sexta-feira, 13 de junho de 2014

DICA DE MANGÁ: RYU FINAL (Parte II)


Retornamos. E hoje nos voltaremos para o segundo (e último) volume do mangá "Ryu Final".
E, como vocês perceberão, da mesma forma que a postagem anterior, esta terá muitas imagens que são muito épicas.
 

Este volume começa com a mesma pilha de pedras com um pedaço de pau cravado nela, o mesmo que vemos no volume anterior. Mas desta vez vemos também que a bandana vermelha de Ryu está amarrada nele.
 
 
Elena não tem novamente participação digna de nota no mangá, mas o volume começa com uma bela imagem da personagem. E eu coloquei ela aqui de propósito simplesmente porque ela ficou muito gata e gostosa de se ver. Não acham?

Esta história não começa com algum outro desafio para Ryu, mas reafirma todas as lições aprendidas por ele que são tão importantes quanto tudo o que vimos no primeiro livro. Esta história está à princípio centrada em Sagat, uma espécie de Vegeta para Ryu e atualmente o meu Street Fighter favorito junto do protagonista desta história. A primeira imagem que temos é do caminhão de Hugo e Poison estacionado do lado de fora de um templo no coração da Tailândia.


Hugo parece tenso. Embora ele se erga sobre o poderoso tailandês, é incapaz de conseguir um hit sólido sobre ele. Sagat é imóvel e permite que Hugo o atinja com seus socos que parecem não lhe causar dano algum.

Sagat: "Muah, ha, ha, ha!" 
E isso é deveras assustador se levarmos em consideração aquilo que o personagem Hugo era capaz de fazer no volume anterior...


Em um acesso de raiva, Hugo decepa e levanta a cabeça de pedra de uma estátua de Buda (os cenários do Sagat em todos os jogos são dotados de religiosidade e cultura tailandesa) e a usa para bater no Sagat. Aquela rocha gigantesca simplesmente quebra em um milhão de pedaços ao atingir o lutador. E na sequência Sagat derruba o poderoso gigante com um único chute.


Se estas cenas épicas tiveram como objetivo mostrar o quanto Sagat é foderoso... bem, sem comentários. Ele é foda mesmo!
Em seguida, Sagat parecia meditar e ele se lembra de sua vida de lutas.

                               
Surgem novos flashbacks e agora estamos de volta para um período em que Sagat estava em seu momento mais perigoso. Ele havia sobrevivido ao Shoryuken de Ryu e estava se recuperando na Tailândia. Furioso consigo mesmo, ele leva sua agressividade para fora na selva. Derrubando árvores e tentando fazer suas técnicas mais fortes. Adon assiste a uma certa distância, decepcionado com o que Ryu  fizera ao seu mestre. Embora enfaixado, Sagat tem uma séria ferida que não cicatrizava.


Sagat não pára por tempo suficiente para pensar sobre as consequências de suas ações até que acidentalmente bate numa árvore que vem à baixo e fere uma criança. Ele leva a criança a um templo onde os monges poderiam cuidar dela. Acho que muitos leitores devem ter ficado surpresos com o lado benevolente de Sagat.
Mas aquele monges tentam alertar Sagat sobre o que ele está se tornando.


Apesar de ter recebido um golpe potencialmente fatal, a criança sobreviveu. Talvez pelo tamanho da sua determinação ou era a sua vontade de viver que a mantinha viva. O que preocupava os monges era a cicatriz deixada pelo Shoryuken no peito de Sagat. Ela não é a cicatriz física mas sim emocional. Eles alertam Sagat que a vingança e o ódio são o que lhe alimentam agora. Esse ódio vai consumi-lo por dentro e a cicatriz nunca vai sarar se Sagat continuar possuído por esse desejo de matar.


Sagat vive por uma razão, existe um potencial enorme nele, mas ele parece estar perdendo o seu propósito.
Os monges dizem naquele momento que caçadores furtivos estão prendendo e matando tigres nas proximidades da aldeia deles. Sagat deveria estar defendendo sua terra natal. Assim, ele deixa a criança com eles e vai para a selva.


Dois caçadores estavam perseguido um tigre feroz e um deles acaba sendo morto pelo imenso felino. Antes que o tigre pudesse atacar o outro, Sagat surge e chuta o animal na cabeça, assustando-o e fazendo ele ficar manso e recusar. O caçador sobrevivente agradece a Sagat, mas ele rejeita.
Parece que Sagat encontrou um novo alvo para a sua agressividade. Ele começa a bater no caçador por tudo o que este fizera a selva. E no processo a cicatriz em seu peito se abre e ele começa a sangrar novamente. Enquanto Sagat faz uma pausa para apertar o peito, o caçador pega um pequeno refém.


É a criança que Sagat acidentalmente ferira. O caçador a tem como refém. Então o lutador tailandês joga sua mão entre a arma do bandido e a criança.


