sábado, 11 de outubro de 2014

A TV E SEUS MOMENTOS SOMBRIOS NA INFÂNCIA NERD NOS ANOS 80 E 90

 
Os anos 80 e 90 foram supostamente um momento inofensivo, tempo de ingenuidade na TV. Tempo bom que não volta mais, tempo em que realmente valia a pena pegar um dia, sentar na frente da TV e assistir a tudo o que era transmitido.
Tudo era muito bom. Foi a era em que foram produzidos os melhores desenhos animados e seriados de todos os tempos. E, é claro, também foi perfeito para toda aquela avalanche comercial e consumismo. Que criança nunca sonhou em ter um Daileon?
Mas antes de serem lembradas com manobra para impulsionarem as vendas de brinquedos, minha memória afetiva tem todas aquelas atrações como projetadas para cativar as crianças, em blocos de 30 minutos, promovendo valores e a boa cidadania.
Apesar disso, desenhos animados ou outros tipos de seriados, por vezes sorrateiramente, proporcionaram momentos um tanto insanos ou perturbadores. Os censores podem ter deixado certas coisas passarem desapercebidas durante aquele tempo. E hoje que estamos adultos e vivendo nesse mundo cada vez mais sem graça e politicamente correto, é até engraçado lembrar do que a TV daquele tempo já longínquo trouxe para as nossas casas. Certas cenas ou momentos que hoje não poderiam jamais aparecer em um programa que teoricamente fora projetado para ser uma atração voltada para o público infantil.
Baseado nisto, aqui vai uma listagem com alguns dos momentos mais sombrios ou questionáveis para os programas da nossa infância, as melhores ou piores coisas que os anos 80/90 já fizeram para nós.
Mas atenção, esta lista foi feita apenas com o propósito de divertir e portanto não deve ser levada à sério.
Então vamos nessa!
 
 
 
A família de Shipwreck derrete em "Comandos em Ação"
 
Regra número 1 dos desenhos animados que pretendem ser traumatizantes para os espectadores: Abuse do personagem mais amado.
E o personagem mais amado de "Comandos em Ação" era Shipwreck, o simpático marinheiro que não era de forma alguma baseado em Jack Nicholson. Ah, vá. Todos sabem que ele era uma cruza do personagem de Nicholson, Buddusk, do filme "A Última Missão" (filme aliás que faz qualquer homem chorar) com o marinheiro Popeye.
No desenho animado, houve um episódio que vou chamar de "Não há nenhum lugar como Springfield" (traduzi o título do inglês, não lembro do nome do episódio aqui no Brasil). Neste episódio, Shipwreck é preso em um simulacro bizarro do futuro, onde ele vivia em uma pequena cidade com sua esposa e uma filha que ele nem lembrava de ter.
Claro, a coisa toda é um complô de Cobra, e todos os amigos e a família de Shipwreck que encontram-se em sua casa não passam de androides.
O fato é revelado quando as pessoas ao redor de Shipwreck começam a derreter lentamente diante de seus olhos, e sua esposa e filha, eventualmente, tentam matá-lo dentro de uma casa em chamas.

                        

Paranoia?
Famílias falsas?
Perfeito para a Guerra Fria.
 
 
 
 Os Ursinhos Carinhosos ressuscitam um morto em "A volta dos Ursinhos Carinhosos"
 
Os Ursinhos Carinhosos foram supostamente destinados a promover a moral e os bons costumes. E isso os tornaria especiais se comparados aos demais personagens dos desenhos animados da época. Mas eles geralmente empurravam para nós as mesmas lições também ensinadas pelas estrelas dos outros desenhos contemporâneos: Acreditar em si mesmo, comer todos os seus legumes, não ser um idiota, e não vender a sua alma ao demônio.
No entanto, há um momento histórico proporcionado pelo segundo filme protagonizado pelos ursinhos que moravam no céu. Aqui vemos uma legião de Ursinhos Carinhosos enfrentando o próprio Capiroto, uma entidade maléfica chamada Coração Negro (Dark Heart, não o Black Heart, inimigo do Motoqueiro Fantasma), que exigia a alma de uma menina chamada Christy em troca por torna-la a melhor atleta em seu acampamento de verão.
A menina, depois de perceber o grande erro que cometera, se junta aos Ursinhos Carinhosos para enfrentar o Coração Negro no final do filme. E de uma forma estranhamente mórbida para um desenho animado inspirado pela American Greetings, durante uma batalha intensa, um dos raios disparados pelo vilão atinge a criança que acaba morrendo (!).
O Coração Negro percebe o que fizera e inesperadamente fala em prantos: "O que foi que eu fiz?"
Pode parecer complexo, mas no decorrer do filme o Tinhoso se descobre apaixonado pela Christy.
De volta a sua forma humana, o vilão embala o corpo sem vida da menina e implora aos Ursinhos Carinhosos por ajuda. E ela é concebida no velho estilo Peter Pan: dizendo que todos eles se importam com aquela vida e pedindo a toda a audiência do filme para juntarem-se a eles. E, claro, funciona (!).
Ensinando assim as crianças que se pode ressuscitar um falecido por pura força de vontade. Só podemos imaginar todas as crianças que ficaram decepcionadas após gritarem para seus animaizinhos de estimação mortos ou sobre os caixões dos avós.
 
Como dói fazer piada com esse filme. Eu gostava dele sinceramente.
Falei de coração, tá. 
 
Parece até que seus produtores buscaram inspiração em "Fausto", o poema trágico do escritor alemão Goethe.
Vai dizer que não reparou em certas coincidências? O pacto com o "Diabo" e o fato do tempo não passar para Christy e as outras crianças do acampamento (Não notou que os Ursinhos Carinhosos aparecem como bebês e crescem ao longo do filme, enquanto as crianças não mudaram coisa nenhuma?).
Sério mesmo! Leiam mais livros!
 
 
 
 Momentos questionáveis em "As Tartarugas Ninjas"
 
A sensual April O'Neil, a aliada humana mais proeminente das Tartarugas Ninjas, era a paixão de todo o moleque dos anos 80, vivendo nos sonhos molhados de todos nós naquele tempo. Peguei pesado nas minhas declarações? Eu só disse a verdade.
Como todos vimos, April e as Tartarugas eram apenas amigos. Mas a nossa perspectiva mudou mais tarde, graças à Internet e um monte de coisas que não tinham como não serem discutidas.
Há pelo menos uma cena que dá aos telespectadores um certo questionamento acerca dessa relação. No episódio "April's Fool", April finalmente tira o seu macacão amarelo e veste um elegante vestido com um estilo "tomara que caia" porreta. Por alguma razão, ela vai visitar os esgotos para mostrar seu vestido a Donatello, Raphael, Leonardo e Michelangelo. A reação deles não poderia ter sido mais compreensível e rapidamente podemos ver todos eles à beira de uivarem feito os lobos dos desenhos do Tex Avery. E até mesmo o mestre Splinter, tão certinho e moralista, pode ser visto cobiçando a mulher humana.
Na cena seguinte, as tartarugas seguem April para fora da sala, e eles tentam passar todos ao mesmo tempo pela porta, em meio a brigas e empurrões, com um indisfarçável desejo réptil. Tenso. 
 
