectos "Django" é simplesmente uma leitura mais obscura, mais suja e mais sádica da velha história de " um homem em meio a guerra entre duas facções". Interessante também foi o fato de Corbucci ter se inspirado na história de Kurosawa, enquanto o próprio Kurosawa tinha baseado partes de seu filme em um romance original americano, "Red Harvest", de Dashiel Hammett.
Uma decisão importante de Corbucci foi a de politizar o seu filme, ao retratar uma das facções em guerra como uma espécie de organização "KKK" de vigilantes confederados. Corbucci fez uma declaração antirracista bem clara e alguns dizem que pode até mesmo ter sido uma declaração antiamericana. Alegadamente, Corbucci estudara muitas notícias com gravações de reuniões da Ku Klux Klan e as utilizou como inspiração facilmente identificada em muitas das cenas presentes no filme, como durante a cena em que eles desfilam na rua com seus rostos cobertos por capuzes e incendiando cruzes de madeira (demonstração do seu fanatismo e anticatolicismo) enquanto Django os estava esperando perto de um tronco seco de árvore. 

Com relação ao suposto antiamericanismo do filme, posso fazer algumas colocações pessoais. Eu já tive a minha fase antiamericana, que coincidiu com a minha fase de rebeldia, que todo o homem com certeza já experimentou, afinal é a adolescência. Com o passar dos anos o meu antiamericanismo diminuiu bastante, sou contra todas as formas de xenofobia e admiro o povo norte americano, um dos mais honestos e trabalhadores do mundo, mas também ainda tenho muitas críticas para com eles, como tenho para com qualquer outro povo do nosso mundo. E o que Corbucci apresenta no filme é uma das críticas que ainda guardo com relação a cultura norte americana. Principalmente nos últimos 15 anos, essa face problemática da sociedade americana vem sendo importada de forma massiva pelos brasileiros. Intolerância, fanatismo e ganância transvestidos de espiritualidade, e muita gente não se dá conta disso. E ainda eles, ávidos por poder, desejam o controle político e cultural de todo o nosso país. Acho que vocês já entenderam.
 
O filme também critica o capitalismo selvagem que move muitas pessoas. Por exemplo, é a sua própria ganância que quase levou o nosso herói Django a ruína, além do dinheiro ter sido a causa de traição e perdas durante o filme.
Quase todo o filme usa a assinatura de Corbucci. Está tudo lá, o seu imaginário, a violência, seu forte estilo visual, imediatamente reconhecível, e sua predileção pela sátira, como na cena em que o pastor-espião, que trabalhava para a KKK, é forçado pelos bandidos mexicanos a comer a própria orelha decepada, porque ele ouviu demais. 
 
Para um filme que foi produzido dentro de semanas e com um orçamento bastante reduzido, o resultado parece poderoso. Por outro lado, o filme apresenta os acontecimentos de forma episódica e a descrição dos mexicanos é um tanto simplista. Mas tudo funciona muito bem e é fácil e divertido para o espectador acompanhar e compreender a ligação entre cada personagem e os episódios cada vez mais violentos, começando com o chicoteamento da prostituta e, finalmente, resultando em Django equilibrando a sua pistola, com as mãos mutiladas, numa cruz para dar um fim à vida odiosa de seu inimigo, o major Jackson, num dos tiroteios mais emocionantes que já vi, invocando o Pai, o Filho e o Espírito Santo (pelo menos na versão italiana).

"Django" é um dos maiores cults de todos os tempos no cinema e até é considerado um objeto de culto pelos seus fãs fanáticos e devo confessar ser este o meu filme clássico favorito. É muito bom revê-lo hoje e perceber que a sua grandiosidade não vem apenas do meu sentimento nostálgico. Este western spaghetti é um filme muito bom mesmo e que realmente fez história no cinema, sendo por isso digno de todas as homenagens.
 
                      
                            

Postagem em destaque

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A imagem acima é autoexplicativa.  Dragon Ball Super é, em MINHA OPNIÃO, a qual você pode aceitar ou discordar, uma das maiores tragédias/...