Aquele criminoso dispara grande parte da sua munição na mão de Sagat, e não é que balas não são nem um pouco efetivas contra ele! De fato, o caçador ainda dispara suas balas na barriga de Sagat e o resultado é ainda mais assombroso. Ele simplesmente não pode ser ferido por uma arma!
Mas também, depois do que Sagat fez com o Hugo, o que é um simples revólver para ele?


Sagat poderia facilmente matar o caçador, mas escolhe poupá-lo. Ele acabara de compreender que ao contrário de Ryu, esta pessoa era um criminoso disposto a mata-lo à sangue frio. Nesse ponto Sagat escolheu o seu caminho, ele não vai deixar a raiva consumi-lo, ele não vai usar o muay thai como um meio de se vingar. Não manchará o nome de seu amado país.
As bandagens caem de seu peito enquanto ele mantém o caçador seguro no alto. A cicatriz enorme em seu peito finalmente parou de sangrar. Sagat amadureceu tanto quanto Ryu. Aprendeu muitas lições e agora persevera. Ele é a prova de que mesmo uma ferida mortal pode ser superada.

Agora é o presente, e Ryu retorna para a Tailândia para uma revanche. Ryu e Oro encontram um casal de adolescentes que trabalham como agricultores perto do templo.


Os aldeões que Sagat protegeu há muitos anos estão crescendo.
Aquele lutador impiedoso que dá risada do adversário a cada vitória nos games tem um lado sangue-bom que pega qualquer um de surpresa.
Sagat espera por Ryu, a batalha entre o tigre e o dragão em breve acontecerá.


Sagat está mais forte do que jamais esteve e Ryu tem treinado mais do que nunca. De todas as rivalidades em Street Fighter esta é o mais antiga. Nakahira nos diz o que aconteceu entre eles durante a continuidade de SF III.


Isto é importante porque em termos canônicos Sagat não estava presente no game SF III.
Ambos Ryu e Sagat se preparam para a luta com Oro e os dois jovens agricultores agindo como espectadores. Há uma tempestade, mas nem Sagat nem Ryu vão deixar a chuva impedi-los. Eles avançam para a luta quando o raio atinge a cena. Há um grande clarão.
É, e a batalha terminou em poucos hits.


O último ataque de Sagat, com o joelho, foi devastador. Ryu já está caído sobre o que restou da estátua do Buda dormindo. Cacilda!


O típico recurso dos mangás de luta aqui é utilizado. Os golpes de Ryu e Sagat eram velozes de mais para os nossos olhos, olhos comuns de reles mortais, enxergarem!
Oro foi o único que foi capaz de perceber os golpes e saber quando cada um atingiu o outro. Ryu parece abatido, mas o joelho de Sagat tocou chão e ele então a sua derrota.  
Aqui vai rapidamente em câmera lenta o que aconteceu naqueles segundos que determinaram o resultado da luta:

Uma luta entre dois lutadores de altíssimo nível pode realmente ser decidida em poucos movimentos.

Detalhe que mais uma vez Ryu sobreviveu a uma porrada absurdamente foda, mas seu golpe foi o mais perfeito e sutil e foi isso que fez Sagat admitir que mais uma vez foi derrotado.


O velho ferimento de Sagat reabriu!
Ryu não entende. Ambos os lutadores eram capazes de levar a luta para muito mais longe. Sagat desistiu da batalha justamente quando viu a sua cicatriz sangrar e compreende que mais uma vez foi superado por seu rival. Embora suas forças fossem equivalentes, Sagat foi superado pela habilidade de Ryu e resolveu aceitar com honra. É como a velha superstição japonesa apresentada nos OVAS clássicos de "Ruroni Kenshin". Uma ferida feita com ódio nunca cicatriza. E Ryu que na época encontrou o poder do Satsui No Hadou era realmente puro ódio. Mas aqui, o ódio era carregado por aquele que recebera o ferimento e o cura veio quando ele desistiu desse sentimento.
Agora Ryu sabe que o caminho do guerreiro não é validado se deve lutar até a morte e descobriu que cada batalha não tem que acabar com ele incapacitando ou nocauteando seu adversário. Ryu não deve se tornar aquilo que mais despreza.


Ryu e Sagat chegam a um entendimento depois disso. Assim, Ryu e Oro deixam a Tailândia. Sagat enfaixado novamente com os seus jovens amigos segurando um guarda-chuva sobre a sua cabeça assiste satisfeito a um velho adversário partir.


A primeira parte deste impressionante capítulo chega ao seu fim.
Sagat tornou-se mesmo um personagem muito envolvente!