 
 
 Os Smurfs derrotam o feiticeiro infernal
 
Para os malucos teóricos da conspiração de plantão, na lista de personagens ameaçadores de desenhos animados, os Smurfs encontram-se um pouco acima dos Snorks e logo abaixo dos Super Tiras. Mas convenhamos que os Smurfs talvez sejam os personagens de desenhos animados que mais sofreram com boatos e contos aterrorizantes na década perdida, com suas casas de cogumelos, seus questionáveis posicionamentos políticos para a época, e por aí vai.
É cada uma que esse povo inventa...
Porém aqui vamos falar do seu primeiro especial de Natal, onde os Smurfs foram chamados para salvar duas crianças perdidas e seu inimigo de longa data, o feiticeiro Gargamel, que, durante este desenho, estão à mercê de um outro bruxo que pode ser claramente descrito como um emissário do inferno.
E eu curti, mas também fiquei decepcionado com o personagem, mesmo naqueles meus anos inocentes.
Porra, ele entraria facilmente para a minha lista dos vilões mais ameaçadores dos desenhos dos anos 80, se não tivesse sido derrotado da maneira que fora. Mas isso não quer dizer que não tenha sido aterrorizante para o público da época.
Os Smurfs lutaram da única maneira que poderiam: cantando uma música natalina com um interminável e irritante refrão. E todos se juntam aos Smurfs, cantando até fazer o feiticeiro satânico, aos gritos de agonia, desaparecer completamente.

                         
 
"A bondade faz a maldade ir embora."
Não brinquem com os Smurfs.


 
 Seaspray se apaixona por uma sereia e se torna uma sereia em "Transformers"
 
Esqueçam todo o massacre e as chocantes mortes mecânicas no filme dos Transformers de 1986 ou o episódio em que Perceptor tornou-se um robô gueixa em um planeta de japoneses feudais alienígenas.
O momento mais ferrado em toda a história de "Transformers" aconteceu em um episódio da série clássica em que Seaspray vai a uma planeta distante para deter uma operação dos Decepticons.
Naquele mundo longínquo, porém civilizado, Seaspray conhece Alana, uma dos nativos inteiramente humanóides. E em mais uma prova do quão pouco os escritores dos episódios estão se lixando para o que estão produzindo (afinal é um show para crianças), é revelado que aquele povo dispõem de uma piscina mágica para se transformarem em sereias.
Seaspray salta naquelas águas místicas e se torna uma espécie de Aquaman. E isso não é apenas estranho, mas também assustador porque aqui é demonstrado que os Transformadores também têm alma (!)... o que faz com que os massacres de robôs em grande escala no filme sejam ainda mais perturbadores.
Também é meio bizarro ver Seaspray tendo uma conversa estranhamente romântica à beira do oceano com um Bumblebee claramente desconfortável.
 
 
 
 Os exércitos infernais (de novo?) em "My Little Pony"
 
Essa é para quem se julga Brony de verdade. Certamente deve ser do conhecimento de todos que o fim da quarta temporada do tão amado "My Little Pony: Friendship is Magic" foi fortemente inspirado no episódio piloto da franquia nos anos 80.
Ao contrário de todos os outros desenhos animados baseados em uma linha de brinquedos, "My Little Pony" não tinha vilões pré-designados, deixando os escritores para desenvolver outros constantemente. Alguns destes antagonistas não foram tão ameaçadores, coisas que não surpreendem nem um pouco como lulas gigantes ou bruxas com excesso de peso que queriam tocar o terror em Pony Mansion. Nada que convencesse alguém, mas o primeiro vilão das pôneis, no entanto, era um senhor demônio.
Tirek é um centauro chifrudo com uma voz rouca digna dos melhores papéis de Frank Welker. Este emissário de Satanás enviava dragões e homens-lagartos para sequestrar pôneis desavisadas. Então, em cenas muito assustadoras para um desenho animado ostensivamente destinado a crianças de 5 anos, ele as transforma em dragões monstruosos despejando a sua forte magia negra sobre as pobres criaturas.
Desculpem fãs do "novo Tirek". Embora o atual seja mais poderoso, canalha e muito bom de briga, o clássico é um vilão que realmente impõem respeito.
Mas estamos falando de anos 80. Então ainda assim a sua imagem ficou abalada até os dias de hoje, quando as pôneis e sua aliada humana o derrotam durante o confronto final deixando ele ser esmagado dentro de um arco-íris mágico.
Uma finalização bem gay, diga-se de passagem.
 
 
 
 As crianças zumbis de "Zona Espiral"
 
Esse desenho era MUITO FODA! Um dos mais sombrios e perturbadores produzidos durante a década de 80!
"Zona Espiral" pode ser facilmente confundido com uma recauchutagem de "Comandos em Ação", o que de uma certa forma ele é. Os heróis da série, um bando de super-soldados convenientemente internacionais dotados de armaduras hi-tech, poderiam participar de uma das inúmeras batalhas contra o Comandante Cobra. Mas os vilões da sua série, no entanto, são um pouco diferentes.
No início do desenho, um cientista louco já havia conquistado metade do mundo, lançando sobre o planeta um tipo de bactéria que ele próprio desenvolvera, transformando as pessoas infectadas em zumbis de olhos amarelos e com um tipo de fungo vermelho brotando de seus rostos!
Esta animação, retratando um verdadeiro conflito em um mundo pós-apocalíptico, com suas cidades queimadas e "zonas" infectadas cheias de vítimas contaminadas, foi o que nós crianças dos anos 80 tivemos de mais próximo de um "The Day After" ("O dia seguinte"). E claro que os heróis tinham nomes como Dirk Courage e os vilões, mesmo com as suas lesões faciais assustadoras, eram estúpidos. Mas há algo ainda mais sombrio e desagradável sobre "Zona Espiral". Foi uma alegoria sobre a guerra nuclear? A crise da AIDS? Provavelmente não, mas não seria preocupante que tais questões tivessem sido abordadas até mesmo em uma simples série comercial da época?
 
 
 
Jem faz amor em "Jem e as Hologramas"
 
Caras, eu sou terrível!
Tá, o título ficou meio sensacionalista, mas...
Devemos admitir que os censores nos anos 80 foram pessoas razoavelmente atentas. Eles são a razão pela qual todos os pilotos dos aviões de guerra em "Comandos em Ação" tinham paraquedas e porque a palavra "morrer" foi evitada tanto quanto palavrões.
Se tivéssemos que escolher algum dos desenhos animados daquele tempo que foi perito em passar por cima das análises dos censores, poderíamos falar de "Jem e as Hologramas". É, a Hasbro vem há décadas mostrando a que veio, com "Jem", "Comandos em Ação", "Transformers". Aliás também não é a Hasbro a culpada por "My Little Pony: Friendship is Magic" que transformou todos nós em Bronys?
"Jem" foi um desenho muito popular no Brasil e a minha memória afetiva me faz pensar que eu realmente curtia isso um pouco. E agora, o que poderíamos comentar de questionável no desenho aparentemente inofensivo da Sailor Moon do rock? A resposta viria com a internet, e agora que estamos adultos, ao rever algumas canções e clipes musicais da personagem, percebemos que algumas letras podem ser um tanto quanto insinuantes.
Prestem atenção no que é dito durante a música "Who is he kissing" no clipe a seguir.
 
                         

Se você entende um pouquinho de inglês, já deve ter entendido o que eu quis dizer.
Bom, pode ser só o fato de que já dei adeus a minha inocência há muito tempo, mas também é fato que ela disse o que acho que escutei ela dizer.
Ou talvez seja apenas minha mente poluída mesmo!
 
Mente poluída.
Traduzindo o principal, ela diz logo na primeira estrofe: "fazendo amor com uma fantasia." Eita!
Talvez possam ter acontecido reuniões e debates no estúdio sobre isso. Mas, se pensar em um tempo em que foram proibidos os namoros inter-raciais de "Robotech", é de se estranhar que a canção de Jem não tenha sido alterada.
 
 
 
 D. Compose tem seu braço impiedosamente devorado
 
"Inumanóides" foi um desenho animado que todo o menino desajustado de oito anos de idade teria feito se ele tivesse o seu próprio estúdio de animadores japoneses e coreanos com excesso de trabalho em 1987. Lembro que achava esse desenho muito foda, interessante e assustador, mas é uma pena que boa parte disso seja só a minha memória afetiva sendo muito generosa.
No desenho, os heróis da humanidade enfrentam criaturas gigantes e hediondas, chamadas Inumanóides, que habitam as profundezas da Terra e são capazes de fazer coisas horríveis aos humanos, devido ao seu ódio pela nossa raça. E na abertura da animação já vemos a que vieram aqueles monstros quando é rapidamente mostrada uma cena em que o membro feminino do grupo de heróis é transformado em um horripilante esqueleto salivante com o toque de D. Compose, que aliás foi o meu monstro favorito da infância, devido o seu estilo e o seu poder louco de zumbificação.
Mas ainda mais perturbador foi Gagoyle, uma monstruosidade sem braços, de apenas um olho e com um asqueroso estômago transparente. Após ter sido chocado pelos vilões humanos do desenho, a criatura devora impiedosamente todos os seus irmãos não eclodidos e segue devorando muito mais coisas, incluindo o braço de D. Compose e duas estátuas de guarda do submundo que, apesar de serem de pedra, se contorcem e gritam quando Gagoyle arranca as suas cabeças. Em seguida, o vilão principal do desenho, Metlar torna-se o herói de todas as crianças, matando a criatura, embora ele tenha agido um pouco tarde demais. Aquelas cenas serviriam de longos pesadelos e noites mal dormidas em nossos infâncias felizes.
 
 
 
Thundercats pelados
 
Enquanto muitas gerações passadas simplesmente não questionavam o fato do Pato Donald não usar calças, chegam os anos 80 e os animadores dos novos desenhos resolvem chocar as crianças da minha geração quando, em pleno episódio piloto de "Thundercats", vemos os heróis principais do desenho apresentados completamente nus em sua terra natal.
Sim, aqui todo muito é visto da forma em que vieram ao mundo. Mesmo que a Cheetara também esteja sem roupas, não dá para ver os seus mamilos e o desenho poderia até querer nos convencer de que aquela falta de roupas era algo natural. Mas vejam só, Jaga usava roupas. Será que no planeta Thundera roupas é um sinal de status social? Na verdade, não. Logo depois todos eles ganham suas roupas habituais e nós finalmente vamos assistir ao desenho podendo encarar a Wilykit de frente.
E assim a nossa geração perdeu um pouco do resquício de inocência que lhe restava. Alguns pais, provavelmente proibiram seus filhos de assistirem a "Thundercats" logo após os cinco primeiros minutos do episódio piloto.
 
Isso sim é uma boa maneira de se começar o dia.
No mais eu devo agradecer aos Thundercats por me apresentarem a minha primeira mulher pelada. Ah,  e agradeço igualmente ao Jaspion também pela Anri (Vocês fãs de Tokusatsus sabem do que eu estou falando)! 
 
 
 
Premiação máxima
"Policial de aço Jiban"
 
Tokusatsus, além de divertirem, instruem. Eles  nos mostraram que o mundo não é um mar de rosas e que não é errado você querer lutar pela justiça, já que existem muitíssimas pessoas que infelizmente não são convencidas com simples discursos.
Em outras palavras, Tokusatsus ensinam você a ser homem! Mas em compensação, devo admitir que os roteiristas de Tokusatsus devem odiar crianças. E se vocês não estão convencidos, revejam os seriados e notem a quantidade de cenas brutais e questionáveis nestas atrações destinadas aos horários em que a turminha de 7 a 10 anos estava diante da TV.
Eu queria mesmo colocar algum Tokusatsu nesta postagem. Pensei em falar de outras pérolas como o Natal macabro do Sheider, mas cheguei a conclusão de que o seriado que mais merece ficar aqui é o do Policial de aço Jiban.
Os roteiristas além de ter algo contra as crianças, tinham um grande ódio pelo personagem, que é morto de forma brutal, com direito a perda de um braço, no episódio 34 da série. Mas o seriado nos proporcionou diversos outros momentos sombrios como o do episódio "Bem-vindo ao mundo espiritual". Neste episódio, o vilão mais odiado de todos os Tokusatsus, o dr. Jean-Marie, quer descobrir a localização da base secreta do Jiban e para isso coloca em ação a sua criação mais aterrorizante, o monstro Shisatsunoide. E ele era horripilante feito aquele zumbi de "A volta dos mortos-vivos" que gritava "miooooolos" e ainda era dono da personalidade mais louca de todas.
Pois bem, Shisatsunoide queria matar o Jiban, mas também queria morrer, e tudo porque desejava conhecer ao vivo o Mundo Espiritual, que mais parecia o próprio inferno (ou o Yomotsu Hirasaka, apresentado por Máscara da Morte de Câncer em "Cavaleiros do Zodíaco"), cheio de gritos e torturas. E, como não podia partir desta para uma pior sem antes completar a sua missão, ele se contentava em se envenenar aos poucos com uma névoa tóxica produzida pelo seu próprio corpo até chegar o momento em que esta mataria a ele e ao herói.
Ô loco! O cara queria morrer, se agoniava com um desejo tão intenso, e ainda queria ir de preferência ao inferno, e melhor ainda se puder levar o Jiban junto com ele.
Loucura é pouco! E olha que ainda nem mencionei o episódio 27, "A transformação dos filhos em Satanás", violência praticada por crianças e politicamente incorreto ao extremo.
Bons tempos, bons tempos!
 
 
 
Menção Honrosa 
A morte do Superman
 
A memória afetiva de muitas pessoas não alivia nem um pouco para o desenho "Superamigos", sendo muitas vezes considerado um "lixo clássico".
Tá certo que tinha muitos episódios realmente toscos, como aquele em que descobrimos que a nossa Lua na verdade é um ovo que abriga uma criatura bizarra que cresce absurdamente, conseguindo andar sobre o planeta Terra, com direito a uma finalização histórica em que o Chefe Apache, usando um aparelho do Átomo (ou Eléctron), intensifica os seus poderes de crescimento e enfrenta o monstro pisando tranquilamente sobre os continentes. Roteiro este que parece ter sido concebido sob a influência de drogas alucinógenas.
Mas outros episódios eram muito bons, sem falar que o primeiro contato que eu tive com muitos dos heróis da DC Comics foi através dos "Superamigos".
Eu coloco como o momento mais sombrio desta animação o episódio em que o Superman morreu. E aqui está apenas como uma "Menção honrosa" porque esse episódio, apesar de ser tão marcante, digno de uma postagem inteiramente dedicada a ele, não foi um tipo de acontecimento questionável, e sim algo ousado. Os roteiristas do episódio passaram, em uma atração dedicada às crianças, um tema sobre o qual todos nós, mesmo agora adultos, evitamos ao máximo falar: a morte.
Muito antes da DC ter a "brilhante" ideia de matar o seu maior super-herói na década de 90 para alavancar as vendas dos quadrinhos, o desenho "Superamigos" nos apresentou como um evento assim realmente seria. E aqui o Último Filho de Kripton não é morto da forma ultraviolenta que a DC nos apresentou, ele morre envenenado por Kriptonita.
Seu corpo inerte, completamente verde, o desespero do Tempestade (eu sei que o nome dele nos quadrinhos é Nuclear, ok.), que julgou-se culpado, e a comoção de todas as pessoas do planeta, chocaram e marcaram muitas crianças na época. 
 