Ryu e Oro tem absoluta convicção de para onde seu caminho vai leva-los.
Através das memórias de Ryu, o leitor é levado novamente ao passado  para testemunhar um momento importante na continuidade SF. Nakahira nos mostra a luta entre Gouken e Gouki em toda sua glória e violência. Ryu e Ken estão mais jovens do que estavam em "Zero".
Gouki e Gouken lutam com tudo, destruindo toda a paisagem em que se encontravam, eles se enfrentam por todo o bosque de uma forma muito cinematográfica. Lançam movimentos especiais um contra o outro, mas Gouken, eventualmente, é ultrapassado por seu irmão.


Ele é espancado e morto quando Gouki que atravessa o seu peito com o seu punho. Gouki ainda leva o colar de contas gigante do corpo de seu irmão e o coloca em torno de seu próprio pescoço. Ken e Ryu chamam por seu mestre, mas não obtém respostas. E isso não é bom.
Gouki percebe a presença deles, mas simplesmente vai embora. As memórias de Ryu o torturaram por um longo tempo e agora é a hora de fazer algo a respeito disso.


Ryu e Oro retornaram para o Japão, onde se reúnem com Ken e Sean. Agora Ken e Ryu preparam-se para o momento mais importante de suas vidas.


Eles atearam fogo no antigo templo de seu mestre. É um majestoso castelo que foi visto durante muitos anos por todos nós no fundo do cenário de Ryu em praticamente todos os jogos de Street Fighter. Infelizmente esta é a última vez que vamos vê-lo de pé.


Ryu e Ken devem se enfrentar para determinar quem deve desafiar Gouki enquanto o seu dojo queima ao longe. Ryu se concentra em um golpe bem colocado. De repente o templo explode em colapsos. Gouki desce sobre uma pilha de escombros (esse parece que sempre foi o seu meio de transporte, vide a apresentação de "SNK vs Capcom Chaos", meio bizarro). Os dois grandes guerreiros fazem uma pausa para estudar um ao outro.


Desta vez não teve para o lutador norte-americano! Ryu derrotou Ken com muita facilidade! Repare na cara do Sean, ele simplesmente não acredita. 
De certa forma, é engraçado ver que o caminho que Ryu  trilhou por anos acabou conduzindo-lhe de volta para casa.

 

Gouki encontra ironia no fato do garoto que ele salvara ter transformado-se em um guerreiro capaz. Ambos riem um pouco. É a única vez que você vai ver um sorriso em Gouki, é um pouco perturbador. Ryu tenta acertar Gouki com um Shoryuken. Gouki agarra a mão de Ryu e simplesmente a esmaga!


A luta é brutal e, apesar de Ryu ter crescido e aprendido muito nos últimos anos, ele ainda não é páreo para Gouki.


Gouki bate em Ryu e o acerta com o lendário Shun Goku Satsu! O mesmo golpe definitivo que feriu de forma mortal o seu irmão e o seu mestre Goutetsu .
Este golpe tem a intensidade do seu poder proporcional ao pecado do seu oponente. Quanto maiores os crimes do pecador, mas dolorosa é a sua morte! Assim como seu mestre Gouken, Ryu teve o seu corpo transpassado pelo punho de Gouki na altura do peito.


Para se certificar de que Ryu nunca mais se levante, Gouki ainda faz uma bola de fogo da mão passar pelo corpo do lutador já agonizante. Isso explica o flash de luz que você vê no final do golpe na versão de videogame.
Ryu cospe sangue que respinga pelo rosto de Gouki. Mas quando tudo parecia terminado, Ryu dá sinal de vida e promete retribuir o favor em espécie.
Ryu coloca a palma da sua mão no corpo de Gouki e atira uma bola de fogo através dele! Os dois homens agora estão cambaleando para trás.


Ryu está sangrando muito e se pergunta como Gouki pode permanecer de pé.
Gouki arranca o kimono e podemos ver um tipo de  buraco em seu torso. Gouki está oco por dentro (!), ele fora completamente consumido pelo lado negro da força Satsui No Hadou! Tudo o que resta é uma casca cheia de todo o seu ódio.
Ryu amaldiçoa o monstro por matar o  seu mestre e também por matar a si mesmo. E essa, meus amigos, é a cena mais fodona e épica de todo o mangá!


Eles atacam um ao outro mais uma vez. São atingidos por aqueles golpes simultaneamente e agora tornam-se consumidos pelo fogo. Gouki se afasta de Ryu e cambaleia em direção ao fogo do templo em chamas. O demônio foi derrotado, mas o preço foi alto de mais.
Ryu está morrendo...


O epílogo.