 
E por hoje fico por aqui. Gostaria de encerrar esta postagem com alguma mensagem edificante sobre a beleza de ter pertencido a esta geração, mas, como não encontro as palavras certas, termino com o vídeo da abertura do animê fodão e velhão "Saber Rider e os Star Sheriffs" que passou aqui naquela época:
 
                        

Alegria nas manhãs do SBT, embora devidamente censurado e adaptado pela chata WEP dos norte-americanos, o que pode render uma boa postagem futura.
 
Até a próxima, pessoal!

domingo, 5 de outubro de 2014

DICA DE FILME/PERFIL: DJANGO (1966)

 
Hoje vamos falar sobre masculinidade! Os frescos e críticos politicamente corretos de plantão devem passar longe de uma postagem como esta que agora vos apresento.
Quando o assunto é faroeste italiano (ou western spaghetti), o nome que sempre vem a mente daqueles que o conhecem é o do diretor Sergio Leone. Mesmo porque fora este um dos grandes nomes que deu vida ao clássico "Três homens em conflito" e outras maravilhosas pérolas do gênero. Porém, o nome Sergio Corbucci merece também ser imortalizado, pois foi ele o diretor de dois incríveis filmes que foram "O Grande Silêncio" e, é claro, "Django", que com certeza está entre os filmes favoritos de todos aqueles que admiram o gênero.
O bang bang italiano, como também é chamado, surgiu nos anos 60. E estes filmes se diferenciavam dos faroestes feitos em solo norte americano em muitos aspectos. Eram filmes, que poderíamos assim chamar de mais “sujos”, muitas vezes protagonizados por anti-heróis desprovidos de escrúpulos, como no caso do personagem de Clint Eastwood no filme "Três homens em conflito", nem mesmo um nome ele tinha. 
Por outro lado, os filmes de faroeste feitos em território americano eram mais "poéticos", com o herói nobre que luta defendendo o "sonho americano".

Django é o personagem criado para o filme de mesmo nome em 1966, dirigido por Sergio Corbucci, e foi inspirado em "Yojimbo, o guarda-costas" de Akira Kurosawa. 
Corbucci queria que seu personagem fosse um pouco mais parecido com um ronin, um samurai sem mestre, como aquele apresentado em "Yojimbo" e brilhantemente vivido pelo lendário Toshiro Mifune. Por esta razão, a Django foi negado um cavalo. Ele surge pela primeira vez no filme andando, arrastando um caixão no meio da lama, levando sua sela em seu ombro.
 
Yojimbo (1961)
 
Ao contrário de Sanjuro (o samurai de "Yojimbo"), Django não é um transeunte que se depara com uma determinada situação que, por um motivo ou outro, atrai a sua atenção. Ele é um homem com uma missão, e a missão é: vingança! Ele é um veterano da Guerra Civil e sua esposa foi morta  pelo racista major Jackson dos Confederados.
Django... "o homem é foda, patroa". Quando em desvantagem na luta contra seus adversários na rua, simplesmente saca uma metralhadora do seu caixão, vinda sabe-se lá de onde e, mais a frente, após ter as suas mãos esmagadas e mutiladas com crueldade por ter traído os seus ex-aliados, ele milagrosamente equilibra seu revólver em uma cruz de metal no cemitério e mata seu inimigo.
Com sua capa preta e truques sujos, ele é como nenhum outro vaqueiro nunca havia sido na história do cinema e o seu nome é uma homenagem ao lendário guitarrista de jazz Django Reinhardt. Curiosamente Reinhardt era um cigano e o nome Django significa "acordar". É provável que Corbucci era fascinado pelo "simbolismo das mãos ", já que em seu filme anterior havia apresentado um pistoleiro que ficou cego, e agora Corbucci queria fazer um filme sobre um pistoleiro que não podia usar as mãos. Parece lógico que um homem armado e com algum tipo de deficiência seria batizado com o nome de um músico deficiente. Quando tinha 18 anos, Reinhardt foi ferido em um incêndio; sua perna direita ficou paralisada e o terceiro e quarto dedos da sua mão esquerda sofreram queimaduras de terceiro grau. Pensava-se que ele nunca mais iria tocar guitarra novamente, mas ele aprendeu a tocar todos os solos de guitarra com apenas dois dedos (!).


Django Reinhardt

Django foi interpretado pelo ator italiano Franco Nero, que tinha apenas 23 anos de idade na época. Ele portanto recebeu a voz de um ator na versão italiana, para fazê-lo, pelo menos, parecer mais velho. De acordo com Mark Damon, ator veterano, Corbucci o queria para o papel, mas foi convencido pelo produtor Bolognini e sua esposa Nora a aceitar Nero.
Em vários países "Django" enfrentou alguns problemas graves de censura, e foi proibido pela censura britânica até o seu lançamento em 1993 em vídeo.

Se você assistiu e curtiu a versão moderna de "Django", "Django livre" de 2012, é obrigado a conhecer a versão original, caso ainda não a conheça. Afinal esta foi a inspiração de um jovem Quentin Tarrantino nos idos de 1966.
Em muitos aspectos "Django" é simplesmente uma leitura mais obscura, mais suja e mais sádica da velha história de " um homem em meio a guerra entre duas facções". Interessante também foi o fato de Corbucci ter se inspirado na história de Kurosawa, enquanto o próprio Kurosawa tinha baseado partes de seu filme em um romance original americano, "Red Harvest", de Dashiel Hammett.
Uma decisão importante de Corbucci foi a de politizar o seu filme, ao retratar uma das facções em guerra como uma espécie de organização "KKK" de vigilantes confederados. Corbucci fez uma declaração antirracista bem clara e alguns dizem que pode até mesmo ter sido uma declaração antiamericana. Alegadamente, Corbucci estudara muitas notícias com gravações de reuniões da Ku Klux Klan e as utilizou como inspiração facilmente identificada em muitas das cenas presentes no filme, como durante a cena em que eles desfilam na rua com seus rostos cobertos por capuzes e incendiando cruzes de madeira (demonstração do seu fanatismo e anticatolicismo) enquanto Django os estava esperando perto de um tronco seco de árvore. 

Com relação ao suposto antiamericanismo do filme, posso fazer algumas colocações pessoais. Eu já tive a minha fase antiamericana, que coincidiu com a minha fase de rebeldia, que todo o homem com certeza já experimentou, afinal é a adolescência. Com o passar dos anos o meu antiamericanismo diminuiu bastante, sou contra todas as formas de xenofobia e admiro o povo norte americano, um dos mais honestos e trabalhadores do mundo, mas também ainda tenho muitas críticas para com eles, como tenho para com qualquer outro povo do nosso mundo. E o que Corbucci apresenta no filme é uma das críticas que ainda guardo com relação a cultura norte americana. Principalmente nos últimos 15 anos, essa face problemática da sociedade americana vem sendo importada de forma massiva pelos brasileiros. Intolerância, fanatismo e ganância transvestidos de espiritualidade, e muita gente não se dá conta disso. E ainda eles, ávidos por poder, desejam o controle político e cultural de todo o nosso país. Acho que vocês já entenderam.
 
O filme também critica o capitalismo selvagem que move muitas pessoas. Por exemplo, é a sua própria ganância que quase levou o nosso herói Django a ruína, além do dinheiro ter sido a causa de traição e perdas durante o filme.
Quase todo o filme usa a assinatura de Corbucci. Está tudo lá, o seu imaginário, a violência, seu forte estilo visual, imediatamente reconhecível, e sua predileção pela sátira, como na cena em que o pastor-espião, que trabalhava para a KKK, é forçado pelos bandidos mexicanos a comer a própria orelha decepada, porque ele ouviu demais. 
 
Para um filme que foi produzido dentro de semanas e com um orçamento bastante reduzido, o resultado parece poderoso. Por outro lado, o filme apresenta os acontecimentos de forma episódica e a descrição dos mexicanos é um tanto simplista. Mas tudo funciona muito bem e é fácil e divertido para o espectador acompanhar e compreender a ligação entre cada personagem e os episódios cada vez mais violentos, começando com o chicoteamento da prostituta e, finalmente, resultando em Django equilibrando a sua pistola, com as mãos mutiladas, numa cruz para dar um fim à vida odiosa de seu inimigo, o major Jackson, num dos tiroteios mais emocionantes que já vi, invocando o Pai, o Filho e o Espírito Santo (pelo menos na versão italiana).

"Django" é um dos maiores cults de todos os tempos no cinema e até é considerado um objeto de culto pelos seus fãs fanáticos e devo confessar ser este o meu filme clássico favorito. É muito bom revê-lo hoje e perceber que a sua grandiosidade não vem apenas do meu sentimento nostálgico. Este western spaghetti é um filme muito bom mesmo e que realmente fez história no cinema, sendo por isso digno de todas as homenagens.
 
                      
                            

domingo, 7 de setembro de 2014

ANO DE ELEIÇÕES: POLÍTICOS, VILÕES TAMBÉM NA FICÇÃO


Como estamos em ano de eleições, não poderia deixar de fazer uma postagem inteiramente dedicada ao tema. Aqui vamos demonstrar como os nossos eleitos já foram capazes de exercer um perfeito papel como vilões em diversas histórias ficcionais. Mas antes de prosseguirmos com a matéria, é importante deixar claro que tudo o que escrevi apenas faz parte da minha opinião, sou apartidário, mas não devo esconder que tenho as minhas próprias convicções políticas, e acredito que todos os meus leitores devem ter as suas próprias também.
Estamos em um período de reflexão, um momento em que devemos estar ainda mais conscientes dos nossos deveres como cidadãos e, no momento em que realizarmos o exercício cívico do voto, possamos escolher os melhores candidatos que ocuparão os cargos políticos mais importantes do nosso país. E saber selecionar o candidato certo é de importância vital para a nação.
Achei que seria interessante debater um pouco sobre o tema utilizando um pouco das histórias ficcionais (quadrinhos, mangás, etc.) em que a política é um tema bem abordado e nas quais muitas vezes os políticos são retratados como grandes vilões das histórias, dando muita dor de cabeça para os nossos heróis.
Para começar podemos citar um caso bem interessante que aconteceu nos quadrinhos, com Wally West, o super herói Flash, lá pelo fim dos anos de 1990, em uma história de Mark Waid e Paul Ryan.
Nesta ocasião, a prefeitura de Keystone City chegou a conclusão de que o herói velocista era culpado por nove entre dez males que assolavam a cidade. Mas tudo isso foi só porque o prefeito estava à procura de um bode expiatório para se reeleger, e ele chegou até mesmo a exigir um afastamento do Flash e até enviou um técnico em contabilidade para calcular os danos causados em cada atividade do herói.


Assim restou a West  continuar morando em Keystone City e também atuando como Flash por um tempo na cidade litorânea de Santa Marta, até que o Major Desastre apareceu e inundou todo o lugar.

Outro super que também tem seus problemas com os engravatados é o Superman. O maior de todos os heróis da DC Comics, desde que começou a atuar no ramo, sempre foi visto com desconfiança pela alta cúpula, especialmente pelo exército, que temia uma possível rebelião do Kryptoniano.
Por exemplo no arco Nova Krypton, vemos um plano maquiavélico do sogro do herói, o General Sam Lane, para eliminar de uma vez por todas a “ameaça alienígena”, fazendo de tudo um pouco, desde libertar Apocalypse e utilizá-lo para atacar o presidente e até incriminar o Superman como terrorista ao lado de seus conterrâneos.
E não podemos deixar de mencionar o maior inimigo do Homem de Aço que conseguiu até mesmo ocupar o cargo mais importante do país. Sim, Lex Luthor já foi eleito presidente dos Estados Unidos e, o mais incrível, jogando limpo, sem trapaças. Claro que ele fez muitas coisas por baixo dos panos, como formar aliança com sujeitos como o General Zod e Darkseid. Inclusive Luthor planejou o assassinato da namorada de Bruce Wayne, Vesper Fairchild, e ainda o incriminou por ter tirado os contratos militares das empresas Wayne com o exército.


E por falar em Batman, o Cavaleiro das Trevas também teve alguns problemas com os chamados chefes de estado. Além de confrontá-los na minissérie "Batman: Conspiração", ainda teve de ver a sua cidade devastada por um terremoto e separada do resto do país como uma terra sem lei na saga "Terra de Ninguém". 


Esta saga é uma sequência direta da saga "Terremoto" e é ainda mais tensa, onde vemos Gothan que fora derrubada pelo terremoto e as ruas separadas pelos escombros, favorecendo a divisão da cidade pelos grandes do submundo em territórios. E em meio à falta de água e comida qualquer coisa vale como moeda de troca por proteção, e os crimes acontecem de forma absurda.

Mas não dá para falar de DC Comics sem falar também de como as questões políticas também são profundamente abordadas nas histórias do grupo de super heróis Watchmen. Maravilhosa foi a saga de Allan Moore, na qual o que percebemos é que a todo momento o governo procura tomar as rédeas da situação. 
Basta lembrar por exemplo do surgimento do Dr. Manhattan, que, logo após fazer a sua primeira aparição, o governo dos Estados Unidos deu um jeito de transformar a figura do herói na imagem do poderio americano e, mais tarde, é o mesmo governo que vai tentar reprimir as atividades dos vigilantes.


Criados por Alan Moore e Dave Gibbons, esses heróis tiveram que lidar com toda forma de política. Primeiro o Ato Keene, votado pelo Congresso Nacional, que baniu todos os vigilantes mascarados, destituindo os heróis da condição de defensores da sociedade. Os defensores do Ato Keene eram normalmente cidadãos comuns, a mídia liberal e até mesmo alguns poucos heróis e vilões. Essa lei foi uma das primeiras vezes nos quadrinhos em que o governo interferiu na vida dos heróis. Fato parecido também nas histórias da Sociedade da Justiça e também em uma das mais conhecidas mega sagas da Marvel Comics, como veremos mais adiante. O segundo maior obstáculo para os justiceiros viria a ser a Guerra Fria, com o presidente Nixon e a União Soviética à beira de um Apocalipse nuclear.