Agora vemos Alex, um certo personagem de SF III que eu curtia muito e gostaria de vê-lo nos novos jogos da série, mas a Capcom trolladora do jeito que é...
Bom, ele estava sentado em um beco e parecia perturbado. Mais cedo naquele dia, ele tivera uma luta com Ken no Madison Square Garden. Alex como você deve saber foi um grande lutador no circuito de MMA e ele pode até mesmo vencer Balrog (o boxeador da Shadaloo) em uma luta. Mas agora tivera a sua batalha final com Ken e foi finalmente derrotado. Alex está decepcionado consigo mesmo, não por perder para Ken, mas porque ele percebe que ainda não é forte o suficiente para enfrentar Gill, de quem busca vingar a sua família. A família adotiva de Alex o encontrou de mau humor naquele beco e lhe ajudou.
Poucos dias depois, Alex parece estar melhorando quando se encontra com Ken e sua família. O melhor amigo de Ryu informa que a única maneira de obter mais poder é viajar ao redor do mundo e aprender com os melhores. Pouco depois, o filho de Ken alcança Alex, que já seguia o seu rumo e lhe entrega a bandana vermelha de Ryu, sabendo que ele respeitava muito o lendário lutador.


Vemos Alex, meses mais tarde, nas colinas do Japão. Supomos que ele já fez uma extensa viagem. Aprendendo com Birdie, Zangief e Adon, conforme o cânon. Ele pára nas ruínas que antigamente eram o templo onde Ken e Ryu treinavam. É uma cena triste agora, nada além de escombros. Há uma pilha de pedras e um pedaço de madeira cravado nelas marcando um túmulo. Alex se ajoelha e amarra a bandana vermelha nele. Ele deseja que poderia ter aprendido com os melhores para ter uma luta com Ryu mais uma vez.


Então vemos uma silhueta que aparece no horizonte. Não sabemos se é uma memória ou imaginação de Alex. Ele se vira.


Ryu está ali de pé, sorrindo. Seu cabelo despenteado. E uma grande cicatriz circular em seu peito.
THE END.
Agora você sabe por que eu sou tão crítico com os quadrinhos da Udon? Por que eles não podem escrever ou desenhar algo tão épico como "Ryu Final"? Então o que podemos dizer do final deste mangá? Bem, além da sobrevivência quase impossível de um soco no peito, podemos ter muitas coisas para o futuro da série, em termos canônicos e videogame. Sua sobrevivência a um golpe de morte foi prefigurada por Sagat no início do mangá. Ryu não retorna como um messias, mas como um verdadeiro artista marcial. Ryu aprendeu a aproveitar o poder de um intento assassino com o "Punho do Vento" e parece ter finalmente completado sua jornada. Deste ponto em diante ele deve ocupar um lugar de grande importância no universo.
Ah, e agora você sabe qual foi a inspiração para o novo design do Evil Ryu nas séries de "Street Fighter IV".

Antes de prosseguirmos com a conclusão deste mangá, vou fazer algumas considerações como um gamer:

Houve uma ideia de dentro da Capcom para  substituir Ken e Ryu como os personagens principais de Street Fighter. Isso nos leva de volta para os idos de 1989, quando Guy, Cody e Haggar deveriam substituir Ken e Ryu. Mais de 20 anos e os fãs queriam que Ken e Ryu permanecessem como os protagonistas e a Capcom logicamente iria concordar. Quando comparado a outros títulos de jogos de luta, a série SF não tem progredido muito nos últimos 25 anos. Com certeza, cada geração de Street Fighter supera a anterior, bem como quaisquer contemporâneos. O período de 25 anos não foi ruim, mas poderia ter sido bem melhor! A Capcom parece ter parado no lugar, porque não pode empurrar a série para a frente, sem alienar os fãs. No entanto, há uma diferença na geração de jovens que cresceram com títulos do arcade e aqueles que nunca jogaram um. Há pessoas ansiosas para experimentar um jogo de luta, mas que não sabem por onde começar. Não haveria melhor momento do que agora para relançar a série, tanto para as antigas quanto para as novas gerações. Mas infelizmente não foi o que esperávamos.

Vamos supor que a Capcom levasse a coisa à sério. Vamos até dizer que eles decidam ir com o trabalho de Masahiko Nakahira, como fizeram no passado. O que podemos esperar para ver? Ryu e Ken deveriam ser chefes. Cada um atingiu o auge de suas habilidades e não há lugar para eles irem, a menos que a Capcom queira puxar um pouco da SNK e começar a introduzir novos lutadores poderosos e demônios ímpios como os principais vilões. Há uma dualidade com os dois rostos mais conhecidos de SF , cada um representa uma versão diferente de Oyama.
Ken representa o caminho do lutador em busca de glória, competindo em um palco popular. Ele tem tudo, os títulos, os cinturões, a fama, a família e o dinheiro. Ken representa o pico do lutador mainstream, o ideal ocidental. Ele poderia tornar-se um chefão ou subchefe. Poderiam haver diferentes chefes dependendo do lutador que você escolhesse como em SF Zero 3.
 