No século 20, as histórias em quadrinhos procuraram mostrar bem mais este caráter de controle sobre os super vigilantes. Isto é provado em várias séries publicadas no selo Marvel Max, Poder Supremo e Esquadrão Supremo, de J. Michael Straczinsky.

Hyperion
Muito interessante é o personagem Hyperion, membro do Esquadrão Supremo. Ele tem uma origem que emula a do Superman, mas é um personagem mais sombrio e tenebroso. Tal como o Homem de Aço, ele também veio do espaço e também é encontrado por um casal de fazendeiros, mas os dois acabam sendo assassinados  por oficias do governo, que adotam o pequeno alienígena e o levam para ser treinado e doutrinado para ser obediente as leis do país, ao lado de outros meta humanos, que são até mesmo enviados ao Iraque a fim de derrubar regimes totalitários. Mas claro que com o tempo as coisas mudam.


Resumindo, o Esquadrão Supremo seria como a Liga da Justiça da DC Comics, mas aqui o grupo é totalmente controlado pelo governo do país. 

Os maiores clássicos sobre questões de interferência política realmente ocorreram na editora da Marvel Comics. Se pegarmos por exemplo as histórias dos X-Men, vemos como o governo lidou desde o começo com a questão mutante, confiando ao cientista Bolívar Trask a missão de criar aberrações como os Sentinelas, para caçar uma parcela da população que nasceu diferente. Se você não leu, talvez tenha visto o último filme do grupo, "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido", que nos apresenta muito bem como tudo isso aconteceu. E foi esse mesmo governo que quase aprovou a terrível Lei de Registro Mutante, e também podemos falar sobre eventos pós-Dia M, quando boa parte da população mutante perdeu os poderes e foi segregada em campos de confinamento.
Nos últimos anos os quadrinhos tiveram muitas histórias que eram claras críticas em relação a postura política diante da comunidade heroica.


Foi a mega saga Guerra Civil, escrita por Mark Millar, que realmente estremeceu as bases não apenas para os heróis, mas entre eles.
Bem, a esta altura do campeonato, dificilmente deve haver alguém que não saiba do que se trata este evento, mas vale uma rápida explicação: Os Novos Guerreiros causaram um acidente que levou cerca de 600 pessoas a morte, incluindo muitas crianças, em uma explosão numa cidade no interior dos Estados Unidos e por isso o governo aprovou a Lei de Registro Super Humano, que obriga cada super humano ou vigilante do país a registrar sua verdadeira identidade junto ao governo, sendo que a recusa poderia até mesmo levar a prisão.
A lei dividiu os heróis entre os defensores da lei como manutenção de suas atividades e os que a viam com maus olhos, como um tipo de repreensão ditatorial. O Capitão América surpreende a todos os leitores ao ficar pela primeira vez na história contra o seu próprio governo e assim vira um justiceiro clandestino e é obrigado a enfrentar o maior defensor da nova lei, o Homem de Ferro.


A cena acima (o soco do Homem de Ferro no rosto do Capitão América, que fica todo desfigurado) resume muito bem o que foi esta saga, que trouxe consequências até os dias de hoje ao universo da Marvel Comics, mas as opiniões dos leitores atualmente se divergem. Muitos acham a fase fantástica, mas por outro lado existem aqueles que não conseguem se conformar com alguns acontecimentos e muitos até hoje não conseguem perdoar Tony Stark pelo o que ele fizera. Sem falar que esta fase foi responsável pelo pacto do Homem Aranha com o Mephisto (!), mas este assunto pode ficar para alguma postagem futura.   


O confronto entre os heróis é apenas um dos grandes problemas. Além da opinião pública ter reagido de forma muito negativa, o governo ainda transformou super vilões em um grupo de mercenários ao seu serviço, chamado Thunderbolts, e os colocou para caçar os heróis que não aceitaram o registro. É o que parece, os Thunderbolts são realmente uma cópia do Esquadrão Suicida da DC Comics, embora possuam alma própria. 
Sem falar que o governo chegou ao cúmulo de tornar Norman Osborn, ninguém menos do que o maior inimigo do Homem Aranha, o Duende Verde, Secretário da Segurança Nacional, logo após a saga da Invasão Secreta.

Em muitos mangás, famosos ou não, o tema da política foi utilizado. E na grande maioria das vezes, refletia a época e a situação política e econômica na qual na qual o Japão se encontrava. 
"Akira", de Katsuhiro Otomo, foi um mangá lançado em meio à crise ocasionada pela bolha imobiliária no Japão, que durou de 1986 a 1991.
Mesmo que o mangá tenha sido iniciado antes desse período, é possível perceber alguma influência da situação política no filme animado lançado na época. Enquanto o mangá é mais espiritual, o animê pega um rumo mais político e filosófico.


O ano é 1988 e estourou a Terceira Guerra Mundial. O Japão foi bombardeado mais uma vez e o efeito é devastador. Passados 31 anos desse episódio, o mundo está sendo reerguido. A sociedade se torna cada vez mais complexa, onde todos querem ter algum poder sobre os outros: gangues, grupos revolucionários, órgãos governamentais, seitas religiosas, dentre outros. Em meio à decadência, o clima de incertezas, o caos, um Estado policiado, disputas entre gangues, a luta por liderança e poder se torna comum e o povo é ainda deixado totalmente de lado por um governo extremamente capitalista. O mundo não é mais o mesmo.


Sendo um momento de grande desenvolvimento para o Japão, na época em que a história foi escrita, e anterior à grande crise econômica que atingiu o arquipélago a partir da década de 1990, a enorme evolução tecnológica e econômica era o que indicavam até mesmo as mais simples análises da situação do país. Otomo, entretanto, buscou mostrar o lado sombrio de todo esse desenvolvimento, não só pelo caráter social apresentado durante o filme, mas pelo exemplo dado em relação ao próprio personagem Tetsuo, o poderosíssimo telepata que outrora fora um jovem fraco que não sabia bem se defender, e perde o controle de si mesmo ao receber poder demais, o que acaba sendo a razão de sua própria destruição, em uma suave metáfora.

Falando agora de uma obra mais conhecida na atualidade, gostaria de citar o espetacular animê/mangá "Hunter X Hunter", da autoria de Yoshihiro Togashi, e falar em especial sobre o arco das Chimera Ants, que é um espetáculo à parte. Cheio de cenas épicas, muita tensão, batalhas estratégicas, cabeças rolando e momentos de pura filosofia e reflexão, enfim temos de tudo nesse arco.


Há uma passagem no referido arco em que nossos heróis Gon e Killua chegam a República de East Gorteau, país que fora invadido pelas Chimeras Ants e completamente dominado por estas perigosas criaturas. Aquele é um lugar que Killua já conhecia graças ao fato de seu avô ter feito um trabalho por lá décadas antes. E aqui Togashi não perde a oportunidade de satirizar ferozmente a Coréia do Norte, um dos mais vergonhosos regimes ditatoriais da atualidade.
Em muito East Gorteau se parece com o país que nós melhor conhecemos. Sendo uma das nações da União Mitene, é governada pelo líder supremo Ming Jol-ik (he, he), uma nação isolacionista, com grande parte do povo vivendo marginalizada. Meruem, o rei das Chimeras Ants, inclusive ficou muito furioso com a pouca inteligência e a inabilidade daquele ditador.
O líder Ming Jol-ik criou um sistema de informantes, recompensado por espionar e punir traidores, e até famílias são divididas e utilizadas como reféns para garantir o bom comportamento dos outros. 
Eu acredito que Togashi configurou as Chimeras Ants como seres tão terríveis e odiosos quanto possível, só para esculpir lentamente as distinções morais entre eles e a maior parte da raça humana enquanto este arco progredia. E ele fez um ótimo serviço denunciando os males do totalitarismo, coragem que poucos tem nos dias de hoje.

Mas falando em Yoshihiro Togashi, não devemos deixar de mencionar o arco que sucedeu ao "Chimera Ants" em "Hunter X Hunter". Com a morte de Netero, presidente da organização dos Hunters apresentada no mangá, era necessário escolher alguém capacitado para liderar o grupo, e aqui o autor faz uma sutil crítica ao sistema eleitoral ao colocar na história o nosso querido aspirante a doutor, Leorio Paradinight, que tornou-se o centro das atenções por causa de um motivo sensacionalista e, quando ele menos esperava, já estava concorrendo ao cargo de presidente e quase vencendo a eleição. Suas motivações eram puras e sinceras, mas ele não era capacitado para o cargo.
Togashi sabe fazer crítica social de forma bem divertida e interessante, sendo que, nesta fase do mangá de "Hunter X Hunter", foi até didático ao apresentar o funcionamento do sistema de votos e o jogo de interesses entre candidatos e seus apoiadores, personificados na disputa entre Leorio e o "vilão" Pariston Hill, vice-presidente da associação e retratado como um patriota de Extrema Esquerda e com a inteligência de um Lex Luthor.

Até mesmo um mangá mais "inocente" como "Kinnikuman" retratou os políticos de tal regime descrito anteriormente como uma pedra no sapato dos heróis. 
"Kinnikuman", o animê/mangá, acontecia na década de 1980, ou seja, o mundo encontrava-se em meio a Guerra Fria. E eram emocionantes os valores de amizade e companheirismo transmitidos pelos campeões da luta-livre mesmo pertencentes a nações tão distintas e antagônicas diante da possível guerra que poderia devastar todo o planeta.
O lutador russo Warsman passou pelo problema mais comum que todos nós enfrentamos com os políticos: promessas não cumpridas.


Sendo ele um Robot Choujin (um super lutador meio-homem meio-máquina), tornou-se membro da federação de luta-livre da União Soviética a pedido de agentes do governo que lhe garantiram que finalmente sairia da miséria e se consagraria um campeão como fora seu pai Mikailman, além é claro de aumentar o prestigio da sua nação. 
Warsman tinha um grande desejo de trazer justiça social para o seu povo e concordou com a proposta, mas tamanha foi a sua decepção quando, após intensos treinamentos e experimentos pelos quais passara, descobriu que se tornara mera propriedade da SKGB.
Todos os Choujins soviéticos deveriam fazer parte de um registro e tornaram-se máquinas que lutariam pela soberania do império soviético. Sua liberdade fora literalmente confiscada pelo governo. Mas é claro que Warsman não deixaria isso por menos.

Agora citando um dos animês/mangás mais queridos e populares atualidade, vamos falar de "One Piece", do mangaká Eichiro Oda. Uma obra que surpreende qualquer um. Para quem pensa que a saga de Monkey D. Luffy e o seu bando de piratas, é mais um daqueles animês/mangás tipo pancadaria total e totalmente inocente, que temos aos montes nos dias de hoje, se surpreende ainda mais com os valores e as críticas sociais que a obra transmite.
Aqui vou fazer um destaque completo ao vilão da saga atual na qual o mangá se encontra, o pirata Donquixote Doflamingo. Esse vilão ainda não teve suas ações e seu passado totalmente esclarecidos, mas ele já é para mim o maior de todos os inimigos que Luffy já enfrentou. Ele é um grande mentiroso, mau caráter e injusto, sem falar que é poderoso pacas, tendo comido o fruto Ito Ito, que lhe deu o poder de produzir teias com os seus dedos, que o permitem ligar-se as nuvens, gerando uma habilidade de voo, além de também lhe darem a capacidade de aprisionar, cortar e, o mais terrível, manipular os seus inimigos como se fossem marionetes. Sem falar que o apelão ainda possui aquele poder do Haki do Conquistador.


Doflamingo é um vilão espetacular, possui uma grandiosa reputação como pirata roubando o dinheiro dos Nobres Mundiais, os Tenryuubitos, e ainda chantageando o Governo Mundial para conquistar o cargo de Shichibukai. E ele também é dono de um país inteiro, Dressrosa, que ele dominou após usurpar o trono do seu verdadeiro governante o rei Riku Dold III.
Donquixote Doflamingo é um subversivo. Ele conseguiu enganar a todos de Dressrosa, o rei e o povo. Fez com que Riku fosse acusado de roubar todas as posses já escassas das pessoas de Dressrosa e ainda de organizar um extermínio generalizado com a ajuda dos seus soldados reais. Quando a verdade era que Doflamingo simplesmente controlou a todos eles usando os seus poderes para força-los a cometerem tamanho crime. E tudo isso para depois surgir, acompanhado por sua tripulação pirata, como um herói e ser aclamado por todo o povo como o salvador que acabou com a tirania do antigo rei.
Esta história é muito parecida com o que já vimos em certas pequenas ditaduras da história contemporânea. Dressrosa era um reino pobre, havia desigualdade social, e Doflamingo, usando da mentira e da subversão, acabou chegando ao poder. Ok, ele era realmente descendente dos Tenryuubitos e pertencente à casta real com o direito legítimo de governar, mas vejam só os métodos por ele utilizados. 
E ele não trouxe igualdade social, apenas mais injustiças, pão e circo para o povo e prisões e execuções para todos os supostos "inimigos do povo", que na verdade seriam aquelas pessoas que não concordavam com a sua permanência na poder. Tais métodos são como os vistos em regimes totalitários e até em outros governos mais moderados, mas que bem sabemos que apoiam os primeiros. E esta realidade é ignorada por certos defensores "intelectuais" que não podem sequer suportar a presença de pessoas com ideias divergentes das suas.

Bem, o assunto agora é um tanto mais pesado. E vai ficar ainda mais depois.
Poucos devem conhecer o mangá que podemos afirmar sem dúvidas que se trata da obra mais chocante e sombria de Osamu Tezuka. Sim, ele mesmo! O mangá "MW" é uma das maiores críticas sociais já vistas em um quadrinho. E o principal motivo da sua existência foi um momento extremamente tenso na história do Japão, onde o povo japonês encontrava-se muito decepcionado e insatisfeito com o seu próprio governo, devido a revelação de uma cooperação secreta entre o governo do Japão e o governo dos Estados Unidos, no pós-Segunda Guerra Mundial.
No mangá, Garai (um dos protagonistas) menciona certo incidente de envenenamento que ocorrera perto de Okinawa, que logo acrescenta um subtexto para a história. Okinawa é uma coleção de ilhas outrora independentes. Durante a batalha de Okinawa na Segunda Guerra Mundial, não só muitos de seus civis eram  mortos por soldados americanos, mas o exército japonês, no comando do governo, forçava civis a cometer suicídio em massa. Okinawa permaneceu sob o controle dos EUA e, em 1960, o Japão e os EUA entraram no Tratado de Cooperação e Segurança Mútua. Fora autorizada a estação de tropas americanas em solo japonês. Ainda sob a jurisdição dos EUA, Okinawa foi então usada pelo seu exército como uma de suas bases estratégicas durante a Guerra do Vietnã.
Okinawa foi devolvida para o Japão em 1972, mas os EUA mantém uma presença militar concentrada lá até hoje. 