 
Ryu poderia ser o chefe principal absoluto no jogo. Considerando Ken uma lenda mainstream, Ryu é a lenda desconhecida. Ryu não se importa com competições ou títulos, ele procura os mestres de cada disciplina em lutas secretas. Neste jogo seria tanto inspirador ver como personagens que cresceram ao longo das séries clássicas tornaram-se chefes. A Capcom nem sequer precisa explicitar o que ou como aconteceu. Vamos dizer que 99% das pessoas que comprarem o jogo nunca leram os livros de Nakahira. Ele ainda iria funcionar. Os jogadores são inteligentes.
Eu me lembro quando SF II chegou ao fliperama local da minha cidade. Todos os frequentadores se revezavam tentando vencer o jogo e poucos conseguiram. Era legal o ar de mistério na origem dos personagens e os jogadores usavam um pouco da sua imaginação para idealizar o passado de cada um deles. Os chefes foram alguns dos responsáveis por tornar a série épica. Depois de derrotar o Balrog, a maior dor de cabeça era o M. Bison e me recordo de ter visto ele ser derrotado apenas uns duas vezes no flipper. Meu irmão e eu éramos fãs do original e poderíamos falar muito sobre aquele tempo. Alguém já viu e jogou SF I? Sagat, que já fora o chefe final,  retorna em SF II como o subchefe e ele agora tinha uma cicatriz no peito e isto foi o que fez um personagem genérico tornar-se um memorável. Antigamente a Capcom sabia se conectar e avançar no jogo através de algumas pistas visuais.
Voltando ao mangá, só falta o Doutor Nerd dizer qual foi a sua nota:


Nota 10!
Mas vou dizer nota 1000!
 
 
"Ryu Final" ainda é o melhor mangá e possivelmente a melhor mídia baseada em um grupo de lutadores de videogames. Os personagens de Street Fighter são épicos para mim e não há nenhum outro grupo de lutadores que vai superá-los em carisma e estilo. Ryu é o maior lutador de todos os tempos, assim como Oyama que o inspirou.
O mês de Junho vem com um Top 10 especial e uma data comemorativa a seguir. Então em breve haverá postagem nova.
Até a próxima e obrigado por ler.

sábado, 7 de junho de 2014

DICA DE MANGÁ: RYU FINAL


Aproveitando o grande acontecimento que foi a publicação do mangá de Street Fighter Alpha neste ano no Brasil, decidi falar sobre um outro quadrinho também feito para os lutadores mais famosos de todos os fighting games.  
Vamos falar sobre "Ryu Final", o trabalho de Masahiko Nakahira criado para Street Fighter. O mangá foi feito na continuidade do game SF III, para ser mais preciso, se passa durante o "2nd Impact: Giant Attack". E, assim como o "Street Fighter Alpha" aqui publicado, também tem a sua história centrada em Ryu, o maior ícone dos lutadores dos games, se me permitirem opinar. Porém, trata-se de um mangá bem menos conhecido por estas bandas. Eu por exemplo, nunca consegui encontrar alguma scan que não estivesse totalmente em japonês. Então tive que contar com as traduções porcas (porém de boa vontade) dos fãs, encontradas em alguns sites e fóruns de discussão para alguma outra língua mais conhecida pelo homem.
E já vou afirmar que este mangá é fantástico. O melhor já feito para um universo de fighting games. É algo que vale a pena conferir. Nakahira é um gênio quando se trata de tramar os eventos do seu mangá. Cada personagem, localização, luta e moral foram feitos com premeditação. Ele não apenas traçou uma história linear, mas com cuidado cruzou muito bem os flashbacks em cada um das páginas. A parte mais fraca de sua história é melhor do que qualquer coisa que eu já vi com a Udon Comics.
Nesta postagem vamos falar apenas sobre os principais acontecimentos da primeira parte desta história. O mangá "Ryu Final" é dividido em dois grandes volumes.


A primeira imagem que temos é de uma pilha de pedras e um pedaço de madeira. Como um marcador de um túmulo. Mas para quem?
Ken e Ryu aqui aparecem mais velhos, mais fortes e muito mais sábios do que quando os vimos pela última vez. Eles estão, possivelmente, no auge de suas capacidades.
Ryu começa o conto treinando na sombra do seu antigo dojo. Ele lembra as lições aprendidas com seu mestre Gouken (aquele velho fodão com quem você deve ter se amarrado em jogar no Super Street Fighter IV... ou não). Aqui Nakahira nos apresenta Ken e Ryu mais jovens do que eles apareceram nos livros de SF Zero. Ryu se lembra, numa cena mó estilo Jedi, que ele e Ken são parte da vida, respiração do mundo, e não estão à parte dele. Naquele treinamento cabia a Ken e Ryu pegar uma folha que caia de um majestoso carvalho, uma tarefa que parece simples, mas com significados muito profundos. Em quase todos os livros de Nakahira você vê um grande carvalho e folhas surgindo uma vez e outra. As folhas e as lições de Gouken também retornam nos créditos finais do SF III: 3rd Strike. O ciclo de crescimento e mudança, a força eterna com as raízes se aprofundando à medida que crescem. O treinamento duro de Ryu e as árvores que se abalam com seus golpes são inspirados em contos reais de um tremendo e poderoso lutador chamado Masutatsu Oyama. E, caso você não o conheça, deveria conhecer.


Ryu está totalmente confiante de suas habilidades e decide que é hora de voltar para o circuito de lutas e provar a si mesmo. Sua primeira parada é São Francisco, onde Ken, em um iate e na companhia de sua família, aguarda a visita de Ryu.
O pequeno Mel, filho de Ken e Eliza, estava até chorando porque tinha medo da baita surra que o seu pai iria tomar de Ryu. Coitado do guri. Depois de algumas formalidades, a rivalidade clássica entra em curso novamente. E o resultado não poderia ser mais surpreendente. Ryu é profundamente espancado por Ken, que literalmente varreu o chão com o lutador japonês. De alguma forma Ken superou o seu melhor amigo.
Ken alcançou um nível muito acima de Ryu e tornou-se um verdadeiro artista marcial. A razão é contada em flashback.


Ken havia desafiado o homem-deus Gill (o chefão do SF III, que provavelmente você xingou muito no fliperama por fazê-lo perder todas as suas fichas) e foi logicamente espancado pelo Iluminate.
Deitado em uma poça feita do seu próprio sangue, Ken sentia que seu fim estava chegando, mas ele nunca se permitiria ser derrotado em combate por qualquer pessoa. Ao lembrar-se de sua esposa e filho, reconheceu que sua vida nunca foi para a derrota. Eles eram a sua fundação e Gill era o ser condenado por tentar romper esses laços. Daquele ponto em diante Ken percebeu que estava lutando não apenas para si, mas para a sua família e era por essa convicção que ele nunca iria falhar com eles. Com sua força restante ele golpeou Gill com um Shoryuken da mesma forma que depois fizera com Ryu. Uma vitória clara. Esse Ken ficou bem fodão.


As cenas e enredo com Gill foram abordados com o menor tempo necessário. Nakahira sabia que a parte importante da história não era para tentar explicar o enredo de SF III, mas permitir que o leitor descubra o quanto o elenco havia crescido.
Ryu deixou aquele encontro um pouco humilhado, mas grato. Ele sabia agora que também precisava crescer. Então ele disse adeus a seus amigos e partiu novamente. Enquanto dormia em um parque, ele foi acordado por Oro, que estava tentando ficar com sua mochila. Ryu resolveu tirar satisfações com o velho, mas em vez disso é derrotado pelo mestre idoso.


Oro, para quem já o conhece no game, é um lutador bem bizarro, mas até legal no quesito originalidade. Ele sela um de seus braços para tornar as lutas mais justas para seus desafiantes e ainda assim consegue bater em Ryu, que torna-se progressivamente irritado com o seu adversário e finalmente decide que já teve o suficiente.


Ryu tenta contra-atacar com um Hadouken, mas e Oro responde desencadeando uma enorme Yagyou Dama, que parece mesmo uma Genki Dama ou uma bola de fogo que tem o tamanho de um mundo.

DÁ HADOUKEN, RYU!
Acontece que Oro estava apenas testando seu adversário, na esperança de encontrar um estudante digno para receber o seu treinamento. Ryu é esse caso especial de lutador e então ele decide ficar sob a tutela do mestre de 140 anos.
E o treinamento começa com Ryu carregando nas costas uma pedra gigantesca com Oro sentado nela.



Neste ponto da história Ryu está praticamente no fundo do poço. Isso é importante, porque ele deve ser reconstruído como pessoa e como lutador. As batalhas que ele teve no passado, contra adversários como Sagat e Vega deveriam ter feito mais dele. Em vez disso, ele ainda está bloqueado no sistema rígido ensinado a ele por seu mestre e sem vontade de progredir. Cabe a Oro mostrar o seu verdadeiro potencial ou matá-lo no processo.
Em algum lugar da Alemanha, Ryu encontrará a sua primeira batalha.
Quando os novos personagens vão surgindo em cada cena, é uma verdadeira festa para os grandes fãs da série de games. E como eles são bem retratados!
O oponente de Ryu é ninguém menos que o gigante Hugo. E a batalha entre os dois é uma das mais brutais deste mangá. A imitação de André the Giant é como uma força da natureza contra Ryu.  
E Hugo vem acompanhado por sua empresária Poison, que aliás sempre apareceu junto dele, desde os tempos em que ambos surgiram em "Final Fight".



A cena da aparição dos dois personagens é bem engraçada e divertida. Nakahira soube retratar os personagens de forma tão simpática que até quem não tem afinidade com os games pode acabar curtindo todos eles. 