Originalmente publicado na revista Comic Big entre 10 de Setembro de 1976 e 25 de janeiro de 1978, "MW" é um thriller assombroso, que revela um inquietante lado obscuro de Osamu Tezuka (autor de maravilhas como "Astro Boy", "Budha" e "Adolf ") e dá um novo exemplo de seu ecletismo e versatilidade. "MW" concentra-se em retratar o mais desagradável da condição humana em suas mais variadas expressões. Sadismo, a corrupção política, a hipocrisia, os ataques terroristas e o servilismo do Japão para com os Estados Unidos estão entre as questões abordadas nesta pouco conhecida obra do Deus do mangá, como uma crítica ácida e documentada da sociedade japonesa da época, abalada por escândalos reais.
Foi uma obra que quando conheci não me agradara, considerando-a apelativa e ofensiva. Mas analisando melhor a mensagem crítica que Tezuka queria passar, acabei compreendendo o porquê de tudo o que estava ali. Como sempre, vale bastante entender o contexto histórico no qual a obra fora produzida. Afinal "um texto fora de um contexto é um pretexto". E a utilização de um tema religioso foi muito interessante, com o atormentado Garai no fim sendo entregue ao martírio pelo bem de toda a humanidade.

E já que acabei falando sobre o tema religioso abordado em "MW", vou falar agora sobre o delicado assunto que é a mistura explosiva entre política e religião.
Voltando aos quadrinhos ocidentais, é impossível não falar em como este tema foi explorado de forma fantástica durante a maneiríssima fase de "Os Novos Titãs" da DC Comics com a dupla George Pérez e Marv Wolfman.
O Irmão Sangue é para mim o maior vilão enfrentado pelo grupo de super heróis adolescentes da DC. Sim, porque considero o Exterminador mais como antagonista do que como vilão.
Líder supremo da Igreja do Sangue, o Irmão Sangue nasceu em Zândia, um pequeno país que pode ser considerado a "lixeira" do mundo, já que é habitado principalmente por criminosos, terroristas, assassinos, ex-ditadores, enfim, todos aqueles que são procurados pela polícia de alguma parte do mundo. E eles ajudam a encher os cofres da Igreja do Irmão Sangue em troca de proteção.


Existem várias filiais das igrejas do Sangue pelo mundo e muitos de seus fiéis ocupam cargos elevados em governos nacionais proeminentes, o que tornou a seita muito mais difundida.
Como já devem imaginar, o objetivo desta seita é dominar o mundo. A Igreja do Irmão Sangue faz uma verdadeira e literal lavagem cerebral, sobretudo nos mais jovens, muitos deles outrora rebeldes ou entregues às drogas, tornando-os fanáticos. No congresso norte americano há muitos seguidores da seita que defendem o trabalho da igreja por transformarem jovens delinquentes em jovens "exemplares", mas a verdade é outra.
Jovens, cuidado com as seitas! Batalhem por suas mentes!
Tal é a proximidade do Irmão Sangue com o governo dos EUA que houve até uma negociação aberta sobre o possível envio de armas militares para Zândia para supostamente serem usadas na batalha contra o tirano governante daquela nação, que aliás também é controlado pelo líder espiritual.


E esta igreja ainda tem o apoio de uma grande emissora de TV na figura da jornalista Bethany Snow, também membro da seita e responsável por uma feroz companha contra os Titãs!
É, esse Irmão Sangue parece MUITO com um certo "profeta" brasileiro que nós bem conhecemos. E pode também ser facilmente confundido com outros tantos.
Como Wally West (na época ainda um Titã) bem disse: "O pior de tudo é que uma igreja podre como esta pode manchar a imagem de qualquer crença religiosa".

Vocês tem algum problema com nossas animações nacionais? Eu particularmente curto a maior parte delas. 
"Brichos" é uma série infanto-juvenil bacaninha e feita do jeito que eu gosto, estrelada por adoráveis furries animaizinhos da nossa fauna brasileira. É um desenho divertido e também crítico, tendo como objetivo despertar a consciência cidadã das crianças e ainda estimular conversas e reflexões em casa e na escola, entre pais e filhos, tios, amigos, alunos e professores.
O assunto sobre política e religião é discutido com bastante ousadia e irreverência em um episódio em particular da série.

                           

É no episódio 7 da 1ª temporada do desenho, intitulado de "O profeta", que surge um sujeito estranho e bem esteriotipado, fazendo discursos em praça pública sobre o fim dos tempos. Trata-se de um leão, chamado Léo do Céu, e ele vai agregando vários adeptos, tornando-os fanatizados. À medida que o seu poder aumenta, ele se candidata a prefeito e promete acabar com a democracia, pois ela é coisa "do Demo".
Politicamente incorreto na medida certa! Do jeitinho que eu gosto!

Saindo agora da ficção e para encerrar, vou dar minha opinião. Mas por favor, é apenas a MINHA opinião. Não tenho a intensão de forçar ninguém a mudar a forma de pensar. 
Neste ano aconteceu um tipo de "marcha da família" que não passa de uma caricatura do que vem a ser a defesa legítima de instituições como a família e a religião na vida da sociedade civil. Em outras palavras, um simulacro da mentalidade conservadora que demonstra a grande confusão que há entre “Intervenção Constitucional” e “Golpe de Estado”.
O conservadorismo não deveria pretender congelar o passado. O conservador considera sim, ao voltar-se para a sua consciência, a ordem das coisas permanentes e, por isso, rejeita o modo de viver de homens ocos e infantilizados.

Apesar do que muitos podem pensar, a exceção do Cristianismo, mistura entre religião e estado sempre esteve presente na história da humanidade. E eu acho errado tanto aqueles que deturpam o sentido de Estado Laico, quanto aqueles que consideram o Estado Laico apenas quando lhes convém. No caso da Cristandade, há uma Igreja que é independente dos Estados sem competir com ele e sem ser um estado ela mesma.

O cardeal Wolsey e Sir Thomas More
A disputa entre Henrique VIII e Sir/São Thomas More é um fato fundamental para a compreensão da noção moderna de Estado Laico. Divisão cuja longa história remonta à Revolução Papal do século XI iniciada pela reforma de Gregório VII.
Thomas More foi um humanista, um homem das leis, um dos maiores intelectuais da Idade Média, aliando muito bem a sua fé às novidades trazidas pelo Renascimento, um homem que foi admirado até pelos detratores da sua fé. Ele foi o primeiro leigo a tornar-se chanceler do reino da Inglaterra, mas abandonou o seu cargo por não concordar com os rumos que o governo estaria impondo a Igreja em seu país, nunca trairia a sua consciência e os seus ideais.
Assisti novamente ao filme clássico dos anos 60, "O homem que não vendeu a sua alma", um dos maiores de toda a história do cinema, onde ele é representado pelo grande e saudoso ator Paul Scofield. E aqui gostaria de deixar um dos momentos favoritos da história:

 

Muito foda!

Curiosamente, ele fora declarado pela Igreja patrono dos políticos. O que é uma grande ironia, afinal fora traído pelos próprios políticos e entregue ao martírio. 

Encerramos aqui esta massante postagem e, por mais que possa parecer repetitivo, não custa nada lembrar para votar com consciência.

Créditos pelas informações sobre quadrinhos ao 100grana.

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