Essa aí na figura acima é a Poison. E se você se sentiu atraído tenho más notícias...
Ah, quer saber, não vou perder tempo fazendo piadas infames sobre o gênero dessa "garota" porque a essa altura do campeonato não deve ter mais nenhum desinformado sobre o tema.
"A sua aparência engana mesmo! É melhor eu tomar cuidado para não cair na sua armadilha."
Ryu sobre Poison
Ryu mostrou que está mesmo muito bem treinado em "Street Fighter Vs Tekken". E ele é foda mesmo porque Poison está feminina demais nesse jogo, impossível você desconfiar que isso aí... pudesse ser uma cilada.
Mas voltando ao assunto do mangá, eu achei demais a aparição do Hugo. 


Nakahira usa a perspectiva exagerada para fazer Hugo parecer ter mais de 3 metros de altura. Isto é, a mesma técnica dramática que Tetsuo Hara utilizava para fazer os adversários gigantescos que o Kenshiro enfrentava em muitas batalhas no animê/mangá "Hokuto no ken". 
E pensar que em "SNK Vs Capcom Chaos" ele parecia até maior do que isso!


O que eu disse sobre "força da natureza"? Se bem que no caso deste gigante está mais para aberração da natureza. Hugo não apenas deu um cacete federal em Ryu, ele praticamente demoliu uma cidade inteira (Tô falando sério)!


Nessa hora nós vemos que não é apenas Hugo um anormal por causa do seu tamanho e da sua força. Ryu consegue ser igualmente assustador. Ele apanha muito nessa cena, mas continua vivo. Ninguém normal poderia sobreviver a esse absurdo, mas ele consegue.


E finalmente Ryu é capaz de derrotar Hugo com um Shoryuken bem posicionado em seu estômago.


Parece que Davi derrubou Golias!
Não é fácil para Ryu para ganhar batalhas. Ao contrário dos quadrinhos da Udon onde normalmente pode derrubar seus oponentes com um peteleco, nada vem fácil nos mangás de Nakahira. A importância desta luta é mostrar a ele (e ao leitor) que sempre haverá adversários maiores e mais fortes que esperam por um desafio.

A moral da batalha contra Hugo é que a força é temperada pela técnica. Ryu continua seu treinamento com Oro depois de ter conquistado o respeito de Hugo e Poison.


Ele viaja em seguida para o sul e finalmente encontra Yun e Yang. Os irmãos são lutadores ousados e inexperientes. A determinação dos jovens mestres de kung-fu é um paralelo entre Ryu e o legado de Ken. Mesmo que Yun e Yang fossem espancados por Ryu eles nunca vão parar de lutar.
Ryu se lembra de como ele também fora teimoso na sua juventude.


Em outro flashback, vemos um jovem Ryu, muito mais jovem do que ele já fora apresentado. Sua constituição é magra, com o cabelo despenteado, mas ele tem uma determinação que impressiona Gouken. Ele quer provar que é digno de aprender com o mestre para quem ele diz que vai lutar para afugentar um urso que aterrorizava as aldeias locais.
Gouken encontra a mochila ensanguentada do menino alguns dias depois e teme que o tal urso tenha matado Ryu. Esta aventura, como grande parte da vida de Ryu, é inspirada na releitura ficcional da vida de Oyama, mais conhecida em "Karate Baka Ichidai", um animê clássico muito foda. Em particular a batalha aqui é entre Ryu e um urso perigoso, a mesma coisa que aconteceu com Yoshiji Soeno na animação. Nós vemos até mesmo Ryu na floresta perante o urso que de fato o ataca ferozmente.


O urso se lança sobre Ryu e está prestes a acabar com ele, quando é atingido por trás. A força de um soco viaja através da cabeça do urso e pára centímetros do rosto de Ryu. É um Gouki (se preferir chame-o Akuma) de cabelos selvagens que salvou Ryu e matou o urso.


Por que Gouki salvaria aquela criança? Foi naquele dia que Ryu viu o rosto do mal. Ele viu que as técnicas que ele queria aprender eram letais nas mãos erradas . Estas foram as técnicas que poderiam ser facilmente usados para matar se não fossem controladas.


No tempo presente Ryu agradece Yun e Yang pela luta e espera vê-los novamente algum dia. Como eles, Ryu ainda poderia crescer muito mais com as batalhas que virão.

Essa parece ser a melhor maneira de se fazer amigos no mundo de Street Fighter.
Alguém jogava com esses dois em "Street Fighter III"? Alguém jogava com o Oro? Esse aliás eu só soube que era fodão por causa do mangá!

A próxima batalha de Ryu nem de longe será tão fácil como a batalha contra Yun e Yang.

Dudley o pugilista, o campeão mundial dos pesos pesados, quer desafiar Ryu. E ele tem a aparição mais inesperada e cômica de todo o mangá!


Descobrimos que Dudley é um péssimo motorista. Mas também, experimenta segurar um volante usando luvas de boxe. Será que ele não tira nunca essas coisas?
Ele surge chocando-se com seu belo carro conversível em uma parede e o detalhe é que enquanto o veículo fica totalmente destruído, o pugilista salta para fora dele completamente ileso.

Você pensaria que, com Oro como seu novo mestre, Ryu teria se tornado um lutador melhor agora. Mas Dudley bate tanto em Ryu que faz medo até no leitor. É como se ele pudesse ler a mente do lutador nipônico, tendo todos os seus movimentos sutilmente calculados. Ryu simplesmente não é rápido o suficiente para pegar o campeão com a guarda baixa. Mesmo seu Shoryuken é pego e rebatido.
O Round 1 vai para Dudley, mas Ryu não vão ficar para baixo.


Esta é a parte um tanto abstrata do mangá, a razão mais fraca para um personagem a ser introduzido. Elena aparece, mas não luta. Ela está na África, um continente distante de onde Ryu está. No entanto, ela, como qualquer outro lutador está conectada ao mundo.
Tudo volta para as lições que Gouken plantou nos jovens Ken e Ryu. Eles fazem parte deste mundo vivo, as suas raízes têm crescido fundo e eles têm mais potencial do que imaginam. Cabe a eles acordar para isso e libertar o seu verdadeiro potencial. Com isso Ryu recobra seus sentidos e vemos as folhas do poderoso carvalho agitando-se ao fundo. Ryu ergue-se e prepara uma nova posição de combate. Oro e Dudley estão intrigados com esta intensidade recém-descoberta em Ryu.


Oro se pergunta como Ryu irá enfrentar o seu adversário agora. Dudley é o melhor das artes de boxe, possivelmente, as mais antigas artes de combate do mundo, que remonta milhares de anos. O boxe é um esporte refinado, chamado de a ciência mais doce pelos profissionais. Abraçando o ponto culminante da arte, Dudley representa um lutador no mais puro sentido da palavra. Ele é mais alto e seus golpes tem um alcance mais longo do que os de Ryu. Não há nenhuma maneira dele poder ser pego pelos golpes do lutador japonês. Um lutador puro não pode ser derrotado por estratégias e técnicas tradicionais. Ryu tem conhecimento de que ele não é rápido o suficiente para um movimento especial, ele também aprendeu que nem sempre força muscular supera os oponentes. Para evoluir, ele deve estar disposto a mudar a sua estratégia. Ele decide usar a força letal, mas usando-a de uma maneira nova. Os dois então atacam com tudo o que tem.


Dudley estava apontando para a cabeça de Ryu e não percebeu que o soco do seu adversário estava indo contra a sua mão. Ryu aprendeu a aproveitar o poder de um soco letal, mas não da maneira que foi usado em sua antiga luta contra Sagat. A força do golpe destrói a luva de boxe e Dudley tem os ossos de seu braço completamente quebrados!

Essa cena é simplesmente fodônica. A força do golpe também percorre o braço de Ryu e rasga parte de seu gi. Ryu permaneceu ancorado e a energia restante retorna à Terra. Dudley admite a derrota. Ryu aprendeu o "punho do vento", uma técnica única para ele e agora está pronto para um desafio ainda maior.
Fim do livro 1.
Demais, não é? O desenvolvimento do protagonista, o enredo, o traço. Tudo é muito bom.
Já que falei bastante sobre Masutatsu Oyama, aqui vai uma pequena homenagem ao lutador real que foi a maior inspiração para a criação de Ryu:


Masutatsu Oyama é o Japão que você precisa conhecer.
Criou o seu próprio estilo de caratê a partir do shotokan.
Permaneceu três anos em um montanha em completo isolamento e contínuo treinamento.
Durante a sua vida, enfrentou mais de 270 artistas marciais, nunca foi derrotado e chegou e destruir pedras utilizando as suas mãos nuas.
Lutava contra touros na unha e nunca faltou com respeito a nenhum aluno ou mestre de sua escola ou de outro estilo de caratê, até o fim de seus dias. Foi apelidado como a "grande montanha".


Ah, sim. Ao fim de cada volume há uma Omake estrelado pela Karin Kanzuki e ainda com uma participação hilária do impagável lutador Dan.
Eu gosto bastante desta personagem que surgiu originalmente no mangá "Sakura Ganbaru" e depois foi transportada para os games de Street Fighter. Pena que a Capcom é muito sacana e gosta de nos desiludir. Quem não acharia o máximo ver a Karin em "Ultra Street Fighter IV" ao invés de um simples personagem editado da Cammy? E pensar que nos fizeram esperar tanto por um personagem novo e nos apresentam aquilo. Infelizmente esses parecem ser os indícios de que esta empresa anda ruim das pernas.
Bom, em breve voltarei ao blog com o volume 2 de "Ryu Final". Até a próxima!

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